terça-feira, 1 de setembro de 2026

Enlace Perigoso

 No resort Doupresx,

Todos os casais mais badalados

Se encontram e sorriem

Um para o outro,

Os biquínis usados lá dentro

Não escondem a etiqueta

Ou mesmo os preços pagos,

Cada espreguiçadeira

É colocada em local reservado

E privativamente caro.


Bem, mas lá dentro

Casais se encontram

Enquanto outros separam-se.

Setembrante pediu ao irmão

De presente de aniversário

Algumas diárias para usufruir

Lá dentro.

-Você jura Setembrante

Que quer usar o seu presente

Nesta ideia tão tosca?

Indagou o irmão

Enquanto almoçavam com os pais

Na mesa do meio-dia.

-Sim, meu irmão.

Estou querendo mudar

Algumas atitudes,

Vamos, nós dois descansar

Um pouco do trabalho...

Ela continuou.

-Não sei minha irmã,

Então terei que pedir férias antecipadas.

Ele continuou enquanto cortava

Um pedaço de toucinho

Embebido em vinho tinto,

E passava na mandioca cozida

Do canto do prato e comia.

-É meu aniversário e quero

Passar ao seu lado.

Ela continuou.

Movendo em redemoinhos

O garfo no arroz feito a cerveja.

-Está bem,

Você vai comer arroz puro?

Ele indagou.

-Sim, já iniciei minha dieta.

-Filha, coma mais coisas,

Se alimente bem para ficar forte.

Falou seu pai do canto da mesa.

-Pai, eu sou forte,

Não posso estar feia no meu biquíni

Super caro.

Ela respondeu.

-Ah, filha não seja boba,

Use o biquíni que lhe fiz

De tricô.

Eu o moldei bem certinho

No seu corpo

E a renda que coloquei nele

é de sua cor favorita.

A mãe continuou falando

Do canto oposto da mesa

Olhando para o esposo.

-Ficou lindo amor,

Você o adorou.

Ela disse sorrindo.

-Certo que sim, querida.

Eu amo tudo que você faz.

Ele respondeu enquanto

Levava o garfo com comida

Na boca.


-Está certo,

Eu o levarei.

Tenho muitos assim

Que eu mesma tricotei.

Ela disse.

Cinco meses se passaram

E os dois irmãos foram passar

Cinco dias no resort 

Para desfrutar o aniversário

Da irmã no terceiro dia da estadia.


Na mesa de bilhar,

Natal fez amizade imediatamente

Com Gusmante.

Logo que Setembrante chegou perto

Os sorrisos irradiaram

Todos para o lado dela.

-Parabéns minha irmãzinha,

Logo irá comemorar 22 anos.

Iniciou o irmão.


Setembrante pegou o taco

E invadiu a jogada,

Marcando três bolas ao acaso

No buraco.

-Uau, você joga bem,

Para uma garota de fora

Da partida,

Resistiu muito bem

Sem nos interromper 

Até agora.

Disse o rapaz moreno,

De olhos claros e cabelo castanho,

de altura 1,55 e corpo esguio,

Que jogava com seu irmão.


-Obrigada,

Não resisti e foi simples

Jogar as bolas a esmo para a caçapa.

-Uau, ela sabe o nome das jogadas.

Ele continuou sorrindo

E mirando o taco na direção dela

Sobre a mesa,

Sem olhar nenhuma bola.

-Certo que sim.

Ela respondeu se colocando

De frente para ele

E o encarando sorridente,

Deixando os seios fartos saltitarem

Em sua direção sobre o sutiã

Do biquíni amarelo de tricô

Com renda branca ao redor.


Ela se levantou e arfou o peito,

Depois fez um movimento 

Com os braços para fazer os seios

Saltitarem na direção do rapaz,

Que sorriu e despiu a camisa branca social.

-Qual é o seu nome?

Sou Alfredo.

Ele respondeu.

Ela não o reconheceu pelo que

Acompanhou nas revistas,

Mas, seu rosto era lindo 

E peculiar.

Talvez, ele fosse um dos sócios.

