terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Me Abrace

Estar com você
É meu maior
Momento de leveza,
Me faz sorrir,
Me faz humana,
Me sinto
Em uma plenitude
Tão rara,
Que é quase assustador,
Eu queria que você
Ficasse mais tempo comigo.
Gostaria que seu abraço
Fosse mais apertado
E se demorasse
Em meu corpo,
Não que isso
Afaste nossos medos,
Mas atenua
As batidas do meu coração
Que quase ressona,
E te pede pra ficar.
Por uma fração
De tempo
Que caiba
Dentro do nosso abraço,
No decurso de uma noite,
Poderemos ser plenos
Um do outro,
Nos amar com malícia,
E meu mundo se resume
A você e nenhuma
Outra pessoa.
Me abraça forte,
E fica comigo.
Neste abraço avassalador
De uma noite apenas
Que sabemos
Que é pouco
Mas é tão perfeito
E incrível
Que tem gosto de pra sempre.
Num abraço protetor,
Que nos deixe gratos
Por estarmos vivos,
Que nos faça querer estar,
Abraçar, ficar.
Me abrace tanto
Até que eu não
Queira mais falar,
Me abrace tão forte
Até que eu não queira
Mais ouvir,
Me abrace tão seguro
Até que eu adormeça
E me sinta feliz.
Me abrace forte,
Queira ficar comigo,
Fique.

Sinto Falta de Você

Quando se vê
Que nada é definitivo,
Começa-se a sopesar
Amizades,
Valorar atitudes,
E ter levezas
Nada próprias ações.
O orgulho
Perde a utilidade,
O banal torna-se trivial,
As disputas são entregues
A estupidez da ganância
E ambas são afastadas
Do pensamento,
Do dia-a-dia,
Do convívio.
Nisto as mágoas
São vistas
De forma supérflua,
E o sorriso
Abre espaço
Para o afeto,
O respeito,
E a saudade.
Bater é simples,
Mas, apanhar
Não é aceitável,
Sofrer um pouco
É tolerável,
Mas abaixar a cabeça
É inaceitável,
Observar com cautela
A vida
Torna ela mais linda,
Mais gostosa
De ser vivida,
Pois viver sozinho
É bom,
Mas ter alguém
Ao nosso lado
É indescritível.
Gostaria que você
Sentisse minha falta
Tanto quanto eu sinto
A sua,
E que seus pensamentos
Me buscassem
O tanto que eu te busco,
Não seja mesquinho,
Cultive por nós a saudade
E venha até eu,
Eu tenho um abraço
Pra te entregar,
Um pedido de perdão,
E um agradecimento,
Sinta minha falta,
E sentindo venha me buscar?

Policial

Quando um policial
Morre o que ecoa
Na mente um do outro
É o silêncio.
Suas ações
Partem com ele,
Injetada numa bandeira
Do estado em que trabalha
Como maneira
De recordar tudo que fez,
Dura tão pouco tempo,
O velório,
Que o caixão é fechado
E nenhuma boca ainda
Foi capaz de falar.
O amor pelo trabalho
É o mais duradouro
Dos amores,
Faz dedicar-se,
Lutar para fazer bem feito,
Buscar melhores resultados.
Na sua lápide
É descrito seu nome,
Mas não cabe
Sua história,
Do lado
Coloca-se uma fotografia,
Onde se reconhece
Um olhar,
Mas, jamais sabe-se
A dor de um ser humano
Que morre em serviço,
Que inicia seu trabalho
Em cada dia
Sabendo dos riscos
Contra sua integridade física,
O verdadeiro policial
É aquele que tomba
Sem perder sua integridade moral.
Seu nome repete-se
Pelas bocas,
Denomina ruas,
Avenidas e marca
Através dos tempos
Com suas ações
Benéficas que nunca
São esquecidas
Nem recordadas
O suficiente.

Destino

Não é
Nenhum desafio
Descobrir quem somos,
Avaliar nossos
Pontos fortes
E fortificar os frágeis,
Feliz é aquele
Que se felicita
Com quem é,
Feliz é aquele
Que sente orgulho
De tudo que fez,
Que se esforça
Para alcançar
Seus objetivos
E tem satisfação
De si próprio.
Dar o melhor
De si mesmo
As vezes,
Demora a dar resultado,
Mas todos os resultados
Serão positivos,
Pois o melhor
De si mesmo
Estimula que o ainda melhor
Possa surgir
E agir sobre o que se busca,
Aquele que é melhor
Sempre é capaz de melhorar,
E seus resultados
Sempre serão positivos.
Pensar positivo
É um bom início,
Pois pensar comanda
O agir,
O agir faz-se hábito,
O hábito molda o caráter,
E o caráter determina
Seu destino.
As vezes,
Muitos anos
São necessários
Para que você
Seja capaz
De olhar para trás
E ver o valor
De tudo que aconteceu
Com você
E a contribuição
De cada pessoa
Na sua personalidade,
Dominar os efeitos
Das ações vividas
Sobre si mesmo
É domingo seu destino.

Ser Especial

A mentira morre
Nos lábios de pessoas
Inteligentes,
O que me admira
No ser humano
É sua capacidade
De filtrar conversas,
E cessar a mentira,
Não transmitir a verdade
Se ela for de maldade
Pois mais ganha
O coração bondoso
Que aquele que vive
De rancor e ódio,
O alimento da alma
É o perdão,
O carinho e a bondade
Com relação ao semelhante.
Acreditar em suas próprias
Mentiras,
Fugir da realidade,
Isto é desvio de personalidade,
É pender pro lado vitorioso
Por ser uma pessoa
Sem caráter,
Desvirtuoso de bondade,
Todo o sujeito tendente
A maldade,
Acaba gerando desconfiança,
E a descrença
Na pessoa
Repele ela
De qualquer círculo amigável.
Porquê todo suspeito
Encerra por ser desmascarado
E ninguém acredita
Em pessoas
Reconhecidamente mentirosas,
A mentira é má,
A mentira faz mal,
A unicidade do ser humano
A faz singular
Entre tantas pessoas,
Isto é mais que ser
Parte da vida de alguém
É ser a própria vida,
É ser tão único
A ponto de fazer falta,
A ponto de ser buscado
Mesmo que entre mil amigos,
O amigo especial
Sempre é reconhecido.
As vezes,
Se algo o feriu,
O melhor a ser feito
É conversar
Sobre o assunto,
Contar a Deus,
Entregar seus sentimentos,
Todo o se humano
É se sensível
A dor do outro
Sem que
Para isso
Seja necessária
A mentira
E a conversa fofoqueira.

Levo

Seguro as alças
Da minha malinha
E puxo ela
Atrás de mim,
Com suas rodinhas
A tilintar a hora
Sem fim,
Eu abaixo a cabeça,
Uma menina
A seguir pela calçada
No término da aula,
E você passa por mim,
Você sabe,
Me desculpa,
Eu já gosto de você,
Não tenho idade
Para isso,
Mas acompanho
Seus passos
E se fosse sonhar
Em beijar
Eu procuraria a sua
Cobiçada boca.
Ouço tudo que você diz
Como se não houvesse
Maior importância
Em nada além,
Entendo seus reflexos
E não tentou te beijar
É cedo demais
Para confessar,
Neste instante,
É proibido sentir,
Mas, meu coração
Já sabe amar
E sempre que te vê
Ele pulsa forte
Por trás da minha
Camiseta comprida
Que eu sei,
E você entenderia,
Com pouco esforço
O que sinto,
Eu o amo.
Minhas rodinhas
Pulam uma pedra,
Batem contra o canteiro
De flores,
Sobem por seus sapatos
Escuros e sujos
Pelo seu trabalho,
Eu o olho
Exatamente quando
Uma gota de suor
Desse dos seus cabelos,
Ganha a sua testa
E segue,
Eu levanto a mão,
Não quero
Que lhe fira os olhos,
Mas, você não parece
Dar importância,
Contém minha mão
E repele,
Com olhos seguros,
Arredio e sérios,
O suor desce,
Chega aos olhos
E desce,
Não parece lágrima
Mas te percorre,
Então, você solta
Minha mão e retira
A gota,
Eu sorrio,
Você vira
As costas e vai,
Com seus sapatos
Seguros de pisar
O chão sujo,
Com sua calça segura,
Com sua camisa segura,
Você vai
E eu fico,
Depois me vou.
Poderia guardar
Seu cheiro comigo,
Segurar minha mão
Em meu peito
O tanto quanto
Um coração é capaz
De absorver amor,
Provar cheiros,
E guardar,
Te guardo comigo Dutra.

