terça-feira, 6 de outubro de 2026

Saudade

 Saudade

Gostaria de estar

Perto tanto quanto

Eu sinto falta,

Gostaria de abraçar

Tanto quanto

Eu sinto sua falta,

Gostaria de te beijar

Tanto quanto sinto sua falta.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

inesquecível beijo

Foi na cidadezinha do interior,
Debaixo do sol poente
Entre nuvens esparsas
De neblina de chuva,
Que encontrei,
Pela terceira ou quarta vez,
A pessoa a qual beijei
E desesperadamente me apaixonei. 

Antes disso,
Nada me despertou encantos,
No entanto,
O acordar para o amor
Se deu ali na silenciosa cidade
Onde tudo parou no tempo
E as pessoas se cumprimentam 
Com amizade a todos que passam,
Sabendo tudo da vida 
De um e outro,
Sabiam de mim:
Nunca me dei ao amor,
Sabiam sobre ele:
Teve todas que desejou.

É com a memória confusa 
Que trago o rosto
Deste que correu o tempo
E não pude esquecer.
Apesar de neblina
Eu o via nitidamente 
E a luz do poente
Refletia em sua pele 
Me fazendo suspirar sonhos 
Que não imaginei 
Que teria.

Lembro-me e como iria esquecer?
As seis da tarde
Ele saia do trabalho
E o acaso me levou até lá,
Em Nova Erechim 
Vi o grande homem
Que detinha minha admiração 
E sua beleza me guiou
Ao seu coração,
O beijo ocorreu no meio
Da rua a vista de todos -
O inesquecível beijo. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Imposição da palavra

O homem de conhecimento 
E palavras estranhas
Desconhece o simplificado
E usa outros termos
De significado distinto
Para obter a resposta
Que deseja.

Ele manuseia o vocabulário 
E alcança a resposta que quer,
Ato contínuo desta,
Ele manipula a ação,
E do ato simplificado
Alcanca-se o esperado. 

A partir de então,
Tudo segue o roteiro
Do como ele desejou 
Até aquele instante. 
Os passantes já não sabem
O que ouvem
Ou podem testemunhar
O que acontece.

Solidão, indiferença e desigualdade. 
Uma palavra arredia
E todo o ato a segue.
Do que ocorreu
E era imutável 
Se coloca ou retira 
O que desejar.

Nada corresponde 
Exceto o que o homem
Da voz impõe 
A mulher que não lê 
Por não saber 
Nem ao menos escrever.

há emboscadas no amor

Existe os beijos
E o gosto na boca
Para lembrança 
Das chamas
Que reavivam a memória
De um amor ferido
Que doou-se por inteiro
E foi embora.

A passadas eu ando
Na rua onde já 
Esperei por ele,
Apegada a esperança 
De ve-lo passar,
Me olhar 
Ou quiçá Deus
Me beijar!

Onde está?
Bem longe, talvez.
Talvez perto,
Mas, oculto.
Quem sabe?
Com o bacamarte
Em punho
E nos lábios 
Mil frases de desdém,
É, amor demais enfraquece...

O coração implora prudência,
Os amigos apontam o dedo,
Falam o que bem entendem,
Ofuscam as lembranças.
Solidão,
E eu nela sinto desconfiança,
Fora dela 
Busco seu perdão. 

Não se ve pessoa alguma,
Razão para sentir receio,
Com quem está
Este que me põe na retaguarda 
E me pede desvelo?
Trata-se do fim de um beijo
Que me deixou em má reputação,
Busquei-o sem motivação,
Perdi-o na mesma entoação.

É uma provável emboscada.
Trinta frases de eu te amo
Não apagam uma garota
De vestido curto e boas pernas,
Eu desfaleço no que sinto,
A Solidão desvalora o feminino.

De súbito um pequeno terço 
É levantado sobre uma das mãos 
E uma voz feminina grita
Um nome a pleno pulmão:
Ele olha, a ve, aguarda
Não diz nada,
Retira o óculos 
De aro escuro
Limpa os olhos e olha.

Parece aguardar uma voz
De dentro de si para agir,
Algum comando 
Ou algo assim.
A voz feminina se levanta 
Fala de lembranças 
E beijos que não foi capaz
De cuspir fora,
Esquecer ou se arrepender.

A voz arrisca-se:
Atire-me se for capaz,
Um ato de rejeição seu
E desfaleço nesta rua,
Não serei mais mulher
Abandono a condição,
Serei maldita e das ruas,
Se assim lhe pede seu coração. 
Ela remexia com os dedos
Aquelas pequenas bolas
Do terço como em uma oração. 

