domingo, 30 de agosto de 2026

Apaixonada

Te ver é bom

Desperta saudade,

Me faz desejar

Te ver outra vez,

Te ver sempre,

Sonhar em estar 

Com você 

Em cada anoitecer,

Antes do meu despertar,

Sempre que o sol nascer.


Te ver é imaginar

Que as águas límpidas

Do rio que descansa

No nosso quintal

Nos banhe

Sem a gente se importar,

Simplesmente,

Escorregue por nós,

Por entre nossos carinhos,

Num véu de calma

E tranquilidade

E profundezas que só

Seu amor sabe me dar.


Te ver é imaginar

Que logo no amanhecer

Todas as flores do jardim

Floresçam e se tornem perfeitas

Como um véu de carinhos

Deitadas sobre a grama

E elevadas até o azul do céu.


Te ver é sonhar

Em cada instante

Em ter você e seus carinhos,

Não querer parar,

Provar de um calor inesgotável,

De uma fonte de prazer inigualável,

Que horas não fazem saciar.


Seus cabelos escuros

E fartos me dão prazer,

Seu cheiro doce e imperturbável

Me dá saciedade,

Seus lábios ávidos

Me dão vontade,

Seu hálito atrevido 

Me dá necessidade

E eu te busco e espero,

E você: vem?

Sedução Irresistível

 -Alicia, vamos para a casa

De vovô a vaca caiu no poço

E eles estão sem água 

Para consumo.

Disse seu irmão Osvald.

Alicia correu da sala

Para a porta e abraçou

O irmão desamparada.

-Eles estão bem?

A vaquinha se feriu?

Ela pediu enlaçada 

No pescoço dele.

-Infelizmente ela perdeu 

A cria, um bezerro enorme

Nasceu deste tombo

E esta fraco devido ao parto antecipado.

Ele disse.

Enlaçando a cintura dela.

-Perfeito.

Ele nasceu com vida

E isso já é ótimo.

Ela disse,

Olhando nos olhos do irmão

E encontrando amparo

Para a sua dor no seu pescoço.

-Sim, mas pode morrer

E ela quebrou uma perna

E seu sangue caiu na água,

Isso gerou danos na qualidade

Da água de consumo doméstico.

Ele continuou.

-Não acredito

E o vizinho não empresta

A água do poço dele

Até que se faça algo

Sobre o poço de vovô?

Ela falou se afastando.

-Iremos pedir e então

Encanar a água ao menos

Para dar de beber ao gado.

O irmão respondeu sorrindo

E tremulo.

-Temos que providenciar uma

Saída com relação a água 

Que ficou imprópria 

Para o consumo.

Ela disse ligeiro.

-Certo, estou levando a manga grossa

Para pôr no poço e deixar

A água suja escorrer.

Ele falou.

E saiu para o corredor 

Da casa.

-Ande depressa os bois

Estão encangados para levar

A carroça até o vovô,

Eu já avisei nossos pais.

Ele disse virando as costas

Para ela e mexendo

Em seu chapéu de palha.


A carroça era de pneus de ferro

e toda feita de madeira,

Os bois eram grandes e fortes

E tinham força para percorrer

Os cinquenta quilômetros

De distância que os separavam

Da casa de vovô Jusmento.


Alicia colocou suas roupas

Numa mala feita de tecido

Pela própria avó,

E levou também um cobertor

Na mala de couro que a mãe

Lhe deu de presente de Natal.


Osvald também preparou

Uma mala feita de chifres 

De bois unidos por um crochê,

Levando somente roupas necessárias.

Eles eram dois irmão da família 

Girold, que continha mais quatro

Irmãos que, as dez da manhã

Se encontravam na roça

Sogueando os bois.


Eles fizeram pequenos piquetes

De aveia plantadas,

E lá eles cuidavam os bois mais jovens

Comer até ficarem saciados,

Depois disso,

Os traziam para perto de casa

Para protegê-los de infortúnios

e predadores desconhecidos.


A família Girold sempre

Morou na roça e sobreviveu

Do que colhem através 

De seus esforços agrícolas,

Principalmente, relacionados

Ao gado.


Eles possuem parte

Que cultivam o leite e derivados,

E parte para a carne.

Enquanto a terra é dividida

Entre gramados verdejantes,

Pastos para moer no moedor

E aveia plantadas em piquetes.


Os pastos moídos eram divididos

Entre a família e o avô e a avó,

Neste instante quem tinha

Mais pasto disponível era o avô,

Por isso, os dois irmão iriam

Aproveitar a viagem para trazer

O pasto moído para o gado.


-Vamos Alicia,

A viagem é longa.

Disse Osvald ao pegar

As malas moles da irmã

E as colocá-las na caroça.

-Ta bom,

Vou abraçar o papai e

a mamãe na roça

E também nossos irmão,

Vou correndo e volto logo,

Você vai comigo?

Ela indagou e se colocou

A correr na direção

Dos piquetes para dizer tchau

A família.


Osvald a acompanhou

A passos rápidos.

Abraçaram os pais

E os quatro irmãos

Depois saíram chorosos.

A família Girold tinha pouca

Habilidade em despedir-se,

Vez que, por serem jovens,

Nunca saíam de casa,

Exceto para irem nos avós

E costumavam irem juntos.

-Tchau filhos,

Vão com Deus,

Que Deus abençoe

A viagem de vocês

E os acompanhe,

Mande lembrança a família.

Disse o pai levantando

A mão para acenar para eles.

-Tchau filhos,

Que Deus abençoe vocês,

Mande lembranças,

Logo nós vamos

Lá passear.

Disse a mãe,

E os filhos todos acenaram.


A viagem ocorreu numa estrada

De cascalho

E foi difícil de ser percorrida,

Vez que tinha mato

E o caminho ladeado de árvores

Assustava por não ter 

Nenhum vizinho.


No caminho uma cobra

Cruzou pelo meio da estrada

Assustando os bois

Que se jogaram para trás

E fizeram um solavanco na carroça.

-Meu Deus, por pouco

Não quebra a roda!

Gritou Alicia assustada.

-Veja o tamanho desta cobra,

Ela quase mata os bois

E nos deixa de a pé!

Gritou Osvald

Que pulou da carroça

E quebrou um galho

Depois retirou as folhas dele

Com a própria mão

Esfregando ela fechada

Do início ao fim do galho

E matou com ele a cobra.


-Era venenosa,

Veja as cores dela,

Mas não mordeu os bois.

Ele disse,

Enquanto a matava.

-Não mordeu, não,

Iremos fazer uma ótima viagem.

Alicia respondeu.

Então o irmão pegou a cobra morta

E a jogou para fora 

Da estrada.

Depois ele subiu na caroça

E chacoalhou a corda

Sobre o lombo dos bois

Para fazer eles andar.


Logo após, o céu ficou nublado,

E um vento forte

Jogou folhas contra eles

Que tiveram que se abaixar

Na carroça para se proteger

Das folhas que feriam a visão.


Um gelho pesado caiu

Sobre Alicia e se Osvald 

Não tivesse visto

A teria ferido,

Contudo, ele se levantou

E segurou o galho com a mão

O empurrando para longe

Da coluna da irmã.

-Meu Deus,

Que medo,

Porque não chove 

De uma vez para parar o vento?

Alicia gritou.


Uma árvore fez um alto barulho

Logo a frente deles,

E depois o barranco desmoronou

Com ela sobre ele.

A ponta das folhas tocou

Os bois,

Mas os galhos não os feriram.


Ela caiu sobre a estrada,

Impedindo a passagem deles.

-E agora, meu irmão,

Como faremos?

Será que teremos que voltar

E pedir ajuda ao papai?

Alicia gritou assustada.

-Não, eu trouxe um facão

E ele irá nos ajudar.

Osvald cortou os galhos

Mais pequenos a facão

E Alicia o ajudou

A afastar a árvore da estrada.


Depois, eles seguiram a viagem

E uma chuva caiu torrencial

Sobre eles, 

Os enormes pingos caiam sobre

Os bois e pulavam para cima

Para depois escorrer sobre o pêlo

Dos animais.


A chuva não impediu eles

De irem,

Mesmo enxarcados de água.


Chegando na fazendo dos avós,

Encontraram o gado todo na estrada

Espalhado pela roça de milho

E pelo gramado do potreiro,

Cujo alicerce da cerca

Havia apodrecido e caído

Sobre a estrada e ninguém 

Viu para trocar o alicerce

e recolocar o gado no potreiro.


Eles estavam comendo o milho novo,

Espalhados pela roça,

Subindo os barrancos

E desbarrancando a terra para a estrada.

Osvald e Alicia desceram da carroça

E os repontaram para o potreiro.

-Alicia, aguarde aí para impedir

A saída deles,

Eu vou até a fazenda

E busco um mourão para substituir

O alicerce da cerca,

Também trago alicates e arames

Caso falte para arrumar o potreiro.

Osvald falou, enquanto

Subia na carroça e dava voz

De comando para os bois seguirem.

-Ta certo meu irmão,

Eu fico,

Precisamos ajudar o vovô e

A vovó.


Logo Osvald voltou

E trouxe os avós juntos,

Alicia correu abraçar os dois:

-Benção vovô,

Benção vovó?

Ela gritou chegando perto deles

Com as mãos juntas

Como se fosse rezar

E estendidas para a frente

Na direção de cada um.

Que as pegou com uma mão

E respondeu enquanto

A abraçavam:

-Deus te abençoe filha,

Como foi a viagem?

-Foi boa,

Chegamos muito bem.

Ela respondeu.

-Mas, vocês estão molhados,

Precisam trocar suas roupas

Ou ficarão gripados.

A avó respondeu.

-Não, o tempo esta nublado 

Para lá.

Ela disse apontando o dedo

Para o céu cada vez mais escuro.

-Precisamos arrumar a cerca

Caso contrário, os bois irão sair.

Ela disse,

Se virando para trás 

E vendo os bois saírem

Do potreiro.

-Veja já estão saindo.

Ela disse.

E todos correram com os braços abertos

Para fazerem eles retornarem

Para dentro do potreiro.


Meia hora depois,

A cerca estava arrumada

E todos seguiram felizes 

Caminhando até a casa

Os quinhentos metros

Que faltava para chegar.


De imediato,

Osvald colocou a mangueira grossa

Dentro do poço que continha sangue

E fez a água de lá começar a sair,

Depois deixou a manga lá

Para escorrer a água até o poço

Voltar a ficar limpo

E a água ser consumida.


Descobriu que o vizinho

Aceitava emprestar sua água,

E iniciaram o ato de levar 

Uma manga de plástico até o poço dele

E depois puxá-la até a casa 

Para ter água para beber

E outra para o gado.


O vizinho morava a duzentos metros 

Da casa dos avós 

E o ato de pegar a água dele

Não estava dificultado.

O poço do vizinho tinha bom caimento

De água pois se localizava

No alto da terra,

E a água chegava forte até a casa dos avós.


A vaca teve a perna enfaixada

E devido a dor comia no cocho baixo,

Apenas foragem feita de milho

E grama colhidas e canas de açucar

Para ganhar força e quirela de milho seco.


Na noite de quinta-feira

Para sexta, Orvald acordou

Com uma luz na janela

Que lhe afogueava o rosto,

Ao abrir a janela percebeu

Que o galpão de foragem

E quirela estava em chamas.


Ele correu para fora do quarto

Gritando por ajuda,

Acordou os avós batendo 

Na porta do quarto

E os chamou,

Depois chamou a irmã

Que logo abriu a porta.

-Que houve?

-O galpão de guardar a ração

Para o gado esta pegando fogo.

Ele disse.

-Meu Deus,

Precisamos evitar 

Que o fogo se espalhe

E chegue até nossa casa

Ou até o galpão do gado dormir.

