domingo, 3 de agosto de 2025

Enchente Braba

O rio encheu
Tão de repente
Quanto iniciou
A chuva.
A água ficou marrom,
E o barulho
Se tornou ensurdecedor,
Otaviano acordou assustado,
Eram cinco horas da manhã,
Não havia previsão
No dia anterior para chuva,
Porém chovia.
Ele notou pelo barulho
No telhado,
Teve certeza,
No instante em que
Uma telha se rachou,
E começou a pingar
Sobre a cama.
A chuva estava tão densa,
Que o foro não suportou
Segurar a chuva
Para impedi-la de cair,
Ela escolheu cair sobre seu pé.
- acorde, Judite.
Está chovendo sobre a cama,
Acho que molhou os cobertores,
E talvez, já tenha chegado
Ao colchão.
A esposa dele acordou
No mesmo instante,
Assustada e sonolenta.
- não permita que molhe tudo,
Temos poucas roupa
De inverno.
Ela respondeu,
Saindo da cama rapidamente,
E pegando ao lado da cama
Para puxa-la
Para o seu lado
E tentar evitar que a goteira
Molhasse completamente.
- puxe a cama
Até que a goteira suma.
Ela disse.
- você não acha melhor
Trocar a telha
E cobrir o furo?
Respondeu Otaviano.
Auxiliando Judite
A empurrar a cama
Para a direita.
- como você trocará a telha
Embaixo da chuva?
Pode cair um raio,
Ou então, você pode resvalar
E cair de lá.
Judite respondeu preocupada.
- tem razão amor.
Se retirar a cama debaixo
Da goteira ajuda,
Já fizemos o bastante.
Ele encerrou.
Encostando a cama
Para o lado
E ajudando Judite a sair de lá.
Judite aceitou a mão
Que ele lhe estendeu,
Depois aceitou encarecida
O abraço que ganhou,
Se demorando recostada
No peito do esposo.
Otaviano saiu para a sala,
E foi até a janela da cozinha,
De onde constatou
Que o rio estava cheio,
Uma enchente sem tamanho
Chegou e seu caico
Poderia ter se perdido,
Ou arrebentado a corda
Que o mantinha preso
A margem.
- querida, o rio encheu
E nosso caico se perdeu.
Ele disse,
Se virando assustado
Para o lado da esposa
Que entrava da sala
Para a cozinha
E abria bem a cortina.
- talvez a árvore esteja
Já dentro do rio,
Mas não tenha se quebrado,
Então, ela o segurou...
- tem razão.
Ele respondeu,
E correu trôpego
Para abraça-la,
A esposa sempre lhe traziam conforto.
- eu preciso nadar até o caico,
Desamarar a corda
E puxa-lo para a margem
É de lá que tiramos nosso pescado,
Sem o peixe que nos sustenta
Morremos de fome.
- mas amor,
O rio pode estar cheio demais,
Vamos escolher deixar o caico...
-querida, não podemos.
O caico é difícil de fazer,
Caro pra comprar...
- amor, você não está
Pensando direito,
Você não pode arriscar sua vida
Desta maneira.
- querida, entenda:
Eu nado bem!
Otaviano respondeu,
Dando a conversa por encerrada.
Abraçou a esposa com carinho,
Pegou o guarda-chuva
Que estava pendurado
Num prego atrás da porta
E saiu para fora.
Judite ficou boquiaberta,
Sem entender o motivo
Seus olhos lacrimejaram.
Chovia muito.
Estava escuro.
O céu não dava trégua
E o rio não perdoava.
Buscou sua sombrinha
Atrás da porta
E correu atrás do esposo.
Não o deixaria sozinho.
Na saída da porta
Uma lufada de vento
Quebrou a sombrinha
Para trás,
Agora nada adiantaria.
Ela jogou a sombrinha
Sobre a área
E saiu embaixo da chuva,
Preocupada com o esposo.
Ao chegar próxima
Ao porto,
Resvalou na terra,
E foi parar dentro da água,
A água estava rápida,
Porém ela se firmou
Sobre uma galho
E se puxou para cima.
Em terra dura,
Ela se agarrou
Num galho ao lado
E buscou o esposo,
Ele estava nadando.
Realmente, a árvore
Que segurava o caico
Estava no meio da água
E o caico foi puxado para baixo
E batia contra as pedras
E árvores.
- a corda não irá mantê-lo?
Ela teve tempo de gritar
Ao esposo,
Ele estava chegando lá,
Em meio a braçada na água
Ele olhou para ela.
Um olhar assustado.
Um olhar apaixonado,
Talvez, um último olhar.
Chegando lá,
Ele foi obrigado a cortar
A corda
Para poder puxar o caico
Para seu lado.
Isto demorou um pouco,
Então, ele cortou,
Puxou o caico,
E subiu nele buscando o remo
Que continuava dentro dele,
Que embora cheio de água
Não se perdeu por estar amarrado.
Com o remo ele retirou a água
De dentro
E então o empurrou
Para o lado da margem,
Pulando dentro dele
Rápido.
Quando ele estava
Próximo a chegar,
Na metade do caminho,
O caico bateu contra
Uma pedra debaixo
Da água
E Otaviano caiu contra a borda
E quebrou a perna,
Estabilizado,
Não foi capaz de impedir
Que o caico se perdesse
Para baixo
Levando ele em cima.
Judite correu pela margem,
Juntou um cipo mil homens,
O cortou da árvore
Em que ele subia
E laçou o caico,
Então, a árvore o manteve.
Impedido de seguir o caico
Chegou a margem,
E ficou lá.
Judite correu,
Subiu nele,
Pegou sua corda e
O amarrou numa árvore.
Agora ele estava seguro
Pelo cipo
E também pela corda amarrada.
Depois disso,
Ela ajudou Otaviano
A voltar para a casa,
Seguros.
Também seu ganha pão
Foi salvo,
Agora restava apenas
Trocar a telha
E esperar a chuva acalmar.
Logo, o dia foi amanhecendo,
A chuva continuou,
O rio aumentou ainda mais,
 Porém, não foi capaz
De levar o caico
Ou causar danos.

