quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cinco irmãs na Janela

Havia uma família
Que morava no interior,
Num lugar escondido,
Entre árvores,
Um rio de águas límpidas
E um amor proibido:
O amor pela liberdade!
Seus pais foram colher
Pasto para as vaquinhas
De leite que tinham,
Encheram a carroça,
Guardaram seus facões
Enfiados na tábua da beirada
Da carroça,
Colocaram os bois na canga
E subiram nela.
Sentados sobre o pasto,
Abraçados já tarde do dia,
Não enxergaram a cobra
Que com um bote pulou
Do barranco e feriu o boi
Na perna.
Amedrontado e assustado,
Ele escoiceou e mexeu
A cabeça com força,
Isso assustou o outro boi,
E ambos saíram da estrada
E rumaram para o barranco
Berrando e babando.
A carroça não aguentou
O trajeto,
Sobre o barranco ela
Se desestabilizou,
E a caixa de madeira subiu
Do assoalho de madeira,
Se desencaixando
Do restante.
Este movimento fez
O pasto ser jogado
Para o alto e o casal
Se desequilibrou,
Aos gritos eles tentavam
Se manter vivos.
Porém, uma roda se partiu
No encaixe de madeira
E caiu,
Então, a carroça cheia
Com pastos caindo para
Os lados
Pensei para o lado direito
E caiu se entortando inteira,
O pasto veio sobre o casal
Que não soube ser rápido
Para descer a tempo
De cima da carroça
Com um pulo.
Os bois insistiram em puxar
A carroça e isso a levou
Para frente,
Derramando o pasto sem parar,
Até que o boi se colocou de joelhos
E não conseguiu seguir adiante.
O outro ficou em pé,
Mantendo a canga no pescoço,
O casal gemia de dor,
Mas estavam longe
Das filhas,
Ninguém podia ouvir-los.
-querido, retire o pasto.
Dói meu braço.
Disse a esposa.
-querida, não tenho força,
Acho que o osso da
Minha perna está para fora
Da minha pele...
Parece que o sinto.
Dói muito.
E suas vozes foram silenciando.
-querido, eu te amo.
-querida, amo você.
-querido, preciso saber
De nossas filhas.
-querida, elas ficarão bem.
-querido, acho
Que nunca mais as veremos.
-querida, fique calma.
O boi gemia,
Enfiava a cabeça na terra,
Eles saíram no barranco
Para caírem sobre a roça
Onde havia pedras e terra.
Logo, o boi quebrou
O pescoço e morreu bufando
E babando.
Passou o dia,
Chegou a noite.
As cinco garotas acenderam
O lampião e foram atrás
De seus pais
Com velas e o lampião.
Demoraram,
Passaram do local,
Depois vendo as marcas
Das rodas da carroça no chão,
Viram a carroça caída,
O pasto jogado do lado.
Correram até lá,
Gritando pelos pais,
Os acharam imprensados
Embaixo do pasto mortos.
O tempo passou,
As cinco moças
Optaram por continuarem
Em sua casa,
Sozinhas.
Os tios moravam longe,
E a avó pouco as via,
O interior cheio de frutas,
Aromas de chás
Por toda parte
E flores que voavam pela
Janela é lindo de se ver,
Mas, é distante de tudo,
É quase um abandono,
Uma espécie de esquecimento.
É como se o céu
E o túmulo se confundissem
Na névoa densa,
Flores e folhas secas
Ganhavam o céu azul
O tingindo de cinzas,
Assim como os túmulos,
Que repletos delas,
Nem se distinguir dentre
O chão e o horizonte.
Um homem passou
A frequentar a casa
Nas noites,
Era tarde,
E o lampião era apagado
As pressas,
Elas demoraram para acreditar
Que alguém seria capaz
De fazer isso.
Mas, ele foi,
E na primeira vez em que
Foi descoberto,
Vez que Alice guardou
Uma vela extra embaixo
Da cama
E ouvindo passos sorrateiros
A acendeu,
Dando de cara
Com um homem vestido
De amarelo e verde,
Que não sorriu ou se
Espantou,
Simplesmente, pegou
O travesseiro
Que estava ao lado dela
Pôs em sua boca
E a matou.
Perdeu-se aí a primeira irmã.
As quatro que restaram
Dividiram seu tempo
Entre a janela e o quintal
Repleto de grama, flores
E um lindo pomar.
Não tardou,
Ele se aproximou,
Sendo visto,
Se irritou,
Outra vez perdeu-se
Uma irmã.
Ela estava na cozinha,
Era tarde,
Perdeu o sono,
Fazia um bolo
No fogão a lenha,
Sua velinha crepitava
Contra a parede
Fazendo sombras e desenhos.
Um se destacou,
Então, depois,
Sem que ela virasse
Para trás de sua cadeira
De onde colocava lenha
No fogo,
A chama se apagou
E seus olhos nunca
Mais viram a luz do dia.
No túmulo simples
Descansam as almas
De um casal,
E duas filhas,
Contudo, uma delas
Se decidiu a sair de casa,
Não foi distante,
Uma foice interrompeu
Seu caminho,
Saindo de dentro de uma
Área verde,
Como se tivesse vida,
Somente a foice
Caiu sobre seu pescoço,
Então, caída no chão
Engasgada de sangue
Viu uma mão,
Assustada, não quis
Ficar longe de casa,
Correu,
E se embrenhou na mata
Até chegar ao túmulo
De seus pais,
Lá caiu e foi encontrada
Mais tarde.
Meses após isso,
Uma cobra pegou a
Quarta irmã que visitava
O túmulo,
Ela morreu ali mesmo.
A outra envelheceu,
O choro levou seu sorriso,
Marcou seu rosto,
E tirou sua beleza,
Indo ao túmulo ver a família,
Um berne enorme
Saltou de lá e a comeu
Inteira,
De único salto e mordida.
Até hoje está mata
É recordada pela cidade,
Cuja beleza das moças
Se tornou folclore,
No túmulo existem sete nomes,
O dos pais e de suas sete filhas.
A lápide verga,
E logo depois é trocada
Por um estranho,
E distante de tudo,
Ao ver-se a janela daquela
Casa quase é possível ver
Cinco irmãs apoiadas
No beiral olhando o quintal
Florido sorrindo.
O vento se encarregou
De guardar para si
A imagem delas,
Derrubou uma árvore
Sobre a casa,
Que deixou para sempre
A janela escancarada,
Enquanto o telhado vergava
Para o chão
De onde quase se toca
A altura da janela.

