sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Mary, Vamos dançar

Oi Mary,
Podemos dançar
Está noite,
Fingir que tem luar,
Vamos passos
Estranhos no escuro,
Vamos dançar
Está noite,
Com as luzes apagadas
E nossas mãos unidas?
Mary,
Vamos dançar
Está noite,
Pisar no gramado
Sorrir pro sereno,
Vamos dar
Nossas mãos
E rodar,
Rodar a sorrir
Para as estrelas?
Mary,
Estes que não
Gostam de dançar
São uns chatos
Não os convide
Para a nossa noite
De dança e sorrisos.
Mary,
Vamos dançar
Está noite
Até nascer
O dia
E depois
Brincar
Com o sol?
Vamos dançar
Mary,
Eu gosto de dançar
Quando você está perto.

Saudade

Tanto tempo,
Tão distante,
Faz falta,
Seria remédio,
Foi saudade,
Teria sido
Tão perfeito
Como só com você
Poderia ser.
Mas, tudo conspirou
Contra nós
E eu senti medo
De admitir,
De me entregar,
De querer,
De estar.
Eu não soube dizer,
Se pudesse
Ter falado,
É provável
Que eu teria calado,
Ilusão,
Ilusão quere-lo
Ao meu lado,
Aqui tudo é dor,
Não há sonhos,
É mórbido.
Eu queria poder
Te abraçar,
Ter te abraçado antes,
Te chamar
De amigo,
Mas, aqui é onde
Eu não queria estar,
Odeio as miragens,
Aqui as flores murcham
Antes de abrirem,
E eu sinto sua falta,
Espero que esteja bem
Se eu pudesse
Entregar meu último suspiro,
Eu daria a você,
Se o sopro da saúde
Se transmite,
Eu pediria a Deus
Que te levasse,
E peço agora,
Que chegue a você
Minha saudade,
Minha estima,
E a melhor saúde.

Amigo

A cada instante
O relógio ganha corda,
Passa as horas,
Me desperta,
Onde eu já não
Queria estar.
A cada explicação
Vem o cair das lágrimas,
Ok, cara,
Eu te amava,
Quis estar perto,
Mas, estar mais preparada.
Eu acredito em você Barka,
Eu mantenho o respeito
Por seus atos
Da mesma maneira
Que anteriormente,
Eu tenho medo
De estar dizendo isto
Agora
E que o agora seja tarde.
Eu espero
Que meu relógio de cordas
Tenha me despertado
A tempo.
Eu o amo,
Tenho tanto
Para te agradecer,
Mas, garoto:
Estou sofrendo,
As vozes gritam
Em minha cabeça
Chegam em você
E te devoram,
E eu sinto ódio,
E isto me coloca
A silenciar-me no que
Queria tanto dizer:
Você me ajudou
Muito em sua função,
E fez muito mais
Por mim sendo
Meu amigo.
Eu estou distante,
Mas, infeliz,
Aqui nada deu certo,
Aqui nada está bom,
Aqui o que comanda
É a inveja,
O ódio e o ciúme doentio.
As vozes falam disso,
E me vendo te gostar
O odeiam,
Mas, outrora não foi diverso,
Se estiver ao meu alcance,
Que a corda não se canse
E eu o protejo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Meu Esposo Me Bateu

