Espalhe Amor
Pela eternidade ou por uma pulsação? Por tempo suficiente para tocar o coração! (Aline Oliveira Mendes de Medeiros)
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Pequena árvore, grande amor
domingo, 16 de agosto de 2026
Até que seu Irmão nos Separe
-Não sou capaz de suportar.
Disse Gercica,
Juntou poucas coisas
Pôs na mala e saiu de casa.
Escolher as ruas
Talvez tenha sido uma escolha ruim.
Quando iniciou a chuva
E ela a via escorrer pela janela do ônibus
Pareceu uma ideia péssima.
Optou pela casa da tia
Que morava distante da família,
Dois dias dentro de um ônibus
E estava lá,
Em pé com chuva escorrendo
No rosto em frente a grande porta
De vidro fumê
Com um estranho louco
Digitando no interfone
Sem saber se permitia
Ou não sua entrada no prédio.
-Alô, a Gercica?
Indagou uma voz envelhecida
Do aparelho.
-Sim, uma moça de mala
Nas mãos e chuva na cara.
Fez-se silêncio e a tia respondeu:
-Mais nada?
E ele confirmou.
-Mais nada.
-Permita a entrada,
É minha sobrinha.
O homem a olhou com os olhos arregalados
E fez sinal para que entrasse,
Lhe mostrando o elevador.
- Andar quinze,
Sala 1151.
Ele falou.
Ela saiu da chuva com a roupa encharcada,
E tremendo de frio.
Tinha poucas roupas na mala,
Seu corpo tremeu violento
Assim que entrou no saguão
Do prédio,
Seus pais deveriam estar preocupados...
Provavelmente estariam...
(Dois dias anteriormente).
-Não filha,
Se você deseja algo de mim
Terá que trabalhar
E conseguir por conta própria.
Disse o pai falando seriamente.
-Mas mãe, eu trabalho
Tanto quanto a senhora
Lhe ajudando a limpar a casa.
Ela falou olhando logo
Para o rosto da mãe.
A mãe pegou a chaleira
De água quente e jogou
Na direção dela no assoalho.
-Faz pouco,
Muito pouco.
Respondeu a mãe.
-Mas pai sempre que te ajudo
Eu não escolho um emprego remunerado
Mas mereceria um salário...
O pai não a deixou encerrar a frase
A pegou pelos ombros e chacoalhou
Com força enquanto dizia:
-Te pagar?
E a comida que você come?
E a roupa que você usa?
E os gastos que você me dá?
Você não acha que lhe dou o suficiente?!
Depois disso ele pegou
O controle remoto da televisão
E aumentou o volume do programa
Que assistia.
Gercica levantou-se do sofá
E foi para o seu quarto.
-Os filhos dos vizinhos ajudam
Muito mais e ganham muito menos.
Ih, você faz muito pouco
Na sua época meu pai não precisava trabalhar
Eu fazia tudo por ele
E quando recebia o dinheiro
Entregava nas mãos dele,
Você ganha muito dinheiro,
Muito...
Depois de pegar uma xícara de café,
ele insistiu em alto tom de voz:
-Com certeza, Marcian ele deve estar namorando,
Se eu pego você andando por aí
Com algum macho eu mato você
E o teu vadio sem vergonha,
Você acha que alguém que se envolver
Com ela irá prestar?
Ele indagou a sua mãe que disse:
-É certo que não,
Com certeza é um bêbado
Jogador de baralho,
Um vadio drogado ruaceiro.
Seu irmão rio alto da sala,
-Se eu descobrir que é eu conto,
E ajudo a matar ele,
Esfolamos ele a pau.
Ele gritou rindo com gosto.
Gercica se recostou na parede
E chorou e cansou de ter
Apenas a parede para companhia
E amizade,
Quis alguém em quem confiar,
Odiou seus quinze anos,
Desejou com toda a alma ter dezoito
E poder sumir dali,
Ser independente era um sonho distante
E muito ambicionado.
Então, pegou suas coisas
E não disse nada para ninguém
Pulou a janela depois de jogar
A mala fora e foi,
Seguiu escuridão a dentro
Andando a esmo pela estrada
Sem enxergar um palmo
e sem desejar ver nada,
Só queria distância.
Distância que se tornou distante
Pois logo calejou os pés
E andou cada vez mais devagar
Deixando os pais próximos demais,
Se eles sentissem sua falta
Poderiam pegar o Fusca e vir atrás dela,
Se a encontrassem fugindo
Poderia lhe custar caro,
Muito caro.
