-Eu amo você,
Vamos ficar juntos
Para sempre!
Angelino disse
Entre sussurros e beijos
Sobre os lábios de Debora.
-Eu te amo para sempre.
Ela respondeu.
Dormiram juntos
no apartamento dela,
As sete em ponto Angelino
Se levantou fez o café
E chamou Debora,
As sete e meia eles saíram juntos
Para o trabalho,
No mesmo carro.
Debora não se importou
de ir com ele
E ao meio-dia voltar a pé
Para o apê afim de se alimentar,
No caminho eles conversaram
Muito mais e trocaram ideias,
Trabalhavam em bairros diferentes
E moravam longe um do outro.
Porém, em cada noite
Ela o chamaria e ele a levaria
Para casa,
Então, ficariam juntos
Até que num belo dia
Se casariam.
Ela optou por não apresentá-lo
Aos pais,
Ainda era cedo e ela queria conhecê-lo melhor.
Sua melhor parceira de festas,
A irmã mais velha Bianca
Postou uma fotografia dela
Velejando numa praia próxima
Com seringas ao seu lado,
Sim, Bianca recaiu para a droga,
E seu pai tendo acesso a esta fotografia
Infartou no mesmo instante.
Ele fazia tratamento
Para pressão alta
Há muitos anos,
Sofria com isso,
Sempre estava entre 18 e 19
Por 11, 12, 13, 14.
O tratamento exigia que ele
Não fizesse uso de bebida alcoólica,
Mas isso nunca o impediu de beber
As escondidas uma cervejinha gelada
De vez em quando,
Já Pamela, a esposa dele fumava
Sem parar recostada num canto qualquer
Da casa.
Já não se escondia,
Ou fingia,
Fumava cigarros abertamente,
Seus pais, velhos e cansados
Trabalharam com isso a vida toda.
Eles possuiam uma empresa
Que confeccionava cigarros
E charutos.
Todo ano eles possuem fumicultores
Que plantam tabaco para eles
e os entregam o produto seco,
Pronto para passar pelo processo
De esmagar as folhas do fumo,
Esfarelar e juntar num enrolado
De papel com o timbre da empresa.
O processo era simples e rentoso,
Milhões de famílias sobreviviam
Devido a terceirização do serviço
Do plantio, colheita, secagem,
Enfardamento e entrega.
Eles eram empresários respeitados
No país inteiro.
Mesmo com a recaída no que refere-se
A venda do produto e usuários,
Cada vez menos os jovens
Tem se entregado ao uso do tabaco,
Eles tem preferido o uso de drogas ilícitas
E bebidas alcoólicas que produzem
Um efeito mais duradouro e
animados a eles.
Pamela não optou por trabalhar
Na empresa, mas sua filha
assumiu o negócio da mãe.
Já Bianca se entrosou ao vício,
E preferiu uma vida de viagens,
Animações e a maldita seringa de drogas
Injetada na veia
Até a produção de dormência,
Uma alegria falsa
E o perdimento dela em qualquer
Lugar que gera comoção
Na família até que alguém
A encontra caída num canto,
Com maquiagem desfeita,
Vestido rasgado,
Bolsa com conteúdo esparramado
E inconsciente.
Nestes instantes
Ela esquece tudo que aconteceu,
E até mesmo onde está
Ou porque foi até ali,
Ela possui muitos amigos,
Seu pai sempre precisa pagar alguém
Para cuidar dela,
Até que encontra este alguém
Também caído com ela
E decide trocar suas amizades.
Amar um filho é simples,
Mas, é preciso estar atento as suas amizades
E isso, as vezes, implica gastos,
Ele paga por muitas das companhias
De Bianca, até mesmo seus namoradinhos
E tenda direcionar as ações deles
Com ela para que ela se fortaleça,
E case-se, então, forme sua família.
Eles nunca optaram pelo internamento dela,
Bianca é jovem e descompromissada.
Seu pai decide presentes
Que ela ganhará e tenda direcionar
Os locais onde passará.
Mas, nem sempre é simples
E sua doença piorou tudo.
Levado numa maca para o internamento,
Desta vez, ele não salvou-se: morreu.
O enterro foi preocupante,
Bianca não atendeu o telefone,
E ninguém sabia seu paradeiro,
Sua mãe não parou de fumar
Sobre o caixão,
Debora convidou Angelino
Que não a deixou sozinha
Por um único instante,
Apenas aí ele teve conhecimento
Do velho pai de Debora
E o perdeu sem poder lhe dar
Um abraço ou uma palavra amiga.
No entanto, levou flores
e abraçou a sogra o tempo inteiro,
O irmão de Debora não deixou
As amizades sempre conversando
Entre um e outro
E mantendo entre os dedos
Uma xícara de café fumegante.
