sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Guerra Fria no Deserto

Deus fez o homem
De um sopro
E o pos sobre a terra
Que é feita do pó. 
Sobre a terra
Anfarel juntou seu povo
E foi viver perto 
Do mar salgado,
Ficando sujeitos a Moisés 
Pois ele era dono 
Da água doce.

Desde os primórdios 
Se discute a necessidade
Da ética para intermediar
As relações entre homens,
E entre estes e a natureza,
Vez que Deus entregou a terra a todos
Como um bem disponível,
Porém, algumas coisas se centralizaram
Nas mãos de alguns,
O que deixou estes bens indisponíveis
Aos demais exceto
Se o que detem o bem o disponibilize
Para todos por meio de um preço.


-Móises, está cara a sua água.
Disse Anfarel.
-Nós somos sujeitos simples,
Precisamos de água,
Nas relações sociais é preciso haver
Uma dignificação da razão humana.
Isto é, colocar um patamar 
De respeito nos pensamentos
E no direcionamento com as 
Outras pessoas.
-Anfarel trabalhe e pague.
O preço é simples,
E esta terra que você pisa
É minha, por tanto,
Use seu esforço e conhecimento
Para alcançar o valor e 
Ter direitos a água.
-Sem água, Moisés 
Como iremos sobreviver
E nos desenvolver como um povo?
-Anfarel, vocês são jovens e fortes,
Peguem suas pás e enchadas
E coloquem-se no trabalho,
Há um mar na frente de vocês
Vão até ele,
Reconheçam suas águas e 
Tirem de lá seu sustento.
-Eu preciso entender o sentido
Desta parte da terra ser sua
E encontrar um posicionamento
De por que seu povo merece 
A água gratuitamente e o meu
Tenha de pagar.
-Anfarel, Deus me proporcionou
A água e não o fez para você,
Você tem um preço a pagar,
Esta é a lei de Deus,
Se eu disperdiçar a água
Dando a todos que vierem
Para usar como quiserem
Logo ninguém mais a terá,
Ela me exige este preço
E eu tenho que cobrar
Pois estou me arriscando a perde-la,
Cada gota que você usufrui
Me é no poço uma gota a menos,
Trabalhe.
Neste ano 1.000 a.C alguns primeiros
Pensamentos iniciavam a ganhar escrita,
No mais apenas muito mais tarde
O Código de Hamurabi 
Tentoub fundamentar as relações humanas
E jurídicas do povo,
Antes disso, prevalecia a lei 
Do mais forte,
Num intuito de remeter tudo a Deus
E sua vontade.

Doze anos eles foram escravizados,
Teciam suas redes
E faziam seus barcos
De pesca e viviam
Do peixe que buscavam.
Moisés cobrava do povo de Anfarel
Preço alto,
Pois as águas do mar exigiam
Mais conhecimento e tecnica
Do que o trabalho na terra seca.
Muitas vidas se perderam,
A vastidão do mar guardava
Seus animais traiçoeiros
Que não teimavam em ceifar vidas,
Fosse quais fossem.

Certa vez,
Ao cair do barco Anfarel
Teve de brigar com um tubarão,
Foram necessárias muitas lanças
E muito nado para ele salvar-se,
Ele foi salvo e puxado para dentro 
Do barco com escoriações
E um corte grave no braço.
E isto lhe proporcionou um dano permanente
Que justificou atraso no desenvolvimento
Da pesca e na limpeza dos peixes
Entregues a Moisés.

O mar não é tão calmo
E bondoso,
Vendo Amfarel prosperar
Na aquisição de água 
E mantimentos,
Ele, por vezes tragou 
O barco de Anfarel 
E levou toda uma embarcação. 

O povo de Anfarel
Ficou a deriva,
A fome veio e a miséria 
Devorou o sorriso,
A roupa e a dignidade 
Daqueles homens.

Anfarel foi até Moisés 
Para oferecer serviço 
No campo em troca de comida,
Moisés acertou
E a fome do povo de Anfarel
Foi sanada 
E logo a pesca pode ser recomendada.

O povo de Anfarel,
Aprendeu a entrar
Na água e pescar com lança 
E a linha,
Então, mulheres e crianças
Começaram a exercer o serviço
De pesca.
Todos aprenderam a nadar,
Mas, o mar é profundo e arredio,
Seduziu muitos,
Deixou poucos.
O trabalho era árduo. 
Doze anos durou esta escravização,
Em que Anfarel viveu praticamente 
Dentro do mar.

Construindo o barco 
Na manhã para perder
Até mesmo as vidas dele
No entardecer.
Então, Moisés o vendo prosperar 
Desatou as embarcações 
De Anfarel e as largou 
Mar a dentro.

