De olhos amedrontados
E vistas para um futuro assustador.
Serei cada vez mais
Distante de você,
Mãe.
Minha própria mãe,
Você se aproximou de mim
Retirou meus segredos
Que convenhamos nem tão
Secretos assim
E usou-os,
Oh, como você abusou de mim!
Você disse:
- eu te odeio,
Afaste-se!
Eu senti medo,
Perdão,
Te vendo tão alcoolizada
Junto com uma favela da
Eu pensei:
- perdi meu irmão,
Não posso tolerar perde-la.
Mas você se foi,
Galgou sua estrada antiga,
Recordou falsos remorsos,
Se apegou a quem nunca
Me pertenceu.
- você tem razão,
Mãe:
O homem a quem dediquei sentimentos
Não me amou, também!
Mas você foi intolerante,
Chamou meu pai
O convenceu!
Ele pegou meu filho Pitelmario,
Um patinho inseguro e simples,
Dócil e amigo
E o estuprou sob meus olhos
Ele disse:
- e Rahat, e Rahat
E isto o isentava.
Eu permaneci fechada
Dentro de casa,
Pensei comigo:
"Bati nele a socos com pedras
Nas mãos,
Eu lhe desferi golpes de pedra
Direto em seu peito,
Ele é imatavel,
Inquebrável,
Ele não cai!
Mas eu caio
Eu morro
Eu desfaleço
E me perco,
Perco,
Perco....
Depois de se ajoelhar
E meu filho tremer de medo,
Depois de eu ver seus olhos azuis
Abertos e assustados,
Depois de eu ver ele implorar,
Xingar, tentar se defender....
Ele andou com ele nos braços,
Eu eu me vi desfalecer,
Meu coração não batia
E eu acho que não pude dizer...
Então, ele pegou o Pato
E esfregou na parede,
O esmagou.
Meu pato,
Meu pato,
Meu pato.
Ele o matou.
Então, você veio as escondidas
E levou o outro,
Você levou.
Armou a carnificina pública,
Chamou todos que pode através
Da rede social,
E eu fui exercer meu direito
A cidadania,
Fui votar,
Eleger a presidência.
Você chegou lá
E disse que eu estava
Com homem casado,
Que ele não me quis
Como também não deseja
A outra que é esposa,
Você gritou na frente
De todos.
Você disse que ele viria
Te ver na minha própria casa,
Estar com você
Por um mês no que é meu
E eu iria para debaixo de lonas
Enquanto você,
A desejada dele,
A gostosa dele
Se amariam no que é meu,
Porque de tanto que eu
Não presto o que é meu é seu.
E você estava com o Heartman
No colo segurando- o pelos pés
Com a mão no pescoço dele
Para mata-lo,
Você fez isso.
Você disse que eu estava
Armando artifícios
Para ficar com o Cristiano
Convencendo minha irmã
De cair de bicicleta
Por ele
Porque ele viria até você,
Ele queria você
E nem mesmo queria a Mary.
Bem, o Pitelmario você matou
Mas o Cristiano eu o vi
Com uma garota linda
Andando esbelto no supermercado
E quem estava com ele
Não era eu,
Não era Mary e querida
Horrenda e desgraçada
Lhe desejo morte trágica,
Também, nunca seria você!
Mas você tem quem defenda
Seus atos,
Me fazem de trouxa,
Não me dão expectativas,
Me enganam,
Mas, eu sobrevivo
Distante demais de você.
Seu velho maldito,
O meu pai,
Ele foi cúmplice dos dois cães
Que foram logo soltos
Para virem até a minha propriedade
Eu sei disso,
Ele disse:
"Eu não quero um filho seu!"
Parabéns,
O filho mais novo vocês dois mataram,
Mas, eu me recuso a chacina
Familiar de vocês!
Eu permaneço,
Eu fico,
Distante não sonhem comigo!
Eu estou a milhas de distância,
Não ambicionem minha visita
Ou meu sorriso
Eu estou tão longe
Que você não me encontrará.
Não coloquem cúmplices,
Co-autores ou o que for,
Vocês tem seus adeptos
Eu vi você estuprar seu cachorro!
