terça-feira, 29 de setembro de 2026

diploma

Não parece
Que a formação universitária 
Exige tanto de você,
Da sua mente,
Da sua capacidade,
Do seu caráter. 
Você se cobra por anos 
Estuda feito louco
E quando chega o diploma 
Precisa descansar um pouco
E buscar aquilo para quê 
Você se empenhou tanto.
Aí vem os desencargos,
O não dar certo,
As dificuldades que a cadeira escolar
Não te mostraram,
E as facilidades 
Que um bom
E mal pago estágio 
Te proporcionaram.
No desespero
Você pensa que para o outro
É mais fácil,
Mais simples,
Mais corriqueiro.
Mas não,
É difícil seguir com maturidade,
Estar a par do erro e evita-lo,
Estar tentado ao sucesso
Por meios sórdidos 
E afasta-lo.
Preferir o anonimato de estar certo
Ao invés dos holofotes 
Daqueles que fazem 
Do ganho ilícito 
O meio de crescimento.
O diploma é árduo 
E o após ele também,
Preparar-se e não desistir
É o que traz o sucesso.

Preparar

Eu tento desacelerar
Não me irritar,
Não implicar,
Não buscar sempre
Manter tudo no controle,
Pois me indago:
Que controle?
Da vida?
Das coisas?
Do tempo?
Ora, mas o tempo urge,
Corre e cavalga
E eu feito uma louca
Em busca dele
Tentando parar as horas,
Por quê?
Pra tudo ocorrer conforme,
Conforme o quê?
Se nesta busca desregrada
Eu perco os atos,
Grito as palavras
E tudo dá errado
Onde me vejo
A chorar desvairada
E a ouvir o que não desejava.
Desejos,
Segredos,
O tempo... por que
Quero controlar tanto?
Ora, esta certo
Eu te amo
E o quero comigo
Já perdi tanto
Então, finjo não o ter
Ou o obrigo?
Obrigar a que?
Me amar como amo você?
Exigência,
Carência,
Competência,
Preparar...
As palavras voam
Em minha mente
E dobram minha língua,
Não a ouça 
Se você for me virar as costas,
Estou sozinha 
E não posso perder você agora!

sábado, 26 de setembro de 2026

Fruto do Amor

Ainda hoje ne perseguem os sonhos,
E quando deito minha cabeça 
No travesseiro e olho meu esposo
Dormindo ao meu lado
Me permito um instante a mais
De olhos abertos e aí vem as imagens
Frescas como nuvens de sereno
Espessas como neblina no luar:
Neste sonho sorrio
Com nossa linda filha 
Nos braços 
E abraço forte meu esposo,
Não quero dormir,
Não quero que um novo dia
Me traga as lembranças 
Mais tardias,
Quando tendo tido
Nosso primeiro bebê 
Escolhi a faculdade
Ecpor isso deixei-o
Sobre o lençol macio
Da cama onde me deitei
E com meu peso o sufoquei
Até o último soluço,
O último palpitar do seu corpo,
A sua última respiração 
Quente sob minhas costas.
Já não doem tanto as lembranças,
Minha mãe disse
Você precisa ser forte
Meu pai disse
Vá para a faculdade 
E meu esposo disse
É cedo demais para nos casarmos.
Eu fiquei com a responsabilidade 
E a dor em cada passo,
Mas, meu esposo me escolheu
E hoje dorme ao meu lado,
Acorda e sorri de olhos vividos
Me pede que tenhamos 
Um filho.
Nosso primeiro ele diz
Eu sorrio, soluço e choro. 
As certezas vem e vão 
Feito enxurrada em dia de verão,
E pôr isso nestas manhãs 
Repenso como poderia
Estar estar está linda menina
Fruto de um amor jovem
E em meus pesadelos eu chamo
O nome de meu esposo,
Acordo e ele está comigo.
Está tudo bem,
Está tudo certo,
Minhas costas estão quentes
E eu posso dormir de novo. 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Lá na Barbearia do Tio Ritsonn

 Confesso que não estava preparada

Nem ao menos disposta

A ficar tanto tempo distante

De você,

Não depois do quanto

Foi bom estarmos juntos

E o quanto desejei que estivesse 

Por perto,

Eu imaginei e reimaginei nós

Milhões de vezes,

E agora sinto apenas o medo.


Bem, mas não guardo ódio

A distância foi escolha sua

E eu concordo.

