sábado, 29 de novembro de 2025

Jogo de Amantes

Isso faz parte do seu plano?
Ella indagou
Saindo de trás de João,
Enquanto o abraçava
Pela cintura
E olhava seu rosto.
- plano nosso!
Ele respondeu.
Ela se desvencilhou,
- isto de nós juntos
Irá durar para sempre?
Ella perguntou,
Olhando-o nos olhos,
De frente para ele,
Cuidando seus lábios
Abrirem-se e se fecharem.
-Enquanto nos fizer bem.
Ele destacou.
-ser amante não é o tipo
De coisas que faça bem...
Ella disse,
Olhando para a frente,
Ambos estavam em pé
No corredor do shopping.
- prefere me deixar?
Ele indagou
 Levando uma sobrancelha.
Depois estendeu a mão
E a pegou pela cintura,
Envolvendo seu corpo
Com naturalidade e cortesia.
- sua esposa pode estar perto.
Ella disse rápida.
Ele sorriu,
E se aproximou de sua boca,
Então, a soltou rapidamente.
Ella se desequilibrou,
Então, o olhou trêmula.
- não sei se gosto dos seus joguinhos.
Falou rápida.
E se pôs a andar.
- pegou você em suas horas.
Ele encerrou alto.
Ella se virou,
Pôs as mãos na cintura
E o encarou.
Ele não parecia fazer questão
De esconder nada,
Contudo, ela nunca foi assumida
Como namorada ou algo sério,
Tudo não passava de um jogo adulto,
E sempre que precisava
Não podia chamá-lo,
Este jogo sedutivo
Em que viviam
Era algo em que só as vontades
De João eram satisfeitas
Mais nada.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Vai Embora

Se for pra ter
Seus beijos doces
E saber
Que o gosto
Vem de outro alguém,
Seu abraço meigo
E saber
Que seus desejos
Não são como os meus,
Seus carinhos sórdidos
E saber
Que seus dedos
Já preferem um telefonema
A estar comigo agora,
Eu peço se decida
É ela ou eu?
Você com outra,
Buscando seus sonhos
E o pensamento me busca,
Realizando desejos
E depois me procura,
E eu tentando fingir
Pra não morrer de dor.
Você está sofrendo
E eu mais ainda,
Você está beijando
E eu a sua espera ainda,
Me explica
O que há entre nós
Ou encerra tudo
E pega a rua,
Vai embora.
Eu não tenho meios
De aceitar amor
Não correspondido
Me preencher de desejos
Enquanto seus carinhos
Não estão comigo,
Buscar seu sorriso
E saber que não sou o motivo,
Não aceito amor dividido,
Este tipo de querer
Eu não consigo corresponder,
Pega a rua
E vai embora,
Entenda que a outra
O aceita
Mas eu não sou capaz agora,
Pega a rua e vai embora.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Eu Amo Você

Você já me conhece bem,
Não paira dúvidas
Entre nós,
Você sabe que eu amo você
E meu futuro só existe
Ao seu lado.
Em cada amanhecer,
Cada anoitecer,
Você é meu pensamento,
Em cada ímpeto
De ousadia
Ou distúrbio,
Você é meu amparo.
Meu presente
É ao seu lado,
Meu sorriso
Tem seu nome
Por afago,
Eu amo você
E seguirei sempre
Ao seu lado.
Não há felicidades
Sem nós juntos,
Não há o que me represente,
Sem nós juntos,
Não há o que me complete
Sem nós juntos,
Eu amo você.
É por você que eu escolho
O vestido que me convém,
É por você que escolho
A maquiagem,
Decido ir adiante,
Repenso nosso redor,
Busco o melhor ambiente
Em que você se sinta encantado,
Feliz, radiante.
Eu amo você.
Meu coração
Nunca será de outro,
Minha vida é você,
É paixão
Sem desenlaces,
É amor e pronto,
Eu amo você.

Fui Buscar Meu Amor

Pronto ou não,
Hoje lhe farei uma surpresa,
Peguei o cavalo,
Coloquei a rédea,
Joguei um apero sobre
Suas costas
E fui puxando ele.
Segui de nossa casa,
Parei na porteira,
Logo na entrada,
Dali avistei meu marido
Chegando suado da roça.
Sorri e acenei,
Ele se apressou,
Chegou até eu,
Me beijou,
Eu fiz sinal
Para ele subir,
Ele obedeceu.
Eu sorri.
Continuei caminhando,
Puxei a rédea
Com meu amor a cavalo,
Sentindo a grama
Próxima aos pés,
O vento tocar o rosto,
Os pássaros voarem soltos.
Ao seu lado eu caminhei,
Parei um pouco
No caminho
Beijei o rosto do cavalo,
Olhei para meu amor
E sorri,
Ele se agachou
Procurou meu beijo,
Me beijou.
Comigo abraçada
Ao rosto do cavalo,
Com o peito acelerado
Próxima aos seus olhos,
Eu beijei meu amor,
E o abracei forte.
Depois, segui até nossa casa,
Parei do lado da área,
Ele apeou do cavalo
E eu o puxei para o estábulo.

