terça-feira, 13 de outubro de 2026

Um Jardim, Tom!

Plantei girassois amarelos
Da cor dos seus cabelos,
Você conhece meus sonhos:
Trazer você para perto Tom,
Bem, alguns já floresceram 
E olhando-os de baixo
Vejo o azul dos seus olhos
Perfeitamente refletidos
Num horizonte tão próximo 
Que quase posso toca-lo,
Num instante tão perfeito
Quase posso tê-lo
Aqui tão pertinho
Na pétala do meu girassolzinho.

A Dália amarela fez o botão,
Tão logo esteja aberta
Lhe tirarei uma fotografia,
Então. 
Plantei muitas sementes de girassois,
E outras tantas mudas
E em cada segundo
Imaginei você comigo,
Estive segura,
Estive completa.

Você é sinônimo de força,
Beleza e estrutura.
Eu moveria um mundo
Para ser abraçada 
Por você 
E você, que faria 
Se eu dissesse que há tantos anos
Você está em minhas fantasias
De homem perfeito?

Estou construindo um jardim,
Em cada flor que floresce
Eu vejo você perto de mim,
Agora a minha cobertura verde
Floresceu no tom da sua pele,
Roseada,
Que posso fazer por ela?
Em seu lado
Mais algumas flores amarelas,
Perto de mim estão elas
E perto de você,
Diga-me o que te produz encantamento?
Eu gosto muito 
Da minha roseira
Que produz rosa cor de rosa,
Sua pele vibra nela
E eu: devo beija-la?

Saudades

Queria ouvir dos seus lábios 
Como eu estou,
Queria ver nos seus olhos
Que estou muito bem,
Queria que você recordasse,
De alguma forma lutasse
E mudasse as coisas entre nós,
Sim,
Eu o quero aqui.

Queria receber um abraço 
Mas não um qualquer,
Queria que viesse de você 
E eu pudesse lhe dizer
Eu te amo
Como nunca fiz,
E por que eu te evitei?
Que motivo me levou
A reclamar de você,
Te achar insuficiente,
Exiger outras coisas entre a gente?

Sim,
Eu te queria aqui,
Queria notícias suas
E nestas notícias 
Queria ouvir que sentiu saudades,
Que me espera,
Que nunca quis me deixar
E que erros acontecem
E eu estou perdoada.

Preciso ouvir sua voz,
Evito todas as pessoas
Só para lembrar de nós 
Numa busca desenfreada 
De te trazer de volta.
Por que você está tão frio?
Por que ficou tão arredio?
Ossos e fragmentos e dor...
De que mais estou me desfazendo?

domingo, 11 de outubro de 2026

Tom Tom Tom

Que gostosa ironia 
Do destino lhe trazer por aqui,
Eu encontrei seu endereço 
Na rede social
E passei a segui-lo
E cuidei cada postagem,
Cada notícia,
Cada vídeo seu.

Eu pensei nossa
Estas roupas que ele usa
Eu conheço todas,
Então,
Sempre que eu saio
Eu o vejo
E pensando bem,
Em cada pessoa que olho
Eu busco por ele
E pôr obter novas notícias.

Então, eu ando por aí 
Gostando dele
E agora, que delícia 
Eu te encontrei
E posso abraçar você. 

Como é bom estar por aqui,
Quando te vi 
Meu coração deu um salto
E pareceu voar,
Encurtar a distância entre nós,
Me vi flutuar,
Num céu tão doce
E delicado que achei
Que nunca mais me afastaria
Do azul do seu olhar.

Aí eu pensei:
Nossa como ele é lindo,
Será que eu poderei beija-lo?
Aí meu coração voltou a bater
E pareceu me trazer de volta
Do céu com seu palpitar.
Guiando meus passos
Do céu azul esplendoroso
Para o verde glorioso
E cristalino dos seus olhos
Ávidos e sedentos
Para eu estar pertinho.

Te vendo assim de perto,
Pensei:
Nossa, eu te amo!
Tom, Tom, Tom!
Você poderia
Me erguer em seus braços 
E ver no que me encaixo
Se no azul profundo
Ou no verde cristalino 
De estar com você
Sempre.

Violência Casual

Neste mês 
Eu estou triste,
Por favor, compreende
É um mês a se pensar
Que a violência contra a mulher
Existe. 
Declare a ela
Seu amor por um mês,
Mande flores
E um cartão com mensagem 
Bonita,
Escolha por si próprio 
O meio que usará 
Para agrada-la,
Talvez, ela seja amiga
Da sua secretária 
Ou quem sabe já odeie-na,
A compreenda.
Neste mês os holofotes
Brilham para o lado violência 
E a voz feminina pranteia
Dores esquecidas,
E fatores preponderantes
Que amedrontam-na.
Você a acha forte,
Esqueça isto.
Você a vê linda e poderosa,
Desapegue-se disto.
Veja-a frágil,
Sexy e atraente.
Temos após isso 11 meses
Para esquece-la,
Não apresentar satisfações 
E explicar para ela
Porque nós homens
Somos tão negligenciados
Em nossas necessidades 
Enquanto ela nos dirá 
Que um mês 
É insuficiente para refletir
Sobre a violência feminina 
E restar 11 outros em que
Terá de aturar-nos.

