segunda-feira, 29 de junho de 2026

Ciúmes na Faculdade

Uma garota chegou próxima
Demais para um cara normal
Continuar fiel,
Eu sorri,
Seria desta vez
Que minha irmãzinha
Iria dar chilique
Porque iria ser traída,
Duramente rejeitada
Em plena universidade
Em meio a todos os colegas.

Pois bem, me compadeci,
Chutei a cadeira do garoto,
E lhe fiz sinal
Para que fingisse um pouco,
Ele sorriu
E deixou a mostra
Seus dentes brancos
De sorriso gentil,
Era como se um veneno
Lhe soprasse os lábios
E eles buscassem 
por um novo beijo.

Pois bem,
Minha irmãzinha perfeita,
Perfeita até certo ponto,
Não se bastou
Para inibir o garoto,
O cheiro da colega
Lhe chegava aos poucos,
Causava espanto e sufoco,
Ele tentou disfarçar,
Mas, não o suficiente,
Era só olhar para seu rosto
E dava para vê-lo
Correndo até ela,
Lhe abraçando e mordiscando
O pescoço claro e a mostra,
Tão perto e vulnerável.

O veneno lhe ganhava espaço,
Preenchia a boca,
Embebia sua língua,
E minha irmãzinha ali
Em pé ao seu lado
Vestindo um vestido branco
Nem percebia
Ou se recusava a me causar
Espanto.

Eu estava acostumado
A visão que a garota me provocava,
Mas, a tentação
Pegou o garoto desprevenido,
Por pouco
Não o joga contra a parede
E leva ao fim seu namorico
De vidro escuro
E painel fechado.

Ela possuía uma beleza irracional
E difícil de ignorar,
Mas, minha irmãzinha 
Não era tão tola quanto parecia,
Logo o abraçou e fez questão
De cruzar seu braço
Sobre sua nuca,
Como se estivesse a escorar
Seu peso frágil e delicado,
Como se o fizesse de armadura
Para o tiro no ego
Que acabava de receber
Em plena paixonite de esquina.

Próximo Demais

Por que flertar com o desastre?

É o que repito em minha mente,

Busco ignorar sua fragilidade,

Sua incompatibilidade

Com a segurança de si própria,

Esta garota é de arrasar,

Ela ganha meus instintos,

Me faz buscar e ansiar

Só com o dispor do seu cheiro,

Que quer ela agora?

Meu eu por inteiro?

Ela gosta de soltar o cabelo,

Mexer o pescoço

E desviar meu olhar

Para seu colo,

Garota que flerta 

Com seus apuros,

Frágil braços 

A buscar amparo,

Lindo sorriso

Que me faz feliz sem motivo,

Olhar cativo

De quem vê, gosta e fica.

Eu lhe rodeio em perigo,

Ela ignora tudo que fui 

E fico assombrado

Com sua paciência 

Para ser vítima,

Me busca em suas alternativas,

Me deixa desconfortável

O tanto que estar próximo

Depende de para que lado

Sopra o vento.

Por que seu extinto

Não a avisa sobre o que sou,

Eu chego perto,

Bem perto,

E nada nela lhe grita perigo,

Não há nesta fragilidade limites

Ou sou eu que de tão arredio

Nem pareço corresponder

Aos meus efeitos,

A ponto de não merecer 

Ser evitado,

Ou ser tão envolvente

Que ela nem percebe

O tanto que a tenho,

Não a guardo,

Mas, nem exponho.

Com amor e algumas flores

Hoje me permiti a graça,

Comprei flores,

Dirigi até seu trabalho

E as deixei com o porteiro.


Ignorei seu paradeiro,

Me fiz de rogada

E o busquei nos rodeio,

Lhe dei flores brancas,

Rosas e vermelhas,

Diversifiquei as cores

Só para me ver faceira

E te ver de amores.


Eu sei que você gosta

De plantar e ver elas dispostas,

Cada florzinha que flori

Lhe faz sorrir,

Espero que elas cresçam

Até o alto

E levem cores 

Para todo o canto,

Com mil amores

Para lhe causar contento.


Espero que goste

Do carinho que lhe dedico,

Faço isso com amor,

E algumas flores por capricho.

