sábado, 27 de junho de 2026

Um Princípe

 Um príncipe

É um rapaz reservado,
Que sente respeito,
Retribui com afeto.
Um príncipe
Sabe lutar pelo que quer,
É inteligente,
Lhe conquista com
Suas frases,
Lhe ganha com suas atitudes.
Um príncipe
Faz sonhar,
E ajuda a conquistar,
Ele abraça forte
E não deixa nada faltar.
Um príncipe
Tem seus sorrisos
Mas sabe esconder isso,
Se veste bem
E trabalha muito.
Um príncipe
Tem dinheiro
Porque aprendeu a estudar
E conquistar suas coisas,
Ele não mede esforço
E não tem limites
De tão perfeito
Que faz cada trabalho
No qual se dedica.
Um príncipe
Não perde seu tempo,
Ele investe
E tudo que põe seus dedos
Faz render muito,
Faz virar ouro,
Porque um príncipe
É inteligente,
E dois príncipes
São meus maridos.

Feliz 2026

 

Contagem iniciada,
Os segundos somam-se
A importância:
Ano novo,
Vida nova.
Só tenho a agradecer
Pelos dias concedidos,
Os sonhos alcançados
E os novos
Pelos quais lutar.
Sim,
Surfar é doce,
Ver a chuva deslizar
Pela terra
Feito um rio
De água limpa
É doce.
Percorrer o gramado
Sentindo a chuva
Descer pelo corpo
É doce,
Ver ela escorregar
Sobre seus pés
É doce,
Sentir-se resvalar
Sobre o gramado molhado
É doce.
Rammstein,
É doce,
Ver-se ser levada
Pelo curso que segue,
De água limpa,
Pura, saudável
É doce.
Deixo-me chegar
Ao hortelã,
Agacho-me
Porquê é doce,
Cheiro o manjericão,
Colhi suas flores,
Rammstein
Porquê é doce.
Agradeço por ter
Contado com a companhia
Dos meus filhos
Por todos os lugares
Em que andei,
Agradeço mais
Por não ter precisado
Ir a nenhum lugar
Onde ele não poderia
Me acompanhar,
Rammstein é doce.
Ex-decadencia,
A contagem é para baixo
Mas a vida tem
Rumo alto,
É ano novo,
Feliz Ano Novo,
Os números decaem
Na mente,
Se elevam no relógio,
Caem no calendário
Sobem e tem sonhos
Grandes,
Sonhos daquele
Que venceu o passado
E agora ruma
Ao Ano Novo
E busca seus sonhos novos.
Feliz Ano Novo,
É doce,
É Rammstein.

Sozinho e juiz

Poucas noites,
Pequenas horas
A colher seus beijos,
Tanto tempo a sua espera.

Feito idiota
Baixei a cabeça nos estudos,
Folheei o caderno,
Escrevi o conteúdo,
Desenhei seu rosto
Por trás das palavras,
Um idiota 
Apaixonado a esperar.

Tão pouco tempo
E lhe dediquei a vida,
Tanto tempo após 
E você se fez minha ainda,
Na chuva,
No frio,
Na motocicleta,
No carro,
Para sempre 
Você é minha.

E minhas horas
A estudar foram válidas,
Sou concursado,
Juiz do direito do trabalho,
Não só processei aquele
Seu chefe 
Que a fez mão de obra escrava,
Também, o condenei a prisão.

O sobressalto do meu coração 
Te vê-la sozinha,
A sofrer a mercê 
Daquele advogado corrupto
Foi inexplicável,
Ah, eu não me questionei
Quando o processei
Por enriquecimento sem causa,
Abuso de direito 
E outros tantos,
Hoje ele não engana
Mais ninguém,
Nem aquele seu chefe
Sai da prisão tão cedo.

Minha garota,
Que tanto esperei
Fez valer cada hora
De estudo,
Aqui comigo
A abraça-la,
Hoje é esposa
Aquela que já foi
Condenada a ser qualquer 
Nas mãos de corrupto
Criminoso da pior espécie.

Minha garota,
A que me valeu a vida,
Me fez estudar,
Evoluir do cara favelado
Que fui,
Que percorreu ruas na chuva,
Sem dormir ou trabalhar,
Que brigou com os pais,
Deixou a família,
Mas soube retornar
E dar orgulho,
Evoluir e resgata-la.



sexta-feira, 26 de junho de 2026

Estes Seus Viados

Ah, querida,
Você sempre soube
Eu não minto bem,
Mas, você gostou
De tudo que eu disse
E quis que fosse verdade.

Mas, meu bem
Terrores noturnos
Atacam de dia e a noite
Quer tenha medo
Quer tenha fé,
Terrores te alcançam 
Sem que você aguarde
Ou tenha se preparado.

Eles tem sorrisos perfeitos,
Bons carros
E excelentes empregos
E não pedem permissão 
Ou avisam o instante,
Eles chegam e atacam você,
E quando você percebe
Acabou suas chances.

Querida,
Você sempre sonhou
Seu romance,
Mas, bons homens 
Estão guardados
Para boas garotas
E elas são suas irmãs,
Querida, jamais uma
Parente distante 
Não creia nisso,
Eles preferem as de casa,
De dentro de suas torres,
Ou por que você acha
Que eles se dedicam tanto
E se colocam tão distantes 
De você?

Querida,
Se fosse do querer
Eles estariam perto
E seus terrores
Seriam dissipados
Como os daquelas putas
Que eles sonham
Em seus quartos
Antes de fechar os olhos,
Porque ao lado deles
Elas cochilam 
E suspiram seus medos.

Terrores atacam
E belos viados
Estão sempre despreparados,
Você acreditou em heróis,
Querida, os coronéis 
Esperam em suas salas
Suas próprias irmãs 
Virem buscá-los
Ao final do expediente,
Não seja uma idiota,
Enquanto você sonha 
Acordada os terrores 
Despertam e lhe tomam,
Cuidado,
Eles estão pertos
E prontos para ataca-la,
Você achou que seria amor
Por tão pouco dinheiro?
Querida, beijei seus viados,
E olhe para o rostinho
De suas irmãs,
Elas os esperam,
Elas são para eles,
Veja como eles a buscam,
Que seus terrores
E os meus queimem estes
Seus viados.