Escrava do Demônio 2

Minha estrela
Do amor
Não foi como outra
Qualquer,
Claro que não,
Ela tinha seis pontas.
Bom,
A moda da rua
Era as garotas
Terem tatuagens
Pelo corpo
Como meio de mostrar
Desejos e gostos.
Eu não me sentia segura,
Quanto mais andei,
Colhi flores por onde passei,
As plantei, reguei
E as vi morrer,
Nada disso me preencheu,
Mas, eu sabia
Havia um além.
Nisto, entrei no lugar
De fazer tatuagem
E pedi:
“ Faz sobre meu pulso
Uma estrela de seus pontas,
Ao redor um círculo,
Porquê está estrela gira”.
O rapaz me olhou seguro
E disse:
“Gira?”
Eu respondi:
“Gira, gira sem parar,
E eu preciso achar
O meu lugar”.
Ele me olhou incrédulo,
Me pediu para sentar
E fez o desenho
E seus traços na cor negra,
Eu sabia que desta cor
Sairia a cor de seus olhos,
Negros como uma noite,
Algo misterioso e profundo
Onde...
“ Um dia eu estive aí
Neste escuro “.
Eu falei sem ter motivo.
O rapaz segurava
Meu pulso e pincelava,
Então, ele parou e me olhou:
“Aqui?”
Indagou.
Eu trêmula respondi:
“Sim, neste escuro profundo
Feito uma noite
Em que percorri as cegas,
Mas mesmo sem saber
Eu soube,
E de alguma forma
Sem poder ver
Eu vi.”
Disse isso com
O corpo trêmulo
E olhei para a parede
Como se do nada
Alguém viesse parar ali,
Ou estivesse a minha espera
Não muito longe,
Eu soube.
“Sim, há sempre um alguém
Que nos ame
E nos espere”.
Ele respondeu com cara
De quem me achou boba.
Eu me contive,
Também não entendi
Minhas certezas
Mas soube e isto bastou
Para mim.
Com isto,
Pedi a ele que escrevesse
Dentro de cada ponta
Da estrela uma letra,
Eu disse:
“Escreva aí I, M, G, O, B, S.
E guardei meu braço
No peito
De leve
Sem medo de borrar as letras
Porquê eu soube
De algo maior que isso.
“Cuidado, você vai borrar
A tatuagem
E ela se apagará “.
O rapaz me disse.
“Não, isto pertence
A mim,
Ao meu interior,
Está tatuagem eu estou
Identificando agora
Para os outros
Mas sempre esteve comigo,
Eu sinto,
Isto, de alguma maneira
Me pertence “.
Eu disse de ímpeto.
“bem, me prove!”
O rapaz falou irritado
Porquê eu não deixei
De abraçar o pulso.
“Veja!”
Lhe disse.
E o estendi.
A estrela girou,
Se motivo,
Como se fosse viva,
Brilhou e girou no meu interior
Sobre minha pele
Como um planeta
Em sua rotação de busca.
“E incrível!”
Ele respondeu num pulo,
Levantou-se e me olhou.
“esta vivo isso?
Meu Deus,
Foi eu que fiz,
Que é isso?”
Ele indagou de pé.
Eu sorri.
E dentro da tatuagem
Houve um vermelhão
Como se a pele
Estivesse sendo devorada,
Queimada viva,
Das chamas,
Meu sangue pareceu emergir
Como se apagasse o fogo
E ali um beijo repousou,
Nem meu
Ou do rapaz que fez a tatuagem,
E assim que se afastou
Permaneceu lá dentro
Tatuado.
“onde você está,
Meu amor?”
Eu indaguei
Ao vulto que chegou
E sem estar me tocou.
“Perto”
Pude ouvi-lo pensar.
“muito perto”.
Eu ouvi com o coração
Aos saltos,
Sim, eu tinha alguém
E ele viria para mim,
Eu soube,
E agora, ele também.
O I borrou como se fosse
Se apagar,
Ficou escuro e nebuloso,
Depois retornou sua cor
Ao seu lugar,
Contudo, pareceu escrever
Em cada ponta da minha estrela
ISAAC e todas as outras letras
Se apagaram
Depois a tatuagem retornou
Ao I e o deixou mais negro
Mais intenso como um negritado
De computador.
Eu vi neste instante,
Sem saber de mim
Ou de outrem,
Que eu tinha um amor
E ele estava perto,
Porém, meu pai e minha mãe
Se perderam no caminho,
E com eles meu avô,
Minha prima e minha tia,
As iniciais de meu pai
E minha mãe quase
Se apagaram como se dissessem
Mortos...
E eu chorei.
Depois as respectivas
Aos outros
Trocavam suas letras
Como se seus nomes
Já não me fosse de valia
Ou importe,
Eu senti medo
E me indaguei:
“O que houve?”
Parecem que não
Me amavam e já
Não me queriam perto,
Então, as letras referentes
A meu pai e minha mãe
Pareciam vivas e pulsantes,
Enquanto o I vigorava
Soberano e próximo.
Eu nunca imaginei
Que Isaac
E só agora soube seu nome
Fosse qualquer das pessoas
Do meu caminho,
Nem minhas amigas
Quando fui tomar cerveja
No bar
E um rapaz me salvou
De ser roubada
E levar um tiro no peito.
O garoto chegou e disse:
“Entrega a bolsa”
Eu entreguei
Então ele colou a arma
No meu do meu decote
Do vestido vermelho
Entre os seios e falou:
“tire a roupa”
Meu amigo chegou por trás,
Tomou minha bolsa
E tirou a arma do garoto,
Depois o levou para fora
Entre socos.
Nem aí eu senti medo
Ou necessidade de estar
Próximo a outro alguém,
Então, sentada em meu jardim,
Eu soube que ele se aproximava,
E quando Isaac chegou
Sabendo que eu o esperava
Eu virei o rosto e busquei
As cegas a sua boca,
Pois sabia,
Eu era sua,
E agora ele ficaria.

Amado Marido

O ano era 2012,
Outra vez,
Recordei você,
Num sonho bobo
De sexta série,
Quando você tem
Doze anos
E um futuro imenso
E esplendoroso
Pela frente.
Recordei com todo esmero,
O meu desejo intenso
De te conhecer,
Lembrei do caderno
Em branco,
O lápis na mão
A descrever.
Lembrei cada folhear
Das páginas escritas,
Dos livros que nunca
Cansei de reler,
E dentro deles minha busca
De você.
Quis te trazer,
Eu juro,
Desejei você
Perto de mim,
Quis muito
Ver você,
Reconhecer seus rostos,
Detalhes dos seus olhos,
Te reconhecer.
Havia um futuro
De buscas
E uma menina sonhadora,
Num ímpeto do destino
Quis tudo se perder
E nesta nebulosa,
Perdi você.
Mas, quis 2019 te trazer,
E vê-lo seria o bastante,
Era a consumação
De um sonho antigo
E supremo,
Hoje é meu viver,
Você quis ficar,
Soube do tanto
Que o desejei
E compreendeu
Minhas expectativas,
As experiências frustradas,
Os resultados infrutíferas
Até que depois de tanto tempo,
Tudo se desenrolou,
Feito o vento,
Que separa o supérfluo
Do verdadeiro
E os une num planeta inteiro
E dá a este planeta a vida,
A luz que ilumina
Até o mais distante,
As cores que o definem,
Como se fosse
Um abraço que segura,
Protege nosso redor,
Faz tudo ficar perfeito,
Como se o mais distante sonho,
Nunca tivesse
Por um único momento
Se perdido no espaço,
No desejo
Ou no pensamento.
Te amo
Amado marido.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A Nuvem de Algodão

De trás do pé de café,
Saiu o coelhinho,
Com seu pelinho riscadinho,
De pulinho em pulinho.
Chegou até a janela,
Olhou para a mamãe coelha,
E ganhou um pêssego,
Delicioso recém colhido.
O lindo coelhinho
Agachou-se naquele solo,
De bocada em bocada,
Comeu o pêssego rapinho.
“Hum, delicioso pesseguinho”.
Disse o coelhinho,
E rolou no solo felicinho,
De frente para o céu,
Viu as lindas nuvens coloridas
Que passeavam por sobre
As árvores arqueadas.
A barriga do coelhinho
Roncou de fome,
Então, ele estendeu a patinha
Dianteira e sonhou
Comer não só uma nuvens
Mas todas,
De uma a uma,
Até estar saciado.
Rolando e rolando
Naquele chão de folhas secas,
A mamãe coelha o encontrou,
“que você está fazendo coelhinho?”
 Docemente perguntou.
“Estou me alimentando.”
Respondeu o coelhinho.
Com um ímpeto,
Ele esticou a patinha
Outra vez,
E um fio de nuvem
Enroscou por entre
Suas unhas.
Ali do chão ele puxou,
Por um tênue fio
Toda a nuvem inteirinha.
“cadê as nuvens do céu coelhinho?”
A mamãe coelha perguntou.
Vendo o menininho
Comendo sem parar,
Puxando a nuvem
De fio a fio com uma patinha
Esticando a boca
Até alcançar toda a grande
Nuvem e deixar o céu
Todo azul.
“Não é nuvem não, mamãe,
É algodão doce”.
Disse o coelhinho,
E sua mãe deitou ao
Lado dele,
Ganhou um fio de nuvem
E comeu até encher
A barriguinha.

domingo, 23 de novembro de 2025

Falar

O domingo inicia
Com sol claro,
Nuvens esparsas,
Rápidas passeiam
Pelo céu.
Eu vagueio
Deitada na rede
De descanso,
Armada por entre
As árvores
Que cada vez
Mais verdes
Me fazem refletir.
Das muitas frases
Que disse,
Tão poucas pensei,
Muito mais
Lhes dei vozes,
Em um clamor
De repetir
O que ouvi
Sem refletir
Sobre verdades,
Interesses
E conveniência.
Muitos pensamentos
Nos vem
Por meio de outros,
Contudo,
Nem todos merecem
O pronunciamento,
De terem
Suas ideias repetidas,
Aliás,
Há muito mais a calar
Do que se recebe
Em simplesmente
Fazer eco
Do que outros dizem.
É preciso selecionar
O que se ouve,
O que se fala,
O que se acredita,
Muito do que nos chega
É falso,
Outros tantos
Só desejam lucros,
E quase o tudo mais
Se concentra
No desnecessário,
Então, destes três tipos
De pensares,
Com pouca reflexão,
Mais se credita
Ao calar
E somente ouvir,
Do que falar
Sem entender,
Pensar e esperar
Que não se obtenha
Resultados.
É como dizem,
Tem-se dois ouvidos
E uma boca,
Pois mais se ganha
Em ouvir
Do que em repetir.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Rashed