Bolas de Choro

Ela conheceu o amor
Nos braços de Miranlo,
Mas, durou pouco demais.
Todo amor quando
É verdadeiro,
Dura pouco demais
Se no caminho
Ele é deixado a plano.
Ela acordou,
Ouviu a vizinha chorar alto,
Então, ouviu tapas e gritos,
Depois disso,
Ouviu barulhos intensos
De móveis quebrando.
De sua sacada,
Ela gritou:
Vizinho, deixe de bater
Em sua esposa.
Irritado ele saiu
Para fora,
Pegou a vassoura
E bateu nela no rosto.
Acertando três vezes,
Depois ela caiu,
Ele morava ao lado,
Era alto,
De sua área bateu nela.
Em silêncio,
Só tinha o olhar irritado
Para contar o quanto
Queria mata-la,
Nisto, ele se agarrou
Na murada da sacada
E tentou subir até ela.
A alcançaria,
E a mataria.
Ele era grande,
Irritável e batia muito.
Notou-se um embrulho
Ensanguentado no lixo
Dele,
Com certeza se devia
A algum crime.
Talvez, fosse o pano
Que ele usou para limpar
O chão de sua casa
Depois de tanto bater
Na esposa.
Ele resvalou,
Feriu a mão e voltou
Para dentro de sua casa,
Lá continuou a bater
Na esposa,
Desta vez, vem um barulho
Diferente.
Ouviu-se gritos
Depois apenas soluços.
Ela foi até dentro de sua casa
E informou ao esposo
O quanto o vizinho a feriu,
Ele acordou sonolento,
Abraçou a esposa,
Disse que a amava.
Nem trocou o pijama,
Pôs sua pantufa
E saiu porta a fora,
Lá da calçada gritou:
-Vizinho, quem vive é
Para bater nas pessoas?
Depois disso,
Ele bateu palmas
E continuou.
-vizinho você não é pai
De ninguém para dar educação
Aos outros ao seu modo.
O vizinho pôs o rosto
Na janela o vendo sorriu
E chacoalhou a mão aberta
De lado para o outro.
Prometeu atalhar o destino
Do outro e o fez,
Sacou um revólver
Que ele tinha escondido
Embaixo do colchão,
Dentro do colchão,
Para ser exato,
Estava municiado.
Ele chegou até a janela
E dali atirou seis vezes.
O corpo do outro chacoalhou
E gritou socorro,
Depois caiu entre o pranto,
Murmúrios inaudíveis
E soluços imóvel no chão
Com um estalo.
Ela saiu correndo
Para fora,
De camisola e pantufa,
Abriu a porta e correu,
Encontrou seu esposo
No último suspiro,
Que teve tempo de dizer:
-te amo.
Adeus.
E fechou os olhos
Agarrado a ela,
Com sangue escorrendo
Em seu pijama,
Sua respiração ficou lenta,
Depois mais lenta
E parou.
Ela gritou para o céu
Ajoelhada em prantos:
-eu te amo,
Não me deixe,
Fique comigo!
O vizinho saiu até a área
E apontou a arma para ela:
-cala a boca
Puta desgraçada!
Ele disse,
E atirou,
Porém, já havia gastado
Todas as balas.
-vou recarregar está bosta
E volto,
Você me paga maldita!
Ela continuou abraçada
Ao esposo que não respirava,
Chorando e triste.
Lá dentro a esposa do vizinho
Gritou muito,
Gritou muito mais alto:
-não, não, por favor não!
O vizinho voltou correndo
De lá,
Juntou pedras na calçada
E a apedrejou:
-morra desgraçada!
Ele gritou.
Não chegou tão perto,
Mas jogou muitas pedras.
Depois saiu
E foi para o bar
Próximo a sua casa
Beber e jogar cacheta.
A polícia chegou,
Alguém informou
O que houve,
A mulher estava abraçada
Ao esposo morto
Caída no chão sobre ele.
Com sangue, cortes profundos
E escoriações por toda a parte.
Na vistoria das proximidades,
A polícia achou estranho
Aquele embrulho sujo de sangue:
-este sangue é seu?
Indagou o policial
Apontando para o saco
Na lixeira.
Ela só maneou a cabeça
Em negativa,
Ele abriu o saco
E lá havia um bebê,
Sem roupa e muito jovem,
Sujo de sangue
E respirava,
Mas estava em silêncio
De olhos fechados.
- o que é isso?
Gritou o policial assustado.
Com a arma apontando
Para o bebê
E para os lados amedrontado.
Se chorar virasse dinheiro,
Se diria que ela chorou
Até conseguir uma coleção
De bolas de gude,
Seu choro se condensou
Em pequenas bolas
E agora elas as tinha guardadas...
A rolar pelo assoalho empoeirado.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fuga

Eu fugi do nosso amor,
E daquele tempo,
Dos sonhos apaixonados,
E de você,
Eu fugi para muito longe.
Mas, se lágrimas
Se cristalizassem,
Eu teria feito uma casa inteira
De diamantes,
Com tantos degraus de arrependimentos
Que eu já teria que
Construir uma área
Ao lado para lazer.
Eu comecei nossa história
Com sorrisos felizes
E espera incansável,
Havia tanto para te amar,
Mas senti tanto medo,
A sua profissão era confiável,
Mas, perigosa e ela
Lhe tomava de mim,
Na verdade,
Você vivia em função
Do seu trabalho
E a remuneração
Não era viável.
Eu fiquei a espera-lo
Por tanto tempo
Quanto outra qualquer
Não ficaria,
E aí quando você vinha
Vinham todos os problemas
E eu fui fraca,
Fraca demais para suportar.
Mas, partir para longe
Nunca foi refúgio,
E nem foi melhor
Que estar segura
Em seu abraço,
Eu sofri tanto
Mas, estou me esforçando
Para deixar tudo para trás,
E destas malditas lágrimas
Que tanto choro
Cristalizo pouco a pouco
E construo a vida,
A calçada,
Os alicerces, o teto,
A casa...
Noite triste está
Que vivo sem você,
Mas, choro silenciosa
E você já não pode
Me ouvir,
Melhor assim.
De paredes de vidros,
Espero que quando
Você passe,
Pois as vezes,
Desejo vê-lo,
Então, você olhe para
Onde eu estou
E me veja,
Entre o choro
E o sofrimento
Que se converteu
Nosso amor.

Alex

Parada na porta
Da frente de casa,
Com um entardecer
Inesperado e aberto,
Eu o vi passar,
Alex.
Eu não imaginei
Que seria tão bonito,
Alex,
Não pensei que amor
Viria de um olhar,
Faria palpitar o peito,
Gerar falta de palavras
E tremer as pernas.
Mas, fiquei bamba
Agarrada aquele vidro,
Com os olhos arregalados,
Eu não queria deixar de ver,
Queria que o tempo parasse,
Queria estar perto.
Com um passo a frente
Eu estava na calçada,
Bem perto,
Sentindo ele caminhar,
E eu poderia tocar,
Mas, não podia.
Sabe aquela sensação
De que algo lhe proíbe
O desenrolar do que
Você deseja?
Proíbe ou impede,
Não sei,
Mas, era algo forte,
Mais forte que o amor?
Não foi,
Não seria,
Mas, naquele instante,
Eu precisei respeitar
Este instinto
E deixa-lo seguir,
Ir para onde quer
Que fosse,
Partir.

