“conforme meu relógio
O ônibus está atrasado.”
Disse Wagner,
Alheio ao seu redor,
Preocupado em perder
O horário escolar.
“Caso não venha
Em meia hora
Teremos que voltar
Pra casa,
Pois ficará muito tarde
E algum estranho
Pode passar por nós
E nos fazer mal”.
Respondeu Gabriel
Preocupado.
“É claro que sim.”
Encerrou Wagner
Segurando seus cadernos
Nas mãos,
Enquanto Gabriel
Chacoalhava a mochila
Preocupado.
Transcorrido o tempo
Sem que o ônibus
Tenha passado,
Ambos saíram da beira
Da estrada
Onde estavam
E voltaram para suas casas.
O sol estava pleno,
A terra estava molhada,
Havia chovido na noite anterior.
Chegado em casa
Gabriel descobriu
Que sua mãe os levaria,
E foram de carro
Até a casa de Wagner,
Que feliz,
Desceu a área do
Segundo andar de sua casa
Pulando os degraus
Da escada.
Chegando no colégio
Descobriram que a chuva
Alagou o colégio
E arrancou parte do teto,
Por isso,
Não haveria aulas,
Poucos alunos compareceram
E os professores e domésticos
Estavam preocupados
Tentando limpar a sujeira.
Havia lixo por toda parte,
Também muita água suja,
Estava tudo molhado,
Com pedaços de telhado
E alguns galhos e coisas
Trazidas com o vento.
“Vamos ficar e ajudar”.
Pediu Wagner.
“Claro, filho”.
Respondeu Elizandra,
Os três foram até
Os professores
Se certificaram de tudo
Que houve,
E pegaram uma vassoura
E um rodo com um pano
Cada um e juntos
Foram limpando todo
O local,
Cada sala,
Cada canto,
Um varria o outro puxava
A água e outro esfregava,
Depois limpava
Com o pano.
Transcorridas 04 horas
De limpeza,
Haviam ao todo 25 pessoas
Incluindo funcionários
E moradores locais,
A intimidade de Elizandra
Com Wagner ficou evidente,
Dentro da biblioteca,
Cujos livros estavam
Todos molhados,
E talvez, toda leitura
Estivesse perdida,
Wagner tropeçou
No rodo e feriu o rosto
Contra a parede,
Elizandra o abraçou,
E secou suas lágrimas.
Contudo, seus 40 anos
De idade não evitaram
O beijo que ocorreu
Nos lábios do garoto
De 13 anos.
Ela não se importou
Por ser mãe do amigo
Do menino,
E vizinha do garoto,
Pelo contrário
O beijou sôfrega
E intensa.
“E seu primeiro beijo?”
Ela indagou.
“Sim. É o primeiro “.
Ela sorriu prazerosa.
Gabriel chegou
A tempo de ver a situação
Desgostoso pulou
Contra a porta,
Se jogando sobre Wagner
Com socos e tapas.
Também agrediu a própria
Mãe aos prantos.
“Vagabundo, maldito
Você não é meu pai,
Você não pode!”
Ele gritou.
A mãe do garoto
Tentou controla-lo
Com palavras acolhedoras,
Mas foi em vão.
“calma filho,
Não é nada disso
Que você está pensando.”
“jamais ficarei calmo,
Vou contar para o papai.”
Ele gritou.
“Não faça isso,
Seu pai não iria entender “.
As professoras chegaram
Até a sala e tentaram auxiliar.
“Imagine Gabriel,
Wagner já tem 13 anos,
Já é um adolescente
E sua mãe é adulta
É ela quem sabe o que faz!”.
Porém, Gabriel se irritou
Mais correu até a sala
Dos professores
E ligou para seu pai
Imediatamente,
Contando, tudo que viu.
Darci ficou assustado,
E irritado,
Deixou o trabalho imediatamente
E se dirigiu até o colégio,
Lá chegando,
Encontrou sua esposa
Abraçada ao Wagner
Que chorava assustado
Entre seus decote
De seios a mostra.