Anfarel fez aos corpos
Que encontrou a deriva
Covas profundas 
E colocou cada qual
Em sua própria 
Lhe dedicando orações 
E as vidas cujos corpos
Não foram encontrados 
Foram simbolização
Por uma grande cruz 
De madeira 
Com pedaços de tecido
Enlaçados nela
Para simbolizar a alma
De cada uma.

A dor foi intensa 
Naquele povo.
Entristecida Marianne
Filha de Anfarel
Foi até próximo ao mar
Onde dedicou seu choro
A um amor,
Desejou que esse amor
Viesse com a salvação 
Para a dor e as perdas
Do povo de seu pai.

Então, ela pegou um punhal 
E escreveu suas dores
Em frases curtas 
Na areia da praia,
E sobre pedras de perto
Da margem do mar,
Onde desenhou seu rosto
E fez retratos de animais
Abundantes pelos arredores.

3026 anos após isso
E alguns anos mais até,
Tom molhou seu rosto
Nestas águas 
E sentiu o sabor do choro
De Marianne vindo do mar.

Notou no mar aquelas pedras
Escritas na beira da areia
Que falavam de dores
E remorsos por seus mortos
E famílias inteiras consumidas
Pelas águas marítimas. 
Tom sentiu no coração piedade
Por Marianne 
E enviou a ela sinais
De que a amava 
E iria ajudar.

Notou também o desenho
De animais tão dóceis 
E bonitos que ele desejou
Em sua alma tê-los conhecido,
Contudo, a caça motivada
Pela busca de alimento,
E a poluição desregrada
Levou estas espécies a extinção,
Então, ele desejou criar uma política
Nacionale internacional sobre o meio ambiente,
Onde escreveu para projeto de lei
Que iria propor:
"assegurar e proteger o meio ambiente
Para as presentes e futuras gerações,
Tendo em vista que seu uso é coletivo."
Direito do povo ao meio ambiente "sadio
E equilibtrado, por ser bem de uso comum
Do povo essencial a sadia qualidade de vida",
"O meio ambiente não é coisa de ninguém,
Disponível para qualquer alguém
Que venha, lhe tome e faça dele
O que desejar."
Assim descrito,
Ele assinou e levou até o governador
Do estado de seu pais,
Com vistas a preservar as vidas,
Recuperar o meio ambiente.

E seu coração pulsou mais forte,
Porque ele soube em seu íntimo
Que iria progredir nos seus intuitos.

Retornou a praia,
E passou os olhos sobre
As pedras escritas outra vez,
Compadecido pela dor
Daquela moça de olhos suaves
E sorriso fragil ele
Atirou uma flecha 
Para o céu rumando a ela
3026 no passado,
A flecha chegou no céu 
E retornou e quando voltou
De súbito chegou ao passado
Onde disse:
" eu te amo 
E vou te dar socorro!"
Havia no fim da própria flecha
Corações rabiscados.

A flecha caiu em chamas
Um pouco próxima a Marianne
Que juntou areia sem parar
Do chão e jogou sobre
A flecha para ela se apagar. 
A flecha apagou-se 
E de sua ponta escorreu água 
E ao ser retirada da areia,
A água não cessou.

Ao ler a flecha Marianne 
Se sentiu amada por Tom
E ao beija-la notou que era doce,
E foi agradecer a areia
Que a trouxe beijando 
A água que brotou
Então notou que vinha dali
Água pura, cristalina e doce.

Agora não precisariam
De Moisés para ter água
E poderiam saciar-se
E plantar sobre a terra,
Mas, a terra pertencia a Moisés
E ele recusou-se a entrega-la,
Porém a fonte que escorria 
Foi escondida por tamareiras
E ninguém exceto o povo
De Anfarel soube da água,
Ainda.

-Você acha justo filha
Que nós tenhamos água
E não contemos ao povo de Moisés?
Indagou-lhe seu pai.
-É certo pai, o justo é o que
Dá sentido de equivalência
E igualdade, Moisés tem a água
Por preço muito alto
E nosso alimento se torna inferior,
Isso dificulta nosso progresso.

-Mas, esta terra em que estamos é dele,
E logo ele nos pedirá contas.
O que diremos?
- Sim, papai,
É ilegal que retenhamos a água,
Mas, é justo para nós
Que somos dignos e trabalhadores
E precisamos sobreviver e ficar fortes.
O mundo é enorme
E é de todos.
-Sim filha, precisamos de algo
Que corrija nossas distorções
E nos posicione em igualdade
Entre todos os povos.
-A igualdade é difícil de ser encontrada
Porque ele é também um posicionamento
Íntimo da pessoa,
Ela sai do interior e expressa-se em atitudes,
Mas, nós precisamos muito
De algo maior que a palavra falada
Para direcionar nosas ações
E nos dar respaldo e independência,
Pois o costume se torna hábito
E isso rege nosso condicionamento moral
Nas relações pessoais e com a natureza.
-A terra é de todos.
Os bens naturais também devem ser.
-Verdade pai, 
A vida é um grande milagre,
E se ela deixa de existir
Não há retorno.
Precisamos ser cuidadosos,
humanos e justos com todos.

