segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Pequena árvore, grande amor

No início desejei cuidar
Meu quintal,
Então,  plantei uma árvore, 
Ela estagnou,
Não cresceu ou frutificou.

Nisto passou um ano,
Então,  decidi cuidar dela,
Podar pequenos galhos,
Servir água, 
Fiquei mais perto
E atendi pequenas necessidades, 
O resultado foi inacreditável:
Agora ela cresce até três metros
Por ano,
Ganhou proporções estratosfericas,
Seu tronco engrossou,
Veio sol, chuva e vento
E nada nela sofreu perdas. 

Ela é uma simples árvore, 
Se você pensar desta forma
Imagina o quanto você será capaz
De agir positivamente 
Sobre uma pessoa,
Mudar seus hábitos,
Cuidar de sua saúde, 
Estar perto é influenciar, 
Influenciar é ter alguém, 
Ter alguém é ver o tempo passar
E tudo mudar
E você nunca estar sozinho,
Ter alguém é vida
E quanto mais vejo
Aquela árvore se fortalecer
Com tão pouco tempo
E cuidados
Mais vejo o quanto sou capaz
De atuar sobre uma pessoa, 
Tranforma-la
E transformar-me.

As pessoas mudam, 
Amizades se fortalecem
E amor não se esquece
Nem morre.
Cuidei do meu quintal 
Ele me ensinou a cuidar 
Da minha alma.

domingo, 16 de agosto de 2026

Até que seu Irmão nos Separe

 -Não sou capaz de suportar.

Disse Gercica,

Juntou poucas coisas

Pôs na mala e saiu de casa.

Escolher as ruas

Talvez tenha sido uma escolha ruim.

Quando iniciou a chuva

E ela a via escorrer pela janela do ônibus

Pareceu uma ideia péssima.


Optou pela casa da tia

Que morava distante da família,

Dois dias dentro de um ônibus

E estava lá,

Em pé com chuva escorrendo

No rosto em frente a grande porta

De vidro fumê

Com um estranho louco

Digitando no interfone

Sem saber se permitia

Ou não sua entrada no prédio.


-Alô, a Gercica?

Indagou uma voz envelhecida

Do aparelho.

-Sim, uma moça de mala

Nas mãos e chuva na cara.

Fez-se silêncio e a tia respondeu:

-Mais nada?

E ele confirmou.

-Mais nada.

-Permita a entrada,

É minha sobrinha.


O homem a olhou com os olhos arregalados

E fez sinal para que entrasse,

Lhe mostrando o elevador.

- Andar quinze, 

Sala 1151. 

Ele falou.

Ela saiu da chuva com a roupa encharcada,

E tremendo de frio.

Tinha poucas roupas na mala,

Seu corpo tremeu violento

Assim que entrou no saguão

Do prédio,

Seus pais deveriam estar preocupados...

Provavelmente estariam...


(Dois dias anteriormente).

-Não filha,

Se você deseja algo de mim

Terá que trabalhar

E conseguir por conta própria.

Disse o pai falando seriamente.

-Mas mãe, eu trabalho

Tanto quanto a senhora

Lhe ajudando a limpar a casa.

Ela falou olhando logo

Para o rosto da mãe.

A mãe pegou a chaleira 

De água quente e jogou

Na direção dela no assoalho.

-Faz pouco,

Muito pouco.

Respondeu a mãe.

-Mas pai sempre que te ajudo

Eu não escolho um emprego remunerado

Mas mereceria um salário...

O pai não a deixou encerrar a frase

A pegou pelos ombros e chacoalhou

Com força enquanto dizia:

-Te pagar?

E a comida que você come?

E a roupa que você usa?

E os gastos que você me dá?

Você não acha que lhe dou o suficiente?!


Depois disso ele pegou 

O controle remoto da televisão

E aumentou o volume do programa

Que assistia.

Gercica levantou-se do sofá

E foi para o seu quarto.

-Os filhos dos vizinhos ajudam

Muito mais e ganham muito menos.

Ih, você faz muito pouco

Na sua época meu pai não precisava trabalhar

Eu fazia tudo por ele

E quando recebia o dinheiro

Entregava nas mãos dele,

Você ganha muito dinheiro,

Muito...


Depois de pegar uma xícara de café,

ele insistiu em alto tom de voz:

-Com certeza, Marcian ele deve estar namorando,

Se eu pego você andando por aí

Com algum macho eu mato você

E o teu vadio sem vergonha,

Você acha que alguém que se envolver

Com ela irá prestar?

Ele indagou a sua mãe que disse:

-É certo que não,

Com certeza é um bêbado

Jogador de baralho,

Um vadio drogado ruaceiro.


Seu irmão rio alto da sala,

-Se eu descobrir que é eu conto,

E ajudo a matar ele,

Esfolamos ele a pau.

Ele gritou rindo com gosto.

Gercica se recostou na parede

E chorou e cansou de ter 

Apenas a parede para companhia

E amizade,

Quis alguém em quem confiar,

Odiou seus quinze anos,

Desejou com toda a alma ter dezoito

E poder sumir dali,

Ser independente era um sonho distante

E muito ambicionado.


Então, pegou suas coisas

E não disse nada para ninguém

Pulou a janela depois de jogar 

A mala fora e foi,

Seguiu escuridão a dentro 

Andando a esmo pela estrada

Sem enxergar um palmo

e sem desejar ver nada,

Só queria distância.


Distância que se tornou distante

Pois logo calejou os pés

E andou cada vez mais devagar

Deixando os pais próximos demais,

Se eles sentissem sua falta

Poderiam pegar o Fusca e vir atrás dela,

Se a encontrassem fugindo

Poderia lhe custar caro,

Muito caro.


O pai costumava bater nela

De chicote de couro,

E a fazia sangrar e gritar,

Ele tinha prazer em ver ela implorar

Perdão e estar diminuída 

Aos seus pés.

O pranto em seu rosto

Era o orgulho de seus braços,

A energia com que vibrava de dor

Era a honra de seu punho de couro

E nenhum remorso.


Ela sentia medo dele,

Tanto quanto o amava,

Mas, quanto mais ganhava idade

e o ouvia mais o medo 

Se tornava maior até que

Uma espécie de repulsa a fazia

Rejeitá-lo.

Ela odiava os fuxicos da mãe

Sempre tendenciosos.