No Dundo da Sua Mente

Eu nunca fiz esforço

Para saber a mente

Sem virar o pescoço

Daquele que mente.

A mentira eu conheço

De letra

E esforço,

Não adianta

Pagar o preço.


Eu gosto de pessoas

Que não se importam

De eu olhar para elas

E ver seu obscuro,

Buscar lá no fundo,

Pois lá dentro

No mais profundo

Não há o que esconder,

E não teme me dizer

Nem o que eu possa ver.


Sofrendo,

Hoje, porém,

Ver a mente me fez sofrer,

O garoto que eu gosto

Tem uma mente fechada

Na qual me esforço

Desde a entrada.


Ele é como um lago

De vidro transparente,

Onde eu entro,

Habito e não há outro alguém,

No entanto,

Penetrar um vidro

Sem me ferir 

É que me causa espanto,

Outra não faz assim,

E mil homens não valem a sua mente,

Nem o que ela me diz,

O que o faz permitir?

Amor ele repete

Sem cansaço ou esforço,

Singelo e com apreço,

Está lá escrito e pronto.


Não me sinto culpada

Por conhecer sua mente,

Ela é pura e cristalina,

Como uma rosa que sente,

Ignora os espinhos

E floresce,

Ele nunca me vê ofender

Ou ser má pessoa,

Há sempre uma desculpa

Para as minhas prioridades

E eu penso poxa:

Que há neste amor

Para ser tão de verdade?!


Já outros odeiam meu olhar,

Rejeitam o que posso ver,

Tudo que há lá dentro

Não reflete lá fora,

É escondido, vazio

E pernicioso,

Me chamam de intrometida

E eu digo: 

Cadê meu esposo?


Nele me sinto segura,

Eu o olho e o vejo,

Não há mentiras,

Sigilo ou mesquinharia.

É o BOPE!

Se você quer

Dar uma volta

De viatura,

Você escolhe a forma

E pode evitar o confronto.

 

A abordagem é dura

E o rigor é a técnica,

Se você for eloquente

Você vem sentado,

Mas, se for divergente

Vem deitado.

 

Geralmente, algemado,

Porém, o número de socos

Que você irá levar no rosto

Você escolhe,

Seja curto e franco,

Não gosta de polícia

Compra seu próprio carro.

 

O policial não pode

Oferecer carona,

E quando ele convida,

Não hesite,

Corra para o camburão,

Espere eu abrir a cela

E não deseje algemas,

Se coloque no porta malas

Evite ser grosseiro

Ou usar armas

E eu poupo meus pontapés

Contra a sua cara.

 

Você que é sujeito criminoso

Gosta de passar despercebido,

Busca a todos custo

Não ser reconhecido,

No entanto, me evite,

Evite confronto

Porque se eu te achar

Eu te soco até você ficar roxo

E aí você ganha o rosto

Irreconhecível que procura.


Vou de soco na cara,

Algema no pulso

E pontapé no porta malas,

Esquece a maldade,

Comigo é delegacia 

E evite as balas.

domingo, 28 de junho de 2026

Ao Primeiro Olhar

No ofício de Tiago
Não era permito o amor,
Muito menos por Alice,
A indomável dona
De sua propriedade
Que na iminência de
Perdê-la,
Não se preocupou 
Nenhum pouco se
Sujaria suas mãos,
Ficaria rouca de tanto
Gritar ou se buscaria
Até o último meado
O amparo jurídico
Que a justiça viesse 
A lhe conferir.

Ocorre, que seu pai faleceu
Deixando a propriedade
A deriva de mãos assassinas,
É certo,
De imediato Alice
Percebeu no olhar da madrasta
O ódio e a capacidade
De chegar muito longe
Pelo que quer,
E desta vez,
Ela desejou seu pai,
Porém, morto.

Não foi díficil,
Uma noite com ele
E uma gravidez precoce,
No mais,
Tornou-se óbvio:
O pai optou por casar-se,
E no casamento irritou-se
Com a impertinência da filha
E a pôs para fora de casa
Com todos os 200 convidados
Como testemunha.