Ela disse.

E correram porta a fora

Com um balde em cada mão

Para buscar água no poço

E atirar no fogo.


O avô juntou uns galhos verdes

Que retirou com a própria mão

Dos pés de canela

Que tinha no quintal e correu

Até o fogo para bater nele

E apagá-lo.

-Corre Orvald,

Pega galhos verdes

Que serve para apagar o fogo.

ele gritou.

-Ta bão vovô,

Eu levo água e levo 

Os galhos,

Veja as chamas estão no teto

E crepitando para o alto,

Estão muito grandes

Vai queimar tudo.

Ele gritou.

-Meu Deus,

Acabou a comida do gado!

A avó gritou com levando

As mãos para os cabelos brancos.


O fogo consumiu a maior parte

Do galpão,

Mas não se espalhou pela propriedade.

Os bois se assustaram com o calor

E colidiram contra a parede

Do galpão onde dormiam

E derrubaram parte da parede,

Sofrendo escorriações

E ferimentos leves.


O vizinho Nataline chegou logo

A trote de cavalo.

-O que aconteceu?

Lá de casa eu vi chamas

E pensei o que será

Que pegou fogo por lá?

Então, montei no cavalo

e vim ajudar.

Ele gritou.


Foi a primeira vez

Que Alicia o viu,

Alto, atlético e de chapéu 

De palha na cabeça.

-Uau, Nataline,

Me deixe ajudar você

A descer do cavalo.

Ela respondeu e correu

Até ele.

-Uau, Alicia como você está linda!

Ele respondeu,

Alcançando a mão para ela

E descendo em seguida do cavalo.


-Pegou fogo no galpão de comida

Do gado e ele ficou assustado

E fugiu do galpão de dormir,

Estão soltos pela propriedade,

Iremos leva-los de noite mesmo

Para o potreiro.

Ela respondeu.

-Ta bem,

Eu trouxe lanternas 

Vamos usa-las.

Ele respondeu.

-Que ótimo estava tão ruim

No escuro a gente não via nada

Se não fosse a luz das chamas.

Ela disse.

-Meu filho,

Você veio ajudar!

Respondeu o avô

Se aproximando de Nataline.

Que era muito estimado

Na família.


O gado foi repontado

Para o potreiro,

E lá Nataline abraçou Alicia.

-Eu sempre fui apaixonado

Por você Alicia.

ele disse.

-É, eu me lembro.

Ela respondeu e sorriu.

Depois se desvencilhou

Do abraço e foram até a cozinha

Tomar café com bolo e cuca.


-como o tempo passou...

Nataline disse,

Enquanto tomava um gole 

Do café.

-Sim, e nos fez bem.

Alicia respondeu.

-Guardamos todo o gado.

-Não sobrou nada de comida

Pra eles no galpão.

Diziam os avós e seu irmão

Ao chegarem na cozinha

E acenderem mais dois lampiões,

Depois foram tomar café

Que estava servido e pronto

No bule sobre a mesa.


Alicia apaixonou-se por Nataline

Desde o primeiro olhar.

No dia seguinte,

Começaram a reconstruir o galpão,

Nataline participou da construção

Desde a primeira hora.


Os palanques foram retirados

Do mato perto de casa,

E serrados a serrote,

Depois puxados pelos bois

Até o pátio de um a um.


Os buracos para por eles

Foram feitos a mão,

E Alicia fez bolo e cuca

Em cada dia de serviço

E sempre arrumava uma desculpa

Para estar perto dele.

-Que delícia seu bolo, Alcia.

Nataline dizia.


Mas, certo dia,

Uma linda moça aproximou-se dele,

E o encontrando o chamou para si:

-Venha, Nataline,

Corra para mim,

Que saudade!

Ela gritou e correu até o abraço dele.


Alicia derrubou a cuca no chão,

Sem ainda tê-la levado ao forno,

Ela ficou suja.

E Alicia se trancou na cozinha

Para refazer a cuca.


-Quem você é?

Ela indagou chegando 

Com a cuca quente 

Horas depois até a moça.

-Me chamo, Juçan.

Ela respondeu e aproximou-se

De Alicia mordendo a cuca

Para abraça-la.

-Que linda você é,

Não me admira Nataline estar aqui

A tanto tempo e tão feliz.

A moça respondeu.

-Ele está apenas ajudando,

Pois é vizinho e nós sempre

O ajudamos.

Alicia respondeu.

-Claro, ele é sempre bondoso.

Disse Juçan e se aproximou

Abraçando Nataline de volta.


Alicia tremeu de ódio,

E rezou para que ele não

A beijasse,

E odiou a si própria por evitá-lo

A tanto tempo proporcionando

Que outra garota conquistasse

Seu afeto.


-Deixe-o trabalhar,

Você esta incomodando!

Ela disse em voz ríspida.

Nataline afastou a moça

Com suas mãos sujas de terra

E se voltou para o buraco

Que cavava.


-Alicia não seja grosseira

Com a moça.

Corrigiu o avô.

-Boa tarde, senhorita!

Disse seu irmão,

Retirando o chapéu

com uma mão 

E mantendo o olhar firme

Para a moça que usava

Um vestido florido e solto

No corpo

De fundo rosa e flores brancas.


Alicia se odiou dentro

Daquela calça jeans comprida

E sem querer retirou os chinelos

Para ficar descalça sobre a terra.


Mesmo sem estar feia,

ela não sentiu-se segura,

Vendo uma garota da região

Se interessar pelo garoto

Que ela estava apaixonada.


Logo a garota voltou

Para a própria casa,

E Alicia não se perturbou

Por ficar ali vendo

O irmão e o avô e o vizinho

Reconstruírem o galpão.


Quando Nataline se preparava

Para ir almoçar,

Ela o conteve.

-Você fica muito bem trabalhando

No pesado. Nataline.

Alicia disse.

E o encarou com olhar apaixonado.

-Obrigado.

Nataline disse,

E pegou na mão de Alicia então

A beijou.

-Aceite que eu conheça você,

Alicia, gostaria tanto de estar perto

E poder te namorar.

Ele falou.

-Mas, e a garota?

Ela indagou ríspida.

-Veja, ela é minha prima,

Nada mais.

ele respondeu.

-Mentira.

Alicia disse

E lhe empurou.

-Verdade, 

Você se irrita muito fácil.

ele disse.

e ela se pôs a andar.

-E fica linda!

Então, ela parou

E se voltou para ele

Que abriu dois botões 

Da camisa lilás que usava

Para deixar seu peitoril a mostra.

-Uau, você é tão lindo!

Ela disse.


Depois se jogou nos braços

Dele e se permitiu beijá-lo

O máximo que pode.

Então, entraram no galpão

E não resistiram a paixão

avassaladora que os consumiu

Por horas.


Mais tarde,

Avô e o irmão voltaram até ali.

-Seu Jusmento, gostaria de namorar

Alicia o senhor aceita?

Indagou Nataline.

-Se lhe é do agrado,

Também é do meu,

Ela é moça prendada

E merece um bom rapaz.

O avô respondeu.

-Que ótimo,

Porque eu a amo

E sonho em me casar com ela.

Ele respondeu 

E correu até o avô para abraça-lo.

-E você, Osvald,

O que diz?

Ovald se aproximou 

E abraçou o rapaz.

-Eu faço muito zelo

E sei que nossos pais 

Irão ficar muito felizes

Pela graça de tê-lo em nossa família.

Osvald respondeu.

-Quando você irá falar 

Com meus pais?

Alicia indagou.

-Hoje mesmo meu amor!


A tarde Nataline

Partiu para sua casa feliz,

Pois, em quatro dias de serviço

Quase haviam reconstruído

O galpão de volta.

Porém, no quinto dia

ele não voltou,

E seria para ele ir falar

Com os pais de Alcia.


No sexto também não veio,

A denixando desmoralizada

Sobre a escada chorando sem parar.

No domingo,

Ou seja, sétimo dia,

Alicia foi até a casa dele.


Lá chegando encontrou Juçan

Abraçada nele sobre a escada

De entrada na casa.

-Nataline? por que você fez isso?

Alicia indagou chegando perto,

Então, juntou algumas pedras

Do chão e jogou contra ambos.


Juçan desceu de lá,

E revidou as pedradas

Acertando uma no braço

De Alicia que caiu no chão

Chorando.


-Você me traiu,

Por que pediu eu em namoro

Ao meu avô se era para me trair?

Ela pediu.

Ele correu até ela

E a ajuntou do chão.

-Solte esta maldita

Ou nunca mais te olho.

Juçan gritou.

-Juçan, vá embora,

Está tudo encerrado entre nós.


Juçan pegou o cavalo

E foi.

-Por que você fez isso comigo?

Alicia indagou.

-Porque amo você

E a quero comigo para sempre.

Ele respondeu.

-Mas, por que me traiu?

Ela continuou.

-Porque ela é minha prima,

E ela me agarrou no quarto

Enquanto eu dormia.

-Você facilitou.

-Eu não, eu juro

Que farei outra porta

E ela nunca mais irá entrar.

-Não acredito nisso.

-Eu juro,

Me dê tempo

E poderei lhe provar.

Ele falou e a beijou demoradamente,

Depois a levou para o quarto

Onde passaram juntos o resto do dia.


Os avós notaram a situação,

Mas ficaram felizes em ver

Os dois juntos.

-Quero que saibam

Que não é para dormirem juntos

Antes do casamento.

O avô falou.

-Sim, eu conheço os costumes.

Nataline disse.

-Vocês precisam noivar.

Ele insistiu.


Embora namorando,

Nataline e Alicia precisavam disfarçar

Que dormiam juntos

Devido ao acatamento familiar.

Nataline emprestou o pasto

Para a família e o gado

Não passou fome,

E também emprestou seu galpão

de ração.


A água ficou potável e voltou

A ser usada,

Mas, Nataline continuou

Vindo todos os dias ali.

Até que certo dia 

Trouxe um cavalo junto

E convidou Alicia para 

Ir com ele ver o gado no potreiro dele.


O galpão já estava finalizado.

Alicia e Osvald optaram

Por ficar mais tempo com os avós,

E assim ela teve oportunidade

De conhecer bem Nataline.

Fizeram jantares de noivado

e ele ficou para jantar

Em cada noite.

Os encontros se tornaram regulares.


Os pais de Alicia aceitaram 

O casamento com enorme felicidade.

Alicia passou a fugir

Do quarto a noite

Para ir dormir com Nataline.

Ele também vinha dormir

Com ela, instantes em que,

Ambos dormiam nos paióls 

Da propriedade de ambos.


O amor deles ficou mais intenso

E cobrava proximidade,

Seus olhares de paixão eram evidentes,

E na igreja ninguém duvidava

Que se amavam,

eles marcaram a data para casarem-se.


sábado, 22 de agosto de 2026

Te amo

 Te amo

Com consciência

De tudo que sinto

E na consequência

De tudo que faço,

Amo você

E amo o seu abraço.


Te amo

Com saudade 

De ver você.

Te amo

Com vontade

De abraçar você.


Te amo

E quero estar perto,

Ter rumo certo,

Objetivo pronto:

Estarmos juntos,

Ligados um ao outro

E que não haja atrito,

Braveza ou espanto.

É amor e pronto.


Te amo 

E busco por você,

Como se não houvesse

Outro destino,

Outro caminho,

Tempo ou distanciamento,

Te amo

E te mantenho comigo

Não importa o seu paradeiro,

Eu o sinto,

E o amo.

É tudo.

Um Relacionamento Conflituoso

 -Eu amo você,

Vamos ficar juntos 

Para sempre!

Angelino disse

Entre sussurros e beijos

Sobre os lábios de Debora.

