domingo, 9 de agosto de 2026

Amor de Boca a Boca

Duas vezes por ano
Ocorre o tradicional baile
No município de Jardinópolis,
E o alvoroço das garotas
E garotos é completo,
Na escolha de roupas,
Maquiagens e nomes,
Porque baile sem ter
Aquele nome especial
Para você buscar e
Se apaixonar na mesma noite,
E, talvez, esquecer no amanhecer
é baile sem novidades.

E Janaina estava completamente
Apaixonada por Almir
Via-se em seu olhar arredio
E distante sempre a buscar
Notícias dele pelos corredores
Da escola, 
Isso lhe rendeu atrasos
Na entrada das aulas,
Mas, conseguiu lindas fotografias
Dele com amigos no rio
Nadando e jogando volei
Dentro da água.

Essas fotos foram parar
Nas paredes de seu quarto,
Instante em que beijava
Uma a cada noite
E sonhava com este grande baile
Onde finalmente se aproximariam,
Ele estudava na oitava série,
E ela ainda na sexta.

Duas salas separavam-nos
E muitos de seus amigos
Que o rodeavam a todo instante
Rindo e fazendo piadas
No intervalo
Além daquelas garotas bonitas
De salto alto e saia curta.

Janaina preencheu muitas páginas
De seu diário a sonhar com Almir,
Colou suas fotografias,
Imaginou cenas onde beijavam-se,
Para isso, 
Em cada dia ela beijou
Um garoto diferente na escola,
Dentro do ônibus escolar,
Nos corredores,
No bainheiro escondido
E, por fim, perdeu completamente
A timidez e passou a beijar
Os colegas de sala,
Dentro da sala de aula,
Em plena aula.

-Cuidado Janaina,
Logo você beija todos
Os colegas da sala.
Lhe disse a professora
Chamando sua atenção,
Enquanto ela ganhava
Cada vez mais experiência
No ato e se nutria de autocinfiança
Para o grande baile,
Da grande noite,
Quando, finalmente, pediria
A Almir um instante a sós
Com ele para beijá-lo
E ser sua,
Completamente sua.

Ela já podia sentir o beijo
Em seus lábios que estremeciam
Mediante a ideia do contato físico.
Ele não lhe resistiria,
è certo que não.

Porém, logo a professora
De português lhe retirou
Dos devaneios ao lhe jogar
Um apagador de quadro negro
Cheio de giz contra a sua roupa
Interferindo no beijo que dava
No colega Aurivan
Com um ímpeto de raiva:
-Professora, o que é isso?
Ela indagou de susto,
Afastando sua cadeira da
Do garoto e chacualhando
O casaco negro sujo de branco.
-Vocês estão desrespeitando
A aula, você são menores 
De idade é proibido beijarem,
Por quê fazem isso?
Ela esbravejou nervosa
Apontando o dedo contra
O rosto de um e de outro.

O rosto de Aurivam ficou marcado
De vermelho,
Ela realmente feriu ele irritada.
-Professora o que é isso?
Foi só um beijo!
Ele falou alto
E se levantou da cadeira
Num gesto ligeiro
Assustando a professora
Que se afastou como se levasse
Um tapa no rosto.
-è proibido beijar,
Eu irei comunicar a orientação
E chamar os pais de cada um.
Ela falou.

Depois tentou sair para fora
Da sala,
Momento em que Janaina correu
E se pôs na frente dela,
Em frente a porta fechada
Impedindo sua saída.
-Negativo professora,
Negativo.
Você não sai dessa sala,
Dê sua aula normal 
E nos respeite,
Nos dê liberdade de viver,
Experimentar e ser...
Ela gritou.

-Janaina, por favor,
Me deixe sair.
A professora revidou.
-Não, não deixo.
Ela disse de ímpeto
Apontando o dedo contra
A professora.
-Está certo,
Vocês querem ser independentes,
Mas, então, respeitem minha aula.
Não é momento de beijar,
De namorar ou o que for,
Vocês precisam aprender o conteúdo.
A professora falou
E foi até sua mesa
Onde ficou sentada
Lendo um livro de aula.

Janaina se pôs a voltar
Para a sua mesa,
Então, a professora levantou
E tentou sair outra vez,
Janaina correu até ela
E a segurou pelo braço
Dizendo:
-Professora, não me obrigue
A má educação,
Eu sou livre 
E você não poderá me impedir.
Ela disse.
-Janaina, você sempre foi 
Tão educada,
Você era minha melhor aluna,
Por favor, vamos conversar,
Me diga o que houve?
Ela indagou retirando 
A mão de Janaina de seu braço.
-Não houve nada professora.
A garota respondeu.