Tanto tempo se passou

E hoje me pareceu que te vi

Andando pela rua,

Livre e disposto,

Fiquei feliz por isso

E te vi a distância onde

pude perceber que os anos

Chegaram até você

E te fazem sofrer

Tal como foi comigo.


E então, te vi mais humano,

Mais suscetível a erros,

Você parecia, até mesmo,

Estar mancando e lhe vi

Com dor,

A dor que sinto,

Talvez, os planos que tenho,

Quem sabe os sonhos,

E então, outra pessoa

É isso.


Mas, ver você humano

Me deixou mais segura 

E não lhe guardo rancor,

Eu me sentiria péssima

Se te encontrasse recostado

Na porta do carro

Com uma cerveja entre os dedos

E um cigarro a esfumacear

O rosto,

Mas, não.

Você estava normalzão,

Mancando, com seus cabelos escassos,

Barba por fazer na sua opinião,

Pêlos que nem vi,

Necessidades que nem notei,

Mas você estava indo 

Na direção da barbearia...

ok.


Você conseguiu dar um basta,

E foi simples,

Comigo foi diferente,

Eu ainda o imagino comigo

E isso torna tudo difícil,

Você ainda opina 

Na minha mente sobre coisas

Do meu cotidiano

E eu respeito a sua opinião,

Está certo,

Isso é interno,

Na verdade você está distante

E o que houve ganhou um basta.


Eu desejei sorrir

E estar perto de você,

E você seguiu seu destino,

Parabéns,

Eu já posso te ver

E não chorar nenhum pouco,

E você muito mais que isso...

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Cris-ti-a-nooooo

 E aí Cristiano,

Depois de duas tardes de amor

Você se foi,

Sem dizer adeus,

Sem despedir-se,

Cansou-se,

Esqueceu o telefone,

Esqueceu de nós.


Eu sofri muito 

Com isso,

Tento ocupar meus pensamentos

Com o trabalho,

Mas, você me preenche

E sua ausência me enche!


Eu queria socá-lo,

Eu queria gritar ódio,

Mas, não fui capaz de 

Fazer mais que alguns fuxicos

Ao acaso e torcer por nós,

Por favor,

Não fica com outra!

Eu sou tão capaz

De ser boa para nós

E lhe fazer bem

Que qualquer outra garota.


Poxa, eu sou difícil,

Previsível e áustera,

Que droga, 

Você foi tão meigo

E quente que não consigo esquecê-lo

E também não tenho preparo psicológico

Para te ver ao lado

De qualquer pessoa que seja.


Eu prefiro a cegueira,

Eu sinto dor,

A saudade sufoca,

Eu viro uma louca,

Desvairada e irrefreada.

Que faço por nós?

O que me é permitido?

Eu não posso esquecer,

Não sou capaz de fugir

De nós,

Nem de suprir sua ausência,

Por favor volta,

fica comigo outra vez,

Só mais uma,

Ou todas as vezes:

Fica!

Amor ao Acaso

Ela fechou os olhos

Para conter as lágrimas

Que a memória 

Da dor que passou

Ao lado de seu ex namorado

Ainda tinha o dom de causar.


Um simples olhar

Ao acaso

E a lembrança chega

Lhe pega desprevida

E vem a recaída:

Toda a dor dói ainda,

Fere e machuca

Como se o ontem

Fosse o agora,

E o agora nunca 

Pudesse passar.


Desprevenida pegou a bolsa

De cima do sofá

E correu para a rua,

Uma corrida que sua calça jeans

Não poderia frear,

Que a camiseta branca

Não impediria

Nem ao menos se todo 

O pó da rua se apegasse

As suas linhas

E o suor lhe marcasse

A expressão dos seios nus

E fartos a farfalhar 

Por baixo da malha.


De ímpeto cruzou

Para o outro lado 

Da calçada

Quase colidindo num carro escuro

Que cruzava por ela,

Um homem alto e claro

Disse algo inexpressivo.


Ao longe ela viu fumaça

E partiu para ela,

Era estranho ver fumaça

Em plena avenida da cidade,

Mas, seguiu.

Chegando lá encontrou

Uma casa em chamas,

Chamou os bombeiros pelo celular

Com o peito arfante

A palpitar a dor e o medo.


