sábado, 4 de julho de 2026

Dominador

 Ele me fez esperar,

Deu continuidade ao que fazia

Como se eu não estivesse lá,

E funcionários vieram me pedir

O que eu ainda fazia ali:

Estou esperando respondi.


Não acreditei que fosse

Uma indireta bem direta

Contra a minha cara

Ignorei todos os bons princípios

E fiquei ali.


Pois é, o dia veio

E a garota de um ano e meio

De cama

Não valeu uma única olhada

Em público.


Sim, fui amor de noites,

Amor de cama,

De lençóis limpos

Que não dura um dia inteiro,

Amor de menos de 24 horas,

Amor com hora marcada

E lugar para se encontrar,

Tivesse cobrado não teria

Me sentido tão humilhada.


 Malditamente em suas mãos,

Maleável por entre seus dedos

Não me respondi num único ato,

Só respondi aos seus dedos

Implorando por seus toques

Numa oração silenciosa

De olhar nos seus olhos

E implorar para me recompor.


Trêmula em cada ângulo,

A ver suas mãos e rezar

Para que repousassem 

Sobre meu corpo sôfrego,

Sua, desmascaradamente sua,

Excitada feito uma puta,

A rezar por um minuto

A mais de sua noite...


Saí daquele lugar emputecida,

Amaldiçoando ter ido lá,

E preferi a espera,

Aguardar, rezar e tê-lo,

Até que alguma vergonha

Domine meu corpo

E eu encontre resistência.


Eu juro,

Não haveria nada

De mais terrível,

Eu só me contive

Quando senti seus dedos

Presos sobre minha intimidade,

Que droga,

Que há naquele olhar

Que repousou sobre

A minha mente 

E levou toda a minha dignidade?


Eu vi  meus lábios tremerem

Até descerem no seu corpo,

E eu estava muito distante,

Então, vi meu corpo vibrar

Feito cordas entre seus dedos,

Mas, eu nem estava lá.


Vi um suor frio me percorrer

E não pude mais desviar

De olhar ele e desejar seu corpo,

Eu o vi por inteiro,

Desejei cada gesto e ele nunca

Esteve mais seguro,

Em pleno domínio 

De si mesmo e de meu corpo.


Perto dele não sou mais

Que mulher e dele,

Anseio e morro de desejo

Só quero ele,

Esqueço tudo,

Só estremeço a olhá-lo,

Sem controle,

Em plena necessidade.

O amo e esqueço de tudo.

Garota da noite

Quando estive cara a cara

Com este que amo

Não encontrei única frase

Que traduzisse o que sinto,

Vi meu corpo pular

Como se o coração

Passasse a percorrer as veias

E comandar cada membro,

Eu pulsava e suava

E latejava palavras

Que eu não sabia dizer,

Mas, que sentia tão forte em mim.


O amor escolhe as pessoas,

Ele nos trai,

Vê a pessoa e a quer,

Isto me deixa insegura,

É difícil quando este homem

Não te retribui,

Então você o olha

Bem no fundo

E vê que não passa de um menino

E amores não são feitos

Para homens imaturos,

Mas, dizer isso para si mesma,

Acreditar no que você insiste

É difícil.


Ele é dono de si mesmo,

Possui domínio no que sente,

Habilidade em cada ato,

Ele resistiu distante,

Me viu tremer até os pés

E não importou-se comigo.


É ele foi frio,

Ele gosta de dizer isso

Para as pessoas,

Que tardou fazer sua escolha

De amor,

E que, em primeiro lugar,

Escolheu o amor próprio,

Então, quando vi

Eu não fui a escolhida.


Mas, ele continuava

Sendo a minha escolha,

Acima do que dizia,

Me vi um lixo,

Um objeto descartável

Que não percebeu

Que sua utilidade

Durou uma noite

E que nunca se perpetuaria

Na luz do dia.


Pois é,

Eu fui garota de muitas noites,

Mas, de nenhum amanhecer,

Muito menos ver-se

Fora de quatro paredes,

Vadia e descartável,

Boa de cama

E péssima de hábitos,

Não me contive em sua frente,

Chorei e me angustiei,

Ele sorriu soberbo,

Mantinha o domínio,

Não chegou perto,

Não me ofereceu abraço,

Me fez desmoronar sobre

Um chão frio

Que nem tinha uma maldita cama

De onde eu nunca deveria ter saído.

Segurança de seu amor

Eu prometi protegê-lo,

Romper os limites,

Remover obstáculos,

Então, quando o vejo

Eu corro para os seus braços,

O olho no fundo dos olhos,

Segura do que sinto

E ele retribui sem me evitar,

Mantém aquele olhar seguro

De quem sabe o que faz,

Controla seus pensamentos,

E eu sinto como se nada

Fosse capaz de nos interromper

Ou fazer com que possa acabar,

Seja o que for:

Do olhar a carícia reprimida.