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Te amo Lucas

Lucas não haverá 
Problemas entre nós 
Que esteja
Fora do alcance,
Tudo será possível,
Tudo terá resposta,
Porque você 
Está comigo.

Por você estar comigo
Eu sou forte,
E meu coração 
Te protege do que for,
Sua família 
É minha família,
Minha família 
É sua família.

Estamos juntos 
E você me salvou
De tanta coisa
Que eu não poderia 
Nem em toda a vida 
Te compensar.

Eu o amo
De corpo e alma 
E não há nada maior,
Nem o que me faça 
Mudar de ideia.

Lucas você é perfeito,
Honesto e sedutor,
Eu não sei não ser sua,
Me derramar de amor,
Te esperar,
Te querer,
Eu vivo por você,
Eu morro por você,
Eu sou o que sou
Por nós,
Não há nada maior,
Meu amor ❤️.


quarta-feira, 24 de junho de 2026

vou ser policial

Eu decidi ser legal,
Quis ser aceito por minha turma,
E usei drogas,
Depois disso 
Eu embarquei no meu carro
E corri tudo que o velocímetro 
Permitia.

Até que encontrei 
Uma árvore fora do caminho,
Eu dormi,
Ou de repente,
A fumaça do cigarro 
Que eu fumava
Embaçou minha visão,
Eu saí da pista
Muito rápido 
E me choque contra ela.

Não pude voltar
Para casa,
Meus pais me procuraram,
Meus irmãos entraram 
Em declínio,
E eu fui para o hospital,
Longe demais 
Para ser encontrado.

Sozinho e sem lembranças,
Retornei meus estudos,
E um dia,
Ao sair da aula
Um aluno me abordou
Para me furtar,
Ele tomou minha mochila escolar.

E eu chorei,
Já não tinha para onde ir,
E agora perdia o restante,
Um policial que fazia ronda
Viu o fato,
Acelerou a viatura 
E encontrou o garoto.

O prendeu e tomou
Minha mochila 
Depois me devolveu,
Ele me encaminhou a assistência social,
Eu consegui trabalho
E um lugar para ficar.

Me senti tão contente 
Por aquele estranho 
Me ajudar,
Que hoje formado 
Eu entro para a faculdade 
Para ser militar,
É meu sonho 
E eu vou conseguir,
No mais tardar 
Em cinco anos 
Me tornou policial militar 
E lá dentro,
Trabalhando no batalhão 
Eu busco minha família,
Quem sou
E se onde venho
E tenho certeza,
Eu vou lembrar
E havendo indícios 
Eu vou encontrar.


Feliz dia do Bombeiro militar

Enfrentar fogo em labareda
Nunca foi sonho,
Sempre foi loucura,
Mas, ver aquele bombeiro
Se aproximar do meu colégio 
Em chamas,
E pular sobre o telhado,
Depois descer até o pátio
Onde minha professora estava
Foi o mais inacreditável 
Que eu já presenciei.

Não tive dúvidas,
Meus olhos brilharam,
O coração falhou 
E minhas mãos rezaram:
Ele conseguiria,
Sairia de lá vivo
E traria minha professora...

Uni minhas mãos 
As de meus amigos,
Levantamos para o céu 
E imploramos por chuva,
E Deus nos ouve,
Deus não falha,
De repente,
Aquele homem ressurgiu
Do nada,
Brilhando em meio 
A fumaça,
Chamuscado por chamas
Pouco atrás dele,
Ele a trazia no colo,
E ela sorria suja de carvão,
Com maquiagem borrada
Entre lágrimas 
E orações.

Ela vinha,
E ele a tinha com força 
E segurança 
Que só um bombeiro 
Treinado é capaz.

Ele andou pelo telhado
Tão seguro com ela
Em seus braços 
Que eu pensei que era
Imaginário,
Um pesadelo 
Ou sonho confuso.

Mas, não,
Era o bombeiro 
Que enfrentou chamas 
E um telhado despencando 
Para ir buscar minha
Professora.

Depois ele desceu de lá 
Através de uma escada
Com ela em seus braços,
Nós aplaudimos com força 
E meu sonho profissional 
Passou a ser este:
Ser uma heroína,
Uma profissional respeitada,
Uma bombeiro militar
E hoje formada,
Eu sinto medo,
Eu tremo as pernas,
Mas, eu vou e consigo,
Ah, não existem chamas
Que me detenham,
Ou voz que não seja ouvida.

E minha mangueira
É a mais destemida,
Ela não reconhece força 
Ou intensidade de fogo,
Ela apaga tudo
Segura entre minhas mãos 
A trepidar sobre o fogo alto,
Até o céu 
E ela mais alta desce
E não deixa fumaça,
Nem calor,
Acredite meu coturno
Ama o trabalho que ela faz.

E meu uniforme militar
Não reclama,
As cinzas escorrem
Sob meus pés 
E o carvão foge para longe,
Feliz dia do bombeiro militar,
Feliz 24 de junho.


Feliz dia do Policial Militar

Upa mãe,
Feliz dia do Policial Militar.
A menina de três anos
Disse abraçada
Ao pescoço de sua mãe 
Com um sorriso 
Escondido atrás do cabelo
Dela.

Ela passou a mão 
Nas costas da mãe 
E a mãe gemeu baixinho,
-esta doendo, mamãe?
Ela pediu
Se afastando e contemplando 
O rosto amarelado 
Da mãe.

O pai de Milena
Chegou do mercado 
E faltou dinheiro 
Para pôr gasolina,
O carro enguiçou 
No caminho,
Ele o deixou na beira
Da estrada 
E voltou caminhando.

No caminho colheu
Um galho de árvore,
E irritado chegou gritando 
Alto seu desfortúnio,
A mãe da menina 
Correu até ele 
Para acalma-lo
E isto lhe custou
Marcas de galhos
Por todo o corpo.

Ele bateu nela
Com o galho 
E a culpou pela tinta
Do cabelo,
Pelo esmalte da unha
E pela filha que exige tanto
Em roupa no frio 
Do inverno.

Irritado,
Ele correu escada
Adentro de casa,
Pegou o cobertor novo
E queimou antes 
De pagar a primeira parcela.