Seu rosto vermelho e riscado

Falava alto sobre a violência

Com que a mãe lhe considerava.

Mãos de fero e ódio.


(No prédio onde morava a tia).

-Oi tia, vim visitar.

Ela disse soltando a mala no chão.

-Ótimo entre.

Deixe a mala no quarto da frente.

Ela foi até lá

E a soltou no chão,

Pegou uma toalha no roupeiro

E saiu porta a fora para a sala

Secando os cabelos.

-Choveu muito.

A tia a olhou feliz

E a abraçou.

-Choveu sim.


O esposo de sua tia foi conivente

Com sua estadia no local,

Logo Gercica passou a fazer

Os serviços domésticos

Enquanto a tia era caixa de supermercado.

Certa data o tio voltou antes do trabalho,

Trancou a porta,

Invadiu o quarto onde Gercica estava

E a jogou contra a cama,

Instante em que a obrigou a fazer

Sexo com ela.

-Que prazer eu tenho

Em possuir você,

Sua danada!

Ele falou.


Ela chorou arredia,

Sentiu medo da tia.

Logo foi fazer um pudim

E deixou água entrar 

E o doce estragou.

A tia tirou o chinelo

Dos pés irritada e bateu

Contra sua mão.

A menina chorou arredia

Sentada na mesa

Recostada a parede.

Outra vez não lhe restava 

Mais que a parede para conforto.


Mas calou-se.

E o tio insistiu em cada vez

Estupra-la mais e mais tempo.

Gercica no período da tarde

Acabou indo para a praia caminhar,

Fez amizade com um grupo

De jovens que frequentava o local,

Foram todos juntos 

Tomar café no supermercado

Onde a tia trabalhava.


A tia engravidou,

Gercica encontrou um namorado,

Um surfista de dezessete anos.

-Vamos frequentar a aula Gercica,

Vamos se formar e conseguir

um bom trabalho para morarmos juntos?

Ele insistia abraçado a ela

Sentados na areia enquanto

A água do mar tocava a ponta

De seus pés e voltava.

-Não sonho em me formar.

Ela respondeu.

-Vamos Gercica,

Vamos nos formar juntos,

Depois da escola podemos

Ter outra vida

Onde nos formamos na faculdade

E nos tornamos doutores.

Ele disse.

Gercica o beijou no cabelo.

-É muito tempo para esperar

Para ser chamado de doutor,

Respeito não é questão de título.

Ela disse,

Ele a abraçou mais forte.

-Meus pais vivem bem,

Você sabe,

Vamos abrir uma loja de roupas

E seremos administradores,

Dono do nosso estabelecimento comercial,

Para isso não precisamos esperar nada.

ele insistiu,

A beijando e deitando ela na areia,

Depois fizeram amor ali,

Enquanto o sol baixava

E seus amigos riam alto

E lhes jogavam areia sobre suas roupas,

Pois eles não ficaram nus.


-Estão transando!

Disse um.

-Estão transando, sim!

Gritou outro.

E começaram a empurrar-se

Para a água,

Então quatro amigos deles

Mergulharam por entre as ondas,

Até se tornarem pequenos pontos

Dentro do mar azul 

Para só então retornar

Com o pôr-do-sol sobre seus cabelos.


Um deles retirou sua garota

Nos braços da água,

E a pediu em namoro:

-Pamela, me beija e fica comigo?

ele gritou olhando no rosto dela.

Ela o beijou com um sorriso 

Nos lábios e ondas de sol

Nos cabelos negros.


-Joaquim, não me beija

E sai de perto de mim.

Gritou o outro amigo 

Para o amigo ao seu lado.

-Sai fora cara,

Eu sou homem.

O outro respondeu lhe dando

Um soco fragil no ombro.

Depois, ele correu até a barraca

Que vendia bebidas na praia

e comprou uma bebida alcoolica

Para todos.


A noite chegou e os pegou desprevenidos,

Dormiram todos abraçados,

Com o céu límpido logo acima

De suas cabeças e tão distante.

Gercica soube ao chegar em casa

E encontrar sangue no chão

Que sua tia caiu no assoalho

De encontro com a parede e

Perdeu o filho.


Depois de servir chá para ela 

Na cozinha ela descobriu

Que o tio encontrou uma amante

E foi dormir fora,

E ainda que ele pagava um apê

Para ela morar

E que lhe deu um carro,

A tia zangou-se,

Se trancou no quarto 

e ligou para ele ameaçando

Jogar-se da janela,

Ele voltou irritado para a casa,

Encontrou os boletos do aluguel

E do carro que pagava 

Para a estranha, sua amante

E irritou-se.


- Vanessa, eu quase sinto ódio de você!

Ele gritou enquanto esmurrava a porta.

-Abra esta porta,

Eu sou seu marido!

Ele gritava do lado de fora

Do quarto,

enquanto empurrava a porta

Para abri-la.

-Não abro, Rogerson e irei me matar.

Ela gritou da janela.

-Não seja louca,

Você só tem eu nesta vida,

Seus pais morreram faz três anos,

O que você quer?

Que eu te odeie?

Ele gritou.

-Não, você já me odeia.

Você me trai!

Ela gritou,

Saiu da janela e bateu na porta

Com força como se esmurrasse ele.

-Eu odeio você!

Ela gritou aos prantos,

Depois trêmula voltou 

Para a janela de vidro

Que estava aberta

E uma brisa fria de inverno

Fazia a cortina branca balançar.


-Você me odeia?

Quem não sabe disso?

Você nem me satisfaz e 

Quando busco outra para me ser suficiente

Você quer que eu a trate mal

Como trato você?

Você acha que minha namorada

De dezoito anos trabalha?

você esta louca?

Velha de quarenta.

Ele gritou e chutou a porta

que abriu-se languida e barulhenta

Se chocando contra a parede.


-Não, não se aproxime.

Ela gritou sentada na janela aberta.

-Você é louca?

Você esta vestida de noiva?

Ele indagou em pé,

Incrédulo a vendo de branco.

-Nós nunca nos casamos

Mas eu comprei o vestido.

Ela disse babando e chorando.

-Sim, nós nunca marcamos a data.

Ele disse,

Mais calmo.

-Não marcamos a data?

Você nunca quis marcar.

Ela gritou apontando o dedo

Para o lado dele.

-Eu não quis,

Nem você.

ele respondeu e foi até a cama,

Sentou-se e retirou o sapato.