Mariane pode escrever
A partir do fato 
Sobre ama-lo
E um dia chegar a encontra-lo.

Os filhos de Anfarel choraram,
Os amigos e seus adeptos
Sofreram.
O medo de que a água fosse
Encontrada por Moisés e
Cobrada a preço de suas vidas,
Gerou desconforto.
Moisés sorriu e festejou
Está dor.
Mesmo sem entender de
Que se tratava 
Ele pode ver aquele povo sofrer.
Em uma noite
As redes foram todas roubadas,
Noutras as linhas 
Foram queimadas junto
Com o barracão onde vivia
O povo de Anfarel.

3026 anos seguintes
Tom olhou para o céu,
Depois de algum tempo
Caminhando na areia da praia
E encontrou uma flor
Que floriu imediatamente,
Entre ela havia um ninho
De passarinho com ovos.
Novas espécies estavam ali.
Ele sorriu e soube que Marianne
Foi salva então,
Quando estava agachado 
Colhendo a flor,
Uma linda garota
De pernas torneadas o abraçou,
Falando um idioma arrastado
e quase desconhecido,
Ele suspirou e arfou pesadamente,
-Marianne?
Ele disse,
Sem levantar os olhos da flor.
A garota o abraçou fortemente
Na cintura e beijou seu rosto,
Enquanto tocava a flor 
Sobre a mão dele.

Anfarel sofreu para sair,
O barracão de madeira 
E folha de tamareira
Estava em chamas e não havia saída,
A porta estava emperrada. 
Ao sair pelo teto e 
Jogar-se de lá oito metros
Céu abaixo,
Anfarel encontrou a porta
Pregada com uma tábua 
Sobre ela impedindo 
Que fosse aberta
E as chamas consumiam tudo
Em labaredas enormes.

Anfarel jogou água salgada
Com o balde e arrancou 
A porta com suas mãos,
Muitos de seu povo saiu
Outros foram fracos
E morreram.
- é exagero esta dor.
Alguém tem causado 
Nosso mal!
Gritou Anfarel e declarou guerra.
- contra quem?
Indagou um dentre eles.
- contra Moisés,
Nenhum de nós teria pregado
A porta por dentro,
Isto foi uma cilada!
Ele gritou.

Anfarel cavou poços 
Ao redor dos locais 
Onde estavam os barcos
E o barracão,
E sinalizou com uma pedra verde,
Pondo Sobre o poço folhas 
De tamareiras e folhas
De outras árvores dentro.

-Moisés considera os bens materiais
Bençãos dividas mas ele precisa
Trabalhar e pagar preço justo
Pelos bens que tem,
Não é justo que ele acredite
Que tudo que é dele caiu do céu
E o que nos sobra é trabalhar.
Disse Anfarel ao seu povo.
-A enxada esta escravizando o povo
Que trabalha sem parar
E tudo vira deserto.
-Aonde nos leva tanto desmatamento,
Pesca e caça desregrada?
Ele indagava de sobre
Um tronco de árvore caída.
- A terra é casa e sustento de todos
Em igualdade,
É preciso lutar por respeito
de maneira que ele vire um costume
Que circunde as relações sociais,
Para virar moral entre os homens
E lei na sociedade.
Disse um de seus servos 
Presente a frente dele entre os demais.
-Precisamos de igualdade e liberdade.
Disse outro,
Então, eles continuaram 
A organizar os poços.

No fundo do poço 
Ele jogou pedras
Para que aquele que caísse 
Também desfalecesse. 
Cada poço era profundo.
Quando Moisés o atacou
Com seu povo
Dono das águas doces,
O povo caiu nos poços 
Ferindo-se e não podendo
Sair. 

Moisés também caiu,
Anfarel juntou todos 
Os bens de Moisés
E de seu povo e fugiu.

Moisés teria que pagar
Por seus danos
E Anfarel não sabia lutar,
Ele apreendeu apenas 
A trabalhar desde o início 
E ferir não estava
Entre seus planos. 
Por isso, optou apenas
Por fazer os poços e deixou
Todos os que foram atacá-lo
Lá dentro,
Com liberdade para saírem
Quando fossem capazes,
Pois sua confiança estava 
Em Deus, 
e Deus lhes daria a ideia
E oportunidade para sairem.