O pai costumava bater nela
De chicote de couro,
E a fazia sangrar e gritar,
Ele tinha prazer em ver ela implorar
Perdão e estar diminuída
Aos seus pés.
O pranto em seu rosto
Era o orgulho de seus braços,
A energia com que vibrava de dor
Era a honra de seu punho de couro
E nenhum remorso.
Ela sentia medo dele,
Tanto quanto o amava,
Mas, quanto mais ganhava idade
e o ouvia mais o medo
Se tornava maior até que
Uma espécie de repulsa a fazia
Rejeitá-lo.
Ela odiava os fuxicos da mãe
Sempre tendenciosos.
Seu rosto vermelho e riscado
Falava alto sobre a violência
Com que a mãe lhe considerava.
Mãos de fero e ódio.
(No prédio onde morava a tia).
-Oi tia, vim visitar.
Ela disse soltando a mala no chão.
-Ótimo entre.
Deixe a mala no quarto da frente.
Ela foi até lá
E a soltou no chão,
Pegou uma toalha no roupeiro
E saiu porta a fora para a sala
Secando os cabelos.
-Choveu muito.
A tia a olhou feliz
E a abraçou.
-Choveu sim.
O esposo de sua tia foi conivente
Com sua estadia no local,
Logo Gercica passou a fazer
Os serviços domésticos
Enquanto a tia era caixa de supermercado.
Certa data o tio voltou antes do trabalho,
Trancou a porta,
Invadiu o quarto onde Gercica estava
E a jogou contra a cama,
Instante em que a obrigou a fazer
Sexo com ela.
-Que prazer eu tenho
Em possuir você,
Sua danada!
Ele falou.
Ela chorou arredia,
Sentiu medo da tia.
Logo foi fazer um pudim
E deixou água entrar
E o doce estragou.
A tia tirou o chinelo
Dos pés irritada e bateu
Contra sua mão.
A menina chorou arredia
Sentada na mesa
Recostada a parede.
Outra vez não lhe restava
Mais que a parede para conforto.
Mas calou-se.
E o tio insistiu em cada vez
Estupra-la mais e mais tempo.
Gercica no período da tarde
Acabou indo para a praia caminhar,
Fez amizade com um grupo
De jovens que frequentava o local,
Foram todos juntos
Tomar café no supermercado
Onde a tia trabalhava.
A tia engravidou,
Gercica encontrou um namorado,
Um surfista de dezessete anos.
-Vamos frequentar a aula Gercica,
Vamos se formar e conseguir
um bom trabalho para morarmos juntos?
Ele insistia abraçado a ela
Sentados na areia enquanto
A água do mar tocava a ponta
De seus pés e voltava.
-Não sonho em me formar.
Ela respondeu.
-Vamos Gercica,
Vamos nos formar juntos,
Depois da escola podemos
Ter outra vida
Onde nos formamos na faculdade
E nos tornamos doutores.
Ele disse.
Gercica o beijou no cabelo.
-É muito tempo para esperar
Para ser chamado de doutor,
Respeito não é questão de título.
Ela disse,
Ele a abraçou mais forte.
-Meus pais vivem bem,
Você sabe,
Vamos abrir uma loja de roupas
E seremos administradores,
Dono do nosso estabelecimento comercial,
Para isso não precisamos esperar nada.
ele insistiu,
A beijando e deitando ela na areia,
Depois fizeram amor ali,
Enquanto o sol baixava
E seus amigos riam alto
E lhes jogavam areia sobre suas roupas,
Pois eles não ficaram nus.
-Estão transando!
Disse um.
-Estão transando, sim!
Gritou outro.
E começaram a empurrar-se
Para a água,
Então quatro amigos deles
Mergulharam por entre as ondas,
Até se tornarem pequenos pontos
Dentro do mar azul
Para só então retornar
Com o pôr-do-sol sobre seus cabelos.
Um deles retirou sua garota
Nos braços da água,
E a pediu em namoro:
-Pamela, me beija e fica comigo?
ele gritou olhando no rosto dela.
Ela o beijou com um sorriso
Nos lábios e ondas de sol
Nos cabelos negros.
-Joaquim, não me beija
E sai de perto de mim.
Gritou o outro amigo
Para o amigo ao seu lado.
-Sai fora cara,
Eu sou homem.
O outro respondeu lhe dando
Um soco fragil no ombro.