Que nojo,
Estuprar um cãozinho frágil
E comedor de lixo
Da lixeira de vizinhos,
"Você me dá nojo
E também cada um dos seus!"
Mas, o mundo move-se
E o direito atualizou-se
Em conformidade com as necessidades
Dos seres humanos,
Então, os animais não estão
Totalmente desassistidos de seus direitos,
Por mais que a visão ambientalista
Seja parcial e fragmentada,
As causas que neste instante
Refere-se a prática de maus tratos
Aos animais estão sendo coibidas
No intuito de desfavorecer seus efeitos
Que é o sofrimento do animal
E o risco de morte dele.
O direito existe para ser
Posto em prática,
No entanto, ele está engessado
No que a lei descreve como crime,
Mas, este processo merece discurso,
Ou seja, ser discutido e redefinido,
Adaptado para a realidade humana.
Estupro contra um animal indefeso
Não é simples maus tratos,
É causa de dor e sofrimento
Da qual o animal não consegue
Se livrar,
Ele é ser frágil e indefeso
E a lei está omisso com relação ao fato.
Porém, o homem está ausente
De suas buscas e conhecimentos
E ele não compreende que o direito
Precisa evoluir e se adaptar
A realidade que existe:
Os animais são frágeis
E cuidado pela pessoa
Que estupra-os
E um estupro é pior que
Dar pouca comida
Ou cercear a água.
Este intuito não é um direito romântico,
Cuidar de um animal é abrangente,
Pois refere-se a sobrevivência planetária,
E a civilização precisa evoluir
Pois prazer se encontra entre adultos
E não com seres que não podem
Defender-se.
Jamile disse sentada
Na cadeira em frente ao delegado
E mais ela falou:
- o estupro contra o Pih
Foi categoricamente uma ameaça
Contra eu própria,
Não resta dúvida:
Meu pai quer matar-me!
O Pih era minha própria vida,
Eu o cuidei desde a abertura
Do ovo,
Alguém que causa mal
Ao meu animal de estimação
Me faz mal grave e terrível.
O olhar sobre o meio ambiente
Terá sempre uma visão fragmentada,
Setorial e parcial.
Nosso conhecimento provém
De realidades parciais,
E ele é lento.
A busca entre o nexo da causa
E o efeito é limitada.
É preciso que o sujeito pessoa
Se identifique com o objeto
Meio ambiente
Para haver compreensão.
O destino do planeta
Está ligado ao da espécie humana,
Diversas espécies de seres vivos
Desaparecerão sem que se saiba porquê
E eu prefiro que desapareça a espécie
Que não se importa,
Que ameaça, faz mal
E mata os seres vivos.
Eu sou totalmente contra
A existência de pessoas que
Estupram animais!
Jamile disse.
- você quer dizer que deseja
A pena de morte ao seu pai Jamile?
O delegado interrogou-a
Fazendo ela estremecer
Sobre a cadeira amedrontada.
- e a sua também,
Pois você está reforçando
O ato ilícito dele
Ao desmotivar minha repulsa
Pelo crime que ele cometeu.
- prendam-na!
O delegado disse
Movimentando um braço
E mostrando ao soldado a cela
De frente a sala dele
Para ela ser encarcerada.
- depois que você se acalmar
E pagar uma multa
Por ameaça e desacato
Ao funcionário público
Eu retorno a sua oitiva.
-senhor, meu pai está a solta
Meus animaizinhos estão sozinhos
No pátio,
Eles estão a mercê dele
E de sua maldita complacência!
Ela gritou enquanto
Era erguida da cadeira
Pelo soldado que puxou
Seus braços para trás,
Então, ela cuspiu na cara
Do delegado,
Que olhou raivoso
E limpou o cuspe.
O risco da degradação ambiental
E o ritmo são desconhecidos,
O ar se torna irrespirável,
O patrimônio genético se desgasta,
A vida humana corre risco,
Os recursos naturais
Não são eternos,
O Brasil vem perdendo 18,6 mil
Km² de área verde por ano,
Vossa Senhoria não pode estar
Desatento ao fato.
