sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Despertar

Em cada amanhecer 
Tenho medo de abrir meus olhos
Olhar e não te ver,
Amar tanto alguém 
Que simplesmente não me quer
Tão bem.

Eu queria te pedir
Se vale a pena 
Ser tão distante 
Ter tantas opções assim,
Eu percebo,
Isso identifico bem,
Você gosta de números,
Você quer variar,
Preencher gostos.

Eu me deprimo,
Me asusto,
Nem me movo:
Você me deixa
Em cada despertar,
E eu me afasto
Sem ter o que falar.

As circunstâncias estão desfavoráveis,
Me diga meu bem o que há?
O que falta,
O que temos para acrescentar?
Eu queria apenas não temer
Não ter que esperar.

Mamata- A Vaquinha

 Mamata nasceu na fazenda,

Desde pequena odiava o dono

Que a chicoteava nas costas

E feria suas orelhas

Colocando cordas ao redor delas

Para mantê-la.


Certa vez, ocorreram trovadas

Muito intensas com rajadas de vento

E raios tingindo o horizonte,

O gado ficou arredio,

E investiram uns contra os outros

Para chifrarem-se mutuamente.


Bois eram jogados contra a cerca

E outros corriam até ela

Colocando chifres e o peito

Para derrubá-la,

Não tardou o primeiro poste caiu,

Depois o segundo 

E então o terceiro.


Finalmente, Mamata viu-se livre,

E sorrateira passou a comer

O gramado que havia fora da cerca

E andou para longe

Sem perceber.


Logo, viu-se solitária,

Contudo, sempre teve a comida

Que a terra dava

E vendo um coelho que saltitava

Próximo a ela

O seguiu para achar a água.


A água seguia o curso de um rio,

E partia para distante,

Mamata ali ficou,

A longa distancia ouvia

O rugido de um touro,

E o berro de uma vaca grávida,

Mas, nada a motivou a sair.


Comia do alimento que brotava

E bebia da água que corria.

Certo dia, decidiu ir até próximo

A cerca e o que viu assustou-a:

O gado estava magro

E os bebedouros de água estavam secos.


O dono da fazenda esqueceu

De dar água a eles,

E o gado perambulava berrando triste

Ao redor da fazenda cercada

Por postes e cerca de arame.

Dois bezerros estavam caídos

No chão fracos demais,

Estes nem mesmo a água 

Os traria a vida.


Não tinham força para berrar,

O couro deles adentrou os ossos,

E mosquitos rondavam sua carne,

Bem próximo a eles haviam corvos

Cercando-os a espera de suas mortes

Para comer sua carne.


Inexplicavelmente aranhas 

E cobras chegavam até os bezerros

E depois saiam saciadas.

O touro vendo a situação chorava

E vendo Mamata sorriu,

E foi até ela.


Mamata engravidou ali ao lado

Do cercado da fazenda,

Mas, não permaneceu,

Voltou até o bosque.

Lá tinha comida a vontade.


Contudo, choveu forte,

E a chuva chegou ao nariz dos três bezerros caídos

E encerrou seu circulo vital.

Morreram da água que não tiveram

De beber.

Os corvos se agacharam sobre eles

E comeram toda a carne 

E as partes internas.


As vacas amedrontaram-se

E esconderam o leite,

Por cinco dias não entregaram o leite

Ao fazendeiro que as amarrou

E as açoitou,

Nem a dor das chicotadas

Amenizou a dor da morte 

Que as vacas prezenciaram

E o leite cessou para algumas

De maneira inexplicável.


Caiu a renda do dono da fazenda

Que agora diminuiu a comida

Para o cercado do gado.

Alguns bezerros nasceram mortos

E de aparência pequena e desgrenhada,

Com os ossos reluzentes sob o pelo brilhoso.


Mamata feliz a comer

Com os bichos selvagens:

Coelhos, galinhas, pássaros

E outros da região,

Viu a água descer do céu 

com muita força e se escondeu

Embaixo de uma árvore.


