E o gosto na boca
Para lembrança
Das chamas
Que reavivam a memória
De um amor ferido
Que doou-se por inteiro
E foi embora.
A passadas eu ando
Na rua onde já
Esperei por ele,
Apegada a esperança
De ve-lo passar,
Me olhar
Ou quiçá Deus
Me beijar!
Onde está?
Bem longe, talvez.
Talvez perto,
Mas, oculto.
Quem sabe?
Com o bacamarte
Em punho
E nos lábios
Mil frases de desdém,
É, amor demais enfraquece...
O coração implora prudência,
Os amigos apontam o dedo,
Falam o que bem entendem,
Ofuscam as lembranças.
Solidão,
E eu nela sinto desconfiança,
Fora dela
Busco seu perdão.
Não se ve pessoa alguma,
Razão para sentir receio,
Com quem está
Este que me põe na retaguarda
E me pede desvelo?
Trata-se do fim de um beijo
Que me deixou em má reputação,
Busquei-o sem motivação,
Perdi-o na mesma entoação.
É uma provável emboscada.
Trinta frases de eu te amo
Não apagam uma garota
De vestido curto e boas pernas,
Eu desfaleço no que sinto,
A Solidão desvalora o feminino.
De súbito um pequeno terço
É levantado sobre uma das mãos
E uma voz feminina grita
Um nome a pleno pulmão:
Ele olha, a ve, aguarda
Não diz nada,
Retira o óculos
De aro escuro
Limpa os olhos e olha.
Parece aguardar uma voz
De dentro de si para agir,
Algum comando
Ou algo assim.
A voz feminina se levanta
Fala de lembranças
E beijos que não foi capaz
De cuspir fora,
Esquecer ou se arrepender.
A voz arrisca-se:
Atire-me se for capaz,
Um ato de rejeição seu
E desfaleço nesta rua,
Não serei mais mulher
Abandono a condição,
Serei maldita e das ruas,
Se assim lhe pede seu coração.
Ela remexia com os dedos
Aquelas pequenas bolas
Do terço como em uma oração.
Ele sorriu olhando
Para o céu,
Levantou o rosto de olhos
Escuros e redondos
Depois o baixou sobre ela.
Havia ali com efeito alguém
E este alguém falava de amor
E emboscadas de paixão.
O que faz aí?
Ele a indagou de supetão.
Busco seu amor
Que mais eu poderia?
Corre-se perigo,
O amor retira as certezas
Mas nos dá abrigo,
A maneira como uma mulher
Se entrega ao que sente
E fala traz valor ao feminino.
Vai para dentro,
Não ve mulher que chove
Nesta hora?
Ela correu se abrigar nele.
A maneira como o homem
É sempre tão forte e
Encontra respostas com facilidade
Dá valor ao masculino.
Ela o abraçou
E abrigou o rosto
Em seu peito
Onde pensou em
Nunca mais sair,
Segurou forte o terço
E rezou seu nome
Como quem pede um milagre.
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