-Eu te amo para sempre.

Ela respondeu.

Dormiram juntos

no apartamento dela,

As sete em ponto Angelino

Se levantou fez o café

E chamou Debora,

As sete e meia eles saíram juntos

Para o trabalho,

No mesmo carro.


Debora não se importou

de ir com ele

E ao meio-dia voltar a pé

Para o apê afim de se alimentar,

No caminho eles conversaram

Muito mais e trocaram ideias,

Trabalhavam em bairros diferentes

E moravam longe um do outro.


Porém, em cada noite

Ela o chamaria e ele a levaria

Para casa,

Então, ficariam juntos

Até que num belo dia

Se casariam.

Ela optou por não apresentá-lo

Aos pais,

Ainda era cedo e ela queria conhecê-lo melhor.


Sua melhor parceira de festas,

A irmã mais velha Bianca

Postou uma fotografia dela

Velejando numa praia próxima

Com seringas ao seu lado,

Sim, Bianca recaiu para a droga,

E seu pai tendo acesso a esta fotografia

Infartou no mesmo instante.


Ele fazia tratamento

Para pressão alta

Há muitos anos,

Sofria com isso,

Sempre estava entre 18 e 19

Por 11, 12, 13, 14.


O tratamento exigia que ele

Não fizesse uso de bebida alcoólica,

Mas isso nunca o impediu de beber

As escondidas uma cervejinha gelada

De vez em quando,

Já Pamela, a esposa dele fumava

Sem parar recostada num canto qualquer

Da casa.


Já não se escondia,

Ou fingia,

Fumava cigarros abertamente,

Seus pais, velhos e cansados

Trabalharam com isso a vida toda.

Eles possuiam uma empresa

Que confeccionava cigarros

E charutos.

Todo ano eles possuem fumicultores

Que plantam tabaco para eles

e os entregam o produto seco,

Pronto para passar pelo processo

De esmagar as folhas do fumo,

Esfarelar e juntar num enrolado

De papel com o timbre da empresa.


O processo era simples e rentoso,

Milhões de famílias sobreviviam

Devido a terceirização do serviço

Do plantio, colheita, secagem,

Enfardamento e entrega.

Eles eram empresários respeitados

No país inteiro.


Mesmo com a recaída no que refere-se

A venda do produto e usuários,

Cada vez menos os jovens

Tem se entregado ao uso do tabaco,

Eles tem preferido o uso de drogas ilícitas

E bebidas alcoólicas que produzem

Um efeito mais duradouro e 

animados a eles.


Pamela não optou por trabalhar

Na empresa, mas sua filha

assumiu o negócio da mãe.

Já Bianca se entrosou ao vício,

E preferiu uma vida de viagens,

Animações e a maldita seringa de drogas

Injetada na veia

Até a produção de dormência,

Uma alegria falsa

E o perdimento dela em qualquer

Lugar que gera comoção

Na família até que alguém

A encontra caída num canto,

Com maquiagem desfeita,

Vestido rasgado,

Bolsa com conteúdo esparramado

E inconsciente.


Nestes instantes

Ela esquece tudo que aconteceu,

E até mesmo onde está

Ou porque foi até ali,

Ela possui muitos amigos,

Seu pai sempre precisa pagar alguém

Para cuidar dela,

Até que encontra este alguém

Também caído com ela

E decide trocar suas amizades.


Amar um filho é simples,

Mas, é preciso estar atento as suas amizades

E isso, as vezes, implica gastos,

Ele paga por muitas das companhias

De Bianca, até mesmo seus namoradinhos

E tenda direcionar as ações deles

Com ela para que ela se fortaleça,

E case-se, então, forme sua família.


Eles nunca optaram pelo internamento dela,

Bianca é jovem e descompromissada.

Seu pai decide presentes

Que ela ganhará e tenda direcionar

Os locais onde passará.

Mas, nem sempre é simples

E sua doença piorou tudo.


Levado numa maca para o internamento,

Desta vez, ele não salvou-se: morreu.

O enterro foi preocupante,


Bianca não atendeu o telefone,

E ninguém sabia seu paradeiro,

Sua mãe não parou de fumar

Sobre o caixão,

Debora convidou Angelino

Que não a deixou sozinha

Por um único instante, 

Apenas aí ele teve conhecimento

Do velho pai de Debora

E o perdeu sem poder lhe dar

Um abraço ou uma palavra amiga.


No entanto, levou flores

e abraçou a sogra o tempo inteiro,

O irmão de Debora não deixou

As amizades sempre conversando

Entre um e outro

E mantendo entre os dedos

Uma xícara de café fumegante.


Ele era um dos administradores

Da empresa do avô,

Agora o testamento seria aberto

E a herança seria dividida

Entre os três,

Pois sua mãe estava debilitada

Para administrar tudo sozinha.


Não tardou,

ele entrou na empresa

Num rompante de ódio,

Como seu pai possuía apenas

Alguns terrenos e prédios

Era apenas isso que estava testado,

Por tanto, ele não estava tão rico

Quando gostaria

E nem poderia viver a vida

Que optou para si próprio.


Arredio com relação a família,

Henrique só desejava dividir 

A empresa de cigarros,

Mas o avô negou-se ao ato,

e embora, contasse com seus oitenta

Anos de idade,

Era um velho diabético

E consideravelmente forte.


Impetuoso e arrogante

Ele fechou a porta da casa do avô

Com um tapa na cara dele:

-O que?

Eu sou o único homem da família,

Você tem que passar tudo para eu

Em doação e retirar Debora e Bianca

Do testamento com cláusula

De elas nunca tornarem-se 

Donas de nada.

Ele gritou para o velho.

-Filho, você é tão

Meu neto quanto elas.

O velho revidou sentado no sofá.

-Tão seu neto?

Debora é alienada na vida,

Não possui filhos para sustentar

Nem família,

E Bianca é uma drogada,

Para que elas precisam

De bens ou dinheiro?

Eu administro tudo e eu 

Darei a elas o que lhes cabe.

Ele gritou.

-É certo que isso 

Não ocorrerá...

O avô levantou-se dizendo

E o neto levantou rapidamente

Lhe estapeando e saindo

De dentro da casa.

-Maldito velho que não morre,

Maldita casa que eu odeio,

Eu vou falar com vovó,

Isso não ficará desta forma!


-Meu filho,

Achem Bianca

Pelo amor de Deus,

Seu pai recem morreu

E vocês nem sentiram a falta dela,

Onde ela estará?

O velho indagou levando

A mão ao peito e sofrendo

Para respirar.

-Amor, amor,

Fique calmo.

Disse a sua esposa 

Entrando na sala onde ele

Estava e o abraçando forte

Para mantê-lo no sofá.

-Não vá atrás de Henrique,

ele está irritado,

Você o conhece!


Henrique pegou o carro

E foi visitar uma de suas esposas,

Ele possuía três relacionamentos

Consecutivos e sete filhos.

Tinham um prédio inteiro

Da família em uso próprio.

Um prédio de seis andares,

Localizando no centro da cidade,

Com piscina, hidromassagem,

Garagem e salão de festas.


Bianca passou dois meses fora,

Debora se dilacerou de rua em rua

Da cidade a sua procura,

Pôs anúncio no jornal,

Pagou seguranças privados

Para irem atrás dela,

Procurou por delegacias,

Hospitais e locais públicos,

Buscou em cada prédio,

Pois na cidade todos eram amigos

De sua família e lhe permitiam

A entrada devido a situação conflitante.


Três meses depois ela ligou,

Disse que foi velejar fora da cidade,

Não trocou de roupa e pouco

Se alimentou e soube pela internet

Sobre o falecimento do pai

Não conseguiu se recuperar

e iria permanecer lá,

Onde estava,

Sem permitir visitas ou acesso

De parentes.


Henrique logo se aproveitou

Desta situação para expor ao avô

O comportamento desregrado da irmã

E insistir que a retirasse do testamento,

E citou o nome de Debora

Com ausente do serviço por meses.

-Todos os meses em que

Ela buscou pela irmã sem parar,

Henrique?

O avô indagou.

E colocou o neto e o advogado

Para fora de casa,

Depois serviu-se de wisky.


Irritado, o avô se esquecia 

Da pressão alta e do diabetes

E bebia sem parar.

Sorvendo o cheiro do cigarro

de sua esposa que lhe chegava

Ao nariz vindo do cômodo próximo.

-Henrique se esforça

Para ser o único administrador

Da empresa amor?

Ele disse sorrindo.

-Não sei porquê ele faz isso.

Me irrita.

Ela respondeu.


Debora separou-se de Angelino

Em todo este período de tempo

Recusando suas ligações

E se mantendo distante,

Não se sentia segura

Para namorar e ter alguém perto.


Entristecida foi buscar  apoio

No irmão,

Sem saber onde estaria,

Decidiu visitar uma de suas esposas,

Ao chegar lá, 

O pegou bebendo vodka 

com leite condensado e frutas.


-Olá, meu irmão,

Que saudade eu estava 

De você.

Ela entrou dizendo.

-Pois é querida,

Estou tão tesudo de ver você

Que tenho uma salsicha

Aqui para você degustar.

Ele respondeu

Naqueles seus ímpetos de humor.


Debora aproximou-se rápida

Do sofá onde ele estava

E ele abriu o zíper da calça

De supetão e expos seu pênis.

-Você não tem homem,

Se expresse neste membro duro

Para você querida!


Dizendo isso

ele a puxou para perto,

E ela gritou estarrecida,

Sofreu falta de ar 

e desmaiou.

Sua esposa aproximou-se dela,

Lhe trouxe água fria

Para molhar o rosto

E a ajudou a recuperar-se.


-Patricia, por que você

Permite ele tratar você desta forma?

Ela indagou caído no sofá

De frente a ele.

-Ele estava brincando 

Com você Debora,

Você já tem quase quarenta anos,

Não tem namorado,

Família ou filhos e vive enrabichada nele...


-Não diga isso, Patricia.

Eu respeito meu irmão,

Nós sempre vivemos uma união

De integridade na família,

Eu vou abraça-lo 

e então, irei para casa,

Eu sei que ele precisa de ajuda,

Ele está sofrendo.

Dedora disse,

Interrompendo Patricia,

Depois abraçou o irmão e saiu.


No caminho do retorno

Para casa decidiu passar na casa de Angelino,

E o encontrando pelo celular

Ficou por lá.

Assumiu o namoro

E optou por casar-se com ele

De imediato,

Mudando-se naquele instante

Para a casa dele.


Ao saber disso,

Sua irmã retornou da viagem,

Foi até o cemitério,

Levou flores para o pai,

E foi até a irmã

Chorar em seu abraço.


Unidas, Bianca se sentiu segura

Para confidenciar a irmã

Que sua vida estava fadada a morte rápida,

Ela adquiriu HIV ao ter relações

Com estranhos em lugares desconhecidos,

E não teve coragem de contar a ninguém.


Precisava fazer tratamento médico

Para sobreviver,

Mas evitou isso a todo custo.

-Eu a levo ao médico,

Vamos lutar por sua vida!

Debora disse.

-Não é tão simples,

é como se todos olhassem

Na cara da gente e reconhecessem,

Então, eles ficam com medo

E nos evitam.

Bianca respondeu.

-Não é bem assim,

Se muitos soubessem ajudariam,

Mas, não precisamos contar.

Debora respondeu

A abraçando forte.

-Eu não poderei ser mãe,

O vírus passa para o bebê,

Então, tenho evitado meu noivo

A todo custo,

Mas, não importa o que faço

Ele não me abandona.


Debora afagou os cabelos

De Bianca.

-E a doença lhe causa dor?

Indagou.