Ele era um dos administradores
Da empresa do avô,
Agora o testamento seria aberto
E a herança seria dividida
Entre os três,
Pois sua mãe estava debilitada
Para administrar tudo sozinha.
Não tardou,
ele entrou na empresa
Num rompante de ódio,
Como seu pai possuía apenas
Alguns terrenos e prédios
Era apenas isso que estava testado,
Por tanto, ele não estava tão rico
Quando gostaria
E nem poderia viver a vida
Que optou para si próprio.
Arredio com relação a família,
Henrique só desejava dividir
A empresa de cigarros,
Mas o avô negou-se ao ato,
e embora, contasse com seus oitenta
Anos de idade,
Era um velho diabético
E consideravelmente forte.
Impetuoso e arrogante
Ele fechou a porta da casa do avô
Com um tapa na cara dele:
-O que?
Eu sou o único homem da família,
Você tem que passar tudo para eu
Em doação e retirar Debora e Bianca
Do testamento com cláusula
De elas nunca tornarem-se
Donas de nada.
Ele gritou para o velho.
-Filho, você é tão
Meu neto quanto elas.
O velho revidou sentado no sofá.
-Tão seu neto?
Debora é alienada na vida,
Não possui filhos para sustentar
Nem família,
E Bianca é uma drogada,
Para que elas precisam
De bens ou dinheiro?
Eu administro tudo e eu
Darei a elas o que lhes cabe.
Ele gritou.
-É certo que isso
Não ocorrerá...
O avô levantou-se dizendo
E o neto levantou rapidamente
Lhe estapeando e saindo
De dentro da casa.
-Maldito velho que não morre,
Maldita casa que eu odeio,
Eu vou falar com vovó,
Isso não ficará desta forma!
-Meu filho,
Achem Bianca
Pelo amor de Deus,
Seu pai recem morreu
E vocês nem sentiram a falta dela,
Onde ela estará?
O velho indagou levando
A mão ao peito e sofrendo
Para respirar.
-Amor, amor,
Fique calmo.
Disse a sua esposa
Entrando na sala onde ele
Estava e o abraçando forte
Para mantê-lo no sofá.
-Não vá atrás de Henrique,
ele está irritado,
Você o conhece!
Henrique pegou o carro
E foi visitar uma de suas esposas,
Ele possuía três relacionamentos
Consecutivos e sete filhos.
Tinham um prédio inteiro
Da família em uso próprio.
Um prédio de seis andares,
Localizando no centro da cidade,
Com piscina, hidromassagem,
Garagem e salão de festas.
Bianca passou dois meses fora,
Debora se dilacerou de rua em rua
Da cidade a sua procura,
Pôs anúncio no jornal,
Pagou seguranças privados
Para irem atrás dela,
Procurou por delegacias,
Hospitais e locais públicos,
Buscou em cada prédio,
Pois na cidade todos eram amigos
De sua família e lhe permitiam
A entrada devido a situação conflitante.
Três meses depois ela ligou,
Disse que foi velejar fora da cidade,
Não trocou de roupa e pouco
Se alimentou e soube pela internet
Sobre o falecimento do pai
Não conseguiu se recuperar
e iria permanecer lá,
Onde estava,
Sem permitir visitas ou acesso
De parentes.
Henrique logo se aproveitou
Desta situação para expor ao avô
O comportamento desregrado da irmã
E insistir que a retirasse do testamento,
E citou o nome de Debora
Com ausente do serviço por meses.
-Todos os meses em que
Ela buscou pela irmã sem parar,
Henrique?
O avô indagou.
E colocou o neto e o advogado
Para fora de casa,
Depois serviu-se de wisky.
Irritado, o avô se esquecia
Da pressão alta e do diabetes
E bebia sem parar.
Sorvendo o cheiro do cigarro
de sua esposa que lhe chegava
Ao nariz vindo do cômodo próximo.
-Henrique se esforça
Para ser o único administrador
Da empresa amor?
Ele disse sorrindo.
-Não sei porquê ele faz isso.
Me irrita.
Ela respondeu.
Debora separou-se de Angelino
Em todo este período de tempo
Recusando suas ligações
E se mantendo distante,
Não se sentia segura
Para namorar e ter alguém perto.
Entristecida foi buscar apoio
No irmão,
Sem saber onde estaria,
Decidiu visitar uma de suas esposas,
Ao chegar lá,
O pegou bebendo vodka
com leite condensado e frutas.
-Olá, meu irmão,
Que saudade eu estava
De você.
Ela entrou dizendo.
-Pois é querida,
Estou tão tesudo de ver você
Que tenho uma salsicha
Aqui para você degustar.