Depois, ele correu até a barraca
Que vendia bebidas na praia
e comprou uma bebida alcoolica
Para todos.
A noite chegou e os pegou desprevenidos,
Dormiram todos abraçados,
Com o céu límpido logo acima
De suas cabeças e tão distante.
Gercica soube ao chegar em casa
E encontrar sangue no chão
Que sua tia caiu no assoalho
De encontro com a parede e
Perdeu o filho.
Depois de servir chá para ela
Na cozinha ela descobriu
Que o tio encontrou uma amante
E foi dormir fora,
E ainda que ele pagava um apê
Para ela morar
E que lhe deu um carro,
A tia zangou-se,
Se trancou no quarto
e ligou para ele ameaçando
Jogar-se da janela,
Ele voltou irritado para a casa,
Encontrou os boletos do aluguel
E do carro que pagava
Para a estranha, sua amante
E irritou-se.
- Vanessa, eu quase sinto ódio de você!
Ele gritou enquanto esmurrava a porta.
-Abra esta porta,
Eu sou seu marido!
Ele gritava do lado de fora
Do quarto,
enquanto empurrava a porta
Para abri-la.
-Não abro, Rogerson e irei me matar.
Ela gritou da janela.
-Não seja louca,
Você só tem eu nesta vida,
Seus pais morreram faz três anos,
O que você quer?
Que eu te odeie?
Ele gritou.
-Não, você já me odeia.
Você me trai!
Ela gritou,
Saiu da janela e bateu na porta
Com força como se esmurrasse ele.
-Eu odeio você!
Ela gritou aos prantos,
Depois trêmula voltou
Para a janela de vidro
Que estava aberta
E uma brisa fria de inverno
Fazia a cortina branca balançar.
-Você me odeia?
Quem não sabe disso?
Você nem me satisfaz e
Quando busco outra para me ser suficiente
Você quer que eu a trate mal
Como trato você?
Você acha que minha namorada
De dezoito anos trabalha?
você esta louca?
Velha de quarenta.
Ele gritou e chutou a porta
que abriu-se languida e barulhenta
Se chocando contra a parede.
-Não, não se aproxime.
Ela gritou sentada na janela aberta.
-Você é louca?
Você esta vestida de noiva?
Ele indagou em pé,
Incrédulo a vendo de branco.
-Nós nunca nos casamos
Mas eu comprei o vestido.
Ela disse babando e chorando.
-Sim, nós nunca marcamos a data.
Ele disse,
Mais calmo.
-Não marcamos a data?
Você nunca quis marcar.
Ela gritou apontando o dedo
Para o lado dele.
-Eu não quis,
Nem você.
ele respondeu e foi até a cama,
Sentou-se e retirou o sapato.
-Deite na cama,
Vamos transar.
ele disse.
-Você ainda me ama?
Ela indagou.
-Certo que a amo,
Senão, eu não estaria aqui.
ele respondeu se deitando de lado,
E batendo sobre o lençol de seda branca
Para que ela se deitasse.
-Eu tomei remédios para morrer...
Ela falou se ajoelhando
No assoalho nas costas dele.
-Eu não acredito.
ele respondeu se sentando.
-Eu preferi a morte
a perder você...
Ela falou aos prantos
Secando o rosto na camisa dele.
-Você é doente.
Ele respondeu a afastando.
Depois ele chamou uma ambulância
E foi com ela para o hospital
Onde ela passou a noite,
Na madrugada eles retornaram
Para o prédio,
Depois ele saiu irritado:
-Eu vou trabalhar,
Não posso perder o trabalho,
Precisamos pagar o condomínio
E as dívidas.
ele disse.
-Mas, nós não iremos transar?
ela indagou.
Ele voltou da porta
E tocou nos braços dela,
Depois se ajoelhou e a beijou,
Então transou com ela
Frenético e irritadiço.
Logo que ele saiu ela
Tentou ir ao banheiro
E não resistiu,
Caiu no chão vomitando,
Depois sangrou até a morte do filho,
Ou seu nascimento prematuro, enfim,
Sangrou o filho.
-Tia, precisa ir para o hospital.
A garota falou com uma xícara de chá
Entre os dedos,
Vendo a tia sorver calmamente seu chá.
-Acabei de sair de lá,
Não há nada que me ajude.
-Mas qual é o problema tia?
-Seu tio tem uma amante
E se eu não for capaz de manter
Um filho em meu ventre ele irá me deixar.