Moisés e seu povo caíram e
Enfraqueceram.
Adiante no tempo
Tom escreveu a Carta da Terra,
Onde propos diretrizes para o povo
Se guiar com relação ao meio ambiente
Propondo uma ética ambiental
"Estamos expostos a grandes riscos
e sujeitos a grandes promessas,"
Ele escreveu
"onde impera a diversidade 
De cultura e de vidas,
Somos uma família humana
Com destino comum,
Estamos rumando a sociadade
a fundar-se no respeito pela natureza
na direção de diminuir danos e riscos
Contra a vida humana
Com vistas a um mundo democrático
e humano, pois todos são responsaveis
Pela qualidade de vida e direcionamento
De recursos ambientais, dentre outras propostas."
Ao final ele assinou com sua esposa.

Prosperar

A ideia de desistir é intensa,
Ela é a mais alimentada,
Sempre que se vislumbra
Um sonho,
Vem a dificuldade 
E traz a ideia de nem tentar,
Caso se persista,
Ao buscar alternativas 
Uma das ideias mais convidativas
É acreditar que é dificultoso,
E antes do por-se em prática 
Poucas pessoas ainda
Estão dispostas a continuar.
Por quê?

Porque a ideia de desistência 
É alimentada desde o primeiro passo
Até o último 
E mediante qualquer alternativa
Ela esta lá 
Tão convidativa,
Mas isso precisa mudar,
A lógica é outra:
Desde Gênesis Deus diz
"Do Norte ao Sul,
Do Leste a Oeste
Tudo te pertence,
Cada pó de terra,
Cada grão,
Vai e cultive,
Plante e colha!

É certo,
Deus não faz por você 
Ele te capacita,
Te apresenta a alternativa 
E você se apega
Na desistência,
O tempo todo Deus
Te acompanha
E diz: vá você é capaz,
Então, que te falta?
Consciência de sua grandeza
E de que o mundo é enorme
E cabe você 
E todo o seu potencial,
Vai e supere-se 
Desde o início da humanidade 
Deus te fez 
Para vencer!
Te fez do pó da terra 
E te pos sobre ela
Para conquistar,
E prosperar!

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Deus Te Ama

Deus concedeu ao homem
A Sua própria forma,
Porque Deus o ama,
Mas lhe deu limites
Porque fazer o que Deus faz
Só a Ele é permitido.

Creia em Deus,
Levante-se e vá até Ele
Porque você é um dos escolhidos
E lhe é permitido 
Fazer tudo que Deus lhe guarda
Que faça.

Há em cada pessoa
A chave de si próprio 
E de seus limites,
Rompa barreiras,
Siga o amor
Porque Deus é bom
E te quer vitorioso!

Uma pessoa vitoriosa
Não precisa de aplausos,
Veja: 
O céu se abre,
A terra se rompe,
Mas nada ali aplaude.

Deus é silencioso e onipotente
Ele te vê e te faz prosperar
Não espere aplausos,
Nem elogios,
Você é a chave do sucesso 
E Deus é o meio.

Deus é poderoso

O homem foi feito do barro
Porque veio do Próprio Deus,
Fosse de qualquer outro ser
Não conseguiria ter existido
Não importa de que proviesse.

Deus faz a vida de um sopro,
Do pó e de Sua vontade 
Só Ele sabe essas coisas,
Só Ele entende de gotas
Que geram vida!

Nasce a mulher da costela
Ou de uma gota,
Se assim queira Deus,
Caso contrário a gota levanta-se
E se torna tempestade
Que ao invés de criar vida,
Afoga e faz a terra engoli-la.

O vento que sopra de Deus
É poderoso,
Faz o chão tremer,
A água abrir 
E a arca flutuar,
Conforme a vontade do Senhor.

De outro ser o vento 
Não prospera 
Porque a força 
Vem de Deus
E está em Deus,
Somente Sua vontade é soberana,
Creia e busque
E você será capaz,
Porque Deus faz do pó 
A vida,
Da gota a própria vida,
E de um grande homem
A morte ainda,
Ele sabe como faz,
Ele consegue fazer
Siga-o e veja!

Do pó que é soprado
Por Deus brota a vida,
Do pó soprado pelo homem
Brota a morte somente,
Deus é soberano em Suas formas,
Mas é possível ao homem compreender
E saber fazer vidas!

Canaã e o pai

Canaã vendo a nudez do próprio pai
Foi a porta da tenda
E contou aos irmãos,
Tornando-se após isso
Escravo destes como reprimenda,
Vez que:
Todo intolerante 
Com relação aos familiares
 É tolerante demais consigo próprio 
E não percebe seus limites
E corre riscos desnecessários
Pondo-se a perigos evitáveis. 