Irritado,
Ele gritou que odiava
A família,
Odiava os gastos,
E odiava o cobertor escolhido.

Milena viu escondida 
O cobertor queimar,
Pegou o caderno 
E se pôs a estudar,
Escolheu para profissão 
Defender sua mãe 
E ajudar o pai financeiramente.

Tornou-se policial militar,
Agora fardada
Usa coturno e não salto,
Pratica tiro ao alvo,
Estuda técnicas militares,
Tira fotografia na viatura,
Usa boné com logomarca
E não perucas coloridas,
Tem colete a prova de balas
E sua mãe não chora mais
Ou sente medo
Ou sofre violência,
Nem seu pai sente receio
De não ter dinheiro 
Ou não poder pagar
As dívidas.

Ela recebe um bom salário,
E hoje comemora até tarde
Com os colegas de trabalho:
É dia do policial militar,
Dia 24 de junho,
Ela está segura,
Sua família está segura,
Ela aprendeu a proteger-se
E ampare a vida
De sua família
E também de quem precisar.


domingo, 21 de junho de 2026

Crime na Avenida

O calor sufocante
Impedia fechar as janelas,
E o vento que libertava,
Também fazia voar os documentos
De sobre a mesa.
Chegava o primeiro cadáver
Sem identificação,
Rosto cortado ao meio,
Uma tatuagem na panturrilha
Da perna esquerda,
Um relógio quebrado no pulso
Que parou nas 09 horas
De seus ponteiros,
Um olho arrancado
E o outro azul aberto
E assustado,
Com íris que estavam dilatadas
O que sugeria que ele
Sentia dificuldade para ver.
Em circunstâncias da hora
Marcada no relógio e
As íris dilaceradas
Podia-se anotar na agenda
Que a morte ocorreu
Em torno das nove horas noturnas.
O cadáver não tinha podridão,
Estava ferido e arranhado,
Aparentava ter sido comigo
Por algum animal faminto,
Contudo, um corte contundente
E peculiar sugeria que o corte
Teria sido provocado por
Um objeto bastante afiado.
Então, a possibilidade de a morte
Ter sido provocada
Por acidente automobilístico
Não estava totalmente clara,
Poderia sugerir se tratar
De morte por assassinato.
As horas corriam
Na parede enquanto o sol
Baixava no horizonte,
Maigret tinha poucas horas
Com o cadáver,
Suficientes para ver ele
Por inteiro e fazer
As anotações equivalentes.
Enquanto vasculhava
O cadáver em busca
De indícios de sua morte
E de sua identidade,
Viu tratar-se de um sujeito
Masculino,
Seu membro sexual havia
Sido aberto por um objeto,
Um líquido branco escorria
De seu interior.
Anotou que fosse efetuado
Exames na secreção,
Pois identificava,
Orgasmo sexual.
Contudo, os ferimentos no
Início do membro
Deixavam a desejar se o ato
Havia sido de livre vontade.
Nisto, outro corpo chegou
E foi colocado ao lado deste,
Referia-se a uma vendedora
Que foi atropelada na saída
Do trabalho por um automóvel
Dirigido por um sujeito embriagado.
No entanto, a relação entre hora
E fato ocorrido foi questionada,
Vez que, ela continha esperma
Escorrendo por suas pernas
E seu corpo estava enegrecido
E gelado.
A circulação de seu sangue
Havia parado,
Talvez, um dia ou dois
Anteriormente ao acontecido.
Maigret olhou de soslaio
E logo identificou estas características
Peculiares no corpo
Que não lhe interessava,
Vez que outro perito iria
Averiguar os fatos.
Sem nexo entre morte
E crime não há verificação
No corpo,
Porém, havendo indícios,
É imprescindível que a vistoria
Seja feita e o caso criminal
Elucidado.
A identidade da vendedora
Era determinada,
A morte, até então, também,
Mas, as características eram
Questionáveis,
Se ela estava trabalhando
Por que estava com esperma
Pelo corpo?
Se morreu a poucas horas
Por que estava gelada
E tão escura?
Maigret parou de olhar
A moça e lhe deu as costas,
Retornando ao seu objeto
De estudos:
O cadáver masculino.
O perito verificava a identidade
De um sujeito que nunca
Soube da existência,
Mas, cuja alma merecia
Ser reconhecida e receber
Um culto ecumênico,
Bem... Exceto a questão sentimental
Este sujeito não era reconhecido
Como criminoso.
E isto lhe levou a olhar
O rosto maquiado da garota
Sobre a maca atrás de si,
Ela tinha traços de ser
Reconhecida contumaz
Como ladra de itens femininos
De uma loja local reconhecida.
Incomodado com a ideia
De o corpo ser internado
Como indigente num canto
Qualquer do cemitério,
Maigret criou um site
Anexo ao da Polícia Militar
Intitulado Não Identificado –
E uma sub aba onde
Se via escrito:
• Criminoso – e lá se anexava
A fotografia da pessoa,
E itens sobre a sua identidade,
Clicando sobre a fotografia
Havia a possibilidade de
O internauta interagir com o site policial
Colocando dados e provas
Sobre o que sabia do indivíduo
Que auxiliasse na sua identificação.
- morto: lá ele colocou
Uma fotografia de rosto
Do corpo encontrado,
E clicando nesta fotografia
Se viam outras que
Auxiliaram na identificação
Do morto por familiares
Para que seu cadáver
Fosse retirado do IML.
Também havia um meio
De conversar com o atendente virtual
Sobre dados do morto
E agendar horário para retira-lo.
Nisto ele decidiu
Que estes mortos estariam
Com seus cadáveres dispostos
Para reconhecimento por 01 mês no IML,
Após isso, permaneceria
No site apenas seus dados
De meio de morte e fotos
Para posterior verificação.
Um policial precisa
Estar atento aos direitos
Da comunidade
E um destes é o direito
Ao familiar que busca
O paradeiro de seu ente querido
Encontrá-lo e poder
Dar um respaldo a sua dor,
Dar um fim as suas buscas.
Enquanto, o sujeito não
Identificado também merece
Responder por todo o crime
Que tenha cometido,
E nisto, ter seu amplo
Poder de defesa reconhecido,
Pois, responderá pelo que fez
Assumindo sua identidade própria.
Terá nisto, a oportunidade
De ser visitado no presídio
Pela família e amigos
Que darão fim ao medo
De que ele estivesse morto.
Logo a página teve milhões
De visualizações,
E ele foi reconhecido
Por uma família humilde
Do interior do próprio município.
Datava de um mês
Seu sumiço,
E os familiares já haviam
Registrado ocorrência
Sobre o fato
Na delegacia do interior,
Que deu fim as buscas
Três dias após
Sem concluir paradeiro.
Maigret soube que seu colega
Que investigou a morte
Dá vendedora buscou
Por imagens de câmeras 
Instaladas na rua 
Em frente a loja de vendas
Onde a vendedora trabalhava
E viu lá uma camionete vermelha 
Que soltou um objeto 
De sua traseira aberta
No chão do asfalto 
E depois fugiu.
O objeto parecia
Ser identificado com
O corpo da vendedora,
No entanto, em horário 
Próximo viu-se um objeto 
Despencar da janela
Do segundo andar da loja,
Onde se localizava o escritório 
Do gerente.
O objeto foi reconhecido 
Pelos vendedores por
Tratar-se de uma manequim 
De plástico vestida
De roupas, acessórios e
Peruca vendidas na
Própria loja.
Isto ocorreu enquanto 
A faxineira limpava
O manequim.
Não havia testemunha 
Quanto ao primeiro objeto
Que perdeu-se da traseira 
Aberta da camionete vermelha,
E um acidente de veículo 
Poderia ter sido questionável 
De ter existido 
Pois, um pano foi colocado
Em frente a câmera 
Mais próxima e só após 
O corpo da vendedora 
Foi encontrado lá.
O perito olhou o relógio 
Várias vezes em busca 
De identificar se a morte
Ocorreu realmente 
No horário determinado 
Pelas vendedoras da loja feminina.
Além dos testemunhos 
Não havia outra prova,
Contudo, o esperma,
A rigidez muscular do tecido,
A cor de sua pele
Indicava mais tempo de morte.
E os familiares escoravam
Chorando um no outro
Querendo uma solução 
Ao conflito e
Uma resposta a sua dor 
Que não teria conforto
Até a verdade surgir
E o crime ser julgado 
Pela autoridade competente.