Ela respondeu secamente.
-Mas, se ele for embora
É porque não a ama.
-Você não entende,
Estou a vinte e cinco anos casada
Com ele,
Eu não sei viver sozinha,
Eu quero um filho.
-Se acalme tia, por favor.
Gercica disse,
Se pondo em pé e a abraçando.
A tarde o tio voltou mais cedo sorrateiro
Como sempre fazia,
Mas, desta vez sua tia estava em casa,
ele não a respeito,
Adentrou no quarto de Gercica
E transou com ela outra vez.
Ao sair para o corredor
Gercica se deparou com sua tia
Em pé próxima a sala
Segurando uma xícara de café entre os dedos.
Ela teve um sobressalto,
Firmou o olhar para a tia
Que lhe sorriu amarelada.
-Acabamos de transar de volta.
Ela lhe disse.
-Que bom.
Gercica respondeu
E foi até o banheiro tomar banho.
-Seu tio está dormindo,
Não faça barulho.
A tia pediu enquanto batia
Na porta do banheiro.
Gercica saiu a noitinha ver os amigos
Na praia,
Levou pipoca e chá
Numa garrafa térmica.
Desta vez, haviam duas garotas novas
E todos tinham companheiras.
Os cinco casais foram andar
De barco no mar,
Enfrentando as ondas e bebericando
O chá.
-Podíamos nos casar.
Disse um deles.
-Podíamos todos nos casar
No mesmo dia.
Os pais de Gercica estavam desesperados
A sua procura,
Colocaram anúncio nos jornais,
Na televisão e no rádio.
Nada chegou até ela
Que permaneceu calma.
Então, um número de telefone novo
Começou a ligar no seu celular,
Com mensagens de carinho,
De fé e de amor.
Logo uma fotografia chegou
E mostrava um rapaz lindo,
Ela tardou marcar o encontro,
Mas, marcou,
Chegando lá se tratava de seu irmão.
-Peguei você fugitiva.
Agora se quiser ficar longe de nós
Terá de pagar bem caro.
Ele foi irredutível,
Gercica passou a lhe mandar dinheiro,
Mas, não contou onde estava,
ele a seguiu e contou aos pais.
Seus pais invadiram o local
E quebraram tudo,
Depois a tiraram para fora
Lhe dando cintadas e berrando
xingões bem alto.
De volta a sua casa
Ela não tinha como ver o namorado,
Então, retornou aos estudos,
E do colégio fugia para ver seu namorado.
Seu irmão marcou encontro com ele,
E fez todos os fuxicos que pode,
Logo, para zombar dela
ele marcou um encontro entre o namorado
Da irmã e uma garota do colégio,
Gercica ficou alarmada
Ao vê-lo sentado no mesmo lugar,
Abraçado a outra garota.
Seu irmão ria sem parar
Tomando um drinque na barraca
De bebidas,
Ela chorou,
Mas se calou.
No colégio Alfredo lhe pediu
Para acompanhá-la até a praia
Com um grupo de amigos dele
Como sua convidada.
Ela aceitou, fizeram os quilômetros
Até a praia de van escolar.
Dentro da van todos a chamavam
De namorada de Alfredo e o apelido pegou.
Alfredo dirigia a van,
Eles alugaram uma casa para ficar
Em três casais.
Logo Gercica dormiu com Alfredo:
-Então, você é dono da van
E trabalha levando alunos para a aula?
Ela indagou na cama com ele.
-claro,
Eu trabalho sim,
Sou dono sim.
Ele respondeu.
-Você mora aonde?
Ela perguntou.
-No centro, numa casa
Que comprei logo que iniciei
O trabalho de motorista.
ele disse.
-Esta certo.
Ela respondeu.
-Eu amo você.
ele falou lhe beijando os cabelos.
-Eu também.
ela respondeu.
E engravidou naquela noite mesmo.
Ao amanhecer,
Bem cedinho o irmão lhe acordou
Com a notícia de que
ele não era o dono da van
Apenas trabalhava como motorista
E não tinha casa própria,
Pagava aluguel para os tios da esposa,
E ele já era pai.
Gercica odiou seu celular
e o jogou no fogo da lareira.
-Então, você já sabe de tudo?
Alfredo indagou do batente da porta.
-Sim, meu irmão contou.
-Vi que você se irritou.
ele disse enquanto entrava
E chegava perto dela a abraçando.
-Sim, não quero mais celular
Nem esta coisa toda...
