sábado, 22 de agosto de 2026

Um Relacionamento Conflituoso

 -Eu amo você,

Vamos ficar juntos 

Para sempre!

Angelino disse

Entre sussurros e beijos

Sobre os lábios de Debora.

-Eu te amo para sempre.

Ela respondeu.

Dormiram juntos

no apartamento dela,

As sete em ponto Angelino

Se levantou fez o café

E chamou Debora,

As sete e meia eles saíram juntos

Para o trabalho,

No mesmo carro.


Debora não se importou

de ir com ele

E ao meio-dia voltar a pé

Para o apê afim de se alimentar,

No caminho eles conversaram

Muito mais e trocaram ideias,

Trabalhavam em bairros diferentes

E moravam longe um do outro.


Porém, em cada noite

Ela o chamaria e ele a levaria

Para casa,

Então, ficariam juntos

Até que num belo dia

Se casariam.

Ela optou por não apresentá-lo

Aos pais,

Ainda era cedo e ela queria conhecê-lo melhor.


Sua melhor parceira de festas,

A irmã mais velha Bianca

Postou uma fotografia dela

Velejando numa praia próxima

Com seringas ao seu lado,

Sim, Bianca recaiu para a droga,

E seu pai tendo acesso a esta fotografia

Infartou no mesmo instante.


Ele fazia tratamento

Para pressão alta

Há muitos anos,

Sofria com isso,

Sempre estava entre 18 e 19

Por 11, 12, 13, 14.


O tratamento exigia que ele

Não fizesse uso de bebida alcoólica,

Mas isso nunca o impediu de beber

As escondidas uma cervejinha gelada

De vez em quando,

Já Pamela, a esposa dele fumava

Sem parar recostada num canto qualquer

Da casa.


Já não se escondia,

Ou fingia,

Fumava cigarros abertamente,

Seus pais, velhos e cansados

Trabalharam com isso a vida toda.

Eles possuiam uma empresa

Que confeccionava cigarros

E charutos.

Todo ano eles possuem fumicultores

Que plantam tabaco para eles

e os entregam o produto seco,

Pronto para passar pelo processo

De esmagar as folhas do fumo,

Esfarelar e juntar num enrolado

De papel com o timbre da empresa.


O processo era simples e rentoso,

Milhões de famílias sobreviviam

Devido a terceirização do serviço

Do plantio, colheita, secagem,

Enfardamento e entrega.

Eles eram empresários respeitados

No país inteiro.


Mesmo com a recaída no que refere-se

A venda do produto e usuários,

Cada vez menos os jovens

Tem se entregado ao uso do tabaco,

Eles tem preferido o uso de drogas ilícitas

E bebidas alcoólicas que produzem

Um efeito mais duradouro e 

animados a eles.


Pamela não optou por trabalhar

Na empresa, mas sua filha

assumiu o negócio da mãe.

Já Bianca se entrosou ao vício,

E preferiu uma vida de viagens,

Animações e a maldita seringa de drogas

Injetada na veia

Até a produção de dormência,

Uma alegria falsa

E o perdimento dela em qualquer

Lugar que gera comoção

Na família até que alguém

A encontra caída num canto,

Com maquiagem desfeita,

Vestido rasgado,

Bolsa com conteúdo esparramado

E inconsciente.


Nestes instantes

Ela esquece tudo que aconteceu,

E até mesmo onde está

Ou porque foi até ali,

Ela possui muitos amigos,

Seu pai sempre precisa pagar alguém

Para cuidar dela,

Até que encontra este alguém

Também caído com ela

E decide trocar suas amizades.


Amar um filho é simples,

Mas, é preciso estar atento as suas amizades

E isso, as vezes, implica gastos,

Ele paga por muitas das companhias

De Bianca, até mesmo seus namoradinhos

E tenda direcionar as ações deles

Com ela para que ela se fortaleça,

E case-se, então, forme sua família.


Eles nunca optaram pelo internamento dela,

Bianca é jovem e descompromissada.

Seu pai decide presentes

Que ela ganhará e tenda direcionar

Os locais onde passará.

Mas, nem sempre é simples

E sua doença piorou tudo.


Levado numa maca para o internamento,

Desta vez, ele não salvou-se: morreu.

O enterro foi preocupante,


Bianca não atendeu o telefone,

E ninguém sabia seu paradeiro,

Sua mãe não parou de fumar

Sobre o caixão,

Debora convidou Angelino

Que não a deixou sozinha

Por um único instante, 

Apenas aí ele teve conhecimento

Do velho pai de Debora

E o perdeu sem poder lhe dar

Um abraço ou uma palavra amiga.