-Por favor, não mude assim
Por um garoto,
É cedo demais para você obedecer
A estímulos que te reduziram
Como pessoa,
Pois te retiram do foco
De estudar e crescer financeiramente
E profissionalmente...
A professora disse,
E virou-se para sua mesa.
-Janaina você sempre foi
Tão esforçada, 
Seus pais são simples,
Eles precisam de você,
Estude por eles
Para ajuda-los,
Você é madura,
Não entre em desenlaces
Que te desencaminham.
A professora insistiu.
-Pelo seu bem,
Eu irei me calar,
Apenas para você 
Não desistir da aula.

A professora disse
E a aula continuou
com Janaina sentada
Ao lado da mesa de sua colega
E distante do rapaz.

O grande dia do baile chegou,
E os sonhos estavam se deslocando
Do imaginário para a realidade.
Todos se reuniram no grande salão
De músicas gauchescas,
Desde os munícipes até pessoas
De cidades vizinhas.

Almir foi chamado para beijar
Janaina por uma amiga dela,
Mas, recusou,
Janaina irritou-se e invadiu
A roda de amigos dele
E o beijou ali mesmo
Tocando nele de maneira invasiva
E íntima,
Logo ele saiu para fora
E a chamou.

Ela correu até ele,
E ficaram namorando
No escuro atrás do salão.
Fizeram sexo,
E Janaina ficou grávida.
Aurivan irritou-se por procurar
Por Janaina e não encontrá-la,
Mas, aproveitou e transou
Com duas colegas no banheiro masculino.

Passado o baile,
Almir buscou beijar Janaina
Na sala e também nos intervalos,
Os professores se irritaram
E informaram os pais de ambos
De sua atitude.
Os pais de Janaina muito irritados,
Bateram contra o rosto dela
De chinelo para marcar
E mostrar sua reprovação.

Ela passou a tarde toda
No bainheiro vomitando
E Almir foi afastado do colégio
Por estar sendo ofensivo 
Com relação a Janaina
Que tinha ainda treze anos.
Ele foi obrigado a mudar
De colégio e os professores
Proibiram beijos e atitudes
Relacionadas a sexo entre alunos
E menores de dezoito anos.

Chateada pelo afastamento de Almir
Janaina nunca contou que o filho
Que esperava era dele,
A criança nasceu,
Nunca conheceu o pai,
E foi criada com êxito pelos pais
De Janaina e por ela.
Aurivan fez muito esforço
Para assumir a criança,
Mas, ela nunca aceitou.

Mesmo com a proibição
Os beijos continuaram a ocorrer,
e também os encontros,
Porém, de maneira mais escondida,
Onde um grupo de amigos
Cuidava as aproximações
Enquanto um deles beijava
E namorava o outro colega
E até mesmo alguns adultos
Que entravam no colégio
Com desculpas do tipo
De buscar livros na biblioteca
Ou concertar algo no colégio.

Quando os professores descobriam
Os pais eram avisados,
E Janaina sofreu uma diversidade
De repreensões antes de ter o filho
E após.
Somente aos quinze anos ela assumiu
Um relacionamento com um colega
De escola da série seguinte a dela,
O Aurivanio.

Neste relacionamento escondido,
Pois foi proibido pelos professores
E aceito pelos pais dela,
Que conheceram Aurivanio
E o admiraram muito,
O filho de Janaina, João,
Foi estuprado.

Ela tardou a descobrir,
Mas, certa vez, 
Retornando ao quarto
Onde deixou a criança
E o namorado juntos
O flagrou tendo relações
Com o filho,
ele beijou intimamente a criança
De três anos e 
Comungou o ato sexual.

Janaina abriu a porta 
Que, por descuido, ele deixou aberta,
E pulou irritada contra ele,
Seus pais não estavam,
Ele a empurrou e esbofeteou
Seu rosto.

-Eu deixo de você,
Se você contar para alguém
E você será para sempre
A mãe solteira que ninguem quer.
Ele gritou
E saiu seguro de si.
Ela se jogou perto do filho
Na cama e chorou abraçada a ele.
-Eu nunca terei namorados,
Filho, eu juro!

Mas, logo novos namorados vieram
E ela continuou mantendo segredo
Sobre a paternidade de Almir.
Que, vez ou outra, ela o via
Passeando de carro em frente ao colégio.
Os outros namorados de Janaina
Não foram diferentes,
Então, ela passou a cobrar favores deles
Por instantes com a criança,
Triste de si mesma,
Já que todos os homens eram iguais
E não queriam esposa,
Queriam filhos e prazer,
Só isso.