sábado, 20 de junho de 2026

Livre Para Sempre

- alô, Coronel?
Minha filha está
Em poder de bandidos
Me ajude!
Gritou Dinore desesperado
Do telefone,
Depois disso
Amedrontado, baixou
O telefone até seu peito
Que pulsava palavras
Incompreensivas.

Dinore decidiu vender
Parte da prioridade a estranhos,
E se apropriando dela,
O novo morador
Passou a fazer sua filha
De refém,
E desta vez a exigência
Era insuportável,
Seu amor.

Ele exigiu o amor de Alice.
Alice se desesperou,
Correu para dentro de casa
Evitou o jardim,
Abandonou seu pomar
E trancou-se.

O vizinho aterrador,
Vinha nos horários noturnos
E dava muros
Ao redor da parede
De madeira
Para que ela abrisse
A janela.

Ela encolhia-se entre
Os travesseiros,
E chorava descompassada.
Quem a protegeria?

A esposa dele
O chamava pelo nome
E alguns de seus filhos
Choravam alto.
-não mãe,
Não quero transar,
Não mãe.
Uma criança dizia
Em prantos
E o barulho em sua casa
passava.

Ela abraçava o cobertor
Como quem abraça o céu
E pede para ser transportada,
Ou qualquer coisa
Que a retire dali,
Sorrateira e salva.

Incompreensiva,
Odiou seu pai,
Odiou a venda da terra,
Odiou a si mesma,
Pegou uma faca
E passou a cortar
O próprio rosto
Até que filetes de sangue
Escorressem na frente
Do espelho se misturando
Ao pranto.

De dia,
Quando ele saia trabalhar
Ela passou a sair de casa,
Limpar a propriedade
Com a enxada
E podando as flores
Pondo seus galhos
Em vasos com terra
Para fazer novas mudas.

Ela precisava resistir,
Ser forte,
Enfrentar está dor íntima
Que lhe dava tanto medo
E desconforto interno.

Sua família desmoronava,
Sua terra fugia-lhe
Por entre os dedos
Feito areia fina
Que vai com o vento
E com a água
Que incontrolável invadia
E se aproximava cada vez
Mais de sua casa,
Suja e sedenta,
Sedenta por carregar
Tudo que pudesse,
Flores, árvores, bancos,
Talvez, sua casa...

Ela se deitava
Se cobria e aguardava
O dia em que algo
Lhe mudaria o destino.

O vizinho fazia festas
Regadas a bebidas
E drogas,
Entre as crianças e
Os adultos e logo
As investidas lhe chegavam
Inegáveis entre frases
E tiros ao alto.

Os olhares furtivos
Ficavam tão óbvios,
E filhos do vizinho nasciam
Outros morriam e eram
Jogados nas águas do rio.

Alice permanecia
Lutando por sua terra,
Trabalhando incontrolável,
Até que um dia a discussão
Acalorada chegou,
Com nervos a flor da pele,
Ela gritou de sua casa
Para diminuírem o som,
Pararem com as drogas,
E se definiu anti-estupro.

Este foi seu fim,
O vizinho embrenhou
Contra a sua casa,
Lhe pegou pelo pescoço
E carregou para fora,
Erguendo-a na área
Para expor sua fragilidade
Feminina.

Então, puxou seu vestido
E a deixou nua,
Erguida.
Ela resistiu.

E foi solta espasmodica,
E soluçante no chão frio
E sujo de poeira de sua casa.

Então, veio um vendaval
Intenso e arrasador
Que se chocou contra
As árvores e levou galhos,
Arrancou folhas,
E destelhou a casa vizinha.

Então, balançou do chão
Três enormes árvores
As fazendo pender
Contra a sua casa,
Girar e cair para o lado
Oposto.

Caindo sobre a estrada
E impedindo a passagem
Do vizinho que irritou-se
E denunciou a polícia.