De imediato,

O rosto do seu ex namorado

Surgiu em sua mente

Como uma fotografia

Que não se apaga,

E ela se voltou para trás

Num passo de dor e medo,

Não queria vê-lo

E esta era sua chance

De esquecer toda a dor

Para sempre.


A dor de tê-lo esfregando

Seus dedos quentes

E fortes sobre sua pele

Até marcar de vermelho,

A dor de sentir aqueles lábios

Colarem-se sobre os seus

Lhe pressionando,

E a fazendo desvanecer,

Porque beijos salvam

E outros afogam em dor,

E Doug jamais poderia

Confundir-se com amor,

Ele era possessividade,

Distância e nenhuma falta.


Irritada ela correu para a fumaça,

Jogou o celular na calçada

E adentrou pela porta fechada,

Não ouvia gritos,

Não se importava,

Passou tanto tempo de medo

E dores em segredo

Que sabia que nem toda a dor

Era confidenciada.


A atendente dos bombeiros

Continuou a fazer perguntas estúpidas,

Tal como, ponto de referência,

Se tinha feridos,

Se ela via alguém,

Se o incêndio parecia criminoso

Ou se iria se espalhar pelas casas...


Encontrando a porta trancada

Ela deu um chute com seu tênis

E logo abriu-a,

Em meio ao sufoco da fumaça

Algo fez bem em seu íntimo

E ela seguiu porta adentro,

Chegando lá encontrou um rapaz

E um casal de velhinhos

Desvanecidos sobre o sofá,

Foi simples vê-los,

foi difícil retirar de um por vez.


Quando chamou a vida

Todos responderam no sufoco,

Então, ela correu porta adentro,

No caminho encontrou retratos espalhados

Pelos cômodos e paredes,

Neles não continha tantas pessoas

E a maioria deles

Era preenchido por fotos dos três

O que sugeriu que não haveriam

Outros moradores na casa.


Ela chegou no quarto

E viu tudo em meio ao fogo,

Não havia ninguem e as chamas

Crepitavam para dentro da casa,

Invadindo o corredor

e ganhando a sala e a cozinha,

Alicia correu.


Saiu para fora toda avermelhada,

E abraçou aqueles três

Que estavam entristecidos

Sentados na calçada,

Quando os bombeiros chegaram

Após confundirem a casa em chamas

Com uma próxima que não tinha fogo,

Eles encontraram todos salvos.


O celular estava caído e inteiro,

Alicia o pegou e desligou-o.

Roberto, o rapaz que foi salvo,

Entregou-se ao abraço de Alicia ternamente.

Após o incidente Alicia passou

A ter amizade com a família

Composta pelos pais e o filho

Mais novo.



Como o pai de Alicia trabalhava

Como construtor ele foi chamado

Para refazer a casa,

Muito feliz Alicia foi em cada dia ajudar,

E o rosto de Doug desaparecia,

Aos poucos feito fumaça

Que mata sufocando,

ele tinha esse dom e jamais perderia,

O de sufocar,

De matar abraçando,

De ferir sempre que estivesse

Por perto.


O namoro corria bem,

E Roberto ajudava na construção,

Porém, chegada a entrega 

Da casa pronta,

Os pais reclamaram que o gasto

Foi dobrado e que Antonio 

Fez este furto na ausência

De Damião e Maria aproveitando-se

De sua idade avançada

E do desejo expressivo de Roberto

Por Alicia.


Roberto pegou a Nota Fiscal apresentada

Por Antonio e falou em alta voz:

-Aqui tem gastos excessivos.

O homem muito envergonhado

Correu porta a fora

E chorou descompassado.

-Eu pago.

Ele disse da porta.

-Eu pago o que for de excessivo,

Mas eu fiz o trabalho

Com o melhor equipamento

e materiais, 

Ficou tudo perfeito.


Roberto ficou nervoso

E foi até a porta e pegou

A mão de Antonio com carinho,

-Seu Antonio,

Eu sei que foi,

Apenas reclamei do valor excessivo,

Me perdoe mas nunca vi casa tão cara!

Ele continuou.

-Eu pago.

Antonio disse e saiu.


Roberto preferiu distanciar-se

De Alicia sem dizer nada,

Alicia esperou as ligações,

Enviou mensagens não visualizadas,

E sofreu,

Outra vez Doug tomou seus pensamentos

E desta vez não foi mau,

Ele mostrou tudo que um homem

É capaz de causar:

Dor e decepção.