No entanto, levou flores

e abraçou a sogra o tempo inteiro,

O irmão de Debora não deixou

As amizades sempre conversando

Entre um e outro

E mantendo entre os dedos

Uma xícara de café fumegante.


Ele era um dos administradores

Da empresa do avô,

Agora o testamento seria aberto

E a herança seria dividida

Entre os três,

Pois sua mãe estava debilitada

Para administrar tudo sozinha.


Não tardou,

ele entrou na empresa

Num rompante de ódio,

Como seu pai possuía apenas

Alguns terrenos e prédios

Era apenas isso que estava testado,

Por tanto, ele não estava tão rico

Quando gostaria

E nem poderia viver a vida

Que optou para si próprio.


Arredio com relação a família,

Henrique só desejava dividir 

A empresa de cigarros,

Mas o avô negou-se ao ato,

e embora, contasse com seus oitenta

Anos de idade,

Era um velho diabético

E consideravelmente forte.


Impetuoso e arrogante

Ele fechou a porta da casa do avô

Com um tapa na cara dele:

-O que?

Eu sou o único homem da família,

Você tem que passar tudo para eu

Em doação e retirar Debora e Bianca

Do testamento com cláusula

De elas nunca tornarem-se 

Donas de nada.

Ele gritou para o velho.

-Filho, você é tão

Meu neto quanto elas.

O velho revidou sentado no sofá.

-Tão seu neto?

Debora é alienada na vida,

Não possui filhos para sustentar

Nem família,

E Bianca é uma drogada,

Para que elas precisam

De bens ou dinheiro?

Eu administro tudo e eu 

Darei a elas o que lhes cabe.

Ele gritou.

-É certo que isso 

Não ocorrerá...

O avô levantou-se dizendo

E o neto levantou rapidamente

Lhe estapeando e saindo

De dentro da casa.

-Maldito velho que não morre,

Maldita casa que eu odeio,

Eu vou falar com vovó,

Isso não ficará desta forma!


-Meu filho,

Achem Bianca

Pelo amor de Deus,

Seu pai recem morreu

E vocês nem sentiram a falta dela,

Onde ela estará?

O velho indagou levando

A mão ao peito e sofrendo

Para respirar.

-Amor, amor,

Fique calmo.

Disse a sua esposa 

Entrando na sala onde ele

Estava e o abraçando forte

Para mantê-lo no sofá.

-Não vá atrás de Henrique,

ele está irritado,

Você o conhece!


Henrique pegou o carro

E foi visitar uma de suas esposas,

Ele possuía três relacionamentos

Consecutivos e sete filhos.

Tinham um prédio inteiro

Da família em uso próprio.

Um prédio de seis andares,

Localizando no centro da cidade,

Com piscina, hidromassagem,

Garagem e salão de festas.


Bianca passou dois meses fora,

Debora se dilacerou de rua em rua

Da cidade a sua procura,

Pôs anúncio no jornal,

Pagou seguranças privados

Para irem atrás dela,

Procurou por delegacias,

Hospitais e locais públicos,

Buscou em cada prédio,

Pois na cidade todos eram amigos

De sua família e lhe permitiam

A entrada devido a situação conflitante.


Três meses depois ela ligou,

Disse que foi velejar fora da cidade,

Não trocou de roupa e pouco

Se alimentou e soube pela internet

Sobre o falecimento do pai

Não conseguiu se recuperar

e iria permanecer lá,

Onde estava,

Sem permitir visitas ou acesso

De parentes.


Henrique logo se aproveitou

Desta situação para expor ao avô

O comportamento desregrado da irmã

E insistir que a retirasse do testamento,

E citou o nome de Debora

Com ausente do serviço por meses.

-Todos os meses em que

Ela buscou pela irmã sem parar,

Henrique?

O avô indagou.

E colocou o neto e o advogado

Para fora de casa,

Depois serviu-se de wisky.


Irritado, o avô se esquecia 

Da pressão alta e do diabetes

E bebia sem parar.

Sorvendo o cheiro do cigarro

de sua esposa que lhe chegava

Ao nariz vindo do cômodo próximo.

-Henrique se esforça

Para ser o único administrador

Da empresa amor?

Ele disse sorrindo.

-Não sei porquê ele faz isso.

Me irrita.

Ela respondeu.


Debora separou-se de Angelino

Em todo este período de tempo

Recusando suas ligações

E se mantendo distante,

Não se sentia segura

Para namorar e ter alguém perto.


Entristecida foi buscar  apoio

No irmão,

Sem saber onde estaria,

Decidiu visitar uma de suas esposas,

Ao chegar lá, 

O pegou bebendo vodka 

com leite condensado e frutas.


-Olá, meu irmão,

Que saudade eu estava 

De você.

Ela entrou dizendo.