O fato ganhou reportagem local,
O homem a pegou pelo pescoço,
No instante do corte do bolo
Em que ela se posicionou
Em primeiro lugar para receber a fatia.
Após isso, ele a jogou 
Para fora do portão com socos
Contra seu rosto,
A chamando de adúltera,
Promíscua, defensora da putaria.

Abraçou a esposa,
E ela lhe sorriu com seus 
Dentes tortos e um sorriso
Afiado de cortar a alma,
O seu vestido branco,
De virgem grávida,
Aos pés da cruz de cristo,
Não ganhou num único 
Toque de dor ou lágrimas.

"Como iria amá-la 
Tal mulher que não
Se compadecia com
Seu sofrimento?"
Jamais a amaria
E quem não ama filha
Não ama pai,
Família vem acima
De todas as coisas.
Contudo, lá de dentro
Sua mãe sorriu,
Encontrou um noivo idoso
E ele lhe cobria de mimos
E caprichos.

Meses após isso,
Seu pai foi encotrado morto
Escorado no portão de casa
Com alguns litros de velho barreiro
No seu redor.
"Embriaguez desordenada"
Foi o veredito,
Não pra filha,
Que impedida de entrar
Na própria casa,
Invadiu pulando o portão,
E ao encontrar a madrasta
Sentada de roupão
Assistindo a televisão,
Ela lhe desferiu socos
Sem parar,
Até sangrar.

Ao exigir o exame
Que constataria a gravidez,
Foi óbvio o resultado: negativo.
Porém, como Alice comprovaria
Que este foi o único motivo
Que a guiou ao casamento?
A partir de agora,
Ela teria que lutar para anulá-lo,
E tornar a aquisição da propriedade
Pela madrasta como nula,
E ainda comprovar sua participação
No resultado morte de seu pai.

Sozinha e perturbada,
Não viu quando a polícia
Foi acionada e a retirou
Algemada para a delegacia.
Jogada no camburão,
Presa numa jaula,
Alice chorou a morte
Do pai como quem
Chora o primeiro tapa,
Com a dor escruciante
De ter sido punida
Pelo próprio pai
Sem ter feito nada de errado.

No caminho,
Os policiais pararam jantar,
Era de noite,
E ela ficou lá presa,
Sentindo o cheiro da comida
E vendo a boca salivar de fome
Sem poder fazer nada.

É fato,
Quando um ente querido morre,
A fome demora a vir,
Mas, o corpo não compreende
E demonstra os resultados,
Ele parece implorar
Para sobreviver.

Depois disso,
Os policiais abriram
A porta traseira do camburão,
E lhe mandaram virar as costas
Para eles...
Ela não soube o porque
De fazer isso,
Mas o fez,
E tardou para sentir o efeito
De uma mão que apalpou
Suas nadegas,
Depois lhe despiu a roupa,
E então a lambeu,
Para só depois introduzir
Seu pênis entre seus quadris.

Depois disso,
Ambos os policiais
Que a violentaram
Um de cada vez
Soltou as algemas e
A liberou em noite escura
Para retornar a sua casa.

Sozinha, de luto
E a mercê da caridade alheia,
Ela optou por voltar caminhando
Cada quilômetro que a distanciava
De sua propriedade.
Chegando lá, 
Invadiu outra vez
Sem se importar com a câmera
De vigilância,
Juntou uma almofada
E aproximou-se sorrateira
Da madrasta
Instante que a afogou até a morte.
E


Ela se contorcia e gemia,
Numa tentativa inútil
De se livrar da morte iminente.
Depois disso, Alice
A jogou lá fora 
Por entre as garrafas de pinga.

Tiago logo soube da ocorrência,
E compreendeu o quanto Alice
Precisava de sua ajuda.
Desde a primeira vez
Que o viu se apaixonou
E não fez outra coisa
Exceto cuidar seus passos
E cobiçar seu amor.

Tenente Coronel da Polícia Militar
Fechado no Batalhão a trabalhar
Ele se via impedido
De sair do local de serviço
E ir até ela para ajudar,
Tudo que ele soube
Foi sobre a morte de seu pai
E logo após a morte da madrasta
Que ocorreu de maneira similar.