Alegou que ela havia derrubado
As árvores de mau intuito
Para impedir sua passagem
E tentar lhe matar
Pondo em risco a integridade
De sua família.

A polícia veio
E lhe calou com a arma
Em punho,
Contra seu rosto,
Entre seus lábios
E pediu que se calasse,
O soldado disse que
Logo a medida de prisão
Seria decretada
E este seria o seu fim.

Uma multa exuberante
Lhe viria e cobraria
Tudo que possuía,
Iria para a rua,
Presa e encarcerada
Por ameaça e tentativa de
Assassinato além
De crime de dano contra
O meio ambiente
E outros afins.

Inconsolável,
Ela escorreu pela parede
Dá janela,
Levou as mãos ao rosto
E arranhou-se de cima
Abaixo,
Não queria sua beleza,
Rejeitava sua fragilidade,
Odiou cada pessoa,
Cada arma,
Cada perigo.
O soldado afastou-se
Irritado e truculento.

Alice
Esperou o vizinho chegar
E foi até o muro,
Então gritou,
Ergueu o punho para o alto,
Chorou e xingou das formas
Que pôde.

O vizinho pegou uma corda,
Jogou por sua nuca,
E a virou num movimento
Enlaçando seu pescoço,
Depois a ergueu contra
O muro.

Suas lágrimas escorriam,
Ela batia os pés,
Perdia o ar,
Esvaia-se sua vida.

Nisto o Coronel chegou,
De farda marrom,
Coturno marrom,
E aquele boné característico...

Levantou a arma
E mirou contra o rosto
Do vizinho e atirou.

O vizinho caiu do alto
Do muro para trás sangrando,
E ela caiu fraca no chão,
Entre a terra e grama,
Abriu seus olhos
Quando ele chegou
E lhe estendeu a mão.

De alguma forma,
Que não se sabe explicar,
Ela conseguiu erguer
A mão,
E apertou com toda
A força que tinha,
A mão quente 
E macia do Coronel,
Ele a pegou no colo
E a conduziu para dentro
A salvo.

Saiu para fora,
Foi até a estrada
E deu voz de prisão
Para o vizinho
E ordem de despejo
Sobre sua família.

Um ano após,
Alice vestida de branco,
Pegou seu buquê
De girassol e se aproximou
Daquela gente toda
Que estava sentada
No seu jardim.

A passos lentos
No seu scarpin branco
Liso de seda,
E seguiu até o altar
Feito até dentro do rio.

Os convidados se ergueram
Aplaudindo,
Uma banda iniciou
A música de entrada
Ao lado do altar,
O padre se virou sério.

Já no meio do altar,
Os convidados começaram
A reclamar que o noivo
Ainda não havia chegado.

E entreolhavam-se envergonhados.
Os pais se abraçavam
E olhavam ao redor,
Então, um helicóptero da
Polícia Militar surgiu no
Alto dos céus,
E lá estava o Coronel.

Depois sobrevoou até próximo
Ao altar e ele pulou
Dá janela aberta
Até o altar,
Chegou em Alice
Se ajoelhou com uma
Perna encostada no chão
De madeira
E A outra levantada.

A beijou na testa,
Retirou o buquê de girassol
De seus dedos,
O beijou e soltou sobre
A perna,
Então, buscou no casaco
Militar marrom uma chave
Que retirou do bolso.

Alice levantou
Os punhos para o alto,
Estava algemada,
O Coronel abriu suas algemas
E disse:
-“livre pra sempre!”
Ela sorriu,
Se agachou até ele,
E buscou seus lábios
Num beijo cálido,
E rápido.

Então, se virou para
As testemunhas e mostrou
As algemas soltas nos pulsos
E sorriu.

Um Ah, espasmodico
Surgiu de todos.

Ela puxou os pulsos
E jogou as algemas
No chão ao seu lado,
Depois virou-se para ele,
Retirou seu boné de Coronel
E soltou no chão
Ao seu lado,
Pegou na sua mão
E andaram os passos
Que faltava até chegar
No altar
Onde encontraram o padre
Sério e tomando água
De sua taça benzida.

O Coronel a beijou
No rosto,
Depois, puxou seu maxilar
Para ele e o beijo demorado
E apaixonado pegou
Todos desprevenidos.

Ambos choravam,
Os convidados bateram
Palmas e sorriram,
Abraçaram-se entre eles.

Alice e o Coronel
Levantaram suas mãos
Unidas e juntas para o alto,
Depois sorriram,
Se abraçaram demoradamente 
E olharam para o padre.

Labor por favor

Fui acordada por vozes
E o que mais me assustou
Veio após isso,
Uma classe privilegiada
De conhecimento jurídico,
Bem assistida
E remunerada
Estava trabalhando
Pra retirar minha identidade
Profissional.

Pois é, cada fotografia minha,
Cada vez que larguei
A caneta e fui cuidar
Dá minha propriedade rural,
Cada vez que discuti
Com minha família,
Cada vez que saí de casa,
As roupas e maquiagem
Que usei,
Os sorrisos que recusei,
O olhar que arrisquei,
Tudo isso estava sendo
Planejado e usado
Contra a minha imagem
E trabalho para retirar
Minha carteira de advogada.

São cinco anos de estudos,
Duas provas difíceis
Que eles cobram super caro,
Uma anuidade gritante
Que leva a maioria da classe
A falência logo no início
Da carreira,
E ainda eles tiveram capacidade
De invadir minha casa,
Usar sistema tecnológico,
Preparar emboscadas,
E vigiar cada um dos
Meus passos
Para me demitirem
Do que nunca fui contratada.

Não fosse minha conduta
Ser imaculada,
Toda a dificuldade que enfrentei
Para me defender
E a integridade da minha família,
Eu estaria inapta para a função
Que entreguei dedicação exclusiva,
Nunca me aproveitei de clientes
Ou funcionais,
Pois é, como são inacreditáveis
Estes que não trabalham,
Não tem conhecimento
Pra se manter trabalhando
Pois não compreendem
Que sendo concorrentes,
Não somos adversários.

Malditos são estes acostumados
Ao labor por favor.