Então, Alicia conversou com o pai

Para ver como aconteceu a entrega

Das chaves da casa nova,

E soube que Roberto o acusou de furto,

De fraude na Nota Fiscal,

De comprar material por um valor

E cobrar outro...


Alicia chorou,

Fez as malas e pegou o carro

Dirigiu até a casa de Roberto

E chegando lá lhe disse:

-Perfeito!

Eu pago a dívida de meu pai

Com meu trabalho doméstico!

Ela falou ao entrar num rompante

Para dentro da casa.

-O quê?

Disse Roberto.

-Serei a empregada até quitar

Qualquer valor excessivo!

Ela continuou.

-Impossível.

Ele respondeu.

Ela soltou suas duas malas

No chão com barulho e falou:

-Não, vocês sofreram escoriações

E queimaduras graves,

Estão todos tomando remédios

E com dificuldade na mobilidade

Em razão das queimaduras,

Eu faço a comida,

Limpo a casa e tudo que precisar,

Eu não estou queimada,

Nem tenho dor.

Ela encerrou.

-Eu vou até o quarto que estiver desocupado

E deixarei minhas malas lá,

você esta tão dolorido que nem consegue

Por meu carro na caragem,

Deixe lá fora e eu o guardo,

Vocês não possuem carro

Eu os levo para onde for.

Ela disse e seguiu pelo corredor.

-Está certo,

Sentimos muita dor,

Precisamos de alguém,

Mas, seu pai não nos deve tanto...

Ela virou-se para Roberto e encerrou

Pegando no colarinho de sua camiseta

E acariciando perto de sua pele

Sem tocá-la e sem olhar 

Em seus olhos,

Sentia saudade da proximidade,

Falta de seus beijos,

Mas foi mais forte e resistiu:

-Eu sei fazer faxina perfeitamente

E sou ótima na cozinha,

Ninguém irá arrepender-se,

Marque os horários dos remédios

E pendure na geladeira

Eu passo lá e decoro todos os horários

E não haverá erros ou atrasos.


Resistir a primeira noite

Foi díficil

Principalmente vendo a família reunida

E tão feliz no jantar,

Mas Alicia jantou com todos

E não entregou seu amor

De nenhuma maneira.


Depois de lavar a louça

Ela foi para seu quarto,

Abriu a janela e chorou

Sobre o espaldar vendo as estrelas

Brilharem lá fora,

Doug ia e vinha,

Feito um piscar de luz

Que se ascende e apaga,

Dá esperança e morre,

Mas, Doug não é do tipo que desfalece

Ele fere e mata.


Alguns instantes depois disso,

Alicia não rememorou o tempo,

Roberto surgiu atrás dela

Sem pedir permissão e a abraçou,

Depois seus beijos correram

Por seu corpo como se fosse o luar,

E Roberto é do tipo que faz sonhar,

E seus beijos são irresistíveis

Naqueles seus lábios roseados,

E fartos cheios de desejo

E algo de afeto de sua língua rosa

De palavras doces 

E sonhos alucinantes.


Em meio a penumbra do quarto

Roberto era o que havia 

De extraordinário,

Com sua pele alva de frio de inverno

E um calor irreconhecível,

Feito lava de vulcão que surge

Do nada e ganha seu redor

Enquanto enche de vida,

Seus carinhos são chamas vivas

De amor e desejos irrefreados,

Seu cabelo com aquelas entradinhas

De calvície enegrecidos por um tinta

Do tipo esquecida em algum canto,

Tinham a maciez e o encanto

Da noite que brilhava lá fora,

E incendiava seus olhos vivos,

Abertos e expressivamente escuros.


Seu corpo másculo e viril

Eram a chama viva

Que deixava Doug muito,

Muito longe e insignificante.

Quando Roberto a abraçou,

Ela sentiu que foi mais que um abraço,

Mais que desejo,

Ou pele a pele,

Ela foi tomada de si mesma,

De seus medos e erros,

E entregou-se para ele,

Como se fosse a única chance,

O único beijo,

O único instante,

Uma bala afiada e atirada

Rápida e segura contra Doug

E todo o mal que sua lembrança

Continha e a vivência lhe fez

Num passado que se apagava

No sereno frio do inverno,

Através de um homem alto 

E poderoso em seus carinhos,

Seguro de suas atitudes

E alcance.


