Mas a capacidade
De ter que se retirar
Da briga
Como se ela fosse
Uma emboscada,
Sair mancando a dor
Sem reagir a nada.
Ou não agir o suficiente,
E muitas vezes,
O sangue quente
Que jorra em sua dor
Não é capaz
De direcionar a ação repressiva.
Fica um rastro da ferida
Aberta por onde você for,
Então, você se sustenta
E a dor é represada
Num local sombrio,
Depois disso,
Dia após dia
A ferida dói e sangra
E você fita o vazio
De sua pele,
Verifica a abertura sangrenta
E não diz nada
Sobre a dor.
Eis que um dia,
Todo o sangue represado
No local sombrio
Surge do nada
Feito uma avalanche
De dor
Que te faz estourar,
Falar sem pensar,
Agir desmedido.
O lado sombrio
Se apossa de você
E somente ele entrega
A dor que você reservou
Calado
Quando você teve que
Se refugiar para longe.
Mas o sangue secou,
A ferida que doía sarou,
Mas seu lado sombrio
Compreende tudo que você
Reservou e lhe domina,
Você perde o controle
Por ter se contido
E guardado dores e remorsos,
Chama-se a isso
Distúrbio.
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