-Deite na cama,

Vamos transar.

ele disse.

-Você ainda me ama?

Ela indagou.

-Certo que a amo,

Senão, eu não estaria aqui.

ele respondeu se deitando de lado,

E batendo sobre o lençol de seda branca

Para que ela se deitasse.

-Eu tomei remédios para morrer...

Ela falou se ajoelhando

No assoalho nas costas dele.

-Eu não acredito.

ele respondeu se sentando.

-Eu preferi a morte

a perder você...

Ela falou aos prantos

Secando o rosto na camisa dele.

-Você é doente.

Ele respondeu a afastando.


Depois ele chamou uma ambulância

E foi com ela para o hospital

Onde ela passou a noite,

Na madrugada eles retornaram

Para o prédio,

Depois ele saiu irritado:

-Eu vou trabalhar,

Não posso perder o trabalho,

Precisamos pagar o condomínio

E as dívidas.

ele disse.

-Mas, nós não iremos transar?

ela indagou.

Ele voltou da porta

E tocou nos braços dela,

Depois se ajoelhou e a beijou,

Então transou com ela

Frenético e irritadiço.


Logo que ele saiu ela 

Tentou ir ao banheiro 

E não resistiu,

Caiu no chão vomitando,

Depois sangrou até a morte do filho,

Ou seu nascimento prematuro, enfim,

Sangrou o filho.


-Tia, precisa ir para o hospital.

A garota falou com uma xícara de chá

Entre os dedos,

Vendo a tia sorver calmamente seu chá.

-Acabei de sair de lá,

Não há nada  que me ajude.

-Mas qual é o problema tia?

-Seu tio tem uma amante

E se eu não for capaz de manter

Um filho em meu ventre ele irá me deixar.

Ela respondeu secamente.

-Mas, se ele for embora

É porque não a ama.

-Você não entende,

Estou a vinte e cinco anos casada

Com ele,

Eu não sei viver sozinha,

Eu quero um filho.

-Se acalme tia, por favor.

Gercica disse,

Se pondo em pé e a abraçando.


A tarde o tio voltou mais cedo sorrateiro

Como sempre fazia,

Mas, desta vez sua tia estava em casa,

ele não a respeito,

Adentrou no quarto de Gercica

E transou com ela outra vez.

Ao sair para o corredor

Gercica se deparou com sua tia

Em pé próxima a sala 

Segurando uma xícara de café entre os dedos.


Ela teve um sobressalto,

Firmou o olhar para a tia

Que lhe sorriu amarelada.

-Acabamos de transar de volta.

Ela lhe disse.

-Que bom.

Gercica respondeu

E foi até o banheiro tomar banho.

-Seu tio está dormindo,

Não faça barulho.

A tia pediu enquanto batia

Na porta do banheiro.


Gercica saiu a noitinha ver os amigos

Na praia,

Levou pipoca e chá 

Numa garrafa térmica.

Desta vez, haviam duas garotas novas

E todos tinham companheiras.

Os cinco casais foram andar

De barco no mar,

Enfrentando as ondas e bebericando

O chá.

-Podíamos nos casar.

Disse um deles.

-Podíamos todos nos casar

No mesmo dia.


Os pais de Gercica estavam desesperados

A sua procura,

Colocaram anúncio nos jornais,

Na televisão e no rádio.

Nada chegou até ela

Que permaneceu calma.

Então, um número de telefone novo

Começou a ligar no seu celular,

Com mensagens de carinho,

De fé e de amor.

Logo uma fotografia chegou

E mostrava um rapaz lindo,

Ela tardou marcar o encontro,

Mas, marcou,

Chegando lá se tratava de seu irmão.

-Peguei você fugitiva.

Agora se quiser ficar longe de nós

Terá de pagar bem caro.


Ele foi irredutível,

Gercica passou a lhe mandar dinheiro,

Mas, não contou onde estava,

ele a seguiu e contou aos pais.

Seus pais invadiram o local

E quebraram tudo,

Depois a tiraram para fora

Lhe dando cintadas e berrando

xingões bem alto.


De volta a sua casa

Ela não tinha como ver o namorado,

Então, retornou aos estudos,

E do colégio fugia para ver seu namorado.

Seu irmão marcou encontro com ele,

E fez todos os fuxicos que pode,

Logo, para zombar dela

ele marcou um encontro entre o namorado

Da irmã e uma garota do colégio,

Gercica ficou alarmada

Ao vê-lo sentado no mesmo lugar,

Abraçado a outra garota.


Seu irmão ria sem parar

Tomando um drinque na barraca

De bebidas,

Ela chorou,

Mas se calou.


No colégio Alfredo lhe pediu

Para acompanhá-la até a praia

Com um grupo de amigos dele

Como sua convidada.

Ela aceitou, fizeram os quilômetros

Até a praia de van escolar.

Dentro da van todos a chamavam

De namorada de Alfredo e o apelido pegou.


Alfredo dirigia a van,

Eles alugaram uma casa para ficar

Em três casais.

Logo Gercica dormiu com Alfredo:

-Então, você é dono da van

E trabalha levando alunos para a aula?

Ela indagou na cama com ele.

-claro,

Eu trabalho sim,

Sou dono sim.

Ele respondeu.

-Você mora aonde?

Ela perguntou.

-No centro, numa casa

Que comprei logo que iniciei

O trabalho de motorista.

ele disse.

-Esta certo.

Ela respondeu.

-Eu amo você.

ele falou lhe beijando os cabelos.

-Eu também.

ela respondeu.

E engravidou naquela  noite mesmo.


Ao amanhecer,

Bem cedinho o irmão lhe acordou

Com a notícia de que

ele não era o dono da van

Apenas trabalhava como motorista

E não tinha casa própria,

Pagava aluguel para os tios da esposa,

E ele já era pai.


Gercica odiou seu celular

e o jogou no fogo da lareira.

-Então, você já sabe de tudo?

Alfredo indagou do batente da porta.

-Sim, meu irmão contou.

-Vi que você se irritou.

ele disse enquanto entrava

E chegava perto dela a abraçando.

-Sim, não quero mais celular

Nem esta coisa toda...

-Compreendo.

disse Alfredo beijando ela

E a conduzindo até a cama.

-Mas eu amo você

E quero muito nosso filho.

-Eu também.

Ela respondeu.

-Você só tem quinze anos.

Alfredo disse.

-Você tem dezesseis.