Eu sou de origem humilde,
Venho da roça,
E sou dona,
Pra que tal atitude?
A corrupção é mais que afronta
É opressão,
Violência,
Assassinato por assinatura.

Labor em troca de favores
É anti profissional,
Labor por mendicância 
É anti profissional,
Labor por submissões 
É anti profissional,
Labor por hierarquia 
É anti profissional.

A advocacia não pertence 
A está classe de trabalhadores
Abusados pelo vínculo
Carteira de Trabalho,
Nós somos independentes
E somos iguais uns 
Aos outros,
Não imploramos para exercer função,
Não imploramos para receber honorários,
Não imploramos por anuidade digna,
Não somos subalternos,
Não obedecemos ordens,
Somos independentes,
Nos respeitem internamente 
E quem não tem conhecimento,
Por favor, saia da rede social 
E vá para a sala de aula
Por cinco anos,
Uma pós graduação 
E tantos livros.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Bom exemplo

O exemplo arrasta,
Ensina e mostra.
Todo início é difícil
Tem que fazer
O que não foi feito,
No melhor possível.
É bom quando
Tem um manual,
É ruim quando
Tem tempo hábil
E resultados fixos.
Se como fiz é certo,
É só ver como faço
E melhorar isso,
Pois copiar desnecessário,
Mas, ver o erro
E evitar é sucesso,
Ver o acerto
E melhorar é progresso.
Se como fiz
Produziu bons frutos,
Que ótimo,
Eu faria melhor
Se pudesse,
Queria ter feito perfeito.
Mas, você
Que me viu fazendo,
Agora sabe
O modo e o resultado,
A partir disso
É por sua conta e risco,
Nada tão simples,
Pois o viver é difícil,
Nada impossível,
Pois o fazer é do homem.

Fique comigo

Pois é,
Homem que amo,
Eu queria dizer
Coisas a contento,
Que te convencem,
Te levam a sonhos,
Te fazem me querer,
Fazer planos
Com meus planos.
E então, eu penso:
Por que demorou tanto?
Quem estava em primazia?
Fui então, última opção,
Que nada
Isso não é paixão!

Mas, não
Não direi isso, não.
Obrigada por estar,
Por acreditar,
Lutar minhas brigas,
Berrar minhas iras,
Deixar seu sono,
Aceitar minhas imperfeições,
Ver que falho,
Concertar as objeções...

Se sou ajudada
Já penso se fui o bastante,
Se é a meu modo,
Se poderia ter sido
Melhor e a que jeito,
Mas, isso está errado.

A verdade é que
Nunca tive ninguém,
E tendo sempre tive
Que perder,
Vivo um quase
Bem-vindo e sim,
Claro, logo me afasto
De você..

Eu estou a reflexos,
Chutando o alto,
Esmurrando o vento,
Brigando contigo
Sem relento,
Sem motivo,
Sem comento.

E você se esforça tanto,
Então, eu corro trabalhar
Para poder, ao menos,
Me calar e não dizer
Tanta besteira,
Que só me leva para trás
E me causa medo
De te perder.

O melhor do mundo
É ter você,
Mais nada vale tanto,
Sozinha sou fracasso,
Desalinho e prantos.

Como ocupo minha mente
Tanto a ponto
De calar as besteiras?
Poxa, não me deixa,
Eu amo você estar
E não importa como,
Nem o ano,
Nem o dia,
Mas esteja e pronto!

O que você faz
É perfeito
O que não foi feito
Só precisou de você
E mais nada,
Desculpa,
Não soube falar,
Se tivesse suado a camisa,
Secado o pranto no trabalho,
Você teria me visto
E eu não sofreria
A partir disto.

Desculpa,
Eu não sabia
Que trabalhar
Lhe traria,
Eu fui fraca.
Obrigada por você estar.
Me desculpa as cobranças,
As maleixas,
As mágoas,
E por favor entenda,
Quando escuro 
O alto nunca foi
Ou será contra seu rosto,
Eu o amo,
E grito
E por medo
Uso seu nome 
Porque acho
Que você 
Não irá ferir-me
Aí eu digo tudo,
E me arrependo,
Mas, continuo
E imploro que você fique
Porque eu mereço,
E te amo.

Vizinha Danada

A danada da vizinha
De bonita
Tinha as amigas,
Decidiu me chamar
Pra briga,
Juntou paus e pedras,
Me xingou a ver navios,
Me deixou apavorada,
Para com isso
Sua descontrolada.
Mas, que nada
Foi-se a dentro
E rumou-se de arma,
Mirou pro meu lado
E ameaçou atirar,
Que é isso descontrolada
Está tentando me matar?
Dei jeito
No alvoroço todo,
Liguei pro pelotão,
Pro povo fardado
Que tivesse arma,
Pelo amor de Deus
Venha me salvar,
Fui tirar umas palavras
Em tom alto
E a vizinha pôs-se
A me atirar,
Ainda não tenho
Qualquer furo a bala,
Mas o barulho
Lá daquela casa
Me choca
E me ruma,
Salva eu soldado
De armadura,
Ou aquela vizinha
Vai me pôr na tumba!
Agora a danada
Retirou um facão 
Dá cintura
Gritou alto
Chamou a polícia,
E aqui a espasmos
E espanto,
Se ela retira aquele fio
Dá bananeira 
Será que me corta
Ou só faz sangrar
Um pouco?

Hora da aula

O ônibus está a roncar,
O garotinho corre
E pega a sua mochila escolar,
É a hora mais esperada,
O instante de ir para a aula.

Ele corre
Com um sorriso
No rosto pela casa,
Abraça a mãe,
O pai e a irmã
Que entrega a ele
A sacola de supermercado
Branca que contém
Seu lanche escolar,
Um sanduíche de pão,
Queijo e salame,
Tudo feito em casa,
E o menino corre feliz
Pelas escadas,
Chegou o ônibus
E ele vai para a aula.

Seu amiguinho
Lá perto da cidade,
Salta feliz de sua cadeira
Abraça a avó, o avô,
Seus pais e irmãos,
Ganha da mãe a lancheira
Lá dentro tem pão quentinho,
Bolinho da vó
E queijo da mãe.

Espera feliz o menininho,
Logo o ônibus chega
E ele corre para a aula,
Dentro do ônibus
Abraça seu amiguinho.