Os multibilionários sócios donos

Daquele local 

Que tinha uma piscina,

Dentre muitas outras coisas

Retangular 

e sobre ela várias mesas

De bilha ao dispor

Onde os jogos ocorriam sobre 

A água morna

E escorriam para a piscina

Que por sua vez caia

Numa espécie de cascata 

No quintal do prédio de três andares.


A piscina se localizava

No segundo andar,

O prédio era rodeado por palmeiras

E redes de balanço nelas,

De frente para um imenso lago

De patos e barcos ao dispor.


Haviam espreguiçadeiras

Em quase todo o prédio,

Também redes e balanços

E sofás e poltronas solitárias.

O local tinha muitas pessoas,

Alguns poucos de cabelos grisalhos,

Muitas bebidas e comida

De toda espécie deixadas ao dispor

Dos que lá estavam.


-Você também é muito linda.

Disse o rapaz,

Com o taco tremendo entre os dedos,

Enquanto bolas e outras bolas

Não paravam de cair.

-Obrigada.

Ela respondeu

E virou para a mesa ao lado

Deixando o bumbum empinado

Na saia de saída de banho amarela

De  tricô e renda branca.

-Posso?

Ela disse para os dois jovens

Que jogavam bilhar.

-Sim.

Ambos responderam.

Então ela fez a tacada de fechamento

Do jogo,

Derrubando a última bola

Na caçapa.

-Empate! 

Ela disse,

Levantando o taco

Ao lado do corpo.

-Hei, garota.

vamos fazer trilha de bicicleta

Aqui no lado do resort?

Indagou o rapaz que estava

Com seu irmão.

-Sim.

Ela respondeu virando-se para ela.


-Meu irmão vai com nós?

Ela indagou.

-Claro, vamos todos os três.

Alfredo disse.

Então, soltaram os tacos

Sobre a mesa

E Alfredo pediu as fichas

Para usar as bicicletas

E foram.


A trilha era marcada por árvores

Floridas e flores no chão

Onde passavam e tudo era 

Maravilhosamente perfeito.

Na primeira parada,

Alfredo ficou bem próximo 

De Setembrante e pediu a ela um beijo.


Sem sair, ambos da bicicleta

Eles beijaram-se,

Gusmante percebeu a química

Que acontecia entre ambos

E optou por ficar um pouco para trás.

Logo que ele sumiu de vista,

Alfredo e Setembrante apostaram

Uma corrida e correram

Fazendo levantar pó para trás.

Depois pararam,

E beijaram-se, deixando as bicicletas.


O beijo esquentou,

E eles deixaram a trilha

Para se recostarem num tronco

De árvore e aproveitar a companhia

Um do outro.

Uma hora depois Gusmante os encontrou.

-Ah, vocês estão aí?

Vamos voltar eu cansei de tanto pedalar,

Acho que assei as pernas,

Estou dolorido.


-Sim, nós já vamos.

Nos deixe ver o pôr-do-sol

Aqui juntos?

Pediu a irmã suplicante.

-Ta bom,

Não vejo perigo nisso.

Eu espero logo a frente.

Ele falou e retornou empurrando

A bicicleta.


-Case-se comigo?

Disse Alfredo.

-Assim, do nada?

Indagou Setembrante.

-Sim, eu a amo.

Respondeu Alfredo.

-Você trabalha com quê?

Ela indagou.

-Sou sócio do resort.

Ele respondeu.

-Verdade?

Ela perguntou incrédula.

-Sim.

Ele disse.


No aniversário de Setembrante

Eles passaram os três juntos

Andando de barco no lago

E comendo coisas

Que levaram numa sesta de piquenique.

Depois de encerrada a estadia,

Setembrante o apresentou aos pais

Que ficaram orgulhosos do garoto

E felizes com a união.


Chegando no apartamento

Morar com Alfredo,

Setembrante duvidou da fotografia

Que encontrou presa a parede,

Onde ele estava com ao lado

De uma garota reconhecida

Em revistas sociais

Limpando a piscina onde jogaram bilhar.

"Ele iniciou lá como faxineiro?"


Ela se indagou.

Não era o que aparentava

Pois tudo no minúsculo apartamento

Estava sujo,

E a comida da geladeira era escassa.

Também no armário da dispensa

Não havia muita variedade de alimento.