-Pois é querida,

Estou tão tesudo de ver você

Que tenho uma salsicha

Aqui para você degustar.

Ele respondeu

Naqueles seus ímpetos de humor.


Debora aproximou-se rápida

Do sofá onde ele estava

E ele abriu o zíper da calça

De supetão e expos seu pênis.

-Você não tem homem,

Se expresse neste membro duro

Para você querida!


Dizendo isso

ele a puxou para perto,

E ela gritou estarrecida,

Sofreu falta de ar 

e desmaiou.

Sua esposa aproximou-se dela,

Lhe trouxe água fria

Para molhar o rosto

E a ajudou a recuperar-se.


-Patricia, por que você

Permite ele tratar você desta forma?

Ela indagou caído no sofá

De frente a ele.

-Ele estava brincando 

Com você Debora,

Você já tem quase quarenta anos,

Não tem namorado,

Família ou filhos e vive enrabichada nele...


-Não diga isso, Patricia.

Eu respeito meu irmão,

Nós sempre vivemos uma união

De integridade na família,

Eu vou abraça-lo 

e então, irei para casa,

Eu sei que ele precisa de ajuda,

Ele está sofrendo.

Dedora disse,

Interrompendo Patricia,

Depois abraçou o irmão e saiu.


No caminho do retorno

Para casa decidiu passar na casa de Angelino,

E o encontrando pelo celular

Ficou por lá.

Assumiu o namoro

E optou por casar-se com ele

De imediato,

Mudando-se naquele instante

Para a casa dele.


Ao saber disso,

Sua irmã retornou da viagem,

Foi até o cemitério,

Levou flores para o pai,

E foi até a irmã

Chorar em seu abraço.


Unidas, Bianca se sentiu segura

Para confidenciar a irmã

Que sua vida estava fadada a morte rápida,

Ela adquiriu HIV ao ter relações

Com estranhos em lugares desconhecidos,

E não teve coragem de contar a ninguém.


Precisava fazer tratamento médico

Para sobreviver,

Mas evitou isso a todo custo.

-Eu a levo ao médico,

Vamos lutar por sua vida!

Debora disse.

-Não é tão simples,

é como se todos olhassem

Na cara da gente e reconhecessem,

Então, eles ficam com medo

E nos evitam.

Bianca respondeu.

-Não é bem assim,

Se muitos soubessem ajudariam,

Mas, não precisamos contar.

Debora respondeu

A abraçando forte.

-Eu não poderei ser mãe,

O vírus passa para o bebê,

Então, tenho evitado meu noivo

A todo custo,

Mas, não importa o que faço

Ele não me abandona.


Debora afagou os cabelos

De Bianca.

-E a doença lhe causa dor?

Indagou.

-Sim, meu corpo inteiro dói,

O próprio correr do sangue

Nas veias me mata de dor

Em cada segundo que eu existo,

Eu existo para sofrer.

Debora puxou Bianca 

Para seu peito.

-Não acredito nisso,

Meu Deus, 

Encontraremos a cura.


Debora decidiu ir passear

Na propriedade rural da família

E cultivar estufas de chás

Em busca de um remédio

E um conforto as dores da irmã.


Plantaram inúmeros tipos de chás,

Escreviam nas paredes

Os nomes e serventias,

E os tomavam o dia inteiro.

Dedicavam seu tempo a isso,

Limpeza da terra,

Plantio de sementes,

De mudas de chás,

E a dor de Bianca pareceu diminuir.


Ela, ao menos abandonou 

O uso de drogas,

E Angelino vinha sempre

Passear ali com elas,

Onde ficava por alguns dias,

Até que, com várias estufas prontas,

Debora dividiu seus dias

Entre ir trabalhar na cidade

E dormir ali em cada noite,

Diminuiu seus horarios

Dentro da empresa

Para ficar mais ao lado da irmã

Que trouxe também o noivo

Para morar junto.

Moram juntos os quatro

No chalé de madeira da família.

-Perto de você eu não sofro minha irmã.

Bianca confidenciou

A Debora enquanto mexia

Na terra com uma espátula de ferro.


Henrique sentiu-se orgulhoso

Por ter a administração da empresa

Quase totalmente para si próprio

E investiu na área de importação de tabaco,

A empresa passou ao status de internacional,

Tendo reconhecimento em grandes países,

O patrimônio aumentou consideravelmente.


Tendo conhecimento do trabalho

Das irmãs e como meio de incentivo

Ele confeccionou um novo tipo de cigarro

Que insere chás em sua fórmula,

Ou seja, junto as folhas de tabaco

Ele coloca os chás para dar sabor.

O novo tipo fez sucesso e sua mãe

E sua avó aprovaram completamente.

Também as esposas,

Que tornaram-se tabagistas.

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Te amo