Também recebeu dinheiro
E assumiu namoro público,
Onde o namorado saia com a criança
Para tomar sorvete
E ter momentos de intimidades.

João cresceu e se tornou irritadiço,
Um dia, conversando com a mãe
Descobriu seu diário embaixo
Da cama, as fotos do pai,
E obteve a confissão escrita sobre ele,
Almir era seu pai.

Consternado ele buscou um advogado
E exigiu ser reconhecido como filho,
Irritado, tentou se aproximar de Almir
Fazendo declarações de sentimentos,
As quais não foram aceitas,
E enviou fotos eróticas dele
Para o próprio que recusou 
E as entregou ao delegado local
Para procedimento específico.

Janaina foi chamada a depor
Na delegacia aos vinte e dois anos,
E dar explicações sobre as liberdades
Do filho tão jovem,
Tudo que ela fez foi responder 
Ao questionário que o delegado
Lhe fez e chorar,
Depois tomou o celular da criança
E excluiu sua conta da rede social.

O depoimento de João foi retirado
De maneira amigável,
Por um psiquiatra,
Tão logo foi descoberto 
Que o garoto era vendido
Como objeto sexual,
Também foi descoberta a 
Paternidade do menino.

Um exame de DNA foi exigido
E almir assumiu o filho
E também o levou morar com ele.
João se tornou violento,
E ao visitar a mãe
Ganhou de presente uma arma,
A qual escondeu e instruído 
Por ela atirou contra Almir,
Atentando contra sua vida.

Nem isso, fez Almir irritar-se
Com a criança,
Mas, o obrigou a afastar
Completamente a companhia
De Janaina do garoto.
Almir relacionava-se com uma garota
Da cidade vizinha,
A Tagiana,
a qual sempre foi próxima
De João,
E cozinhava e frequentava
A casa de Almir regularmente.

-Você acha difícil conviver
Com meu filho?
Indagou Almir na cozinha
Quando os dois faziam o pão.
-Não, eu o amo como meu próprio
Filho.
Tagiana disse.
-Eu pensei em nos casarmos,
Eu adoraria que você vivesse conosco.
Tagiana soltou o pão
Que estava sovando,
E correu até Almir para abraçá-lo
Enlaçando seu pescoço
E beijando seus lábios.
-Casar-me é meu maior sonho!
Ela disse.

-Ele é ainda uma criança
Tem treze anos,
Eu gostaria tanto de faze-lo feliz.
Você soube que Janaina está no presídio?
Almir indagou.
-Sim, e eu não acho vergonhoso
Você ter se envolvido com ela
Tão jovem,
E a história ter sofrido
Um desfecho tão trágico,
Eu quero estar perto de você
E do menino e ajudar vocês,
Eu sonho em ser mãe,
E você não é menos merecedor
Que qualquer um dos garotos solteiros
E sem filhos que vivem
Pelas ruas bêbados e drogados.

Tagiana disse,
Completamente envolvida
Pelo olhar de Almir.
-Obrigado, meu amor,
Mas, eu gostaria de te pedir
Que não use drogas,
Por favor, do contrário
Eu terei que me afastar.
Ele falou enquanto
A segurava firme pela cintura.
-Por... por quê você diz isso?
Ela indagou confusa.
-Porque eu achei droga
Dentro do meu carro
E eu não uso isso,
Então, só pode ter vindo de você.

Ele falou e a puxou
Para o seu peito.
-Eu posso ser gentil
E te perdoar,
Mas se você insistir
Teremos um fim imediato.
Ele falou enquanto acariciava
Seus cabelos.
-Ta bom, mas, antes que a
História se repita: 
Eu estou grávida
E quero que você saiba
E participe da minha vida.
Ela falou em seu peito.
-Ta bom.
Ele respondeu.
-Eu não estava preparado
Para essa notícia,
Mas, está perfeito,
Agora é só você morar com nós.

Tagiana conseguiu trabalho
Como secretária numa loja
De imóveis,
E Almir continuou sendo secretário
Do corretor de seguros da cidade.
Ambos passaram no vestibular,
Contudo, Tagiana escolheu
Uma universidade distante de sua cidade,
E mesmo grávida iniciou suas aulas,
Enquanto Almir se dedicou
A uma faculdade pela internet.