Alfredo não esperou que passasse

O susto de Setembrante e a levou

Ao quarto minúsculo

E lhe tirou as roupas a força,

Também rasgou o zíper

De sua calça e sua calcinha e sutiã.

-Você está indo tão depressa...

Ela disse.

-Estou com tesão e você, não?

Ele perguntou apertando

Com força seus seios nus.

-Você está marcando meu corpo

Usando muita força sobre eu.

Ela disse.

-Beije-me.

ele respondeu

Pegando sua nuca e puxando

Para seu peito com ímpeto

Fazendo os dentes de Setembrante sangrar.

-Meu Deus,

Está doendo minha boca

E seu peitoral tem sangue.

Ela disse.

Ele puxou os cabeços dela

Com força e a jogou sobre a cama,

Fazendo a cabeça dela bater

Contra o beiral.


-Eu passei tanto tempo

Tentando te conquistar

E gastando meu dinheiro

Que você precisa valer

Cada moeda e me pagar

Por cada gasto.

Ele falou pegando uma corrente

e se aproximando dela.

-O quê?

Ela respondeu.

-Cada minuto ao seu lado

Me foi caro,

Mas, agora você é minha.

Ele disse,

Colocando a perna direita

Ajoelhada sobre a cama

E se agachando sobre ela

Com a corrente na mão esquerda.


-Eu pago,

Meu irmão ajuda a pagar,

Meus pais ajudam também.

ele riu alto ao ouvir isso.

-Mas, eu já estou cobrando,

Por quê você pensou

Que não esta pagando?

ele indagou,

Levando a outra perna 

Para sobre a cama e 

A pressionando entre elas.

-Mas, eu estou apaixonada

E você também jurou que estava...

Ela disse entre lágrimas.

-Amor por etiqueta

Tem preço pré-datado...

Ele lhe respondeu.

-O quê?

Eu não te amei pelo dinheiro

Que pensei que você tinha

Para. agora, pagar tão caro.

Ela disse.

E foi interrompida

Por um  tapa contra seu rosto,

E alguns arranhões ao lado do seu corpo.

-Não minta!

Ele disse.

-Mas, você é rico,

Por que age assim?

Ele riu levantando a cabeça

Para o alto

E depois a baixou sobre os seios dela

Arfante e possuidor.

-Eu sou o jardineiro de lá,

Sua idiota,

Você não me viu trabalhar 

Porque eu me escondi de você

Todas as vezes.

ele respondeu enquanto

Absorvia o tecido do corpo

Dela com a boca

Como se fosse devora-la

Com seus dentes e língua

Indiferente ao que causava.

Ela gemeu.

-Mas, eu o amo e sinto

Muito prazer por você.

Ela disse.


Contudo, terminado o ato de sexo,

Alfredo a algemou a aquelas correntes

e a prendeu na cama.

-Limpe todo o apartamento,

Organize tudo e faça o almoço,

Cuide bem de mim

E você fica viva.

Alfredo falou.

Setembrante acordou assustada

Com o que ouvia,

Então, notou a dor no pulso

E se viu algemada.

-Alfredo, por que se eu te amo

E tudo que quero é estar aqui

Ao seu lado e viver nosso amor,

Eu não me importo que você

Seja pobre,

Não se envergonhe por isso.

Então, ele lhe deu um tapa

Na cara que a fez virar o rosto,

E arfar de medo quando ele

A obrigou a beijá-lo outra vez.

-Beije com mais intensidade

E grite que me ama.


Ela o fez,

Pois achava que sentia isso,

Ele era lindo

E radiante como um sol

Que nasce sobre o jardim

E colore as flores.

Mas, ela nunca mais veria jardim,

Flores ou o sol.

Tudo estava trancado,

A porta, as janelas, a luz,

E a vida.


Sua vida pertencia a sua vagina

E o prazer que pudesse proporcionar,

Pois, agora sua vida dependia

De trabalhar para este estranho

E dar prazer a ele,

Sem importar-se com o que custasse.

-Que me custa fazer sexo

Com você?

Ela indagou.

-Meu nome não é Alfredo

E seu irmão ou seus pais

Nada sabem sobre eu.

