quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Ranaj É Atrasada

A verdade sobre Ranaj
Nunca foi mais nítida:
“Ranaj nunca beijou”.
Alguém escreveu sobre
Sua carteira da sala escolar.
Ranaj chegou,
Pendurou sua mochila
Na cadeira,
Segurou-a com a mão,
E sentou-se,
Baixou a cabeça e leu a frase.
Com os olhos marejados
De lágrimas ela levantou
O rosto para o teto,
Então, encontrou o quadro negro
Com uma frase escrita a giz amarelo:
“Ranaj nunca fez sexo.”
Seu peito arfou,
Ela não conseguiu impedir
O choro,
Levantou da cadeira e correu
Até o banheiro soluçando.
Sim. Ela era a virgem,
Ela era atrasada neste quesito
Com relação as garotas da escola.
Pensando assim,
Ela lavou o rosto na pia,
Olhando seu rosto vermelho
No espelho se acalmou
Com a ideia de que
Com certeza
Ela não seria a única.
Isto de escreverem
Seu nome e as frases
Só poderia provir de algum idiota.
Contudo, ao percorrer
O espelho do banheiro
Até o final encontrou
Uma frase escrita a batom vermelho.
“Ranaj não usa batom vermelho,
Ela tem medo de ser puta.”
Ela levantou os dedos
De dentro da pia,
Se agarrou com a mão esquerda,
E se viu trêmulas
Com suas unhas rosa fraco.
Tremeu de corpo inteiro
De medo desta obsessão,
Depois soltou os cabelos,
Molhou o rosto,
A nuca e o pescoço
E percorreu os dedos molhados
Pelos cabelos
Depois os amarrou para o alto.
Ela notou que tinha poucos amigos,
Sabia que suas amigas tinham
Namoradinhos e alguns outros
Garotos que gostavam dela,
Ela não tinha ninguém
Que a gostasse.
Mas, não parecia que aos
11 anos isto lhe era adequado
Ou preocupante,
Porém, acima da mesa do lanche,
No quadro negro
Do lado da cantina escolar
Havia uma serie de
“Eduardo e Ricarda se
Amam para sempre “.
“Renata e Iselto se
Amam para sempre “,
“Josiane e Fabiano
Se amam para sempre...”
“Ninguém ama Ranaj
Para sempre.”
Ela tomou um choque
Devido ao susto,
Sentou-se na escada
Que ligava o piso
Ao sobre piso da escola
E ficou ali olhando
O quadro.
Quando percebeu
A sineta do início das aulas
Havia tocado,
Todos estavam em suas salas,.
E ela estava ali
Do lado de fora.
Na segunda aula,
A diretora saiu
Da sala de direção
E a inquiriu sobre sua motivação
Para faltar a aula.
Ela entendeu que nenhuma
Motivação era compatível,
A levou até sua sala,
Lhe serviu um chá
De camomila com erva doce,
E a fez assinar o caderno negro.
- Sim, Ranaj,
Está é uma advertência verbal
Sobre você ter fugido da aula,
Na próxima vez,
Será mandada para casa
De castigo pelo excesso.
Ela ergueu os olhos
Para a diretora,
Sentada na cadeira a sua frente
Pegou o lápis de escrever
E assinou seu nome:
- me perdoe diretora.
Não quis agir mal.
Ela disse.
- mas agiu,
Está perdendo conteúdo.
Muitas pessoas não querem
Agir mal e agem,
Isto deve ser evitado,
É sempre bom não querer
E unir isto ao não fazer.
Ela olhou para a sua prima,
Ficou calada,
E encerrou o seu nome
Naquela linha
Do caderno de alunos maus.
Depois disso,
A diretora a acompanhou
Até a sala de aula,
Já estavam na terceira aula.
Com três batidas na porta
A diretora pôs seu rosto
Para dentro
E a apresentou como faltante,
Aluna que chegou em atraso.
Ranaj sentiu-se em morte,
A diretora fez exatamente
Como fazia com alunos brigões,
Ladrões ou usuários de droga,
Agora seu nome foi espalhado
Para cada aluno
Como alguna má,
Logo outros alunos
Que seriam obrigados
A assinar aquele livro
Leriam seu nome
E a considerariam como os demais,
Os alunos maus,
Evitados e mau exemplos.
Ela pediu licença
Para entrar,
Baixou a cabeça e foi
Até sua carteira
Que era a segunda
Da primeira fila
Em frente a porta.
No intervalo notou
Os alunos saindo com
As mochilas nas costas,
Pediu a eles aonde iriam,
Se acabou a aula,
E eles falavam em uníssono
Coisas que ela não entendeu,