Tagiana escolheu direito,
E ficou realmente incredula
Quando recebeu a ligação 
Desesperada de Almir informando
A ela que seu filho
Foi encontrado no banheiro
Massageando o próprio pênis
Com outros quatro garotos
De sua idade.

-Não se preocupe, meu amor,
Eu vou até a escola resolver
O problema e acompanhar
Isso de perto.
Tagiana disse.
-Eu não acredito, meu amor,
Estou tão feliz e orgulhoso
De você por isso.
Almir respondeu.
-Eu te amo, minha vida
E João também é meu filho.

Chegando na escola,
Tagiana foi recebida
Por João com um tapa no rosto,
Seus avós maternos
O procuraram na escola
E ao ver ele lhes disseram
Que Almir e Tagiana 
Tomaram João de suas vidas
E o esconderam deles,
Os deixando doentes,
E sofridos pela ausência.

-Eu odeio vocês,
Odeio você que não é minha
Mãe e também meu pai,
Eu vou morar com meus avós,
Eu juro,
Custe o que custar,
Eu já busquei um advogado
e ele irá cuidar de tudo para mim.
O menino gritou no corredor,
Enquanto chorava
E agredia Tagiana.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Amor Antigo

 Então, um antigo amor ressurge

E pede perdão,

Eu não me alicerço nisso,

O tempo passou e ele ficou,

Nem os anos o fizeram esquecer,

Por que teria de me prender

A erros que evidenciei

E puseram um fim no que vivemos

Se estar com ele agora

Nos faria bem,

E me daria amor?


Amar não é estar presa,

Alegações não são fatos,

Dizeres não são promessas,

Falações não guiam boatos,

Ele disse perdão,

E eu não pergunto o que faço,

O perdoo e pronto,

Finalmente podemos estar juntos

E viver um amor antigo

Que adormeceu

Mas nunca apagou a chama

Que se derrama sobre nós dois.

Aprendi

Eu aprendi a ser forte,

A sorrir mesmo sofrendo,

Mas, preciso aprender

A perdoar os erros,

Esquecer o passado,

E me entregar ao amor.


O amor não é ser forte,

Não é escolher a dor,

Amar é entregar-se,

Sorrir em cada instante

E não se prender 

Ao que faz sofrer.


Odeio esta mania

De querer aparecer,

Estar em evidência,

Buscar aclamação e plateia,

Chega de aprender a ser forte,

Quero aprender a amar

E perdoar todas as vezes.


Se no caminho eu tiver alternativa

E sempre existe,

Vou buscar a opção sorrir,

Ser feliz,

Estar com quem amo

E me quer bem,

Sai dessa de sobreviver,

Viver a esmo,

Ser forte em todas as vezes.


Eu quero mais é cair,

Despencar sem razão,

E ter alguém em quem

Me alicerçar sem me preocupar

Se estou sendo forte,

Fraca ou louca,

Quero beijar na boca,

Amar com todos os motivos,

Me entregar em cada carinho,

Ter sempre um abraço

Escondido no meu caminho,

Ser forte é para as otárias,

Eu quero mais é ser acariciada,

Amada e valorada,

Sem essa de estar por cima,

Escolher o caminho de vitória,

Prefiro amar sem perder,

Ganhar sem sofrer,

Beijar sem querer,

Estar porque faz bem.

E Sê Der Certo?

 Camline chegou ao cemitério,

Fez o sinal da cruz,

Abriu o portão e entrou.

Tudo estava desorganizado

Parecia ter chovido

A pouco tempo

Haviam vasos com flores mortas

E até vazios jogados 

Por entre as lápides.


Uma lágrima desceu

Por seu rosto sereno,

Ela então, juntou de vaso

Em vaso e os separou

Um canto,

Retirou as flores mortas

E as jogou do lado de fora,

Espalhando a terra sobre a terra,

E os que estavam feios

Ela os plantou nos arredores

Para que Deus se incumbisse

De que viessem.


Sempre há uma alternativa

Para a vida

E ela faria o possível

Para que a vida brotasse

E as flores florissem,

Então, as regou usando 

O próprio vaso e uma sacola

Plástica que estava no local.


Depois separou os vasos vazios

Com o intuito de levá-los para casa

Para reutilizar,

Juntou cada plástico,

Cada sujeira e os separou 

Para levar na lixeira

Que se localizava a poucos metros

Do cemitério,

Mas, que inexplicavelmente

Era evitada.


Foi até a lápide de seu irmão

E limpou-a usando um balde,

água limpa, detergente e um pano.

