De um sopro
E o pos sobre a terra
Que é feita do pó.
Sobre a terra
Anfarel juntou seu povo
E foi viver perto
Do mar salgado,
Ficando sujeitos a Moisés
Pois ele era dono
Da água doce.
Desde os primórdios
Se discute a necessidade
Da ética para intermediar
As relações entre homens,
E entre estes e a natureza,
Vez que Deus entregou a terra a todos
Como um bem disponível,
Porém, algumas coisas se centralizaram
Nas mãos de alguns,
O que deixou estes bens indisponíveis
Aos demais exceto
Se o que detem o bem o disponibilize
Para todos por meio de um preço.
-Móises, está cara a sua água.
Disse Anfarel.
-Nós somos sujeitos simples,
Precisamos de água,
Nas relações sociais é preciso haver
Uma dignificação da razão humana.
Isto é, colocar um patamar
De respeito nos pensamentos
E no direcionamento com as
Outras pessoas.
-Anfarel trabalhe e pague.
O preço é simples,
E esta terra que você pisa
É minha, por tanto,
Use seu esforço e conhecimento
Para alcançar o valor e
Ter direitos a água.
-Sem água, Moisés
Como iremos sobreviver
E nos desenvolver como um povo?
-Anfarel, vocês são jovens e fortes,
Peguem suas pás e enchadas
E coloquem-se no trabalho,
Há um mar na frente de vocês
Vão até ele,
Reconheçam suas águas e
Tirem de lá seu sustento.
-Eu preciso entender o sentido
Desta parte da terra ser sua
E encontrar um posicionamento
De por que seu povo merece
A água gratuitamente e o meu
Tenha de pagar.
-Anfarel, Deus me proporcionou
A água e não o fez para você,
Você tem um preço a pagar,
Esta é a lei de Deus,
Se eu disperdiçar a água
Dando a todos que vierem
Para usar como quiserem
Logo ninguém mais a terá,
Ela me exige este preço
E eu tenho que cobrar
Pois estou me arriscando a perde-la,
Cada gota que você usufrui
Me é no poço uma gota a menos,
Trabalhe.
Neste ano 1.000 a.C alguns primeiros
Pensamentos iniciavam a ganhar escrita,
No mais apenas muito mais tarde
O Código de Hamurabi
Tentoub fundamentar as relações humanas
E jurídicas do povo,
Antes disso, prevalecia a lei
Do mais forte,
Num intuito de remeter tudo a Deus
E sua vontade.
Doze anos eles foram escravizados,
Teciam suas redes
E faziam seus barcos
De pesca e viviam
Do peixe que buscavam.
Moisés cobrava do povo de Anfarel
Preço alto,
Pois as águas do mar exigiam
Mais conhecimento e tecnica
Do que o trabalho na terra seca.
Muitas vidas se perderam,
A vastidão do mar guardava
Seus animais traiçoeiros
Que não teimavam em ceifar vidas,
Fosse quais fossem.
Certa vez,
Ao cair do barco Anfarel
Teve de brigar com um tubarão,
Foram necessárias muitas lanças
E muito nado para ele salvar-se,
Ele foi salvo e puxado para dentro
Do barco com escoriações
E um corte grave no braço.
E isto lhe proporcionou um dano permanente
Que justificou atraso no desenvolvimento
Da pesca e na limpeza dos peixes
Entregues a Moisés.
O mar não é tão calmo
E bondoso,
Vendo Amfarel prosperar
Na aquisição de água
E mantimentos,
Ele, por vezes tragou
O barco de Anfarel
E levou toda uma embarcação.
O povo de Anfarel
Ficou a deriva,
A fome veio e a miséria
Devorou o sorriso,
A roupa e a dignidade
Daqueles homens.
Anfarel foi até Moisés
Para oferecer serviço
No campo em troca de comida,
Moisés acertou
E a fome do povo de Anfarel
Foi sanada
E logo a pesca pode ser recomendada.
O povo de Anfarel,
Aprendeu a entrar
Na água e pescar com lança
E a linha,
Então, mulheres e crianças
Começaram a exercer o serviço
De pesca.
Todos aprenderam a nadar,
Mas, o mar é profundo e arredio,
Seduziu muitos,
Deixou poucos.
O trabalho era árduo.
Doze anos durou esta escravização,
Em que Anfarel viveu praticamente
Dentro do mar.
Construindo o barco
Na manhã para perder
Até mesmo as vidas dele
No entardecer.
Então, Moisés o vendo prosperar
Desatou as embarcações
De Anfarel e as largou
Mar a dentro.
Anfarel fez aos corpos
Que encontrou a deriva
Covas profundas
E colocou cada qual
Em sua própria
Lhe dedicando orações
E as vidas cujos corpos
Não foram encontrados
Foram simbolização
Por uma grande cruz
De madeira
Com pedaços de tecido
Enlaçados nela
Para simbolizar a alma
De cada uma.