Saudades

Há um chamado
Que voa
Com o vento
Na velocidade
Do querer,
A voz está emudecida,
Mas, muito se fala
Quando a boca cala.
Fosse do querer,
A chuva que faz
O chamado descer,
Seguro e forte,
Eu desejaria rever,
Fosse do poder,
Eu preferiria ajudar,
Proteger,
Estar segura.
A chuva pesa
Em minha alma,
Me acolho
Em mim mesma,
Sinto nostalgia
De viver um tempo
Que de bom
Teve você,
Mais nada.
A 200 metros
Eu perdi você,
Na distância da saudade,
Na distância que faz falta,
Na distância curta
Que não pude te proteger,
Na distância solitária
Em que vaguei
Pelo acaso
Em busca de tê-lo,
Mas como dizer?
Foi como um chamado
Que cruza o infinito,
Desce feito um pingo
E molha meu rosto,
Com seu gosto,
Se eu tivesse provado,
Com seu cheiro,
Se eu pudesse tocá-lo,
Com a chance que pedi
De apenas tê-lo,
Tomar um café
Ao seu lado,
Sentir seu abraço,
E não desejar tanto
Você cada vez
Que decide chover.
Eu choro sua falta,
Choro o remorso
De nunca ter falado
O quanto o queria,
Choro,
Por não tê-lo ajudado,
Choro por ter feito
Tão pouco,
Sofro,
Pareço,
Desfaleço,
Eu choro.
Obrigada Silvio Ribeiro,
Eu achei você lindo,
Eu não soube falar,
Eu tentei te proteger,
Mas fui fraca,
Eu perdi a luta,
Me entenda.

Função Polícia 🚔

Cai o verbo na cidade,
Hoje as luzes
Não dormem,
As frases saem
E lágrimas caem
Ou cairiam se assim o fosse.
Contudo, a água doce
Da farda daquele
Que trabalha
Não é vista,
Nem comentada,
Exceto nestes casos.
Há de se imaginar,
Talvez, ganhei nota
Nos jornais,
Uma oração silenciosa
Sobe
Mas é incapaz de buscar
Aquele que foi antes.
Um agradecimento
Feito por poucos
Ou muitos,
Tardio,
Que não será ouvido,
Mas é feito
E lançado aos céus.
Duas garotas
Foram nadar no rio,
Ambas não sabiam nadar,
A embarcação que usavam
Virou,
Nenhuma sabia remar,
Ambas, abraçadas
Sucumbiram nestas águas
E não tiveram forças
Para retornar.
Um gole de água doce
Sacia até a alma,
Mais que isso,
Contudo,
Afunda e segura,
Até que não reste,
Até que não haja
A ... Vida!
A polícia foi acionada,
Tarde,
Já passou do horário
De retorno
E as meninas não voltaram
Conforme combinado.
Mas, a mãe ansiosa
E assustada soube retratar
O local aproximado
Aonde teriam ido,
E vizinhos próximos
Informaram que estariam ali.
Iniciaram as buscas,
Homens nadaram,
Foram ao fundo,
Voltaram,
Estava difícil encontrar,
Achar a embarcação
Não foi útil,
Contudo, não muito
Mais tarde,
Acharam-se as garotas.
Abraçadas
Lá no fundo,
Pareciam beijar-se,
Implorar por socorro,
Comunicar-se
Numa linguagem
Que apenas os
Que estão a beira
Da morte saberiam
Interpretar,
A linguagem
Dos que estão partindo
E não sabem escapar.
Os corpos foram retirados,
Colocados na própria
Embarcação e puxados
Para fora da água,
Um helicóptero prestou
Auxílio,
Uma corda foi amarrada
A embarcação
E um homem se certificou
De que a embarcação
Partisse segura.
Estes corpos
Sem vida,
Sem fala
Chegariam
Até suas famílias,
Seus rostos seriam identificados,
Duas famílias
Chorariam sabendo
Aonde suas filhas amadas
Estariam,
Mortas.
No instante em que
Ele subiu na corda,
Com a embarcação
Amarrada no final,
Ele pode reconhecer
Os rostos,
Identifica-los,
Sim,
Tratava-se da mulher
Que amava,
A autora de seus sonhos
De amor,
A garota com quem sonhava.
Num lapso de dor,
Ele soltou-se,
Lá do céu,
Deixou-se cair,
Esmorecido caiu
Inerte no chão
De sua dor,
O maldito chão
Que a levou,
O doentio chão
Que o impediu
De ama-la,
Cuidar dela.
Sua função de policial
Não foi suficiente
Para que ele pudesse
Guarda-la,
Resguarda-la de sofrer,
Impedi-la de morrer.
Ele não seria encontrado,
Este guerreiro trabalhador
Partiu no tormento de sua dor,
Seu treinamento não o salvou,
Uma terceira família
Choraria,
Se sabendo de sua dor,
Por ver em sua chegada
O pranto sofrido
Escondido em seu olhar,
Um galho não tivesse
Esmorecido,
Chacoalhando por amor.
A dor pela morte
É sentida mesmo antes
De saber-se reconhecer
O rosto desfalecido,
Antes ainda de ver
As lágrimas de um velório,
Antes ainda disso tudo,
Aquele guerreiro
Marchou morto.
Mas Deus soube
Salva-lo,
E um galho o manteve,
Inerte,
A chorar a dor
Destes que sofrem
Na primeira ligação,
No primeiro instante de trabalho
Eles sofrem,
Marcham com sofrimento
Estampado,
Numa dor que precisam guardar,
Uma dor que não lhe
É permitida falar,
Mas, os pais sabedores
Do que se passa
No coração de seus filhos
Se ajoelham antes,
Antes de a ligação chegar
E a ocorrência for designada
Os pais estão de mais dadas,
E este filho retorna.
Dutra foi encontrado
Com vida,
Embora desorientado,
Ele foi identificado
Em razão de ter este nome
Escrito na farda,
Foi localizado por cães
Que latiam sem parar
Naquela direção.
A polícia já estava
Em sua busca,
No cair da noite,
No instante
Em que o sereno chora,
E molha um rosto,
Faz sangrar três famílias,
Ele foi encontrado
E levado para atendimento
Emergencial de saúde.
Vivo,
Respirando com dificuldade,
Os pais já esperavam
Na porta do hospital,
Mãos dadas,
Com seus cabelos brancos
Denunciando a dor
Triste de quem quase perde
Mas recupera.
Seu primeiro ímpeto,
Foi apertar as mãos
De sua mãe,
Ele tentou falar,
Foi em vão,
Disse “Paloma?”
Ela não respondeu,
Paloma partiu antes
E não poderia voltar,
Estavam ali
Apenas seus pais,
Foi o que lhe restou.
Contudo,
Quando dois caixões
Desceram naquele chão de terra,
Dutra não havia
Se recuperado,
Nem pode participar,
As luzes piscaram
Na cidade inteira,
O equipamento de respiração
Do hospital parou de funcionar,
E Dutra foi...
Por alguns segundos
Ver sua amada,
Entregar um último olhar,
Beijar uma flor
Em que repousaria
Em sua face,
Dois pais se postaram
De joelhos em prantos,
Abraçados
Segurando a mão do filho,
Dutra voltou,
Sua respiração repousou lenta
Sobre seu corpo,
Algo grande feito de amor
O salvou,
Um casal de joelhos
E mãos unidas
São capazes
De elevar uma oração
Ao céu,
E impedir de carregar,
Por uma vez,
Ao menos,
Impedir que os céus
Levem o filho querido,
Que foi incapaz
De lutar contra
A própria dor.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Ficamos?