Gercica continuou.

-Você pode trabalhar de cobradora.

Alfredo falou,

Se referindo a ela trabalhar

De cobradora da passagem do ônibus.

-Seria bom,

Assim você não iria me trair.

ela respondeu.

-É claro que não,

Nunca.

Ele disse a beijando suavemente.

-Mas e sua esposa,

E o filho que você já tem?

Ela indagou.

-Resolvemos isso mais tarde.

ele respondeu.

-Vamos pensar em nós,

E darmos um tempo para o resto,

Vamos aproveitar a viagem

Até a praia.

-Esta certo.

Gercica disse.

Se abraçando a ele.

-Nesta altura seu irmão já contou

Tudo para a minha esposa.

No caminho eu vejo o que faço,

Ela deve estar muito irritada.

Alfredo falou.

-Provavelmente.

Gercica disse.

-Talvez seus pais descubram logo

Que você está aqui comigo.

Alfredo disse com um tremor

No corpo e abraçou fortemente Gercica

Dando uma olhadela para a porta

Do quarto que estava fechada.

domingo, 9 de agosto de 2026

Amor de Boca a Boca

Duas vezes por ano
Ocorre o tradicional baile
No município de Jardinópolis,
E o alvoroço das garotas
E garotos é completo,
Na escolha de roupas,
Maquiagens e nomes,
Porque baile sem ter
Aquele nome especial
Para você buscar e
Se apaixonar na mesma noite,
E, talvez, esquecer no amanhecer
é baile sem novidades.

E Janaina estava completamente
Apaixonada por Almir
Via-se em seu olhar arredio
E distante sempre a buscar
Notícias dele pelos corredores
Da escola, 
Isso lhe rendeu atrasos
Na entrada das aulas,
Mas, conseguiu lindas fotografias
Dele com amigos no rio
Nadando e jogando volei
Dentro da água.

Essas fotos foram parar
Nas paredes de seu quarto,
Instante em que beijava
Uma a cada noite
E sonhava com este grande baile
Onde finalmente se aproximariam,
Ele estudava na oitava série,
E ela ainda na sexta.

Duas salas separavam-nos
E muitos de seus amigos
Que o rodeavam a todo instante
Rindo e fazendo piadas
No intervalo
Além daquelas garotas bonitas
De salto alto e saia curta.

Janaina preencheu muitas páginas
De seu diário a sonhar com Almir,
Colou suas fotografias,
Imaginou cenas onde beijavam-se,
Para isso, 
Em cada dia ela beijou
Um garoto diferente na escola,
Dentro do ônibus escolar,
Nos corredores,
No bainheiro escondido
E, por fim, perdeu completamente
A timidez e passou a beijar
Os colegas de sala,
Dentro da sala de aula,
Em plena aula.

-Cuidado Janaina,
Logo você beija todos
Os colegas da sala.
Lhe disse a professora
Chamando sua atenção,
Enquanto ela ganhava
Cada vez mais experiência
No ato e se nutria de autocinfiança
Para o grande baile,
Da grande noite,
Quando, finalmente, pediria
A Almir um instante a sós
Com ele para beijá-lo
E ser sua,
Completamente sua.

Ela já podia sentir o beijo
Em seus lábios que estremeciam
Mediante a ideia do contato físico.
Ele não lhe resistiria,
è certo que não.

Porém, logo a professora
De português lhe retirou
Dos devaneios ao lhe jogar
Um apagador de quadro negro
Cheio de giz contra a sua roupa
Interferindo no beijo que dava
No colega Aurivan
Com um ímpeto de raiva:
-Professora, o que é isso?
Ela indagou de susto,
Afastando sua cadeira da
Do garoto e chacualhando
O casaco negro sujo de branco.
-Vocês estão desrespeitando
A aula, você são menores 
De idade é proibido beijarem,
Por quê fazem isso?
Ela esbravejou nervosa
Apontando o dedo contra
O rosto de um e de outro.

O rosto de Aurivam ficou marcado
De vermelho,
Ela realmente feriu ele irritada.
-Professora o que é isso?
Foi só um beijo!
Ele falou alto
E se levantou da cadeira
Num gesto ligeiro
Assustando a professora
Que se afastou como se levasse
Um tapa no rosto.
-è proibido beijar,
Eu irei comunicar a orientação
E chamar os pais de cada um.
Ela falou.

Depois tentou sair para fora
Da sala,
Momento em que Janaina correu
E se pôs na frente dela,
Em frente a porta fechada
Impedindo sua saída.
-Negativo professora,
Negativo.
Você não sai dessa sala,
Dê sua aula normal 
E nos respeite,
Nos dê liberdade de viver,
Experimentar e ser...
Ela gritou.

-Janaina, por favor,
Me deixe sair.
A professora revidou.
-Não, não deixo.
Ela disse de ímpeto
Apontando o dedo contra
A professora.
-Está certo,
Vocês querem ser independentes,
Mas, então, respeitem minha aula.
Não é momento de beijar,
De namorar ou o que for,
Vocês precisam aprender o conteúdo.
A professora falou
E foi até sua mesa
Onde ficou sentada
Lendo um livro de aula.

Janaina se pôs a voltar
Para a sua mesa,
Então, a professora levantou
E tentou sair outra vez,
Janaina correu até ela
E a segurou pelo braço
Dizendo:
-Professora, não me obrigue
A má educação,
Eu sou livre 
E você não poderá me impedir.
Ela disse.
-Janaina, você sempre foi 
Tão educada,
Você era minha melhor aluna,
Por favor, vamos conversar,
Me diga o que houve?
Ela indagou retirando 
A mão de Janaina de seu braço.
-Não houve nada professora.
A garota respondeu.

-Por favor, não mude assim
Por um garoto,
É cedo demais para você obedecer
A estímulos que te reduziram
Como pessoa,
Pois te retiram do foco
De estudar e crescer financeiramente
E profissionalmente...
A professora disse,
E virou-se para sua mesa.
-Janaina você sempre foi
Tão esforçada, 
Seus pais são simples,
Eles precisam de você,
Estude por eles
Para ajuda-los,
Você é madura,
Não entre em desenlaces
Que te desencaminham.
A professora insistiu.
-Pelo seu bem,
Eu irei me calar,
Apenas para você 
Não desistir da aula.

A professora disse
E a aula continuou
com Janaina sentada
Ao lado da mesa de sua colega
E distante do rapaz.