-Sim, meu corpo inteiro dói,

O próprio correr do sangue

Nas veias me mata de dor

Em cada segundo que eu existo,

Eu existo para sofrer.

Debora puxou Bianca 

Para seu peito.

-Não acredito nisso,

Meu Deus, 

Encontraremos a cura.


Debora decidiu ir passear

Na propriedade rural da família

E cultivar estufas de chás

Em busca de um remédio

E um conforto as dores da irmã.


Plantaram inúmeros tipos de chás,

Escreviam nas paredes

Os nomes e serventias,

E os tomavam o dia inteiro.

Dedicavam seu tempo a isso,

Limpeza da terra,

Plantio de sementes,

De mudas de chás,

E a dor de Bianca pareceu diminuir.


Ela, ao menos abandonou 

O uso de drogas,

E Angelino vinha sempre

Passear ali com elas,

Onde ficava por alguns dias,

Até que, com várias estufas prontas,

Debora dividiu seus dias

Entre ir trabalhar na cidade

E dormir ali em cada noite,

Diminuiu seus horarios

Dentro da empresa

Para ficar mais ao lado da irmã

Que trouxe também o noivo

Para morar junto.

Moram juntos os quatro

No chalé de madeira da família.

-Perto de você eu não sofro minha irmã.

Bianca confidenciou

A Debora enquanto mexia

Na terra com uma espátula de ferro.


Henrique sentiu-se orgulhoso

Por ter a administração da empresa

Quase totalmente para si próprio

E investiu na área de importação de tabaco,

A empresa passou ao status de internacional,

Tendo reconhecimento em grandes países,

O patrimônio aumentou consideravelmente.


Tendo conhecimento do trabalho

Das irmãs e como meio de incentivo

Ele confeccionou um novo tipo de cigarro

Que insere chás em sua fórmula,

Ou seja, junto as folhas de tabaco

Ele coloca os chás para dar sabor.

O novo tipo fez sucesso e sua mãe

E sua avó aprovaram completamente.

Também as esposas,

Que tornaram-se tabagistas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Homem Certo

Ouvindo aquele homem
Do rádio 
Pedir a moça em namoro,
Eu me emociono
E me sinto orgulhosa
Por cada atitude
Que tomei por mim
Quando desisti
De sofrer,
De buscar quem nunca
Quis vir
E optei por sonhar
Com um amor
Que me jogasse 
Lá no alto
E me mantivesse,
Um amor
Que me dê escolhas,
Opção de viver bem,
Que me queira
E cuide amorosamente. 

Sonhar não é ser rude,
Escolher alguém 
Que nos valorize
Não é ser interesseira,
Buscar o melhor homem,
O que trabalhei
E ganhe bem
Não é erro.
Erro é sustentar
Sujeito que só faz farra,
Que goste de flertar,
Ter várias garotas
E não escolhe uma única,
Erro é desejar
Os cobiçados da balada,
Que passam as noites alcoolizados
E não se importam com nada.

Tempero bom

 Eu acendo o fogo,

Escolho os melhores temperos,

Jogo na panela,

Coloco o óleo,

Coloco a carne

E frito tudo,

Com esse cheiro maravilhoso

eu sei que meu vizinho

Logo vem aqui comigo,

Eu como bem

e não como sozinha,

Escolho o melhor tempero,

A carne mais gostosa

E tenho todos os beijos

Que desejar,

Do garoto mais lindo

E que mais admiro,

Cozinheira e apaixonada,

E ele ama isso,

Prefere meu jantar 

Ao de qualquer outra,

Escolhe estar comigo

a ir para o restaurante,

Que delícia,

Durma abraçada

E quentinha

Com o cheiro de conforto

Entre os cômodos da casa,

Não durma sozinha,

Não fico sem beijar,

Eu capricho na cozinha

E ele corre para cá.

Casa Limpa

 Comprei o esguicho

Para a mangueira,

Amanhã é dia de faxina,

Vou concertar as coisas,

Limpar a casa,

Casa limpa é saúde

E economia,

A tarde eu chamo 

Os amigos,

A noite a gente faz um churrasco,

Aquece a pizza,

conversa sobre a  semana

e sobre como foi o trabalho,

Sem sujeira,

Sem gastos,

Só faxina e uma cervejinha,

Mais nada.

solidão e casa limpa,

Amigos e casa cheia,

Felicidade é isso,

Ter quem esperar

Para quando a casa estiver limpa

e a pizza estiver sendo feita

E pronta para ir para o forno.

Nem Balada

 Esta perfeito

Se a balada esta bombando,

Eu escolhi não ir

não me importa

O valor do ingresso

Ou quem irá ir,

Se aquele garoto antigo

Que há muito tempo atrás

Ficou comigo irá

e espera me encontrar,

Desista disso,

Sobre este assunto

Ele não me falou palavra,

Se ele for sozinho

Ou com outra,

Cuida da sua vida,

Deixe ele ir como quiser

E fazer como queira,

Eu me mantenho aqui

tenho todas as prioridades,

Nenhuma é ele,

Cai fora com esta conversa,

Eu estou farta,

Não quero dançar,

Nem ouvir música tão alto,

Prefiro o aconchego do lar,

Um convite de um garoto

Mais apto,

Que escolha estar comigo.

No supermercado

 Se eu for no mercado

Eu vou como gosto

De estar em casa,

Roupa simples e folgada,

Pele limpa,

Sem maquiagem

E meu filho,

Oh, por favor,

Não reclama:

Meu filho vai comigo

E lá dentro ele ajuda

Na escolha das compras,

Escolhe o café,

E também a guloseima,

Não reclama do meu menino,

Ele me ajuda,

ele é gentil e educado,

Por que você o olha tanto?

Se ele é tão lindo,

Por favor,

Deixa de vigiar meus atos,

Para de cuidar o que eu faço,

Se você na sua casa 

Quebra os pratos,

Deixa meus copos

Que eu mesma os guardo,

E faço como quero.

O carrinho é grande,

E quando for pequeno

A escolha de quanto compro,

O que como,

Ou o que faço é minha,

Por que você me cuida tanto?


Garota Cozinheira

 Uau, me apaixonei 

Por uma garota da roça,

Não bastasse ser linda

Ainda cozinha um risoto perfeito,

Uau, que me poupem as galinhas,

Vou levar ovos,

Vou comprar temperos,

Encerrei o período restaurante,

Pizzas rápidas e fast food,

Vou namorar a garota 

Lá da roça

Que cozinha como eu gosto,

Se esforça e é linda.

Nossa que delícia,

O tempero só  melhora

E meu bolso não reclama,

Se for para namorar

Eu vou de barriga cheia,

A garota além de linda

Cozinha como nenhuma outra,

Vou namorar,

Vou casar,

Vou lá na casa dela

E fico dormindo lá,

Se precisar levar a roupa

Eu levo e já não saio de lá.

Pela Estrada

 Eu estava com pouco combustível,

Dirigia a cem por hora,

Bem, ficar na estrada

Não é o fora,

Me mantive alerta,

De olho nos pneus

E em quem passava,

Uau, ele foi bem mais que legal,

Dirigia seu Onix,

Tanque cheio,

Óculos escuro,

Vidro da janela baixo,

Eu logo acenei 

E gritei:

Cara, com um carro desses

Eu apostava um tanque cheio,

E um motorista lindo assim,

Eu jogava beijo,

Chamava para o acostamento,

Chega aqui e me dá um oi

De pertinho.


Ele sorriu feliz,

Reduziu a velocidade,

Acenou e jogou beijinho,

Não poderia ser melhor,

Logo ele aumentou a velocidade,

Cruzou por mim

Quando eu aumentava

a marcha

E ligou o alerta,

Reduziu até ficar muito perto.


Nossa, com uma garota dessas

Eu desisto do trabalho,

Esqueço o horário,

Reduzo as horas,

Chega no acostamento

Me dá um beijo,

Me namora?


Eu sorri e liguei o alerta,

E disse bem próximo a ele

"Caramba, quanta sorte

Eu estava com pouca gasolina

E você foi gentil comigo,

Agora eu não fico para trás.

Ele sorriu e respondeu:

-É certo que não, garota

Eu estou de tanque cheio,

Espera e já lhe passo um pouco,

Depois disso,

Você pode me dar um beijo

E me aceitar em namoro!

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Estrada Habitadas

Sigo numa estrada repleta
De carros,
De amores solitários,
De casas que possuem histórias 
E eu penso na minha,
Enquanto eu ando,
Eu construo uma história,
Onde busco amores casados,
Com pessoas solteiras
Que paradas ou esgueiras
Querem se encontrar
E passando por mim
Escolham ficar,
Por pouco tempo,
Só o suficiente para descarregar,
Acalmar os ânimos,
Ter um novo caminho
Pelo qual andar.

Na fronteira de tudo isso,
Não sei se desvio
E escolho entrar
Numa destas casas
De portas abertas
E olhares simpáticos,
É tudo simplista:
Escolher de tantos
Que passam neste asfalto
Um que queira 
Seguir um pouco 
Ao meu lado,
O bastante para
Não me cansar,
O tanto que eu deseje
Que esteja,
Até recarregar.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Amuleto do Amor

Amar é entrega,
Amar é volúpia! 
Mas, existem instantes 
Em que você repensa
Cada atitude
E se cansa.

Vira as costas
Retira a aliança 
E a carga de dor
Se extrai
Como se estivesse liberta!
Porém, o tempo passa
E a saudade chama,
Os beijos retornam a mente
E a alma clama: 
Volta-se a por a aliança 
Como se tudo estivesse 
Limpo e perdoado!

A aliança passa a ser
Uma espécie de amuleto
Que vem para o dedo
Para dar sorte,
Apagar todos os erros,
Alcançar sonhos,
Gravar um nome
Ao qual se apegar
Sempre que a dor vier
E fizer sofrer.

Com o amuleto
Bem preso ao dedo,
Sente-se que tudo 
Está perfeito
E que não há obstáculo,
Ou impecilho,
Prevalece o amor e pronto! 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Pequena árvore, grande amor

No início desejei cuidar
Meu quintal,
Então,  plantei uma árvore, 
Ela estagnou,
Não cresceu ou frutificou.

Nisto passou um ano,
Então,  decidi cuidar dela,
Podar pequenos galhos,
Servir água, 
Fiquei mais perto
E atendi pequenas necessidades, 
O resultado foi inacreditável:
Agora ela cresce até três metros
Por ano,
Ganhou proporções estratosfericas,
Seu tronco engrossou,
Veio sol, chuva e vento
E nada nela sofreu perdas. 

Ela é uma simples árvore, 
Se você pensar desta forma
Imagina o quanto você será capaz
De agir positivamente 
Sobre uma pessoa,
Mudar seus hábitos,
Cuidar de sua saúde, 
Estar perto é influenciar, 
Influenciar é ter alguém, 
Ter alguém é ver o tempo passar
E tudo mudar
E você nunca estar sozinho,
Ter alguém é vida
E quanto mais vejo
Aquela árvore se fortalecer
Com tão pouco tempo
E cuidados
Mais vejo o quanto sou capaz
De atuar sobre uma pessoa, 
Tranforma-la
E transformar-me.

As pessoas mudam, 
Amizades se fortalecem
E amor não se esquece
Nem morre.
Cuidei do meu quintal 
Ele me ensinou a cuidar 
Da minha alma.

domingo, 16 de agosto de 2026

Até que seu Irmão nos Separe

 -Não sou capaz de suportar.

Disse Gercica,

Juntou poucas coisas

Pôs na mala e saiu de casa.

Escolher as ruas

Talvez tenha sido uma escolha ruim.

Quando iniciou a chuva

E ela a via escorrer pela janela do ônibus

Pareceu uma ideia péssima.