Não há medo
Nenhum nisso,
Você partir
Sem compromisso,
Sorrir
Sem embaraço,
Desistir
Sem usar o nós.
Citar o passado
Sem nos ver juntos,
Recordar os bons tempos
Sem sentir apego,
Ver o ruim de tudo
Sem ressentimento.
Siga seu destino,
Apertei o cinto,
Vá a toda velocidade,
Há um paraíso a frente,
Eu fico por nós,
Eu não tenho medo
Do escuro,
Do vazio,
Do acúmulo
De ir-se
Para tão longe
Como se nunca
Tivesse estado
Aqui comigo.
Como se toda vez
Que você dirigiu
Seu carro
A velocidade
Fosse tão alta,
A sensação
Tão incrível
Que você
Não tenha
Me visto a acenar
Ou a te olhar,
Porquê eu olhei
Para você,
Eu segui
Em sua direção,
Eu busquei você,
Você não?
Eu fico bem sozinha,
Se seu desejo é ir,
Lhe desejo sorte,
Espero te ver no fim,
Tantos te seguem,
Mas eu posso suportar ver.
E não sentir ciúmes,
Não ter orgulho,
Sentir o peito apertar
E um tanto de espanto
Por toda a sua coragem,
E energia para seguir
Sem olhar para o lado,
Sem apiedar-se,
Ou ter nutrido afeto.
Me despeço
Como se fosse tão perto
O fim,
Sabendo que não
Deveria ser assim,
Dizer que não
E você entender sim,
Tentar falar ok
E não saber expressar
A voz.
Você foi,
Você nem veio,
Você foi rude,
Você foi miragem,
Você foi agressivo,
Você foi evasivo,
Eu não lhe dei chances,
Você desacreditou de nós,
Você foi com tantos
Para tão longe,
Onde eu não quero estar,
Não irei tocar,
Não vou tentar chegar,
Então é adeus
Pra sempre,
Você vai e fica,
Eu aceno e o deixou ir,
Se distanciar,
Não te ouvir,
Não lembrar,
Não imaginar,
Não criar,
Depois que você for
É como se nunca
Tivesse estado aqui,
Só resta esquecer,
Nada haverá para modificar,
Eu me canso de reinventar
Sonhar que fomos tanto,
Que este aperto
Em meu peito
Ao te ver ir
Pra nunca mais
Signifique que você
Já esteve comigo
Que fomos bons
Um com o outro,
Olhamos um nos olhos
Do outro,
De mãos dadas
E nos beijamos,
De corpos colados
E coração aos saltos,
Porque meu coração se aperta,
Mas, ele lhe dá liberdade,
Se vá,
Eu não quero mais sonhar,
Imaginar o que não houve,
Refazer um passado
Que foi todo errado,
Eu ganhei tempo
Para o choro
Depois de tantos terem ido,
Teríamos ganhado tempo
Para nós dois,
Só agora?
Sim,
Só hoje
É que estamos libertos
Para ser um do outro,
Mas tantos foram
E nós ficamos?

Reconstrução

Oh, me deixe sozinho
Estou num aspecto
Em que todos
Partiu rápido
E me parece
Ser tão precipitado,
Muito antes do fim,
Mas, lhe digo:
Não desista por mim,
Siga seu caminho,
Eu não me importo
De ficar sozinho.
Estou num fim obscuro,
Com apego ao escuro,
Sem medo do fracasso,
E posso ver
Você partindo
Sem fazer estardalhaço,
Contudo, me perdoe
O embaraço,
Eu me recolho
E choro.
Estou sozinho,
Permanecerei
Aqui mesmo,
Com meia luz,
Meio as sombras,
Lembrando de você
E do pouco
Que você me disse,
Pode seguir,
Cumpra seu destino,
Está era a sua meta,
Se dar sem reservas,
Não querer estar perto,
Não poder fazer
Mais do que era permitido.
Não nos é permitido,
Me deixe sozinho,
No escuro,
Não nos foi permitidos
O choro,
O amor,
O estar junto,
Vai sem medo
Você nunca foi disso,
Me deixe sozinho
No escuro,
Eu me reconstruo.

Erika - O Fantoche

“Dizem que se você
Acordar um sonâmbulo
Ele pode cair... Morto”.
Falou Erika,
Sentada atrás de sua mesa,
Que, enquanto falava,
Iniciou a frase
Em tom alto
E foi baixando enquanto
Se aproximava do ouvido
De Horostecki.
Horostecki ficou arrepiado
E sorriu
Enquanto dizia:
“Pois é,
Eu sofro disso”.
Ele falou.
Ela retornou a sua cadeira
E o olhou séria.
“Como assim?”
Ela pediu cruzando
Os dedos sobre a mesa.
“Eu sou casado,
Mas, quando percebo
Acordou num bar
Em plena manhã.”
Ela sorriu.
“Continue”.
“Eu pego o carro escondido
E fujo,
Vou até o bar e bebo
Sem parar,
Então, vem o dia
E alguém me encontra.”
Ele continuou.
“Hám, compreendo”.
Ela falou
Com os vagos,
Tentando entender.
“É que na verdade,
Eu fui dormir,
E não compreendo
Como eu saí “.
Ele falou.
“Nossa, mas que difícil,
Você não se viu
Sair de casa,
E nem entendeu
Como estava fora
Ou bêbado?”
Ela indagou.
Erika trabalha
De secretaria de advogado.
“Sim, então, vou trabalhar bêbado “.
Ela o olhou com seriedade.
“Voce é soldado
Na polícia militar?”
Indagou.
“Sim, sou policial “.
“Isto deve ser um problema “.
Ela falou.
“Sim, eu peguei a viatura
Para dirigir e bati
Contra um ônibus escolar,
Então, eu chantageei
Meu colega de farda,
E maquiei os dados
Colocando um outro indivíduo
Em meu lugar,
Pois, do acidente houve
Feridos e morte”.
Ele respondeu sorrindo.
“que terrível,
Eram crianças?”
Ela indagou.
“claro,
Tinham no máximo
10 anos”.
Ele falou olhando-a
De frente.
“voce está numa encrenca”.
Ela continuou.
“não, você está,
Eu gostei do seu corpo,
Ou você faz sexo comigo
Ou então, coloco
Seu nome na direção
Do veículo “.
Ele falou brincando.
Erika e Fabiano vivem
Num relacionamento de 04 anos
Como amantes,
Ele é casado,
Ela também.
“É você é bom pai”
Ela falou ao referir-se
Que ele escolheu viver
Próximo a uma escola
De aulas infantis,
E mesmo não tendo filhos,
Dedicava seu tempo
A olhar as crianças
E estupra-las.
Erika, embora
Estudante de direito
Não conseguia provas
A respeito
E nem ao menos
Se livrar da relação indesejada.
Ela não se sentia
Amada ou valorizada,
Pior que isso,
Se via estuprada
Por ele,
E nunca permitiu
Que suas piadas
Fossem longe demais.
“Bom virtuoso”
Ele disse sorrindo
Feito crianças.
Referindo-se ao fato
De que frequentou a igreja
Duas vezes
E se declarou crente em Deus,
As custas de sua esposa,
A qualquer ele obrigava
A ter frequência na igreja,
Para fazer um aspecto midiático
De família perfeita.
“Eu não entendo isto
De você ter de frequentar
A igreja para ser considerado
Bom,
Você é tão mal?”
Ela indagou fazendo
Biquinho com os lábios.
Ele sorriu alto:
“Eu sou jogador de game
Para a minha esposa,
Mas na verdade,
Estou sempre com
Uma aba de pornografia
Aberta do lado no
Computador “.
Ele falou
Limpando a baba
Que voou entre as palavras.
Mais tarde,
Erika o acompanhou
Até a base de operações
Policiais,
Para fazer sexo,
Ela não sabia a motivação
Mas gostava de ir lá,
Ele estava a serviço,
E isto dava um ar de medo.
Erika gostava
Do quanto suas pernas
Tremiam ao estar com ele
Naquela base fechada,
Um local de trabalho,
Ao dispor de seu gozo.
Neste momento,
Enquanto Horostecki
Foi tomar banho,
Vez que,
Transaram na cama
Que estava lá,
Erika encontrou
Um computador
Com dados policiais ligado
E acessado.
Ela ficou assustada,
Vez, que havia uma aba
Com uma cópia evidente
De seu celular aberta,
Lá tinha seus dados
E números de telefone,
Ela teve certeza
Que ele tinha um sistema
De raqueamento de seu celular,
Com seus dados pessoais,
E um programa de audição
Dela própria,
Sem ter necessidade alguma
Ou autorização para ele
Fazer isso.
Haviam mensagens trocadas,
Falas de ligações,
Ela descobriu
Que nunca teve vida particular,
Tudo girou em torno
Do que Horostecki desejou,
Ela era seu fantoche
E ele um soldado militar.
Além de monopolizar 
Sua vida,
Horostecki cumpria 
Horário de serviço 
Por meio do equipamento,
Fazendo o que desejava
Apenas quando fosse
Sua vontade,
Nisto, Erika ajia
Perfeitamente bem,
Pois se ela não o conduzisse
Até a área policial
Jamais seria comprovada 
A grandeza da farsa
Em que aquele indivíduo 
Estava envolvido.
Tudo era questão 
De vozes, comandos
E provas fraudadas.