A dor foi intensa
Naquele povo.
Entristecida Marianne
Filha de Anfarel
Foi até próximo ao mar
Onde dedicou seu choro
A um amor,
Desejou que esse amor
Viesse com a salvação
Para a dor e as perdas
Do povo de seu pai.
Então, ela pegou um punhal
E escreveu suas dores
Em frases curtas
Na areia da praia,
E sobre pedras de perto
Da margem do mar,
Onde desenhou seu rosto
E fez retratos de animais
Abundantes pelos arredores.
3026 anos após isso
E alguns anos mais até,
Tom molhou seu rosto
Nestas águas
E sentiu o sabor do choro
De Marianne vindo do mar.
Notou no mar aquelas pedras
Escritas na beira da areia
Que falavam de dores
E remorsos por seus mortos
E famílias inteiras consumidas
Pelas águas marítimas.
Tom sentiu no coração piedade
Por Marianne
E enviou a ela sinais
De que a amava
E iria ajudar.
Notou também o desenho
De animais tão dóceis
E bonitos que ele desejou
Em sua alma tê-los conhecido,
Contudo, a caça motivada
Pela busca de alimento,
E a poluição desregrada
Levou estas espécies a extinção,
Então, ele desejou criar uma política
Nacionale internacional sobre o meio ambiente,
Onde escreveu para projeto de lei
Que iria propor:
"assegurar e proteger o meio ambiente
Para as presentes e futuras gerações,
Tendo em vista que seu uso é coletivo."
Direito do povo ao meio ambiente "sadio
E equilibtrado, por ser bem de uso comum
Do povo essencial a sadia qualidade de vida",
"O meio ambiente não é coisa de ninguém,
Disponível para qualquer alguém
Que venha, lhe tome e faça dele
O que desejar."
Assim descrito,
Ele assinou e levou até o governador
Do estado de seu pais,
Com vistas a preservar as vidas,
Recuperar o meio ambiente.
E seu coração pulsou mais forte,
Porque ele soube em seu íntimo
Que iria progredir nos seus intuitos.
Retornou a praia,
E passou os olhos sobre
As pedras escritas outra vez,
Compadecido pela dor
Daquela moça de olhos suaves
E sorriso fragil ele
Atirou uma flecha
Para o céu rumando a ela
3026 no passado,
A flecha chegou no céu
E retornou e quando voltou
De súbito chegou ao passado
Onde disse:
" eu te amo
E vou te dar socorro!"
Havia no fim da própria flecha
Corações rabiscados.
A flecha caiu em chamas
Um pouco próxima a Marianne
Que juntou areia sem parar
Do chão e jogou sobre
A flecha para ela se apagar.
A flecha apagou-se
E de sua ponta escorreu água
E ao ser retirada da areia,
A água não cessou.
Ao ler a flecha Marianne
Se sentiu amada por Tom
E ao beija-la notou que era doce,
E foi agradecer a areia
Que a trouxe beijando
A água que brotou
Então notou que vinha dali
Água pura, cristalina e doce.
Agora não precisariam
De Moisés para ter água
E poderiam saciar-se
E plantar sobre a terra,
Mas, a terra pertencia a Moisés
E ele recusou-se a entrega-la,
Porém a fonte que escorria
Foi escondida por tamareiras
E ninguém exceto o povo
De Anfarel soube da água,
Ainda.
-Você acha justo filha
Que nós tenhamos água
E não contemos ao povo de Moisés?
Indagou-lhe seu pai.
-É certo pai, o justo é o que
Dá sentido de equivalência
E igualdade, Moisés tem a água
Por preço muito alto
E nosso alimento se torna inferior,
Isso dificulta nosso progresso.
-Mas, esta terra em que estamos é dele,
E logo ele nos pedirá contas.
O que diremos?
- Sim, papai,
É ilegal que retenhamos a água,
Mas, é justo para nós
Que somos dignos e trabalhadores
E precisamos sobreviver e ficar fortes.
O mundo é enorme
E é de todos.
-Sim filha, precisamos de algo
Que corrija nossas distorções
E nos posicione em igualdade
Entre todos os povos.
-A igualdade é difícil de ser encontrada
Porque ele é também um posicionamento
Íntimo da pessoa,
Ela sai do interior e expressa-se em atitudes,
Mas, nós precisamos muito
De algo maior que a palavra falada
Para direcionar nosas ações
E nos dar respaldo e independência,
Pois o costume se torna hábito
E isso rege nosso condicionamento moral
Nas relações pessoais e com a natureza.
-A terra é de todos.
Os bens naturais também devem ser.
-Verdade pai,
A vida é um grande milagre,
E se ela deixa de existir
Não há retorno.
Precisamos ser cuidadosos,
humanos e justos com todos.
Mariane pode escrever
A partir do fato
Sobre ama-lo
E um dia chegar a encontra-lo.