O grande dia do baile chegou,
E os sonhos estavam se deslocando
Do imaginário para a realidade.
Todos se reuniram no grande salão
De músicas gauchescas,
Desde os munícipes até pessoas
De cidades vizinhas.

Almir foi chamado para beijar
Janaina por uma amiga dela,
Mas, recusou,
Janaina irritou-se e invadiu
A roda de amigos dele
E o beijou ali mesmo
Tocando nele de maneira invasiva
E íntima,
Logo ele saiu para fora
E a chamou.

Ela correu até ele,
E ficaram namorando
No escuro atrás do salão.
Fizeram sexo,
E Janaina ficou grávida.
Aurivan irritou-se por procurar
Por Janaina e não encontrá-la,
Mas, aproveitou e transou
Com duas colegas no banheiro masculino.

Passado o baile,
Almir buscou beijar Janaina
Na sala e também nos intervalos,
Os professores se irritaram
E informaram os pais de ambos
De sua atitude.
Os pais de Janaina muito irritados,
Bateram contra o rosto dela
De chinelo para marcar
E mostrar sua reprovação.

Ela passou a tarde toda
No bainheiro vomitando
E Almir foi afastado do colégio
Por estar sendo ofensivo 
Com relação a Janaina
Que tinha ainda treze anos.
Ele foi obrigado a mudar
De colégio e os professores
Proibiram beijos e atitudes
Relacionadas a sexo entre alunos
E menores de dezoito anos.

Chateada pelo afastamento de Almir
Janaina nunca contou que o filho
Que esperava era dele,
A criança nasceu,
Nunca conheceu o pai,
E foi criada com êxito pelos pais
De Janaina e por ela.
Aurivan fez muito esforço
Para assumir a criança,
Mas, ela nunca aceitou.

Mesmo com a proibição
Os beijos continuaram a ocorrer,
e também os encontros,
Porém, de maneira mais escondida,
Onde um grupo de amigos
Cuidava as aproximações
Enquanto um deles beijava
E namorava o outro colega
E até mesmo alguns adultos
Que entravam no colégio
Com desculpas do tipo
De buscar livros na biblioteca
Ou concertar algo no colégio.

Quando os professores descobriam
Os pais eram avisados,
E Janaina sofreu uma diversidade
De repreensões antes de ter o filho
E após.
Somente aos quinze anos ela assumiu
Um relacionamento com um colega
De escola da série seguinte a dela,
O Aurivanio.

Neste relacionamento escondido,
Pois foi proibido pelos professores
E aceito pelos pais dela,
Que conheceram Aurivanio
E o admiraram muito,
O filho de Janaina, João,
Foi estuprado.

Ela tardou a descobrir,
Mas, certa vez, 
Retornando ao quarto
Onde deixou a criança
E o namorado juntos
O flagrou tendo relações
Com o filho,
ele beijou intimamente a criança
De três anos e 
Comungou o ato sexual.

Janaina abriu a porta 
Que, por descuido, ele deixou aberta,
E pulou irritada contra ele,
Seus pais não estavam,
Ele a empurrou e esbofeteou
Seu rosto.

-Eu deixo de você,
Se você contar para alguém
E você será para sempre
A mãe solteira que ninguem quer.
Ele gritou
E saiu seguro de si.
Ela se jogou perto do filho
Na cama e chorou abraçada a ele.
-Eu nunca terei namorados,
Filho, eu juro!

Mas, logo novos namorados vieram
E ela continuou mantendo segredo
Sobre a paternidade de Almir.
Que, vez ou outra, ela o via
Passeando de carro em frente ao colégio.
Os outros namorados de Janaina
Não foram diferentes,
Então, ela passou a cobrar favores deles
Por instantes com a criança,
Triste de si mesma,
Já que todos os homens eram iguais
E não queriam esposa,
Queriam filhos e prazer,
Só isso.

Também recebeu dinheiro
E assumiu namoro público,
Onde o namorado saia com a criança
Para tomar sorvete
E ter momentos de intimidades.

João cresceu e se tornou irritadiço,
Um dia, conversando com a mãe
Descobriu seu diário embaixo
Da cama, as fotos do pai,
E obteve a confissão escrita sobre ele,
Almir era seu pai.

Consternado ele buscou um advogado
E exigiu ser reconhecido como filho,
Irritado, tentou se aproximar de Almir
Fazendo declarações de sentimentos,
As quais não foram aceitas,
E enviou fotos eróticas dele
Para o próprio que recusou 
E as entregou ao delegado local
Para procedimento específico.

Janaina foi chamada a depor
Na delegacia aos vinte e dois anos,
E dar explicações sobre as liberdades
Do filho tão jovem,
Tudo que ela fez foi responder 
Ao questionário que o delegado
Lhe fez e chorar,
Depois tomou o celular da criança
E excluiu sua conta da rede social.

O depoimento de João foi retirado
De maneira amigável,
Por um psiquiatra,
Tão logo foi descoberto 
Que o garoto era vendido
Como objeto sexual,
Também foi descoberta a 
Paternidade do menino.

Um exame de DNA foi exigido
E almir assumiu o filho
E também o levou morar com ele.
João se tornou violento,
E ao visitar a mãe
Ganhou de presente uma arma,
A qual escondeu e instruído 
Por ela atirou contra Almir,
Atentando contra sua vida.

Nem isso, fez Almir irritar-se
Com a criança,
Mas, o obrigou a afastar
Completamente a companhia
De Janaina do garoto.
Almir relacionava-se com uma garota
Da cidade vizinha,
A Tagiana,
a qual sempre foi próxima
De João,
E cozinhava e frequentava
A casa de Almir regularmente.

-Você acha difícil conviver
Com meu filho?
Indagou Almir na cozinha
Quando os dois faziam o pão.
-Não, eu o amo como meu próprio
Filho.
Tagiana disse.
-Eu pensei em nos casarmos,
Eu adoraria que você vivesse conosco.
Tagiana soltou o pão
Que estava sovando,
E correu até Almir para abraçá-lo
Enlaçando seu pescoço
E beijando seus lábios.
-Casar-me é meu maior sonho!
Ela disse.