Optou pela casa da tia

Que morava distante da família,

Dois dias dentro de um ônibus

E estava lá,

Em pé com chuva escorrendo

No rosto em frente a grande porta

De vidro fumê

Com um estranho louco

Digitando no interfone

Sem saber se permitia

Ou não sua entrada no prédio.


-Alô, a Gercica?

Indagou uma voz envelhecida

Do aparelho.

-Sim, uma moça de mala

Nas mãos e chuva na cara.

Fez-se silêncio e a tia respondeu:

-Mais nada?

E ele confirmou.

-Mais nada.

-Permita a entrada,

É minha sobrinha.


O homem a olhou com os olhos arregalados

E fez sinal para que entrasse,

Lhe mostrando o elevador.

- Andar quinze, 

Sala 1151. 

Ele falou.

Ela saiu da chuva com a roupa encharcada,

E tremendo de frio.

Tinha poucas roupas na mala,

Seu corpo tremeu violento

Assim que entrou no saguão

Do prédio,

Seus pais deveriam estar preocupados...

Provavelmente estariam...


(Dois dias anteriormente).

-Não filha,

Se você deseja algo de mim

Terá que trabalhar

E conseguir por conta própria.

Disse o pai falando seriamente.

-Mas mãe, eu trabalho

Tanto quanto a senhora

Lhe ajudando a limpar a casa.

Ela falou olhando logo

Para o rosto da mãe.

A mãe pegou a chaleira 

De água quente e jogou

Na direção dela no assoalho.

-Faz pouco,

Muito pouco.

Respondeu a mãe.

-Mas pai sempre que te ajudo

Eu não escolho um emprego remunerado

Mas mereceria um salário...

O pai não a deixou encerrar a frase

A pegou pelos ombros e chacoalhou

Com força enquanto dizia:

-Te pagar?

E a comida que você come?

E a roupa que você usa?

E os gastos que você me dá?

Você não acha que lhe dou o suficiente?!


Depois disso ele pegou 

O controle remoto da televisão

E aumentou o volume do programa

Que assistia.

Gercica levantou-se do sofá

E foi para o seu quarto.

-Os filhos dos vizinhos ajudam

Muito mais e ganham muito menos.

Ih, você faz muito pouco

Na sua época meu pai não precisava trabalhar

Eu fazia tudo por ele

E quando recebia o dinheiro

Entregava nas mãos dele,

Você ganha muito dinheiro,

Muito...


Depois de pegar uma xícara de café,

ele insistiu em alto tom de voz:

-Com certeza, Marcian ele deve estar namorando,

Se eu pego você andando por aí

Com algum macho eu mato você

E o teu vadio sem vergonha,

Você acha que alguém que se envolver

Com ela irá prestar?

Ele indagou a sua mãe que disse:

-É certo que não,

Com certeza é um bêbado

Jogador de baralho,

Um vadio drogado ruaceiro.


Seu irmão rio alto da sala,

-Se eu descobrir que é eu conto,

E ajudo a matar ele,

Esfolamos ele a pau.

Ele gritou rindo com gosto.

Gercica se recostou na parede

E chorou e cansou de ter 

Apenas a parede para companhia

E amizade,

Quis alguém em quem confiar,

Odiou seus quinze anos,

Desejou com toda a alma ter dezoito

E poder sumir dali,

Ser independente era um sonho distante

E muito ambicionado.


Então, pegou suas coisas

E não disse nada para ninguém

Pulou a janela depois de jogar 

A mala fora e foi,

Seguiu escuridão a dentro 

Andando a esmo pela estrada

Sem enxergar um palmo

e sem desejar ver nada,

Só queria distância.


Distância que se tornou distante

Pois logo calejou os pés

E andou cada vez mais devagar

Deixando os pais próximos demais,

Se eles sentissem sua falta

Poderiam pegar o Fusca e vir atrás dela,

Se a encontrassem fugindo

Poderia lhe custar caro,

Muito caro.


O pai costumava bater nela

De chicote de couro,

E a fazia sangrar e gritar,

Ele tinha prazer em ver ela implorar

Perdão e estar diminuída 

Aos seus pés.

O pranto em seu rosto

Era o orgulho de seus braços,

A energia com que vibrava de dor

Era a honra de seu punho de couro

E nenhum remorso.


Ela sentia medo dele,

Tanto quanto o amava,

Mas, quanto mais ganhava idade

e o ouvia mais o medo 

Se tornava maior até que

Uma espécie de repulsa a fazia

Rejeitá-lo.

Ela odiava os fuxicos da mãe

Sempre tendenciosos.

Seu rosto vermelho e riscado

Falava alto sobre a violência

Com que a mãe lhe considerava.

Mãos de fero e ódio.


(No prédio onde morava a tia).

-Oi tia, vim visitar.

Ela disse soltando a mala no chão.

-Ótimo entre.

Deixe a mala no quarto da frente.

Ela foi até lá

E a soltou no chão,

Pegou uma toalha no roupeiro

E saiu porta a fora para a sala

Secando os cabelos.

-Choveu muito.

A tia a olhou feliz

E a abraçou.

-Choveu sim.


O esposo de sua tia foi conivente

Com sua estadia no local,

Logo Gercica passou a fazer

Os serviços domésticos

Enquanto a tia era caixa de supermercado.

Certa data o tio voltou antes do trabalho,

Trancou a porta,

Invadiu o quarto onde Gercica estava

E a jogou contra a cama,

Instante em que a obrigou a fazer

Sexo com ela.

-Que prazer eu tenho

Em possuir você,

Sua danada!

Ele falou.


Ela chorou arredia,

Sentiu medo da tia.

Logo foi fazer um pudim

E deixou água entrar 

E o doce estragou.

A tia tirou o chinelo

Dos pés irritada e bateu

Contra sua mão.

A menina chorou arredia

Sentada na mesa

Recostada a parede.

Outra vez não lhe restava 

Mais que a parede para conforto.


Mas calou-se.

E o tio insistiu em cada vez

Estupra-la mais e mais tempo.

Gercica no período da tarde

Acabou indo para a praia caminhar,

Fez amizade com um grupo

De jovens que frequentava o local,

Foram todos juntos 

Tomar café no supermercado

Onde a tia trabalhava.


A tia engravidou,

Gercica encontrou um namorado,

Um surfista de dezessete anos.

-Vamos frequentar a aula Gercica,

Vamos se formar e conseguir

um bom trabalho para morarmos juntos?

Ele insistia abraçado a ela

Sentados na areia enquanto

A água do mar tocava a ponta

De seus pés e voltava.

-Não sonho em me formar.

Ela respondeu.

-Vamos Gercica,

Vamos nos formar juntos,

Depois da escola podemos

Ter outra vida

Onde nos formamos na faculdade

E nos tornamos doutores.

Ele disse.

Gercica o beijou no cabelo.

-É muito tempo para esperar

Para ser chamado de doutor,

Respeito não é questão de título.

Ela disse,

Ele a abraçou mais forte.

-Meus pais vivem bem,

Você sabe,

Vamos abrir uma loja de roupas

E seremos administradores,

Dono do nosso estabelecimento comercial,

Para isso não precisamos esperar nada.

ele insistiu,

A beijando e deitando ela na areia,

Depois fizeram amor ali,

Enquanto o sol baixava

E seus amigos riam alto

E lhes jogavam areia sobre suas roupas,

Pois eles não ficaram nus.


-Estão transando!

Disse um.

-Estão transando, sim!

Gritou outro.

E começaram a empurrar-se

Para a água,

Então quatro amigos deles

Mergulharam por entre as ondas,

Até se tornarem pequenos pontos

Dentro do mar azul 

Para só então retornar

Com o pôr-do-sol sobre seus cabelos.


Um deles retirou sua garota

Nos braços da água,

E a pediu em namoro:

-Pamela, me beija e fica comigo?

ele gritou olhando no rosto dela.

Ela o beijou com um sorriso 

Nos lábios e ondas de sol

Nos cabelos negros.


-Joaquim, não me beija

E sai de perto de mim.

Gritou o outro amigo 

Para o amigo ao seu lado.

-Sai fora cara,

Eu sou homem.

O outro respondeu lhe dando

Um soco fragil no ombro.

Depois, ele correu até a barraca

Que vendia bebidas na praia

e comprou uma bebida alcoolica

Para todos.


A noite chegou e os pegou desprevenidos,

Dormiram todos abraçados,

Com o céu límpido logo acima

De suas cabeças e tão distante.

Gercica soube ao chegar em casa

E encontrar sangue no chão

Que sua tia caiu no assoalho

De encontro com a parede e

Perdeu o filho.


Depois de servir chá para ela 

Na cozinha ela descobriu

Que o tio encontrou uma amante

E foi dormir fora,

E ainda que ele pagava um apê

Para ela morar

E que lhe deu um carro,

A tia zangou-se,

Se trancou no quarto 

e ligou para ele ameaçando

Jogar-se da janela,

Ele voltou irritado para a casa,

Encontrou os boletos do aluguel

E do carro que pagava 

Para a estranha, sua amante

E irritou-se.


- Vanessa, eu quase sinto ódio de você!

Ele gritou enquanto esmurrava a porta.

-Abra esta porta,

Eu sou seu marido!

Ele gritava do lado de fora

Do quarto,

enquanto empurrava a porta

Para abri-la.

-Não abro, Rogerson e irei me matar.

Ela gritou da janela.

-Não seja louca,

Você só tem eu nesta vida,

Seus pais morreram faz três anos,

O que você quer?

Que eu te odeie?

Ele gritou.

-Não, você já me odeia.

Você me trai!

Ela gritou,

Saiu da janela e bateu na porta

Com força como se esmurrasse ele.

-Eu odeio você!

Ela gritou aos prantos,

Depois trêmula voltou 

Para a janela de vidro

Que estava aberta

E uma brisa fria de inverno

Fazia a cortina branca balançar.


-Você me odeia?

Quem não sabe disso?

Você nem me satisfaz e 

Quando busco outra para me ser suficiente

Você quer que eu a trate mal

Como trato você?

Você acha que minha namorada

De dezoito anos trabalha?

você esta louca?

Velha de quarenta.

Ele gritou e chutou a porta

que abriu-se languida e barulhenta

Se chocando contra a parede.


-Não, não se aproxime.

Ela gritou sentada na janela aberta.

-Você é louca?

Você esta vestida de noiva?

Ele indagou em pé,

Incrédulo a vendo de branco.

-Nós nunca nos casamos

Mas eu comprei o vestido.

Ela disse babando e chorando.

-Sim, nós nunca marcamos a data.

Ele disse,

Mais calmo.

-Não marcamos a data?

Você nunca quis marcar.

Ela gritou apontando o dedo

Para o lado dele.

-Eu não quis,

Nem você.

ele respondeu e foi até a cama,

Sentou-se e retirou o sapato.

-Deite na cama,

Vamos transar.

ele disse.

-Você ainda me ama?

Ela indagou.

-Certo que a amo,

Senão, eu não estaria aqui.

ele respondeu se deitando de lado,

E batendo sobre o lençol de seda branca

Para que ela se deitasse.

-Eu tomei remédios para morrer...

Ela falou se ajoelhando

No assoalho nas costas dele.

-Eu não acredito.

ele respondeu se sentando.

-Eu preferi a morte

a perder você...

Ela falou aos prantos

Secando o rosto na camisa dele.

-Você é doente.

Ele respondeu a afastando.


Depois ele chamou uma ambulância

E foi com ela para o hospital

Onde ela passou a noite,

Na madrugada eles retornaram

Para o prédio,

Depois ele saiu irritado:

-Eu vou trabalhar,

Não posso perder o trabalho,

Precisamos pagar o condomínio

E as dívidas.

ele disse.