A vida de si próprio 
É mais importante 
Que o falatório 
Que ele queira causar,
Para ajudar o pai
Na nudez 
Não precisa espalhar
O boato,
Basta ir por si mesmo
Buscar a túnica e vesti-lo.

Sempre há um irmão 
Que o ajude,
No entanto,
Aproveitar-se do erro
De outro
Para expor sua dignidade 
é erro extravagante. 
Quem quer ajudar
Vai quieto,
Faz o necessário 
E cala o excesso.

O homem que fala demais
É escravo de sua própria língua,
Se prende ao que diz,
Perde tempo fazendo boatos
E acaba sendo julgado 
E excluído do convívio,
A língua fere e violenta,
O calar ajuda e sustenta. 

Quem ajuda não precisa
De aplauso
Ou de que o outro esteja errado,
As vezes,
Ajudar é só fazer o que precisa,
Isto é,
Para cobrir o pai em sua nudez
Não precisa espalhar
Que ele esteja nu,
Precisa apenas de um tecido
E vontade de ajudar,
Fazer o que precisa ser feito.

Um senhor de idade
Sente vergonha 
De ser exposto,
E um filho nunca deve 
Expor o pai ao ridículo. 
O pai tirou de dentro de si
A vida que soprou no filho,
Junto a sua esposa,
E um filho deve ser obediente 
E respeitoso por ter nascido 
De seus pais
E ter por sentimento íntegro 
Amor e fidelidade familiar.

Frente ao pai
E a mãe deve-se 
Abandonar o ego
E esquecer julgamentos,
A vergonha é pública,
Mas, dentro da tenda
De cada família 
Deve prevalecer o amor,
O respeito, a humildade 
E o companheirismo. 

O pai ensina ao filho 
Com carinho
O que os estranhos
Ensinam ao filho dele
Com ferimentos e
Até a morte,
Nenhum pai deseja
A morte do próprio filho,
Nisto Canaã foi considerado 
Escravo de seu temperamento nervoso 
E língua traiçoeira faladeira.

sábado, 24 de outubro de 2026

Pequenos Aventureiros

Uma enorme cobra
Serpenteava pelo solo:
- estamos salvos,
Ela jamais nos pegará 
Aqui em cima.
Disse meu irmão 
E pegou minha mão 
E me puxou pelo cipó 
No qual subia 
Bem rápido 
Até a árvore onde 
Ele estava agarrado.

- errado!
Eu disse.
Quando a cobra boteou 
Meu bumbum
E não alcançou ele
Por um triz.
- corre!
Ele disse 
Ao olhar para baixo
E se puxou muito
Mais ágil 
E me puxou.

Subimos a árvore grossa,
E a cobra pos-se a se enrolar 
Nela lá debaixo,
E nós fomos mais longe,
Fomos até o final do galho:
- não há saída!
Ele disse assustado.
- e não há retorno.
Eu respondi
Abraçando ele trêmula 
De medo.
A enorme cabeça da cobra
Começava a aparecer
Pelo tronco.
- precisamos nos salvar.
Ele disse. 

Então, um minúsculo beija-flor
Passou voando por nós 
E como se fosse mágica 
Voltou e passou a beijar
As flores que estavam próximas. 
- jogue-se.
Eu disse ao meu irmão 
E ne joguei 
E puxei remédio junto,
Eu confiei em meu amor
Por ele e de repente 
Ficamos minusculos 
E voamos sobre o pequeno 
Pássaro beija-flor.

Logo ele afastou-se
E a cobra num pulo
Chegou onde estávamos
Anteriormente e não nos
Encontrou.
Pulamos no solo
Bem depois disso,
E voltamos a ser 
As pequenas crianças de antes.

Sentindo-nos salvos 
Logo demos de cara
Com seis quero-quero
Que tinham seus ninhos
Por aquele local,
Irritados eles se juntaram
E investiram contra nós,
Voando e cantando alto:
- quero quero quero quero!
Mostrando seus ferrões 
Afiados em nossa direção,
Muito irritados
E chegando cada vez
Mais perto.

Peguei a mão do meu irmão 
E corri muito,
Corri sem destino,
Corri feito louca:
- corre rápido!
Eu gritei e mudei
O curso do destino
Indo parar de cara
Como rio:
- e agora não sei nadar!
Eu gritei assustada,
Olhamos para trás
E aqueles bichos
Continuavam investindo
Contra nós 
Com aquele canto assustador:
- também não sei,
Precisamos fugir.
Disse meu irmão chorando.

Eu senti medo
Mas ninguém me dá 
Mais força que meu irmão,
Ele sempre acredita
Em mim,
Confia e segue 
Minha opinião,
Então, apertei forte
A mão dele,
Olhei em seu rosto e disse:
- pule!