-Ele é ainda uma criança
Tem treze anos,
Eu gostaria tanto de faze-lo feliz.
Você soube que Janaina está no presídio?
Almir indagou.
-Sim, e eu não acho vergonhoso
Você ter se envolvido com ela
Tão jovem,
E a história ter sofrido
Um desfecho tão trágico,
Eu quero estar perto de você
E do menino e ajudar vocês,
Eu sonho em ser mãe,
E você não é menos merecedor
Que qualquer um dos garotos solteiros
E sem filhos que vivem
Pelas ruas bêbados e drogados.

Tagiana disse,
Completamente envolvida
Pelo olhar de Almir.
-Obrigado, meu amor,
Mas, eu gostaria de te pedir
Que não use drogas,
Por favor, do contrário
Eu terei que me afastar.
Ele falou enquanto
A segurava firme pela cintura.
-Por... por quê você diz isso?
Ela indagou confusa.
-Porque eu achei droga
Dentro do meu carro
E eu não uso isso,
Então, só pode ter vindo de você.

Ele falou e a puxou
Para o seu peito.
-Eu posso ser gentil
E te perdoar,
Mas se você insistir
Teremos um fim imediato.
Ele falou enquanto acariciava
Seus cabelos.
-Ta bom, mas, antes que a
História se repita: 
Eu estou grávida
E quero que você saiba
E participe da minha vida.
Ela falou em seu peito.
-Ta bom.
Ele respondeu.
-Eu não estava preparado
Para essa notícia,
Mas, está perfeito,
Agora é só você morar com nós.

Tagiana conseguiu trabalho
Como secretária numa loja
De imóveis,
E Almir continuou sendo secretário
Do corretor de seguros da cidade.
Ambos passaram no vestibular,
Contudo, Tagiana escolheu
Uma universidade distante de sua cidade,
E mesmo grávida iniciou suas aulas,
Enquanto Almir se dedicou
A uma faculdade pela internet.

Tagiana escolheu direito,
E ficou realmente incredula
Quando recebeu a ligação 
Desesperada de Almir informando
A ela que seu filho
Foi encontrado no banheiro
Massageando o próprio pênis
Com outros quatro garotos
De sua idade.

-Não se preocupe, meu amor,
Eu vou até a escola resolver
O problema e acompanhar
Isso de perto.
Tagiana disse.
-Eu não acredito, meu amor,
Estou tão feliz e orgulhoso
De você por isso.
Almir respondeu.
-Eu te amo, minha vida
E João também é meu filho.

Chegando na escola,
Tagiana foi recebida
Por João com um tapa no rosto,
Seus avós maternos
O procuraram na escola
E ao ver ele lhes disseram
Que Almir e Tagiana 
Tomaram João de suas vidas
E o esconderam deles,
Os deixando doentes,
E sofridos pela ausência.

-Eu odeio vocês,
Odeio você que não é minha
Mãe e também meu pai,
Eu vou morar com meus avós,
Eu juro,
Custe o que custar,
Eu já busquei um advogado
e ele irá cuidar de tudo para mim.
O menino gritou no corredor,
Enquanto chorava
E agredia Tagiana.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Amor Antigo

 Então, um antigo amor ressurge

E pede perdão,

Eu não me alicerço nisso,

O tempo passou e ele ficou,

Nem os anos o fizeram esquecer,

Por que teria de me prender

A erros que evidenciei

E puseram um fim no que vivemos

Se estar com ele agora

Nos faria bem,

E me daria amor?


Amar não é estar presa,

Alegações não são fatos,

Dizeres não são promessas,

Falações não guiam boatos,

Ele disse perdão,

E eu não pergunto o que faço,

O perdoo e pronto,

Finalmente podemos estar juntos

E viver um amor antigo

Que adormeceu

Mas nunca apagou a chama

Que se derrama sobre nós dois.

Aprendi

Eu aprendi a ser forte,

A sorrir mesmo sofrendo,

Mas, preciso aprender

A perdoar os erros,

Esquecer o passado,

E me entregar ao amor.


O amor não é ser forte,

Não é escolher a dor,

Amar é entregar-se,

Sorrir em cada instante

E não se prender 

Ao que faz sofrer.


Odeio esta mania

De querer aparecer,

Estar em evidência,

Buscar aclamação e plateia,

Chega de aprender a ser forte,

Quero aprender a amar

E perdoar todas as vezes.


Se no caminho eu tiver alternativa

E sempre existe,

Vou buscar a opção sorrir,

Ser feliz,

Estar com quem amo

E me quer bem,

Sai dessa de sobreviver,

Viver a esmo,

Ser forte em todas as vezes.


Eu quero mais é cair,

Despencar sem razão,

E ter alguém em quem

Me alicerçar sem me preocupar

Se estou sendo forte,

Fraca ou louca,

Quero beijar na boca,

Amar com todos os motivos,

Me entregar em cada carinho,

Ter sempre um abraço

Escondido no meu caminho,

Ser forte é para as otárias,

Eu quero mais é ser acariciada,

Amada e valorada,

Sem essa de estar por cima,

Escolher o caminho de vitória,

Prefiro amar sem perder,

Ganhar sem sofrer,

Beijar sem querer,

Estar porque faz bem.

E Sê Der Certo?

 Camline chegou ao cemitério,

Fez o sinal da cruz,

Abriu o portão e entrou.

Tudo estava desorganizado

Parecia ter chovido

A pouco tempo

Haviam vasos com flores mortas

E até vazios jogados 

Por entre as lápides.


Uma lágrima desceu

Por seu rosto sereno,

Ela então, juntou de vaso

Em vaso e os separou

Um canto,

Retirou as flores mortas

E as jogou do lado de fora,

Espalhando a terra sobre a terra,

E os que estavam feios

Ela os plantou nos arredores

Para que Deus se incumbisse

De que viessem.


Sempre há uma alternativa

Para a vida

E ela faria o possível

Para que a vida brotasse

E as flores florissem,

Então, as regou usando 

O próprio vaso e uma sacola

Plástica que estava no local.


Depois separou os vasos vazios

Com o intuito de levá-los para casa

Para reutilizar,

Juntou cada plástico,

Cada sujeira e os separou 

Para levar na lixeira

Que se localizava a poucos metros

Do cemitério,

Mas, que inexplicavelmente

Era evitada.


Foi até a lápide de seu irmão

E limpou-a usando um balde,

água limpa, detergente e um pano.