Ele viu os policiais de sua área
Sorrindo felizes,
Olhando seus celulares,
Então, optou por apreendê-los,
Ao fazer isso,
Constatou as imagens de Alice
Sendo estuprada na viatura policial
Por ambos.

Ela estava algemada
E ferida no rosto e corpo,
E ambos apresentavam fardamento
E uma arma em suas mãos
Que comprovavam estarem
Em horário de trabalho.
Ele duvidou que Alice
Tivesse tomado tal atitude
Por vontade própria
Sem dúvida era estupro.

Porém, o Coronel
Negou-se a investigação
E tendo tomado a notícia
Por conhecimento
Utilizou-se do helicópero
E sabedor dos sentimentos
De Tiago não desistiu
Nenhum pouco de seu intuito:
Estuprá-la,
Utilizar de seu corpo
Para puro objeto de prazer.

Na chegada
Levou amigos,
Dois coróneis sobrevoaram
A casa de Alice
Com um documento
De que ambas as mortes
Que a rondavam
Não foram naturais,
E gritaram lá do alto
Que iriam prendê-la
Por assassinato da madrasta
E de seu próprio pai.

Sua casa recebida
Em herança iria a leilão
Por ela ter sido a causadora
Da morte do pai.
Alice sobressaltou-se
Do sofá,
E correu para a janela
Não acreditando no que via:
Dois helicópteros sobrevoavam
Sua casa,
Com armas em punho
E fardamento em seus corpos
Para protegê-los
E tornar suas ações legais.

Logo, um desceu de lá, 
Vez que ambos tinham pilotos,
E invadiram abrindo o portão
A chutes,
Outra vez seu corpo foi violentado.
E o documento de morte
Foi jogado contra os seus olhos,
Como uma espécie de apenamento
Moral e ameaça de cumprimento
Do ato.

Ela ficou com um documento
E o Coronel saiu porta afora,
Tiago apenas pode passar
Por sua casa mais tarde,
E logo soube que ela estava
Sendo indiciada pela morte
De sua madrasta e o pai.

E que iria perder todos os bens,
Isso era realmente terrível,
Contudo, ele a amava
E iria assumir seus sentimentos.
Mas, lá de dentro Alice
Gritou que não desejava
Ser presa.

E preferiu distanciar-se
De Tiago,
Que ajoelhou-se no chão,
Jogou seu chapéu de Tenente Coronel
No chão e chorou soluçando.
Ela foi forte,
Aguentou vê-lo sofrer,
Não queria ter pena de prisão
Ou responder pela morte
Do pai,
Pois já se achava culpada
O bastante por não ter sabido
Lidar com a situação de
Seu relacionamento com a madrasta.

O Coronel sabendo
Do que Tiago fez o transferiu
Para cidade vizinha,
Agora ele não cruzaria nem perto
De sua amada,
Muito menos teria aparato 
Sistemático para saber
Das ocorrências que se relacionassem
A ela.

Como iria vê-la
Se o Coronel a cuidava
De helicóptero, viatura e
A policiamento ostensivo?
Irritou-se e investiu contra
O Coronel a socos e pontapés.

Ao se libertar
O Coronel o prendeu
No próprio Batalhão,
Tiago se viu a sofrer desregrado.
-Não posso dormir!
Disse Alice sem entender
O motivo naquela noite.

Então, levantou-se
Ligou para o Coronel
E aceitou ser sua amante
Em troca da liberdade de Tiago,
Ao saber da liberdade,
Ele ficou calado 
Por um instante,
Depois muniu-se da chave
Da cela onde estava
E assassinou o Coronel.

-Nunca? Eu estar com Alice
É realmente nunca?
Ele gritou enquanto a chave
Percorria o pescoço do Coronel
E lhe tirava a vida.

Um major que chegou
Logo atrás e viu a cena
Aplaudiu.
Tiago levantou o olhar assustado.
-Ele estuprou todo mundo
Do Batalhão.
O major disse.
-Deixe que eu dou um fim
No corpo,
Este não merece velório
Reconhecido pela sociedade.