sábado, 25 de abril de 2026

Assassino Insaciável

Agenor passou
A reclamar em casa
De sentir uma dor insuportável
Que tanto lhe doía
Que causava perda
Do movimento dos membros.
Sua esposa,
Gentil e amável
Corria lhe fazer um chá,
Porém, a dor apenas aumentou
E passou a causar mudez.
De vez em quando,
Agenor acordava cedo
Da manhã para ir ao trabalho
E não tinha movimento
Dos membros superiores,
Com dificuldade para se levantar,
Tomava o café
Sem cumprimentar ninguém
E corria para a porta
Com medo de perder
Mais movimentos,
Ou então, que a perda
Com sensação de formigamento
Durasse para sempre.
Com dificuldade,
Ele sentava em frente
Ao volante do carro
E demorava cada movimento,
Mas, conseguia prosseguir,
Precisava ser forte
Para ajudar a família,
Manter a identidade financeira
Do casamento.
Seus filhos tornaram-se
Arredios,
Jander foi andar de bicicleta
Reclamou de formigamento
Nas pernas e antes de
Ter forças para parar a bicicleta
Caiu no asfalto ferindo
Profundamente o rosto.
Raise correu para ajudar,
Porém, sentiu formigamento
No quadril direito e
Não tinha mais forças
Para se mexer.
Ficou parada sobre
O garoto agachada
Segurando ele pela cintura
Sem poder fazer nada.
Sua mãe correu
Porta a fora
E vendo a cena desacreditou
E bateu na moça de quinze
Anos com o chinelo.
Raise chorou envergonhada,
Estava em plena calçada,
Em frente aos vizinhos,
Mas, mesmo apanhando
Não conseguia mover-se.
O pai voltou
E nesta noite foi pior.
Perdeu os movimentos
Dos membros inferiores,
E com um esforço tremendo
Tentou levantar a mão
Para pedir a ajuda da esposa
E não conseguiu mover-se,
Então, tentou falar
E sua voz não saiu.
Preso num escuro profundo
Acreditou estar morto
E num esforço sobrehumano
Tentou arranhar o caixão,
Implorar ajuda,
Abrir os olhos e ver algo,
Mas, nada acontecia.
Até que a lua despontou
No céu
E a luz chegou a janela,
Chorando de felicidade
Ele percebeu que estava
Apenas na sua cama,
Em seu quarto,
Ele sorriu,
Mas, suas palavras
Ficaram presas
Em algum lugar muito
Distante,
Como se um verme
As tivesse devorado
E levado junto cada um
De seus músculos.
Nesta noite,
Ele teve um pesadelo terrível,
Sonhou que algo rastejava
Dentro dele,
Formando calangos
Para fora do corpo,
E este percorrer daquele
Bicho causava uma dor
Lancinante.
Por onde andava
O bicho mordia
E levava algo,
Um pouco de sua pele,
Um pouco do seu sangue,
Um de seus músculos...
O bicho insaciável
Comeu os músculos de
Um de seus braços
E agora com o braço curto
Ele perdeu os movimentos,
O braço atrofiou,
E não esticava mais,
A dor era terrível demais
Para ser enfrentada
Então, ele foi encurtando
Até chegar ao peito
E ali ficou.
De repente,
O bicho virou para trás
E num ímpeto
Pulou até seu coração
E o devorou.
Agenor acordou assustado,
Suando frio e tremendo,
Olhou para o lado e
Sua esposa estava ali
Abraçada a ele,
Tranquila o protegendo.
Ele sentiu que precisava
Fazer algo,
Aos 40 anos ele era jovem demais
Para morrer de dor
E imobilizado feito um imóvel.
Na manhã seguinte,
Conseguiu se mover,
Abraçou a esposa,
Beijou sua face
E foi ao hospital.
Chegando lá,
O médico o analisou,
Ouviu o relato
E fez um exame de vista
E toque.
Na primeira oportunidade
Descobriu tratar-se de berne.
Faltava apenas abrir um
Pequeno local por onde
Retirar o bicho
E fazer a pequena cirurgia.
A cirurgia logo foi marcada,
Saindo do hospital,
Agenor foi até o cemitério
E sentou chorar
Perto do túmulo de
Seus pais a avós,
 Tão tarde descobriu a doença
Degenerativa da família
Definida como catalepsia,
Era berne,
Um simples bicho
Que era transmitido de um
Ser humano para o outro
Através do toque,
De estar perto
E por meio de um mosquito.
Berne,
Uma questão tão simples,
Lhe tomou a família inteira
Em tão pouco tempo.
Depois de chorar no cemitério,
Ele foi até sua casa
E lá cortou as bananeiras
Onde seus filhos
Faziam as necessidades fisiológicas atrás,
Lavou o tronco das árvores
De frutos mais grossas,
Onde haviam restos
De merda e mijo
E então, lavou toda a casa.
Depois disso,
Contratou um pedreiro
E fez um banheiro
Para cada quarto da residência,
Instalando água
Em cada qual
E transmitindo a notícia
De que urinar e defecar
Ao redor de casa
Estava proibido.
Então, explicou sua doença
Aos filhos e descobriu
Que os filhos sofriam
Do mesmo mal.
Irritado ele pegou
Os penicos debaixo da cama
De cada um e fez
Uma labareda de fogo
No pátio de casa e
Os queimou.
A falta de higiene
Matou seus patriarcas
E agora levava sua família
Sob seus olhos,
E a dor tirava inclusive
A vontade de viver.
Chegando o dia agendado,
Agenor foi até o hospital,
Passou pela cirurgia,
E isto lhe ocasionou
A perda irrecuperável da perna.
Os bichos formaram
Um aglomerado de bichos
Naquele local,
Se multiplicando em milhões,
E o membro não pode
Ser recuperado.
Anestesiado e sonolento
Pela cirurgia,
Uma enfermeira aproveitou-se
De seu estado,
E provocou nele ereção,
E então fez sexo com ele
No escuro do quarto
Do hospital
Engravidando de Agenor.
A enfermeira Noêmia
Retardou o máximo possível
A saída de Agenor
Do hospital e o manteve
Fazendo sexo por
Todo o tempo que desejou.
Sob o efeito do remédio
Ele não notou que isso ocorria.
Na sua família,
Todos tiveram bernes,
E seu filho
Perdeu alguns músculos
Do braço,
Por isso, teve seus movimentos
Encurtados significativamente.
Já sua esposa perdeu
Um seio,
O berne comeu o seio dela
Que ficou flácido e caiu,
Ela acreditou que isso
Se devesse a idade avançada,
Mas, não,
Foi causado pelo berne.
Já sua filha perdeu
O movimento permanente
Dos dois últimos dedos
Da mão direita,
Seus músculos foram picotados
Por mordidas do bicho
Que arrancou aos poucos
Os pedaços dos músculos
Até que ela não pudesse
Mais se mover.
Ao final de sete dias,
Todos retornaram para casa,
Animados e felizes,
Mas, a sombra daquele
Bicho faminto e feroz
Permaneceu,
E o medo sempre ronda
A casa dos Albbuquerques.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Otramentiron - Retorno da Múmia

Navegando nas margens
Do rio Nilo,
O doutor Roultin decidiu
Com sua esposa,
Apoitar o barco a velas
E mergulhar.
No terceiro mergulho,
Já cansado,
Por pouco não perde
Todo o fôlego
E sucumbe nas águas límpidas
Do rio,
Vez que colidiu com algo negro
E longo e duro embaixo
Da água.
O encontro teria sido fatal
Se ele não fosse rápido
E pusesse sua mão
Em frente a cabeça,
Isso atenuou o impacto.
Vendo o objeto,
O achou de renomado interesse,
Chamou uma equipe de buscas
E o retirou debaixo da água
Usando uma corrente amarrada
Ao objeto e um trator.
O trator patinou,
Resvalou para trás
E quase caiu na água,
Mas, teve forças suficientes
E puxou o objeto.
Retirado nas margens,
Viram que o objeto
Parecia uma caixa,
Ou uma espécie de caixão
Pontiagudo.
Todos se alarmaram,
Será que se tratava de
Um extraterrestre?
Com muito cuidado,
Uma equipe de médicos
Começou analisar
Com estetoscópio o redor
Do objeto para ver
Se se tratava de uma máquina
De viajar no espaço
Ou no tempo.
Parecia de ferro,
Porém, na primeira limpeza
Viu-se que era feita
Do mais puro ouro,
Foram necessários muitos
Baldes de água
Puxados do rio
E muito sabão e esponja
Para ver que realmente
Era ouro puro.
Aberto o champanhe
Para comemorar,
E acendido uma fogueira
Para fazer um churrasco,
A turma composta
Por 4 médicos e a esposa de um
E também uma secretária,
Reiniciou o processo.
Vendo que havia uma espécie
De abertura,
Foi usado um pé de cabra
E aberto o objeto,
Dentro havia outro objeto
Do mesmo molde,
Contudo de pedra preciosa,
E dentro da pedra havia um homem.
Quem se preocuparia
Em lapidar uma pedra
Para por um homem dentro?
Seria este homem uma maldição?
Ou seria um terrível criminoso
Que recebeu está pena pública?
Bem, depois de comer o churrasco,
Foi decidido deixar o objeto
Em exposição na praça pública,
Pois viu-se óbvio se tratar
De um ladrão,
Afinal ele estava trajado
No mais puro ouro
E adornado por estranhos
Objetos de pedras preciosas.
Na luz do sol,
Aquele diamante brilhava tanto
Que doía os olhares
Dos passantes,
Logo, a curiosidade da cidade
Despertou e eles passaram
A chegar perto da espécie de sepulcro.
No primeiro instante,
Um grupo ateou fogo
No sepulcro,
E a pedra suou como se chorasse,
No segundo picharam
O rosto do indivíduo
Que tinha uma coroa na cabeça
E eles desenharam cabelos
No lugar,
E um sorriso aberto
Cheio de dentes amarelos.
Tomara pela tristeza,
A esposa do doutor Roultin
Decidiu abrir o sepulcro,
E o objeto foi posto no
Chão da praça
E então aberto com
Um facão e um pé de cabra.
De repente,
Ficou mais nítida
A criatura lá de dentro
E o homem parecia estranhamente vivo.
A moça insegura por sua atitude,
Debruçou-se sobre o caixão,
E apertando seu peito,
Fez respiração boca a boca,
E assim que olhou
Para o rosto da múmia,
Ela abriu os braços
E suas ataduras foram se rasgando
E o homem estava vivo!
A data do sepulcro dizia
Se tratar de 4 mil anos,
Isto era impossível,
Havia a data de nascimento
E de morte,
Ele contava com setecentos
Anos de idade ao desfalecer,
Otramentiron,
Era rei naquelas terras do Nilo.
Irredutível, a esposa
Do doutor Roultin
O levou para casa
E também sua sepultura,
Que valia muito dinheiro.
A família deste rei,
Havia há muito falecido,
E o rio,
Numa cheia encheu tanto
Que suas margens carregaram
Desde o castelo
Até os sepulcros do cemitério,
Restando ele,
Solitário e abandonado
Naquele local.
Foram feitas buscas
E nenhum registro de
Sua família foi encontrado,
Era como se ele fosse
Uma mentira,
Ou uma miragem,
De tão lindo,
Parecia que se fechasse
Os olhos ele desapareceria,
Porém, ele era real,
Falava e vivia normalmente.
Só lhe faltou
Há 4 mil anos o ar,
E agora, aberto seu jazigo,
Também recebeu ar,
Reviveu,
Tem nova chance
De viver tudo que perdeu.
Não é mais rei
Nestas terras desconhecidas,
Ele foi levado ao Paraguai
Pelo doutor que o encontrou,
Seu reino foi levado
Pela água
E o destino o guiou
Para ainda mais distante.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Por entre ruas