14/06/2014

“conforme meu relógio
O ônibus está atrasado.”
Disse Wagner,
Alheio ao seu redor,
Preocupado em perder
O horário escolar.
“Caso não venha
Em meia hora
Teremos que voltar
Pra casa,
Pois ficará muito tarde
E algum estranho
Pode passar por nós
E nos fazer mal”.
Respondeu Gabriel
Preocupado.
“É claro que sim.”
Encerrou Wagner
Segurando seus cadernos
Nas mãos,
Enquanto Gabriel
Chacoalhava a mochila
Preocupado.
Transcorrido o tempo
Sem que o ônibus
Tenha passado,
Ambos saíram da beira
Da estrada
Onde estavam
E voltaram para suas casas.
O sol estava pleno,
A terra estava molhada,
Havia chovido na noite anterior.
Chegado em casa
Gabriel descobriu
Que sua mãe os levaria,
E foram de carro
Até a casa de Wagner,
Que feliz,
Desceu a área do
Segundo andar de sua casa
Pulando os degraus
Da escada.
Chegando no colégio
Descobriram que a chuva
Alagou o colégio
E arrancou parte do teto,
Por isso,
Não haveria aulas,
Poucos alunos compareceram
E os professores e domésticos
Estavam preocupados
Tentando limpar a sujeira.
Havia lixo por toda parte,
Também muita água suja,
Estava tudo molhado,
Com pedaços de telhado
E alguns galhos e coisas
Trazidas com o vento.
“Vamos ficar e ajudar”.
Pediu Wagner.
“Claro, filho”.
Respondeu Elizandra,
Os três foram até
Os professores
Se certificaram de tudo
Que houve,
E pegaram uma vassoura
E um rodo com um pano
Cada um e juntos
Foram limpando todo
O local,
Cada sala,
Cada canto,
Um varria o outro puxava
A água e outro esfregava,
Depois limpava
Com o pano.
Transcorridas 04 horas
De limpeza,
Haviam ao todo 25 pessoas
Incluindo funcionários
E moradores locais,
A intimidade de Elizandra
Com Wagner ficou evidente,
Dentro da biblioteca,
Cujos livros estavam
Todos molhados,
E talvez, toda leitura
Estivesse perdida,
Wagner tropeçou
No rodo e feriu o rosto
Contra a parede,
Elizandra o abraçou,
E secou suas lágrimas.
Contudo, seus 40 anos
De idade não evitaram
O beijo que ocorreu
Nos lábios do garoto
De 13 anos.
Ela não se importou
Por ser mãe do amigo
Do menino,
E vizinha do garoto,
Pelo contrário
O beijou sôfrega
E intensa.
“E seu primeiro beijo?”
Ela indagou.
“Sim. É o primeiro “.
Ela sorriu prazerosa.
Gabriel chegou
A tempo de ver a situação
Desgostoso pulou
Contra a porta,
Se jogando sobre Wagner
Com socos e tapas.
Também agrediu a própria
Mãe aos prantos.
“Vagabundo, maldito
Você não é meu pai,
Você não pode!”
Ele gritou.
A mãe do garoto
Tentou controla-lo
Com palavras acolhedoras,
Mas foi em vão.
“calma filho,
Não é nada disso
Que você está pensando.”
“jamais ficarei calmo,
Vou contar para o papai.”
Ele gritou.
“Não faça isso,
Seu pai não iria entender “.
As professoras chegaram
Até a sala e tentaram auxiliar.
“Imagine Gabriel,
Wagner já tem 13 anos,
Já é um adolescente
E sua mãe é adulta
É ela quem sabe o que faz!”.
Porém, Gabriel se irritou
Mais correu até a sala
Dos professores
E ligou para seu pai
Imediatamente,
Contando, tudo que viu.
Darci ficou assustado,
E irritado,
Deixou o trabalho imediatamente
E se dirigiu até o colégio,
Lá chegando,
Encontrou sua esposa
Abraçada ao Wagner
Que chorava assustado
Entre seus decote
De seios a mostra.
Ele gritou e esmurrou
A parede,
Depois disso,
Retirou uma arma
Da cintura e atirou
Contra os presentes
Sem importar-se:
“Maldita, vagabunda,
Maldito viado”.
Wagner nunca
Pode ter um segundo beijo,
Ficou paraplégico,
Foi levando pela emergência
Para o sistema de saúde
Receber hospitalização
Devido a imobilidade do corpo
Em razão de ter recebido 3 tiros
Em locais do corpo.
Sangrando e caído
Na própria poça de sangue,
Dor e lágrimas,
Nunca mais pode falar
Ou mover-se.
Já Elizandra recebeu
Um único tiro no peito
Que a separou de Wagner
Fazendo-a colidir
Contra a parede.
Na parede voou sangue,
De seu corpo
Escorreu sangue
Seus olhos assustados
E abertos evidenciaram dor
E medo e morte.
Seu esposo não foi capaz
De perdoar a traição,
A matou num gesto impensado.
Uma professora foi ferida
E foi levada para a Unidade
De Saúde avançada
Em estado crítico de saúde,
Suspirando com dificuldade,
Empossada em sangue
Com os olhos abertos
Entre o medo e a dor insustentável.
Inebriado pelo ódio,
Darci não parou de atirar,
Atirou contra a parede,
Contra as janelas,
Contra as pessoas,
Mas, Arnaldo foi rápido
E conseguiu retirar a arma
Da mão de Darci
Que irritado agiu contra
O próprio filho
Desferindo golpes
De toda sorte
Contra o garoto de 13 anos.
As fraturas levaram
Do menino sua perna,
Traumatizado,
Darci só se conteve
Quando uma viatura policial
Passou em frente ao colégio
E assustados com os barulhos
Entraram lá,
Constatando um homem
Transtornado
Que batia em todos que via
Quebrando carteiras,
Jogando cadeiras contra
Os presentes,
Rasgando livros
E os ateando no rosto
De cada um que via.
Sua dor não cessava,
A raiva não cedia espaço,
O horror de ter sido
Traído em frente a todos
Do ambiente escolar
Foi mais forte
Que qualquer outro sentimento.
Dois soldados
O contiveram depois
De entrarem em luta
Corporal contra Darci,
Nenhuma palavra
O fez parar,
Somente a força bruta
O estancou.
Darci foi levado
Para a delegacia imediatamente,
A escola foi fechada,
E todos receberam tratamento
Ambulatorial pelo sistema
Móvel de saúde,
Os casos mais sérios
Foram para o hospital receber
Internamento.
Sabendo do ocorrido,
Os pais de Wagner
Não suportaram a dor,
Invadiram a delegacia 
Com fuzis e fuzilaram
Todos os presentes,
Desde o delegado plantonista,
Até o advogado plantonista,
E dois soldados militares
Que estavam lá,
Darci não foi poupado,
Ele levou a vida de um filho,
Uma criança de 13 anos
Inocente de toda a maldade
Humana,
Mas sua vida,
Cruelmente,
Foi tirada
Tal como a do filho amado.
Orgulhosos pelo ato vitorioso.
Depois disso,
Seguiram para suas casas.
Logo mais, 
A polícia soube do ocorrido,
Conseguiu informações 
Através das câmeras 
De segurança da delegacia,
E viram o ocorrido,
Saiu então a viatura 
Do PPT, 
Polícia de policiamento tático,
Designada para efetuar
O flagrante delito
E apreensão do casal
E das armas utilizadas.
Chegando na residência 
Houve resistência 
Por parte do casal,
Houve então, luta corporal,
Contudo, a polícia conseguiu
Imobiliza-los e algema-los,
Em seguida 
Foram em busca das armas.
O casal negou o uso
E também negaram 
Qualquer atitude ilícita.
O PPT entrou na casa
E tiveram de vasculhar 
O local,
Dentro do sofá,
Depois de corta-lo 
Encontraram 5 fuzis,
Estas armas são 
De uso restrito,
Proibidas para pessoas comuns.
Continuando a operação 
De busca encontraram drogas
Espalhadas no foro da casa,
No quarto do casal,
Atrás do roupeiro 
Encontraram outras armas.
Em porte de todo 
O material apreendido
Seguiram para a delegacia 
Regional vez que a outra
Estava defasada a tiros.
Presos,
Esperando para dar depoimento,
O casal descobriu
Que seu filho Wagner
Estava apenas paraplégico 
E não morto,
Ele encontrava-se 
Na unidade intensiva de saúde 
Para receber tratamento médico,
Mas, gazava de vida.
O menino tinha dificuldade 
Para se comunicar,
Talvez, nunca mais viesse
A falar ou andar,
Mas sobrevivia.
Indignados
Pela repercussão midiática 
Sobre o caso,
Os pais do restante 
Dos alunos 
Sentiram-se amedrontados
E fizeram passeata
Cobrando atitude 
De segurança por parte 
Das autoridades locais,
Alguns, montaram barracas 
Em frente a prefeitura municipal 
E ficaram acampados lá,
Gritando por segurança 
Nas escolas.

