As flores que caíam
Da grande árvore amarelo
Se acumularam no chão
Feito um tapete de seda
E fios de lã.
Alicia contemplava
Da sacada do prédio
Enquanto flores ganhavam
A vista feito um véu
Que se estende a sua frente
Tomando a imagem
E colorindo o asfalto negro,
Isso carros parados no acostamento
E os prédios inteiros,
Bordando seus acabamentos.
Nisto, um Cadillac preto
De contornos dourados
Passou pela rua estreita,
Dirigido por um homem clássico,
Moreno, de tez baixa, olhos abertos
E redondos e escuros
Para o horizonte,
Lábios rosados unidos
Num semblante esbranquiçado
Feito a roseira branca
Que iniciava seu desabrochar
No canteiro a direita da calçada
Vagaroso e absorto em pensamentos,
Tão puro e íntegro
Quanto caloroso e convidativo.
Alicia olhou para a amiga Karla
Que tomava seu mate doce
De leite, canela, coco ralado
E hortelã e esbravejou:
- poxa! Um homem tão lindo
Passa pela nossa rua
E não nos digna o olhar?
Ela disse,
Dando um safanão no banco
Branco de ferro e almofadas
No qual estavam sentadas.
- petulante demais!
Karla respondeu,
Tocando a bomba do chimarão
E apertando como se estivesse
Tocando o homem e o retirasse
De seus devaneios.
- será que seu ego é tão grande
Quanto seu pênis?
Alicia gritou e correu até
A grade da sacada
Levantou um pé sobre ela
E levantou a camiseta
Deixando seus seios a mostra,
Balançando-os entre as flores
Que caíam.
Imediatamente, ele freou
O Cadillac e parou no meio
Da rua olhando para ela
Assustado,
Com seu semblante sereno
Olhando só para ela,
Sua boca abriu-se lentamente,
Deixando a vista sua língua
Rosada e perfeita
Num convite inevitável
Ao beijo.
Ela não resistiu,
Pulou da sacada e foi
Até a janela dele,
Envolvendo seu pescoço
E o puxando para um beijo
Terno, doce e apaixonado.
O peito dele pulsava quente
Sob a camisa branca,
Suas pernas bambeavam
Para próximo das mãos de Alicia,
Que as tocou com força
E possessividade.
- venha, vamos para o meu ape.
Ela pediu para ele,
Alguns carros passavam
Por eles que ainda se beijavam
E buzinaram com seus motoristas
Irritados,
Um deles passou muito perto
E então, lhe levou a mão
Até as nádegas apertando
E falando palavras ofensivas
A sua dignidade feminina:
- gostosa, entre aqui vou te comer!
Alicia esquivou-se para o lado
Do carro colidindo seu corpo
E se ferindo na lataria.
-aí me desculpa,
Este rapaz está me tocando
E eu não o conheço.
Ela falou para o lindo homem
Que beijava,
Depois se virou para o outro
Estranho que estava com o carro
Marrom glace colado a ela.
- eu não tenho conheço,
Para!
Ela falou irritada
E bateu na mão dele.
- o que você acha que é?
Você está quase transando
Com este homem na rua,
Você irá me falar ou te matarei!
Ele disse extremamente irritado.
- o quê?
Nunca!
Ela falou vermelha de vergonha.
É certo que seu ato
De pular a sacada
E desejar tão ardentemente
Um estranho foi errado,
Mas ela não o obrigou a nada
E agora se aproximava um sujeito
E tentava força-la ao ato sexual.
- ele é seu amigo?
Ela perguntou se voltando
Para a janela aberta
Onde estava seu estranho desejado,
Os lábios dele extremeceram
E ela o tomou num beijo tórrido.
O sujeito do carro ao lado
Se impertigou e retirou uma arma
Que tinha no bolso
E apontou contra a sua cabeça:
-canela, me chupe agora!
Ele disse.
Alicia levantou as mãos
Para o alto em tom de rendição
E se virou para o outro homem,
De perfil alto, olhos claros
E lábios vermelhos.
Então, o beijou plácida
E imperturbável.
- eu não estou excitada por você,
Posso beija-lo a tarde toda
E não será como beijar um instante
O outro que tanto desejei
E vim atrás dele.
O homem riu alto,
E limpou o suor da testa
Usando a arma que tinha em mãos.
- vocês são amantes há muito tempo?
Ele indagou.
- não, eu o vi agora,
Eu juro.
O loiro puxou a cabeça dela
Até seu pênis sobre a calça,
Alicia não resistiu a sua beleza
E masculinidade e o beijou
Tórrida e voraz.
- vadia gostosa,
Ele é esposo da minha filha.
O homem falou.
Alicia estremeceu e o chupou.
Quando levantou o corpo
O outro homem estava
Fora do carro,
Ela não resistiu a beleza dele
Outra vez, então,
Roçou seu corpo contra o dele,
E o acariciou com força
Até que ele a puxou
E a penetrou ali mesmo
Na rua.
Com carros buzinando atrás dele.
Seu pênis viril e quente
Latejava em seu corpo,
Como uma flor que desabrocha
E guarda todo o seu pecado
E ego esplendoroso dentro dela.
A polícia chegou logo atrás,
Ele virou-se para a frente
E fechou o zíper,
Alicia apenas organizou
O calção pois ele só foi
Puxado para o lado
E nem foi retirado
Ou aberto o zíper.
A viatura parou,
Dois homens abriram a porta
E se posicionaram com as mãos
Esticadas para a frente
E a arma em punho
Escorados sobre a viatura,
Olhar sério e compenetrado
E disseram:
- vocês estão presos
Por estarem fazendo algazarra
No meio da rua impedindo
A passagem.
Alicia levantou as mãos
Para o alto e fingiu
Que enroscava elas na camiseta
E a puxou junto para cima,
- nós não fizemos nada!
Ela disse e soltou a camiseta.
Os dois homens riram
Um parado outro
E o loiro saiu também do carro,
Levantou a mão direita
Para o alto com a arma engatilhada
E atirou nos dois policiais
Com dois tiros certeiros.
Eles caíram no chão
Feito uma almofada imóveis
E sangrando com as armas caídas.
- vagabunda, eu vou te matar.
Eles disseram enquanto
Tateavam no chão
E gemiam de dor.
- que medo!
Alicia disse.
- entre na sua casa!
O loiro falou.
- vai pra lá
Que nós voltamos.
O moreno disse.
Então, ela beijou o moreno
E correu até o loiro,
O beijou e depois foi para o ape.
Sua amiga Karla
Continuava tomando chimarão
Na sacada sem dizer nada.
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