Ele disse e saiu.


Ela chorou,

Depois se levantou e percebeu

Que a corrente levava a toda a casa,

Mas não havia saída disponível.

Ele lhe deu uma identidade falsa,

Momentos gloriosos

De atenção e sorrisos fáceis,

E depois lhe tomou sua família.


Com uma faca entre os dedos

Ela imaginou-se

Por diversas vezes retirando

Sua própria vida

Não tinha coragem de mata-lo,

Mesmo que não soubesse

O nome real de Alfredo,

O amava e o queria vivo.


Sem receber ligações da família

Ou notícias ela entregou-se

Aos afazeres domésticos

E ao ato de dar prazer a Alfredo.

Estava de férias e sua ausência

Não comprometia a identidade

Falsa do próprio casamento,

Pois, sua falta de notícias estaria ligada

Aos bons eventos do início das núpcias.


Mas, Alfredo tornou a ser infiel

Fazendo uso de força bruta

Contra Setembrante.

Que usou de sua coragem

E uma faca de cozinha e

Cortou suas correntes,

Depois se jogou contra a porta

Diversas vezes até que ela se rompeu,

Sem medo ela correu pelo corredor,

Encontrou o elevador 

E o usou até a saída.


Foi simples chegar na casa

De seus pais,

Ela pegou um taxi 

E passou o endereço,

Esperou na porta e o pagou

Com o dinheiro deles.


Solitária e arredia

Se escondeu em seu quarto,

Até muito após conseguir falar

Sobre o fato.

-O quê?

Você foi vítima de cárcere privado?

Nós pensamos que você tivesse engravidado

Por isso esqueceu de dar notícias.

A mãe falou sentada

No final da cama olhando

Para Setembrinte que tremia

E chorava enquanto contava

Sua história.


Quando a polícia foi acionada,

Encontrou Alfredo limpando a piscina

E descobriu que ele tinha

Mais de uma propriedade

Onde mantinha garotas trancadas,

E ninguém nunca soube seu nome,

Porque ele usou muitos

E não sabia qual era o verdadeiro,

Pois, jurou que nunca iria dizer

E não disse.


Setembrante foi vê-lo na prisão,

E após conversarem intimamente

Entregou-se a ele com paixão,

Desejou novo matrimônio,

Seus pais a obrigaram a frequentar

Um psiquiatra alegando insanidade mental,

Mas, nada a separou de Alfredo.


Ela nunca importou-se de ve-lo

Atrás de grades,

Escondido atrás de fuzis

De guardas armados que o odiavam.

-Eu sei que você me ama.

Ela dizia e ele sorria

Sentado numa cadeira

Com os pulsos algemados

Numa corrente.

-Eu reconheço seu amor.

Ela falou na sala íntima,

Onde fizeram sexo,

E ela gemeu em seu ouvido

Palavras de prazer

E nenhum remorso.

O amor não tem etiquetas

Amar é criar expectativas,

Querer sonhos

É diferente de desejar

Fazer compras

Em supermercados caros,

Frequentar lugares famosos,

Usar roupas por etiquetas...


Um alguém é diferente

De um ideal com valores

Ao dispor.


O amor não é o saldo bancário

Que vem com beijos quentes

E listas de compras após isso,

Também ele não é dinheiro

Que lhe faz abraçar alguém,

Fazer juras de amor

Como uma espécie de cartão

De crédito

Onde você troca sentimentos

E jura afeto

Para poder usufruir o saldo

A vista de todos,

Escondido e a crédito.


Um beijo

E um anel em seu dedo,

Um abraço

E uma jura de namorados...


Amor é diferente

Do lucro que você obtém

Por gostar de alguém

Com o intuito de obter vantagens.


Amor é achar alguém bonito,

Não é passear pelo shopping

E desejar algo,

Olhar a etiqueta de preço,

E pagar o valor em pecado,

O pecado de perder-se

Em busca de um vestido

Ou outro desejo financeiro qualquer,

Um amor não vem com etiqueta

De preços anexas a ele,

Ou de vantagens patrimoniais

Que tenha a oferecer,

O amor vem com cumplicidade

E desejo de fortalecer,

Crescer junto

E fazer bem.

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