Assim o fez,
O jogou no porta malas
E se livrou dele no matagal
Das proximidades.
Quando Tiago encontrou
O olhar de Alice
Tudo que fez foi pensar
No quanto a amava
E no tanto que queria
Passar cada dia de sua vida
Ao lado dela.

Ele não se importou
Com mais nada,
Corre até ela,
Saltando o portão,
E abrindo a porta com
Um grampo,
E a abraçou como se
Aquele instante fosse
Seu próprio universo.

Vendo surpresa e alegria,
A beijou sôfrego e apaixonado,
Deixou-se dominar pelo desejo
Intenso de ficar e cuidar
Desta que tanto amou.
Não para sofrer
Por lutar por um amor 
Tão próximo do impossível,
Mas para viver e sonhar,
Porque com nenhuma outra
Sentiu este ímpeto ao amor.

Talvez, seu inconsciente
Fosse mais forte que ele,
E se ele tivesse por
Algumas horas seu amor,
Lhe valeria pela vida.
Ele se permitiria sonhar
Com ela esta noite,
E no amanhecer tudo mudaria.

No amanhecer ele foi
Para o trabalho,
Retornou ao Batalhão
Ignorando a ordem anterior.
Lá de olhos abertos
Para o futuro se viu com Alice
E viveu cada instante deste amor
Como se com ela estivesse.

De tão puro e profundo
A sentiu consigo,
A viu em seus braços,
E a fez suspirar de alívio
E segurança,
Então, quando o outro Coronel
Decidiu tomar a mesma atitude
Anterior,
Ele pode presenciar
Sem estar lá.

O que viu o espantou,
O deixou aterrorizado,
Quase em pânico.
Acreditando que o outro Coronel
Estava com ela,
Este, lá do céu
Gritou para que saísse
E abriu a porta
Com a arma apontada para a casa.

Vez que o Coronel não saiu,
Pois também não estava lá,
Ele atirou,
Se aproximou bastante da casa
E investiu munição
Contra o telhado de Alice.
Que assustada jogou-se no chão,
Cobrindo a cabeça com as mãos.

Tiago Gritou,
Deu voz de prisão,
Empunhou a arma e
atirou,
Estava longe demais,
Alice morreria naquele instante,
Porém, seu amor foi mais forte,
Ele atirou outra vez
E derrubou a aeronave.

Alice pode ouvir seu grito,
Seu espasmo de medo,
Seu choro vitorioso,
Outro Coronel foi abatido,
Desta vez, os chefes do estupro
Haviam sido retirados
Da corporação militar.

Restava os subalternos,
Com suas investidas,
Mentiras e apoio anterior.
Do nada,
Tiago se desfez de seu trabalho
E surgiu na casa de Alice,
A recolhendo do chão
E constando as balas soltas
Próximas a ela
Que perfuraram seu telhado
E foro e ficaram no chão
Inofensivas.

Casada, Mãe e Trisal

 - Olá, meu amor,

Você é o que tenho

De mais importante,

Sinto medo se meu para sempre

Não o tiver comigo.


Disse Angelina ajoelhada

No chão de terra

Com gotas de chuva

Iniciando a cair sobre

Os seus cabelos curtos.


-Eu fiquei louca

Por você,

Fiz tudo que pude,

Me chamaram de puta

E eu cortei todo o cabelo

Para mostrar meu rosto

Perfeito, redondo e ingenuo

Igual ao seu,

Eu juro.


Ela insistiu,

A chuva ficou mais forte

E descia torrencial

Até suas mãos

Levando terra e sujeira

Do chão.


-Eu não mereço você,

Poxa, eu errei tanto,

Fui casada,

Me divorciei,

Nunca fui fiel,

Mas tudo mudou

Assim que te vi,

Eu juro,

Sendo sua

Não seria de outro.


A chuva percorria

Seus cabelos curtos

Molhando seu rosto

Como se fosse suor

De uma noite de amor tórrido,

Mas, ali escorria chuva,

Lágrimas e dor.


Agora que encontrou Juliano

Todos o desejavam,

Todos moviam montanhas por ele,

E Angelina ali,

Tão frágil, forte e submissa.