O sol baixava sereno
Sob uma neblina
Que pouco a pouco
Escondia a cidade,
Pessoas se postavam
Nas ruas a reparar vitrines,
Montar em seus cavalos
Ou subir em suas charretes.
A cidade seguia rumo
Ao alto,
Cada vez mais para cima
Dos céus,
Quase indiferente a tantas pessoas
Que viviam escoradas
Nas calçadas feitas de pedra
E gramado.
Alguns se encostavam
Próximos a mercados,
Ou padarias e ali permaneciam
Com suas mãos estendidas
Pedindo comida e água .
Não tinham roupas,
Casa ou comida,
Viviam a esmo
A espera de um alguém
Que os conduzisse para fora
Dos olhos dos cidadãos,
Até bem distantes
Onde não fossem vistos.
Os cães policiais
Logo que os viam
Seguiram completas ordens
De latirem contra eles
E os retirarem dali
A mordidas se fosse necessário,
Enquanto os policiais
Retiravam uma madeira
De entre seus jaleco
E desferiam pauladas nestas pessoas
Que seguiam para o mais
Distante que fosse possível
Pingando sangue,
Refugiados na densa neblina
Que cobria a cidade.
Os prédios de madeira
Pareciam escorar-se
Uns nos outros,
Erguidos aos montes
Rumo ao céu
Guardando sempre
Mais pessoas.
Com sua argamassa
Se desprendendo sobre
A cabeça das pessoas,
Despencando do alto
Para as ruas
Junto ao xixi dos penicos
E cocô.
Quem habitava aqueles
Prédios se sentia dono,
E quem era dono gostava disso.
Algumas roupas eram jogadas
Daquelas altas janelas
E rapidamente eram recolhidas
Pelos moradores dos próprios prédios.
Que, vendo-as cair do alto,
Corriam ao alvoroço em busca
De velhos trapos
A brigarem com os mendigos,
Puxando das mãos deles
Para apropriar-se.
Por fim, estapeavam o rosto
Dos mendigos e chamavam
A polícia para renová-los
Do local.
Os degraus disformes dos prédios
Tinham grandes histórias
Sobre isso.
Do alto da janela,
Um senhor retirou o rosto
Que tinha encostado
No vidro depressa,
Ele viu mais do que podia
E agora sentia medo,
Por algum tempo
Teria que evitar sair de dentro
De casa,
Seja para comprar comida
Ou qualquer outra necessidade.
De longe,
Um jovem gritou
Quando teve sua corrente
Removida com ódio
De seu pescoço,
Por outro jovem.
Logo a frente um policial
Sorriu quando,
Removeu a corrente do bolso
Deste jovem
E a colocou no próprio pescoço,
Depois, usou seu cacetete
De madeira e bateu
Muito neste jovem
Gritando as palavras:
Ladrão, ladrãozinho, ladrão.
Então, depois de deixá-lo
Desacordado e escorrendo
Muito sangue,
O policial o puxou pelo casaco
E o jogou numa vala
Onde se jogava vidros quebrados
E outros objetos
Que estavam velhos demais
Para o uso.
A vala era feita de terra
E era muito funda,
E lá foi jogado o jovem aos prantos,
O outro, ao ver o policial correu,
O policial, depois de jogar
O jovem na vala,
Correu atrás dele
Mas não pode alcança-lo.
Certamente, aquele rapaz
Escondeu-se e também,
Passaria muito tempo
Sem regressar a cidade,
Ou vendo a jóia com o policial
Teria de calar-se.
No terceiro dia
De cortinas caídas
Em frente a janela,
E elas devidamente fechadas,
O jovem reapareceu,
O policial sorriu ao longe
E apitou alto,
Erguendo a mão em direção a ele.
Ele, no entanto, retirou seu casaco,
O cinto e o sapato
E entregou ao policial
De bom grado,
Depois pediu perdão
E se retirou para algum lugar
Onde ele resida
Que não parece ser num
Dos andares dos prédios.
Que, de instante a instante,
Parecem sorrir de perder
Os dentes conforme
Uma argamassa se desprenda
E caia sobre quem passa.
Então, a multidão inicia seu dia,
Sai de suas casas
E caminha pela cidade
Até comfundirem-se,
E ninguém nunca está sozinho,
E estando sempre com alguém 
Ninguém nunca tem
Alguém em que confie,
Assim são as ruas
Aonde o maquinário chegou,
Trouxe grandes estradas
E prédios que sobem
Para o céu,
Trouxe emprego,
E fez o dinheiro custar
Muito caro.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Juntos até o fim...

Oh, aquela linda potria,
Nascida no instante da morte
Da égua estimada,
Digo estimada porque
Levou com ela meu esposo
Para o túmulo.
Porém, cresce linda e arredia,
E sempre que estou
No aras,
Assim que ergo meu pé
Sobre a tábua
Que rodeia aquele aras
Ela tende a se aproximar
Sorrateira,
E bem próxima de mim,
Muito próxima
Suspira quente
Contra meu rosto.
Eu arfo de medo,
Olho para ela
E seus olhos
Estão arregalados de pavor
De encontro as meus
Sem piscar.
A danada parece falar,
Tem instantes que conta,
Ela inicia seu trote
Como se fosse mansa,
Olha para eu a distância
E empina as patas dianteiras
Ao seu e relincha,
Então, chacoalha suas patas
Como se cavalgadas rumo
Ao horizonte e parece apontar
Aos céus.
-O que busca?
Eu lhe indago,
Pulo a cerca de tábuas escuras,
E pego meu chicote
Corto chão de areia
Com chicotadas estalantes,
Então, ela se vira e me encara.
Seria,
Com seus longos cílios,
Outro dia me trouxe um cinto,
De alguma forma
Encontrou o cinto do falecido
E ousou carrega-lo
Até eu.
Me surpreendi demais,
Cai para trás de espanto,
Juntei o laço
Que estava ao lado
Da minha cintura
E estalei em seu lombo:
-maldita.
Gritei.
- criatura do demônio.
Falei.
E ela correu veloz.
Mais tarde depois disso,
Escapou,
Ousou meter-se por entre
As tábuas e fugiu
Por seus espaços,
Não tardei a encontrá-la,
Estava deitada por entre
As flores.
De súbito pedi a ela:
- o que você busca?
Ela juntou entre os dentes
Um maço de flores
E foi até a frente do galpão,
Com aquilo na boca
Então, o soltou em frente
Ao nome do Aras.
Que sabe-se
Possui o nome do falecido,
De imediato entrei
Num rompante de loucura,
Juntei um canivete
E levei um corte
Até seu pescoço.
A maldita correu
Escorrendo sangue:
- você em pacto com o diabo!
Eu gritei atrás dela,
Mas, ela foi mais rápida,
Muito mais.
Nisso, bastante mais tarde,
Dois vizinhos me ligaram
Contando aonde ela estava,
Pois saiba,
Estava no cemitério,
E lá pastava como se fosse
Sua casa.
Os pais do meu esposo
A encontraram e a levaram
Com eles,
Vieram apenas para me dizer,
Os recebi sem saber,
Com o chicote em punho,
O chapéu a esconder meu olhar
E o canivete reluzindo
Entre os dedos.
Os malditos a quiseram
Para ambos,
Disseram que acreditam
Ver o falecido nos olhos dela.
- ora, é isso o que
Eu odeio nela!
Respondi.
Eles enfaixaram o bicho
E a levaram com ele,
Salvou-se,
Porém, meu sono
Não prevalece,
A cada instante
Pareço vê-la
Relinchando embaixo
Da minha janela
Colhendo flores.
Então, eu a xingo
E ela cavalga arredia
Até o cemitério,
Maldita,
Parece falar,
Contar o que fiz.
Então, uma sombra
Chega no aras
E um vento quente
Faz levantar a areia,
De imediato,
Preciso fechar a janela,
É como se fosse um recado
De que o espírito do falecido
Perambula por estas terras
E me quer.

domingo, 19 de abril de 2026

Assassinato no Aras

Devo então, confessar
Que ansiava com torturosa
Espera e amargor
A morte de meu esposo.

Sim, odiei cada dia,
Depois cada hora,
E então, cada segundo
Ao seu lado,
Eu o olhava
E só deseja mata-lo.

Cada beijo era feito
Uma facada em meu peito,
Doía e causava nojo,
Cada abraço
Tinha efeito de algemas
Prendia e feria
Por me manter amarrada
A ele.

O dormir estendia as horas
Feito um tapete
Que quanto mais se limpa
Mais gruda sujeira,
Pêlos, poeira e desafetos.

Olhar para aquele tapete
Onde seus pés repousavam
Me causava ódio,
Quando percebi
Me vi colocando fogo nele.

