Um dia ele irou-se
Contra certa cidade,
Lá não respeitavam
Pai e mãe ou crianças.
Irritado, Deus pediu ao povo
Clemência e disse que tivessem
Fé em seus corações,
Se houvesse lá, entre mil
E milhões, dez pessoas
De Fé pura
Toda a cidade seria poupada.
Mas não houve,
Veio a noite e novo dia
E a violência continuava
Instaurada nas ruas,
Haviam idosos pedindo comida
E morrendo de fome,
Crianças sendo vendidas
Em plena rua por misérias,
E para Deus
Qualquer valor é miséria
Porque o que é de verdadeiro valor
É a vida
E a existência digna da criança.
O cemitério foi invadido
E os sepulcros foram abertos,
As carnes do mortos foram
Retiradas por alguns
E feito deles a comida.
Marta passou por lá
E vendo a enxurrada descer vermelha
Pela sanga pegou um balde
E juntou toda a água
Que descia devido a chuva.
A água vermelha foi usada
Para dar cor ao bolo
E aos pães e depois
De toda a família alimentada
Estes alimentos foram vendidos.
Chegando no cemitério
Para ir levar flor ao seu ente querido
Pedro avistou o sepulcro
Do irmão aparentemente aberto,
Pois havia nele uma espécie
De rachadura quase invisível.
Irritado ele ajoelhou-se
Em frente a lápides
E pos-se a chorar,
Um estranho saiu debaixo
Da terra de próximo a ele
E o puxou pelo braço.
Pedro gritou amedrontado:
- como você saiu da boca
Da terra?
E o rapaz sorriu
O puxando com duas mãos.
- me deixe!
O que você é?
Um fantasma?
Ele indagou.
- eu sou seu vizinho
E vivo aqui embaixo,
Eu durmo na lápides
Onde você está
E irei comer a sua carne!
O rapaz falou
E levantou-se deixando
Em vista metade
Do seu corpo magro
E de camiseta.
- por favor!
Me deixe em paz!
Eu tenho família.
O que você fez do meu irmão
Que estava aqui?
Ele gritou.
Virou para trás e esbofeteou
O rapaz que caiu
Sobre a terra.
Pedro se levantou do chão
Sujo de barro e suor
E buscou escoicear o rapaz
Que se jogou para baixo
Da terra e de repente
Nada havia ali
Exceto barro e folhas.
Pedro tentou abrir
O chão com os dedos
Mas não pode como
Se houvesse uma espécie
De porta.
Pedro correu até a Cruz mestre
E gritou em alta voz:
- Deus me ajude!
Comeram meu irmão
E o venderam na cidade!
Relâmpagos soaram no céu
E raios vieram de lá
E a cidade pegou fogo.
Algumas bolas de fogo
Caiam do céu formando
Buracos onde as pessoas
Eram tragadas para dentro
E gritavam por ajuda.
Um homem pegou suas filhas
E trouxe até a porta
Gritando com a Bíblia na mão:
- tome minhas filhas
Para sacrifício,
São virgens.
As tenha Deus e me poupe!
Mas Deus não entendeu
Que virgindade é paridade,
Pois a ação era profana.
A cidade virou ossos
E cinzas e suas cinzas
Voavam para distante,
Até que vendo aquilo
Como um sinal
Duas filhas decidiram
Invadir o quarto do pai
E ter filhos vindo dele mesmo.
Antes que a segunda entrasse
No quarto do idoso
Que dormia no escuro
As cinzas a cegaram
E os filhos de ambas
Não chegaram a vida
Pois as cinzas consumiram
Também está cidade
Trancando suas portas
E impedindo a saída.
Deus não quer adeptos
Que estupram pais e filhos,
Ele inundou tudo com cinzas
Deixando apenas a Cruz
Da igreja fora dela.