Ele gritou e esmurrou
A parede,
Depois disso,
Retirou uma arma
Da cintura e atirou
Contra os presentes
Sem importar-se:
“Maldita, vagabunda,
Maldito viado”.
Wagner nunca
Pode ter um segundo beijo,
Ficou paraplégico,
Foi levando pela emergência
Para o sistema de saúde
Receber hospitalização
Devido a imobilidade do corpo
Em razão de ter recebido 3 tiros
Em locais do corpo.
Sangrando e caído
Na própria poça de sangue,
Dor e lágrimas,
Nunca mais pode falar
Ou mover-se.
Já Elizandra recebeu
Um único tiro no peito
Que a separou de Wagner
Fazendo-a colidir
Contra a parede.
Na parede voou sangue,
De seu corpo
Escorreu sangue
Seus olhos assustados
E abertos evidenciaram dor
E medo e morte.
Seu esposo não foi capaz
De perdoar a traição,
A matou num gesto impensado.
Uma professora foi ferida
E foi levada para a Unidade
De Saúde avançada
Em estado crítico de saúde,
Suspirando com dificuldade,
Empossada em sangue
Com os olhos abertos
Entre o medo e a dor insustentável.
Inebriado pelo ódio,
Darci não parou de atirar,
Atirou contra a parede,
Contra as janelas,
Contra as pessoas,
Mas, Arnaldo foi rápido
E conseguiu retirar a arma
Da mão de Darci
Que irritado agiu contra
O próprio filho
Desferindo golpes
De toda sorte
Contra o garoto de 13 anos.
As fraturas levaram
Do menino sua perna,
Traumatizado,
Darci só se conteve
Quando uma viatura policial
Passou em frente ao colégio
E assustados com os barulhos
Entraram lá,
Constatando um homem
Transtornado
Que batia em todos que via
Quebrando carteiras,
Jogando cadeiras contra
Os presentes,
Rasgando livros
E os ateando no rosto
De cada um que via.
Sua dor não cessava,
A raiva não cedia espaço,
O horror de ter sido
Traído em frente a todos
Do ambiente escolar
Foi mais forte
Que qualquer outro sentimento.
Dois soldados
O contiveram depois
De entrarem em luta
Corporal contra Darci,
Nenhuma palavra
O fez parar,
Somente a força bruta
O estancou.
Darci foi levado
Para a delegacia imediatamente,
A escola foi fechada,
E todos receberam tratamento
Ambulatorial pelo sistema
Móvel de saúde,
Os casos mais sérios
Foram para o hospital receber
Internamento.
Sabendo do ocorrido,
Os pais de Wagner
Não suportaram a dor,
Invadiram a delegacia
Com fuzis e fuzilaram
Todos os presentes,
Desde o delegado plantonista,
Até o advogado plantonista,
E dois soldados militares
Que estavam lá,
Darci não foi poupado,
Ele levou a vida de um filho,
Uma criança de 13 anos
Inocente de toda a maldade
Humana,
Mas sua vida,
Cruelmente,
Foi tirada
Tal como a do filho amado.
Orgulhosos pelo ato vitorioso.
Depois disso,
Seguiram para suas casas.
Logo mais,
A polícia soube do ocorrido,
Conseguiu informações
Através das câmeras
De segurança da delegacia,
E viram o ocorrido,
Saiu então a viatura
Do PPT,
Polícia de policiamento tático,
Designada para efetuar
O flagrante delito
E apreensão do casal
E das armas utilizadas.
Chegando na residência
Houve resistência
Por parte do casal,
Houve então, luta corporal,
Contudo, a polícia conseguiu
Imobiliza-los e algema-los,
Em seguida
Foram em busca das armas.
O casal negou o uso
E também negaram
Qualquer atitude ilícita.
