E eu tenho que conviver com isso,
A ideia causa dor,
Ansiedade e vontade
De voltar no tempo.
Eu nunca fui
Mais forte que ele,
Nem melhor preparada
Para viver a vida,
Eu desejo a todo custo
Não esquece-lo,
Reacender memórias,
Livra-lo da dor
E não te-lo feito de alvo.
Meu alvo
Que eu apontei meu ódio
E me direcionei com todo o ardor,
Eu era fraca,
Via nele um alicerce
Que não cairia,
Uma espécie de pedra bruta
Em que me escorar,
Me jogar
E me bater com toda a força.
Mas ele caiu
E seu peito quebrou,
Eu estava exatamente direcionada
Com toda a raiva,
Numa explosão incontrolável
Em sua direção
E ele cedeu e se foi.
Eu jamais desejaria
Que ele não tivesse existido,
Eu não seria capaz de apaga-lo,
Eu só não posso reencontra-lo,
Não há um novo horário,
Novo abraço,
Ou último diálogo,
Só há o passado
E nele sua morte.
A dor sangra em minhas veias,
Eu sou dor e saudade,
Remorso e amor,
Eu queria te-lo poupado,
Livrado do triste fim,
Eu não fui a causa,
Mas não me isento de culpa,
Briguei, xinguei, exigi e me afastei....
A velocidade para onde
Ele se dirigiu
Foi inconsequente
E maldita,
Ela tirou ele de mim.
Não importa o quanto
Eu seja sombria,
O quanto eu queira
O gosto da morte,
Mortos não beijam
Ou abraçam.
Mortos morrem.
Não ficam no escuro
Ou vão para a luz,
Eles sucumbem,
Caem no vazio
E suas lembranças partem-se
E escassam-se no pensamento.
Eu não esqueço seu nome,
Não confundo seu nascimento,
Mas a data final
Eu complico,
A sua voz vai aos poucos,
O cheiro, o jeito
E o amor,
E o sorriso.
Eu luto,
Luto muito para te-lo comigo.
Os anos são como gotas
De sangue que escorrem
Nas veias incontroláveis,
Vão-se.
Fazem chorar e sofrer,
Tentam fazer esquecer
Como se houvesse um descontrole
Em quantas gotas correm
E quantos anos sucumbem
A saudade e a sua ausência.
Eu choro.
Nossos pais sofrem,
Nos tentamos busca-lo,
Você já não sabe,
E inocente a tanto amor
Que desperta.
Eu não treinei ser forte,
Pra quê?
Queria ter feito,
Será que saberia o que fazer?
Eu gritei e fui austera,
Tive medo e me refugiei,
Você não se viu fraco,
Buscou o destino
E não me ouviu te chamar,
Eu chamei tarde,
Não ve minha dor
Que te busca em toda a face
E me joga a sua lápide,
A cuidar uma fotografia apagada,
E ossos que tenham sobrevivido
Ao tempo