Boletins escolares
Foram colados por toda
Parte evidenciando 
O descaso dos alunos
Com relação as notas
Extremamente baixas,
Redações escolares
Foram coladas em todo 
O colégio mostrando notas
Baixas em vermelho 
Que evidenciaram
O analfabetismo dos alunos 
Que frequentavam a escola.
Tudo isso ganhou 
Fator midiático na televisão 
E jornais e rádio da cidade,
Estado e país.

Erros de ortografia ridículos,
Professores que não 
Compareciam na escolas
Tiveram seus nomes expostos,
Junto com o fichário de faltas
Colados nos muros,
Isto repercutiu negativamente 
Na prefeitura.

Três dias após todos
Os incidentes que não 
Paravam de ocorrer
O prefeito saiu em nota
Dizendo o valor de dinheiro 
Que a prefeitura entregava 
A educação,
Alegou que o mais
Era parte dos professores,
Pais e alunos de fazerem,
Pois a verba veio,
E foi entregue a eles.

Os professores ficaram
Indignados,
Vez que a escola estava
Sem merenda 
Para oferecer aos alunos,
As classes estavam quebradas,
O teto da escola
Voava ao menor sopro do vento,
E o prefeito alegava
Que tudo que precisava
Era enviar dinheiro 
E deixar a encargo 
Dos professores a educação?

Nisto, os professores 
Invadiram a prefeitura,
E bateram no prefeito 
Quebrando sua sala
E portas de entrada 
No ambiente.

Os pais ajudaram,
Então, dispersaram 
Para suas casas,
Desmotivados em permitir
Aos filhos que retornassem.
As armas eram vendidas
Nas esquinas da cidade,
Por qualquer valor,
De todos os calibres
E espécies de munições,
Não havia segurança,
E indo na escola 
Nem ao menos havia educação.

O horror daquela cidade
Ganhou notoriedade
Entre redações ruins,
Notas baixas,
Aprendizados insatisfatórios,
Desistência de alunos
E professores expressas
Em documentos colados
Em todo o colégio,
E até mesmo colaram
Fotos do prefeito beijando 
Professores,
E em público ele os definia
Como "didáticos".

Os exames assertivos
Para escolha dos professores 
Tinham poucos inscritos 
Toda vez,
As provas ganhavam
Notoriedade de terem sido
Abertas anteriormente 
E o conteúdo ter sido 
Entregue aos que estavam
Previstos para serem selecionados
Para lecionar.
A desconfiança sobre
O prefeito se tornou evidente,
A população estava insatisfeita,
Foi pedido afastamento 
Do prefeito da prefeitura da cidade,
Através de uma Ação Popular 
Direta no Ministério Da educação.


domingo, 28 de dezembro de 2025

Meu Esposo Bondoso

Meu esposo,
Eu faço um novelo
De linha
E desfaço
Para lhe fazer
Uma blusa,
De tempo a tempo ,
Do início ao final,
Eu não poderia
Resumir sua bondade,
A beleza de cada ato,
A forma como nos ama
E nos privilegia.
A mesa é farta,
O prato de comida
É repetido até saciar
E nunca falta.
A casa é limpa,
Ele me ajuda a organizar
E nunca brigamos,
Ele faz todas
As minhas vontades,
Me mima
Com mais que sonho,
Me abraça forte,
E sempre está ao meu lado.
Eu só sei ser grata,
Nesta caminho
Onde seguimos juntos
Fazemos muitas amizades,
Ele sabe valoriza-las,
Sabe demonstrar
Nossa união e afeto,
Eu amo seus atos,
Sua beleza magnífica,
E ele cuida dos meus sentimentos,
Para que eu não me fira,
Retira minha ilusão,
Me torna madura,
Ele me ama
E eu o amo de coração.
Ele respeita
Quando eu pego
Nosso carro
E vou até o marcado
Apenas para ver
Nossos amigos,
Ele gosta disso,
E eu o amo mais por isso.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Se virar

Acho que eu tinha
12 anos,
Não mais que isso,
Naquela época
Bastava se alfabetizar,
Me recomendou
Minha mãe:
“Leia uma frase,
Sabendo ler
A frase inteira
Você está alfabetizada”.
E pronto,
Era isto,
Abrir um livro simples
E ler a frase,
Não mais que isso.
Contudo,
A enxada na terra,
De limpar o chão,
Fazer saltar faísca,
Me fez repensar
E acreditar em meus pais
Que a vida
Poderia ser melhor
E insisti nisso.
Busquei minha avó
E disse:
“Vó, eu quero aprender mais”.
Minha avó
Soltou a cuia de Chimarrão
De lado
Me olhou e disse:
“Faça poesia e prosa”.
E eu insisti nisso,
Prosear uma história,
Rimar numa poesia,
E quando voltei
Até a roça
Para ajudar meus pais
E meu irmão a limpar
A terra
Vi meu vizinho
Retirar o único casaco
Que possuía,
Enrolar numa pedra
E erguer a pedra
Em seus braços
Até o barranco
Para limpar a terra,
Eu vi que isto
Era útil
E iria ajudar
Se fosse feito
Também não nossa propriedade.
Porém, pedras são pesadas,
Exigem muito
De uma pessoa,
Isto requeria usar máquinas
Que não época,
Não sei se existiam,
Se existissem
Eu não saberia
Aonde conseguir,
Ou se o trabalho
Poderia ser feito
Na nossa roça íngreme.
Contudo, a poesia
Me permitiu insistir
Nos estudos,
Me formar e conseguir
Máquinas e pessoas
Aptas ao que eu precisar,
Porque lá atrás,
Quando meus pais
Não sabiam nem ler
Ou escrever
Eu insisti numa ideia,
E corri atrás dela,
E hoje me sinto
Incrível diante disto:
Sou alfabetizada,
Faço poemas,
Vivo do que escrevo,
Eu falo pouco,
Mas me expresso bem,
Minha avó estaria orgulhosa,
Escrever mudou
Minha vida,
Se eu tivesse parado
Ao saber ler minha
Primeira frase,
Eu jamais estaria aqui,
Com dinheiro no bolso,
E tudo que preciso
Ao alcance.
Eu tenho tantas pessoas
Para agradecer,
Professores,
Meus pais,
Meus irmãos,
Só tenho a agradecer.
A menina da roça,
Saiu de lá,
Aprendeu a ler,
Sabe escrever,
“Já pode se virar”.