“Vamos para o ginásio,
Agora tem que ir para o ginásio,
Tem aula no ginásio.”
Sem compreender
Ela leu no quadro negro
Que haveria teatro escolar
E era para todos se reunirem
No ginásio para assistir.
O tema era sexo.
Ela sentiu-se pesada
Sobre a cadeira,
Juntou as mais na cabeça,
Olhou para a carteira e chorou
Outra vez,
“Meu Deus,
Se tocarem no meu nome
Outra vez eu morro”.
Desta vez,
Ela não lanchou,
Ficou 15 minutos ali
E lhe pareceram horas,
Ouviu o barulho
De todos partindo para o ginásio
E ainda não teve forças
Para se levantar.
Trinta minutos depois
Ela conseguiu se erguer,
Fechou o caderno
Com o lápis entre as páginas,
Guardou na mochila
E levantou-se.
Chegando ao ginásio
Não foi capaz de sentar-se,
Se posicionou em pé,
Encostada ao lado
Das arquibancadas
Na entrada.
O teatro já havia iniciado,
Era composto por cinco homens
E três mulheres,
Retratava uma moça
Que entrou num baile
Usando identidade falsa,
Ela beijou três garotos,
Fez sexo com dois,
Três meses após
Se notou grávida,
Não soube identificar o pai,
Ela era menor de idade,
E teria que explicar ao pai
Como engravidou
Se havia saído de casa
Para dormir na casa
De uma colega para reforço escolar.
Agora ela era uma menor grávida
E isto era de responsabilidade dos pais
Que responderiam legalmente.
Por ela ter doze anos
A justiça considerava estupro,
Seus pais negligenciaram
Sua educação.
Houve no teatro
Aquele que ofertou a identidade falsa,
O que não a reconheceu
Como criança e permitiu
Sua entrada no baile,
Aqueles com quem dançou,
Os que beijou
E aqueles com quem transou.
Ela fez uso de bebida
No local
Por isso não sabia identificar
Com quem transou,
Nem lembrava muitos detalhes,
Tinha sido dentro do carro,
Com dois rapazes lá de dentro.
Os pais ficaram furiosos,
A menina aos doze anos grávida?
Os rapazes, homens velhos,
Não assumiram o ato
De sexo com uma garota?
Eles pensaram e marcar
Uma reunião pública
E passar de rosto a rosto
Até encontrar os malditos safados.
O teatro encerra-se
Com a menina com a barriga
Enorme,
Os pais abraçados
E ela chorando ao lado deles.
Ranaj sentiu-se
Mais triste,
Principalmente, quando
Ao final do teatro
Alguns alunos levantaram
Uma faixa com a escrita
“Ranaj nunca irá engravidar,
Ou beijar, ninguém a ama”.
Ela segurou-se na grade
Do lado das arquibancadas,
Chorou outra vez,
Correu para fora
Com a mochila nas costas
E ficou na saída parada.
Ao passar os integrantes
Do teatro,
Ela aproximou-se de um rapaz,
Moreno, de camiseta,
Olhos castanhos, cabelo preto,
De estatura baixa
E fez o pedido comum
Entre seus amigos
Do qual ela fugiu
Até aquela data,
Maldito 05 de setembro
De 2025,
16:30 horas da tarde de quarta-feira,
-“Oi, quer ficar comigo?”
O rapaz se espantou.
Deu um passo para trás,
Olhou para o rosto dela,
Ele deveria ter uns 30 anos,
Mandou a cabeça
Em sinal positivo
E se aproximou dela,
Pegou em seu pescoço,
Levou seus lábios até os dela
E a beijou.
Todos olharam para os dois,
Uns aplaudiram,
Outros vaiaram,
Uns garotos correram
Até o ônibus escolar
E escreveram na lataria
“Ranaj beijou um otário,
Agora vai engravidar”
Escreveram de canetão escolar,
E puseram data.
O rapaz foi exigente
No beijo que deu,
Logo Ranaj sentiu-se inibida
E se afastou,
Limpando a boca
Com a traseira da mão,
E chorando.
Em pé no início da escada,
Pôde ler o que estava escrito
No ônibus escolar a sua frente,
Escondeu as mãos
No bolso da calça jeans
E chorou sem se conter.
O rapaz sorriu para
Os integrantes do teatro,
Entraram todos numa vam
E partiram.
Ela, também, não soube
Seu nome,
Paradeiro ou sentimentos,
Porque até ali
Ela pensou que para beijar
Precisava haver paixão,
Depois daquele instante,
Amaldiçoou aquele lugar,
E não soube mais
Em que acreditar.