Sentia tanta afinidade 

Com aquele lugar

Que poderia limpar cada canto,

Cada lápide, cada casa daquelas

Em que se preocupavam tanto

Em pintar e pôr flores e esqueciam

De pôr fotografias do falecido

E o próprio nome,

Só estava definido o nome

Da família bem grande 

E uma data de nascimento e morte.


Como na cidade,

no cemitério as pessoas também

Gostavam de enfeites,

De mostrar as diferenças,

De construir até alcançar o céu,

Enquanto uns mal tinham

Um lugar no chão e uma cruz de madeira,

Sem nome, 

Sem foto,

Sem família,

Só uma data,

Depois disso:mais nada.

A madeira apodrece tão cedo

E leva a vida,

As memórias,

O lugar em que se deixou

Este alguém que fez a diferença

Lá nas ruas e nas construções,

Um bom pedreiro,

Diarista, servente, 

Agora um indigente,

um corpo não definido

E um rosto vazio,

Que teria poucas velas,

Pouco choro,

e talvez, umas garrafas

De pinga no seu redor.


Regado no alcool conforme

Fez em vida,

E nada melhor que a pinga

Para remover a memória,

A dor,

A vida,

O nome e o lugar

Onde um dia a pessoa

Teve para onde voltar.


Camline limpou tudo,

Olhou cada anjo desenhado,

Cada lápide afundando,

Cada calomgo de terra se elevando

Com uma cruz apagada nele,

Cada casa que crescia 

E tomava proporções que com certeza

Esta família deve ter desejado

Ter em sociedade,

E trabalhava arduamente para manter

A postura, rigor e idealismo.


Retirou flores secas,

Soltou-as para o vento,

E lá, quando retirou as rosas vermelhas

De plástico de Rehan as cheirou,

Há oito anos elas foram guardadas

Nesta lápide, 

E ainda não viraram pó,

Eram quase de tecido,

Tinham um cheiro bom,

Talvez fosse o de seu irmão,

Talvez não,

Quando seu namorado Rehan 

As deu ela logo viu onde

Se localizariam perfeitamente.


O namoro terminou,

As flores ficaram

E Rehan nunca veio com ela

Ao cemitério,

Algumas flores ao serem retiradas

Viraram pó e era difícil 

Leva-las para a lixeira,

Alguns vasos quebravam

E se consumiam.


O tempo se encarrega de tudo,

De tornar tudo poeira

E solidão que faz esquecer

e tenta apagar.

Leva vozes e sorrisos,

rostos e abraços,

Fica a dor,

Um vazio que consome,

Um suspiro que não se contem

Por muito tempo.


O tempo levou Rehan,

Camline soube disso

Através de uma caixa de supermercado

Que saiu chorando deliberadamente

Quando o supervisor lhe informou

Que o rapaz sofreu um acidente

De carro e não resistiu

Aos ferimentos de quebraduras expostas,

Sangue e dor.


Ele estava embriagado,

Dirigia com um corpo de wiski

Entre seus dedos,

E uma garrafa ao lado,

Estava sozinho lhe disseram,

Isto, Camline e todo o redor

Dos funcionários duvidaram,

"Não, ele estava com garotas,

Isto é fato,

O sexo e o alcool levaram sua vida

Depressa demais,

Aos vinte anos."


Camline limpou os olhos,

Soltou a salada que iria comprar,

E soluçou o soluço dedicado

Aos mortos por eles terem partido,

É quase mais soluçar uma dor

Por quem irá sentir a perda,

Porque Rehan lhe fez mal

Em seus instantes de bebedeira.


Sua vida de relação com ele

iniciou-se num encontro fortuito

Num restaurante badalado da cidade,

Ela marcou pela décima vez

com um homem diferente

Tencionando conhecer um namorado

Através da internet.


Mas, lá da entrada

Ao ver um homem tão feio

Sentado na mesa combinada,

Ela tirou o suéter,

Prendeu o cabelo,

Correu para o banheiro

Remover a maquiagem

E não se aproximou de vergonha,

Na internet o rapaz era lindo,

Perfeito, ali estava um rascunho

De tudo que o photoshop fez por ele.


Ela não teve estômago

Para aturar um homem tão abjeto,

E nem para resistir ao cheiro

De comida tão cheirosa

E de aparência deliciosa.


Logo se aproximou de uma mesa

onde um jovem moreno,

de cabelos negros e fartos

Estava sentado sozinho

E pediu aconchego.


Explicou do encontro

E de seus motivos íntimos

Para desistir,

E as mesas estavam todas

Repletas de pessoas,

Ela não identificou o rapaz,

Mas, pediu licença para sentar-se

Com Rehan.