Acordei diferente,
Beijar seus lábios
Foi como mergulhar
Em uma fonte de água
Da juventude,
Num sorver de sua boca
E toda a idade,
O tempo e as horas sumiram,
Acordei sem conseguir
Retirar o sorriso
Do rosto
E desejar ver você
Foi meu maior sonho.
A cada passo que andei,
Em cada olhar,
O tive por objetivo,
Um desejo mais sedento,
Um sonho bom.
Você é lindo,
É um sonho estar
Entre seus braços,
Segura na sua pele quente,
Penetrar sua boca
E ganhar seus beijos
É fonte de vida
E de sonhos.
Eu não teria palavras
Para dizer o quanto você
É lindo
E eu me amo em seus braços,
Ter você é inesquecível,
Você é meu sonho bom.
Me senti menina,
Segura e livre,
Como se eu tivesse asas,
Ganhasse uma aura de inocência,
Você é rodeado de ternura,
Um doce que não se explica,
Um carinho que se quer muito,
Um vibrar do meu corpo
Em felicidade plena.

domingo, 16 de novembro de 2025

Te amo

São duas horas
Da madrugada,
Você não liga
Pra falar sobre coisas
Que já não quero palavras,
Prefiro a sua presença,
O conforto de sua segurança.
Falo alto
Abraçada ao travesseiro,
Não basta
Para traze-lo,
Busco algum conforto
Num café quente e forte,
Mas, de você
Não ganho o cheiro.
Preferia você perto,
Tanto quanto a chuva
Que percorre o telhado
E parece convidar
O sono.
Sono que me falta
Se você não está,
Chuva que parece cantar,
Falar sobre nós dois,
Com um te amo
Preso entre seus pingos,
Sempre a escorregar,
A dizer,
Te lembrar,
Talvez você a ouça,
Ouvindo-a me entenda:
Acordo assustada
Em noites inseguras
E sinto sua falta,
Me preocupo
Com o fato de você
Estar distante
E quero muito lhe falar
Te amo.
Queria poder dizer
Te amo
Com a calmaria da chuva
E a intensidade
Que só ela possui
De cair de tão longe
E não esconder
O que toca,
De gota a gota
Ou em fartas rajadas
Ela não se omite,
E fala
Te amo,
Te amo
Sem parar.
Da mesma maneira
Que te amo,
Te amo,
Te amo
E quero estar perto.

Noite de Chuva

Na madrugada
De faltar um pouco
Pras duas,
Acordou,
Puxou o cobertor,
Procuro na travesseiro
E sinto sua falta.
A chuva pinga
No telhado
Com viés de orvalho,
Eu me indago
Se molha as flores,
Ou se presta
Apenas para conter
Minhas lágrimas
Que de uma a uma
Chamam por você
E me pedem
“Onde você está?”
De uma forma
Tão íntima
Que sinto
Que poderia responder.
Mas, então,
Me contenho,
Fervo um leite quente,
Colocou café,
Um pouco de chocolate
E entendo
Não se trata de choro,
É apenas chuva
A dedilhar por seus rumores
Que você não está
E eu sinto sua falta.
Sua ausência
Me tira o sono,
Mas, algum ímpeto
Me impede a ligação,
E segura o choro.
De uma a uma
Eu cuido as gotas
Que caem do céu
E escorrem por entre flores,
Feito eu
A me esquivar de alguns amores,
Mas, conforme o café conforta,
Eu já não sei se sou apta,
A me afastar,
A esquecer,
A me impedir de te amar
Com a mesma destreza
Que engano a saudade
No cair da chuva
Que já não pinga,
Escorre.

Beijo

Com as primeiras gotas
Do verão,
Com poucas nuvens,
E o chuviscar para suor,
A moça colhe pêssegos
Sem importar-se,
E o rapaz dirige o carro
De arrepiar-se.
Diria amor a primeira vista?
Paixão pelo olhar?
Um beijo a distância?
Quem poderia dizer,
Mas o destino que os cruzou
Também fez questão
De os unir.
Mais tarde,
O rapaz retorna,
Desta vez
Através do rio
De jet sky,
Outra vez seus olhares
Se cruzam
E outra vez
Parecem pedir
O beijo que acontece
A distância,
Mas que deseja
Estar mais perto
A enlaçar o abraço,
Abraçar a alma,
Juntar dois desejos
Que pedem um pelo outro.
A moça senta-se
Sobre o tronco de madeira
Na beira do rio,
Junta as pernas,
Deixa a mostra a pele
A brincar entre pingos
De chuva e o sol
Que vai e volta.
O rapaz da meia volta,
Cruza próximo
Muito próximo,
Nisto emerge da margem,
Bem perto
Da beirada uma cobra,
Só a cabeça ela põe
Para fora da água.
“meu Deus, um
Patinho?”
Ela indaga.
Seria sua última frase,
Última pergunta
Não respondida,
Mas, como muito antes
Seus olhares se cruzaram
Pediram um pelo outro
E foram ouvidos,
O destino não desenlaça
Dois amores,
Ao contrário .
Antes que a cobra
Se virasse
E pegasse a moça,
O rapaz:
Moreno, cabelo escuro
Curto,
Magro e alto,
Embora na faixa dos trinta,
Seu rosto não denunciaria
17 anos,
Lábios carnudos,
Finos e cheios de vida,
Mãos ágeis e fortes,
Que num desenlace
Se estenderam e pegaram
A cobra.
Uma única mão,
Não precisou da outra
Que ele manteve
Na direção do jet-ski,
E prendeu a cobra ali
No alto,
Próximo ao rosto dela,
Único empecilho
A impedir o beijo,
Que ocorreu assim mesmo.
Ele afastou a cobra
Para trás
A mantendo no alto,
Se aproximou do rosto
Da moça
E a beijou quente e tórrido,
Doce e misericordioso.

sábado, 15 de novembro de 2025

Ramdan

Prazer,
Eu gostaria de ter
Coragem para dizer,
Contudo, disse:
Gostaria de beijar você.
Talvez, ele não tenha entendido,
Quem sabe
Teria preferido
Outra frase
Mas, disse o que sentia,
Pouco antes de perder
O fôlego
Ao ver que o garoto
Mais bonito que já vi
Estava me olhando,
Me manda atenção,
Poxa, foi um salto
Até às nuvens
E um acelerar descontrolado
Do coração.
É,
Ele é lindo,
Cobiçado pelas garotas,
E eu mais quieta,
Tímida e nada cobiçada.
Gostei de ele me ver,
Isto realçou minha unha
Pintada de rosa fraco,
Realçou meu empoderamento
Feminino,
E bem,
Agora preciso
Retirar meu olhar
Das próprias unhas
E encarar o olhar dele
Na espera de sua resposta,
Com um puxar de fôlego,
Eu me equilibro
Em mim mesma
E o olho.
Uau.
Espero.
Uau.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Amigas pra sempre

Senti saudades,
E tirei está fotografia
Para te mostrar
Meu sorriso triste
Por lembrar de você
E estar tão longe,
Então, não consegui
Te encontrar.
Está fotografia é uma
Simples lembrança,
Mas, espero que você
A guarde com carinho,
Queira estar mais perto,
E decida comer pipoca,
Assistir um filme
E vir mais até minha casa.
Guarde está fotografia
Com carinho,
Guarde com a mesma estima
Com que lhe tenho,
Você é uma pessoa muito especial,
Uma grande amiga,
Nunca irei esquecê-la.
O tempo tem por costume
Apagar as marcas
Em caminhos pouco
Percorridos,
Contudo, buscarei sempre
Te visitar
E não deixar chance alguma
Para o tempo
Ou qualquer coisa
Nos separar.
Obrigado por existir,
Uma amizade como a sua
Não se compra,
Nem se acha perdida,
Sua amizade não se compara,
Agradeço por você
Estar sempre perto
De mim,
Você é a pessoa
Que nunca esquecerei
E estará sempre
No meu coração,
Beijos amiga,
Sinto saudades.