Aline,
Depois de viver
Por 10 anos
Com o esposo,
Considera
Que teve uma
Vida difícil.
Ele a sufocou,
Retirou dinheiro,
Fez dívidas,
A usou.
Certa vez,
Com a moto
Andou em alta velocidade
Fazendo zigue e zague,
Sacudindo seu corpo
Como forma de quebrar
Seus ossos.
Thiago nunca
Desejou mais que
Seu corpo,
Mas não inteiro,
Queria um corpo
Para uso,
Nada de cuidados
Ou amor.
Aline sofreu,
Aline bateu,
Aline levou.
Neste sistema
De viver
Ela não interpretou
O amor,
Sente dificuldade
De relacionar-se.
Ela tem um medo
Doentio de violência,
Vê dor em tudo,
Sempre pensa
Que será assassinada
Ou cruelmente ferida,
Mas, ela pensa,
E sente certeza
De que o Major Cleber
Não iria bater nela.
Eles são amigos,
Ele foi bondoso
Ao ajudá-la na separação,
Thiago o jurou de morte,
Thiago sorriu para ela
Com dentes brancos
E jurou por sua dor.
Matar o major Cleber
Estava em um de seus planos,
O intuito único e fidedigno
Era causar dor e tormento em Aline.
Neste ínterim,
O major estava
Saindo do trabalho
E entrando em seu carro
Para ir para casa,
E teve o freio
Do carro sabotado.
Depois de acelerar
Foi impedido de frear
E a velocidade
Só aumentou
No decorrer do caminho,
Thiago estava lá,
Bem no lado dele
Rindo com seus dentes brancos.
O major Cleber
Salvou-se colidindo
Contra uma árvore.
O Thiago correu
Para alcança-lo
E então, certificar-se
De mata-lo,
Mas, no caminho,
Foi atropelado
Por Aline em seu carro
E morreu esmagado,
Com mil perfurações
E mil fraturas exposta.
O major salvou-se,
Não se feriu,
Só sentiu tontura,
Mas, mas nada de medo.
Aline não soube dizer
Mas se entendesse
De ser amada,
Permitir-se,
Teria amado o major
Com sentimentos de mulher,
Mas, por ora
Basta dizer
Que o ama como amiga,
Será que o como
Depois do amor importa?
Se extrair o como
Fazer sexo seria convidativo,
Diariamente, milhares
De mulheres por dia
Sofrem violência doméstica,
Poucas são capazes
De superar,
Muitas destas morrem.
Um major a serviço
Também sofre represálias,
Talvez, se falasse de amor,
O major a amaria,
Talvez, se a conhecesse bem,
A teria amado,
Eles saíram juntos
Caminhando do carro,
O major mancava,
Foram ao motel fazer sexo.
Aline abandonou o carro
Do lado da via pública,
Com o Thiago morto
Ao lado.
O motelzinho foi
Uma ótima escolha.

Depoimento de Uma Refém das Vozes

Se eu disser
Que algum dia
Defendi alguém,
Eu mentiria.
Nunca me assumi
No posto agressiva,
Mas, sou e muito,
Quando precisei
Defender alguém
Que já me ajudou
Eu senti medo,
Ciúmes e ódio
E mais que me omiti,
Espalhei boatos,
Cometi atos de maldade.
Eu penso
Que não sou boa
Em ajudar o major,
Na primeira fala
De mal contra ele,
Eu sou a primeira
A falar mais alto
E espalhar mais julgamentos,
Aliás, nunca entendi
Nosso distanciamento.
Eu tenho por companhia
Apenas as vozes,
E meu menino Bruce,
Não tenho nenhuma
Que me ajuda,
Elas vêem até eu
Para me deixar mal
Mentalmente,
Me fazer sofrer,
Eu vivi uma espécie
De prisão mental
Em que alimentam
Sentimentos ruins
Dentro de mim
O tempo todo
E eu já não sei
Mais como pedir ajuda.
Isto me leva a crer
Que não ajo errado,
Apenas não tenho
Oportunidade para
Agir certo,
Como o faria?
Com quem contar
Se não tenho
Um único amigo,
Minha família me
Virou a cara,
Eu briguei com o mundo,
Quis matar Romeu e Julieta,
Me feri com o major,
Aí eu olhei ele
No rosto e ao invés
De dizer algo bonito,
Eu disse:
“Atire”,
 Só não imaginei
Que estava sozinha
Na mira,
Porquê eu não presto,
Eu sou o ódio
Da humanidade
Enrustido numa voz
Solitária e maldita,
Eu senti medo dele,
Meu pai me bateu,
Minha mãe
Me mandou embora
De casa,
E ninguém paga
As minhas contas
De tanto rancor
Das minhas atitudes
Malignas,
Eu nasci mal,
E o destino só cooperou
Com a minha ruindade,
Eu sou Simpson
Rammstein rumo ao inferno.
Mas, por favor,
Não matem o major,
Eliminem meu esposo
Que não paga as minhas contas,
Perguntem para o major,
Caso o vejam,
Se ele quer transar,
E avisem que estou disponível.