sábado, 2 de agosto de 2025

A Rachadura Lá de Casa

Com pouco dinheiro
E muito a fazer,
Eu dei meu primeiro passo
Para dentro da casa,
No mesmo instante
Um barulho de algo
Se partindo
Cruzou por meus ouvidos.
Fiquei mais atento,
Para entender o que ocorria,
Percebi que embaixo
Do meu pé
Originou-se uma rachadura,
E está andou para frente
Em velocidade desmedida
Ganhando quase todo
O chão que viria.
Eu levantei o rosto
Para o alto,
Sem temer,
Dei o segundo passo,
Nada mais ouve,
Então, decidi cruzar a sala.
Me deslocando para
O meio dela,
A rachadura continuou
Comigo,
Se refez a partir do chão
E correu pela parede,
Subindo até o foro da casa.
De súbito parei,
Medi a pressão
Do meu próximo passo,
Dei uma olhada para trás,
Tentando analisar
Se retornava a partir do zero
E buscava outra casa,
Ou se optava por economizar
Meu dinheiro.
Apertei minha carteira,
E lembrei que dispunha
De pouco, muito pouco.
Eu precisava,
Mais que nunca,
Contar com a sorte,
Então, segui.
Cheguei a cozinha,
E lá do teto
Caiu outra rachadura,
Foi como se ela estivesse
Medindo esforços comigo
Numa tentativa inútil
De me aterrorizar
Ao buscar estar sempre
A minha frente.
Bem, eu realmente,
Não iria até a janela
Que ficava ao final
Da cozinha,
Não neste instante,
Assim, deixei a rachadura
Como estava,
Parei de pensar nela
E me dirigi para o quarto.
Lá me deitei,
Me refiz do cansaço
Do dia.
Ao acordar
As rachaduras
Não ganharam tanto espaço
No meu pensamento.