Olhar ele me basta,

Me completa por inteira,

Me leva para a cama

Antes da hora,

Me faz sonhar acordada,

Ver ele é inumano

De tão bom,

Ele é tão seguro de tudo

E eu de que o amo.


Eu gosto de ouvir

Ele dizer eu te amo

Eu sorrio e olho pra baixo

Não sei onde repousar o sorriso

Que toma todo o rosto

E não cabe em mim,

Eu te amo também, eu digo.

Eu prometo

 Ele me mostrou um caminho

Desconhecido e inseguro,

Foi tudo muito estranho,

Porque não houve violência,

Ele não gritou comigo,

Não me empurrou pela porta,

Não me apontou a saída.


No último namoro

Eu ganhei um tapa no rosto,

Mas, neste não importa

O que eu diga,

Ele insiste em proteger-me,

Manter a calma,

E me olhar de um jeito lindo.


É,

Eu apostaria que me ama,

Mas, da última vez

Apostei exatamente nisso,

Porém, quando me vi

Eu estava a virar o pé

Justo sobre a escada,

Dobrando o salto

E caindo feito uma estabanada.


Agora, mais segura

E muito menos aflita,

Eu não me vejo caindo,

Ao contrário,

Me parece muito

Que aquele namorado

Me empurrou,

E simulou tudo

Para o caso de eu sobreviver,

E aqui estou ferida

E descompassada.


Eu precisei deixar

Aquele homem para trás,

Iniciar novo namoro,

Conhecer um outro jeito

De ser reconhecida,

Admirada e cuidada,

Para ver o tanto que aquele

Antigo namorado me feriu

E fingiu estar me protegendo,

Ou sei lá,

Mas simulou os fatos.


Porém, agora

Com um novo homem

Me vem tudo em mente

Que aquele anterior me fez

E eu me vejo fujindo amedrontada

Só para meu atual namorado

Me buscar acuada,

Será que novos namorados

Enjoam de soprar feridas

Que ele não foi culpado?


Ele vê a dor e faz massagem,

Coloca curativo,

E mantém o silêncio necessário,

Ele é diferente.

Eu prometo ele me diz,

Eu prometo eu respondo,

Depois nos abraçamos

E tudo fica bem.

Primeiro dia de Aula

Universidade.

Primeiro dia.

Nada é de verdade,

O sorriso,

A segurança,

O querer estar,

A vontade de estudar.


Do primeiro ao quarto dia,

Nem a cantina cheia ajuda

Ou o café quente,

Muito menos os garotos jovens,

Ou as ideias dos professores,

Sempre tão antiquados

Para o que queremos.


Um purgatório,

Um verdadeiro inferno,

Sim, pra completar o pacote,

Eu estava apaixonado,

Ou inventei isso de última hora

Para ir embora de carona

E ganhar uns beijos públicos.


Suplício ter de manter isso

Perto dos amigos,

Fogo resistir a cada beijo,

Mas, fiz tudo certo

E os ganhei aos montes,

Beijos e carícias quentes 

Por baixo da mesa

E por entre os bolsos rasgados.


Eu não poderia reclamar

E ninguém diria

Que eu fugi das minhas responsabilidades

Entrei na sala,

Organizei a carteira

E assisti a aula,

Segui o ritmo.


Agi conforme a rotina,

Na saída da aula

Eu buscava Pâmela

E íamos juntos pra casa,

Era um início de namoro,

Só isso,

Porém, três meses depois

E obtive um triste resultado:

Ela morreu num acidente

De carro,

Eu teria que conseguir 

Outra carona,

E outros beijos,

Enfim, outra garota.


Tudo ficou ruim,

O frio me pegou desprevenido

E eu logo me vi em outros braços,

Cheirando cabelos escuros e compridos,

Envolvido em outros beijos.


Um professor desgostou,

Disse em múrmurios

Que eu deveria estar de luto,

Luto? não basta ter perdido

Ainda tem que ficar chorando

Pelos cantos?


As garotas discordam disso,

Cada uma de suas amigas

Não poupou investidas,

A gente chora junto,

Beija junto

E ama junto,

É isso.


Universidade e tal,

Primeiro ano,

Não me envolvia 

Como os outros,

Todo o dia eu brincava

De me apaixonar,

Só isso,

Avançava conforme

A idade me permitia

No teor dos 24 anos.