Um raio caiu sobre ela

E o galho quebrou caindo

Sobre a perna dela que feriu-se.

Ela sentiu a dor em sua pele

Sangrar de maneira violenta,

Para logo após amenizar

Quando seu medo cessou.


O touro veio até ela

E lhe trouxe ramos verdes

Para que ela se alimentasse.

Assim, sob a chuva torrencial,

Ambos levaram ramos ao cercado.

Mas, um grito do dono da fazenda

Os assustou e Mamata correu intensa

Para a mata com medo de ser presa.


Ele se agachou e  juntou pedras

Que jogou contra ela

Com a intensão de que ela permanecesse

Com o resto do gado.

O touro Bream ficou no lugar dela

E avançou com seus chifres

Contra o fazendeiro que correu

Após lhe acertar com uma grande pedra

Contra a sua cabeça.


O touro caiu bufando de dor,

E escorrendo baba pelo nariz e

A boca,

Seus olhos se arregalaram

E ficaram vítreos de dor.

Mas, ante o medo de que Mamata

Fosse ferida ele levantou-se,

E embrenhou outra vez

Para protege-la.


O fazendeiro correu

E Mamata correu mais,

Escondida no mato

Permitiu-se suspirar segura

Com a perna a mancar sua dor.


Depois disso,

Sentiu cede e foi até o rio,

A margem estava molhada,

Logo Mamata resvalou e foi parar

Dentro da água,

Mas ela não sabia nadar,

Então, batia suas pernas dianteiras

Descontroladas

Sobre a água.


Depois, bufou e mugiu

Para que Bream viesse salva-la,

Ele estava ferido

E ela sabia,

Mas a correnteza estava carregando-a consigo.


Logo Bream chegou próximo a margem,

Sujo de terra e escorrendo água da chuva

Que ainda caia,

Mamata só em vê-lo sentiu-se segura

E soltou as pernas dianteiras

Com força dentro da água até se agarrar

Ao barro e parar de ser carregada.


Depois disso ela ficou paralizada,

Pois o barro a imobilizou,

Suas pernas afundaram bastante dentro

Do barro e a água suja 

Corria ao redor dela.

O nível do rio ia subindo 

E lhe chegava à barriga.


Dentro de Mamata algo se moveu,

E a vida saiu de dentro dela

Através de um lindo bezerro

Que caiu sobre a água

E estava sendo carregado

Para o fundo,

Mas Mamata o reteve usando

Sua boca ao pegá-lo pelo pescoço

Próximo a cabeça.


Com o fucinho ela o empurrou

Para a margem e Bream chegou próximo

O bastante para puxá-lo.

O bezerro começou a mugir

E um barulho perto deles

Assustou alguns pássaros que voaram

dos galhos das árvores.


Mamata chorava com medo,

Mas, Bream não sabia o que fazer,

Ela estava presa e a água continuava

A subir até suas costelas.

Quando Bream tentou aproximar-se

Ele viu que suas patas logo afundaram

No barro.


Então, ele voltou até a margem

E carregou o bezerro para longe,

Depois retornou e viu que a água

Já chegava ao fucinho de Mamata 

E iria sufocá-la

Em poucos instantes.


Mas, ele não desisitiu,

Mesmo afundando levou um pé

Depois o outro,

E ergueu do chão que o carregou

Para o fundo um pé e depois o outro,

Como ele era bastante maior

Que Mamata ele pode passar

Por trás dela e empurrou-a

Com sua cabeça para fora 

Da água.

E assim salvaram-se os três.


Movidos pelo medo

Bream retornou ao cercado e derrubou

A cerca deixando todo o gado livre,

Todos seguiram para o mato

Buscando uma vida fora de perigos.


Quando o fazendeiro retornou

Ao cercado viu que não havia

Gado algum lá.