Foi simples e irresistível,
Acendi o fogo na lareira,
O trouxe perto
E num deslize derrubei
O tronco com fogo nele.

Sentada ao seu lado
Tardei ver o fogo consumir
Seus desenhos e sinais
Daqueles malditos pés
Que mesmo não estando ali
Pareciam desenhados
Naquele objeto de escárnio.

Bem, presenteei meu esposo
Com um cavalo arredio,
Coloquei a cela
E sobre a cela uma parte
Que restou do maldito tapete.

E o disse:
Amor, suba e cavalgue
É seu presente!

Grudei um sorriso falso
Em meu rosto
Que tão logo ele subiu
Tornou-se gargalhada.

O indivíduo caiu.

Assim que ele sentou
Na cela o cavalo correu,
Pinoteou e ergueu-se
Para o céu.

O odiei,
Parecia querer contar
Ao meu esposo
Os meus planos,
Maldito,
Sobreviveu pouco,
Mas, não valeu tanto tempo.

Correu para diante
De um obstáculo,
Pulou sobre ele
E caiu sobre seu próprio pescoço,
Com o corpo a esmagar
Meu marido.

Eu esperei,
Fui a passos lentos até ambos,
E lá os vi
A tremer seus últimos suspiros,
A gemer suas angústias,
A implorar por mais
Um pouquinho de ar.

Beijei sua testa ensanguentada,
Eu precisava ouvi-lo
Implorar por um pouco
Mais de vida,
"Querida, estou morrendo
E apesar de tudo,
Nunca fui mais feliz
Que nos dias que vivemos juntos."

Ele disse,
Em palavras pausadas
E lentas,
Num esforço desmedido,
Eu suspirei de ansiedade,
Não o queria perto
E ele esforçava-se muito
Para manter-se.

"Andisa!"
Ele dizia,
E não parava de chamar
Meu nome,
Parecia não me ver ali
A olha-lo com desdém,
Sem poder disfarçar
Meu desprezo.

Ele insistiu
Diversas vezes
Chamando meu nome.
Maldito!

"Repito!
Estou morrendo,
E a amo!"
Eu suspirei de ódio,
Arfei pesadamente
Sobre seu rosto
Comprimido no chão
De areia e terra,
Vendo sua face sangrar
E a dor percorrer seu rosto
Extraindo os resquícios
De beleza que ele possuía.

"Andisa,
Como a amo,
Temo deixá-la!"

Maldito,
Disse isso tantas vezes,
Com esforço profundo,
Até diminuir o tom
E não ser mais que sussurros,
De repente, então, calou-se
E foi.

Eu levantei dali,
Cansei de olha-lo,
Pedi ajuda sobre o acidente.

Mesmo morto o bicho
Me trouxe um cavalo.

O bicho cresce no estábulo
Feito erva daninha
No gramado,
Eu perco algumas horas
A contempla-lo.

Ele pasta e me olha arredio,
Sabe sobre o que fiz,
E não esconde,
Por vezes, o amo,
Em outras planejo seu fim.

Quando chego perto
Ele foge,
Quando levo água
No balde ele bebe
Cada gole sem retirar
O olhar dos meus olhos,
Estremece de medo,
Tem espasmos de terror,
Então, ele fica no gramado,
E eu me permito olha-lo.

Majed

Logo que vi Majed,
Todo o redor perdeu o foco,
Restou-me nós,
Sentados em uma banco
De madeira
Olhando o rio a nossa frente.

Ele tem algo de inteligente,
Posso assumir que me surpreende,
Porém, não sei mencionar
Qual o teor de nosso diálogo,
Tudo o mais se perdeu
No instante
Em que o olhei nos olhos
E ele pegou minha mão,
Quando meu braço
Que me apoiava no encosto
Do banco resvalou para trás,
E eu caí junto
Ferindo minha coluna
E mais ainda o braço
Que ficou com escoriações.

De imediato,
Ele jogou seu braço
Atrás do meu
E o segurou,
Depois puxou minha mão
Para sobre a sua perna
E a acariciou.

Seus dedos eram longos
E extraordinariamente quentes,
Eu gelei de dor e vergonha,
Porém, quando ele falou algo
Próximo ao meu ouvido
Em sussurros educados
Eu esqueci o significado
Das palavras
E cada frase que ele disse
Me convidou a beija-lo.

Não resisti,
Não foi possível,
Joguei meus braços
Para seu ombro
E mantive seu rosto
Entre minhas mãos
E o beijei.

Esqueci tudo o mais,
Apenas aproveitei seus lábios
Que são ainda mais quentes
Que seus dedos,
E senti sua pulsação
Entre minhas mãos.

A vida pulsava tão intensa
Em nossas mãos,
O futuro se estendia
Naquele beijo,
Era como se minha alma
Tivesse se materializado
Naquele homem
E meu destino
Fosse ele.

Nada importou-me,
Nada poderia me ferir,
Éramos eu e ele.

Para Sempre

Aquele que amo,
Em si mesmo,
Por si mesmo,
Até o infinito
Sempre único,
Sempre indivisível,
Amo é simples.

Tive por aquele desconhecido
Amor irresistível,
De maneira repentina
E inevitável,
Eu demorei declarar afeto,
Ele caía em juras apaixonadas
Debruçado a minha janela
Sempre a esperar
Eu colher as lindas flores
Que renasciam a cada alvorecer.

Desde o primeiro olhar
Minha alma queimou
Em fogo ardente e surpreende,
Derreti-me em sentimentos
Até então desconhecidos
Mas que apenas ao pé do altar
Eu defini amor,
Antes disso,
Chamei desejo,
Glorioso afeto
E até remorso.

Ah, este que amo
Fiz sofrer,
Fiz chorar,
Fiz arder.

O amor não é coisa
A ser declarada de imediato,
Não,
Disse a ele:
Querido,
O amor se conquista!

E ele pôs-se a buscar
Formas de declarar-se,
E eu sempre a esguelha,
Resisti, Deus o sabe!

Não que minha alma
Fosse repleta de amargura,
Mas, anteriormente
Do amor conheci o tormento,
E naquele instante
Apenas pus em dúvida
Tanta certeza
E desvairado sentimento,
Indaguei-me:
Ora, por que derramar-se
Deste jeito?

E coloquei em mim limites.

Quis o destino
Nos levar ao altar,
Sem que eu jamais
Tivesse aceitado
O quanto o amava
Nem pra mim mesma
Ou pra outro.

Foi amor antes de ser,
E sabiam todos os presentes
Seria amor para sempre!