Comandante da polícia

O menino da roça,
Guardou a enxada,
Baixou a foice,
Foi estudar pra ser
Comandante.

Aprovado no concurso
Com êxito,
Segue de rosto erguido,
Comanda o batalhão,
É o mais impetuoso e atrevido.

“Sorte tem esse menino”,
Diz a multidão,
“Mune-se de coragem”,
Ouviu-se o burburinho.

Mas, ele é mais que isso,
Os calos de sua mão
Que manejavam a madeira
Manejam o ferro
E elevam-se,
Fechados feito aço
Comandam e se distinguem.

É o simples menino da roça
Que agora marcha
A passos firmes
E rosto erguido de dignidade,
Os peitos arfam de agradecimento
Enquanto ele passa,
Silencioso a punhos fechados,
Acostumado ao trabalho árduo,
Desde pequeno
Soube compensar com êxitos,
Sabe o valor de seus esforços,
A dignidade de seu sucesso.

Menino Comandante

Espadas elevadas,
Tocam o rosto
E não dizem nada,
Sangue e discórdia,
Dignidade e armas
Definem os passos
Dos guerreiros
Que são de aço.

De punhos fechados,
Olhos atentos,
Baixam as espadas
Até o peito,
O aço brilha de dia,
Reluz na noite,
Os passos gritantes
Dos guerreiros
Que não se distinguem
E não se escondem.

Punhos de ferro
Se levantam a nossa frente,
"São os militares"
Dizem as vozes,
"Somos militares"
Rufam os peitos armados
De guerreiros
Feitos de pano e ferro.

Ferro municiado,
Quem vê seus rostos
Não reconhece
Suas forças,
São meninos tipo bonecos,
Pequenos garotos
Que elevam-se
E agacham-se
Enquanto seguem
Seu caminho
Sem que haja empecilho.

Quem diria é aquele
Garotinho que devo
Minha vida e minha segurança,
Diz a senhora
Que se levanta
Para que passem
E diz a criança
Que se eleva em seu colo,
Não são homens feitos,
São garotinhos
E seus punhos
Não se abrem
E seus sorrisos
Não se mostram.

São disciplinados garotos
De mãos prontas
Para o soco,
De peito arfante pela honra
De marcharem a nossa frente,
O tempo passa
E as crianças ganham formas.

Quem diria
O menino lá da roça
Largou a enxada
Para ser comandante,
Veja seu peito forte
E seu passo treme
Os montes,
Seu grito é ouvido
A distância,
Seu soco move portas,
Seu chute vence janelas,
Os prédios pendem
E ele segue.

Lá vai o menino 
Dá roça,
Comandando a tropa,
Ele marcha e coordena,
Vai menino,
Se fez homem muito cedo,
Largou a enxada,
E levantou armas,
Segue triunfante,
No seu uniforme
A passos fortes
E lá de trás alguém 
Balança a bandeira.
Reza baixinho,
E acompanha o menino.

Rodar Por Aí...

Então, você caiu,
Levantou e não fugiu,
Pegou suas armas,
Empunhou o ferro,
Derreteu em brasa,
Forjou brasões e espadas,
Ok, perfeito pra você
E mais nada?
Tudo pra mim,
Que voei na sua garupa,
Fiz daquela motocicleta
Meu cavalo com asas,
Subi e me elevei
Nos montes,
Lá de trás
Eu avistei muito longe,
Ergui meus braços
Para o céu
E gritei me leve,
Me conduza até
Onde possamos ir,
Eu não sei meus limites,
Mas, baby o tanque
Está cheio de combustível
Vamos rodar, rodar
Até cansar.
Ergui minhas pernas
Para o céu,
Até seus ombros,
Toquei no seu peito
E disse:
Baby, arruma seu capacete,
E rimos juntos.
Me diz como é
Ser o último sobrevivente,
Eu passei naquele concurso
Chato,
Joguei a farda no lixo,
Desmuniciei a arma toda
Naquele comandante chato,
E agora, baby,
Você aí posando de gato
Deseja meu fardamento?
Quer usar meus cartuchos
Rasurados?
Eu preenchi de papel
E pilhérias cara,
Quando você alçar armas
Eu atiro lá de fora
Pra você ver o clarão
De estrelas que irei
Preencher o seu céu ,
Bem lá,
Onde já pus meus pés
E não quis ficar,
Mas, estou orgulhosa
E super feliz
Por você estar aí,
Vai de cartuchinho
Ou prefere o pente cheio?
Acelera essa motocicleta
Aí garoto,
Eu quero gastar os pneus,
Ficar sem combustível,
Bom, como é
Rodar por aí comigo?

terça-feira, 16 de junho de 2026

Te amo ❤️

Te amo
Como não poderia descrever,
Te amo
Com inocência
Malícia feminina
Que só você
É capaz de despertar.
Te amo por inteiro,
Com desejos incontroláveis
E carícias
Que não querem respeitar
Hora ou lugar.
Eu te amo
Com a inocência
De quem só quis
Te proteger
Mas terminou
Em: não sei viver
Se não tiver você!
Te amo no início
Sem fim do que sinto,
Te amo
E nada pode
Nos separar,
Te amo pra sempre
Com palavras
E calada,
Te amo muito mais
A cada instante,
Hora ou tempo que for,
Amo você
Meu amor!

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Suor e Luar

Dizem que a lua
Se aproxima,
Não importa
Onde está,
Chega e me anima,
Oh, meu Deus,
Oh, meu amor,
Fica comigo
Até tudo virar suor
E as lágrimas
Preencherem toda promessa
Que eu tiver feito,
Fica comigo
Até o escuro
Ir embora,
E o sereno do luar
Se misturar
Ao meu pranto,
E eu não for
Mais que promessa
De amor e encanto,
Fica comigo
Até tudo ficar nítido
E nosso suor
For sinfonia
Para os sonhos
Que sonharmos juntos.