-Mas, nós não iremos transar?

ela indagou.

Ele voltou da porta

E tocou nos braços dela,

Depois se ajoelhou e a beijou,

Então transou com ela

Frenético e irritadiço.


Logo que ele saiu ela 

Tentou ir ao banheiro 

E não resistiu,

Caiu no chão vomitando,

Depois sangrou até a morte do filho,

Ou seu nascimento prematuro, enfim,

Sangrou o filho.


-Tia, precisa ir para o hospital.

A garota falou com uma xícara de chá

Entre os dedos,

Vendo a tia sorver calmamente seu chá.

-Acabei de sair de lá,

Não há nada  que me ajude.

-Mas qual é o problema tia?

-Seu tio tem uma amante

E se eu não for capaz de manter

Um filho em meu ventre ele irá me deixar.

Ela respondeu secamente.

-Mas, se ele for embora

É porque não a ama.

-Você não entende,

Estou a vinte e cinco anos casada

Com ele,

Eu não sei viver sozinha,

Eu quero um filho.

-Se acalme tia, por favor.

Gercica disse,

Se pondo em pé e a abraçando.


A tarde o tio voltou mais cedo sorrateiro

Como sempre fazia,

Mas, desta vez sua tia estava em casa,

ele não a respeito,

Adentrou no quarto de Gercica

E transou com ela outra vez.

Ao sair para o corredor

Gercica se deparou com sua tia

Em pé próxima a sala 

Segurando uma xícara de café entre os dedos.


Ela teve um sobressalto,

Firmou o olhar para a tia

Que lhe sorriu amarelada.

-Acabamos de transar de volta.

Ela lhe disse.

-Que bom.

Gercica respondeu

E foi até o banheiro tomar banho.

-Seu tio está dormindo,

Não faça barulho.

A tia pediu enquanto batia

Na porta do banheiro.


Gercica saiu a noitinha ver os amigos

Na praia,

Levou pipoca e chá 

Numa garrafa térmica.

Desta vez, haviam duas garotas novas

E todos tinham companheiras.

Os cinco casais foram andar

De barco no mar,

Enfrentando as ondas e bebericando

O chá.

-Podíamos nos casar.

Disse um deles.

-Podíamos todos nos casar

No mesmo dia.


Os pais de Gercica estavam desesperados

A sua procura,

Colocaram anúncio nos jornais,

Na televisão e no rádio.

Nada chegou até ela

Que permaneceu calma.

Então, um número de telefone novo

Começou a ligar no seu celular,

Com mensagens de carinho,

De fé e de amor.

Logo uma fotografia chegou

E mostrava um rapaz lindo,

Ela tardou marcar o encontro,

Mas, marcou,

Chegando lá se tratava de seu irmão.

-Peguei você fugitiva.

Agora se quiser ficar longe de nós

Terá de pagar bem caro.


Ele foi irredutível,

Gercica passou a lhe mandar dinheiro,

Mas, não contou onde estava,

ele a seguiu e contou aos pais.

Seus pais invadiram o local

E quebraram tudo,

Depois a tiraram para fora

Lhe dando cintadas e berrando

xingões bem alto.


De volta a sua casa

Ela não tinha como ver o namorado,

Então, retornou aos estudos,

E do colégio fugia para ver seu namorado.

Seu irmão marcou encontro com ele,

E fez todos os fuxicos que pode,

Logo, para zombar dela

ele marcou um encontro entre o namorado

Da irmã e uma garota do colégio,

Gercica ficou alarmada

Ao vê-lo sentado no mesmo lugar,

Abraçado a outra garota.


Seu irmão ria sem parar

Tomando um drinque na barraca

De bebidas,

Ela chorou,

Mas se calou.


No colégio Alfredo lhe pediu

Para acompanhá-la até a praia

Com um grupo de amigos dele

Como sua convidada.

Ela aceitou, fizeram os quilômetros

Até a praia de van escolar.

Dentro da van todos a chamavam

De namorada de Alfredo e o apelido pegou.


Alfredo dirigia a van,

Eles alugaram uma casa para ficar

Em três casais.

Logo Gercica dormiu com Alfredo:

-Então, você é dono da van

E trabalha levando alunos para a aula?

Ela indagou na cama com ele.

-claro,

Eu trabalho sim,

Sou dono sim.

Ele respondeu.

-Você mora aonde?

Ela perguntou.

-No centro, numa casa

Que comprei logo que iniciei

O trabalho de motorista.

ele disse.

-Esta certo.

Ela respondeu.

-Eu amo você.

ele falou lhe beijando os cabelos.

-Eu também.

ela respondeu.

E engravidou naquela  noite mesmo.


Ao amanhecer,

Bem cedinho o irmão lhe acordou

Com a notícia de que

ele não era o dono da van

Apenas trabalhava como motorista

E não tinha casa própria,

Pagava aluguel para os tios da esposa,

E ele já era pai.


Gercica odiou seu celular

e o jogou no fogo da lareira.

-Então, você já sabe de tudo?

Alfredo indagou do batente da porta.

-Sim, meu irmão contou.

-Vi que você se irritou.

ele disse enquanto entrava

E chegava perto dela a abraçando.

-Sim, não quero mais celular

Nem esta coisa toda...

-Compreendo.

disse Alfredo beijando ela

E a conduzindo até a cama.

-Mas eu amo você

E quero muito nosso filho.

-Eu também.

Ela respondeu.

-Você só tem quinze anos.

Alfredo disse.

-Você tem dezesseis.

Gercica continuou.

-Você pode trabalhar de cobradora.

Alfredo falou,

Se referindo a ela trabalhar

De cobradora da passagem do ônibus.

-Seria bom,

Assim você não iria me trair.

ela respondeu.

-É claro que não,

Nunca.

Ele disse a beijando suavemente.

-Mas e sua esposa,

E o filho que você já tem?

Ela indagou.

-Resolvemos isso mais tarde.

ele respondeu.

-Vamos pensar em nós,

E darmos um tempo para o resto,

Vamos aproveitar a viagem

Até a praia.

-Esta certo.

Gercica disse.

Se abraçando a ele.

-Nesta altura seu irmão já contou

Tudo para a minha esposa.

No caminho eu vejo o que faço,

Ela deve estar muito irritada.

Alfredo falou.

-Provavelmente.

Gercica disse.

-Talvez seus pais descubram logo

Que você está aqui comigo.

Alfredo disse com um tremor

No corpo e abraçou fortemente Gercica

Dando uma olhadela para a porta

Do quarto que estava fechada.

domingo, 9 de agosto de 2026

Amor de Boca a Boca

Duas vezes por ano
Ocorre o tradicional baile
No município de Jardinópolis,
E o alvoroço das garotas
E garotos é completo,
Na escolha de roupas,
Maquiagens e nomes,
Porque baile sem ter
Aquele nome especial
Para você buscar e
Se apaixonar na mesma noite,
E, talvez, esquecer no amanhecer
é baile sem novidades.

E Janaina estava completamente
Apaixonada por Almir
Via-se em seu olhar arredio
E distante sempre a buscar
Notícias dele pelos corredores
Da escola, 
Isso lhe rendeu atrasos
Na entrada das aulas,
Mas, conseguiu lindas fotografias
Dele com amigos no rio
Nadando e jogando volei
Dentro da água.

Essas fotos foram parar
Nas paredes de seu quarto,
Instante em que beijava
Uma a cada noite
E sonhava com este grande baile
Onde finalmente se aproximariam,
Ele estudava na oitava série,
E ela ainda na sexta.

Duas salas separavam-nos
E muitos de seus amigos
Que o rodeavam a todo instante
Rindo e fazendo piadas
No intervalo
Além daquelas garotas bonitas
De salto alto e saia curta.

Janaina preencheu muitas páginas
De seu diário a sonhar com Almir,
Colou suas fotografias,
Imaginou cenas onde beijavam-se,
Para isso, 
Em cada dia ela beijou
Um garoto diferente na escola,
Dentro do ônibus escolar,
Nos corredores,
No bainheiro escondido
E, por fim, perdeu completamente
A timidez e passou a beijar
Os colegas de sala,
Dentro da sala de aula,
Em plena aula.

-Cuidado Janaina,
Logo você beija todos
Os colegas da sala.
Lhe disse a professora
Chamando sua atenção,
Enquanto ela ganhava
Cada vez mais experiência
No ato e se nutria de autocinfiança
Para o grande baile,
Da grande noite,
Quando, finalmente, pediria
A Almir um instante a sós
Com ele para beijá-lo
E ser sua,
Completamente sua.

Ela já podia sentir o beijo
Em seus lábios que estremeciam
Mediante a ideia do contato físico.
Ele não lhe resistiria,
è certo que não.

Porém, logo a professora
De português lhe retirou
Dos devaneios ao lhe jogar
Um apagador de quadro negro
Cheio de giz contra a sua roupa
Interferindo no beijo que dava
No colega Aurivan
Com um ímpeto de raiva:
-Professora, o que é isso?
Ela indagou de susto,
Afastando sua cadeira da
Do garoto e chacualhando
O casaco negro sujo de branco.
-Vocês estão desrespeitando
A aula, você são menores 
De idade é proibido beijarem,
Por quê fazem isso?
Ela esbravejou nervosa
Apontando o dedo contra
O rosto de um e de outro.

O rosto de Aurivam ficou marcado
De vermelho,
Ela realmente feriu ele irritada.
-Professora o que é isso?
Foi só um beijo!
Ele falou alto
E se levantou da cadeira
Num gesto ligeiro
Assustando a professora
Que se afastou como se levasse
Um tapa no rosto.
-è proibido beijar,
Eu irei comunicar a orientação
E chamar os pais de cada um.
Ela falou.

Depois tentou sair para fora
Da sala,
Momento em que Janaina correu
E se pôs na frente dela,
Em frente a porta fechada
Impedindo sua saída.
-Negativo professora,
Negativo.
Você não sai dessa sala,
Dê sua aula normal 
E nos respeite,
Nos dê liberdade de viver,
Experimentar e ser...
Ela gritou.

-Janaina, por favor,
Me deixe sair.
A professora revidou.
-Não, não deixo.
Ela disse de ímpeto
Apontando o dedo contra
A professora.
-Está certo,
Vocês querem ser independentes,
Mas, então, respeitem minha aula.
Não é momento de beijar,
De namorar ou o que for,
Vocês precisam aprender o conteúdo.
A professora falou
E foi até sua mesa
Onde ficou sentada
Lendo um livro de aula.

Janaina se pôs a voltar
Para a sua mesa,
Então, a professora levantou
E tentou sair outra vez,
Janaina correu até ela
E a segurou pelo braço
Dizendo:
-Professora, não me obrigue
A má educação,
Eu sou livre 
E você não poderá me impedir.
Ela disse.
-Janaina, você sempre foi 
Tão educada,
Você era minha melhor aluna,
Por favor, vamos conversar,
Me diga o que houve?
Ela indagou retirando 
A mão de Janaina de seu braço.
-Não houve nada professora.
A garota respondeu.

-Por favor, não mude assim
Por um garoto,
É cedo demais para você obedecer
A estímulos que te reduziram
Como pessoa,
Pois te retiram do foco
De estudar e crescer financeiramente
E profissionalmente...
A professora disse,
E virou-se para sua mesa.
-Janaina você sempre foi
Tão esforçada, 
Seus pais são simples,
Eles precisam de você,
Estude por eles
Para ajuda-los,
Você é madura,
Não entre em desenlaces
Que te desencaminham.
A professora insistiu.
-Pelo seu bem,
Eu irei me calar,
Apenas para você 
Não desistir da aula.