Pulamos naquele rio 
Sem cabimento 
Ou sabimento,
Um peixe nadou até nós 
Veio tão perto
Que ficamos pequeninos 
E ele nos puxou
Agarrados as suas barbatanas.

Longe, muito longe
E salvos fomos levados
Por ele que de um salto
Nos pos fora da água. 
Deitamos na terra
Da beira do rio
E respiramos aliviados.

A quem em nossa terra
Precise de brinquedos,
Há outros que tolhem-se
Os medos, os anseios
E não os sonos,
Estes quando dormem sonham
E acordados revivem-nos
Em contos.

A chuva cae-se a terra,
E não ha nela lágrimas 
Nem que queira
Ou aparente-as,
Dessem pingos 
Que não são veneno,
Tão pura e casta
Lava o terreno,
Lava o telhado 
E não lava o assoalho,
Mas lava os pés do garoto
Que conta e reconta
Novos fatos 
A irmã que sonha
E acorda e não põe fim
A história. 

E lentamente, toda a volta
Perde o adubo,
O solo fértil 
E o trabalho solidifica-se,
Cai a tapera nas almas
E nas coisas,
Fogem dela duas crianças.

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Invasão

A manhã de neblina
Faz o leite vir quentinho
Na vasilha,
Mamãe acordou cedo
E foi logo tirar o leite
Da vaquinha.

Meu pai deu milho 
As galinhas,
Colheu ovos 
E eu coloquei a gordura
De porco na frigideira 
Para aquecer,
Esquentei o feijão cozido,
Acrescentei torresmo
E mexi,
Depois coloquei farinha
De milho até ficar fofo. 

Os ovos chegaram
Os fritei,
Aqueci o leite,
Coloquei a toalha 
Na mesa. 
Com o cheiro da comida fresca,
Soldados chegaram
E bateram palmas.

- saiam para fora.
Este terreno não lhes pertencem,
Vocês invadiram
E precisam ir embora,
Deixar o local.

Meu pai foi até a porta
De madeira de correr,
A abriu e um soldado
Lhe jogou uma arma
Contra o peito e atirou,
Depois chegou em minha mãe 
E a esbofeteou no rosto
Sem se importar 
Com a xícara de café 
Que tinha entre os dedos.

O café caiu no soalho
E derramou-se 
Ela caiu logo após,
Do seu rosto saiu sangue.
O soldado arrancou sua saia
E fodeu seu corpo.
Eu enchi minha boca
De pão 
E fiquei estagnada
Sentada atrás da mesa
Olhando assustada.

Ele colocou a arma
Na boca da minha mãe,
Nas suas mãos,
Esfregou no seu corpo:
- vocês não são donos
Precisam sair!
Ele disse.
Se levantou 
E mirou na parede 
E atirou.

Deixou um buraco 
Na parede e marchou alegre
Para longe,
Para onde eu não queria estar,
Num destino 
Que eu desejei evitar. 

A roça,
Os animais,
A terra limpa
Nada nos pertencia
E eles vieram nos expulsar.
Não podíamos esperar,
Teríamos que fugir
Ou estaríamos
Para sempre a mercê
De suas vontades.
-malditos soldados estupradores!
Eu disse
Cuspindo o pão. 

Minha mãe chorou,
Meu pai sangrava o peito
De olhos fechados,
Morto.

Mas uma filha embalada
No pão 
Não tem o mesmo amor
Que uma esposa,
Que honrada e honesta
Viveu para a família 
E não queria perder 
Nenhuma parte dela.

- filha, cate o facão 
Eu preciso de ajuda!
A mãe falou aos prontos.
A moça correu e encontrou
O facão no porão 
De madeira alto
Que havia na casa.
- pronto mãe, 
Está aqui.
Ela disse entrando
Correndo pela porta da sala. 
- ótimo filha. 

Disse a mãe 
Que correu com o facão 
Cortar algumas folhas
De bananeira e foi colocando
Uma sobre a outra no chão. 
- perfeito filha.
Vamos pôr seu pai aqui
E leva-lo ao médico,
Eu tenho esperança 
Eu vou salva-lo.

Disse a mãe. 
- me ajude!
Ela gritou e entrou
Porta adentro
Pegando os braços do homem
Que sangrava silencioso 
E o erguendo com a filha. 

Ambas puseram ele
Sobre as folhas.
- a senhora pega numa ponta
E eu não outra.
Disse a moça. 
- espere vou pegar
As nossas pedras preciosas
Que seu pai achou 
Sob a terra enquanto lavrava 
A terra para o plantio
Com os bois.

 A mãe disse
E correu até o quarto
Onde ergueu o colchão 
E juntou algumas pedras
Coloridas numa camiseta
E enrolou-as:
- veja filha,
Isso é o que os soldados 
Querem da nossa terra,
Por isso estão tentando
Nos remover delas.