Sentia tanta afinidade 

Com aquele lugar

Que poderia limpar cada canto,

Cada lápide, cada casa daquelas

Em que se preocupavam tanto

Em pintar e pôr flores e esqueciam

De pôr fotografias do falecido

E o próprio nome,

Só estava definido o nome

Da família bem grande 

E uma data de nascimento e morte.


Como na cidade,

no cemitério as pessoas também

Gostavam de enfeites,

De mostrar as diferenças,

De construir até alcançar o céu,

Enquanto uns mal tinham

Um lugar no chão e uma cruz de madeira,

Sem nome, 

Sem foto,

Sem família,

Só uma data,

Depois disso:mais nada.

A madeira apodrece tão cedo

E leva a vida,

As memórias,

O lugar em que se deixou

Este alguém que fez a diferença

Lá nas ruas e nas construções,

Um bom pedreiro,

Diarista, servente, 

Agora um indigente,

um corpo não definido

E um rosto vazio,

Que teria poucas velas,

Pouco choro,

e talvez, umas garrafas

De pinga no seu redor.


Regado no alcool conforme

Fez em vida,

E nada melhor que a pinga

Para remover a memória,

A dor,

A vida,

O nome e o lugar

Onde um dia a pessoa

Teve para onde voltar.


Camline limpou tudo,

Olhou cada anjo desenhado,

Cada lápide afundando,

Cada calomgo de terra se elevando

Com uma cruz apagada nele,

Cada casa que crescia 

E tomava proporções que com certeza

Esta família deve ter desejado

Ter em sociedade,

E trabalhava arduamente para manter

A postura, rigor e idealismo.


Retirou flores secas,

Soltou-as para o vento,

E lá, quando retirou as rosas vermelhas

De plástico de Rehan as cheirou,

Há oito anos elas foram guardadas

Nesta lápide, 

E ainda não viraram pó,

Eram quase de tecido,

Tinham um cheiro bom,

Talvez fosse o de seu irmão,

Talvez não,

Quando seu namorado Rehan 

As deu ela logo viu onde

Se localizariam perfeitamente.


O namoro terminou,

As flores ficaram

E Rehan nunca veio com ela

Ao cemitério,

Algumas flores ao serem retiradas

Viraram pó e era difícil 

Leva-las para a lixeira,

Alguns vasos quebravam

E se consumiam.


O tempo se encarrega de tudo,

De tornar tudo poeira

E solidão que faz esquecer

e tenta apagar.

Leva vozes e sorrisos,

rostos e abraços,

Fica a dor,

Um vazio que consome,

Um suspiro que não se contem

Por muito tempo.


O tempo levou Rehan,

Camline soube disso

Através de uma caixa de supermercado

Que saiu chorando deliberadamente

Quando o supervisor lhe informou

Que o rapaz sofreu um acidente

De carro e não resistiu

Aos ferimentos de quebraduras expostas,

Sangue e dor.


Ele estava embriagado,

Dirigia com um corpo de wiski

Entre seus dedos,

E uma garrafa ao lado,

Estava sozinho lhe disseram,

Isto, Camline e todo o redor

Dos funcionários duvidaram,

"Não, ele estava com garotas,

Isto é fato,

O sexo e o alcool levaram sua vida

Depressa demais,

Aos vinte anos."


Camline limpou os olhos,

Soltou a salada que iria comprar,

E soluçou o soluço dedicado

Aos mortos por eles terem partido,

É quase mais soluçar uma dor

Por quem irá sentir a perda,

Porque Rehan lhe fez mal

Em seus instantes de bebedeira.


Sua vida de relação com ele

iniciou-se num encontro fortuito

Num restaurante badalado da cidade,

Ela marcou pela décima vez

com um homem diferente

Tencionando conhecer um namorado

Através da internet.


Mas, lá da entrada

Ao ver um homem tão feio

Sentado na mesa combinada,

Ela tirou o suéter,

Prendeu o cabelo,

Correu para o banheiro

Remover a maquiagem

E não se aproximou de vergonha,

Na internet o rapaz era lindo,

Perfeito, ali estava um rascunho

De tudo que o photoshop fez por ele.


Ela não teve estômago

Para aturar um homem tão abjeto,

E nem para resistir ao cheiro

De comida tão cheirosa

E de aparência deliciosa.


Logo se aproximou de uma mesa

onde um jovem moreno,

de cabelos negros e fartos

Estava sentado sozinho

E pediu aconchego.


Explicou do encontro

E de seus motivos íntimos

Para desistir,

E as mesas estavam todas

Repletas de pessoas,

Ela não identificou o rapaz,

Mas, pediu licença para sentar-se

Com Rehan.


Ele sorriu,

A permitiu de imediato,

Pedido os pratos,

Ele exigiu que ela pagasse a conta

Por ter de aturá-la ali,

Ela chateou-se jogou o guardanapo

Sobre a mesa em tom de repulsa,

Ele sorriu convidativo,

Se desculpou,

Pagou ambas as contas

E exigiu que ela aceitasse

que ele a conduzisse para casa

Como cortesia e pedido de desculpas.


Ela não soube o motivo,

Mas sentiu-se tonta,

Talvez, por efeito do vinho

Que bebeu com ele,

Pois, sentiu-se fraca

E terminou aceitando o convite,

Ou assim acreditou,

Porque ele a ergueu da mesa

Passando seus braços

Por seus ombros 

E a carregou para fora 

Dizendo frases desconhexas:

"Você é linda,

Me apaixonei por você

Desde o primeiro instante,

Te darei minha vida".


E quando ela deu-se conta

Estava sentada no carona

do carro dele,

E depois disso o viu remover

O zíper de sua calça,

Depois a calça,

A calcinha e então toda a roupa,

E logo se viu nua 

Sentada no colo de Rehan.


Ela gemia de prazer,

Chorava por algo

Que não saberia dizer,

Talvez dor,

Talvez insegurança,

Talvez medo,

"afinal, quem é Rehan?"

Se viu se indagar em silêncio.


Quando acordou estava

Deitada na cama com ele,

Que se  movimentava 

Sobre seu corpo nu em frenesi

E muitos gemidos.

-O que está acontecendo?

Ela se viu indagar

Quando sua cabeça foi puxada

Para o peito dele.

-Agora você é minha namorada!

Ele respondeu sorrindo.

-Não sou não.

Ela respondeu e se afastou.

-Claro que é, 

veja a aliança em seu dedo,

Você mesma colocou 

Durante a noite

E chorou de alegria.

ele disse com movimentos

Contínuos de sexo e beijos sedentos.