Cadê Meu Filho?

Senhor Artêmir
Se encontra de humor instável
Caminhando sem parar
Dentro dos cômodos de sua casa,
Ele abriu e fechou a porta
Do quarto de Gilvan
Provavelmente umas dez vezes
Nos últimos dois minutos.
Contudo, três minutos após,
Ele passou a chamar o nome
Do filho por entre os corredores,
“Gilvan, filho.
Levanta tomar o café.”
Sem obter resposta,
Ele foi até a porta de saída,
Olhou por todo o quintal,
Enfrentou a chuva fina
Da manhã gelada
E foi até a calçada,
Depois disso,
Retornou para dentro
De sua residência,
Foi ao quarto do garoto
E insistiu em chamá-lo:
“Gilvan, seu café vai esfriar.”
Não obteve resposta,
O filho não estava,
Saiu e já fazia 24 horas,
Não deu notícias,
Seu pai se preocupava,
O coração ansiava
E palpitava sem parar.
Depois de 24 horas
Que um pai sente falta
Do filho
Ele passa a falar sozinho
E ignorar distâncias
E acredita fielmente
Que esteja aonde estiver
O filho possa ouvi-lo
E de alguma forma
Que somente os pais entendem
Ele possa responder.
Passou o menino do jornal,
“Jornal chegou”.
O menino gritou da bicicleta,
Jogou o jornal na escada,
E continuou como se não chovesse.
O senhor Artêmir
Correu até a janela,
Abriu a trança de maneira rápida
E conseguiu por o rosto
Para fora a tempo
De ver o jornaleiro partir,
Seu coração palpitou profundo
E lhe respondeu:
“não, este menino
Não viu Gilvan.”
A chuva fria veio contra
Seu rosto e o afogou
Por uma fração de tempo,
Senhor Artêmir fechou a janela
E tossiu,
Depois fechou o casaco
Usando as duas mãos
Em forma de xis.
Depois de algum tempo
Desceu os dedos até os botões
E fechou o casaco de inverno.
Então, ele andou até a porta,
Juntou o jornal,
Fechou a porta,
Retirou o jornal da embalagem,
Sentiu em sua cadeira de descanso
E leu a notícia de primeira página:
Notícia da cidade de Pinhalzinho, 04 de setembro
De 2025
Granizo intenso
Identificava a escrita
Que informavam sobre
Uma chuva de pedra
Que caiu sobre a cidade
Destelhando casas,
Derrubando galpões,
Com o auxílio de ventos fortes,
Derrubou árvores,
Deixou desabrigadas algumas famílias,
E levou os motoristas
Que trafegam a sofrerem acidentes,
Não informou sobre vítimas
De morte,
Nem assegurou que não existissem,
Apenas descreveu que ocorreram
Na tarde passada,
Muitas famílias estavam
Buscando autoridades locais
Para conseguir abrigo
Da tempestade intensa,
Ninguém foi entrevistado
Para comentar os fatos,
Contudo, fotos foram postadas
Ao lado da manchete.
A notícia se encerra informando
O risco de inundação,
E pede aos munícipes
E vizinhos próximos
Que optem por ficarem
Abrigados em suas moradias.
O senhor Artêmir fechou
O jornal contra seu peito,
Tombou a cabeça para trás
No encosto da poltrona
E abriu a boca inseguro.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Liberdade Para Viver