Ele respondeu
Naqueles seus ímpetos de humor.
Debora aproximou-se rápida
Do sofá onde ele estava
E ele abriu o zíper da calça
De supetão e expos seu pênis.
-Você não tem homem,
Se expresse neste membro duro
Para você querida!
Dizendo isso
ele a puxou para perto,
E ela gritou estarrecida,
Sofreu falta de ar
e desmaiou.
Sua esposa aproximou-se dela,
Lhe trouxe água fria
Para molhar o rosto
E a ajudou a recuperar-se.
-Patricia, por que você
Permite ele tratar você desta forma?
Ela indagou caído no sofá
De frente a ele.
-Ele estava brincando
Com você Debora,
Você já tem quase quarenta anos,
Não tem namorado,
Família ou filhos e vive enrabichada nele...
-Não diga isso, Patricia.
Eu respeito meu irmão,
Nós sempre vivemos uma união
De integridade na família,
Eu vou abraça-lo
e então, irei para casa,
Eu sei que ele precisa de ajuda,
Ele está sofrendo.
Dedora disse,
Interrompendo Patricia,
Depois abraçou o irmão e saiu.
No caminho do retorno
Para casa decidiu passar na casa de Angelino,
E o encontrando pelo celular
Ficou por lá.
Assumiu o namoro
E optou por casar-se com ele
De imediato,
Mudando-se naquele instante
Para a casa dele.
Ao saber disso,
Sua irmã retornou da viagem,
Foi até o cemitério,
Levou flores para o pai,
E foi até a irmã
Chorar em seu abraço.
Unidas, Bianca se sentiu segura
Para confidenciar a irmã
Que sua vida estava fadada a morte rápida,
Ela adquiriu HIV ao ter relações
Com estranhos em lugares desconhecidos,
E não teve coragem de contar a ninguém.
Precisava fazer tratamento médico
Para sobreviver,
Mas evitou isso a todo custo.
-Eu a levo ao médico,
Vamos lutar por sua vida!
Debora disse.
-Não é tão simples,
é como se todos olhassem
Na cara da gente e reconhecessem,
Então, eles ficam com medo
E nos evitam.
Bianca respondeu.
-Não é bem assim,
Se muitos soubessem ajudariam,
Mas, não precisamos contar.
Debora respondeu
A abraçando forte.
-Eu não poderei ser mãe,
O vírus passa para o bebê,
Então, tenho evitado meu noivo
A todo custo,
Mas, não importa o que faço
Ele não me abandona.
Debora afagou os cabelos
De Bianca.
-E a doença lhe causa dor?
Indagou.
-Sim, meu corpo inteiro dói,
O próprio correr do sangue
Nas veias me mata de dor
Em cada segundo que eu existo,
Eu existo para sofrer.
Debora puxou Bianca
Para seu peito.
-Não acredito nisso,
Meu Deus,
Encontraremos a cura.
Debora decidiu ir passear
Na propriedade rural da família
E cultivar estufas de chás
Em busca de um remédio
E um conforto as dores da irmã.
Plantaram inúmeros tipos de chás,
Escreviam nas paredes
Os nomes e serventias,
E os tomavam o dia inteiro.
Dedicavam seu tempo a isso,
Limpeza da terra,
Plantio de sementes,
De mudas de chás,
E a dor de Bianca pareceu diminuir.
Ela, ao menos abandonou
O uso de drogas,
E Angelino vinha sempre
Passear ali com elas,
Onde ficava por alguns dias,
Até que, com várias estufas prontas,
Debora dividiu seus dias
Entre ir trabalhar na cidade
E dormir ali em cada noite,
Diminuiu seus horarios
Dentro da empresa
Para ficar mais ao lado da irmã
Que trouxe também o noivo
Para morar junto.
Moram juntos os quatro
No chalé de madeira da família.
-Perto de você eu não sofro minha irmã.
Bianca confidenciou
A Debora enquanto mexia
Na terra com uma espátula de ferro.
Henrique sentiu-se orgulhoso
Por ter a administração da empresa
Quase totalmente para si próprio
E investiu na área de importação de tabaco,
A empresa passou ao status de internacional,
Tendo reconhecimento em grandes países,
O patrimônio aumentou consideravelmente.
Tendo conhecimento do trabalho
Das irmãs e como meio de incentivo
Ele confeccionou um novo tipo de cigarro
Que insere chás em sua fórmula,
Ou seja, junto as folhas de tabaco
Ele coloca os chás para dar sabor.
O novo tipo fez sucesso e sua mãe
E sua avó aprovaram completamente.
Também as esposas,
Que tornaram-se tabagistas.