Te Deixei

Essa noite
Eu tô cansada,
Nada me agrada,
As paredes de casa
Parecem aprisionar,
As ideias
Dentro de mim
Saem a explodir.
Queria ter calma,
Queria morno
Um chá de calma,
De preferência,
De sono.
As lembranças
Me dizem pra lembrar,
O novo manda esquecer,
De tudo que houve,
Em nada bons amigos?
Meu coração
Se apequena,
Não controlo
O que digo,
Pego o carro
Dirijo,
Busco,
Procuro,
Eu preciso de calma,
Eu queria poder mudar,
Modificar o que houve,
Mas, todos estes crimes
Perfeitos deixaram criminosos
Espalhados por toda parte,
Eu olhei no rosto
De cada passante
E não soube distinguir,
Te deixei partir.

Eu Bebo Um Rio

Outra vez
O dia amanhece nublado,
O ar pesado
Afunda em meu peito
E me deixa em seu lodo,
De estar presa,
Segura e condenada
Dentro de mim.
Me empurro,
Forço os pés no chão
E busco socorro,
Preciso respirar,
Chorar a dor
Que me deprime,
Sentir meus pulmões
Renovarem-se,
Estou pesada e afundando.
Outra vez,
Há óleo na água
Que abastece a cidade,
Abro a torneira
Não há um pingo sequer,
Preciso fazer comida,
Tomar meu banho,
Fazer a faxina,
Me indago
Por que não cuidei
De mim,
Por que não olhei
Para a minha cidade
Não vi este maldito
Óleo escorrer
E tentar me levar
Com ele.
São dois dias
De sufoco
De estar preso
Entre economizar
E sentir falta,
Por que permiti
Que fizessem
Meu rio de lixo,
Óleo cadavérico
Lá de seu desencanto
Me sorri
E acena:
“Oi, estou aqui”
Como se eu não soubesse
Deste ar
Que me condena,
Da água suja
Na torneira,
“Óleo estúpido
Pensa que só sei dele
Quando sua água
Me faz falta.”

Óleo na Água

Amanhece o dia,
Mas, me recuso a entender
Que vai chover,
Vai fazer sol
E outra vez
Estarei aqui
A contar os ponteiros
Que passam
Seguindo um ao outro,
Ver os números mexerem-se,
Pois, tudo segue
A rotina do mesmo.
Queria entender
A tristeza
Que me invade,
Assombra meu peito,
Me deixa triste,
Tudo conspira
Para as minhas lágrimas
E chorar me deprime,
Ficar na cama
Me faz preferência,
Mas a rotina se manifesta
E eu preciso levantar
Escolher uma roupa,
Fazer a faxina,
Fazer o almoço,
E de novo limpar,
Faxinar, comer,
Tudo rodando, rodando,
Rodando e repetindo.
Caio dentro de mim,
Me afundo,
Estou em dificuldades,
Frágil e desesperançada,
Nadando no lodo
De óleo e sujeira,
Vendo a vida perder-se,
Esvair-se,
Falo,
Como se palavras
Fossem capazes
De trazer tudo a superfície
E eu parar de despencar,
Agachar-me,
Apenas,
E retirar tudo com a mão.
Maldito o óleo
Que faz mal
Para a minha respiração,
Estupido o óleo
Que condena meu dia,
Terrível óleo
Que lá de cima despenca,
Inunda tudo,
Se espalha
Feito correntes pesadas,
Retira a minha vida,
Enfraquece meu corpo,
Recolhe meu espírito
E não parece perceber
O tanto que me faz mal,
Cai por descuido,
Fica por metido,
Me puxa
Para seu lado
E segura,
Óleo vagabundo
Deixe de me manter
Aí onde você está
Enraigado nestas raízes profundas,
Como se sorrisse
Este sorriso cadavérico,
Que contamina meu ar,
Destrói minha vida,
Me vejo desgrenhar.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Rock Gaúcho

Vamos andar
De mãos dadas
No término da chuva,
Ligar no rádio
Um rock gaúcho,
Andar até o gramado,
Buscar goiaba na árvore,
Olhar as flores
A desabrochar,
Os copos de leite
Formando moita
De muitas e muitas hastes,
Com mil flores
A abrirem-se
Ao mesmo tempo,
Melhor que isso,
Podemos, juntos,
Retirar alguns da moita
E construirmos uma frase
Deles plantados no chão,
Você junta a enxada,
Eu pego a cavadeira,
Cavamos juntos,
Escolhemos a frase juntos,
Por exemplo,
Eu te amo?
Escrito no chão,
Prometido num beijo
Sobre a terra fresca,
Enquanto a chuva decide
Se parte
Ou se chove um pouco
Mais sobre o nosso gramado?!
Ou devo pagar
Os meus pecados
Por ter acreditado
Que o amor
Deve ser demonstrado?

Garoto da Polícia

Sobre nós
Não sei falar,
Nosso beijo,
Se foi amor
Ou tesão puro,
Foi bom,
Nunca lhe disse isso.
Você foi o garoto
Mais lindo
Que meus olhos viram,
E as garotas te cobiçavam,
Então, eu fugi disso,
Não me senti apta
A competir por um cara,
Um grande cara,
Um lindo cara,
Aí caí fora –
Do seu carro,
Da sua casa,
Da sua vida.
Eu quis repetir,
Eu desejei você
Pra mim,
Eu fui feliz,
Eu senti orgulho
De ter estado
Algum dia,
Algum tempo
Com você.
Eu não soube
Ter maturidade,
A idade me oprimiu,
As ideias me alucinaram,
E eu troquei de número,
Fugi de nós,
E continuei fugindo,
Fugindo muito,
E só me vendo
Te buscar
Em pensamento
E com meu olhar
Sempre e em cada parte,
Sempre com uma
Maldita história
A gritar na minha mente,
Repetindo sem parar:
“garota, ele é lindo,
Tem todas e qualquer
Guria que deseje,
Por que escolheria você?”
Mas, hoje,
Apenas após tantos anos
Penso que nunca
Te permiti me escolher:
Lindo garoto da polícia camuflada.
O grande cara do canil,
O desejado Neudir,
Eu o desejei sim.