Não me violente

Que bom seria
Se eu dormisse tranquila
E ao acordar
Não estivesse sozinha.
Dormir sossegada
Depois de virar a madrugada
Em boa companhia
E gostosas risadas.
Acordar serena 
Sem ter motivos para brigar
Ou me culpar
Por palavras errôneas,
Atitudes grosseiras
Ou cara feia. 
Que ótimo seria 
Se na noite e no dia
Eu contasse com única pessoa 
E a está o definisse esposo,
Seria perfeito,
Digo maravilhoso.
Não ter um amor
Que faz sofrer,
Não nutrir meu sentimento 
De remorsos e esquecimentos,
Não precisar inventar situações 
Para me sentir apta,
Segura de ser sua.
Poxa amor covarde
Por que você não se afeiçoa
A me querer bem
E cuidar de nós dois sempre?

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Despertar

Em cada amanhecer 
Tenho medo de abrir meus olhos
Olhar e não te ver,
Amar tanto alguém 
Que simplesmente não me quer
Tão bem.

Eu queria te pedir
Se vale a pena 
Ser tão distante 
Ter tantas opções assim,
Eu percebo,
Isso identifico bem,
Você gosta de números,
Você quer variar,
Preencher gostos.

Eu me deprimo,
Me asusto,
Nem me movo:
Você me deixa
Em cada despertar,
E eu me afasto
Sem ter o que falar.

As circunstâncias estão desfavoráveis,
Me diga meu bem o que há?
O que falta,
O que temos para acrescentar?
Eu queria apenas não temer
Não ter que esperar.

Mamata- A Vaquinha

 Mamata nasceu na fazenda,

Desde pequena odiava o dono

Que a chicoteava nas costas

E feria suas orelhas

Colocando cordas ao redor delas

Para mantê-la.


Certa vez, ocorreram trovadas

Muito intensas com rajadas de vento

E raios tingindo o horizonte,

O gado ficou arredio,

E investiram uns contra os outros

Para chifrarem-se mutuamente.


Bois eram jogados contra a cerca

E outros corriam até ela

Colocando chifres e o peito

Para derrubá-la,

Não tardou o primeiro poste caiu,

Depois o segundo 

E então o terceiro.


Finalmente, Mamata viu-se livre,

E sorrateira passou a comer

O gramado que havia fora da cerca

E andou para longe

Sem perceber.


Logo, viu-se solitária,

Contudo, sempre teve a comida

Que a terra dava

E vendo um coelho que saltitava

Próximo a ela

O seguiu para achar a água.


A água seguia o curso de um rio,

E partia para distante,

Mamata ali ficou,

A longa distancia ouvia

O rugido de um touro,

E o berro de uma vaca grávida,

Mas, nada a motivou a sair.


Comia do alimento que brotava

E bebia da água que corria.

Certo dia, decidiu ir até próximo

A cerca e o que viu assustou-a:

O gado estava magro

E os bebedouros de água estavam secos.


O dono da fazenda esqueceu

De dar água a eles,

E o gado perambulava berrando triste

Ao redor da fazenda cercada

Por postes e cerca de arame.

Dois bezerros estavam caídos

No chão fracos demais,

Estes nem mesmo a água 

Os traria a vida.


Não tinham força para berrar,

O couro deles adentrou os ossos,

E mosquitos rondavam sua carne,

Bem próximo a eles haviam corvos

Cercando-os a espera de suas mortes

Para comer sua carne.


Inexplicavelmente aranhas 

E cobras chegavam até os bezerros

E depois saiam saciadas.

O touro vendo a situação chorava

E vendo Mamata sorriu,

E foi até ela.


Mamata engravidou ali ao lado

Do cercado da fazenda,

Mas, não permaneceu,

Voltou até o bosque.

Lá tinha comida a vontade.


Contudo, choveu forte,

E a chuva chegou ao nariz dos três bezerros caídos

E encerrou seu circulo vital.

Morreram da água que não tiveram

De beber.

Os corvos se agacharam sobre eles

E comeram toda a carne 

E as partes internas.