Não são poucas coisas
Que fazem minha vida
Se assemelhar a uma novela,
Com roteiro escrito
Por mais estranhas a eu,
E o pior nisso tudo
É que mesmo meus familiares
E amigos compõe um papel
Descrito para representar
Dentro dos meus dias,
Sem que haja aquele algo
De novo,
Aquele fator que modifica,
Que dá o ápice,
O impulso para acreditar
Que pode ser diferente
De tudo que foi previsto,
Ou ainda melhor
Que eu posso construir
Meus dias conforme
Minha própria vontade,
Sem que isso prejudique alguém,
Ofenda seus interesses
Ou crenças.
É muito complicado
Você estar próximo
A pessoas que você goste
E ter que sorrir da piada
Porque era a hora de sorrir,
Chamar a pessoa para perto
E lhe oferecer um abraço
Porque aquele instante
Iria requerer está atitude,
Não,
Eu não gosto disso,
Eu anseio por amigos
Que aceitem meu mal humor
E não apenas isso,
Mas que queiram horas
Que sejam construídas por
Nós próprios.
Eu me canso
De ter como única surpresa,
A minha bailarina
Da caixinha de música
Que eventualmente eu esbarro
Sem querer quando vou
Até a penteadeira
Para pentear os cabelos
E ela abre a tampa
Então começa a rodopiar
E tocar uma musiquinha
Da minha infância.
Se o café da manhã esfriou,
Já não quero jogar fora,
Se o almoço atrasou
Não esperou me preocupar,
Se o bolo caiu no assoalho
Já nem sei se jogou tudo fora,
Se a água do banheiro
Está quente demais,
Não me desespero
Para trocar o treco do chuveiro,
Diminuo o calor
Para até o quanto
Eu considere necessário,
Já é um início,
Me canso do roteiro
De fazer sempre conforme
Outros fariam,
Isto é ser independente,
Respirar a liberdade,
Agir com amplitude.

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

No Amanhã

Você ainda
Me amara amanhã?
Quando minha fala
Cansar-se de falar
E passarmos a nos
Conhecer pelo olhar?
Você ainda
me amará amanhã?
Quando eu acordar
Mais tarde,
Deixar o almoço
Para depois
E abandonar a louça
Por lavar?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando eu jogar o cobertor
Com os pés,
Sentir frio no meio da noite,
E te cobrar que eu esteja coberta?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando a roupa
Acumular suja,
O chão esteja
Por varrer e os móveis
Para remover o pó?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando a caixa de lenha
Estiver pesada,
E eu resvale no azulejo
Ao buscá-la
Para levar para dentro de casa?
Você ainda
Me amara amanhã?
Quando o fogo apagar-se,
E o fogão estiver sujo?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando eu for para o banheiro
Esquecer a toalha
E voltar para dentro de casa
Escorrendo água
Por toda a sala?
Você ainda
Me amará amanhã?
Quando a toalha
Estiver molhada
E eu a jogar para o lado,
Toda recolhida
Sem por ela para secar
Ou levar até a lavadora?
Você ainda
Me amará amanhã,
Quando eu te xingar demais,
Falar o que você
Não merece ouvir,
Me sentir alterada,
Gritar frases difíceis?
Me amará?
Eu gostaria que me amasse
Mesmo assim,
E pelo resto
Dos nossos dias.