A professora disse
E a aula continuou
com Janaina sentada
Ao lado da mesa de sua colega
E distante do rapaz.

O grande dia do baile chegou,
E os sonhos estavam se deslocando
Do imaginário para a realidade.
Todos se reuniram no grande salão
De músicas gauchescas,
Desde os munícipes até pessoas
De cidades vizinhas.

Almir foi chamado para beijar
Janaina por uma amiga dela,
Mas, recusou,
Janaina irritou-se e invadiu
A roda de amigos dele
E o beijou ali mesmo
Tocando nele de maneira invasiva
E íntima,
Logo ele saiu para fora
E a chamou.

Ela correu até ele,
E ficaram namorando
No escuro atrás do salão.
Fizeram sexo,
E Janaina ficou grávida.
Aurivan irritou-se por procurar
Por Janaina e não encontrá-la,
Mas, aproveitou e transou
Com duas colegas no banheiro masculino.

Passado o baile,
Almir buscou beijar Janaina
Na sala e também nos intervalos,
Os professores se irritaram
E informaram os pais de ambos
De sua atitude.
Os pais de Janaina muito irritados,
Bateram contra o rosto dela
De chinelo para marcar
E mostrar sua reprovação.

Ela passou a tarde toda
No bainheiro vomitando
E Almir foi afastado do colégio
Por estar sendo ofensivo 
Com relação a Janaina
Que tinha ainda treze anos.
Ele foi obrigado a mudar
De colégio e os professores
Proibiram beijos e atitudes
Relacionadas a sexo entre alunos
E menores de dezoito anos.

Chateada pelo afastamento de Almir
Janaina nunca contou que o filho
Que esperava era dele,
A criança nasceu,
Nunca conheceu o pai,
E foi criada com êxito pelos pais
De Janaina e por ela.
Aurivan fez muito esforço
Para assumir a criança,
Mas, ela nunca aceitou.

Mesmo com a proibição
Os beijos continuaram a ocorrer,
e também os encontros,
Porém, de maneira mais escondida,
Onde um grupo de amigos
Cuidava as aproximações
Enquanto um deles beijava
E namorava o outro colega
E até mesmo alguns adultos
Que entravam no colégio
Com desculpas do tipo
De buscar livros na biblioteca
Ou concertar algo no colégio.

Quando os professores descobriam
Os pais eram avisados,
E Janaina sofreu uma diversidade
De repreensões antes de ter o filho
E após.
Somente aos quinze anos ela assumiu
Um relacionamento com um colega
De escola da série seguinte a dela,
O Aurivanio.

Neste relacionamento escondido,
Pois foi proibido pelos professores
E aceito pelos pais dela,
Que conheceram Aurivanio
E o admiraram muito,
O filho de Janaina, João,
Foi estuprado.

Ela tardou a descobrir,
Mas, certa vez, 
Retornando ao quarto
Onde deixou a criança
E o namorado juntos
O flagrou tendo relações
Com o filho,
ele beijou intimamente a criança
De três anos e 
Comungou o ato sexual.

Janaina abriu a porta 
Que, por descuido, ele deixou aberta,
E pulou irritada contra ele,
Seus pais não estavam,
Ele a empurrou e esbofeteou
Seu rosto.

-Eu deixo de você,
Se você contar para alguém
E você será para sempre
A mãe solteira que ninguem quer.
Ele gritou
E saiu seguro de si.
Ela se jogou perto do filho
Na cama e chorou abraçada a ele.
-Eu nunca terei namorados,
Filho, eu juro!

Mas, logo novos namorados vieram
E ela continuou mantendo segredo
Sobre a paternidade de Almir.
Que, vez ou outra, ela o via
Passeando de carro em frente ao colégio.
Os outros namorados de Janaina
Não foram diferentes,
Então, ela passou a cobrar favores deles
Por instantes com a criança,
Triste de si mesma,
Já que todos os homens eram iguais
E não queriam esposa,
Queriam filhos e prazer,
Só isso.

Também recebeu dinheiro
E assumiu namoro público,
Onde o namorado saia com a criança
Para tomar sorvete
E ter momentos de intimidades.

João cresceu e se tornou irritadiço,
Um dia, conversando com a mãe
Descobriu seu diário embaixo
Da cama, as fotos do pai,
E obteve a confissão escrita sobre ele,
Almir era seu pai.

Consternado ele buscou um advogado
E exigiu ser reconhecido como filho,
Irritado, tentou se aproximar de Almir
Fazendo declarações de sentimentos,
As quais não foram aceitas,
E enviou fotos eróticas dele
Para o próprio que recusou 
E as entregou ao delegado local
Para procedimento específico.

Janaina foi chamada a depor
Na delegacia aos vinte e dois anos,
E dar explicações sobre as liberdades
Do filho tão jovem,
Tudo que ela fez foi responder 
Ao questionário que o delegado
Lhe fez e chorar,
Depois tomou o celular da criança
E excluiu sua conta da rede social.

O depoimento de João foi retirado
De maneira amigável,
Por um psiquiatra,
Tão logo foi descoberto 
Que o garoto era vendido
Como objeto sexual,
Também foi descoberta a 
Paternidade do menino.

Um exame de DNA foi exigido
E almir assumiu o filho
E também o levou morar com ele.
João se tornou violento,
E ao visitar a mãe
Ganhou de presente uma arma,
A qual escondeu e instruído 
Por ela atirou contra Almir,
Atentando contra sua vida.

Nem isso, fez Almir irritar-se
Com a criança,
Mas, o obrigou a afastar
Completamente a companhia
De Janaina do garoto.
Almir relacionava-se com uma garota
Da cidade vizinha,
A Tagiana,
a qual sempre foi próxima
De João,
E cozinhava e frequentava
A casa de Almir regularmente.

-Você acha difícil conviver
Com meu filho?
Indagou Almir na cozinha
Quando os dois faziam o pão.
-Não, eu o amo como meu próprio
Filho.
Tagiana disse.
-Eu pensei em nos casarmos,
Eu adoraria que você vivesse conosco.
Tagiana soltou o pão
Que estava sovando,
E correu até Almir para abraçá-lo
Enlaçando seu pescoço
E beijando seus lábios.
-Casar-me é meu maior sonho!
Ela disse.

-Ele é ainda uma criança
Tem treze anos,
Eu gostaria tanto de faze-lo feliz.
Você soube que Janaina está no presídio?
Almir indagou.
-Sim, e eu não acho vergonhoso
Você ter se envolvido com ela
Tão jovem,
E a história ter sofrido
Um desfecho tão trágico,
Eu quero estar perto de você
E do menino e ajudar vocês,
Eu sonho em ser mãe,
E você não é menos merecedor
Que qualquer um dos garotos solteiros
E sem filhos que vivem
Pelas ruas bêbados e drogados.

Tagiana disse,
Completamente envolvida
Pelo olhar de Almir.
-Obrigado, meu amor,
Mas, eu gostaria de te pedir
Que não use drogas,
Por favor, do contrário
Eu terei que me afastar.
Ele falou enquanto
A segurava firme pela cintura.
-Por... por quê você diz isso?
Ela indagou confusa.
-Porque eu achei droga
Dentro do meu carro
E eu não uso isso,
Então, só pode ter vindo de você.

Ele falou e a puxou
Para o seu peito.
-Eu posso ser gentil
E te perdoar,
Mas se você insistir
Teremos um fim imediato.
Ele falou enquanto acariciava
Seus cabelos.
-Ta bom, mas, antes que a
História se repita: 
Eu estou grávida
E quero que você saiba
E participe da minha vida.
Ela falou em seu peito.
-Ta bom.
Ele respondeu.
-Eu não estava preparado
Para essa notícia,
Mas, está perfeito,
Agora é só você morar com nós.

Tagiana conseguiu trabalho
Como secretária numa loja
De imóveis,
E Almir continuou sendo secretário
Do corretor de seguros da cidade.
Ambos passaram no vestibular,
Contudo, Tagiana escolheu
Uma universidade distante de sua cidade,
E mesmo grávida iniciou suas aulas,
Enquanto Almir se dedicou
A uma faculdade pela internet.

Tagiana escolheu direito,
E ficou realmente incredula
Quando recebeu a ligação 
Desesperada de Almir informando
A ela que seu filho
Foi encontrado no banheiro
Massageando o próprio pênis
Com outros quatro garotos
De sua idade.

-Não se preocupe, meu amor,
Eu vou até a escola resolver
O problema e acompanhar
Isso de perto.
Tagiana disse.
-Eu não acredito, meu amor,
Estou tão feliz e orgulhoso
De você por isso.
Almir respondeu.
-Eu te amo, minha vida
E João também é meu filho.

Chegando na escola,
Tagiana foi recebida
Por João com um tapa no rosto,
Seus avós maternos
O procuraram na escola
E ao ver ele lhes disseram
Que Almir e Tagiana 
Tomaram João de suas vidas
E o esconderam deles,
Os deixando doentes,
E sofridos pela ausência.

-Eu odeio vocês,
Odeio você que não é minha
Mãe e também meu pai,
Eu vou morar com meus avós,
Eu juro,
Custe o que custar,
Eu já busquei um advogado
e ele irá cuidar de tudo para mim.
O menino gritou no corredor,
Enquanto chorava
E agredia Tagiana.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Amor Antigo

 Então, um antigo amor ressurge

E pede perdão,

Eu não me alicerço nisso,

O tempo passou e ele ficou,

Nem os anos o fizeram esquecer,

Por que teria de me prender

A erros que evidenciei

E puseram um fim no que vivemos

Se estar com ele agora

Nos faria bem,

E me daria amor?


Amar não é estar presa,

Alegações não são fatos,

Dizeres não são promessas,

Falações não guiam boatos,

Ele disse perdão,

E eu não pergunto o que faço,

O perdoo e pronto,

Finalmente podemos estar juntos

E viver um amor antigo

Que adormeceu

Mas nunca apagou a chama

Que se derrama sobre nós dois.

Aprendi

Eu aprendi a ser forte,

A sorrir mesmo sofrendo,

Mas, preciso aprender

A perdoar os erros,

Esquecer o passado,

E me entregar ao amor.


O amor não é ser forte,

Não é escolher a dor,

Amar é entregar-se,

Sorrir em cada instante

E não se prender 

Ao que faz sofrer.


Odeio esta mania

De querer aparecer,

Estar em evidência,

Buscar aclamação e plateia,

Chega de aprender a ser forte,

Quero aprender a amar

E perdoar todas as vezes.


Se no caminho eu tiver alternativa

E sempre existe,

Vou buscar a opção sorrir,

Ser feliz,

Estar com quem amo

E me quer bem,

Sai dessa de sobreviver,

Viver a esmo,

Ser forte em todas as vezes.


Eu quero mais é cair,

Despencar sem razão,

E ter alguém em quem

Me alicerçar sem me preocupar

Se estou sendo forte,

Fraca ou louca,

Quero beijar na boca,

Amar com todos os motivos,

Me entregar em cada carinho,

Ter sempre um abraço

Escondido no meu caminho,

Ser forte é para as otárias,

Eu quero mais é ser acariciada,

Amada e valorada,

Sem essa de estar por cima,

Escolher o caminho de vitória,

Prefiro amar sem perder,

Ganhar sem sofrer,

Beijar sem querer,

Estar porque faz bem.

E Sê Der Certo?

 Camline chegou ao cemitério,

Fez o sinal da cruz,

Abriu o portão e entrou.

Tudo estava desorganizado

Parecia ter chovido

A pouco tempo

Haviam vasos com flores mortas

E até vazios jogados 

Por entre as lápides.