-Ah, não lembro disso.

Ela continuou um tanto tonta.

-não lembra?

Você tirou foto de nossas mãos unidas

Usando alianças,

Escreveu uma frase de amor

E postou na sua rede social.

Ele disse.

-Sério?

Mas sempre sou tão discreta.

Ela continuou.

-Sério,

você falou de amor e tudo.

Ele insistiu.


Ela buscou o celular

Que estava sobre a cômoda

e notou a fotografia 

De duas mãos enlaçadas,

Duas alianças e uma frase boba.


-Somos namorados.

Ele disse,

E saiu de cima dela

Juntando uma toalha 

E indo para o banho.


Os encontros entre ela e Rehan

foram sempre fortuitos e inesperados,

As vezes, ele a buscava no trabalho,

Outras vezes ela saia de casa

Logo pela manhã e via seu carro

Estacionado na esquina,

Como se estivesse esperando-a.


Sempre regado a bebidas e cigarros,

Algumas vezes ele usava drogas,

De comprimidos jogados no copo

De bebida e de pó

Que ele soltava sobre a barriga dela

e aspirava até não restar nada,

Soltava também sobre sua mão,

Sobre o painel do carro,

E seguia.


Ela sentia-se seguida por ele,

As vezes, imaginava que isso

Nunca teria fim,

Então, procurou um ginecologista

e buscou um anticoncepcional

Para não engravidar dele,

Mesmo estando com 33 anos

e tendo o sonho de ser mãe,

Evitou o sonho a todo custo.


A igreja da cidade

ficava próximo a sua casa,

Conforme a rua que pegasse

Para ir para o trabalho

Passava por ela,

Chorava soluçante,

Mas, não conseguia marcar a data

E levar o relacionamento adiante.


Bebia pouco,

Não usava drogas,

Fumava algum cigarro esparso.

Mas, um dia Rehan a vendo 

Sair para ir trabalhar

Acelerou o carro com toda força

E jogou sobre ela,

alegando que tinha encontrado

Outra garota,

Muito melhor que ela

E que não queria saber mais dela.


Camline sofreu escoriações severas,

Dor e vergonha da vizinhança,

Mas logo adaptou-se

Com a ausência de Rehan

Que sempre buscava os lugares

onde ela frequentava para passar

Por ela com algumas garotas,

Muitas bebidas,

Sorrisos no rosto,

E drogas.


Camline o odiou,

Denunciou isso na delegacia,

Mas nada amenizou o ódio.

Por isso, ficou muito tempo

Sem buscar novo relacionamento,

Mais de anos,

Sem ter encontros, beijos, abraços,

Carinhos ou sentimentos masculinos,

Apenas a abstinência e o exílio 

Lhe restou.


Dirigia por toda a cidade sozinha,

Parava na praia olhar a areia,

Ver as estrelas noturnas,

Mas, sempre sozinha,

Não conseguia deixar um novo

Homem entrar em sua vida,

Mas, ao saber da morte de Rehan,

Um sorriso lhe brotou na face,

Então, saiu para fora do mercado,

Viu um homem sozinho

Na direção de um carro estacionado

E pediu a ele uma carona;

-Para onde?

Ele indagou.

Ele era um sujeito gordo,

Flácido, de rosto enrugado,

Cabelos brancos e esparsos,

E isso lhe gerou um sentimento

De carinho inexplicável,

Então, ela pegou em sua mão

Sobre o volante e disse:

-Para um motel,

Vamos ter algumas horas

De sexo voluptuoso e delirante,

Eu preciso de você.


O homem a encarou de sobressalto:

-Precisa de mim?

ele disse, ligando o carro

E virando a volta para sair

Do estacionamento rumo a rua.

-Sim, por favor!

Ela disse sorrindo,

Retirou a calcinha e

Levantou a saia curta que usava.


Ele logo introduziu o dedo

em sua vagina e sorriu,

Camline suspirou satisfeita:

-Faz muito tempo que não faço sexo,

Eu não sei,

Agora penso que sempre esperei

Você me dar uma chance.

Ela disse sem jeito,

tocando em seu braço forte.

-Que ótimo,

Poderemos passar boas horas juntos.

ele usava uma aliança no dedo,

Camline não quis perguntar 

sobre isso,

Mas, a notou.

A voz dele era grave e violenta,

ele dirigia muito bem,

Sem solavancos,

Sem desvios,

E tinha lindos dentes brancos

No rosto quadradinho

E lábios rosados e cheios.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Josmar, Te amo

 Se eu te dissesse

Quantas noites insones

Eu passei a te esperar,

Talvez, você desacreditasse.


É uma ilusão,

um sonho doce assim,

Esperar até o dia nascer,

Até o sol ir,

Só pra te ver sorrir,

É uma ilusão

Um sonho tão doce assim.


Se apaixonar no primeiro encontro,

E não querer nenhum outro homem

Que não seja você

E seu sorriso gentil,

Seu olhar doce e dono de si,

Dono de mim,

Dono do nosso tempo

E do meu sentir.


Eu sei que lá na rua,

Logo passará uma motocicleta,

Eu reconheço pelas luzes,

Depois vem uma van atrás dela,

É tão distante de mim,

Mas cuido cada carro,

Cada luz,

Cada cheiro

E o que mais me traga você.


Oh, poxa, que sonho bom

Reconhecer você vindo,

É um gol no alto do campo,

um passo inesperado,

um sonho guardado, 

Um esperar que não cansa

E me faz tão bem,

vem Josmar, vem.


Eu vejo meu dedo ansiar

Por nossa aliança,

Meu coração palpitar

Por mais um beijo,

Até mesmo aquela estrada

Jurar que não quer carro algum

Se tiver a luz do seu olhar,

Oh, Josmar, me diz

O que você faz

Que te mantém distante,

Meu mar,

Meu céu azul de estrelas,

Minha lua a brilhar,

Meu sol que refresca,

Me beija,

Me beija,

Me beija,

Seu beijo me deixa no bar,

embriaga e louca,

A te esperar,

Não é ilusão,

É amor, vem Josmar, sim,

sonha comigo outra noite,

Deita comigo e fica até o amanhecer,

Oh, que sonho dormir cedo

e não precisar posar acordada

Por ter você comigo,

Josmar,

O que há entre nós?

Te amo,

Te amo,

Te amo.

Pequena árvore, grande amor