Segredo Duplo 2

-Ora, Lynne,
Eu tenho 65 anos de idade,
Sou avô de minha primeira esposa,
Mesmo com Adriane
Tendo perdido nosso filho
Eu continuarei casado.
Dalvan respondeu sereno,
Enquanto tocava o maxilar
De Lynne e retirava o cabelo
Que lhe caia no rosto
E passava por detrás do ombro.
-eu não pensei que
Por eu ser mãe de um filho seu
Isto o faria separar-se.
Ela respondeu rápida.
-imagino que sim,
E espero que me entenda,
No teor dos seus dezenove anos
Um filho nascido desta maneira
Talvez a torne mais madura.
Ele continuou,
Trouxe sua mão de seu ombro
E tocou seus pescoço,
Acariciando com carinho.
-sim, nosso menino
Tem um ano de idade,
Está difícil mantê-lo sozinha.
Lynne respondeu exaltiva.
- está certo,
Eu não contava com isto,
Realmente, quando tudo teve um fim,
Eu não busquei notícias
E você se adequar a vaga
De trabalho que eu tinha disponível
Nos foi útil.
Ele continuou,
Andou três passos
E de costas para ela disse:
- nossa relação pode perdurar
No tempo ou acabar
Muito rápido,
São coisas comum.
Depois disso Amadeus
Foi até a janela,
Abriu as cortinas
E ficou olhando os carros
Passarem na rua.
- eu irei assumir a paternidade,
Adriane é muito especial,
Ela será ótima mãe,
Nós podemos trazer o menino
Morar conosco.
Depois disso,
Amadeus virou-se
E encarou-a de frente.
- seria ótimo trazer
O menino para morar com nós,
Isto lhe facilitaria
No que se refere a sua liberdade
Para fazer as coisas de que
Você gosta conforme lhe for
Do interesse.
Ele continuou.
Lynne andou até a mesa dele,
Olhou-o de perto.
- claro, um filho ainda pequeno
Nos inibe para muitas coisas,
E realmente se você escolheu
Adriane para esposa
E está convicto de que agiu bem
Eu concordo que ela seria
Boa mãe.
Amadeus percorreu
O caminho que os separava,
Tocou seus rosto
E beijou sua boca
Com carinho e afeto:
- podemos fazer o exame
Para constatar a paternidade
E depois você pensa sobre isso,
Eu não quero oprimi-la.
Entre beijos Amadeus
Encerrou a ideia:
- eu não os deixarei desamparados.
Meus filhos e netos pequenos
Ficaram felizes por ter
Um novo amiguinho
Brincando entre eles
E crescendo em nossa família.
Minha mãe e meu pai
Virão correndo nos felicitar.
Ele encerrou:
-Sei que o menino
Será bem criado,
Eu o amo
E desejo o melhor para nós.
Depois de dizer isto,
Lynne o abraçou com força,
Encontrando amparo
Para seus medos
E segurança para a sua vida.
Um suspiro emergiu
Do fundo do seu peito
Trazendo um sorriso
Para a sua alma sofrida.
No instante em que
Decidiu ter um caso
De amor tórrido e proibido
Com Amadeus,
A ideia lhe pareceu incrível,
Todavia, ela desconhecia
Que ele tivesse outro relacionamento,
Mesmo tendo idade já avançada,
Ela ignorou sua vida particular
E ele não lhe trouxe repressão.
Cada instante
Vivido juntos foi especial
E vivido em total intensidade,
Quando tudo terminou
Ela não estava preparada,
Quando soube de seu casamento
Sentiu-se exausta,
E até mesmo desamparada,
Mas, agora havia um novo ânimo
Para a relação
E contar com o filho pequeno
Só iria ajudar
A mantê-los juntos.
Contudo, ela não esperava
Que ele fosse manter o casamento,
Do contrário,
O imaginou mil vezes
A sorriso encantador
E cantar de alegria
Por seu pai.
O imaginou a erguendo
Em seus braços fortes,
Rodopiando-a no ar
E a puxando para o casamento
O mais rápido possível,
Mas, isto não ocorreu,
E novas possibilidades
Se abriam para os dois.