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Vizinha

Já estou quase
Sentindo o amor
Do vizinho
Pela esposa dele.
É o segundo mês
Depois que eu descobri
Seu horário de tomar banho
E trocar de roupa
Que eu me posiciono
Estrategicamente da minha sala,
Com minha cortina
Semicerrada para vê-la.
Já decorei suas curvas,
Admiro seu perfume,
E tenho preferência
Por seu hidratante.
Agora, encontrei minha coragem,
E escrevi o horário
Em meu vidro
Molhado de suor
E sereno
Em que irei vê-la.
Convenhamos que a sua
Veneziana de madeira
Não me convence
Sobre ela desejar me afastar.
Há dois meses
Que tenho por hábito
Cuida-la,
E me deliciar com a visão
Dela nua,
A desfilar feito uma deusa
Por seu quarto,
Fazendo poses
E apelos,
Que já não acho possível
Que ela me ignore,
Ou não tenha notado
Minha presença.
Estou doente por ela,
Já estou quase
Pedindo a ela
Que se divorcie.
Bem, se aproxima
Do horário expresso no vidro,
Desta distância,
Não há como ela
Não ter enxergado.
Vou-me embora,
Rumo a sua janela.
Chegando ao pátio
Do vizinho,
Não encontrei até agora
Problema nenhum com seu
Portão sujo,
Contudo, minha roupa
Já não está como outrora.
Bem, vejo daqui debaixo
Que a veneziana está fechada,
Está certo,
Porém, a luz do quarto está acesa,
De tempos em tempos,
Ela aparece nua
Na janela,
Este deve ser meu aceite,
De fato.
Me agarro numa árvore,
Subo pelo tronco,
Chego às venezianas
E pulo em direção a ela.
A moça me vê,
Eu aceno,
Me seguro no espaldar
Da janela,
Ela abre a boca,
Faz cara de susto,
Eu sorrio sem jeito.
Indico as venezianas
Semiabertas,
Ela confirma com a cabeça,
Então, é isto,
O convite foi aceito,
Com está informação
Subentendida
Eu movo meus dedos
Para a veneziana
Que se parte ao meio.
Eu perco minhas forças,
E odeio a maneira
Como um tombo
Termina odioso
Quando ao final dele
Você se vê de costas,
Caído no chão,
Olhando para o céu tão distante,
E sua boca exclama
Um grito de dor involuntário.
Contra o involuntário
Não há como lutar,
Ferido,
Enganado,
E abandonado.
Com o custo da minha
Autoestima eu levanto,
Chacoalho a sujeira
Da minha roupa
E vou embora
Depois de um último tchau.

Saudade

A saudade gosta
De ficar comigo,
Você chega,
Ela passa,
Você vai embora,
Ela decide chegar.
Sempre que você não está,
Ela insiste,
Parece gostar
De estar aqui
O tanto que você
Não quer ficar.
É certo,
Você tem outras coisas
Para fazer,
Enquanto a saudade
Só sabe ficar,
Mas sabe?
Mesmo quando você está,
Só agora
Penso em confessar,
Quando ela passa,
Eu a vejo
E penso nela,
Poxa há tanta coisa
Em que pensar,
Que já estou acostumada,
Já me imagino
Te vendo distante,
Enquanto, ela
Sempre fica mais atraente,
Mas, neste pouco instante,
Em que ela me deixa,
E eu posso ser só sua,
Vamos brindar,
Beber whisky com coca cola,
Ver se posso entorpecer
Os sentidos,
Mudar o rumo da conversa,
Afastar os pensamentos,
Eu já não quero
Pensar em nada,
Quero aproveitar você,
Te abraçar
E esquecer todo o resto.