De Mãos Dadas

Vamos dar as mãos,
Andar no barro
Assim que parar
A chuva,
Vamos só nós dois,
Vamos beijar atolados,
Resvalar no gramado,
Nos segurar
Um no outro.
Se acaso
Eu quiser beijar
E não estiver chovendo,
Você aceita?
Se eu te abraçar
Sem avisos,
E não querer
Mais soltar,
Você não solta?!
Vamos nos afirmar
Um no outro
E seguir até o fim,
Sabendo
Que nosso caminho
Chega a estrada,
Mas, até chegar
Não haverá ninguém
Além de nós
A andar sobre o barro,
Vacilar sobre o gramado,
Pedindo beijo,
Agarrados um ao outro.

promessas

Desprendi a elas
Mais frases apaixonadas
Do que nunca,
Mesmo pouca feminina,
Eu abusei de todas
As cantadas certeiras,
Usei das costumeiras
Até às mais privativas.
Contudo,
O amor que faz
Meu peito bater,
No dela
Nem aquece,
Faz arder
Ou se ascende.
Não importa
O que eu diga
A danada
Não se contagia,
Talvez,
De todas as promessas
Que eu lhes faça,
Neste apaixonado
Não veja mais
Que minha coleção
De boletos a apoderar-se
De minhas mãos.
Ou percebera meu amor
Desde o início
E dissimula,
A coleção de boletos
Que tenho,
Significam muito
Sobre os tantos bens
Que possuo,
Desinibida,
Deve estar se guardando.
Ah, coração vingativo,
Competitivo e aterrador
Este que possuo,
Vendo meu chefe
De sua sala
A vagar seus olhos
Sobre mim
Corri até lá,
E sem tantas promessas
A dizer-lhe
Taquei logo uma
Que lhe fez
Tremer as pernas:
“Acha o senhor
Que é a mulher
A fêmea natural do homem?”
Meu chefe não respondeu
Mas fulminou-me
Com raivosos olhos
Que achei melhor
Esgueirar-me para outro lugar
Com meu monte
De faturas em mãos.

Txhau

Tudo houve em 2017,
Eu juntei minhas coisas,
Coloquei tudo
Dentro da mochila
Da escola,
Já havia me formado,
Pobre e desempregada,
Abandonei aquelas
Velhas ruas
Cujo trajeto
Repeti em cada dia,
Ao meu lado
Eu levei o meu cachorro,
Nada mais para levar,
De nada
Para me despedir,
Na hora da despedida
Em que se diz adeus
E chora,
Eu já não tinham
Lágrimas sobre as quais
Discorrer,
Fechei a porta,
Liguei o som do carro,
Joguei a mochila no banco,
Deixei o cachorro solto
E parti.
Dez anos se passaram,
Eu comprei mais coisas,
A mochila escolar
Teve fim,
Mas meu cachorro
Continua comigo,
Está gravado
Em minha pele,
Cuidando meu quintal,
Meu menino
E melhor amigo,
Nunca encontrei motivos
Para voltar lá,
Tchau para ninguém
Em especial,
Obrigada a todos
Que não me deram trabalho,
Aqui eu não poderia
Estar melhor.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Presente de Natal

De tantas promessas
Eu recordo
Essa data,
Depois de horas de chuva
Que eu espero
Escorrer pela parede
Da minha janela aberta,
Com o rosto colado
Sentindo os pingos
Molharem meu rosto
Como se eu fosse o presente,
O inesperado
De um dia qualquer,
O esperado
Um ano inteiro
Para o dia do Natal,
A felicidade estampada
Em meu sorriso,
O espanto inesperado
Em seu rosto,
O olhar sorrateiro
De quem me busca
E me encontra sua,
Completamente sua
Entregue para presente
Limpa e desnuda,
Sem embrulhos,
Apenas sua
Para Natal,
Neste dia e no outro,
O presente pra ser guardado,
Cuidado e querido,
O amor sem vacilos,
Sem o pecado,
Só o amor puro.

Três Garotas

Sentadas sobre
A pedra
Na beira da estrada,
Eu, minha prima
E minha tia
Vimos tantas coisas
Passarem,
Ouvimos o cachorro latir,
O gato escalar o tronco
Como se fosse parte dele,
Grudou suas unhas
E subiu, subiu sem parar,
Lá no alto,
Parou descansar,
Lambeu a patinha
E não sentiu medo.
Lá, sentadas
Na pedra,
Nós demos as mãos,
Juramos amizade,
E nos abraçamos,
Três garotas unidas
São capazes de revolucionar,
Mudar o mundo,
Lavar a própria roupa,
Cozinhar e fazer bolo.
Mas, três garotas unidas
Separam-se sem tardar,
E a amizade
Que iria até o eterno
Quis neste dia se acabar,
E o tempo que veio
Não foi capaz de mudar,
Nem o vínculo sanguíneo
Foi suficiente para manter
A amizade prometida,
Eu, minha prima
E minha tia separamos
Nossas mãos unidas,
Deixamos de nos visitar,
Abandonamos aquela pedra,
Não retornamos
Aquele lugar,
E já não nos falamos,
Ou temos notícias
Uma da outra,
Porquê três garotas unidas
Também podem se separar,
Sem despedir-se,
Ou motivar-se,
Assim,
Como num imprevisto,
Onde sorrisos
Não se buscam.

Vão-se

Lá no final
Da estradinha
Tem uma casinha,
Está casinha é marrom,
De janelas
Da mesma cor,
Lá eu moro
Com meu amor.
Nesta casinha
Tudo é livre,
Menos as vozes,
Eu digo
A elas,
Por favor,
Se calem,
Vocês ofendem,
Se sentem superiores,
Estas vozes
Não gostam
Da minha casinha
Nem da vida
Que tenho,
Então, por que
Se aproximam
De nós,
De mim
E de meu amor?
Se afastem,
Aqui vivemos bem,
Nós queremos
Nossa liberdade,
Estamos em paz,
Por que vocês
Querem tanto
Nos separar,
Impor-se sobre
Nosso lar.
Nesta casinha
Há respeito,
Pouca tinta,
E felicidade,
Saiam daqui,
Vocês não são bem-vindas
Vozes,
Vão-se,
Vão-se,
Vão-se.

Bem-estar

Tim ti tac,
A chuva cai,
Meu coração bate
Seu nome
Na tela do celular,
Eu deixo,
Deixo a chuva
Te chamar,
Aceito,
Aceito a minha voz
Que pede
Pra você
Se deitar.
Ao meu lado,
Me abraçar
E ficar,
Colado as minhas costas,
Suspiro no ouvido,
Gemido baixinhos,
Cartas guardadas
No armário
Não servem
Para designar.
Sem ordem,
Vir e ficar,
Sem pedidos,
Apenas por querer,
Querer estar.
É dia de festa,
Minha comemoração
É você ficar,
Estar,
Abraçar,
Meu bem-estar.

Preferências

Quem vê este sorriso aqui
Não diz
Quantas vezes
Olhei para a sua face
E me vi te comer,
Rolar minha língua
Por sua língua
E mordiscar ela
Até seu sangue escorrer
Entrar por minha garganta
E meu estômago
Te querer,
Roncar de vontade
Então, eu me vejo
Te morder
Arrancar um pedacinho
E olhar em seus olhos
Para sorrir,
Enquanto seu corpo treme
E você reclama da dor,
E eu passo minha unha
Por seu pescoço
E corto sua veia
Até vê-la esguichar,
Você se assusta
E eu sorrio bem alto,
Lhe pego pelo seio
E você implora
Por sua vida,
E eu lhe digo:
“Mas não é até a morte?”
Eu sorrio,
Você chora,
Eu te como,
Você some,
Eu apareço,
Pego sua família,
Guardo sua carne
Para me evidenciar
Mais tarde,
Faço fotos sociais,
E ganho mais gente
No churrasquinho
Em que sirvo
Sua carne
Para seus amigos,
Jogo fora seus ossos,
E substituo a sua carne
Pela dos outros,
Você,
Na minha pilha de ossos
Não se torna
Nem história,
Logo chega o dia
Em que ninguém recorda
Que você existiu
E seu último amigo
Sai da lista de minha carne
Favorita,
Porquê eu já tenho outros,
E esqueço preferências.

