sábado, 4 de julho de 2026

Primeiro dia de Aula

Universidade.

Primeiro dia.

Nada é de verdade,

O sorriso,

A segurança,

O querer estar,

A vontade de estudar.


Do primeiro ao quarto dia,

Nem a cantina cheia ajuda

Ou o café quente,

Muito menos os garotos jovens,

Ou as ideias dos professores,

Sempre tão antiquados

Para o que queremos.


Um purgatório,

Um verdadeiro inferno,

Sim, pra completar o pacote,

Eu estava apaixonado,

Ou inventei isso de última hora

Para ir embora de carona

E ganhar uns beijos públicos.


Suplício ter de manter isso

Perto dos amigos,

Fogo resistir a cada beijo,

Mas, fiz tudo certo

E os ganhei aos montes,

Beijos e carícias quentes 

Por baixo da mesa

E por entre os bolsos rasgados.


Eu não poderia reclamar

E ninguém diria

Que eu fugi das minhas responsabilidades

Entrei na sala,

Organizei a carteira

E assisti a aula,

Segui o ritmo.


Agi conforme a rotina,

Na saída da aula

Eu buscava Pâmela

E íamos juntos pra casa,

Era um início de namoro,

Só isso,

Porém, três meses depois

E obtive um triste resultado:

Ela morreu num acidente

De carro,

Eu teria que conseguir 

Outra carona,

E outros beijos,

Enfim, outra garota.


Tudo ficou ruim,

O frio me pegou desprevenido

E eu logo me vi em outros braços,

Cheirando cabelos escuros e compridos,

Envolvido em outros beijos.


Um professor desgostou,

Disse em múrmurios

Que eu deveria estar de luto,

Luto? não basta ter perdido

Ainda tem que ficar chorando

Pelos cantos?


As garotas discordam disso,

Cada uma de suas amigas

Não poupou investidas,

A gente chora junto,

Beija junto

E ama junto,

É isso.


Universidade e tal,

Primeiro ano,

Não me envolvia 

Como os outros,

Todo o dia eu brincava

De me apaixonar,

Só isso,

Avançava conforme

A idade me permitia

No teor dos 24 anos.


Não haviam suspeitas,

Um acidente tirou a vida

Da minha primeira namorada,

O carro capotou,

Rodopiou da pista 

E a matou.


Qualquer um teria comentado

Se houvessem boatos

Que sugerissem outros fatos,

Mas, ninguém comentou,

Ela rodopiou sozinha,

Não haviam testemunhas

E eu me poupei de muitos detalhes,

A história me deixava abatido.


Ela preciptou-se

Em dirigir sozinha,

Só porque tinha carro

E estava habilitada,

Confiou demais em si mesma,

Mas não feriu ninguém,

Apenas matou-se.

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