Um Grandalhão

Fui passar e esbarrei
Em alguém,
De início foi difícil
Perceber
Quem seria,
Era noite,
E o ambiente estava
Mal iluminado.
Contudo, aquele ombro
Bateu feito ferro
Contra o meu,
Eu tentei passar
Por ele, na verdade,
Porém, fui jogada
De volta tão rápido
Quanto seu ombro
Me tocou e me jogou
Para trás.
Me alicercei com um pé,
Segurei firme meu corpo,
E busquei aqueles olhos,
Quem seria?
Como poderia ser tão forte,
Eu esfreguei o ombro,
Tentei olhar séria,
Fazer de tudo
Para evitar o sorriso,
Estava ferida
E ele parecia uma muralha,
Uma espécie de muro
De pedra,
Contudo, seu olhar
Foi pior que isso.
Ele parecia estar preparado
Para ser minha linha
De limite,
Me olhou gélido,
Quase ameaçador,
Seu rosto era quase
Sem expressão,
Parecia feito de pedra,
Daquela pedra só havia
Uma espécie de fenda,
De onde brilhava seu olhar,
Aquela fenda a me ver
Levou embora toda
A minha coragem.
Gelada de medo,
Desisti de reclamar,
Quis passar correndo,
Fugir apressada,
No entanto, aquele gelo
Parecia exigir mais que isso,
Talvez, cautela,
Precaução em minhas
Atitudes.
Uma onda gelada
De medo me ganhou,
Eu estagnei,
Permitir que a multidão
Nos separasse,
O olhar era duro demais,
Foi como se uma luz
De alerta
Brilhasse por dentro
De mim e me dissesse:
Cuidado, este não é
Como aqueles
Com quem você brinca,
Esnoba e chama
Quando deseja.

Garota da Mente Fraca

As vezes,
Me chamam de despreparada,
Inocente para as coisas,
Porém, eu não tenho mente
De maldade,
Não deturpo
Tudo que vejo,
Não olho as coisas
Com maldade.
Desculpa, se não vi
Todas as vezes
Que você tentou
Me ferir,
Eu estava ocupada
Demais vivendo,
Imaginando um sonho,
Tentando.
Não tenho culpa
Se quando sonhei
Você estava lá
Para estragar tudo,
Como ele não te influenciava,
Nada tinha a ver
Com sua vida,
Não imaginei que virei
Sua inimiga de carteirinha,
Porquê, querida,
Você nunca me disse nada,
E convenhamos
Eu não tenho mente fraca,
Você pensa que eu saio
Cuidando todos
Que andam na rua,
Cismo com todo rosto estranho
E o imagino me fazendo mal,
Sabendo que nada fiz
Para merecer isso,
Negativo, querida,
Você está totalmente
Por fora
De como vivo
E de como você agia.
Você me fez mal, sim.
Ok. Está certo,
Porém, nunca esteve
Tão perto,
E fez tudo que pôde
Para não me dar chances
De defesa,
Porquê, querida,
Você realmente nunca desejou
Que eu me defendesse,
Ok.
Você foi falsa,
Uma medíocre traiçoeira,
Mas, veja,
Eu nunca fui como você é,
Tanto que nas suas baladinhas,
E círculos que você frequenta,
Querida,
Eu nunca estive lá,
Nossa mente
É diferente
Não tente fugir disso,
Sua mente é fraca,
Me escolheu para inimiga,
Nem me deu escolhas,
Cai fora e amadurece
Garota mal amada.

Sozinhos Nunca

Rememoro o passado,
Vejo mais erros
Que acertos
Entre nós,
Mas, isto nos manteve juntos,
Você optou por ficar,
Eu escolhi te amar,
Agora o rumo é esquecer
O que houve,
Buscar ficar juntos,
Fortalecer o que há.
Antes haviam tantos planos,
Agora, em questão de horas
Nós colocamos tudo
Em prática,
Isso se deve
Por estarmos juntos,
Quando foi cada um por si,
Nada saiu do papel,
Nenhum sonho foi real,
Nem ao menos quisemos
Ir tão longe.
Estamos juntos
E mais fortes,
Eu vejo em seus olhos
Nosso futuro mais perfeito,
Eu vejo em nós
O que há de mais perfeito,
Eu o amo,
Eu adoro o seu jeito.
Eu errei,
Isto se deveu a tudo
Que passei
Sem ter você ao meu lado,
Foi difícil,
Foi horrível,
Prefiro não falar sobre isso,
Gosto mais de pegar
Sua mão,
Sentir a segurança
De nós dois,
A confiança
Que há em nós,
E saber que jamais
Se repetirão os erros,
Nem estaremos sozinhos,
Nunca.
Nunca estaremos sozinhos.

Um Princípe