Prazer

Sou assassino cruel,
Você pensa
Que conhece meu rosto,
Mas, na verdade
Eu sou uau,
Um cara mau,
Eu uso expressões
Pra você criar expectativas,
E antes que você
Me reconheça
Eu matei de volta.
Eu posso ser gordo,
Se preferir emagreço,
Eu gosto de ser alto,
Mas, sou conforme desejo,
Uso seu rosto,
Seu jeito,
Até mesmo as suas roupas,
Você me vendo,
Nem me julgaria tão perverso,
Antes disso
Eu como sua carne
E asso seus amigos,
Se preferir eu sirvo isto
A um parente seu
Só pra ver se ele
Saberia reconhecer
Seus traços
Enquanto mastiga
Seu traseiro
E olha em meu rosto
Saciado do seu gosto,
E intolerante ao seu cheiro.
Mas acredite
Eu não permito tanto tempo,
Eu retiro impressões,
Vejo se lhe descobriu
Ou não,
E o fecho,
O deixou sem saída,
Com uma faca
Cravada no peito aberto
E explodindo em sangue
De suas tripas rasgadas,
Só pra ver
Se lá do seu buxo
Você que foi comido antes
Ainda grita.
Aí me sirvo de sua carne
Quente e prepotente
Incapaz de fugir
Dos meus dentes,
Da minha faca afiada,
Do meu rosto enfadonho
Que sai até você
E o chama,
E você vem,
E eu gosto,
Prazer:
O seu assassino
Sanguinário e saciado.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Tá Moscando

Amor,
Perdoe o desespero,
Eu sei
Você desligou
Na minha cara,
Mas, eu tento ligar
De novo,
Invisto,
Insisto,
Persisto em nós.
Eu não sei estar sozinho,
Me desespero,
Pensar em te perder
É erro,
Desistir de nós
É fracasso.
Nosso amor é ouro,
Vivo a recordar do puro
Sabor do que sinto
Quando estou com você,
É só aí que me sinto vivo,
Só com você me sinto livre.
Não desligue,
Me ouça,
Não imploro,
Por quê você foge,
Se só lhe dou amor,
Por que você se esconde?
Eu te ligo de novo,
De dia ou a noite,
Te busco no trabalho,
Te procuro na academia,
Não se esconda,
Eu precisei te ligar agora,
Aonde você está?
Você tem outro?
Me diga
Se você me trai!
Eu posso perdoar,
Mas preciso saber
Qual é a verdade
Sobre nós,
Por que não me atende?
Você trocou o telefone,
O que houve?
Eu vou seguir você,
Vigiar seus passos,
Preciso saber
A verdade,
Me diga
O que é que você esconde?
Aonde você está agora,
Em casa?
Com outro,
Quem é?
Por que você atende
E fica calada?
Quem está aí com você?
E está sussurro
Que pareço ouvir
Na sua linha?
Quem é o dono da voz?
É alguma amiga sua?
São seus pais,
Sua família,
Você está fugindo
Do nosso relacionamento?
Mas você disse
Que queria
Que ficássemos juntos
O que isto significa?
Você não quer mais
É isso?
Você é o resto da bebida
Que abri,
Esquentou em minha mão 
E eu joguei fora,
Você é a garrafa
Da minha lixeira,
Aberta e quente,
A moscar lá fora.
Eu não vou repetir
A dose,
Não vou te buscar mais
Esqueça.

Aceita

Gostaria de falar a verdade,
Contar sobre mim,
Discorrer sobre nós,
Falar de você
E dizer tudo sobre
O que fiz.
Pra que você
Me compreenda
Não é fácil falar,
Sobre tudo que houve,
Eu nem saberia explicar,
Mas, me entenda,
Eu amo você
E não quero ficar sozinha.
No entanto,
Ficar com você
Não é fugir da solidão,
É encontrar um garoto bom,
Um rapaz trabalhador,
Uma pessoa que tenho
Ao meu lado com orgulho,
Você é digno de afeição,
E lhe nutro paixão.
Por isso, lhe digo
Não esteja comigo
Para fugir,
Para alcançar algo
Que não esteja
Em mim,
Me dê o valor
Que eu mereço,
Me dê todo o conforto
Que eu preciso
E eu posso te amar,
Te entregar todo o
Meu sentimento,
E te fazer feliz,
Ser feliz com você,
Mas, eu preciso muito
Ser valorizada,
Tratada com orgulho,
Me sentir digna
Por estar neste relacionamento
E eu gosto muito
Quando minha família
Apoia nós dois juntos,
Gosta das nossas atitudes,
E quer nos ver abraçados,
Enfim, se eles nos olharem
E verem que nascemos
Um para o outro,
Assim, me sentirei melhor
E estarei inteiramente livre
Para estar com você,
Você se sente capaz
De me fazer bem,
Amar minha família,
E me fazer ser aceita
E amada pela sua?

No Luar

A lua traz
Seus primeiros raios,
Toca as pétalas
Da primavera vermelha,
Suave e acolhedora,
Recolhe o sereno da noite,
Eleva até o luar,
Como uma carícia suave
Que acaricia os lábios,
Arrepia a pele,
E chama.
Há sempre uma chama
Em toda luz
Que brilha lá fora,
Há sempre algo
Que deixa a mostra
No mistério da noite
Que busca esconder
Para se transformar,
E o amor transforma.
Eu sinto isso
Em cada beijo do Rahat,
Em cada palavra
De carinho,
Em cada vez
Que diz que me ama.
É como se a luz
De seus sonhos
Me tocasse
Por dentro
Tão profundamente
Que meus medos
Saem de mim
E fogem
Para muito distante,
Onde se extinguem
E só resta nós,
E nosso amor.
Os medos serenam,
Se afugentar nas carícias,
Se camuflam num olhar
Até não existirem,
E no sorriso cúmplice,
Já não se entende
Porquê um dia existiram.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Venci

Final do ano,
Todos comemoram algo,
Eu, contudo, repenso,
Parece girar e girar
E não sair do lugar,
Sempre os mesmos
Assuntos,
Mas, bem...
Rever lucros
Não é discorrer gastos
Isto é positivo,
Está certo,
Falar de todos
Os sucessos
Não é esquecer
Os fracassos,
Sim,
Lá atrás,
Muito distante
Houveram os erros,
Mas, há uma nuvem
De tempo
Que não me permite
A clareza,
Eu quero pensar
Que foi horrível
E ter motivo
Para chorar no hoje,
Mas, não foi ruim
E não tenho nada
Que motive
O meu estar triste.
Lá fora chove,
Nesta casa
Que já teve goteira
Não entra inseto,
Não sobrevive aranha,
Estou imune a dor
Porquê nada me alcança,
Sim,
O tempo me trouxe
Proteção,
E hoje o máximo
Que posso fazer
É sofrer pelo
Que não tive
Num passado tão distante.
É embaraçante
Ouvir pessoas falar livremente
Sobre o quanto planejaram
E me fizeram mal
Algum dia,
Mas, agora,
Sou livre,
Estou protegida,
Segura e amada.
Não sei como agir
A isso,
Ter alguém
A me amparar,
Uma pessoa
Para construir sonhos
Comigo,
Um alguém
Em quem descarrego
Minha raiva
E ele fica calmo,
Permanece ao meu lado.
O tempo de planejar
Contra minha vida
Acabou
E nunca irá se repetir,
Eu estou protegida.
O tempo de agir
Contra a minha vida
Teve fim,
Eu estou protegida,
Todo tempo de língua má,
De ações más,
Tudo isso
Está indo para tão longe,
Que no tempo próximo
Só restará estas palavras
Para me fazer lembrar
Do tamanho da maldade
E da intensidade
Que tantas pessoas
Agiram contra eu
E hoje este que me ama
Afastou.
Eu tenho medo ainda,
Eu durmo com a luz acesa,
Puxo o cobertor
Para esconder meu corpo,
Tento, as vezes,
Esconder meu rosto,
Evito ouvir meu nome,
Sinto horror a estar
Em público
Em meio a muitas pessoas,
Mas, este que me ama
Me ampara,
Me protege,
E adoro ouvir
Estes que me fizeram mal
Implorar por socorro
E me pedir perdão,
Eles sempre são condenados
A apenas o que desejaram
E fizeram contra eu,
É terrível,
Pois, nunca tive alguém
Para inimigo,
Me escolheram por ser frágil,
Mas, estudei,
Lutei e me levantei,
E vejo a todos caírem,
Não sobre voz,
Não resiste rostos,
O inimigo perdeu,
Eu venci,
Este que amo me protege,
Eles não podem se socorrer,
Eu não sou mais sozinha.

Um Princípe