Melhor amiga

Uma noite dessas
Deus veio me visitar
Eu lhe fazia uma prece,
Pedia pelo seu bem,
Querida amiga,
Então, Deus desejou saber
Se eu sabia
Onde meu anjo estava,
Mas não se preocupe
Eu não lhe contei onde você morava.
Você é uma pessoa especial,
Te adoro muito,
Vou sempre lhe desejar
Tudo de melhor,
Você está
E sempre estará
Guardada em meu coração,
Beijos doce paixão,
Te amo
Minha melhor amiga.

Melhores Amigas

Com carinho
Escrevo estas linhas
Te adoro,
Isto durara por toda vida,
Para sempre
Seremos as melhores amigas
Que alguém poderá ver,
As mais unidas,
Mais amadas,
Aquelas que passe
O tempo que passar
O destino não levará.
Lembra-se de mim
Nos dias tristes,
E que eu lhe traga
Uma lembrança
Que lhe dê um sorriso,
Dou-te está fotografia,
E lembra-se
Do quanto lhe estimo
E quero bem,
Olha para ela,
E sorria,
Pois distante de você
Eu sorrio também
E sinto sua falta.
Que isto lhe faça
Rememorar nossa amizade
E distantes uma da outra,
Que sirva de prova
Para o quanto nos
Queríamos bem
E assim ficaremos,
Amigas para sempre.
Dentre todas as amigas,
Que eu não seja esquecida,
Possa ser a melhor,
Ser aquela que lhe proporcionou
Os melhores momentos,
E lhe faça sentir saudade
E querer me ver.
Quanto aos nossos segredos,
Eu guardo todos,
Com sete chaves,
E um cadeado novo,
Lembra-se desta sua
Melhor amiga
E guarda está foto,
Onde registro
O quanto a amo.
Beijos, querida.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Uau, garoto

Cai a noite nublada
Sem estrelas declaradas,
Com a lua calada,
E eu com nada a falar,
Mas, um rosto em que lembrar.
Talvez, fosse falar de beijos,
Alguns contatos
E muitos segredos,
Mas, seu rosto cala
O que poderia porvir,
Prefiro o estar ao seu lado,
Ter você aqui.
De boca a boca beijadas
Quantos lhe falaram
De amor,
Tantas quanto eu seria
Capaz de pressupor
Nestes muitos versos
Tudo que me diz seu olhar
E esconde seu rosto.
De promessa a promessa,
Levaria algum tempo,
Mas, lhe diria em versos
Tudo que já possa ter ouvido,
E em nada mentiria,
Lhe nutro afeto,
Juras escondidas,
E um aspecto de culto
Ao que sinto
E não dependo de retribuição,
Amo por afeição.
Poxa,
Você é todo lindo,
E eu toda desligada,
Você é todo sério,
E eu gosto disso,
Seu cabelo espesso
Lhe cai muito bem
Na moldura deste rosto
Perfeito
Que desperta meu encanto
E querer,
Gosto dos seus lábios fechados,
Eu o imagino
Esperando meu beijo,
Gosto dos seus olhos escuros,
Eu imagino chegar
Tão próxima que possa
Sentir seu cheiro,
E ver você do jeito
Mais profundo
E lhe ter do modo
Mais íntimo.
Garoto você é lindo.

domingo, 9 de novembro de 2025

Castigo Registrado

Desta vez
Mamãe soltou o celular
E voou para a minha direção
Tão rápida
Que praticamente não a viu
Até sentir um tapa voando
Contra mim
E ver meu celular pular
Contra a parede
Se esbugalhando.
Então, não tive tempo
De me voltar para ver mamãe
E ambas as suas mãos
Me acertaram contra a face
E ombros e barriga.
“Maldita,
Maldita puta.”
Ela dizia,
Eu me calei
Apenas arregalei os olhos
E senti medo e dor.
Depois disso,
Ela me puxou pelos ombros
Me jogando contra a escada,
E me fazendo subir
Em direção ao quarto
Entre coices e tapas.
Eu gritei e chorei,
Mas ela continuou gritando
Ainda mais alto:
“Perdida, meretriz,
Puta, vagabunda de rua”.
Eu não tive tempo
Nem coragem para indagar
O que havia feito,
Só gemi e me contorci de dor.
Depois disso,
Ela abriu a porta do quarto
E me empurrou para dentro,
Me viu caída no chão
E não se apiedou,
Seja o que for que ela
Descobriu a meu respeito
Era terrível,
Aliás cruel.
Sangue escorreu
Dos meus ombros
E pernas,
Então ela tirou os chinelos
E bateu com eles
Contra meu rosto.
Depois, me empurrou
Se deitou sobre meu corpo
Num abraço
Num rompante de desespero
E chorou.
“Há um vídeo seu
No YouTube
E você está fazendo sexo anal.”
Ela terminou de dizer,
Muito tempo depois
De eu me ver sufocada
Contra o chão.
Então saiu e trancou a porta,
“Fiquei aí até
Criar vergonha “.
Ouvi ela falar
E chorei.
“o quê?
Eu estava num vídeo
Fazendo sexo
E este vídeo estava
Publicado para o mundo
Inteiro me ver?
Meu Deus,
Este foi meu fim.”
Meu mundo ruiu
Em dor, sangue e revolta
E o pior de tudo
É que transei
Com um número significativo
De garotos
E realmente,
Eu não saberia dizer
Quem fez isto contra eu.
Me filmar sem avisar
Para liberar acesso
A estranhos sobre minhas
Intimidades,
Meu corpo e minhas virtudes.

Garota Boba

Claire sentou na cama
Em noite escura,
Permaneceu na penumbra
Imaginando as estrelas
Da noite nua,
Sem lua,
Sem planeta,
Solitária,
Feito ela.
Sua mãe descobriu
Que ela praticava
Sexo anal
E decidiu não perdoar,
A enviou para o quarto,
Cancelou o patins,
E as amizades do bairro.
Agora,
Cada vizinha saberia:
“Sim, Claire faz sexo anal,”
E o falatório estava lançado
Aos ventos de norte a sul,
E para toda parte,
Logo viria o acréscimo,
“Já pensa em casamento”.
Contudo, a mãe irritou-se,
Deixou a bíblia aberta
E recomendou leitura,
Se trancou no próprio quarto
E chora compassiva,
Diz que Claire já não terá
Bom casamento
Ou futuro.
Pois é,
Claire entregou-se
A falsas promessas
E agora teve o futuro corrompido,
Dilacerado e a sangrar,
Feito as malditas fotografias
Que o Ricardo decidiu
Tirar sem sua permissão
Numa das noites
Em que sua mãe
Lhe permitiu trazer o amigo
Para o quarto
Para estudar
E acabou ficando tarde,
E então, ela deixou
Ele posar.
Não foi uma noite juntos,
Foram várias,
Não foi única vez,
Foram muitas,
E agora,
As fotos dizem mais
Do que Claire gostaria
De ver,
E muito mais do que sua mãe,
Iria querer saber,
Mas soube,
Sem querer,
E agora,
Restava noticiar ao pai.
Homem humilde
E trabalhador,
Porém, severo em suas idéias
E práticas,
Talvez, Claire seria obrigada
A trocar de escola,
De amigos
E até mesmo o bairro.
O pai é homem
Muito pragmático,
Não tolerara a ideia,
E se chegarem as fotos
Até suas mãos,
E chegaram,
O futuro está previsto:
Se mudar de cidade,
De trabalho,
De amigos.
Ferida,
Largada ao mal inevitável,
Ela fez sexo anal
Cedo demais,
Não ouviu os pais,
E talvez, não tenha
Sido apenas Ricardo
Quem tirou fotos
E a expôs.
Ocorreu de o muro
Da escola ter suas fotos
Coladas do início ao fim
E eram muitas,
De variadas poses,
Nenhuma postura,
Irremediável,
A mãe, merendeira da escola
Chegou cedo ao trabalho,
Mas, sentiu-se fraca demais
Para ter tempo de descolar
Cada fotografia
E evitar o mal maior:
Mas, o que houve
Não tem como calar.
Claire fez sexo anal,
Variou posições pornográficas
E agora, só falta estar a venda,
Feito uma peça de roupa,
Porém, ela está nua,
Fragilizada e entregue a realidade
De quem não se importa com ela:
“Os garotos espertos”.