Ela fez amor com ele

Ali mesmo na cadeira,

Sentada em seu colo,

E o dia amanheceu ensolarado,

Como o sorriso de Roberto

E seus dentes brancos 

E bem cuidados...

Convidativo,

Encantador,

Seguro.


Em cada noite dormiu com Roberto

E isso não lhe fez mau,

Mediante o conhecimento que ganhou

Sobre ele  e sua família

Logo percebeu que o erro referente

Aos valores não se devia a eles

E foi investigar.


Chegando lá na loja de materiais 

De construção descobriu que 

A fatura era dupla,

ou seja, seu pai havia sido contratado

Para fazer dois serviços ao mesmo tempo,

E enquanto ele trabalhou para Roberto,

Seu irmão e funcionários se dissiparam

E se dividiram entre ajudar

Na construção da casa de Roberto

E de outra propriedade.


Isso explicava os valores,

E os cheques assinados demonstravam

Os valores pagos,

Ela retirou um xerox de cada um

E descobriu que o pagamento

Ocorreu de maneira correta,

Contudo a NF se referia a todos

Os materiais colhidos lá na loja.


Nem a família de Roberto,

Nem a outra pagou dobrado,

Pois a NF se referia ao trabalho de Antonio,

E deveria ter sido tirada em seu nome,

E não no nome da família de Roberto.

Chocada ela apresentou a ambas

As famílias no jantar 

Os cheques com os valores específicos

E a confusão que a loja cometeu

Com relação aos materiais.


As famílias ficaram felizes

E brindaram ao noivado

Que ocorreu no mesmo instantes,

Por Roberto levantou-se 

E ergueu o copo de suco

Pedindo a Alicia para casar-se

Com ele,

Alicia não resistiu

Levantou de sua cadeira

E foi até ele para abraçá-lo,

Dizendo sim.


-Eu fico tão feliz

Por estar tudo resolvido,

Sou o homem mais completo

Do mundo!

Roberto disse.

domingo, 13 de setembro de 2026

Encontro na Mira

As treze horas da tarde,
As flores que caíam 
Da grande árvore amarelo
Se acumularam no chão 
Feito um tapete de seda
E fios de lã. 

Alicia contemplava
Da sacada do prédio 
Enquanto flores ganhavam
A vista feito um véu 
Que se estende a sua frente 
Tomando a imagem
E colorindo o asfalto negro,
Isso carros parados no acostamento
E os prédios inteiros,
Bordando seus acabamentos. 

Nisto, um Cadillac preto
De contornos dourados
Passou pela rua estreita,
Dirigido por um homem clássico,
Moreno, de tez baixa, olhos abertos
E redondos e escuros
Para o horizonte,
Lábios rosados unidos
Num semblante esbranquiçado 
Feito a roseira branca
Que iniciava seu desabrochar 
No canteiro a direita da calçada
Vagaroso e absorto em pensamentos,
Tão puro e íntegro 
Quanto caloroso e convidativo.

Alicia olhou para a amiga Karla
Que tomava seu mate doce
De leite, canela, coco ralado 
E hortelã e esbravejou:
- poxa! Um homem tão lindo
Passa pela nossa rua
E não nos digna o olhar?
Ela disse,
Dando um safanão no banco
Branco de ferro e almofadas
No qual estavam sentadas.
- petulante demais!
Karla respondeu,
Tocando a bomba do chimarão 
E apertando como se estivesse
Tocando o homem e o retirasse
De seus devaneios.

- será que seu ego é tão grande
Quanto seu pênis?
Alicia gritou e correu até 
A grade da sacada 
Levantou um pé sobre ela
E levantou a camiseta
Deixando seus seios a mostra,
Balançando-os entre as flores
Que caíam. 

Imediatamente, ele freou 
O Cadillac e parou no meio
Da rua olhando para ela
Assustado,
Com seu semblante sereno
Olhando só para ela,
Sua boca abriu-se lentamente,
Deixando a vista sua língua 
Rosada e perfeita
Num convite inevitável 
Ao beijo.

Ela não resistiu,
Pulou da sacada e foi
Até a janela dele,
Envolvendo seu pescoço 
E o puxando para um beijo
Terno, doce e apaixonado. 
O peito dele pulsava quente
Sob a camisa branca,
Suas pernas bambeavam
Para próximo das mãos de Alicia,
Que as tocou com força 
E possessividade.

