domingo, 13 de setembro de 2026

Encontro na Mira

As treze horas da tarde,
As flores que caíam 
Da grande árvore amarelo
Se acumularam no chão 
Feito um tapete de seda
E fios de lã. 

Alicia contemplava
Da sacada do prédio 
Enquanto flores ganhavam
A vista feito um véu 
Que se estende a sua frente 
Tomando a imagem
E colorindo o asfalto negro,
Isso carros parados no acostamento
E os prédios inteiros,
Bordando seus acabamentos. 

Nisto, um Cadillac preto
De contornos dourados
Passou pela rua estreita,
Dirigido por um homem clássico,
Moreno, de tez baixa, olhos abertos
E redondos e escuros
Para o horizonte,
Lábios rosados unidos
Num semblante esbranquiçado 
Feito a roseira branca
Que iniciava seu desabrochar 
No canteiro a direita da calçada
Vagaroso e absorto em pensamentos,
Tão puro e íntegro 
Quanto caloroso e convidativo.

Alicia olhou para a amiga Karla
Que tomava seu mate doce
De leite, canela, coco ralado 
E hortelã e esbravejou:
- poxa! Um homem tão lindo
Passa pela nossa rua
E não nos digna o olhar?
Ela disse,
Dando um safanão no banco
Branco de ferro e almofadas
No qual estavam sentadas.
- petulante demais!
Karla respondeu,
Tocando a bomba do chimarão 
E apertando como se estivesse
Tocando o homem e o retirasse
De seus devaneios.

- será que seu ego é tão grande
Quanto seu pênis?
Alicia gritou e correu até 
A grade da sacada 
Levantou um pé sobre ela
E levantou a camiseta
Deixando seus seios a mostra,
Balançando-os entre as flores
Que caíam. 

Imediatamente, ele freou 
O Cadillac e parou no meio
Da rua olhando para ela
Assustado,
Com seu semblante sereno
Olhando só para ela,
Sua boca abriu-se lentamente,
Deixando a vista sua língua 
Rosada e perfeita
Num convite inevitável 
Ao beijo.

Ela não resistiu,
Pulou da sacada e foi
Até a janela dele,
Envolvendo seu pescoço 
E o puxando para um beijo
Terno, doce e apaixonado. 
O peito dele pulsava quente
Sob a camisa branca,
Suas pernas bambeavam
Para próximo das mãos de Alicia,
Que as tocou com força 
E possessividade.

- venha, vamos para o meu ape.
Ela pediu para ele,
Alguns carros passavam
Por eles que ainda se beijavam
E buzinaram com seus motoristas
Irritados, 
Um deles passou muito perto
E então, lhe levou a mão 
Até as nádegas apertando 
E falando palavras ofensivas
A sua dignidade feminina:
- gostosa, entre aqui vou te comer!

Alicia esquivou-se para o lado
Do carro colidindo seu corpo
E se ferindo na lataria.
-aí me desculpa,
Este rapaz está me tocando
E eu não o conheço.
Ela falou para o lindo homem
Que beijava,
Depois se virou para o outro
Estranho que estava com o carro
Marrom glace colado a ela.
- eu não tenho conheço,
Para!

Ela falou irritada
E bateu na mão dele.
- o que você acha que é?
Você está quase transando
Com este homem na rua,
Você irá me falar ou te matarei!
Ele disse extremamente irritado.
- o quê?
Nunca!
Ela falou vermelha de vergonha.

É certo que seu ato
De pular a sacada 
E desejar tão ardentemente 
Um estranho foi errado,
Mas ela não o obrigou a nada 
E agora se aproximava um sujeito 
E tentava força-la ao ato sexual.

- ele é seu amigo?
Ela perguntou se voltando
Para a janela aberta 
Onde estava seu estranho desejado,
Os lábios dele extremeceram
E ela o tomou num beijo tórrido. 
O sujeito do carro ao lado
Se impertigou e retirou uma arma
Que tinha no bolso
E apontou contra a sua cabeça:
-canela, me chupe agora!
Ele disse.

Alicia levantou as mãos 
Para o alto em tom de rendição 
E se virou para o outro homem,
De perfil alto, olhos claros
E lábios vermelhos. 
Então, o beijou plácida 
E imperturbável. 
- eu não estou excitada por você,
Posso beija-lo a tarde toda
E não será como beijar um instante 
O outro que tanto desejei
E vim atrás dele. 

O homem riu alto,
E limpou o suor da testa
Usando a arma que tinha em mãos. 
- vocês são amantes há muito tempo?
Ele indagou.
- não, eu o vi agora,
Eu juro.

O loiro puxou a cabeça dela
Até seu pênis sobre a calça,
Alicia não resistiu a sua beleza
E masculinidade e o beijou 
Tórrida e voraz.
- vadia gostosa,
Ele é esposo da minha filha.
O homem falou.
Alicia estremeceu e o chupou.

Quando levantou o corpo
O outro homem estava 
Fora do carro, 
Ela não resistiu a beleza dele
Outra vez, então,
Roçou seu corpo contra o dele,
E o acariciou com força 
Até que ele a puxou 
E a penetrou ali mesmo
Na rua. 
Com carros buzinando atrás dele.

Seu pênis viril e quente
Latejava em seu corpo,
Como uma flor que desabrocha
E guarda todo o seu pecado
E ego esplendoroso dentro dela.
A polícia chegou logo atrás,
Ele virou-se para a frente 
E fechou o zíper,
Alicia apenas organizou 
O calção pois ele só foi 
Puxado para o lado
E nem foi retirado 
Ou aberto o zíper. 

A viatura parou,
Dois homens abriram a porta
E se posicionaram com as mãos 
Esticadas para a frente 
E a arma em punho
Escorados sobre a viatura,
Olhar sério e compenetrado 
E disseram:
- vocês estão presos
Por estarem fazendo algazarra
No meio da rua impedindo 
A passagem.

Alicia levantou as mãos 
Para o alto e fingiu 
Que enroscava elas na camiseta
E a puxou junto para cima, 
- nós não fizemos nada!
Ela disse e soltou a camiseta.
Os dois homens riram
Um parado outro 
E o loiro saiu também do carro,
Levantou a mão direita
Para o alto com a arma engatilhada
E atirou nos dois policiais
Com dois tiros certeiros.

Eles caíram no chão 
Feito uma almofada imóveis 
E sangrando com as armas caídas.
- vagabunda, eu vou te matar. 
Eles disseram enquanto
Tateavam no chão
E gemiam de dor.
- que medo!
Alicia disse.
- entre na sua casa!
O loiro falou.
- vai pra lá 
Que nós voltamos. 
O moreno disse.
Então, ela beijou o moreno
E correu até o loiro,
O beijou e depois foi para o ape.

Sua amiga Karla
Continuava tomando chimarão 
Na sacada sem dizer nada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Encontro na Mira