Feliz aniversário dalvan

Hoje, dia 01 de setembro
É seu aniversário,
Parabéns,
Estamos muito felizes
E realizados
Devido a este dia especial.
São 65 anos de existência,
É muita experiência,
Muito tempo vivido
E muito a viver ainda.
Cada dia seu
Foi aproveitado com êxito,
Da lavoura até a cidade,
Sempre fez seu melhor,
Nos abençoou com felicidade.
Sentimos orgulho de você,
De todos os seus méritos,
Dos sonhos em que você
Acreditou e realizou.
Prosperidade é uma palavra simples,
Sucesso é algo fácil,
Felicidade você soube plantar,
União em casa instante
Nos fez construir um futuro
Melhor,
E alcançar cada coisa
No seu tempo,
E em cada dia
Um pouco de tudo,
Obrigada Dalvan Mendes de Medeiros,
Você é um grande homem,
Um ótimo exemplo,
Um querido pai,
Devoto esposo,
Aclamado avô,
Amado sogro.
São 65 anos
Em que você construiu
Cada dia,
Cada alicerce,
Cada base
Que nos guia,
Isto tornou nosso caminho
Mais simples,
E nos fez melhores.
Você é um grande homem,
Um trabalhador honesto,
Um querido amigo,
Só temos a agradecer
Por mais este aniversário conosco,
E pelos muitos que estão
Por vir,
Você merece nosso abraço,
Nosso sorriso
E este simpático palavreado.