- venha, vamos para o meu ape.
Ela pediu para ele,
Alguns carros passavam
Por eles que ainda se beijavam
E buzinaram com seus motoristas
Irritados, 
Um deles passou muito perto
E então, lhe levou a mão 
Até as nádegas apertando 
E falando palavras ofensivas
A sua dignidade feminina:
- gostosa, entre aqui vou te comer!

Alicia esquivou-se para o lado
Do carro colidindo seu corpo
E se ferindo na lataria.
-aí me desculpa,
Este rapaz está me tocando
E eu não o conheço.
Ela falou para o lindo homem
Que beijava,
Depois se virou para o outro
Estranho que estava com o carro
Marrom glace colado a ela.
- eu não tenho conheço,
Para!

Ela falou irritada
E bateu na mão dele.
- o que você acha que é?
Você está quase transando
Com este homem na rua,
Você irá me falar ou te matarei!
Ele disse extremamente irritado.
- o quê?
Nunca!
Ela falou vermelha de vergonha.

É certo que seu ato
De pular a sacada 
E desejar tão ardentemente 
Um estranho foi errado,
Mas ela não o obrigou a nada 
E agora se aproximava um sujeito 
E tentava força-la ao ato sexual.

- ele é seu amigo?
Ela perguntou se voltando
Para a janela aberta 
Onde estava seu estranho desejado,
Os lábios dele extremeceram
E ela o tomou num beijo tórrido. 
O sujeito do carro ao lado
Se impertigou e retirou uma arma
Que tinha no bolso
E apontou contra a sua cabeça:
-canela, me chupe agora!
Ele disse.

Alicia levantou as mãos 
Para o alto em tom de rendição 
E se virou para o outro homem,
De perfil alto, olhos claros
E lábios vermelhos. 
Então, o beijou plácida 
E imperturbável. 
- eu não estou excitada por você,
Posso beija-lo a tarde toda
E não será como beijar um instante 
O outro que tanto desejei
E vim atrás dele. 

O homem riu alto,
E limpou o suor da testa
Usando a arma que tinha em mãos. 
- vocês são amantes há muito tempo?
Ele indagou.
- não, eu o vi agora,
Eu juro.

O loiro puxou a cabeça dela
Até seu pênis sobre a calça,
Alicia não resistiu a sua beleza
E masculinidade e o beijou 
Tórrida e voraz.
- vadia gostosa,
Ele é esposo da minha filha.
O homem falou.
Alicia estremeceu e o chupou.

Quando levantou o corpo
O outro homem estava 
Fora do carro, 
Ela não resistiu a beleza dele
Outra vez, então,
Roçou seu corpo contra o dele,
E o acariciou com força 
Até que ele a puxou 
E a penetrou ali mesmo
Na rua. 
Com carros buzinando atrás dele.

Seu pênis viril e quente
Latejava em seu corpo,
Como uma flor que desabrocha
E guarda todo o seu pecado
E ego esplendoroso dentro dela.
A polícia chegou logo atrás,
Ele virou-se para a frente 
E fechou o zíper,
Alicia apenas organizou 
O calção pois ele só foi 
Puxado para o lado
E nem foi retirado 
Ou aberto o zíper. 

A viatura parou,
Dois homens abriram a porta
E se posicionaram com as mãos 
Esticadas para a frente 
E a arma em punho
Escorados sobre a viatura,
Olhar sério e compenetrado 
E disseram:
- vocês estão presos
Por estarem fazendo algazarra
No meio da rua impedindo 
A passagem.

Alicia levantou as mãos 
Para o alto e fingiu 
Que enroscava elas na camiseta
E a puxou junto para cima, 
- nós não fizemos nada!
Ela disse e soltou a camiseta.
Os dois homens riram
Um parado outro 
E o loiro saiu também do carro,
Levantou a mão direita
Para o alto com a arma engatilhada
E atirou nos dois policiais
Com dois tiros certeiros.

Eles caíram no chão 
Feito uma almofada imóveis 
E sangrando com as armas caídas.
- vagabunda, eu vou te matar. 
Eles disseram enquanto
Tateavam no chão
E gemiam de dor.
- que medo!
Alicia disse.
- entre na sua casa!
O loiro falou.
- vai pra lá 
Que nós voltamos. 
O moreno disse.
Então, ela beijou o moreno
E correu até o loiro,
O beijou e depois foi para o ape.

Sua amiga Karla
Continuava tomando chimarão 
Na sacada sem dizer nada.

diploma