Não haviam suspeitas,

Um acidente tirou a vida

Da minha primeira namorada,

O carro capotou,

Rodopiou da pista 

E a matou.


Qualquer um teria comentado

Se houvessem boatos

Que sugerissem outros fatos,

Mas, ninguém comentou,

Ela rodopiou sozinha,

Não haviam testemunhas

E eu me poupei de muitos detalhes,

A história me deixava abatido.


Ela preciptou-se

Em dirigir sozinha,

Só porque tinha carro

E estava habilitada,

Confiou demais em si mesma,

Mas não feriu ninguém,

Apenas matou-se.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Tiago de Farda

Um risco necessário,

Da noite em que dormimos juntos

Não passou muito tempo,

De fato, 

Eu ainda não estava

A implorar por beijos,

Me jogar em abraços,

Está certo,

Era ainda o primeiro dia,

Na verdade,

As primeiras horas...

Mas a saudade,

A saudade não escuta,

Nem enxerga,

Saudade chama,

Saudade faz ir atrás,

E eu fui.


Decidi vê-lo outra vez,

Era uma necessidade primordial,

Por mais que eu não soubesse

O que dizer,

E na verdade,

Nem tivesse o que fazer,

Eu quis ver,

Desejei sentir seu cheiro,

Ver onde ele trabalha,

As colegas e vê-lo,

Acima de tudo,

Você já sabe:

Contemplá-lo.


O amor foi na mala,

O cachorrinho comigo

Embaixo do braço

Com o au-au-au de te amo ensaiado.


Existem beijos que escapam

Todos os propósitos,

Que extravasam o momento cama,

E homens que você

Não consegue ficar longe.

Tiago é um desses,

É um imã sem desenlace,

Seu beijo quente me move,

Seu olhar quente me conduz.


Não ficamos sozinhos

Por um único instante,

Mas eu olhei em seus olhos,

Fiquei com ele frente a frente,

Expus um pouco de conhecimento,

Aliás tentei,

Coloquei o máximo de esforço,

Mas ele logo percebeu,

Eu fui lá só para vê-lo.


Fui inadequada

Como sabia que seria,

Mas fiquei lá todo o tempo

Que foi preciso para vê-lo,

E não senti vergonha

De amá-lo tanto,

Eu passaria por lá

Minha tarde toda,

Sentindo seu cheiro,

Ouvindo sua voz,

Acompanhando o seu trabalho.


Naquela tarde,

Eu me senti importante,

Sociavelmente atraente,

Foi como uma corrida

Por uma floresta escura,

Onde seus olhos eram meu guia

E ponto de chegada.


Azuis e límpidos,

Como água fresca,

Como um céu de horizonte,

Como estar perdida e cega

E enxergar a luz nele,

Onde estaria,

Em Tiago é claro!


Eu me vi odiando

A despedida,

E me prendendo 

A qualquer maneira

Que me fizesse ir lá

Todos os dias,

E ficar lá até passar

Todo o tempo.


Vi como seu rosto expressivo

Não se perde em pensamentos,

É como um espelho fixo,

Que reflete o horizonte

E não possui nuvem alguma.


Parado, 

Com aquele sorriso congelado,

Cada contorno fixo,

E um mundo de vida

Em cada movimento de sua pele,

Cada dente ordenado,

A língua sorrateira,

O boné abotoado do lado

E caramba, 

Poxa,

O homem mais lindo do mundo

Para esta garota da roça

Que não soube nem o que falar,

Nem sabe se conseguiu

Fechar a boca,

Tamanho surpresa e encanto,

Você não entenderia,

Tiago você vê e pronto.


O jeito de menino

Num homem de 37 anos,

Que é isso?

Me deixa estagnada,

Desordenada,

Uma babona.


O queixo pontudinho,

Doido pra receber meu beijo,

O nariz redondinho na ponta,

Doido para ganhar

Uma mordidinha,

Os contornos salientes

Doidos pra receber meus carinhos,

E os olhos azuis e dignos,

Dignos de cada um dos meus sonhos,

Eu juro.


Que é isso?

A perfeição se juntou

E me chamou,

E você sabe,

E fui correndo.


A pele amarelada,

Na cor da roupa,

Como um céu no dia nublado,

Aqueles olhos azuis brilhando

Guardados e distantes,

E o sol chega lá,

Não pede licença,

Não dá desculpas,

Brilha e traz ele nítido.


Cada contorno em relance,

Eu daria qualquer coisa

Na vida

Para poder tocar em Tiago,

Em qualquer lugar,

Na frente de qualquer pessoa,

Em público

E para que o mundo nos visse juntos.