Segredo Duplo

Lynne conheceu Amadeus
Pouco tempo depois de começar
Frequentar o camping Tijolar,
Ela usava seu biquíni,
Deitou na espreguiçadeira
Em frente a piscina
E esqueceu as horas.
Instante depois foi acordada
Por uma garrafa de cerveja
Que era despejada sobre seu corpo,
Incluindo cubos de gelos
Deslizando sobre sua coluna
E uma voz marcante
E masculina que a indagou:
- vai ficar aí pra sempre?
Ela abriu os olhos,
Ergueu o rosto
De sobre os braços cruzados,
Virou o rosto
E buscou a direção da voz.
Encontrou um lindo homem
De sunga verde clara,
Olhos escuros sérios
E cabelos negros molhados
Olhando-a com desdém.
-desculpa, eu não entendi.
Ela respondeu.
-estas cadeiras são privativas
E eu paguei por está,
Sai da piscina,
Me sentei na beirada,
Porém, já se passou muito tempo.
Ele argumentou.
Ela avermelhou o rosto
De vergonha,
Não foi informada a este respeito,
E o pouco dinheiro que tinha
Mal pagou sua entrada,
Não tinha nem ao menos
Água fria para molhar a garganta,
Ou conhecimento de quem
Seria este homem tão perfeito.
Ela secou as faces
Pois a vergonha lhe fez
Escorrer suor da testa,
Até molhar os cabelos,
Se sentou e o olhou:
-bem, a espreguiçadeira é grande
Vamos dividi-la?
Ela indagou.
- é certo.
Eu sou Amadeus,
E você?
-sou Lynne, prazer.
Lynne levantou,
Estendeu a mão em cumprimento,
Esperou Amadeus sentar-se,
Então, sentou ao seu lado.
Passaram uma tarde animada
Juntos,
No tempo de algumas horas
Ela ganhou um beijo,
Depois disso,
Ganhou novas entradas
Para o camping,
Ficou feliz por poder vê-lo,
E no transcorrer de meses
Já namoravam.
Em uma de suas noites
Em que passaram juntos
No apartamento de Amadeus,
Lynne foi surpreendida
Pela mãe dele
Que bateu na porta,
Usou a chave reserva
E entrou sem aguardar resposta:
- vista-se e saia.
Eu não gosto de você.
Quero proteger meu filho,
Você faz mal a ele.
Ela falou em tom agressivo.
Puxou o cobertor de sobre Lynne,
Expôs sua nudez
E jogou suas roupas que estavam
Soltas no tapete marrom claro
Sobre ela:
- vista-se e desapareça.
Entendeu?
Não quero ver você.
Laranta sentou ao lado
Da cama e desferiu um tapa
Contra o rosto de Lynne.
- me desculpa senhora.
Lynne respondeu.
-Você tem dez minutos
Para vestir-se e sumir.
Laranta respondeu levantando
De sobre a cama
E se dirigindo para fora
Do quarto.
-espero aqui fora.
Lynne se apressou
Para se vestir
E correu para fora do quarto,
Foi até o elevador
E chorando jurou não retornar.
Trocou o número celular,
Trancou-se no quarto
Para chorar,
Três meses depois se descobriu
Grávida.
Contudo, ao procurar Amadeus
Através de telefonemas
Laranta se prestou em atender
A todos e nunca passar
A ligação ou os recados.
Amadeus logo casou-se,
Laranta fez questão de dizer
Que muito antes
Ele namorava tal moça,
Adriane.
Mas o mundo gira,
E certo dia,
Com o filho já com um ano
E meio Lynne decidiu
Buscar trabalho.
Com o currículo em mãos,
Se deparou com Amadeus
Na entrada da empresa.
De susto soube se tratar do dono,
De ímpeto foi contratada.
Infelizmente, foi o único
Lugar em que foi admitida,
E o salário era muito bom,
Ela precisava do emprego,
Contudo, logo os encontros
Furtivos com Amadeus
Deixaram de pertencer ao acaso
E o que era trabalho
Tornou-se beijo,
Que virou sexo quente
Nos corredores.
- por quê você sumiu?
Ele a indagou.
- você casou-se.
Amadeus pôs Lynne
Contra a parede,
Manteve os dois braços
Esticados colados a parede,
Próximo ao corpo dela,
Sem toca-la.
- minha mãe contou
Que não noite em que dormimos
Sumiu um colar de seu quarto.
Lynne esvaneceu até o chão,
Bamba de vergonha
E ódio por ter sido acusada
Por um crime
De maneira tão sórdida.
Tentou fugir,
Mas Amadeus a prendeu
Pela cintura e a manteve.
-eu jamais faria isso.
Ela disse.
Ele a puxou para seu peito.
-ela não mentiria.
Lynne virou-se para ele
Com a mão levantada
Contra seu rosto
E o esbofeteou.
- e não foi sua atual esposa?
Ela acusou.
- o quê?
Ele respondeu.
Ela irritou-se mais,
Se agachou um pouco
Para esconder as lágrimas
E lhe agrediu com socos
E pontapés.
Amadeus, a ergueu
Nos braços pela cintura
E a carregou até sua sala
No colo,
Trancando-a com ele
Lá dentro.
- você me perdoa
Se isto não me ocorreu
É que unido ao seu sumiço...
Lynne olhou-o
Como se todo o ódio
Do mundo
Coubesse dentro dela.
- eu te liguei milhões de vezes,
Aliás, quando descobri
A gravidez
Eu me pendurei ao telefone.
Ela gritou,
Cuspindo em sua cara,
E estapeando ele
Até que ele segurou seu antebraço,
E dobrou ambos até seu peito,
A mantendo com ele:
- o quê?
Filho?
Vamos conversar sobre isso?!

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