-Compreendo.
disse Alfredo beijando ela
E a conduzindo até a cama.
-Mas eu amo você
E quero muito nosso filho.
-Eu também.
Ela respondeu.
-Você só tem quinze anos.
Alfredo disse.
-Você tem dezesseis.
Gercica continuou.
-Você pode trabalhar de cobradora.
Alfredo falou,
Se referindo a ela trabalhar
De cobradora da passagem do ônibus.
-Seria bom,
Assim você não iria me trair.
ela respondeu.
-É claro que não,
Nunca.
Ele disse a beijando suavemente.
-Mas e sua esposa,
E o filho que você já tem?
Ela indagou.
-Resolvemos isso mais tarde.
ele respondeu.
-Vamos pensar em nós,
E darmos um tempo para o resto,
Vamos aproveitar a viagem
Até a praia.
-Esta certo.
Gercica disse.
Se abraçando a ele.
-Nesta altura seu irmão já contou
Tudo para a minha esposa.
No caminho eu vejo o que faço,
Ela deve estar muito irritada.
Alfredo falou.
-Provavelmente.
Gercica disse.
-Talvez seus pais descubram logo
Que você está aqui comigo.
Alfredo disse com um tremor
No corpo e abraçou fortemente Gercica
Dando uma olhadela para a porta
Do quarto que estava fechada.
domingo, 9 de agosto de 2026
Amor de Boca a Boca
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Amor Antigo
Então, um antigo amor ressurge
E pede perdão,
Eu não me alicerço nisso,
O tempo passou e ele ficou,
Nem os anos o fizeram esquecer,
Por que teria de me prender
A erros que evidenciei
E puseram um fim no que vivemos
Se estar com ele agora
Nos faria bem,
E me daria amor?
Amar não é estar presa,
Alegações não são fatos,
Dizeres não são promessas,
Falações não guiam boatos,
Ele disse perdão,
E eu não pergunto o que faço,
O perdoo e pronto,
Finalmente podemos estar juntos
E viver um amor antigo
Que adormeceu
Mas nunca apagou a chama
Que se derrama sobre nós dois.
Aprendi
Eu aprendi a ser forte,
A sorrir mesmo sofrendo,
Mas, preciso aprender
A perdoar os erros,
Esquecer o passado,
E me entregar ao amor.
O amor não é ser forte,
Não é escolher a dor,
Amar é entregar-se,
Sorrir em cada instante
E não se prender
Ao que faz sofrer.
Odeio esta mania
De querer aparecer,
Estar em evidência,
Buscar aclamação e plateia,
Chega de aprender a ser forte,
Quero aprender a amar
E perdoar todas as vezes.
Se no caminho eu tiver alternativa
E sempre existe,
Vou buscar a opção sorrir,
Ser feliz,
Estar com quem amo
E me quer bem,
Sai dessa de sobreviver,
Viver a esmo,
Ser forte em todas as vezes.
Eu quero mais é cair,
Despencar sem razão,
E ter alguém em quem
Me alicerçar sem me preocupar
Se estou sendo forte,
Fraca ou louca,
Quero beijar na boca,
Amar com todos os motivos,
Me entregar em cada carinho,
Ter sempre um abraço
Escondido no meu caminho,
Ser forte é para as otárias,
Eu quero mais é ser acariciada,
Amada e valorada,
Sem essa de estar por cima,
Escolher o caminho de vitória,
Prefiro amar sem perder,
Ganhar sem sofrer,
Beijar sem querer,
Estar porque faz bem.
E Sê Der Certo?
Camline chegou ao cemitério,
Fez o sinal da cruz,
Abriu o portão e entrou.
Tudo estava desorganizado
Parecia ter chovido
A pouco tempo
Haviam vasos com flores mortas
E até vazios jogados
Por entre as lápides.
Uma lágrima desceu
Por seu rosto sereno,
Ela então, juntou de vaso
Em vaso e os separou
Um canto,
Retirou as flores mortas
E as jogou do lado de fora,
Espalhando a terra sobre a terra,
E os que estavam feios
Ela os plantou nos arredores
Para que Deus se incumbisse
De que viessem.
Sempre há uma alternativa
Para a vida
E ela faria o possível
Para que a vida brotasse
E as flores florissem,
Então, as regou usando
O próprio vaso e uma sacola
Plástica que estava no local.