sábado, 8 de novembro de 2025

Sangue e Vergonha

De repente,
Logo na entrada
Do supermercado,
Minha rival
Decidiu pegar o microfone
E gritar seu trunfo
Contra eu.
Simplesmente, ela disse:
“Pois é, dona Leila,
Sua filha,
Agora, faz sexo anal”.
Ela disse desta forma
E meu mundo ruiu.
Eu quis correr,
Disfarcei e peguei
Um carrinho para compras,
Apertei meus dedos
Muito forte nele.
Mas, minha mãe explodiu,
Uivou de raiva,
Se jogou no chão
Caindo ajoelhada
Com um barulho terrível
De ossos batendo
Contra o piso frio.
Levou as mãos
Ao próprio rosto
E arranhou-se inteira,
Fez vergões
Na própria face,
Depois continuou
E fez saltar sangue.
Então, retirando
De dentro dela
Uma força sobrehumana,
Se pôs em pé
E correu em minha direção
Uivando ódio,
Terror e vergonha.
As pessoas se encolheram,
Abraçaram umas as outras,
E os filhos correram
Para seus colos protetores,
Enquanto parte do meu cabelo
Voou nas mãos da minha mãe,
E parte do meu rosto
E pescoço,
Eu penso que também.
Sangue de vergonha
Se misturou com o sangue
Do medo,
Numa poça de desgraça
Que fez meu esposo
Escorregar,
Depois de pisar sobre ela
E cair de costas
Estirado em meio
Ao mercado lotado.
“desculpa, mãe,
Perdão “.
Eu lembro de dizer,
Mas, eu já não era criança,
Nem minha mãe estava
Tão calma quanto antes,
Eu pensei que ela fosse
Me matar
Pois nada retirava suas mãos
De sobre meus cabelos,
Puxando para todos os lados,
Aliás, ninguém tentou.
A minha rival,
Ria e gritava o nome
Do homem com quem
Entreguei minha virgindade
Lá daquele maldito microfone,
E minha notou
Que não se tratava
Do meu esposo,
E meus cabelos também.
Eu achei que ela
Fosse infartar,
Simplesmente,
Ela se jogou para trás,
Olhou para a minha face
E uivou de raiva,
Se jogando
Com as duas mãos contra
O meu rosto,
De tapa em tapa
Na minha cara,
Fazendo minha bochechas
Avermelharem e saltarem
Para os lados
Junto com lágrimas
E o próprio terror.
“Sim, a Samara sempre
Me odiou,
Encontrou um homem
Para me estuprar
E só agora lhe contou”.
Eu consegui dizer
Entre todos os tapas
Contra minha boca.
Depois, minha mãe
Olhou para dentro do mercado,
Olhou cada rosto
E saiu desesperada
Agarrando seus próprios cabelos
Para fora
Aos prantos gritando
“Que vergonha,
Que vergonha “.
E meu esposo desgraçadamente
Ficou inteiro e vivo.
Serviu para se levantar
Daquela poça de sangue
Dor e vergonha
E puxou meu braço
Mercado adentro
Jurando ódio
E vingança implacável.

