Universidade.
Primeiro dia.
Nada é de verdade,
O sorriso,
A segurança,
O querer estar,
A vontade de estudar.
Do primeiro ao quarto dia,
Nem a cantina cheia ajuda
Ou o café quente,
Muito menos os garotos jovens,
Ou as ideias dos professores,
Sempre tão antiquados
Para o que queremos.
Um purgatório,
Um verdadeiro inferno,
Sim, pra completar o pacote,
Eu estava apaixonado,
Ou inventei isso de última hora
Para ir embora de carona
E ganhar uns beijos públicos.
Suplício ter de manter isso
Perto dos amigos,
Fogo resistir a cada beijo,
Mas, fiz tudo certo
E os ganhei aos montes,
Beijos e carícias quentes
Por baixo da mesa
E por entre os bolsos rasgados.
Eu não poderia reclamar
E ninguém diria
Que eu fugi das minhas responsabilidades
Entrei na sala,
Organizei a carteira
E assisti a aula,
Segui o ritmo.
Agi conforme a rotina,
Na saída da aula
Eu buscava Pâmela
E íamos juntos pra casa,
Era um início de namoro,
Só isso,
Porém, três meses depois
E obtive um triste resultado:
Ela morreu num acidente
De carro,
Eu teria que conseguir
Outra carona,
E outros beijos,
Enfim, outra garota.
Tudo ficou ruim,
O frio me pegou desprevenido
E eu logo me vi em outros braços,
Cheirando cabelos escuros e compridos,
Envolvido em outros beijos.
Um professor desgostou,
Disse em múrmurios
Que eu deveria estar de luto,
Luto? não basta ter perdido
Ainda tem que ficar chorando
Pelos cantos?
As garotas discordam disso,
Cada uma de suas amigas
Não poupou investidas,
A gente chora junto,
Beija junto
E ama junto,
É isso.
Universidade e tal,
Primeiro ano,
Não me envolvia
Como os outros,
Todo o dia eu brincava
De me apaixonar,
Só isso,
Avançava conforme
A idade me permitia
No teor dos 24 anos.
Não haviam suspeitas,
Um acidente tirou a vida
Da minha primeira namorada,
O carro capotou,
Rodopiou da pista
E a matou.
Qualquer um teria comentado
Se houvessem boatos
Que sugerissem outros fatos,
Mas, ninguém comentou,
Ela rodopiou sozinha,
Não haviam testemunhas
E eu me poupei de muitos detalhes,
A história me deixava abatido.
Ela preciptou-se
Em dirigir sozinha,
Só porque tinha carro
E estava habilitada,
Confiou demais em si mesma,
Mas não feriu ninguém,
Apenas matou-se.
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