A mãe disse da porta
Erguendo a camiseta 
Nas mãos. 
E correu até as folhas 
De bananeira
Onde ergueu o esposo
Com a ajuda da filha. 

Caminharam três quilômetros 
Até chegar no médico:
- doutor nos atenda?
Gritaram da porta
Batendo palmas 
Para chamar a atenção. 
- não posso e noite.
Ele respondeu. 
- por favor,
Meu esposo está morrendo 
Preciso de ajuda.
Ela continuou. 
A moça se ajoelhou
Com as mãos cobrindo 
O rosto e chorou em soluços. 

- ajude-nos eu tenho pedras
Preciosas.
- tá bom, já atendo.
Ele respondeu,
Pegou uma vela acendeu 
E saiu porta a fora.
- meu Deus, está escuro demais 
Como vocês chegaram
Até aqui?
Ele indagou.
- Fomos guiados
Pelo amor e pela dor.

O doutor fez um curativo
No esposo de Melany 
E notou que ele estava vivo
Mas que precisava descansar,
Um total de 18 pedras coloridas
Foram suficientes para pagar
Pelo atendimento. 

- precisamos voltar 
E trabalhar filha;
Vamos seguir com a plantação 
Da roça.
A polícia irá demorar 
Para voltar.
Nós precisamos da nossa terrinha.
Disse sua mãe trêmula,
Segurando a cabeça de seu pai
Que levemente abria os olhos
E fechava.

- eu ajudo vocês. 
O médico disse.
- não precisa,
Nos somos capazes.
Disse a mãe rapidamente. 
- por que negamos
Receber ajuda, mãe?
Eu indaguei a meio caminho
De casa,
Perambulante naquele mato
Entre um galho
E outro e folhas 
E teia de aranha no rosto.

- filha, quanto menos
Pessoas souberem 
Onde vivemos melhor.
A mãe respondeu. 
- mas iremos fugir feito criminosos 
E ficar para sempre escondidos?
Indaguei. 
- não filha,
Assim que seu pai
Se recuperar totalmente 
Ele irá encontrar a solução. 
Minha mãe disse.
- mas ele está febril 
E ferido,
A senhora sabe:
O pior pode ocorrer....
- mas não irá filha. 
Não irá. 

No caminho catei alguns matos
Que fizemos que são veneno
E que provocam intoxicação 
E morte rápida 
E disse a minha mãe:
- eles irão morrer,
Conforme nos fizeram,
Sem chances de defesa,
Ou a senhora acha 
Que eles estão nos dando 
Chances de vida?
- e fato que não filha.
Eles mataram seu pai
E me estupraram,
Eles não sentiram piedade...

Minha mãe começou 
A chorar aos soluços
No escuro 
E uma brisa de chuva
Suave soprou
Contra meu rosto.

- darei um jeito, mãe. 
O meio rural deve ser usado
Para proteger a vida humana,
E evitar riscos tanto para nós 
Quanto para os outros
E nosso serviço é justo!
Nunca causamos poluição
Ou qualquer dano...
Veja nosso vizinho Mateneus,
Ele está enterrando seus bichos
Mortos que não sabe 
Nem de que morreram 
Dentro do lago da escola.
Eu soube disso, mãe. 
Ele os enterra lá a noite
Amarrando os bichos numa pedra
E os afundando lá. 
Ele nem sabe do que morreram,
E nem o dano que causa....

Minha mãe se voltou 
Para eu,
Soltou meu pai no chão 
E me abraçou as escuras.
- que horror filha,
As crianças podem nadar lá 
E serem contaminadas.
- claro que sim, mãe. 
E faz uma semana que morreu
O avô dele,
E eu juro que tremi de medo
Quando percebi 
O que ele iris fazer.
Fica muito barato,
Aliás, ele não gasta nada
E ainda recebe a aposentadoria 
Do velho.

- filha, será que aqueles
Policiais não estão conectados 
A este esquema e vieram
Nos matar por isso?
- não sei mãe,
Não os conheço. 
A professora usa aquela água 
Para lavar a escola,
Lavar a louça e fazer comida.
Ele está nos matando,
Por que nenhum policial
O matou?
Eu os odeio, mãe!

Eu disse
Incapaz de controlar 
Meu choro,
Vendo meu pai
Tão fraco e solitário. 
- nosso trabalho em cima 
Do meio ambiente precisa
Ser sadio para que tenhamos
Qualidade de vida. 
Atos de poluição e danos
São lucrativos mas causam morte
Nossa e dos outros,
Ele está causando degradação ambiental. 
Como nós iremos 
Nos desenvolver bem
Se a água do lago está poluída?
A atividade dele está danificando 
Nossa qualidade de vida,
Prejudicando nossa existência. 