As vacas amedrontaram-se

E esconderam o leite,

Por cinco dias não entregaram o leite

Ao fazendeiro que as amarrou

E as açoitou,

Nem a dor das chicotadas

Amenizou a dor da morte 

Que as vacas prezenciaram

E o leite cessou para algumas

De maneira inexplicável.


Caiu a renda do dono da fazenda

Que agora diminuiu a comida

Para o cercado do gado.

Alguns bezerros nasceram mortos

E de aparência pequena e desgrenhada,

Com os ossos reluzentes sob o pelo brilhoso.


Mamata feliz a comer

Com os bichos selvagens:

Coelhos, galinhas, pássaros

E outros da região,

Viu a água descer do céu 

com muita força e se escondeu

Embaixo de uma árvore.


Um raio caiu sobre ela

E o galho quebrou caindo

Sobre a perna dela que feriu-se.

Ela sentiu a dor em sua pele

Sangrar de maneira violenta,

Para logo após amenizar

Quando seu medo cessou.


O touro veio até ela

E lhe trouxe ramos verdes

Para que ela se alimentasse.

Assim, sob a chuva torrencial,

Ambos levaram ramos ao cercado.

Mas, um grito do dono da fazenda

Os assustou e Mamata correu intensa

Para a mata com medo de ser presa.


Ele se agachou e  juntou pedras

Que jogou contra ela

Com a intensão de que ela permanecesse

Com o resto do gado.

O touro Bream ficou no lugar dela

E avançou com seus chifres

Contra o fazendeiro que correu

Após lhe acertar com uma grande pedra

Contra a sua cabeça.


O touro caiu bufando de dor,

E escorrendo baba pelo nariz e

A boca,

Seus olhos se arregalaram

E ficaram vítreos de dor.

Mas, ante o medo de que Mamata

Fosse ferida ele levantou-se,

E embrenhou outra vez

Para protege-la.


O fazendeiro correu

E Mamata correu mais,

Escondida no mato

Permitiu-se suspirar segura

Com a perna a mancar sua dor.


Depois disso,

Sentiu cede e foi até o rio,

A margem estava molhada,

Logo Mamata resvalou e foi parar

Dentro da água,

Mas ela não sabia nadar,

Então, batia suas pernas dianteiras

Descontroladas

Sobre a água.


Depois, bufou e mugiu

Para que Bream viesse salva-la,

Ele estava ferido

E ela sabia,

Mas a correnteza estava carregando-a consigo.


Logo Bream chegou próximo a margem,

Sujo de terra e escorrendo água da chuva

Que ainda caia,

Mamata só em vê-lo sentiu-se segura

E soltou as pernas dianteiras

Com força dentro da água até se agarrar

Ao barro e parar de ser carregada.


Depois disso ela ficou paralizada,

Pois o barro a imobilizou,

Suas pernas afundaram bastante dentro

Do barro e a água suja 

Corria ao redor dela.

O nível do rio ia subindo 

E lhe chegava à barriga.


Dentro de Mamata algo se moveu,

E a vida saiu de dentro dela

Através de um lindo bezerro

Que caiu sobre a água

E estava sendo carregado

Para o fundo,

Mas Mamata o reteve usando

Sua boca ao pegá-lo pelo pescoço

Próximo a cabeça.


Com o fucinho ela o empurrou

Para a margem e Bream chegou próximo

O bastante para puxá-lo.

O bezerro começou a mugir

E um barulho perto deles

Assustou alguns pássaros que voaram

dos galhos das árvores.


Mamata chorava com medo,

Mas, Bream não sabia o que fazer,

Ela estava presa e a água continuava

A subir até suas costelas.

Quando Bream tentou aproximar-se

Ele viu que suas patas logo afundaram

No barro.


Então, ele voltou até a margem

E carregou o bezerro para longe,

Depois retornou e viu que a água

Já chegava ao fucinho de Mamata 

E iria sufocá-la

Em poucos instantes.


Mas, ele não desisitiu,

Mesmo afundando levou um pé

Depois o outro,

E ergueu do chão que o carregou

Para o fundo um pé e depois o outro,

Como ele era bastante maior

Que Mamata ele pode passar

Por trás dela e empurrou-a

Com sua cabeça para fora 

Da água.

E assim salvaram-se os três.


Movidos pelo medo

Bream retornou ao cercado e derrubou

A cerca deixando todo o gado livre,

Todos seguiram para o mato

Buscando uma vida fora de perigos.


Quando o fazendeiro retornou

Ao cercado viu que não havia

Gado algum lá.

O gado encontrou logo adiante

Do mato uma fonte 

De onde jorrava muita água

Que escorria em direção ao rio.


Lá eles beberam e saciaram

Sua cede.

Então, deitaram todos ao redor

Da fonte onde encontraram comida

Através do mato verde

Que havia no chão.

Dalvaninha e Seus Patinhos