O gado encontrou logo adiante

Do mato uma fonte 

De onde jorrava muita água

Que escorria em direção ao rio.


Lá eles beberam e saciaram

Sua cede.

Então, deitaram todos ao redor

Da fonte onde encontraram comida

Através do mato verde

Que havia no chão.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Saudade

 Saudade

Gostaria de estar

Perto tanto quanto

Eu sinto falta,

Gostaria de abraçar

Tanto quanto

Eu sinto sua falta,

Gostaria de te beijar

Tanto quanto sinto sua falta.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

inesquecível beijo

Foi na cidadezinha do interior,
Debaixo do sol poente
Entre nuvens esparsas
De neblina de chuva,
Que encontrei,
Pela terceira ou quarta vez,
A pessoa a qual beijei
E desesperadamente me apaixonei. 

Antes disso,
Nada me despertou encantos,
No entanto,
O acordar para o amor
Se deu ali na silenciosa cidade
Onde tudo parou no tempo
E as pessoas se cumprimentam 
Com amizade a todos que passam,
Sabendo tudo da vida 
De um e outro,
Sabiam de mim:
Nunca me dei ao amor,
Sabiam sobre ele:
Teve todas que desejou.

É com a memória confusa 
Que trago o rosto
Deste que correu o tempo
E não pude esquecer.
Apesar de neblina
Eu o via nitidamente 
E a luz do poente
Refletia em sua pele 
Me fazendo suspirar sonhos 
Que não imaginei 
Que teria.

Lembro-me e como iria esquecer?
As seis da tarde
Ele saia do trabalho
E o acaso me levou até lá,
Em Nova Erechim 
Vi o grande homem
Que detinha minha admiração 
E sua beleza me guiou
Ao seu coração,
O beijo ocorreu no meio
Da rua a vista de todos -
O inesquecível beijo. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Imposição da palavra

O homem de conhecimento 
E palavras estranhas
Desconhece o simplificado
E usa outros termos
De significado distinto
Para obter a resposta
Que deseja.

Ele manuseia o vocabulário 
E alcança a resposta que quer,
Ato contínuo desta,
Ele manipula a ação,
E do ato simplificado
Alcanca-se o esperado. 

A partir de então,
Tudo segue o roteiro
Do como ele desejou 
Até aquele instante. 
Os passantes já não sabem
O que ouvem
Ou podem testemunhar
O que acontece.

Solidão, indiferença e desigualdade. 
Uma palavra arredia
E todo o ato a segue.
Do que ocorreu
E era imutável 
Se coloca ou retira 
O que desejar.

Nada corresponde 
Exceto o que o homem
Da voz impõe 
A mulher que não lê 
Por não saber 
Nem ao menos escrever.

há emboscadas no amor

Existe os beijos
E o gosto na boca
Para lembrança 
Das chamas
Que reavivam a memória
De um amor ferido
Que doou-se por inteiro
E foi embora.

A passadas eu ando
Na rua onde já 
Esperei por ele,
Apegada a esperança 
De ve-lo passar,
Me olhar 
Ou quiçá Deus
Me beijar!

Onde está?
Bem longe, talvez.
Talvez perto,
Mas, oculto.
Quem sabe?
Com o bacamarte
Em punho
E nos lábios 
Mil frases de desdém,
É, amor demais enfraquece...

O coração implora prudência,
Os amigos apontam o dedo,
Falam o que bem entendem,
Ofuscam as lembranças.
Solidão,
E eu nela sinto desconfiança,
Fora dela 
Busco seu perdão. 

Não se ve pessoa alguma,
Razão para sentir receio,
Com quem está
Este que me põe na retaguarda 
E me pede desvelo?
Trata-se do fim de um beijo
Que me deixou em má reputação,
Busquei-o sem motivação,
Perdi-o na mesma entoação.

É uma provável emboscada.
Trinta frases de eu te amo
Não apagam uma garota
De vestido curto e boas pernas,
Eu desfaleço no que sinto,
A Solidão desvalora o feminino.