Uma lágrima desceu

Por seu rosto sereno,

Ela então, juntou de vaso

Em vaso e os separou

Um canto,

Retirou as flores mortas

E as jogou do lado de fora,

Espalhando a terra sobre a terra,

E os que estavam feios

Ela os plantou nos arredores

Para que Deus se incumbisse

De que viessem.


Sempre há uma alternativa

Para a vida

E ela faria o possível

Para que a vida brotasse

E as flores florissem,

Então, as regou usando 

O próprio vaso e uma sacola

Plástica que estava no local.


Depois separou os vasos vazios

Com o intuito de levá-los para casa

Para reutilizar,

Juntou cada plástico,

Cada sujeira e os separou 

Para levar na lixeira

Que se localizava a poucos metros

Do cemitério,

Mas, que inexplicavelmente

Era evitada.


Foi até a lápide de seu irmão

E limpou-a usando um balde,

água limpa, detergente e um pano.

Sentia tanta afinidade 

Com aquele lugar

Que poderia limpar cada canto,

Cada lápide, cada casa daquelas

Em que se preocupavam tanto

Em pintar e pôr flores e esqueciam

De pôr fotografias do falecido

E o próprio nome,

Só estava definido o nome

Da família bem grande 

E uma data de nascimento e morte.


Como na cidade,

no cemitério as pessoas também

Gostavam de enfeites,

De mostrar as diferenças,

De construir até alcançar o céu,

Enquanto uns mal tinham

Um lugar no chão e uma cruz de madeira,

Sem nome, 

Sem foto,

Sem família,

Só uma data,

Depois disso:mais nada.

A madeira apodrece tão cedo

E leva a vida,

As memórias,

O lugar em que se deixou

Este alguém que fez a diferença

Lá nas ruas e nas construções,

Um bom pedreiro,

Diarista, servente, 

Agora um indigente,

um corpo não definido

E um rosto vazio,

Que teria poucas velas,

Pouco choro,

e talvez, umas garrafas

De pinga no seu redor.


Regado no alcool conforme

Fez em vida,

E nada melhor que a pinga

Para remover a memória,

A dor,

A vida,

O nome e o lugar

Onde um dia a pessoa

Teve para onde voltar.


Camline limpou tudo,

Olhou cada anjo desenhado,

Cada lápide afundando,

Cada calomgo de terra se elevando

Com uma cruz apagada nele,

Cada casa que crescia 

E tomava proporções que com certeza

Esta família deve ter desejado

Ter em sociedade,

E trabalhava arduamente para manter

A postura, rigor e idealismo.


Retirou flores secas,

Soltou-as para o vento,

E lá, quando retirou as rosas vermelhas

De plástico de Rehan as cheirou,

Há oito anos elas foram guardadas

Nesta lápide, 

E ainda não viraram pó,

Eram quase de tecido,

Tinham um cheiro bom,

Talvez fosse o de seu irmão,

Talvez não,

Quando seu namorado Rehan 

As deu ela logo viu onde

Se localizariam perfeitamente.


O namoro terminou,

As flores ficaram

E Rehan nunca veio com ela

Ao cemitério,

Algumas flores ao serem retiradas

Viraram pó e era difícil 

Leva-las para a lixeira,

Alguns vasos quebravam

E se consumiam.


O tempo se encarrega de tudo,

De tornar tudo poeira

E solidão que faz esquecer

e tenta apagar.

Leva vozes e sorrisos,

rostos e abraços,

Fica a dor,

Um vazio que consome,

Um suspiro que não se contem

Por muito tempo.


O tempo levou Rehan,

Camline soube disso

Através de uma caixa de supermercado

Que saiu chorando deliberadamente

Quando o supervisor lhe informou

Que o rapaz sofreu um acidente

De carro e não resistiu

Aos ferimentos de quebraduras expostas,

Sangue e dor.


Ele estava embriagado,

Dirigia com um corpo de wiski

Entre seus dedos,

E uma garrafa ao lado,

Estava sozinho lhe disseram,

Isto, Camline e todo o redor

Dos funcionários duvidaram,

"Não, ele estava com garotas,

Isto é fato,

O sexo e o alcool levaram sua vida

Depressa demais,

Aos vinte anos."


Camline limpou os olhos,

Soltou a salada que iria comprar,

E soluçou o soluço dedicado

Aos mortos por eles terem partido,

É quase mais soluçar uma dor

Por quem irá sentir a perda,

Porque Rehan lhe fez mal

Em seus instantes de bebedeira.


Sua vida de relação com ele

iniciou-se num encontro fortuito

Num restaurante badalado da cidade,

Ela marcou pela décima vez

com um homem diferente

Tencionando conhecer um namorado

Através da internet.


Mas, lá da entrada

Ao ver um homem tão feio

Sentado na mesa combinada,

Ela tirou o suéter,

Prendeu o cabelo,

Correu para o banheiro

Remover a maquiagem

E não se aproximou de vergonha,

Na internet o rapaz era lindo,

Perfeito, ali estava um rascunho

De tudo que o photoshop fez por ele.


Ela não teve estômago

Para aturar um homem tão abjeto,

E nem para resistir ao cheiro

De comida tão cheirosa

E de aparência deliciosa.


Logo se aproximou de uma mesa

onde um jovem moreno,

de cabelos negros e fartos

Estava sentado sozinho

E pediu aconchego.


Explicou do encontro

E de seus motivos íntimos

Para desistir,

E as mesas estavam todas

Repletas de pessoas,

Ela não identificou o rapaz,

Mas, pediu licença para sentar-se

Com Rehan.


Ele sorriu,

A permitiu de imediato,

Pedido os pratos,

Ele exigiu que ela pagasse a conta

Por ter de aturá-la ali,

Ela chateou-se jogou o guardanapo

Sobre a mesa em tom de repulsa,

Ele sorriu convidativo,

Se desculpou,

Pagou ambas as contas

E exigiu que ela aceitasse

que ele a conduzisse para casa

Como cortesia e pedido de desculpas.


Ela não soube o motivo,

Mas sentiu-se tonta,

Talvez, por efeito do vinho

Que bebeu com ele,

Pois, sentiu-se fraca

E terminou aceitando o convite,

Ou assim acreditou,

Porque ele a ergueu da mesa

Passando seus braços

Por seus ombros 

E a carregou para fora 

Dizendo frases desconhexas:

"Você é linda,

Me apaixonei por você

Desde o primeiro instante,

Te darei minha vida".


E quando ela deu-se conta

Estava sentada no carona

do carro dele,

E depois disso o viu remover

O zíper de sua calça,

Depois a calça,

A calcinha e então toda a roupa,

E logo se viu nua 

Sentada no colo de Rehan.


Ela gemia de prazer,

Chorava por algo

Que não saberia dizer,

Talvez dor,

Talvez insegurança,

Talvez medo,

"afinal, quem é Rehan?"

Se viu se indagar em silêncio.


Quando acordou estava

Deitada na cama com ele,

Que se  movimentava 

Sobre seu corpo nu em frenesi

E muitos gemidos.

-O que está acontecendo?

Ela se viu indagar

Quando sua cabeça foi puxada

Para o peito dele.

-Agora você é minha namorada!

Ele respondeu sorrindo.

-Não sou não.

Ela respondeu e se afastou.

-Claro que é, 

veja a aliança em seu dedo,

Você mesma colocou 

Durante a noite

E chorou de alegria.

ele disse com movimentos

Contínuos de sexo e beijos sedentos.

-Ah, não lembro disso.

Ela continuou um tanto tonta.

-não lembra?

Você tirou foto de nossas mãos unidas

Usando alianças,

Escreveu uma frase de amor

E postou na sua rede social.

Ele disse.

-Sério?

Mas sempre sou tão discreta.

Ela continuou.

-Sério,

você falou de amor e tudo.

Ele insistiu.


Ela buscou o celular

Que estava sobre a cômoda

e notou a fotografia 

De duas mãos enlaçadas,

Duas alianças e uma frase boba.


-Somos namorados.

Ele disse,

E saiu de cima dela

Juntando uma toalha 

E indo para o banho.


Os encontros entre ela e Rehan

foram sempre fortuitos e inesperados,

As vezes, ele a buscava no trabalho,

Outras vezes ela saia de casa

Logo pela manhã e via seu carro

Estacionado na esquina,

Como se estivesse esperando-a.


Sempre regado a bebidas e cigarros,

Algumas vezes ele usava drogas,

De comprimidos jogados no copo

De bebida e de pó

Que ele soltava sobre a barriga dela

e aspirava até não restar nada,

Soltava também sobre sua mão,

Sobre o painel do carro,

E seguia.


Ela sentia-se seguida por ele,

As vezes, imaginava que isso

Nunca teria fim,

Então, procurou um ginecologista

e buscou um anticoncepcional

Para não engravidar dele,

Mesmo estando com 33 anos

e tendo o sonho de ser mãe,

Evitou o sonho a todo custo.


A igreja da cidade

ficava próximo a sua casa,

Conforme a rua que pegasse

Para ir para o trabalho

Passava por ela,

Chorava soluçante,

Mas, não conseguia marcar a data

E levar o relacionamento adiante.


Bebia pouco,

Não usava drogas,

Fumava algum cigarro esparso.

Mas, um dia Rehan a vendo 

Sair para ir trabalhar

Acelerou o carro com toda força

E jogou sobre ela,

alegando que tinha encontrado

Outra garota,

Muito melhor que ela

E que não queria saber mais dela.


Camline sofreu escoriações severas,

Dor e vergonha da vizinhança,

Mas logo adaptou-se

Com a ausência de Rehan

Que sempre buscava os lugares

onde ela frequentava para passar

Por ela com algumas garotas,

Muitas bebidas,

Sorrisos no rosto,

E drogas.


Camline o odiou,

Denunciou isso na delegacia,

Mas nada amenizou o ódio.

Por isso, ficou muito tempo

Sem buscar novo relacionamento,

Mais de anos,

Sem ter encontros, beijos, abraços,

Carinhos ou sentimentos masculinos,

Apenas a abstinência e o exílio 

Lhe restou.


Dirigia por toda a cidade sozinha,

Parava na praia olhar a areia,

Ver as estrelas noturnas,

Mas, sempre sozinha,

Não conseguia deixar um novo

Homem entrar em sua vida,

Mas, ao saber da morte de Rehan,

Um sorriso lhe brotou na face,

Então, saiu para fora do mercado,

Viu um homem sozinho

Na direção de um carro estacionado

E pediu a ele uma carona;

-Para onde?

Ele indagou.

Ele era um sujeito gordo,

Flácido, de rosto enrugado,

Cabelos brancos e esparsos,

E isso lhe gerou um sentimento

De carinho inexplicável,

Então, ela pegou em sua mão

Sobre o volante e disse:

-Para um motel,

Vamos ter algumas horas

De sexo voluptuoso e delirante,

Eu preciso de você.


O homem a encarou de sobressalto:

-Precisa de mim?

ele disse, ligando o carro

E virando a volta para sair

Do estacionamento rumo a rua.

-Sim, por favor!

Ela disse sorrindo,

Retirou a calcinha e

Levantou a saia curta que usava.


Ele logo introduziu o dedo

em sua vagina e sorriu,

Camline suspirou satisfeita:

-Faz muito tempo que não faço sexo,

Eu não sei,

Agora penso que sempre esperei

Você me dar uma chance.

Ela disse sem jeito,

tocando em seu braço forte.

-Que ótimo,

Poderemos passar boas horas juntos.

ele usava uma aliança no dedo,

Camline não quis perguntar 

sobre isso,

Mas, a notou.

A voz dele era grave e violenta,

ele dirigia muito bem,

Sem solavancos,

Sem desvios,

E tinha lindos dentes brancos

No rosto quadradinho

E lábios rosados e cheios.

Cris-ti-a-nooooo