Tiago não é homem

Para se manter escondido,

Nenhum detalhe dele

Permitiria isso,

Nem nada do que eu sinto,

Ele é deslumbrantemente lindo.


Vi como a dor toma a gente

Do nada,

Na simples ideia

De ser obrigada a ir,

De deixa-lo ali,

Não por ter medo de perder,

Não, a confiança que ele transmite

É maior que tudo,

Mas, a dor por ter de deixá-lo sozinho,

Esta dor é matadora,

Fere e sangra,

Não cicatriza,

Ah dor que só a hora ameniza,

Só quando ele chega

Que passa.


Tiago é aquele

Que eu sempre quero perto,

Eu me vi respirar fundo

Para resistir a entrar no seu mundo,

A permanecer no seu trabalho,

Vi aquele brilho sedutor

Passar por aqueles olhos límpidos

Através de espasmos de aflição

Por ser obrigada a ir.


Uma pessoa pode ser

Um pouco mais bonita que outra,

Mas, absolutamente perfeito?

Ah, este é Tiago.

Absolutamente encantador,

Sublime,

Ver ele reacende,

Faz viver,

Fragmenta até o coração

Mais desapaixonado.


Quando percebi que ele

Me amava,

Eu não me vi no chão,

Me vi em seu abraço

De sol, de céu azul,

De estrelas no fundo,

Meu peito suspirou,

Minha boca sorriu,

Ele estendeu a mão 

Para me tocar,

E eu me joguei num suspiro,

Num orgulho incontido, 

Mas, eu não podia abraça-lo,

Não ali,

E leva-lo a responder um processo.


Trabalho é trabalho,

E ver Tiago é vida.

Me vi com ele apoiado

No meu ombro,

E beijei seus lindos dedos,

Finos e compridos,

Com contornos ressaltados

Pelo trabalho e beleza indescritível.


Juntei todas as minhas forças

Para resistir a me jogar nele

E implorar por seu amor,

Dei meia volta,

Pedi a Deus para protegê-lo

De todo perigo e ameaça,

E agora o espero

Aqui em casa.


Tiago naquela farda marrom amarelada,

Com aquele bonezinho

Tipo menino e o sorriso tímido,

É o policial da minha vida,

Mas não é a multa

Que desejo na carteira,

Ao contrário,

É o garanhão que quero na cama.


Dei um tempo 

Para a vontade de tomá-lo

Em meus braços,

Levei minhas duas rosas

Que colhi em frente a igreja

Para Deus nos abençoar

E as plantei para gerar vida,

A vida que Tiago me desperta,

O impulso de ser melhor

Que ele me dá.


A perfeita flor na cor

De sua pele e risos,

Branca com rosadinho,

Vai despertar,

Sair do chão e florescer,

Como nosso amor.


Na verdade,

Vou me esforçar 

Para criar uma flor 

Na cor da farda do Tiago,

Ela seria perfeita,

E isso é possível,

Nada é mais perfeito que ele.


Tiago é o céu mais calmo

E tranquilo,

Mas, eu não preciso subir,

Ele é o céu aqui,

Comigo aonde eu estou,

Ele é forte e destemido,

Nada o enlaça

Que ele não queira,

Tiago é seguro,

É uma fonte de vida,

De amor,

De sonhos.

Tiago é quem eu amo,

E não há erro algum nisso,

É o maior acerto.

Sucesso e dignidade

Num país determinado

Pela miseginação de raça e cor,

É estranho que deva

Ser escolhido um dia

No calendário

Para comemorar-se 

O dia da igualdade racial.


Dia da igualdade de raças

É todo dia e toda a hora,

Não precisa de data certa

Para se recordar

Que o tom de pele

Já foi tão perseguido

E ofendido.


A pessoa alcança o sucesso

Por seu trabalho e esforço,

Igualdade não precisa

Ser lembrada,

Precisa ser vivida no dia-a-dia

Como prioridade

Em cada atitude.


A cor não define o caráter,

A raça não direciona atitude,

O trabalho dignifica o homem,

O conhecimento norteia,

E a lei diz: não ofenda o outro,

Não importa que motivos

Você eleja para discutir,

Alterar o tom de voz,

Ofender e denegrir,

Desista antes de fazer isso.


Discriminar é crime,

Você sabe disso,

Não compactue com quem

Faz isso,

Criminosos vão presos

E tem seus direitos restritos.


Valorize-se

E valorize o outro,

Diferenças são benéficas,

Não é necessário haver

Uma data especifica

Para você recordar

De ser um educado,

Um cidadão honesto.


Honestidade vem do caráter,

Sucesso vem do esforço,

O trabalho dignifica o homem,

Mas sua educação o mantém digno.

Dominador