- ele é um assassino perigoso
Que mata silencioso
E a traição,
Ele deve estar cuidando vocês 
No intervalo tentando ferir vocês,
Talvez, ele nem veja vocês 
Como crianças 
E seus pensamentos sejam
Cada vez piores.
- e verdade mãe,
O meio ambiente abrange
Tudo que nos cerca, a floresta,
Os animais, o solo, as águas...
E nós nunca estragamos nada
No nosso redor,
Muito pelo contrário,
Nós colhemos e plantamos,
Não usamos máquinas,
Só usamos o braço forte
Do meu pai e a enxada....
Eu vou proteger nós mãe,
Eu vou!
- filha, se acalme.
Eu sei o que fazer. 
Eu vou cozinhar uns pastéis 
Usando aquela água pobre
E outros matos tóxicos 
Que este vizinho tenha
E vou levar a estes policiais
E não terei pena nenhuma
De matar todos eles.

Minha mãe pegou forte
Com as duas mãos 
Na minha cabeça 
E me fez olhar para ela:
- eles não irão te ferir,
Eu juro,
Vou proteger sua dignidade 
E a inocência dos seus 
Colegas de aula.

Chegamos em casa,
Mamãe deu banho em papai,
Eu plantei cana de açúcar 
Por toda a frente da casa
E evitamos ficar em fácil localização. 
Os pastéis logo foram providenciados
E mamãe os levou numa cesta.

Todos comeram e de um a um morreram,
Contudo, um policial armado
Chegou por último 
Quando mamãe já saía 
Do quartel,
E vendo-a com algumas armas
E munição que ela pegou
Dos policiais,
Ele acelerou a viatura policial
E partiu para cima dela.

Ela atirou contra ele,
Que defendeu-se chacoalhando 
O pescoço e acelerou mais,
Então acertou-a em cheio
Fazendo ela voar pelos ares
Acima da viatura.
Logo eu que estava escondida 
Corri até ela,
Ele sacou uma arma
E atirou na minha perna.

Eu sangrei e gemi,
Mas, o vendo um alcoolatra 
Embriago,
Peguei um aviu e acendi
Com um palito o mantendo aceso
E joguei contra a boca dele
Que o engoliu,
Depois retirei meu tênis do pé 
E joguei na testa dele 
O fazendo cair.

Logo em seguida,
Ele começou a esfumaçar 
Feito uma chaminé acesa
Cheia de fumaça 
Que saia pelos ouvidos
E orifícios,
O alcool do seu corpo
Entrou em combustão. 

Então, ele correu para o carro dele
Se vendo queimar de dentro
Para fora e partiu com a viatura
Contra o quartel.
Ele ficou em chamas no volante 
E tendo litros de bebidas alcoólicas
Dentro do carro elas também
Começaram a queimar 
E o fogo se generalizou
E explodiu da viatura 
Para dentro do quartel.

Minha mãe só sofreu esfoloes 
E dores,
Conseguimos fugir deixando
As chamas para trás
Junto daqueles policiais
Para apodreceram
Até seus malditos ossos virarem pó. 
O vizinho também sumiu,
Ninguém teve notícias dele
Nem perguntamos. 

Papai melhorou
E retornou ao trabalho da roça,
Nos ocultamos bastante,
Evitamos a cidade
E agora estamos juntando dinheiro 
Para pagar por nossa terra
Conforme a prefeitura cobra.
Somos donos,
Ninguém irá nos impedir,
Nasci aqui,
Está chão e este ar 
Me pertencem e a lei
Logo dirá isso,
Através da mão 
De um escrivão 
Que não se importa
Com nada além do que se possa pagar,
Não há direito sem pagamento!

Agora o Bentulho está cuidando 
Do cemitério da cidade
E sua esposa, de imediato,
Abriu uma loja de roupas 
E joias...
Tenho que falar com meu
Pai e minha mãe. 
O anel de uma colega da escola 
Que morreu quando 
Caiu de uma árvore 
Ao subir nela para brincar
Está exposto a venda,
Eu o reconheci,
Era presente de aniversário. 

Bentulho tem passado
Muito tempo limpando 
Aquelas terras 
E está encaminhando 
O cemitério para acima
Do curso do rio que percorre a cidade.
Uns vinte metros
Por cima do rio,
Mais ou menos. 

A podridão dos mortos
Corre para estas águas 
Onde há peixes 
E ele mesmo pesca
E está pondo a venda
No mercado grande
Da cidade vizinha.
O pessoal da cidade nada
Ali nestas águas,
E tudo se mistura 
Aos peixes: xixi, basta,
Carne podre....
Preciso dizer a mamãe 
Que temos que ter nossos 
Próprios peixes. 

Guerra Fria no Deserto