Cuidar dos seres humanos
E importante para a vida,
A erosão está levando
190 milhões de toneladas
De terra do estado de Sao Paulo,
E os males disso
E que doenças se espalham
Feito fumaça pelo país,
Tal como a anencefalia
E outras incuráveis,
O mundo está adoecendo!
O homem que tanto buscou
A técnica agora pode não ter
Mais que ela para salvar-se
Vítima de tecnologia e ideais enganosos.
Já passamos do ponto de retorno
Dos danos ambientais,
O aquecimento global está
Nos desfalecendo a ponto de
Que até 2100 a raça humana
Seja toda extinta.
O planeta vem perdendo de 5%
A 20% do PIB (produto interno bruto)
Mundial as perdas podem chegar
A 7 trilhões de dólares
Por não haver importação de materia
Prima e alimentos naturais
Dos países internacionais.
Isto sugere uma sobrecarga
Que poderá matar a Amazônia
Num prazo de 50 ou 100 anos.
As preocupações materialistas
Sufocam as preocupações com o ser,
Esta doença chama-se degradação ambiental.
Nisto assino,
Que eu Jamile não possuo trabalho
Nem condições financeiras
De custear minha multa
E peço a Vossa Excelência
Que conceda o meu Alvará de Soltura
Imediato por eu ser pobre
E não ter condições de pagar a multa.
O pedido de Habeas-corpus
Foi assinado por ela própria,
Vez que não precisa de assinatura
De advogado e encaminhado
Ao delegado para ser enviado
Ao juiz plantonista.
- Está correto Jamile,
O plantonista está analisando
O seu pedido.
Disse o soldado ao se
Voltar para ela
Que permaneceu na cela
Sentada a esperar a resposta.
-a agressão ao meio ambiente
Põe em risco a vida humana,
O crescimento humano precisa
Ser repensado de maneira sustentável,
Ele precisa se conciliar
Com a preservação do meio ambiente
E a melhoria da qualidade de vida.
É isto o que o Princípio 4 da Declaração
Do Rio definida no CNUMAD (Conferência das
Nações Unidas
Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento,
Conhecida como Rio 92 definiu.
A política ambiental
Não deve significar obstáculo
Mas sim instrumento
Para a gestão racional
Dos recursos ambientais.
As tecnologias devem
Voltar-se aos recursos de maneira
A preservar e proteger e gerar patrimônio.
Embora milhões de pessoas
Tenham saído da faixa de pobreza
Outros milhões estão nela
E o mundo urgente por qualidade
De vida,
A pobreza, a exclusão social
E o desemprego precisam
Ser erradicados mas não sob ameaça
Global de dano planetário,
A chuva ácida,
O entulho espacial tudo isso
Deve ser resolvido
E eu preciso ter meu direito
De defesa exercido
Porque o estupro do meu pato
É fator crucial para a satisfação
Da normativa ambiental,
Não adianta haver lei
Se ela não for efetiva.
Eu sou pobre não tenho
Condições financeiras de pagar
Qualquer multa ou valor econômico
Mas eu preciso proteger meu pato,
Ele é como um filho
Que tivesse nascido do meu ventre,
Meu pai foi cruel.
Precisa haver uma mudança
Na estrutura política e econômica
Com vistas ao progresso humano,
A compulsão pelo consumo
Vai além da necessidade real,
Meu pai precisa ver que meu pato
Não é uma mulher,
Ele é um pato.
Mulheres são feitas para o ato sexual
Patos são feitos para atos
Com outros patos.
Ele não precisava fazer isso,
Ele não tem este direito
E o Pitel não sabe se defender,
Ele precisa de mim.
E preciso criar instrumentos legais
Para protege-lo e não apenas a ele
São bilhões de bichinhos
Que sofrem estupro no seu corpo,
Eles morrem calados,
Através de leis coercitivo
E imposições fiscais
Haverá um fim nesta cultura
De estupro.
Há intrínseco ao ser humano
O dever de cuidar
No que se refere ao uso e gozo
Do patrimônio ambiental,
Este uso e gozo não é ilimitado.
Milhões de bois, frangos e porcos
São estuprados e depois vendidos
Para o comércio com fins
De lucro, isso transmite doenças,
Pragas, infecções e mortes.
A cultura de estupro tem que ter fim.
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