Depois separou os vasos vazios
Com o intuito de levá-los para casa
Para reutilizar,
Juntou cada plástico,
Cada sujeira e os separou
Para levar na lixeira
Que se localizava a poucos metros
Do cemitério,
Mas, que inexplicavelmente
Era evitada.
Foi até a lápide de seu irmão
E limpou-a usando um balde,
água limpa, detergente e um pano.
Sentia tanta afinidade
Com aquele lugar
Que poderia limpar cada canto,
Cada lápide, cada casa daquelas
Em que se preocupavam tanto
Em pintar e pôr flores e esqueciam
De pôr fotografias do falecido
E o próprio nome,
Só estava definido o nome
Da família bem grande
E uma data de nascimento e morte.
Como na cidade,
no cemitério as pessoas também
Gostavam de enfeites,
De mostrar as diferenças,
De construir até alcançar o céu,
Enquanto uns mal tinham
Um lugar no chão e uma cruz de madeira,
Sem nome,
Sem foto,
Sem família,
Só uma data,
Depois disso:mais nada.
A madeira apodrece tão cedo
E leva a vida,
As memórias,
O lugar em que se deixou
Este alguém que fez a diferença
Lá nas ruas e nas construções,
Um bom pedreiro,
Diarista, servente,
Agora um indigente,
um corpo não definido
E um rosto vazio,
Que teria poucas velas,
Pouco choro,
e talvez, umas garrafas
De pinga no seu redor.
Regado no alcool conforme
Fez em vida,
E nada melhor que a pinga
Para remover a memória,
A dor,
A vida,
O nome e o lugar
Onde um dia a pessoa
Teve para onde voltar.
Camline limpou tudo,
Olhou cada anjo desenhado,
Cada lápide afundando,
Cada calomgo de terra se elevando
Com uma cruz apagada nele,
Cada casa que crescia
E tomava proporções que com certeza
Esta família deve ter desejado
Ter em sociedade,
E trabalhava arduamente para manter
A postura, rigor e idealismo.
Retirou flores secas,
Soltou-as para o vento,
E lá, quando retirou as rosas vermelhas
De plástico de Rehan as cheirou,
Há oito anos elas foram guardadas
Nesta lápide,
E ainda não viraram pó,
Eram quase de tecido,
Tinham um cheiro bom,
Talvez fosse o de seu irmão,
Talvez não,
Quando seu namorado Rehan
As deu ela logo viu onde
Se localizariam perfeitamente.
O namoro terminou,
As flores ficaram
E Rehan nunca veio com ela
Ao cemitério,
Algumas flores ao serem retiradas
Viraram pó e era difícil
Leva-las para a lixeira,
Alguns vasos quebravam
E se consumiam.
O tempo se encarrega de tudo,
De tornar tudo poeira
E solidão que faz esquecer
e tenta apagar.
Leva vozes e sorrisos,
rostos e abraços,
Fica a dor,
Um vazio que consome,
Um suspiro que não se contem
Por muito tempo.
O tempo levou Rehan,
Camline soube disso
Através de uma caixa de supermercado
Que saiu chorando deliberadamente
Quando o supervisor lhe informou
Que o rapaz sofreu um acidente
De carro e não resistiu
Aos ferimentos de quebraduras expostas,
Sangue e dor.
Ele estava embriagado,
Dirigia com um corpo de wiski
Entre seus dedos,
E uma garrafa ao lado,
Estava sozinho lhe disseram,
Isto, Camline e todo o redor
Dos funcionários duvidaram,
"Não, ele estava com garotas,
Isto é fato,
O sexo e o alcool levaram sua vida
Depressa demais,
Aos vinte anos."
Camline limpou os olhos,
Soltou a salada que iria comprar,
E soluçou o soluço dedicado
Aos mortos por eles terem partido,
É quase mais soluçar uma dor
Por quem irá sentir a perda,
Porque Rehan lhe fez mal
Em seus instantes de bebedeira.
Sua vida de relação com ele
iniciou-se num encontro fortuito
Num restaurante badalado da cidade,
Ela marcou pela décima vez
com um homem diferente
Tencionando conhecer um namorado
Através da internet.
Mas, lá da entrada
Ao ver um homem tão feio
Sentado na mesa combinada,
Ela tirou o suéter,
Prendeu o cabelo,
Correu para o banheiro
Remover a maquiagem
E não se aproximou de vergonha,
Na internet o rapaz era lindo,
Perfeito, ali estava um rascunho
De tudo que o photoshop fez por ele.
