quinta-feira, 2 de julho de 2026

Nos 37 anos

 Nos 37 anos

A gente acorda madura,

Não se importa com filhos,

Não implora amor,

Não rejeita oportunidades

Que valham a pena

E sabe interpretar

Qual vale.


Nos 37 anos

A gente não chora,

Não sente fraqueza,

Já possui maturidade

Para enfrentar as dificuldades.


Nos 37 anos

A dor precisa ser

Mais forte

Para nos causar

O mesmo vazio

Que antes.


Não é qualquer grito

Que acoa,

Não é qualquer voz

Que se interpreta

Como se não fosse

Um latido,

Não é qualquer frase

Que causa infortúnio.


Nos meus 37 anos

Você não me causa efeito,

Se queria que eu sofresse

Deveria ter empregado

Maior esforço,

Se pensou que eu iria derreter,

Saiba que não sou de gelo,

Se acreditou que não iria me perder,

Saiba que não vivo em pranto,

Sofrer não me causa contento.

Adeus

A chuva causa frio,

O cobertor não tem

Seu calor,

Você está arredio,

Não sei por que,

Mas me deixou.


Tão forte e sonoro

Foi seu amor,

Me vendo no seu trabalho,

Me pôs para fora,

Me rejeitou.


O amor foi lindo

E nada proibido

Enquanto esteve na cama,

Entre as paredes do quarto,

Você de aliança,

E eu de vento no vestido curto,

Ótimo,

Frio, vergonha e medo

Se espelham em  meu rosto

E nenhum de seus beijos,

Hoje ou nunca,

Acabou então,

Que bom que descobri cedo

O tanto que você fingiu,

Ignorou minha dor,

Me feriu.

Seus colegas estão rindo,

Eu não,

Mas, o frio vai fluindo,

E eu esqueço você,

Não choro ou fujo,

Te dei oportunidade 

De escolha e você optou

Por me erradicar

De sua vida,

Perfeito, 

Estou indo embora.

Separados

Cai a chuva lá fora

Como caem as lágrimas,

Sem força,

Sem fazer barulho,

Só caem pelo telhado

E fazem frio.


Queria não ter

Meu rosto molhado,

Não sentir tanto vazio,

Estar com você

Ao meu lado,

Não sentir este medo

De te perder.


Medo que treme o corpo,

Aperta o peito,

E deixa sem diálogo,

O medo me deixa distante,

Já não sei se te quero

Como antes.


Cai a chuva

E vertem as lágrimas,

O frio é companhia,

Você faz falta,

Mas, não tanto

Que me faça

Te querer de volta.

Namoro

Eu gostaria de não morrer

De ciúmes

Sempre que você some,

Queria entender

Que trabalho não rouba

O amor da gente,

Que colegas 

Não são tão eficientes

E que quando um homem

Decide ficar

É porque ele não quer outra.


Queria entender

Que ninguém namora

Com a ideia de trair,

E que posso

Te esperar lá fora

Para fazer um lanche

E você não se retrairia

Ou enjoaria de mim.


Estar namorando

É o objetivo comum,

Mas, você entra no trabalho,

Some lá dentro

Por entre aquelas garotas

E eu penso:

Poxa, será que ele está fugindo?

Se eu ligar para ele

Só um pouquinho

Ele será demitido?


Ta bom,

Eu entendo,

Tenho que controlar

Minhas vontades

E não ficar aqui no carro

A te buscar de janela a janela

Em busca do seu olhar.


Um olhar serve

Para arrematar a saudade,

E me convencer

De te esperar,

Amar não é pegajoso,

É bonito e causa 

Vontade de ficar junto,

Você concorda com isso

Ou eu estou ultrapassando

Seus limites de amor,

De namoro ou caso fortuito.

Expediente

É difícil quando

Você ama muito

E precisa ficar longe,

Por pouco tempo,

Mas cada instante

É tão intenso

Que estar longe

Destrói muito.


É difícil separar-se,

Aceitar que oito horas

Passam rapidinho,

Que o trabalho

Não toma o amor da gente,

Que se tudo der certo,

Ocorrer direitinho,

Logo fora do expediente

Nós estamos juntinhos.


Eu não me importo

Em te esperar lá fora,

Levar um lanche rápido,

Te olhar a distância,

Mas, meu amor

Se houvesse um jeito

De fazer o tempo

Passar rápido,

Eu gostaria que voasse

Cada segundo

Que você não estivesse perto.

Te Amo

Eu rejeitei ele,

Depois mudei de ideia,

Eu nem sei porquê,

Juntei uma sesta de flores,

Frutos e livros

E fui até ele.


Bem, eu perdi,

Ele me rejeitou

Deu a resposta

A tudo que fiz,

No trabalho

Em frente aos conhecidos

Eu fui ignorada.


Não é problema,

Errar é humano,

Deixei tudo lá

E dei o fora,

Agora sempre que passo

Por esta empresa,

Também não sei porque

Eu levo sempre comigo

Uma flor 

E deixo lá com seu nome

Se ele odeia tanto faz,

Se gosta eu penso

Que um dia saberei,

Mas, não peço para ver

Apenas deixo lá 

Com seu nome,

Mas, uma recusa dessas

Na frente de todos

É vergonhosa,

Porém, nada que

Não se possa superar.

O Eu te amo é livre,

No eu também

É que está a dificuldade.

Adeus

Eu moça pobre,

Ele Coronel da polícia,

Se achou grande chefe,

Subiu no coturno

E me acertou no meio.


De salto,

Eu senti o solavanco,

Com uma sesta de flores,

Frutas e livros 

Nos braços

Você me deixou a esperar,

Me ignorou em público.


Eu sou boa para a cama,

Na minha casa,

No meu quarto,

Mas sou inferior

Para o seu Batalhão,

Onde você trabalha

E é reconhecido 

Eu sou rejeitada

Por você próprio,

O que é isso?

Que degrau você subiu

Que te deixou rico?

Ignorante e submisso,

Diga adeus a esta idiota

Que um dia desceu do carro

Para te convidar

Para dar uma volta.

Nos 37 anos