Ele sorriu,

A permitiu de imediato,

Pedido os pratos,

Ele exigiu que ela pagasse a conta

Por ter de aturá-la ali,

Ela chateou-se jogou o guardanapo

Sobre a mesa em tom de repulsa,

Ele sorriu convidativo,

Se desculpou,

Pagou ambas as contas

E exigiu que ela aceitasse

que ele a conduzisse para casa

Como cortesia e pedido de desculpas.


Ela não soube o motivo,

Mas sentiu-se tonta,

Talvez, por efeito do vinho

Que bebeu com ele,

Pois, sentiu-se fraca

E terminou aceitando o convite,

Ou assim acreditou,

Porque ele a ergueu da mesa

Passando seus braços

Por seus ombros 

E a carregou para fora 

Dizendo frases desconhexas:

"Você é linda,

Me apaixonei por você

Desde o primeiro instante,

Te darei minha vida".


E quando ela deu-se conta

Estava sentada no carona

do carro dele,

E depois disso o viu remover

O zíper de sua calça,

Depois a calça,

A calcinha e então toda a roupa,

E logo se viu nua 

Sentada no colo de Rehan.


Ela gemia de prazer,

Chorava por algo

Que não saberia dizer,

Talvez dor,

Talvez insegurança,

Talvez medo,

"afinal, quem é Rehan?"

Se viu se indagar em silêncio.


Quando acordou estava

Deitada na cama com ele,

Que se  movimentava 

Sobre seu corpo nu em frenesi

E muitos gemidos.

-O que está acontecendo?

Ela se viu indagar

Quando sua cabeça foi puxada

Para o peito dele.

-Agora você é minha namorada!

Ele respondeu sorrindo.

-Não sou não.

Ela respondeu e se afastou.

-Claro que é, 

veja a aliança em seu dedo,

Você mesma colocou 

Durante a noite

E chorou de alegria.

ele disse com movimentos

Contínuos de sexo e beijos sedentos.

-Ah, não lembro disso.

Ela continuou um tanto tonta.

-não lembra?

Você tirou foto de nossas mãos unidas

Usando alianças,

Escreveu uma frase de amor

E postou na sua rede social.

Ele disse.

-Sério?

Mas sempre sou tão discreta.

Ela continuou.

-Sério,

você falou de amor e tudo.

Ele insistiu.


Ela buscou o celular

Que estava sobre a cômoda

e notou a fotografia 

De duas mãos enlaçadas,

Duas alianças e uma frase boba.


-Somos namorados.

Ele disse,

E saiu de cima dela

Juntando uma toalha 

E indo para o banho.


Os encontros entre ela e Rehan

foram sempre fortuitos e inesperados,

As vezes, ele a buscava no trabalho,

Outras vezes ela saia de casa

Logo pela manhã e via seu carro

Estacionado na esquina,

Como se estivesse esperando-a.


Sempre regado a bebidas e cigarros,

Algumas vezes ele usava drogas,

De comprimidos jogados no copo

De bebida e de pó

Que ele soltava sobre a barriga dela

e aspirava até não restar nada,

Soltava também sobre sua mão,

Sobre o painel do carro,

E seguia.


Ela sentia-se seguida por ele,

As vezes, imaginava que isso

Nunca teria fim,

Então, procurou um ginecologista

e buscou um anticoncepcional

Para não engravidar dele,

Mesmo estando com 33 anos

e tendo o sonho de ser mãe,

Evitou o sonho a todo custo.


A igreja da cidade

ficava próximo a sua casa,

Conforme a rua que pegasse

Para ir para o trabalho

Passava por ela,

Chorava soluçante,

Mas, não conseguia marcar a data

E levar o relacionamento adiante.


Bebia pouco,

Não usava drogas,

Fumava algum cigarro esparso.

Mas, um dia Rehan a vendo 

Sair para ir trabalhar

Acelerou o carro com toda força

E jogou sobre ela,

alegando que tinha encontrado

Outra garota,

Muito melhor que ela

E que não queria saber mais dela.


Camline sofreu escoriações severas,

Dor e vergonha da vizinhança,

Mas logo adaptou-se

Com a ausência de Rehan

Que sempre buscava os lugares

onde ela frequentava para passar

Por ela com algumas garotas,

Muitas bebidas,

Sorrisos no rosto,

E drogas.


Camline o odiou,

Denunciou isso na delegacia,

Mas nada amenizou o ódio.