Ela não teve estômago
Para aturar um homem tão abjeto,
E nem para resistir ao cheiro
De comida tão cheirosa
E de aparência deliciosa.
Logo se aproximou de uma mesa
onde um jovem moreno,
de cabelos negros e fartos
Estava sentado sozinho
E pediu aconchego.
Explicou do encontro
E de seus motivos íntimos
Para desistir,
E as mesas estavam todas
Repletas de pessoas,
Ela não identificou o rapaz,
Mas, pediu licença para sentar-se
Com Rehan.
Ele sorriu,
A permitiu de imediato,
Pedido os pratos,
Ele exigiu que ela pagasse a conta
Por ter de aturá-la ali,
Ela chateou-se jogou o guardanapo
Sobre a mesa em tom de repulsa,
Ele sorriu convidativo,
Se desculpou,
Pagou ambas as contas
E exigiu que ela aceitasse
que ele a conduzisse para casa
Como cortesia e pedido de desculpas.
Ela não soube o motivo,
Mas sentiu-se tonta,
Talvez, por efeito do vinho
Que bebeu com ele,
Pois, sentiu-se fraca
E terminou aceitando o convite,
Ou assim acreditou,
Porque ele a ergueu da mesa
Passando seus braços
Por seus ombros
E a carregou para fora
Dizendo frases desconhexas:
"Você é linda,
Me apaixonei por você
Desde o primeiro instante,
Te darei minha vida".
E quando ela deu-se conta
Estava sentada no carona
do carro dele,
E depois disso o viu remover
O zíper de sua calça,
Depois a calça,
A calcinha e então toda a roupa,
E logo se viu nua
Sentada no colo de Rehan.
Ela gemia de prazer,
Chorava por algo
Que não saberia dizer,
Talvez dor,
Talvez insegurança,
Talvez medo,
"afinal, quem é Rehan?"
Se viu se indagar em silêncio.
Quando acordou estava
Deitada na cama com ele,
Que se movimentava
Sobre seu corpo nu em frenesi
E muitos gemidos.
-O que está acontecendo?
Ela se viu indagar
Quando sua cabeça foi puxada
Para o peito dele.
-Agora você é minha namorada!
Ele respondeu sorrindo.
-Não sou não.
Ela respondeu e se afastou.
-Claro que é,
veja a aliança em seu dedo,
Você mesma colocou
Durante a noite
E chorou de alegria.
ele disse com movimentos
Contínuos de sexo e beijos sedentos.
-Ah, não lembro disso.
Ela continuou um tanto tonta.
-não lembra?
Você tirou foto de nossas mãos unidas
Usando alianças,
Escreveu uma frase de amor
E postou na sua rede social.
Ele disse.
-Sério?
Mas sempre sou tão discreta.
Ela continuou.
-Sério,
você falou de amor e tudo.
Ele insistiu.
Ela buscou o celular
Que estava sobre a cômoda
e notou a fotografia
De duas mãos enlaçadas,
Duas alianças e uma frase boba.
-Somos namorados.
Ele disse,
E saiu de cima dela
Juntando uma toalha
E indo para o banho.
Os encontros entre ela e Rehan
foram sempre fortuitos e inesperados,
As vezes, ele a buscava no trabalho,
Outras vezes ela saia de casa
Logo pela manhã e via seu carro
Estacionado na esquina,
Como se estivesse esperando-a.
Sempre regado a bebidas e cigarros,
Algumas vezes ele usava drogas,
De comprimidos jogados no copo
De bebida e de pó
Que ele soltava sobre a barriga dela
e aspirava até não restar nada,
Soltava também sobre sua mão,
Sobre o painel do carro,
E seguia.
Ela sentia-se seguida por ele,
As vezes, imaginava que isso
Nunca teria fim,
Então, procurou um ginecologista
e buscou um anticoncepcional
Para não engravidar dele,
Mesmo estando com 33 anos
e tendo o sonho de ser mãe,
Evitou o sonho a todo custo.
A igreja da cidade
ficava próximo a sua casa,
Conforme a rua que pegasse
Para ir para o trabalho
Passava por ela,
Chorava soluçante,
Mas, não conseguia marcar a data
E levar o relacionamento adiante.
Bebia pouco,
Não usava drogas,
Fumava algum cigarro esparso.
Mas, um dia Rehan a vendo
Sair para ir trabalhar
Acelerou o carro com toda força
E jogou sobre ela,
alegando que tinha encontrado
Outra garota,
Muito melhor que ela
E que não queria saber mais dela.