Jararaca

- Uau, que dia lindo,
Perfeito para o trabalho.
Angélica disse,
Ao abrir a janela,
Foi até a cozinha,
Preparou o café
E chamou Robson.
- vem tomar café amor.
Ele levantou-se sonolento,
Olhou o relógio
E constatou:
- hum, são sete horas.
Abraçou Angélica pelas costas,
Beijou seu rosto
E pegou a xícara
Que continha café
De sobre a pia
E sorveu um gole grande,
Depois pegou a fatia
De pão que estava ao lado
E passou geleia de pêssego.
Comeu uma mordida
E sujou os lábios,
Com a boca suja
Buscou a boca de Angélica
Sorrindo,
Ambos estavam em pé
Lado a lado
Escorados na pia.
Ela sorriu para ele
E recebeu o beijo sujo,
Retirando a geleia
De seus lábios
Com um biquinho.
Depois se abraçaram
E foram para fora de casa.
- o sol já está nascendo,
Precisamos apurar o serviço.
Angélica disse.
- verdade,
Vamos evitar o calor intenso.
Robson concluiu.
Pegou na mão dela,
Depois pegou a enxada
E estavam a caminho.
- espera,
Com o uso a enxada
Perde o cabo,
Vamos levar um martelo
Para recolocar,
Assim, ao ficar frouxo
A gente bate nela
Até encaixar.
Robson disse,
Soltando a mão
Da esposa
E retornando para casa.
- está certo.
Ela respondeu e o esperou.
Ambos caminharam
Alguns metros e chegaram
Na roça onde iriam limpar
Para plantar um gramado.
Iniciado o trabalho,
Os dois capinavam lado
A lado,
Quando uma cobra
Surgiu por trás de ambos
E os abocanhou
De uma única vez.
Restou somente um
Buraco superficial
Onde eles estavam,
O casal foi comido juntos.
Não tardou,
E a irmã de Angélica
Foi visitar a irmã
E não a encontrando
Fizeram buscas pela região,
Pois, não tiveram notícias
De ambos.
Preocupado,
O pai de Robson
Se uniu a família de Angélica
Nas buscas.
Contudo, logo no início
Das buscas
O bote dos guardas rurais
Foi engolido inteiro.
Dentro haviam três guardas
E um bombeiro,
Logo após ingeri-los,
Ela regojitou o bote,
E fez a digestão apenas
Das pessoas.
A cobra deveria medir
Uns 15 metros aproximados,
Contudo, não foi possível medir
Porquê ela não apareceu
Por completo para ninguém
E onde surgiu,
Mostrou só a cabeça
E uma parte dela,
E não deixou sobras de nada.
Aparentemente,
Se alguém soubesse
Da existência dela
Diria que ela morava na região,
Que perambulava
Entre a terra e a água.
Preocupados
Com o sumiço dos guardas,
Logo a guarda rural
Enviou outros guardas
Atrás destes que não
Apresentaram notícias
Ou justificativa.
Um casal pegou uma viatura
E fez rondas por terra,
Chegando na propriedade,
Após, percorrer suas terras,
Acharam lindo o gramado,
Que anteriormente foi plantado
Pelo casal,
Que faleceu ao encompridar este
Que estava sendo cuidado.
Ambos se abraçaram
Para ver o pôr do sol,
Já estava encerrando
O expediente.
Depois do abraço se beijaram,
Depois deitaram na grama
Entre beijos e juras
De casamento.
Por trás de ambos,
A cobra surgiu mostrando
Apenas a cabeça grande,
Do tamanho da cabeça
De uma pessoa adulta,
Com uma boca comprida,
E pequenos olhos,
Sua coloração era marrom e negra.
Ela emergiu como se
Nunca tivesse existido obstáculo
Que a impedisse
De subir de debaixo da terra
Para fora.
Abriu a boca,
E os retalhou com uma mordida,
Em meio ao beijo do casal
Os abocanhou e atorou
Seus corpos pela metade,
Depois saiu um pouco mais
Para fora
Formando uma espécie
De semicírculo,
Os abocanhou,
Engoliu e retornou para baixo
Da terra,
Sentindo um pequeno empecilho
Para voltar,
Depois mexeu-se,
Com o corpo e adentrou
Na terra.
Os pais de Robson,
Nestas circunstâncias,
Impedidos de ter notícias,
Vieram até a propriedade
Para ajudar a limpa-la,
E atalhar o tempo de serviço
Do casal,
Com esperanças de até
Ambos estivessem vivos.
Ao chegar,
Eles encontraram as metades
Dos corpos em frente a casa,
Sobre o gramado,
Haviam o final de seus corpos
Um sobre o outro,
E sinais de retalhamento.
Logo, imaginaram
Ter se tratado de uma cobra,
Ligaram para a guarda rural
E informaram os fatos.
Depois uniram ambas
As famílias de Róbson
E Angélica,
Ou seja, pais e irmãos,
E chamaram uma reta escavadeira,
Para fazer buracos
Sobre a terra e buscar
A cobra.
Todos queriam encontrar
Os filhos,
Todos estavam abraçados
Uns aos outros
Chorando a dor da perda.
Aberta a terra,
Logo avistaram uma espécie
De labirinto embaixo da terra,
Ou seja,
Buracos que seguiam
Por baixo da terra
E faziam intercessões
E curvas,
Como se fosse uma estrada
Interna que seguia
Para muitas direções
Do tamanho de duas pessoas
Deitadas.
Ou seja,
Bastante grosso,
E não havia sinal
De ter algo dentro.
Assustados,
Gritaram para o motorista seguir
Abrindo o caminho
Pelo labirinto
De maneira a deixar
A mostra o conteúdo dele.
Desta forma,
A grama foi sendo arrancada,
E o jardim da frente
Foi destruído.
A mãe de Angelica,
A Mirtes juntava as flores
Aborrecida pelo estrago,
Com medo de que a filha
Se irritasse ao saber,
E com sentimentos ainda
Mais tristes quando imaginava
Que o amado jardim,
Mantido com carinho e esmero
Serviria, agora, apenas
Para enfeitar o cemitério,
Pois nunca mais Angélica
Ressurgiria,
Seria abraçada
Ou teria vida.
A mãe de Robson,
Roban também se uniu
A Mirtes, agachando-se
Ao seu lado para ajuntar
As flores antes que todas
Fossem soterradas.
- você acha que eles brigaram?
Perguntou Roban.
- nunca brigariam.
Respondeu Mirtes chorando.
Com o seguimento
Do labirinto,
A cobra irritou-se
E surgiu de frente para a escavadeira,
Como se ela tivesse
Chocado a cabeça
Contra a máquina,
Ergueu a cabeça do fundo
Da terra e comeu o objeto
Inteiro,
Sem deixar vestígio
Da máquina e do irmão
De Robson que a dirigia.
Os três irmãos de Angelica
E os quatro de Robson
Gritaram e pegaram cavadeiras,
Machados e facões
Para matar o animal
E salvar o irmão.
Mas ninguém tinha armas
Naquele local
E logo a cobra
Se virou e voltou
Para o fundo da terra,
Através de um daqueles
Buracos de labirinto.
Os pais do casal,
Inconformados correram atrás dela,
Tentando retê-la com as mãos,
Mas, ela não se irritou,
Nem retornou,
Apenas foi mais forte e seguiu
Para dentro,
Os deixando caídos
Para trás,
Alguns metros dentro
Do labirinto.
Anderson e Jardel
Retornaram do buraco.
- vamos buscar outra
Escavadeira ela pode
Ser mais rápida que nós.
Disse Anderson,
Que correu para o carro
Junto com Jardel para
Buscarem a máquina.
Os irmãos e as suas esposas,
Continuaram a buscar a cobra,
Abrindo o labirinto
Por onde ela entrou.
Chegado a escavadeira,
Eles continuaram o trabalho,
Então, logo a frente
Encontraram casulos
Que continham pessoas dentro.
Parecia que a cobra
Os matou esmagados
E os guardou lá
De alguma maneira
Unindo saliva e restos
De coisas do seu redor.
Aquele labirinto tinha vida,
E vida assustadora,
Nos casulos havia pessoas,
Bichos de espécies variadas,
Como uma geladeira
Que guarda os alimentos.
Foi assustador
Ver aqueles rostos esmagados
Lá dentro,
Com uma espécie de líquido
Amarelo e espesso,
Corpos esmagados
E bichos irreconhecíveis.
Depois dos casulos,
Finalmente, acharam duas cobras
Dormindo com suas barrigas
Enormes e juntas uma da outra.
Jardel ficou irritado,
E se jogou sobre elas
Com o facão nas mãos,
Caiu sobre a cabeça de uma
E a rasgou de cima a fora
Antes que pudesse pegá-lo.
A cobra moveu a cabeça
E tentou se esquivar,
Porém, logo foi morta.
No entanto, a outra acordou,
Se atirou sobre ele,
E o esmagou contra o buraco
De terra.
Porém, Mirtes se jogou
Com um facão em mãos
Contra o pescoço da cobra,
Se agarrou a ela
E enfiou o facão
Onde alcançou
Tentando rasga-la ao meio.
Abraçada a cobra
Ainda pode ver Jardel
Gritar de dor
Com seus olhos abertos
E arregalados,
Até que ele esmoreceu
E morreu enfiado na terra.
Dando muitas facadas
Contra a cobra,
Mirtes conseguiu mata-la
E impedi-la de fazer
Novas vítimas,
Porém, haviam muitos,
Muitos casulos ali,
E também ossos jogados,
Como se fossem já restos
Delas.
As cobras eram realmente enormes,
Questão, de aproximados 16
Metros de cumprimento.
Suas barrigas estavam
Tão grossas até caberiam
Dentro delas umas quatro
Pessoas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Elucidar

A verdade
É está que
Você sabe,
É digna de pena,
Implora por piedade,
Por seus minutos
De atenção e cuidados.
Sim,
Sou está
Que sempre
Se entregou
E fez o melhor
Em tudo que pode
Mas ser o bastante,
Por buscar ser,
Nem que
Em poucos instantes
Suficiente.
Então, você veio
Não cobrou atenção
Ou cuidados
E ficou por sentimentos,
Entendeu meus medos,
Minhas incapacidades,
Me tirou os sonhos
Da guitarra,
Do cigarro entre os dedos,
Da bebida gelada no copo,
E me deu seu amor,
Sem me cobrar
Ou achar que algum dia
Eu lhe seria insuficiente.
Eu odeio tanta pressão,
Mas, nem por isso
Sou burra,
Eu preciso de você
De sua presença,
De seu amor
E seus cuidados,
Mas, querido, eu sofro
Diante de tanta observação,
É como se todos
Os olhares, de repente,
Foram despertos
E me tiveram por objeto,
E você sabe
De meus defeitos,
E inseguranças
Que me despertam,
Eu encontrei minhas limitações,
Aí me ponho a chorar
E me cansar
Até mesmo
De você estar tanto perto,
Tanto comigo
E eu desejar a presença de outro,
Eu sei lá,
Eu preciso desanuviar a cabeça,
Elucidar as ideias,
Ver as verdades,
Sou mesmo burra,
E não quero ser tão sua.
Isto me parece determinante,
Eu sinto medo
De que está situação
Se perpetue,
E eu seja sempre
Alvo de todos os olhares,
O boato de todas as bocas,
O defeito aparente,
O desacerto gritante.
Eu me saí mal,
Nisto de ser fiel
Eu não fui capaz,
Nisto de não me cansar,
De não gritar de ódio,
Descarregar meus medos,
Eu não fui capaz,
Só me deixa desanuviar,
Conhecer outras mentes,
Fugir de tudo isto,
Que me irrita muito,
Por mais que lhe desperte pena,
Me deixe viver,
Só quero beijar outros garotos,
Na verdade é simples.