Ele sorriu olhando 
Para o céu,
Levantou o rosto de olhos
Escuros e redondos 
Depois o baixou sobre ela.
Havia ali com efeito alguém 
E este alguém falava de amor 
E emboscadas de paixão. 
O que faz aí?
Ele a indagou de supetão.
Busco seu amor
Que mais eu poderia?

Corre-se perigo,
O amor retira as certezas
Mas nos dá abrigo,
A maneira como uma mulher
Se entrega ao que sente
E fala traz valor ao feminino. 
Vai para dentro,
Não ve mulher que chove
Nesta hora?
Ela correu se abrigar nele.
A maneira como o homem
É sempre tão forte e 
Encontra respostas com facilidade 
Dá valor ao masculino. 
Ela o abraçou 
E abrigou o rosto 
Em seu peito 
Onde pensou em
Nunca mais sair,
Segurou forte o terço 
E rezou seu nome 
Como quem pede um milagre.

Nem Perdão Nem Prisão

Nem perdão,
Nem prisão 
A guerra é voluntária 
Luta-se pelo que
Não se tem
E sendo oferecido
Não convence
Por estar desvalido
E nem chegar ao alcance.

A politicagem do voto
Se alastra pelos bairros
Toma as ruas
Ganha o interior,
Trafega-se por caminhos
Nunca andados
E pouco após 
Esquecidos.

Chega de palavratorio,
De voto por convencimento 
Através de diálogo falso,
Proposta sem crença 
Não alimenta,
Intenção sem ação 
Não se credita,
De um lado o povo
Luta pelo pão 
E sofre no trabalho
Feito cão 
De outro lado
O herói voluntário 
Armado de punhos
E ideias revolucionárias
Não limpa o próprio armário,
Não cuida da família,
Ganha o pão por doação.

Chega deste tipo 
De herói sem convicção
Que detesta o povo trabalhador,
Prefere a guerra
Ao invés de solucionar,
Só pensa em crescimento próprio 
Sem ver no seu lado
O povo sofrido
Que trabalha dobrado 
E não sabe se defender
Deste típico herói safado.

Onde reina o dinheiro,
Impera o terror,
O sangue escorre nos dedos 
Do povo trabalhador 
E calejado
E daquele que farqueja
O punho no aço 
Da arma que usa
Para pôr de lados opostos
Cidadãos de um mesmo país.

De um lado ergue-se a revolução 
E o cansaço causado pelo 
Sofrimento de tanto trabalhar
E não alcançar sucesso.

De outro lado ergue-se o policial
Marchando por ideias egoístas 
Num conflito bárbaro 
Que faz pender do inocente
Ao culpado
Que coloca o cidadão armado
Contra o trabalhador indefeso.

Considerando que do povo
Todos vem
Mas poucos absorvem
As necessidades 
Indaga-se para que
Tanto falatório 
Se o fazer permanece
Nem na mão do calejado trabalhador 
Nem na munição do policial revolucionador
Mas fica por fazer.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

resto

Por que tudo não pode
Sair como a gente quer?
Por que tudo não se desenvolve
Conforme a gente sonha?
O tempo passa
Rostos surgem e outros somem
E eu continuo querendo 
O impossível,
O distante,
Sobram os restos,
O que não prestou,
As sobras do que
Não deu certo.
Será que é porque
A gente não tenta o suficiente?
Será que é porque
A gente se contentar facilmente?
E se tudo se for
E o que restar
Não contentar?
Como organizar o ódio 
Dentro da gente?
Como amenizar a dor
Reprimir o desejo
De rasgar tudo
Cada centímetro de pele?
Arrancar cada olho,
Destruir cada dente
Esmiuçar cada sorriso
Até não restar nenhum?!
Pedro seu nome é de bosta
E você é de merda!

diploma

Não parece
Que a formação universitária 
Exige tanto de você,
Da sua mente,
Da sua capacidade,
Do seu caráter. 
Você se cobra por anos 
Estuda feito louco
E quando chega o diploma 
Precisa descansar um pouco
E buscar aquilo para quê 
Você se empenhou tanto.
Aí vem os desencargos,
O não dar certo,
As dificuldades que a cadeira escolar
Não te mostraram,
E as facilidades 
Que um bom
E mal pago estágio 
Te proporcionaram.
No desespero
Você pensa que para o outro
É mais fácil,
Mais simples,
Mais corriqueiro.
Mas não,
É difícil seguir com maturidade,
Estar a par do erro e evita-lo,
Estar tentado ao sucesso
Por meios sórdidos 
E afasta-lo.
Preferir o anonimato de estar certo
Ao invés dos holofotes 
Daqueles que fazem 
Do ganho ilícito 
O meio de crescimento.
O diploma é árduo 
E o após ele também,
Preparar-se e não desistir
É o que traz o sucesso.

Saudade