Camline sofreu escoriações severas,
Dor e vergonha da vizinhança,
Mas logo adaptou-se
Com a ausência de Rehan
Que sempre buscava os lugares
onde ela frequentava para passar
Por ela com algumas garotas,
Muitas bebidas,
Sorrisos no rosto,
E drogas.
Camline o odiou,
Denunciou isso na delegacia,
Mas nada amenizou o ódio.
Por isso, ficou muito tempo
Sem buscar novo relacionamento,
Mais de anos,
Sem ter encontros, beijos, abraços,
Carinhos ou sentimentos masculinos,
Apenas a abstinência e o exílio
Lhe restou.
Dirigia por toda a cidade sozinha,
Parava na praia olhar a areia,
Ver as estrelas noturnas,
Mas, sempre sozinha,
Não conseguia deixar um novo
Homem entrar em sua vida,
Mas, ao saber da morte de Rehan,
Um sorriso lhe brotou na face,
Então, saiu para fora do mercado,
Viu um homem sozinho
Na direção de um carro estacionado
E pediu a ele uma carona;
-Para onde?
Ele indagou.
Ele era um sujeito gordo,
Flácido, de rosto enrugado,
Cabelos brancos e esparsos,
E isso lhe gerou um sentimento
De carinho inexplicável,
Então, ela pegou em sua mão
Sobre o volante e disse:
-Para um motel,
Vamos ter algumas horas
De sexo voluptuoso e delirante,
Eu preciso de você.
O homem a encarou de sobressalto:
-Precisa de mim?
ele disse, ligando o carro
E virando a volta para sair
Do estacionamento rumo a rua.
-Sim, por favor!
Ela disse sorrindo,
Retirou a calcinha e
Levantou a saia curta que usava.
Ele logo introduziu o dedo
em sua vagina e sorriu,
Camline suspirou satisfeita:
-Faz muito tempo que não faço sexo,
Eu não sei,
Agora penso que sempre esperei
Você me dar uma chance.
Ela disse sem jeito,
tocando em seu braço forte.
-Que ótimo,
Poderemos passar boas horas juntos.
ele usava uma aliança no dedo,
Camline não quis perguntar
sobre isso,
Mas, a notou.
A voz dele era grave e violenta,
ele dirigia muito bem,
Sem solavancos,
Sem desvios,
E tinha lindos dentes brancos
No rosto quadradinho
E lábios rosados e cheios.
terça-feira, 28 de julho de 2026
Josmar, Te amo
Se eu te dissesse
Quantas noites insones
Eu passei a te esperar,
Talvez, você desacreditasse.
É uma ilusão,
um sonho doce assim,
Esperar até o dia nascer,
Até o sol ir,
Só pra te ver sorrir,
É uma ilusão
Um sonho tão doce assim.
Se apaixonar no primeiro encontro,
E não querer nenhum outro homem
Que não seja você
E seu sorriso gentil,
Seu olhar doce e dono de si,
Dono de mim,
Dono do nosso tempo
E do meu sentir.
Eu sei que lá na rua,
Logo passará uma motocicleta,
Eu reconheço pelas luzes,
Depois vem uma van atrás dela,
É tão distante de mim,
Mas cuido cada carro,
Cada luz,
Cada cheiro
E o que mais me traga você.
Oh, poxa, que sonho bom
Reconhecer você vindo,
É um gol no alto do campo,
um passo inesperado,
um sonho guardado,
Um esperar que não cansa
E me faz tão bem,
vem Josmar, vem.
Eu vejo meu dedo ansiar
Por nossa aliança,
Meu coração palpitar
Por mais um beijo,
Até mesmo aquela estrada
Jurar que não quer carro algum
Se tiver a luz do seu olhar,
Oh, Josmar, me diz
O que você faz
Que te mantém distante,
Meu mar,
Meu céu azul de estrelas,
Minha lua a brilhar,
Meu sol que refresca,
Me beija,
Me beija,
Me beija,
Seu beijo me deixa no bar,
embriaga e louca,
A te esperar,
Não é ilusão,
É amor, vem Josmar, sim,
sonha comigo outra noite,
Deita comigo e fica até o amanhecer,
Oh, que sonho dormir cedo
e não precisar posar acordada
Por ter você comigo,
Josmar,
O que há entre nós?
Te amo,
Te amo,
Te amo.
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