Os filhos de Anfarel choraram,
Os amigos e seus adeptos
Sofreram.
O medo de que a água fosse
Encontrada por Moisés e
Cobrada a preço de suas vidas,
Gerou desconforto.
Moisés sorriu e festejou
Está dor.
Mesmo sem entender de
Que se tratava
Ele pode ver aquele povo sofrer.
Em uma noite
As redes foram todas roubadas,
Noutras as linhas
Foram queimadas junto
Com o barracão onde vivia
O povo de Anfarel.
3026 anos seguintes
Tom olhou para o céu,
Depois de algum tempo
Caminhando na areia da praia
E encontrou uma flor
Que floriu imediatamente,
Entre ela havia um ninho
De passarinho com ovos.
Novas espécies estavam ali.
Ele sorriu e soube que Marianne
Foi salva então,
Quando estava agachado
Colhendo a flor,
Uma linda garota
De pernas torneadas o abraçou,
Falando um idioma arrastado
e quase desconhecido,
Ele suspirou e arfou pesadamente,
-Marianne?
Ele disse,
Sem levantar os olhos da flor.
A garota o abraçou fortemente
Na cintura e beijou seu rosto,
Enquanto tocava a flor
Sobre a mão dele.
Anfarel sofreu para sair,
O barracão de madeira
E folha de tamareira
Estava em chamas e não havia saída,
A porta estava emperrada.
Ao sair pelo teto e
Jogar-se de lá oito metros
Céu abaixo,
Anfarel encontrou a porta
Pregada com uma tábua
Sobre ela impedindo
Que fosse aberta
E as chamas consumiam tudo
Em labaredas enormes.
Anfarel jogou água salgada
Com o balde e arrancou
A porta com suas mãos,
Muitos de seu povo saiu
Outros foram fracos
E morreram.
- é exagero esta dor.
Alguém tem causado
Nosso mal!
Gritou Anfarel e declarou guerra.
- contra quem?
Indagou um dentre eles.
- contra Moisés,
Nenhum de nós teria pregado
A porta por dentro,
Isto foi uma cilada!
Ele gritou.
Anfarel cavou poços
Ao redor dos locais
Onde estavam os barcos
E o barracão,
E sinalizou com uma pedra verde,
Pondo Sobre o poço folhas
De tamareiras e folhas
De outras árvores dentro.
-Moisés considera os bens materiais
Bençãos dividas mas ele precisa
Trabalhar e pagar preço justo
Pelos bens que tem,
Não é justo que ele acredite
Que tudo que é dele caiu do céu
E o que nos sobra é trabalhar.
Disse Anfarel ao seu povo.
-A enxada esta escravizando o povo
Que trabalha sem parar
E tudo vira deserto.
-Aonde nos leva tanto desmatamento,
Pesca e caça desregrada?
Ele indagava de sobre
Um tronco de árvore caída.
- A terra é casa e sustento de todos
Em igualdade,
É preciso lutar por respeito
de maneira que ele vire um costume
Que circunde as relações sociais,
Para virar moral entre os homens
E lei na sociedade.
Disse um de seus servos
Presente a frente dele entre os demais.
-Precisamos de igualdade e liberdade.
Disse outro,
Então, eles continuaram
A organizar os poços.
No fundo do poço
Ele jogou pedras
Para que aquele que caísse
Também desfalecesse.
Cada poço era profundo.
Quando Moisés o atacou
Com seu povo
Dono das águas doces,
O povo caiu nos poços
Ferindo-se e não podendo
Sair.
Moisés também caiu,
Anfarel juntou todos
Os bens de Moisés
E de seu povo e fugiu.
Moisés teria que pagar
Por seus danos
E Anfarel não sabia lutar,
Ele apreendeu apenas
A trabalhar desde o início
E ferir não estava
Entre seus planos.
Por isso, optou apenas
Por fazer os poços e deixou
Todos os que foram atacá-lo
Lá dentro,
Com liberdade para saírem
Quando fossem capazes,
Pois sua confiança estava
Em Deus,
e Deus lhes daria a ideia
E oportunidade para sairem.
Moisés e seu povo caíram e
Enfraqueceram.
Adiante no tempo
Tom escreveu a Carta da Terra,
Onde propos diretrizes para o povo
Se guiar com relação ao meio ambiente
Propondo uma ética ambiental
"Estamos expostos a grandes riscos
e sujeitos a grandes promessas,"
Ele escreveu
"onde impera a diversidade
De cultura e de vidas,
Somos uma família humana
Com destino comum,
Estamos rumando a sociadade
a fundar-se no respeito pela natureza
na direção de diminuir danos e riscos
Contra a vida humana
Com vistas a um mundo democrático
e humano, pois todos são responsaveis
Pela qualidade de vida e direcionamento
De recursos ambientais, dentre outras propostas."
Ao final ele assinou com sua esposa.