terça-feira, 14 de abril de 2026

Foi Tudo Engano

Meu namoro
Estava infrutífero,
Vesti meu mais curto vestido,
E de pernas e nádegas
A mostra fui vê-lo.
Chegando no local
Descobri que ele não morava lá,
E eu fiquei estagnada
Do lado de fora
Do prédio
Vendo a chuva cair
Molhada e pegajosa
Seminua.
Não pensei que sofreria
Tanta vergonha num único dia,
Depois, recuperada,
Torci os cabelos molhados
E fui até uma floricultura
Comprar flores
E encomendar uma poesia
Lida em voz alta.
-em que lugar levar as flores?
A vendedora indagou.
Eu espasmei de vergonha,
Perdi o fôlego.
De vestido molhado
E vergonha nenhuma continuei.
-eu tenho o número
Do telefone dele.
Ela sorriu.
- ok, marco com ele
Pra ir onde ele quer receber.
Tremendo de frio
E vergonha saí de lá.
Logo após recebi
A ligação da vendedora
Informando que ele desligou
O telefone sem receber
A chamada.
Está ligação eu recebi
Com efeito de tapa na cara,
Ele desligou?
Por quê?
Pedi então,
Que ela guardasse as flores
E deixasse a poesia
Para outro dia.
Sem esperança
Para este amor
Que me envolvi
Com tanto entusiasmo
Caí no sofá e chorei.
Mas, uma curiosidade
Me levou a continuar,
E quando ele me ligou,
Nos primeiros soluços de choro
E juras de amor apaixonado
Eu perdoei.
- você é casado?
Eu pedi.
Ele mudou de assunto.
Pediu para não falar
Mais sobre isso.
-esta certo,
Não vou me expor
Feito uma vagabunda
Se você deseja me ver
Venha até a minha casa.
Ele chegou,
Sedento e doentio
De tanto amor,
Me abraçou com empenho,
Me pegou nos braços.
- eu te amo tanto,
Vamos ter um filho?
Ele pediu aos prantos.
-Hoje?
Eu imaginei enquanto
Ele me levava em seus braços
Para o quarto.
- agora?
Eu pedi sorrindo.
Ele sorriu,
E puxou do bolso da carteira
Um preservativo masculino.
-logo.
Ele respondeu.
Havia um cisco traiçoeiro
Em seus olhos verdes,
Um pranto falso naquele
Rosto de homem solitário,
De repente,
Ele não pareceu tão solitário
E eu senti medo.
Estava me entregando
A um homem
Que não me dava valor,
Mentira para eu,
Me enganava,
Falava de sonhos
Como quem fala da chuva
Que passa e nem
Parece que molhou a rua.
Por fim,
Deixei-o dormindo,
Tomei coragem
E pedi a floricultura
Que trouxesse as flores
E lesse a telemensagem,
A floricultura chegou logo.
Falou no microfone
Seu nome,
E começou a tocar a música
Romântica enquanto dizia
Os versos de amor
Que preparei para ele.
Ele deu uns cinco passos
Até o carro,
Pegou as flores
E pediu se era da Margarete,
-Não .
A garota respondeu.
Depois disso ele sorriu.
Veio até eu com o telefone
Nas mãos
E ligou imediatamente
Para uma outra garota
Agradecendo as flores
E falando de amor.
Eu tomei o telefone
De suas mãos,
Vi a foto de uma menina
Devia ter no máximo
Uns quinze anos,
Eu não acreditei no que vi.
Desliguei a chamada
E joguei o telefone
Com toda força
Contra seu rosto
Que sangrou
E fez escorrer o sangue
Em seus lábios.
Malditos lábios
Que beijei e me juraram amor,
Maldito falso traidor.
- você está em minha casa.
Eu gritei.
-vai embora!
Eu gritei feito uma louca.
Fui até o microfone
E gritei toda a loucura
Que ele me fez,
Ele saiu atordoado
Dirigindo o carro,
Levou minhas flores
E eu optei por nunca
Mais vê-lo.
A vergonha foi horrível,
Enganada em minha casa
Feito uma palhaça,
Me senti uma burra.
Liguei para o denuncia anônima,
E denunciei o que ele fez,
Falei seu nome,
Contei da criança
Para quem ligou jurando amor,
Disse que não queria
Me identificar e desliguei.
Eu o odiei,
Desejei que toda a polícia
Estivesse no seu encalço
Até descobrir o monstro
Mentiroso que ele é.
É Fabiano Carlos Horostecki,
Eu nunca vou me cansar
De denunciar seu nome
E contar todas as mentiras
E falsidades que você
Foi capaz de fazer.
Eu sinto desprezo
Por tudo que você é,
Odeio suas frases mentirosas,
Sua maldita esposa
Que aceitou seus crimes,
As malditas crianças
Que se calaram após
Serem vítimas suas,
As desprezíveis mães
Que descobrindo seus crimes
Se calaram e esconderam
Os fatos,
Eu odeio você
E todo o seu entorno criminoso.

Tarde Demais...

Ao despertar,
Marquei encontro
Com meu amado amante,
Desta vez,
Em minha própria casa.
Fui doce e meiga,
Enquanto acariciava
Minha barriga
E sentia meu filho
Se mover,
O filho que ele renegou,
O filho a quem ele
Comprou veneno na farmácia
E me pediu para beber
E fazer o aborto.
Eu recordo isso,
Ele comprou um chocolate,
E entregou da janela
De fora do carro,
Com um sorriso gentil,
Ao lado da barra de chocolate
Haviam comprimidos
Recém adquiridos,
Ele disse: tome-os.
Eu sorri feliz,
Foi seu primeiro presente,
Era especial,
Estávamos no centro da cidade,
Os dois,
Feito um casal apaixonado,
Ele se movia lindo
Feito um gato,
As garotas olhavam
E eu sorria de dentro do carro
Dele,
Como se dissesse a elas:
Ele é meu.
Oh, doce terror,
Entrou no carro
E me guiou ao motel barato
De sempre,
Não,
Ele era mesmo apenas
O amante,
Sua esposa
Era a que ligava para ele
E o fazia correr
Para se esconder e atender.
Enquanto ele foi
Eu li a embalagem
Se referia a comprimidos
Abortivos,
Eu não acreditei no que li,
Nem no que vi,
Sua falsidade não teve limites,
Nem o amor que sentia,
Não entendi por quê?!
Agora, tarde e grávida,
Tais comprimidos não tomei,
Mas, tragicamente,
Meu filho me exigiu atitude,
Minha honra precisava
Ser restituída,
Junto ao meu amor próprio,
Minha segurança,
A dê minha família,
Eu precisava fazer algo.
Eu fiz,
Temperei o bolo
Pela primeira vez
Com tudo que ele já
Me deu e eu me recusei
A tomar,
Tratam-se de cinco anos,
Não sei por quê durou tanto,
Mas, dediquei a este homem
Casado cinco anos
Da minha juventude.
Acabou.
Encerrou o prazo,
Chegou ao fim,
Eu jurei não deixá-lo,
Ele nunca esteve
Perto de mim
Quando precisei,
Quando chamei...
Tantas vezes desligou
O telefone por estar
Perto da esposa,
Tantas outras nunca leu
Minhas mensagens,
Não me viu chorar,
Eu grávida e ele
Nem notou,
Só renegou
Outra vez,
Não devia ter feito isso.
É o fruto do nosso amor,
A criança não é culpada,
Exausta demais para refletir,
Bati os ovos, juntei o açúcar,
Coloquei os remédios,
Juntei o leite,
O fermento e deixei bater.
Eu desejei sair da masmorra
Em que me enfiei por ele,
Cansei das oportunidades
Que me neguei,
Dos beijos que não dei,
E amores que nunca vivi,
Me cansei de esperar,
De agradar um homem
Que pertencia a outra,
Que nunca soube
Me respeitar.
O esforço foi pequeno,
Juntei farinha ao bolo
Me recordei chorando
De tantas vezes que tentei
Ligar para ele
E ele tinha que fugir
Para o quintal
Por medo de ser descoberto.
Não,
Eu não mereço amor escondido,
Preciso dançar uma música apaixonada,
Ter onde recostar minha cabeça,
Preciso de um pai
Para meu filho...
Contei os segundos
Pela última vez,
Chorei e liguei
Só para ver ele desligar,
Liguei de volta
Só para ver o botão
Descrever que a ligação
Foi recusada.
Por fim, ele chegou.
Eu servi o bolo,
Abracei-o e disse:
Seja forte,
É nossa última vez!
Ele riu e respondeu:
Você sempre diz isso.
Depois disso ele foi,
Mais tarde eu soube
Que ele deitou na cama
Ao lado da esposa
E não acordou,
Eu não fui vê-lo,
Não desejei me despedir,
Meu filho pareceu se mexer
Em minha barriga,
Era como se me abraçasse,
O adeus tardio chegou.
Sobrou fotografias dele
Retiradas em locais privados,
(Motéis a beira de esquina),
Ao meu lado,
Meu filho conhecerá
Seu rosto,
Isto é o bastante.
Temos fotos juntos,
São tão poucas,
Sempre tive que me esforçar
Para consegui-las,
Ele sentia medo
Que eu fosse chantageá-lo,
Ameaçar contar a esposa,
Cobrar dinheiro pelo silêncio,
Eu não mereço isso,
Por que mantive-me nisto?
Foi tão difícil cada fotografia,
Cada beijo,
Cada jura de eu te amo,
Cada vez que me impedi
De ter outro
Acreditando num amor
Que nunca houve...
Por quê?
Não sei o motivo.
O adeus foi tardio,
Nosso amor me rendeu
Um filho
E para ele um erro,
Uma prova contra seu casamento,
Por quê?

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Amor Não Correspondido

Eu pedi a ele
Para permanecer,
Ele disse que me queria,
Porém, para amante
E nada redirecionaria os fatos.

Por fim, minhas mãos estendidas
Em súplicas por um horário
Para ver este que tanto
Despertou meu afeto
Se preencheu em massagear
Minha barriga que
Cresceu e cresceu.

Eu tinha ali
Em meu ventre um filho,
Um fruto do sabor proibido,
Do pecado derramado
Em meu ventre
O qual teve pelo pai
A negação de afeto
E até mesmo de assumimento,
Ele disse:
Jamais seria meu!

Olhou para a minha barriga
Já redonda e crescendo
E sorriu.
Disse: é verme!

Eu sofri,
Lágrimas rolaram
Por minha face
De forma tão simples
E carentes.

Eu me senti diferente,
O desejo dele pelo proibido
Era como um muro de
Parede de pedra
Que não cai ou fende,
Ele não mudaria de ideia.