Ao Seu Lado

Eu busco as palavras,
Procuro os rostos,
Quero seu olhar,
Te guardo meus sorrisos,
Você deveria ter notado
O quanto faço todo o possível
Para estar sempre
Ao seu lado,
Te agradar
Em cada segundo,
Te buscar
Em todos os sorrisos,
Não me contentar
Com aquele
Que não seja o seu,
Ora, a Aline é aquela
Que pode dizer,
Te falar
Sobre o quanto
Estou sempre ao seu lado,
Te apoiando
Em suas buscas
E amparando suas ideias,
Sempre ao seu lado,
Pede a ela,
Estou sempre ao seu lado.

Me Cansei

Olha,
Eu canso
De você estar
Sempre perto,
De seu silêncio,
E eu quero outros braços
E com tudo que você
Se importa,
Eu não me interesso.
Eu odeio sua presença,
Sempre obrigatória,
Sempre forçosa,
É irritante,
O quanto você
Acha que pode grudar
Em mim,
Não me dá liberdade,
E me força
A te ver,
Sempre e sempre,
Contudo, nunca
Esteve mais distante,
Porquê, garoto,
Preciso de dinheiro
Para as contas,
Quero gastar meu tempo,
E me devorar a estar sozinha,
Você não é esperado,
Não é desejado,
E é feio,
Mas, garoto,
Me entrega seu dinheiro
E tudo se basta,
Menos a coisa de fidelidade,
Não sou capaz,
Nem você merece,
Eu não me adaptei
Ao seu jeito
De se achar único,
Dono de suas vontades,
E você me cerca,
Cerca muito
E me força,
Eu queria bater
Em você
Até te ver despedaçar,
Que droga de relacionamento tóxico,
Se perfaz nos anos
E me faz definhar,
Você não é suficiente,
Eu sou incapaz,
Não quero apenas você,
Me canso de suas ideias,
Não me adapto
Aos seus conceitos,
Desejo que se foda
Toda a sua família.
E me sinto horrível
Porquê é como se você
Sempre e sempre
Se recusasse a entender
Que não quero só você,
Que nunca o desejei
De maneira tão uniforme,
Acho que você pensa
Coisas machistas
Como me fazer gozar
E acha que isto
É o bastante,
Não, eu curto
Outros garotos,
Nunca quero ser
Apenas sua,
E você é insuficiente,
Me deixa triste,
Me faz pessimista
E eu tenho medo
De que sua vigília constante
Me prenda,
Sufoque
E retire minha vida,
Pare de culpar
Aos outros,
Entenda:
Você é insuficiente.
Eu canso com facilidade
E você desperta
Este sentimento dentro
De mim,
De cansaço e desesperança.
Eu gostaria de conviver
Com alguém
De maneira
Que não o quisesse ferir,
Nem me sentisse ferida,
De maneira a me entregar
A outros garotos
E não me sentir presa
A sua constante vigília,
Você foi insuficiente desde
O início,
Então, mude isso,
Não me force,
Não me imponha
Sua presença,
Suas formas,
Suas crenças,
Sua maldita família,
Seu nariz feio,
E outras coisas suas
Que detesto.

Sonhos

Pra quem não sabe
Sobre os sonhos,
A serventia deles
É viver.
Você saberia,
Com facilidade,
Quantas vezes,
Eu te busquei,
Te encarei de frente,
Tive de dar meia volta
E retornar,
Sem você
E isto foi cruel.
Eu, mesmo hoje,
Te busco nos olhares,
Imagino se seu sangue pulsa,
E onde vive,
Porquê, poxa,
Sou esperta o bastante
Pra saber
Que já não vive em você,
Então, sua busca acabou,
E eu indago: houve?
Vale o quê?
Vale um beijo,
Um carinho,
Uma mão para amparar,
Um ombro onde chorar,
Um jeito que mostre
Muito mais que os sonhos
Mostram,
Que diga a verdade,
Nos faça ver
Como estar
Um com outro
Sempre e onde quer
Que estejamos juntos.
Não tive,
Seus rirmos,
Os pilares de seu coração,
Não tive
Seus sonhos,
Nem contei com eles,
Mas eu o busquei.
Não tendo,
Eu nunca soube
Qual foi seu destino
Que se tão distante,
Talvez, nunca nos cruzaremos.
Mas, os sonhos?
De que são feitos?
De mãos dadas,
E pessoas unidas.

Bebe Comigo

Fica comigo aqui,
Me faz companhia,
Serve um gole
De vinho,
Me acompanha está noite,
Quero adiar a dor
De o sol clarear
E não restar mais nada.
Noites de barulhos estranhos,
De vultos fantasmagóricos
E eu a buscar seu nome,
Procurar notícias suas,
Sorvete meu vinho quente
E imaginar seus lábios
Com outra e eu aqui sozinha.
Me dá uma razão
Para não esquecer de nós,
Não seguir em frente,
Encarar você
Com outra e achar
Que tudo estará tão bem,
Por favor,
Bebê comigo este vinho
E imaginar que o destino
Já não está escrito
E que nós poderemos
Acordar juntos
Olhar um nos olhos
Do outro
E imaginar que não
É um sonho,
Não há muito tempo
A favor.

Houve em Nós o Amor

Se te ouvir
Me trouxesse o tempo,
Como trás as lembranças,
Já não iria querer recordar,
Te ver,
Descrer,
Esperar e meter
Estas ideias
Tão sórdidas,
Em que me vejo lutar,
Desistir de nós,
Te buscar,
Feito uma valsa,
Que beija-me,
E vaza-me,
E você irá saber,
Tudo que eu não disse,
Tudo que faria,
Tanto que esperei,
Tanto que o desejei,
O amor com que te beijei,
A forma como te toquei.
Malditos são os vinte anos,
Que já não são os quinze,
Muito menos os trinta
De agora,
Se foi a que te queria,
A que lhe confiava
A alma,
A vida,
E seus versos,
Porém, você fugiu,
Você se apegou,
Buscou em outra,
E nós dois
Apenas acabou.
Você, talvez, tenha sabido,
Sentido e buscado
O tanto que te busquei,
No silêncio de cada olhar,
No escuro de cada noite,
Em que me confiei sua.
As vezes que te vi
Na lua,
No céu de estrelas,
No maldito helicóptero
Que sobrevoou
E eu jurei ser você,
Se alguma vez,
Você pensar em mim,
Me diz,
Houve entre eu e você
O amor!
Ah, eu te busquei
Em muitas bocas,
Eu gosto de beijar,
E provar bocas diferentes
Me fez bem,
Mas, você sabe
O quanto eu te busquei,
Te esperei,
E pode passar mil anos,
Teria sido há quinze anos
Tal como agora,
Tempo de espera
E entrega,
Poderia ser
Para daqui a quinze anos
Tempo de espera
E de buscas,
Mas, não foi nós dois,
Poderia tanto ter sido,
Contudo, não foi,
Mas, se alguma vez
Você pensou em mim,
Caramba, você era tão legal,
E eu apenas uma garota simples,
E você, aquela garoto
Que eu desconhecia,
Mas, que levarei
Por uma vida.