Desassossego de Policial

Certo dia,
Tirei a farda
De combate,
Larguei o armamento,
Estava de folga.
Convidei minha esposa
Para irmos ao supermercado
Fazer compras,
Na chegada,
O ladrão que prendi
Na noite de trabalho anterior
Estava solto,
Portava uma arma,
Eu percebi pelo volume
Do calção
Que usava.
Ele me olhou e sorriu
Tinha amizade
Com os seguranças,
Mas, eu,
Agente da lei
Precisava reagir,
Lembrei que ele tinha
500 passagens por
Pegar objetos
Que não lhe pertenciam.
Eu busquei o gerente,
Tentei avisar
Sobre a arma,
Com um aviso
O gerente descobriu
Que ele tinha porte
Para usar armas,
Então, atitude do ladrão
Era amparada por lei.
Não me restou mais
Que me calar,
As 36 horas seguidas trabalhadas
Me cansaram,
E o ladrão estava
Respondendo processo,
Por isso,
Tudo ali era lícito.
No percorrer o supermercado
Ouvi risos por parte
Dos tantos processados
Que estavam fazendo compras,
Todos me reconheciam
Por nome
E faziam piadas
E ameaças.
Um frio me percorria
A espinha,
Eu pressentia um tiro
Na minha direção
Sem avisos
Ou motivos.
Minha esposa,
Moça simples,
Tinha porte de armas,
Mas preferia deixar em casa,
Não gostava de ser alvo
Para represálias,
Mesmo a impressão
De ofensa a qualquer pessoa
Para ela era motivo
De tristeza,
Éramos assim
Dentro de casa,
Simples e humildes,
Trabalhávamos pela lei.
No corredor,
Um grupinho de jovens
Se reuniu,
Entre as passagens
Pelos corredores
Eles usaram o carrinho
De compras para encostar
Na bunda dela,
Então disseram:
“Soldado de meia ruela”.
Eu dei um salto
Para trás,
Puxei minha esposa,
Ela sentiu medo
Eu tentei protege-la:
“Eu te amo “
Disse em seu ouvido.
Os garotos sorriram,
Pegaram objetos
Das prateleiras
E jogaram contra nós,
Tratava-se de jovens
Adolescentes,
Eu consegui protege-la,
Defendi cada objeto
Com a perna,
Revidei contra eles
E imobiliária usando
Minhas próprias mãos.
Assoviei por ajuda,
Os seguranças tardaram,
Chegaram de arma
Em punho,
Braços musculosos
A mostra
Como se estivessem
Vindo propriamente
Contra eu,
De imediato,
Não reconheci nenhum
Deles por nome
Ou passagem,
Mas, conversaram com os jovens
E encaminharam para longe
De mim
Como se eu fosse
Algo fétido e sujo:
“Vão embora garotos,
Polícia é polícia,
Não briguem,
Ninguém vai denunciar nada”.
O segurança disse isso,
E deu dois tapas
No meu ombro.
Eu precisava me calar,
Nada aconteceu,
A represália ou o ataque,
Nada poderia ser denunciado
Do contrário eu seria
Eticamente proibido
De entrar naquele supermercado
Para fazer as compras,
E ali era econômico para eu.
Tentamos encerrar
As compras mas Maikon
Lembrou de vir acertas
As contas comigo
Por eu tê-lo processado
Por brigar com sua esposa,
Mandou Martinha
Bater em minha esposa.
Quando percebi
Aquela mulher voou
No pescoço da minha esposa
Por trás dela,
Desferindo socos
Contra o corpo dela.
Rapidamente,
Fui obrigado a conte-la,
Foi difícil,
Eu retirei minha farda
Mas, não perdi o nome
Que carrego
Com honra pelo tanto que ajudo:
“Não bate na minha esposa”.
Minha esposa
Sofreu fratura no rosto,
Então, o marido
De Martinha empreitou
Contra eu.
Tive que pegar na mão
De Luana e correr
Para fora do supermercado
Feito foragidos da justiça,
Eu realmente recolho
Muitos criminosos
Na viatura
E levo para o presídio,
O juiz é que não coopera,
E se coopera os malandros
Marcam meu nome e face.
O ato de eu sair
Pela rua é sempre um risco,
Tenho muitos
Que não gostam
De mim
E desconheço o motivo,
Eu tento explicar:
“Só estou fazendo meu trabalho “
“Preciso prender”
“preciso levar”.
Eles não entendem,
Eles marcam a gente
E voltam buscar,
Gostam de eliminar provas,
Queimar testemunha,
Sou alvo do serviço
Que desempenho,
Vítima do meu trabalho,
Um encargo social
Para bandidos.
Me resta gastar
Boa parte do meu salário
Em aulas de defesa corporal,
E academia para manter
A saúde corporal,
Preciso de defender,
Se eu me calar,
Se eu fugir,
A lei estará omissa,
O prisão fecha,
E o bom cidadão
É eliminado.
Querem meu fim,
Desassossego do encargo.
Do lado de fora,
Quando me certifiquei
De ter colocado 
Todos os transeuntes 
Do supermercado em segurança 
Eu pedi ajuda 
Ligando no serviço emergencial,
"Serviço de emergência?"
Me atendeu a atendente.
Relatei o que houve.
Ela pediu calma,
Disse que estava
Designando viatura
Para atendimento.
Contudo, Maikon
Foi atrás de mim
Me encontrou próximo 
Do meu carro,
Juntou um carrinho
Pequeno de perto dele
E investiu com força 
Aquele objeto,
Fazendo quebrar o vidro
Da janela do meu carro 
Jogando estilhaços 
Por toda parte.
Então, chegando perto
Aquele sujeito voou
Contra meu rosto
Me desferindo golpes 
De toda sorte,
Eu me defendi,
Fui obrigado a investir
Contra ele,
Entramos em luta corporal,
Rolando naquele chão 
Aos socos 
Na cara,
No peito,
E gritos de urra!
Aquele homem grande 
Sentou em minha barriga 
E bateu com os dois braços
Em meu rosto,
Eu senti meus ossos
Se quebrarem,
Eu teria gritado de dor,
Mas fui mais forte.
Logo a viatura chegou,
Marcando pneus no chão,
Dois soldados correram
De dentro
E tentaram detê-lo.
Ele se desvencilhou
Tomou a arma do soldado,
Mirou na população 
Que se juntou
E atirou contra a parede,
Não fez vítimas,
Exceto eu
Que dei um salto 
Contra ele e tentei
Remover a arma,
Num impulso 
O indivíduo me feriu
De raspão na barriga.
Logo, porém, os 
Dois soldados
O alcançaram e conseguiram
Detê-lo o algemando 
Colocando ele de joelhos,
Com as mãos para trás.
Fomos do supermercado 
Para a delegacia,
Minha esposa tremia
De medo,
Não pudemos fazer
Nossas compras.