Avancei com desconfiança
A gravidez
Presa a promessas antigas,
Não tinha um alguém
Com quem dividir experiências
E buscar afeto,
Só ele.

A parede que nos separava
Era tão uniforme
Que quase dava para ver
O rosto de sua esposa
Me olhando e rindo
Da minha barriga.

Busquei então
Um canivete no bolso
Do meu vestido amarelo
E pensei em cortar aquilo,
Arrancar meu ventre
E desistir de ser mãe,
Para quê eu quis isso?

Não pensei que fosse
Decisão minha,
Foi ele,
Ele forjou a situação toda
E me deixou sozinha.

Rasguei com o canivete
O vestido aos poucos
E fui expondo meu corpo
A nudez cada vez mais evidente
E me vi linda no reflexo
Do espelho.

Isso não foi suficiente,
Logo depois disso
Eu desejei que ele me visse
E opinasse sobre nós,
Eu, ele e o filho
Que crescia e pedia carinho.

Eu o sentia em meu ventre,
Ele parecia chamar o pai
Toda a noite
Então me fazia acordar ansiosa
Por seus carinhos e apoio.

Deixei quase um vestido inteiro
No chão daquele quarto vazio,
Ele me gostava nua,
O que ele admirava em mim
Era a exposição do meu corpo,
Feito um objeto em vitrine.

Eu não percebi
O erro em que me envolvia
Até me deparar com minha fraqueza
Frente a enorme masmorra
Que parecia aquele quarto escuro
Em que me escondi
E saí dali só para vê-lo.

Eu já não me pertencia
E agora vinha um filho,
Um inocente
Para ser dele,
De mim para ele
Feito um troféu
Por ser um homem
Tão distante, fraco
E traidor.

Cambaleei no tecido
Do chão e teria caído
Não fosse me segurar
Na parede que feriu
Meus dedos e barriga,
Eu fiz um vergão vermelho
Sobre a pele
Que protegia meu filho,
E o pai dele
Não sabia disso
Ou se importava.

Minha tristeza deixou-me
Prostrada naquele quarto
Por muito tempo,
Me indagando
Por que fiz isso?

Por que me dediquei tanto
A alguém que não me assumiu
E desde antes era casado...

Logo o sono tomou
Conta de mim
E me levou para um mundo
Sem sonhos,
Com uma tela marrom
Que foi crescendo
E se tornando maior
Lá de dentro vinha
Uma criança a passos curtos
De pernas gordas,
Ela abria os braços e me sorria.

Eu me ajoelhei
E abri meu abraço
Para recebe-la,
Então, a apertei contra
O peito e sorri,
Tranquila e serena.

O celular tocou,
Eu desliguei,
Foi a primeira vez
Que decidi me respeitar
E me dar valor,
Eu precisava ser forte,
Me recusar a ser rejeitada,
Meu filho me exigia isso,
E eu o amava.

Infiel

Enquanto buscava
Novo encontro
Com cuidado,
Imaginava se um homem
Sendo casado
E tendo fora da vida conjugal
Outra garota
Por que lhe nutriria afeto,
E quanto a esposa
Por que lhe negava amor?

Pensava nisso com estímulo,
Então, ele preferia estar comigo
Nos momentos em que
Não estava com ela
Ou apenas em alguns seletos...

Isto não preenchia
O vazio em meu peito
Que cada vez mais
Se dilacerava
E fazia minha alma
Se afundar nele
Presa num lodo
De lágrimas e questionamentos.

Certa vez, minha mãe
Me falou:
Filha, quem é amante
Não tem valor!

Eu naquela época
Não pensei muito nisto
Era jovem demais.

Porém, agora minha juventude
Era consumida em beijos
Que trocava com um homem
Que não estava disponível
Sempre que eu precisasse
E conviver com isso
Era difícil,
Não sei com relação a esposa,
Mas, eu parecia a mais prejudicada.

Recordei-me de tantos relatos
De amantes e de esposas loucas,
Que perseguiam os amantes
Com raiva incontrolável
E tive medo de ser o alvo.

Estava caindo numa masmorra,
Em que subi em degraus apaixonados,
E entrando naquele recinto
Não soube me manter,
Apenas caí feito presa fácil,
E agora via meus lábios envelhecerem
Em beijos trêmulos
De juras apaixonadas divididas,
Cada jura que me fazia
Também remetia a esposa
E isso me entristecia.

Essas coisas de amantes
Só são contadas aos sussurros
Elas são vergonhosas,
Há quem usufrua muito
O gosto pelo proibido
E há quem prefira ter alguém
Sempre perto e disposto.

Dividir afeto é tormentoso,
Eu sinto medo disso,
Me senti como se fosse abandonada
Para morrer de inanição
Naquela masmorra em que
Ele marcava nossos encontros,
Sempre discretos e escondidos.

Que destino temível,
Ser descoberta pela esposa
E virar joguete de seus desamores,
Certamente, eu não era a única,
Ele não tinha jeito
Para a vida conjugal,
E eu corria sério risco
De ter minha imagem
Exposta por toda a rua.

Não duvidava
Que o resultado disso tudo
Era a morte,
Esperar por alguém
Que você está apaixonada
Faz sofrer,
Ter horário para ver
É triste.

Que morte amarga
A qual eu me jogava,
Ocupava-me pensando
Quando ela ocorreria,
No exato instante
Em que a esposa pusesse
Seu olhar sobre mim
Ou quando ele desse
Um fim no nosso relacionamento,
Essa era minha maior distração
E meu pior tormento.

Estar entre o riso da dor
E a espera do inevitável fim
Em que ele que já escolheu.

Não fará a troca,
Serei eu a objeto
Que me propus para
Preencher vazios 
De esposa vaidosa.

domingo, 12 de abril de 2026

Desassossegada

De repente, ele foi.
Eu senti um tremor
Tomar conta do meu peito
E um frio terrível me percorrer,
Então, veio o calor do ódio,
Submerso em profundo temor
E meu sangue se esvaiu.

Do nada,
Restou meu coração vazio.
Eu jurei nunca mais amar,
Eu optei pela solidão,
Mas, as lembranças
Me carregam pela mão,
E quando estou a um passo
De onde eu indo
Não possa retornar,
Uma tira de sangue
Percorre meu coração de vidro
E dá um impulso de vida
Que necessito para resistir,
Só uma tira com o nome dele
E poucas lembranças.
Suficientes.

Perco os sentidos
E recupero quem amo,
Sobrevivo disso,
Insanidade, lembrancas e amor.

Um convulsivo tremor
Percorre cada fibra do meu corpo,
E traz seu cheiro,
Seu gosto,
Seu ânimo
E a tira toca meu coração
De vidro
E ele jorra como se fosse
Uma torrente de promessas
E um efeito de romance.

Não sinto mais nada,
Só lembro,
A um passo de cair
Num buraco vazio e profundo,
Impedida de vê-lo
Por ter caído num túmulo,
Percebo que não posso
Me permitir cair tanto,
Afundar tanto no que sinto
Até o nunca mais
Se tornar definitivo.

Grossas gotas de suor
Dessem da minha testa
E tocam meus lábios,
Eu posso senti-los
Serem beijados,
Uma última vez,
Por uma única vez,
Respiro de alívio
E me permito alguns passos
Rumo a um destino
Onde ele não esta
E eu não quero chegar.

O destino não é
O que há de mais terrível,
O assassino de minha existência
É sua negativa
Em reatar nosso romance.

Não vê-lo é como uma pá
De terra diária
Sobre as paredes do vazio
Em que caí,
E eu não me esforço
Pra sair.

Logo meu teto
Me esmaga
E este amor
Pelo qual me esforcei tanto
Tem o fim que almeja:
O adeus.

Deixada

Ele se afastou,
Quando me aproximei
Ele virou as costas silencioso
E saiu rápido de perto,
Eu fiquei.

Fechei os olhos
E fiquei.

Sentia que ele partia,
Eu o perdia,
Mas, seu cheiro ficou,
Sem nada para retirá-lo
De mim,
Seu cheiro permaneceu.

Então, estiquei a mão
E percebi que ela descia
Numa superfície úmida e rígida.

Era como se ele estivesse comigo,
Eu quase tocava seu suor,
Sentia o frescor da sua pele
E quase o tinha.

Por um momento
Me esforcei para recordar
Aonde estava e o que fazia,
Eu só recordava de vê-lo,
E seu cheiro estar tão perto,
Mais nada.

Meu medo era abrir
Os olhos e não ter
Mais que objetos comigo,
Perde-lo para sempre,
Contemplar outra vez
Ele saindo.

