segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Dores e Des(amores)

O que dói não é a ferida 
Mas a capacidade 
De ter que se retirar
Da briga
Como se ela fosse
Uma emboscada,
Sair mancando a dor
Sem reagir a nada.

Ou não agir o suficiente,
E muitas vezes,
O sangue quente
Que jorra em sua dor 
Não é capaz
De direcionar a ação repressiva.

Fica um rastro da ferida
Aberta por onde você for,
Então, você se sustenta
E a dor é represada 
Num local sombrio,
Depois disso,
Dia após dia
A ferida dói e sangra
E você fita o vazio
De sua pele,
Verifica a abertura sangrenta
E não diz nada
Sobre a dor.

Eis que um dia,
Todo o sangue represado
No local sombrio
Surge do nada 
Feito uma avalanche
De dor 
Que te faz estourar,
Falar sem pensar,
Agir desmedido.

O lado sombrio 
Se apossa de você 
E somente ele entrega
A dor que você reservou 
Calado 
Quando você teve que 
Se refugiar para longe.

Mas o sangue secou,
A ferida que doía sarou,
Mas seu lado sombrio
Compreende tudo que você 
Reservou e lhe domina,
Você perde o controle
Por ter se contido
E guardado dores e remorsos,
Chama-se a isso
Distúrbio.

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