Cansei-me

Por quê simples
E simplesmente
Eu nunca aprendi
A fingir,
Porém, me empurraram você
E me obrigam a você
E eu já me perdia
Agora me vejo obrigada.
Eu não quero aprender
A te querer,
Aceitar seu jeito invisível
De estar sempre
Onde eu estou,
E pra admitir
Se você não estiver
Já nem sei o que fazer,
Mas, você me obriga.
Obriga a aceita-lo sempre,
Me obriga a te querer,
Me empurra você
E eu preciso aceitar
No talo,
Fingir que não rasga
Minha garganta
E que eu não preciso
De um tempo pra mim
Mesma.
Me obriga
A padrões
Que são só seus,
Eu preciso da paz,
Da paz de me buscar
E me encontrar,
Preciso de liberdade
Para pôr aquele piercing
Sobre o qual
Espero não me arrepender,
Mudar meu corpo,
Trocar o que não gosto,
Viver.
Quero a liberdade
De amar,
De deixar de estar
A suas pernas,
Caída
E ao dispor
A queimar sob
Este maldito sol,
Que não me dá graça
Nos pássaros,
Nas frutas,
Ou na coisa toda
De estar a sua espera,
Ao seu dispor.
E a culpa nem é minha,
Mas, nem sonho
Com seu amor,
Não me importa
Seus lábios,
Maldita a dor,
Me faz buscar outro
E não me vejo sua,
Estou dividida,
Não o quero tanto
Quanto você deseja,
Maldita seja a paciência
Que me toca a você,
Relâmpagos de cor,
De defeitos que vejo gritantes,
Estou a sangrar
Em seus malditos pés,
Ao dispor de seus passos,
Me vejo a cair,
E me entupir de medo,
E não quero cair em você,
Cansei de suas malditas falhas,
Que se partam os amores
Fiéis e unidos,
Me vejo cair
E não quero cair em você,
Muito menos estar aos seus pés,
Maldito sejam seus passos,
Que só me esfriam
E ferem meus sonhos,
Eu não lhe nutro este amor
De fidelidade e estar ao dispor,
Quero liberdade
Quero viver,
Cansei-me.
É simples,
Tu não me vale
Todos os contos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

2025

Notícia do semanário
De Pinhalzinho:
Chuva intensa cai
Sobre a cidade,
Alagando ruas,
Invadindo casas,
Destruindo moradias,
Levando carros e árvores
E até mesmo pessoas
Para a sargeta.
Pede-se,
Aliás, implora-se:
Ajuda dos moradores locais
Para limpar as ruas
E permitir o tráfego
Do povo até suas casas,
Para só então,
Saber o real estado
Dos moradores locais.
Tragam pás,
Enxadas, facões, cavadeiras
E o que mais puderem
Para auxiliar a desterrar
Os carros e até pessoas
Que estão soterradas
No final de cada rua,
Principalmente na avenida
Principal onde a enxurrada
Carregou tudo e todos
Para o lado do moro
Que fica ao final da rua,
Divisa com a Br.
Precisa-se permitir o tráfego
E salvar a todos que
For possível,
Com o máximo de rapidez,
Vez que a chuva irá continuar
E os danos não pararão nisto.
Enquanto, no interior,
Tudo parece mais simples,
Contudo, Dona Ofélia
Sofreu a perda
De uma safra inteira
De suas uvas,
A plantação caiu no chão,
Parte foi soterrada
E o resto esmagado
Pelos intensos pingos.
O banco, logo que soube,
Oficiou Dona Ofélia
No adiantamento
De sua dívida com o banco
Sob pena de perda de
Seus bens
E bota-la na rua.
Chocadas,
Suas filhas,
Ainda menores de idade,
Pegaram escondidas
As chaves do carro
E dirigiram até a delegacia,
Chegando lá,
Após passar todo o sofrimento
De dirigir sobre a rua
Com água,
Escorregar no barro
Sobre os asfalto,
E chegar a delegacia
Encontraram o delegado
Sentado em sua cadeira,
Tranquilo tomando coca.
Conhecendo o assunto,
O delegado informou
Que em nada poderia ajudar,
Retirou a chave do carro
Da posse das meninas
Já que não tinham idade
Ou permissão
Para dirigir,
Multou a mãe de ambas
Por elas estarem ali
E reteve o carro.
Chorosas,
Elas ligaram para um rapaz
Que com sua carteira
Pode retirar o carro,
E se ofereceu para levá-las
De volta para suas casas.
Irritada,
Por agora contarem
Com mais as multas
Como dívidas para sua mãe,
Elas ofereceram sexo
Ao delegado,
Ele aceitou,
A mais nova,
Aproveitando-se de sua irmã
Estar sentada no colo
Dele lhes fazendo carinhos,
Pegou as algemas
E o algemou,
Então, tomou a arma
Dele e com a própria
Retirou sua vida.
Depois, foram até o banco,
Encontraram o banqueiro
Lá, seguro de si,
Enquanto um rio de lama
Carregava tudo que podia
Com ele.
Chegaram até o banqueiro,
E atiraram contra ele,
Depois, acessaram o computador
Do próprio apagaram
As imagens
E impediram a penhora
De sua casa.
Colocando a dívida
Como paga,
Porém, o ano correria,
E não teriam dinheiro
Para comida ou sustento,
No entanto, a justiça
Estava feita.
Felizes, voltaram até
A delegacia e apagaram
Também, as multas injustas,
Depois sentaram-se
No carro de suas mães
E voltaram, felizes, para casa.
-medo.
A palavra medo ecoava
Na mente da família de Dona Ofélia,
E em cada uma
Dos moradores de Pinhalzinho,
"Me-do".
A chuva não teve piedade,
E exigiu de cada morador
Compaixão pelo próximo,
Que buscava a todo custo
Salvar sua televisão,
Para ter um instante de diversão 
Após toda dor,
Salvar a geladeira 
Para ter com o que se alimentar,
Salvar a cama,
Para ter onde sossegar
Depois de um dia agitado 
De trabalho,
Na cidade onde muitos perderam,
E poucos extraíram destes 
As dores, medos e dinheiro perdido.

"Me-do",
Era ou devia ser
A palavra que mais ecoou
No ouvido de cada morador,
Medo, aliás,
Neste momento de chuvas
E devastação 
Deveria ser vista pelo lado
De "dar-se", "entregar-se",
Num sentido de que,
Naquele instante todos perdiam,
A vida de cada um corria perigo,
Os bens que o vizinho perdia,
Refletiria nas vidas
De seus semelhantes,
De maneira que ninguém 
Se sente superior ao outro,
Ou bem consigo próprio 
Enquanto seu próximo 
Passa necessidades.

"Medo",
Refletia de boca a boca,
Ressoava em eco
Por cada casa
Até o final de cada rua,
Até alcançar da avenida
Ao morador da roça.
Receio de toda chuva
Que caiu,
Todo o estrago que causou
E a chuva que se avistava
Próxima e feroz.

Motos e carros se aglomeravam
Ao final de cada rua,
Dentro de casas destruídas,
Crianças pediam por seus pais,
Pais buscavam seus filhos
E carros policiais trafegavam
Com suas sirenes ligadas
E holofotes em busca de sobreviventes.

Ao fim da rua,
Um grupo de jovens
Passou a depredar paredes
De vidro de lojas
Para saquear,
Roubaram roupas, calçados 
E até supermercados.

Outros grupos seguiram
Para lojas de jóias,
Eletrônicos e o que mais
Houvesse,
Logo, um carro policial 
Percorreu do início ao fim
Da cidade com um apito 
Para informar 
O fechamento de toda a cidade
E a decretação de estado 
De necessidade:
"O povo havia invadido
Tudo que pode em busca
De furtar-se de pagar,
Aproveitando-se das chuvas
E a dificuldade de reconhecimento 
De seus rostos
Para ocultar-se de responder 
Pelo crime".

Policiais invadiram bancos
E quebraram caixas eletrônicos,
Retiraram dinheiro 
E fugiram para outra cidade,
Tudo se tornou um caos.
Mas, as filhas de Dona Ofélia 
Chegaram bem em casa,
Tiveram como impecilho
Apenas o fato
De que uma árvore caiu
Na estrada e impedia
A passagem do carro,
Então, tiveram que cortar
Aquele tronco a facão 
E motoserra 
Que lembraram de levar junto,
Retirada a árvore,
Puderam seguir até sua mãe,
Que triste e desamparada
Chorava vendo a chuva retornar.

Um Princípe