Pela eternidade ou por uma pulsação? Por tempo suficiente para tocar o coração! (Aline Oliveira Mendes de Medeiros)
terça-feira, 13 de outubro de 2026
Um Jardim, Tom!
Saudades
domingo, 11 de outubro de 2026
Tom Tom Tom
Violência Casual
Não me violente
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Despertar
Mamata- A Vaquinha
Mamata nasceu na fazenda,
Desde pequena odiava o dono
Que a chicoteava nas costas
E feria suas orelhas
Colocando cordas ao redor delas
Para mantê-la.
Certa vez, ocorreram trovadas
Muito intensas com rajadas de vento
E raios tingindo o horizonte,
O gado ficou arredio,
E investiram uns contra os outros
Para chifrarem-se mutuamente.
Bois eram jogados contra a cerca
E outros corriam até ela
Colocando chifres e o peito
Para derrubá-la,
Não tardou o primeiro poste caiu,
Depois o segundo
E então o terceiro.
Finalmente, Mamata viu-se livre,
E sorrateira passou a comer
O gramado que havia fora da cerca
E andou para longe
Sem perceber.
Logo, viu-se solitária,
Contudo, sempre teve a comida
Que a terra dava
E vendo um coelho que saltitava
Próximo a ela
O seguiu para achar a água.
A água seguia o curso de um rio,
E partia para distante,
Mamata ali ficou,
A longa distancia ouvia
O rugido de um touro,
E o berro de uma vaca grávida,
Mas, nada a motivou a sair.
Comia do alimento que brotava
E bebia da água que corria.
Certo dia, decidiu ir até próximo
A cerca e o que viu assustou-a:
O gado estava magro
E os bebedouros de água estavam secos.
O dono da fazenda esqueceu
De dar água a eles,
E o gado perambulava berrando triste
Ao redor da fazenda cercada
Por postes e cerca de arame.
Dois bezerros estavam caídos
No chão fracos demais,
Estes nem mesmo a água
Os traria a vida.
Não tinham força para berrar,
O couro deles adentrou os ossos,
E mosquitos rondavam sua carne,
Bem próximo a eles haviam corvos
Cercando-os a espera de suas mortes
Para comer sua carne.
Inexplicavelmente aranhas
E cobras chegavam até os bezerros
E depois saiam saciadas.
O touro vendo a situação chorava
E vendo Mamata sorriu,
E foi até ela.
Mamata engravidou ali ao lado
Do cercado da fazenda,
Mas, não permaneceu,
Voltou até o bosque.
Lá tinha comida a vontade.
Contudo, choveu forte,
E a chuva chegou ao nariz dos três bezerros caídos
E encerrou seu circulo vital.
Morreram da água que não tiveram
De beber.
Os corvos se agacharam sobre eles
E comeram toda a carne
E as partes internas.
As vacas amedrontaram-se
E esconderam o leite,
Por cinco dias não entregaram o leite
Ao fazendeiro que as amarrou
E as açoitou,
Nem a dor das chicotadas
Amenizou a dor da morte
Que as vacas prezenciaram
E o leite cessou para algumas
De maneira inexplicável.
Caiu a renda do dono da fazenda
Que agora diminuiu a comida
Para o cercado do gado.
Alguns bezerros nasceram mortos
E de aparência pequena e desgrenhada,
Com os ossos reluzentes sob o pelo brilhoso.
Mamata feliz a comer
Com os bichos selvagens:
Coelhos, galinhas, pássaros
E outros da região,
Viu a água descer do céu
com muita força e se escondeu
Embaixo de uma árvore.
Um raio caiu sobre ela
E o galho quebrou caindo
Sobre a perna dela que feriu-se.
Ela sentiu a dor em sua pele
Sangrar de maneira violenta,
Para logo após amenizar
Quando seu medo cessou.
O touro veio até ela
E lhe trouxe ramos verdes
Para que ela se alimentasse.
Assim, sob a chuva torrencial,
Ambos levaram ramos ao cercado.
Mas, um grito do dono da fazenda
Os assustou e Mamata correu intensa
Para a mata com medo de ser presa.
Ele se agachou e juntou pedras
Que jogou contra ela
Com a intensão de que ela permanecesse
Com o resto do gado.
O touro Bream ficou no lugar dela
E avançou com seus chifres
Contra o fazendeiro que correu
Após lhe acertar com uma grande pedra
Contra a sua cabeça.
O touro caiu bufando de dor,
E escorrendo baba pelo nariz e
A boca,
Seus olhos se arregalaram
E ficaram vítreos de dor.
Mas, ante o medo de que Mamata
Fosse ferida ele levantou-se,
E embrenhou outra vez
Para protege-la.
O fazendeiro correu
E Mamata correu mais,
Escondida no mato
Permitiu-se suspirar segura
Com a perna a mancar sua dor.
Depois disso,
Sentiu cede e foi até o rio,
A margem estava molhada,
Logo Mamata resvalou e foi parar
Dentro da água,
Mas ela não sabia nadar,
Então, batia suas pernas dianteiras
Descontroladas
Sobre a água.
Depois, bufou e mugiu
Para que Bream viesse salva-la,
Ele estava ferido
E ela sabia,
Mas a correnteza estava carregando-a consigo.
Logo Bream chegou próximo a margem,
Sujo de terra e escorrendo água da chuva
Que ainda caia,
Mamata só em vê-lo sentiu-se segura
E soltou as pernas dianteiras
Com força dentro da água até se agarrar
Ao barro e parar de ser carregada.
Depois disso ela ficou paralizada,
Pois o barro a imobilizou,
Suas pernas afundaram bastante dentro
Do barro e a água suja
Corria ao redor dela.
O nível do rio ia subindo
E lhe chegava à barriga.
Dentro de Mamata algo se moveu,
E a vida saiu de dentro dela
Através de um lindo bezerro
Que caiu sobre a água
E estava sendo carregado
Para o fundo,
Mas Mamata o reteve usando
Sua boca ao pegá-lo pelo pescoço
Próximo a cabeça.
Com o fucinho ela o empurrou
Para a margem e Bream chegou próximo
O bastante para puxá-lo.
O bezerro começou a mugir
E um barulho perto deles
Assustou alguns pássaros que voaram
dos galhos das árvores.
Mamata chorava com medo,
Mas, Bream não sabia o que fazer,
Ela estava presa e a água continuava
A subir até suas costelas.
Quando Bream tentou aproximar-se
Ele viu que suas patas logo afundaram
No barro.
Então, ele voltou até a margem
E carregou o bezerro para longe,
Depois retornou e viu que a água
Já chegava ao fucinho de Mamata
E iria sufocá-la
Em poucos instantes.
Mas, ele não desisitiu,
Mesmo afundando levou um pé
Depois o outro,
E ergueu do chão que o carregou
Para o fundo um pé e depois o outro,
Como ele era bastante maior
Que Mamata ele pode passar
Por trás dela e empurrou-a
Com sua cabeça para fora
Da água.
E assim salvaram-se os três.
Movidos pelo medo
Bream retornou ao cercado e derrubou
A cerca deixando todo o gado livre,
Todos seguiram para o mato
Buscando uma vida fora de perigos.
Quando o fazendeiro retornou
Ao cercado viu que não havia
Gado algum lá.
O gado encontrou logo adiante
Do mato uma fonte
De onde jorrava muita água
Que escorria em direção ao rio.
Lá eles beberam e saciaram
Sua cede.
Então, deitaram todos ao redor
Da fonte onde encontraram comida
Através do mato verde
Que havia no chão.
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