Emerson

Eu poderia ter
Me apaixonado por Emerson,
Cujo olhos azuis límpidos
Não combinam com céu escuro,
De sereno e pesadelos,
Suor e medos.
Eu poderia ser
De Emerson,
Se pessoas pertencessem
Umas as outras,
Se aqueles olhos seguros,
Baixassem o campo de visão
Para eu,
Sobremaneira.
Eu poderia estar
Com Emerson,
Caso ele pensasse
Que a garota do seu lado,
Não me produzisse medo
Espasmódico.
Mas, bem,
Me entenda
Emerson é aquele
Que não está
Seguro,
Ele perece,
Sofre,
Quer um mundo humano,
Eu pensei
Que me encaixava
No quesito humano,
Mas, poxa,
Estou tão distante
E a garota cavalo
Cavalga ali perto dele,
E droga,
Isto mexe comigo,
Eu deveria dizer:
Emerson não olha
Tanto para a frente
E veja a garota que eu sou,
Bem, eu não cavalgo,
Mas, gostaria de trepar
Em seus braços,
E beijar sua boca.
Você é tão lindo
Deste jeito,
Que eu não consigo
Evitar meus desejos,
E você é assim
Com está droga de garota?
Porquê eu gostaria
Que você me preferisse,
Tipo, caramba,
Quando você aperta
Suas mãos
Na cintura de alguém,
Pensaria em mim
Se eu lhe dissesse:
Emerson,
Você é lindo demais garoto forte.

Destino à ROCAM