Realmente o destino

Não lhe foi promissor,

A fez casar-se cedo,

Aos 15 anos,

Lhe deu um filho

E três anos após lhe tirou.


Seu esposo,

Um sujeito cruel

Se pôs a esconder-se

Com o menino no quarto,

Seu pranto

Deixava Angelina louca,

Mas a porta trancada

Impedia a sua entrada,

Não importava quais 

Eram seus gritos de socorro

Ou o quanto alto fossem,

Tiano o matou.


Só soltou a criança

Quando esta ficou

Sem vida e esmorecida

Nos braços de Angelina,

Simplesmente, ele abriu a porta

E a entregou roxo e silencioso.


Os brinquedos espalhados

Pela casa foram guardados

Numa caixinha de papelão,

Que logo Tiano descobriu

E queimou todos.


O sorriso da criança se apagou,

Seu pranto cessou,

Também suas dores abdominais,

Sua voz emudeceu

E suas roupas foram tomadas

Da mão de Angelina

Para serem jogadas

Sobre a lata da lixeira.


A dor foi imensurável,

Mas, logo Tiano se afeiçoou

A uma criança de uma prima

E passou a maior parte do tempo

Em que não trabalhava 

Na casa da própria.


Angelina foi renegada

Aos cantos da casa

Sempre limpando

E nunca sendo valorizada.

Seu batom acabou

E com ele a vontade 

De adquirir outro,

A minissaia rodada escapou

E nenhuma vontade lhe surgiu

De comprar outra,

A última camisola rasgou

E nenhuma vontade lhe surgiu

De comprar uma nova.


Convites surgiram

De suas redes sociais

Para ela sair de casa

E se aproximar de amigos,

Conhecer novas pessoas,

Interagir,

E fotografias chegavam

No celular de seu esposo

Com o menino no colo,

Abraçado a criança sentado

De peito nu,

E pés descalços.


Foi estranha a atitude,

E isso a levou para a faculdade,

Lá na classe,

Tomou partido de nova aula

Optativa onde conheceu

Um professor

Que não tardou lhe ofereceu

Notas e um emprego

Em troca de favores sexuais.


Angelina ficou arrasada,

Trancou a faculdade e

Foi viajar para a praia,

Era frio

Mas ela arriscou um biquíni.


No retorno,

Abriu a porta de casa

E encontrou Tiano 

Com uma criança

Fazendo sexo sobre o sofá,

De imediato avançou 

Irritada sobre ele

E lhe desferiu golpes 

De punho fechado

Para que se afastasse.


Ele foi até a cozinha,

Pegou uma faca

E a esfaqueou no peito,

Angelina ajoelhada

De dor,

Removeu a faca e

Empurrou com a própria mão

De Tiano contra o peito dele.


Ele não resistiu,

Caiu sangrando,

Chacoalhando o corpo

De dor e ficou ali imóvel.

Angelina pegou a criança

Pelo braço e a pôs para fora.


A vizinha correu até ela irritada,

Ameaçou processá-la,

Chamou a polícia 

E denunciou Angelina 

Pelo assassinato de Tiano,

E informou que a criança

Era filho dele,

Então, exigiu a casa de Angelina

Como retorno financeiro.


Angelina sofreu,

Buscou um advogado

E retornou a classe escolar,

Apaixonou-se por Laerte,

Que impediu sua prisão

E a defendeu no tribunal do júri.


A criança fez exame 

E constatou o estupro,

Também constatou

Que  ele não era o pai,

Laerte comprava crianças

Em troca de favorecimento sexual.


Mas, um dia Juliano

Sobrevoou de helicóptero

A casa de Angelina

Indo realizar uma busca

E apreensão aerea

Devido ao fato de o caso

Ser especial porque o sujeito

Tinha muitas posses

E corria sério risco

De que ele fugisse

Por diversos meios,

Entre eles, através de veículo

Aéreo.


De longe, Angelina o viu,

A porta do helicóptero

Estava aberta e ele estava

Parado entre ela,

De arma na mão,

Rosto sério e sua beleza esplendorosa.


Angelina o ouviu

Gritar a voz de prisão e 

Pedir que o bandido não fugisse,

Pois viaturas o cercaram.

