domingo, 18 de outubro de 2026

Jiu-jitsu e um par de pernas

Uau,
Te vi na luta
Sobre o ringue
Caramba
Que cochas firmes
Entrosadas no pescoço 
Daquele cara,
Foi de tirar o fôlego 
Aqui fora.
Uau,
Você deixa 
Meu sangue quente,
E eu só quero gritar 
Vamos fazer algo
Juntos mais tarde,
Tipo pegar uns inimigos
Antigos,
Bater nuns caras
Que falaram mal de nós,
Dar uma surra
Naquela sua namorada
Antiga que me impediu
De estar antes contigo...
Ver seu braço 
Erguer aquela massa de carne 
E jogar no chão 
Feito palha 
Me deixou paspalha,
Caramba que bundaço
No ringue
E eu aqui só querendo
Estar no seu colo
Nestes braços poderosos
De cara machão 
E fortao,
Uau cara 
E você falou lá umas frases fortes
Na sua entonação firme
E eu aqui na curiosidade:
Invado ou não o ringue,
Cara lindão,
Chega aqui na arquibancada 
E acaba comigo
Me pegando forte 
E metendo um beijo firme.

Cara Lindo

A distância acaba comigo,
O seu sorriso aí do outro lado
Acaba comigo,
Eu estou te amando,
Sentindo ciúmes 
E algo de vontade
De implorar para você 
Ficar mais algum tempo,
Sim,
Estou apaixonada 
E encantada por ter você,
Caidinha de amores,
E não sei não querer
Você sempre mais comigo.
Você me faz tão bem
E é tão perfeito homem
Que agora nem tudo convém 
E deixar você nao serve,
Não se encaixa,
Poxa,
Que sentimento intenso 
Quando você me abraça 
E eu só te quero mais perto,
Com seus lábios carnudos
Cheios de desejo
Aberto num diálogo 
Bom,
Seus olhos claros
E límpidos como um céu 
De sonhos
E mundos.
Desistir de você 
Não é possível 
Não te ter acaba comigo!

sábado, 17 de outubro de 2026

Joãozinho de Barro

Acorda Joãozinho
Está na hora 
Do seu lanchinho 
Por que dorme
Tanto passarinho?

A mãezinha dele voa
Em busca do alimento
Ele abre o biquinho 
E pede comidinha:
Volta logo mamãezinha 
Eu quero comidinha.

Recém nascido
Inicia suas primeiras
Peninhas,
Mas que bichinho estranhinho 
Diferente da mamaezinha. 

Dona Joaozinha do barro
Logo volta para alimenta-lo,
Não pia muito passarinho,
A maezinha voltou para o ninho.

Ele busca o alimento
Com seus olhinhos fechados
Veja o sol está aquecendo
Faz mal deixar o passarinho 
Ao relento,
Nuvens densas cobrem o céu 
Voa rápido mamaezinha 
Para cobrir o Joãozinho
Logo chove e ele fica molhadinho.

Já sei o que posso fazer,
Vou arrumar alguma coisa
Com que proteger o ninho,
Volta mamaezinha 
Para acostumar-se comigo
A proteger o ninho.

Vai que chove 
E faz pingos grossos
E chuva fria?
Ou se faz vento forte
Mamãezinha?
Pode carregar o seu ninho
E jogar longe o passarinho,
Você com suas asas frágeis 
Não poderá proteger 
O Joãozinho. 

E se chover granizo,
Pedras frias de gelo
Poderá ferir você mamaezinha,
Volta logo e vamos
Proteger o ninho
E o lindo lugarzinho
Que você encontrou 
Para pôr o seu ovinho.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Aproximação

Você usa a Bíblia para amuleto?
Indaguei a ela
Sem pensar.
- em cada cinco frases
Que você fala
Ao menos em uma
Você põe o nome de Deus,
Eu penso até mesmo
Que se alguém conseguiu
Ligação direta com o céu 
Este alguém é você...
Eu continuei.
-obrigada.
Ela me disse timidamente. 
- e que está sua familiaridade
Com a palavra de Deus
Transmite uma ideia de pureza
E certezas que tornam
Difícil eu parafrasear com você. 
Me sinto como se falasse
Com uma freira.
Continuei e ela corou 
Um sorriso tímido. 
- minha mãe lia ela
Para eu enquanto estava
Em seu ventre.
Ela disse.
- bom nas isso foi a tanto tempo
Por que você anda com a Bíblia 
Embaixo do braço 
Por onde quer que você esteja
E expressa uma frase dela 
Em tudo que diz?
Ela se aproximou de mim
E pegou em meus braços. 
- por que ela morreu 
Em meu parto 
E segurando ela em seus braços...
Respondeu.
-quando preciso recordar
Da minha mãe 
Eu a leio e tenho isso
Para recordação. 
Ela continuou
E eu a abracei apertado.
- uma Bíblia não dá conforto
E calor humano,
Deixe um pouco ela de lado
E permita-me me aproximar 
De você.
Um livro ainda é um livro. 
Eu lhe disse.
Ela ficou em silêncio 
E a Bíblia caiu de seu braço,
Mas ela continuou abraçada.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Dalvaninha e Seus Patinhos