O PPT entrou na casa
E tiveram de vasculhar
O local,
Dentro do sofá,
Depois de corta-lo
Encontraram 5 fuzis,
Estas armas são
De uso restrito,
Proibidas para pessoas comuns.
Continuando a operação
De busca encontraram drogas
Espalhadas no foro da casa,
No quarto do casal,
Atrás do roupeiro
Encontraram outras armas.
Em porte de todo
O material apreendido
Seguiram para a delegacia
Regional vez que a outra
Estava defasada a tiros.
Presos,
Esperando para dar depoimento,
O casal descobriu
Que seu filho Wagner
Estava apenas paraplégico
E não morto,
Ele encontrava-se
Na unidade intensiva de saúde
Para receber tratamento médico,
Mas, gazava de vida.
O menino tinha dificuldade
Para se comunicar,
Talvez, nunca mais viesse
A falar ou andar,
Mas sobrevivia.
Indignados
Pela repercussão midiática
Sobre o caso,
Os pais do restante
Dos alunos
Sentiram-se amedrontados
E fizeram passeata
Cobrando atitude
De segurança por parte
Das autoridades locais,
Alguns, montaram barracas
Em frente a prefeitura municipal
E ficaram acampados lá,
Gritando por segurança
Nas escolas.
Boletins escolares
Foram colados por toda
Parte evidenciando
O descaso dos alunos
Com relação as notas
Extremamente baixas,
Redações escolares
Foram coladas em todo
O colégio mostrando notas
Baixas em vermelho
Que evidenciaram
O analfabetismo dos alunos
Que frequentavam a escola.
Tudo isso ganhou
Fator midiático na televisão
E jornais e rádio da cidade,
Estado e país.
Erros de ortografia ridículos,
Professores que não
Compareciam na escolas
Tiveram seus nomes expostos,
Junto com o fichário de faltas
Colados nos muros,
Isto repercutiu negativamente
Na prefeitura.
Três dias após todos
Os incidentes que não
Paravam de ocorrer
O prefeito saiu em nota
Dizendo o valor de dinheiro
Que a prefeitura entregava
A educação,
Alegou que o mais
Era parte dos professores,
Pais e alunos de fazerem,
Pois a verba veio,
E foi entregue a eles.
Os professores ficaram
Indignados,
Vez que a escola estava
Sem merenda
Para oferecer aos alunos,
As classes estavam quebradas,
O teto da escola
Voava ao menor sopro do vento,
E o prefeito alegava
Que tudo que precisava
Era enviar dinheiro
E deixar a encargo
Dos professores a educação?
Nisto, os professores
Invadiram a prefeitura,
E bateram no prefeito
Quebrando sua sala
E portas de entrada
No ambiente.
Os pais ajudaram,
Então, dispersaram
Para suas casas,
Desmotivados em permitir
Aos filhos que retornassem.
As armas eram vendidas
Nas esquinas da cidade,
Por qualquer valor,
De todos os calibres
E espécies de munições,
Não havia segurança,
E indo na escola
Nem ao menos havia educação.
O horror daquela cidade
Ganhou notoriedade
Entre redações ruins,
Notas baixas,
Aprendizados insatisfatórios,
Desistência de alunos
E professores expressas
Em documentos colados
Em todo o colégio,
E até mesmo colaram
Fotos do prefeito beijando
Professores,
E em público ele os definia
Como "didáticos".
Os exames assertivos
Para escolha dos professores
Tinham poucos inscritos
Toda vez,
As provas ganhavam
Notoriedade de terem sido
Abertas anteriormente
E o conteúdo ter sido
Entregue aos que estavam
Previstos para serem selecionados
Para lecionar.
A desconfiança sobre
O prefeito se tornou evidente,
A população estava insatisfeita,
Foi pedido afastamento
Do prefeito da prefeitura da cidade,
Através de uma Ação Popular
Direta no Ministério Da educação.