Seu coração acelerou,

E ela ligou para ele,

Tendo uma recaída em 

Seus sentimentos.


No passado,

Foi amante de Juliano,

E agora, após a morte de Tiano,

Retornava depois de cinco anos

A vê-lo e isto abalou

O que sentia por Laerte,

Até vê-lo e não sentir forças

Para desistir de ser sua.


Laerte fez generoso desconto

Em sua defesa criminal,

Mas, agora Angelina estava

Grávida outra vez,

E não sabia quem era o pai:

Juliano o policial civil

Ou Laerte o advogado criminal.


Decidiu por fim nos estudos

E foi aprovada como policial,

Grávida e aprovada,

Só esperava ser chamada

Para assumir sua função.


Não conseguiu separar-se

De nenhum dos homens

Que tanto amava

E isto a colocava em dúvida

Sobre como reagir,

Precisava contar

Que estava grávida

E depois disso,

Que não sabia quem 

Era o pai.


Quis o destino soar traiçoeiro,

Numa emboscada

Em que Juliano invadia

Uma residência em flagrante delito,

Ele foi surpreeendido

Pelo sujeito armado

Que atirou contra seu peito

E o deixou debilitado

Preso a uma cama hospitalar.


Angelina nunca o deixou,

E o nascimento da criança,

A linda menina trouxe vida

Ao seu olhar,

Nesta medida,

Larte foi buscar um laudo médico

Para um cliente no hospital

E a viu.


Sorrindo, com a criança 

No colo olhando Juliano

Na maca.

Seu coração impetuoso,

A amou mais que a qualquer outra

E isto o impediu de abandoná-la.


A menina era surpreendentemente linda,

Seu sorriso fazia eco

Pelo cômodo

Enchendo a casa de vida.

Isso trouxe movimentos a Juliano,

Depois sua voz,

Então, certa vez ele 

Levantou da cama,

Sentou-se e abraçou ambas.


Angelina, Juliano e Laerte

Decidiram seguir a vida em comum,

Escolheram uma casa

Para os três e a filha,

E a registraram em nome

De todos,

Com os dois masculinos

Descritos como pai.


Andriane é especial

Possui uma mãe

E dois pais.

Angelina é casada com ambos,

Através de contrato conjugal,

A lei insiste que casamento

É feito de duas pessoas apenas,

E ainda exige que sejam

Um homem e outro mulher,

Mas, abre respaldo para que

Uniões afetivas como as de Angelina

Não fiquem ao acaso.


A igreja está alheia ao fato,

O padre recusou-se 

A levar o pedido dos três

Para o Papa fazer um respaldo

Em favor do casamento dos três,

É sonho de todos casar-se

Com a benção de Deus,

Mas, os pais de cada um

Concederam suas bençãos,

E os irmãos foram testemunhas

De seu amor,

Também dois casais próximo

A eles.


O casamento ocorreu no quintal

De sua casa,

Sua filha foi vestida de aia,

Com vestido azul e uma

Cesta de flores na mão

Espalhando sobre o gramado.


Juliano separou alguns policiais

Vestidos a caráter

Para levantar suas armas

Ao alto e atirar um tiro falso

Feito de barulho e fogo

Quando o trisal se afastasse

Da mesa onde o juiz celebrou

O casamento.


De uniforme negro,

E pistola para o alto,

Juliano e Laerte decidiram

Dar um fim,

Um tiro fatal no preconceito

Das pessoas 

Que rexplandesse na lei

E impede o casamento 

De mais de duas pessoas,

Ou de pessoas do mesmo sexo.


E Laerte pediu que

Os advogados que trabalham

Para ele trouxessem um abaixo assinado

Para que cada convidado assinasse

Pedindo a liberação do casamento

Homoafetivo e de mais de duas pessoas

Pela lei e pela igreja,

O qual seria remetido 

A um senador e deputado

Próximos a família para proposição

De um projeto de lei.


Depois do acordo de vontades

Assinado, o trisal saiu do local

E o tiro foi dado para o alto,

O documento passou de mão

Em mão, 

E então, foi entregue ao

Deputado e Senador presentes

Para envio como projeto de lei.

Ciúmes na Faculdade