Dalvaninha,
Dalvaninha
Com seus patinhos
A passear,
Dalvaninha,
Dalvaninha
Aonde está?
Logo a frente 
Da mamãe 
Caminha a patinha,
Dalvaninha
Dalvaninha
Não é hora de nadar!
Dalvaninha
Dalvaminha
E cedo ainda
Para passear,
O que você linda patinha,
Pois te procuro 
E você aonde está?
Andando com os patinhos
A fazer piu piu piu
Sem parar 
Eita, Dalvanedo
Logo cedo
A caminhar.

Dalvaninha,
Dalvaninha
Fala logo 
Aonde está?
Seus patinhos 
Pequeninos
Precisam ser cuidados
Para não se machucar.

Dalvaninha
Dalvaninha 
Está em busca
De comida,
Mas por que
Querida patinha
Se lhe dei quirelinha 
E você não se satisfaz
Foi em busca
Outra vez.

Dalvaninha
Você nasceu correndo?
Assim nasce o Sabiá 
Tão pequeno
E logo cedo
Se põe a andar 
Sem parar.

Você é filha 
De pombinha Dalvaninha?
Os dois filhotinhos
Da pombinha empenaram
Fizeram asas fortes
E voaram,
Não voa não linda patinha,
Você não é filha da pombinha.

Linda mamãe patinha,
Se acalma 
E come o milho 
Com quirela
Logo providencio
Outro alimento.
Cuida dos seus 14 patinhos 
Querida patinha 
Que nunca esquece
De nadar logo cedinho
O rio está cheio patinha
Transbordante de águas sujas
E rápidas ele leva
Você embora
E afunda todos os seus patinhos.

Você é fraca patinha 
Pra enfrentar águas tão tormentosas 
Não se afasta de casa,
Fica aqui comigo
E eu te protejo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Memórias

Vontade de fazer o tempo voltar
Eu tenho
Me apego a ideia
De desejar apagar todo o erro,
Toda a dor 
E toda a tristeza do passado,
Aí retorno para os meus atuais
57 anos e resta-me
Somente felicidades. 

Mas a verdade,
Eu não conto,
A verdade é que
Queria ter 17 anos
Para poder beijar muito,
Sofrer aos berros
E lutar por tudo que eu desejar.

É, eu não queria ter desistido
Do Jean,
Nem ter a minha primeira transa
Com um garoto tão feio,
Eu queria ter feito sexo
Por prazer e assim,
Não teria chorado a dor
Do arrependimento,
Porque busquei o amor
Onde eu não amava
E não estava lá. 

Revivo as memórias
Conforme recordam de chegar,
As vezes com saudades
Noutras vezes com repulsa,
Deixo elas terem asas
E que venham
E que fiquem o quanto quiser.
E você ainda recorda 
Ou sai pelas ruas a viver
Porque idade não é limite
Para resguardar-se
E se deixar abater.
Você concorda?

Retratos em branco

Retratos em branco,
Telas vazias,
- mãe, você nunca
Gostou de mim.
Nunca me quis perto!

Eu me indago hoje,
Com dificuldade em ter
Relacionamentos:
Por que pessoas como você 
Vivem tanto?
O seu viver é estupro,
Seu subsistir é em cima
Do que eu vivo,
Você vive do que consegue
Extrair de mim.

Ah, eu preciso me afastar
Deste amor doentio
Que me extrai e não acrescenta,
Por que você sente
De mim inveja?
Por que tudo que toco
Você esmigalha,
Destrói, odeia e rejeita?

Que lhe fiz 
Por nascer de você?
Você disse:
- você é resultado 
De estupro,
Abuso sobre o meu corpo
E sobre a minha vida
E mente!

Mas, me fala
Por que meu irmão 
Que veio depois 
Foi aceito?
Querido e desejado?
E tão horrível 
Para você me ver
Que o outro até se torna adaptável?

Ok.
Perfeito. 
Hoje ele reside no cemitério. 
Você o carregou
Com seu ventre putrido. 
E seu carrasco,
Ex-esposo,
Meu pai ainda insiste nisso
De desejar ser chamado
"Bom pai"!
Ele se esforça para isso,
Não é?
Vocês dois se conectam
E se entendem,
Eu noto seus entrosamentos. 

Retratos vazios 
Preenchem espaços,
Homens feito meu pai 
E os seus eu renego!
De cadelas iguais a você 
Eu me distancio,
Mas me diga
"O que seus vindos querem comigo?"

Bem, queridos:
"Apaixonada pelo Tom,
E vocês?
Fodam-se!

Jiu-jitsu e um par de pernas