Solitário e Satisfeito

Solitário em meu quarto,
Eu recordo os beijos,
Penso se há alguém
Que eu queria aqui,
Mas, antes de escolher,
Chamar qualquer nome
Eu imagino
Que estou bem melhor aqui,
Sozinho e satisfeito.
Sombras projetam-se,
Vozes interiores me convencem,
Lembranças que vem
Tão nítidas
Não me fazem desejar
Não estar tão bem.
Me arriscar a companhias
Nem tão boas,
Não, eu fecho a janela,
Deixo a lua
A vagar lá fora,
Me sirvo de uma sopa
Bem quente,
E puxou um livro,
Esqueço qualquer
Outra coisa,
Estou satisfeito,
Tenho tudo que preciso
Tão perto
Que acho
Que jamais
Precisarei chamar alguém.

Eu estou Ok

Não estou só,
Porém, não há outro aqui,
O que posso fazer,
Sorrir?!
Eu estou louca,
A lua perambula
Lá fora e projeta sombras
Na minha parede,
Então, penso
E se eu tivesse alguém?
E se eu estivesse com alguém?
Está noite poderia
Ser diferente,
E eu deitaria em minha cama
E nós poderíamos falar
Sobre o passado
E nos divertir
Enquanto a lua anda
E eu fico por aqui,
Mas, busco um nome
Um rosto,
Um alguém,
Tento definir
E não há alguém
Que eu gostaria aqui,
Pensando bem,
Estou feliz,
Sentindo-me segura,
Protegida contra
O que tiver vagando
Lá fora,
Eu acho que nunca
Serei este alguém
A vagar
E isto basta,
Mas, me sinto triste,
Parece que há algo
Que falta,
Mas, me realiza
A certeza
De não precisar
Ir tão longe,
Buscar tanto,
Pra ver que o que tenho
É suficiente,
Então, busco meu travesseiro
E nada de pranto,
Só desenhar sombras
Na parede é suficiente,
Eu não estou a vagar,
Estou sozinha,
Está certo,
Mas, estou segura
Em meu quarto.

domingo, 14 de junho de 2026

Me Leva

Meu bem,
Eu bebi demais,
Vem me buscar,
Dirigir para mim,
Eu preciso voltar
Pra casa,
Está tarde demais,
Eu bebi todas,
Está tudo rodando,
Não consigo dirigir
Um palmo sequer,
Aliás,
Nem sei onde soltei
As chaves.
Se você puder,
Por favor,
Vai até a casa
Dos meus pais
E pega as chaves reserva,
Eu bebi pra caramba,
Estou solta no banco
Do carona
E tentando por as chaves
Na ignição,
Sei lá,
Depois de ela ter
Caído em algum lugar
E um cara buzinar
Muito por minha porta
Estar aberta,
Eu descobri que bebi
E bebi pra caramba,
Depois ele ficou irritado
Saiu do carro dele
E disse:
Garota, o que você faz aí
Com a porta aberta
Alguém vai passar rápido
E vai arrancar sua porta.
Eu o olhei assustada,
Ri alto
E disse:
Nossa ainda bem
Que não estou no banco
De trás!
Aí ele ligou seus faróis
Bem alto contra meu rosto
E foi embora,
E eu fiquei aqui
A meia luz e aturdida,
Vem me buscar,
Estou no bar da avenida,
Bem no início,
Com uma garrafa de champanhe
Entre os lábios
E talvez, uma chave
Entre os dedos.
Vem logo,
Trás a reserva
E me leva pra sua casa,
Eu bebi demais
Pra ficar sozinha
Uma noite inteira.

Contrato a Termo

Tenho a te propor
Um contrato,
Um contrato de amor,
Você assina,
E eu lhe doo
Um terreno com casa,
Então, me entenda,
Você me respeita
E o termo para a doação
É que você aceite
Ter comigo um filho.
Me compreenda,
Meu bem,
Não é compra ou suborno,
É contrato a pulso firme,
Você fica comigo,
Nós temos o filho,
Eu lhe doo a propriedade
E você nos respeita
Mesmo de longe.
É um contrato proveitoso,
Eu tenho 35 anos,
Já sou velha,
Mas sonho ser mãe,
Me ajuda,
Você faz o filho comigo,
E leva a propriedade
Para presente.
É tão pouco,
Um filho vale muito mais,
E um sonho
Não tem preço,
Aceita fazer este filho,
Por favor.
Eu não quero ser destas
Que passa uma noite juntos
E acorda grávida,
Por favor, me entenda
Eu prefiro a concordância expressa,
Eu sei,
Você não me ama,
Nem me conhece tanto,
Mas, a propriedade tem valor,
E em troca você me dá
O filho,
Só uma noite,
Meu amor,
Fazemos o filho
E nos tornamos amigos,
Só isso.
Assina, por favor,
Realiza este sonho comigo,
Minha felicidade
Depende disso,
Um filho é meu maior sonho,
Meu auge
E você terá uma propriedade
Onde descansar
E se realizar como homem.
É uma doação a termo,
Você faz o filho,
E nos respeita
E ninguém irá te importunar.

Vamos Voltar

Você tem um pouco
De combustível,
Eu tenho um carro velho
E tive que trocar a bateria,
Então, se você viesse
A gente podia encher
O tanque e sair.
Sair por aí,
Passear, curtir,
Bem, eu não sei ao certo
Você é afim de mim
E eu dirijo um pouco,
Seria decidir-se hoje
E o quanto antes.
Vamos sair,
Sair para curtir
Aproveitar as estrelas,
O frio nebuloso noturno,
É junho e a cidade
Está um pouco adiante.
Bem, estou formada
E não consigo trabalho,
Estou endividada
E quero fugir
Para longe daqui,
Você pode nos trazer combustível
E seguimos para o mais
Longe possível.
Pretendo voltar
Para minha cidade anterior,
Lá todo mundo me conhecia,
Está certo,
Mas, aqui é distante demais,
Caro demais,
Eu gastei tudo que fiz
E fiz pouco demais.
Você nos traz combustível,
E vamos fugir
Para uma vida nova,
Meu pai está velho,
A mãe foi embora,
Vamos cuidar da terra
Do velho,
Plantar grama,
Criar gado,
Vamos voltar para
Minha cidade anterior,
Eu me cansei de não ter emprego,
E o salário ser tão pequeno,
Vamos ser independentes,
Trabalhar pra gente.

Um Princípe