De súbito um pequeno terço 
É levantado sobre uma das mãos 
E uma voz feminina grita
Um nome a pleno pulmão:
Ele olha, a ve, aguarda
Não diz nada,
Retira o óculos 
De aro escuro
Limpa os olhos e olha.

Parece aguardar uma voz
De dentro de si para agir,
Algum comando 
Ou algo assim.
A voz feminina se levanta 
Fala de lembranças 
E beijos que não foi capaz
De cuspir fora,
Esquecer ou se arrepender.

A voz arrisca-se:
Atire-me se for capaz,
Um ato de rejeição seu
E desfaleço nesta rua,
Não serei mais mulher
Abandono a condição,
Serei maldita e das ruas,
Se assim lhe pede seu coração. 
Ela remexia com os dedos
Aquelas pequenas bolas
Do terço como em uma oração. 

Ele sorriu olhando 
Para o céu,
Levantou o rosto de olhos
Escuros e redondos 
Depois o baixou sobre ela.
Havia ali com efeito alguém 
E este alguém falava de amor 
E emboscadas de paixão. 
O que faz aí?
Ele a indagou de supetão.
Busco seu amor
Que mais eu poderia?

Corre-se perigo,
O amor retira as certezas
Mas nos dá abrigo,
A maneira como uma mulher
Se entrega ao que sente
E fala traz valor ao feminino. 
Vai para dentro,
Não ve mulher que chove
Nesta hora?
Ela correu se abrigar nele.
A maneira como o homem
É sempre tão forte e 
Encontra respostas com facilidade 
Dá valor ao masculino. 
Ela o abraçou 
E abrigou o rosto 
Em seu peito 
Onde pensou em
Nunca mais sair,
Segurou forte o terço 
E rezou seu nome 
Como quem pede um milagre.

Nem Perdão Nem Prisão

Nem perdão,
Nem prisão 
A guerra é voluntária 
Luta-se pelo que
Não se tem
E sendo oferecido
Não convence
Por estar desvalido
E nem chegar ao alcance.

A politicagem do voto
Se alastra pelos bairros
Toma as ruas
Ganha o interior,
Trafega-se por caminhos
Nunca andados
E pouco após 
Esquecidos.

Chega de palavratorio,
De voto por convencimento 
Através de diálogo falso,
Proposta sem crença 
Não alimenta,
Intenção sem ação 
Não se credita,
De um lado o povo
Luta pelo pão 
E sofre no trabalho
Feito cão 
De outro lado
O herói voluntário 
Armado de punhos
E ideias revolucionárias
Não limpa o próprio armário,
Não cuida da família,
Ganha o pão por doação.

Chega deste tipo 
De herói sem convicção
Que detesta o povo trabalhador,
Prefere a guerra
Ao invés de solucionar,
Só pensa em crescimento próprio 
Sem ver no seu lado
O povo sofrido
Que trabalha dobrado 
E não sabe se defender
Deste típico herói safado.

Onde reina o dinheiro,
Impera o terror,
O sangue escorre nos dedos 
Do povo trabalhador 
E calejado
E daquele que farqueja
O punho no aço 
Da arma que usa
Para pôr de lados opostos
Cidadãos de um mesmo país.

De um lado ergue-se a revolução 
E o cansaço causado pelo 
Sofrimento de tanto trabalhar
E não alcançar sucesso.

De outro lado ergue-se o policial
Marchando por ideias egoístas 
Num conflito bárbaro 
Que faz pender do inocente
Ao culpado
Que coloca o cidadão armado
Contra o trabalhador indefeso.

Considerando que do povo
Todos vem
Mas poucos absorvem
As necessidades 
Indaga-se para que
Tanto falatório 
Se o fazer permanece
Nem na mão do calejado trabalhador 
Nem na munição do policial revolucionador
Mas fica por fazer.

Despertar