Por isso, ficou muito tempo

Sem buscar novo relacionamento,

Mais de anos,

Sem ter encontros, beijos, abraços,

Carinhos ou sentimentos masculinos,

Apenas a abstinência e o exílio 

Lhe restou.


Dirigia por toda a cidade sozinha,

Parava na praia olhar a areia,

Ver as estrelas noturnas,

Mas, sempre sozinha,

Não conseguia deixar um novo

Homem entrar em sua vida,

Mas, ao saber da morte de Rehan,

Um sorriso lhe brotou na face,

Então, saiu para fora do mercado,

Viu um homem sozinho

Na direção de um carro estacionado

E pediu a ele uma carona;

-Para onde?

Ele indagou.

Ele era um sujeito gordo,

Flácido, de rosto enrugado,

Cabelos brancos e esparsos,

E isso lhe gerou um sentimento

De carinho inexplicável,

Então, ela pegou em sua mão

Sobre o volante e disse:

-Para um motel,

Vamos ter algumas horas

De sexo voluptuoso e delirante,

Eu preciso de você.


O homem a encarou de sobressalto:

-Precisa de mim?

ele disse, ligando o carro

E virando a volta para sair

Do estacionamento rumo a rua.

-Sim, por favor!

Ela disse sorrindo,

Retirou a calcinha e

Levantou a saia curta que usava.


Ele logo introduziu o dedo

em sua vagina e sorriu,

Camline suspirou satisfeita:

-Faz muito tempo que não faço sexo,

Eu não sei,

Agora penso que sempre esperei

Você me dar uma chance.

Ela disse sem jeito,

tocando em seu braço forte.

-Que ótimo,

Poderemos passar boas horas juntos.

ele usava uma aliança no dedo,

Camline não quis perguntar 

sobre isso,

Mas, a notou.

A voz dele era grave e violenta,

ele dirigia muito bem,

Sem solavancos,

Sem desvios,

E tinha lindos dentes brancos

No rosto quadradinho

E lábios rosados e cheios.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Josmar, Te amo

 Se eu te dissesse

Quantas noites insones

Eu passei a te esperar,

Talvez, você desacreditasse.


É uma ilusão,

um sonho doce assim,

Esperar até o dia nascer,

Até o sol ir,

Só pra te ver sorrir,

É uma ilusão

Um sonho tão doce assim.


Se apaixonar no primeiro encontro,

E não querer nenhum outro homem

Que não seja você

E seu sorriso gentil,

Seu olhar doce e dono de si,

Dono de mim,

Dono do nosso tempo

E do meu sentir.


Eu sei que lá na rua,

Logo passará uma motocicleta,

Eu reconheço pelas luzes,

Depois vem uma van atrás dela,

É tão distante de mim,

Mas cuido cada carro,

Cada luz,

Cada cheiro

E o que mais me traga você.


Oh, poxa, que sonho bom

Reconhecer você vindo,

É um gol no alto do campo,

um passo inesperado,

um sonho guardado, 

Um esperar que não cansa

E me faz tão bem,

vem Josmar, vem.


Eu vejo meu dedo ansiar

Por nossa aliança,

Meu coração palpitar

Por mais um beijo,

Até mesmo aquela estrada

Jurar que não quer carro algum

Se tiver a luz do seu olhar,

Oh, Josmar, me diz

O que você faz

Que te mantém distante,

Meu mar,

Meu céu azul de estrelas,

Minha lua a brilhar,

Meu sol que refresca,

Me beija,

Me beija,

Me beija,

Seu beijo me deixa no bar,

embriaga e louca,

A te esperar,

Não é ilusão,

É amor, vem Josmar, sim,

sonha comigo outra noite,

Deita comigo e fica até o amanhecer,

Oh, que sonho dormir cedo

e não precisar posar acordada

Por ter você comigo,

Josmar,

O que há entre nós?

Te amo,

Te amo,

Te amo.

Josmar

Vamos deitar no quintal 
Pra ver a lua e sonhar,
Contar estrelas
E amar?
Há uma lua 
E um convite:
Vem ficar comigo, 
Josmar, essa noite?

Queria estar sentindo
O céu da sua boca
Na minha língua,
Num beijo profundo 
E sedento de amor:
Josmar, me beija?

O escuro está frio
E eu preciso do seu abraço, 
A lua brilha tanto lá em cima,
Me aquece em seu abraço, 
Josmar e passa seu tempo
Comigo.

Há tantas estrelas 
Quanto se possa contar,
Há tantos sonhos 
Quanto desejo te abraçar, 
Josmar, vem ver a lua,
Sentir o escuro,
Beijar meu corpo
E ficar comigo? 