Permaneci imersa
Em trevas densas
Onde o tinha comigo
E seu cheiro me embriagava.

A intensidade da escuridão
Me sufocava e reavivava,
Eu só queria ficar nela,
Imersa e consumida.

Mas, as lembranças vieram
E trouxeram ele partindo,
Sem um abraço
Ou uma palavra de conforto,
Apenas o viram ir.

Por um instante me vi morta,
Deixá-lo parecia ficção,
Onde eu estava
E por que ele me deixava?

Me vi devolvida a masmorra,
Uma fria cela de condenados,
Com piso de pedra,
Escurecida e vazia,
Onde a unidade percorria
As paredes como lágrimas
E mais nada além do silêncio
E ele indo,
Sempre indo,
Fugindo de nós.

Impedida

De súbito
Seu perfume
Me vem vagamente a alma,
Eu me vejo a percorrer
Todos os corredores
Sem sentir esforço
Rápida e decidida
Em busca dele,
Eu preciso ver,
Sentir seu cheiro,
Estar perto,
Tocar,
Ter seu calor.

Uma sensação de frio
E medo percorrem meu corpo
E eu não desisto
Mas talvez tenha chorado
No caminho,
Junto a isso,
Sinto vergonha.

Vergonha dos meus erros,
De tudo que houve
Para nos separar.

Ah, o coração que ama
Não deixa,
Não importa o que exista,
Ele insiste,
E o rosto dele retorna
A minha mente.

Bom, seria impossível esquece-lo,
E eu nunca pensei
Que seria capaz de fazer isso,
Mas, algo tão simples
Me tira do meu destino
E muda meu caminho,
A saudade.

Então, o vejo,
E vem um intervalo
Onde tudo é vácuo,
Em meus ouvidos
Eu posso ouvir seu coração bater,
Na minha mente,
Me vejo a abraça-lo,
E beijar seus lábios,
Chego a sentir o desejo
Pulsar delirante em mim,
Insaciável e inconsciente.

Nada de lucidez,
Só desejo e prece,
Um pulsar do coração
E um nome,
Então, um vazio
E a espera me consome.

Preciso de seu abraço
Para me sentir viva,
Preciso tê-lo comigo,
Me esforço para me mover,
Tenho medo de desviar o olhar
E vê-lo desaparecer.

E por fim, vem a lembrança
Completa do adeus
Em que ele vira as costas
E saí da minha vida,
E vejo passar meus dias,
Pingar minhas forças
Para me colocar de pé,
Feito gota a gota do meu sangue,
Perde-lo me fere,
E consome.

Esforços vigorosos
Me fazem chegar até ele,
Tocar seu braço
E ganhar seu olhar,
Depois um sorriso seu
E mais nada,
Ele se adere ao adeus,
E eu desfaleço,
Sem implorar por minha vida,
Sem beber da minha alma
Que deixei com ele
Quando fui impedida de ficar.

Sua

Depois de estar
Em seu abraço,
Provar seu beijo,
Me ver calma e segura
Agarrada ao seu peito,
Uma sensação aterradora
De desespero me retira
De perto dele,
E me puxa com força
Rápida e traiçoeira
Num único instante
Me vejo longe,
Desesperada e sozinha.

Eu não posso toca-lo,
Não tenho forças
Para me manter em pé
Até vê-lo se torna difícil,
Não consigo caminhar até ele,
Há algo,
Há algo muito potente
Que me distancia
E me faz ficar a esmo.

Mesmo sabendo
Do quanto o quero,
O tanto que o amo,
Mesmo tendo ouvido
Meu coração suplicar
Este algo me distancia,
E ele fica lá.

Minha alma mergulha
Num vácuo silêncio
E escuro onde busco
Por sua imagem,
Nossas lembranças,
Seu cheiro,
Tento recuperar meu estado
De sobriedade
De pessoa segura
Que sempre sabe o que faz,
Mas, na verdade
Não sei ,
Não sei estar sem ele.

Mas estou
E preciso me manter,
Foi breve o instante
De estarmos juntos
Me agarro a isso,
Muito breve
E maravilhoso.

Algo me segura
E me leva para baixo,
Mais para baixo,
Sempre para baixo,
Até que me vejo a sufocar
E guardo deste que amo
Uma vertigem,
Um delírio louco
Que me mantém,
Sem ele,
Para ele.

Um horror vago
Oprime meu peito
E um frio percorre minha pele
Recentemente beijada
E acariciada,
A sensação de descida
É interminável e lúgubre.

Há em mim um oco,
Um vazio que cresce
E me toma inteira,
Só resta a lembrança
E o coração silencioso
Que bate
E chama seu nome,
Que sinistro desconcertante,
Tivesse ultrapassado
Na descida os limites do tempo
Nem assim poderia esquecer.

E por fim, estacada,
E então, a loucura me toma,
Prefiro a delirante sensação
De estarmos juntos
Ante a ideia de nunca mais
Vê-lo,
Tocá-lo,
Tê-lo.

Minha memória
Se ocupada de coisas proibidas,
Ali ela não encontra barreiras,
O tem,
O mantém,
Me ganha
E me toma,
Sou sua,
Inteira de minha memória,
Por culpa de um beijo
Que não sou capaz de superar.

O Amor

Eu buscava esquece-lo,
Mas, não posso dizer
Que conseguiria,
Porém, tentei esquecer,
Fechei os olhos,
Deixei o vento soprar
Meus cabelos,
A noite chegar
E o dia raiar...

Não posso definir
O que sou sem ele,
O que restou da felicidade
Que tomou minha face
E ligeiramente implora
Pelos beijos dele,
Não posso falar,
As palavras são vazias.

Porém, nem tudo está perdido;
Nem no sono mais profundo,
Não poderá estar,
No delírio,
Não poderá estar,
Em um desmaio,
Não poderá,
Na morte,
Não poderá estar,
No túmulo,
Mesmo ali no silêncio escuro
Da paz forçada da alma
Poderá estar perdido,
Do contrário,
Não sei o que seria capaz.

Minha vida se tornou supérflua,
Meus sonhos são nulos,
Me vem logo seu rosto
No primeiro pensamento,
Seus beijos
No último
E me vejo busca-lo.

É, o amor é imortal,
Eu sou a que não suporta
Mais amar tanto,
Buscar tanto,
E nem ao menos vê-lo,
Onde estará?

Desperto de meus devaneios
E rompo com a miragem
De que ele logo chegará
E me sinto louca,
Me sinto presa em tudo
Que sinto
E este amor me consome
Por dentro,
Tivesse-o perto,
Ó amor mais que perfeito,
Mas, o mantendo distante
Torna-se castigo!

Cruel amante,
Logo em seguida
Não lembro o que sonho,
Esqueço da própria vida,
Preciso dele comigo,
Seu efeito é devastador.

Ao tentarmos retornar
Para nós mesmas
Depois de amar,
Algo se desperta
E algo fica para trás...

Primeiro desperta a alma
E é difícil se acostumar
Depois vem o físico
E é impossível não chamar
Seu nome.

O que é este palácio
De torres tão altas
Que o amor faz escalar
Para depois nos jogar
No abismo sem fim
De um princípio vazio
Onde não importa
O que se faça,
Não há como voltar atrás?

Seria como as paredes
De um sepulcro?
A corroer a carne
E dilacerar os ossos,
Estas sombras me consomem,
Não posso calar a voz
Que grita seu nome
De tão distante,
Tão longe
E ele não ouve.

A alma se recusa
A retornar para nós,
Me faz despencar
E foge para ele,
Ela é intolerável a distância.

Me sinto sentada
Em brasas ardentes
Prestes a virar cinzas
E não querer outra coisa
Exceto ser consumida,
Devorada viva
Como um dia fui por seus beijos.

Doces beijos de um traidor,
Ele esqueceu de nosso amor,
Fugiu do que houve,
Se recusa a ver
O quão perfeito fomos
Um para o outro.

O vejo por onde vou
Como uma visão pairando no ar,
Pareço estar fazendo amor,
Sinto seu sorriso,
Seu calor,
Sonho seus sonhos.

O amor é o perfume
De uma flor desconhecida
Que você se importa
Em ir buscar
E querer saber sobre ela.

O amor é aquela imagem
Que nos acompanha
E que os outros não podem ver,
Mas que nos sustenta,
Capta o fugidio fulgor
De beijos que arderam
Feito fogo a percorrer a pele
Mas que hoje
Buscam outras carícias,
As quais não queremos ver,
Nem saber,
Só recordar as antigas.

Um Princípe