Filho do Raso

 Eu vi você passar ontem

De Meriva vermelho, 

Hoje você ressurge

Grávida e me amando 

Para valer,

Ta bom, 

Acredito em você

E o filho é meu

Então vamos tê-lo,

Me acompanhe para escolher

Qual quarto ele irá usar

Ao nascer,

Que cor pintar

E que brinquedos por...


Bem, agora junto de mim

Entenda o seu engano,

Você saiu com outro homem

E eu vi,

Não existe erro,

Eu sofri por uma noite,

Mas, você perderá 

Por uma vida,

Adeus,

Tudo acaba aqui,

E seu filho não irá nascer,

Nem aquele homem

Irá saber que seria pai,

Acabou para nós,

E acabou para você.


Com duas facadas 

Eu encerro sua vida

E a do seu bebê,

Não é meu,

Não será seu,

Nem dele ou de qualquer outro,

O amor venceu,

Parabéns,

Sangre até morrer,

Você poderia não ter

Me traído

E agora não estaria boiando

Nestas águas turvas

De um rio que você

Sempre desejou estar

E que eu nunca a acompanhei,

Oh, você me traiu

Naquele maldito Meriva,

E agora será de gelo

E mais nada,

De pedra até definhar,

Virar comidas de peixes,

Ontem você não quis 

Me encontrar

Hoje eu opto por não te ver.


Baby, eu quis estar com vocÊ,

E você preferiu ele,

Ao invés de estar

Na nossa casa a me esperar,

Você preferiu a vida de motel

Que ele te deu,

Um instante e uma vida 

No ralo.


Olhe, não pensa que

eu não sofro vendo você boiar

E esta água te levar

Para tão distante

A sangrar o maldito filho

Que você deu a ele,

O maldito filho que você escolheu

Para concretizar seu amor.


Não, você nunca me amou

Naquele maldito Corsa

Que você escolheu para estar

Comigo em cada segundo

você fingiu desde a música alta,

Até o lugar que optou

Por ir.


Veja meu coração,

Sinta como sofre,

Sinta-me enquanto ainda

Houver calor no seu corpo,

Até enquanto estas águas

Não te congelem,

E os peixes não comam

Sua pele,

Seus lindos olhos abertos,

E sua língua a me implorar

Pela vida que você não quis me dar,

Então, ele seria o pai,

E você esta morta agora.


Agora que estas águas te levam

Nunca mais você irá me tocar,

Gelada e comida de peixes,

A sangrar seu feto 

De quanto tempo?

Meses ou dias?

Você pensou que eu não descobria,

Mas, eu te dei alternativa,

Te dei a opção de se desculpar,

Se ajoelhar aos meus pés,

Me implorar 

Por mais segundos de vida,

Pelo respirar do seu filho,

Pelo sorriso dele

no seu colo,

Pela voz no seu ouvido,

Eu disse implore.


Você não me ouviu?

Você falou com aquele homem

Aos sussurros,

Aos murmúrios, 

Você fugiu do que eu sentia,

Você acha que tudo acabou

Entre nós?

Então, por que tentou me enganar,

Como achou que fugiria?


Olhe as chaves do meu Porshe,

Eu sou o poder,

sou o grande homem,

E vocês nunca mais se verão,

Acabou pra você,

Acabou para o bebê,

Com o que você sonhou

Quando chamou o nome dele?


Estou pensando em como encontrar ele,

Se comido por peixes

Ou pelos animais selvagens,

Abandonado a sua espera

Em algum lugar deste bosque,

Vamos pronuncie uma palavra,

Implore pela vida dele

Como você antes gritava de prazer,

Veja como você sangra em sua barriga

Neste singelo corte

Que arrancou de você seu bebê,

O fruto do amor proibido,

O fruto do veneno,

Agora você irá cada vez

Mais para o fundo,

Seu amor irá sucumbir com você.


Com  a mão direita

Ele tocou entre o meio das pernas dela,

E apalpou num gesto de retirar o bebê,

Fazer uma espécie de vácuo,

E gerar contração muscular,

Então, retirou secreções dela

Que não moveu-se,

Nem pode defender-se.

Apenas foi carregada pela água

Para o fundo,

E para cada vez mais longe.


O rapaz passou as mãos

pelo cabelo num gesto nervoso,

Se levantou das margens do rio

E retornou para a casa 

no seu Corsa prata.

Com lágrimas no olhar

E singelo ódio no coração,

Não havia testemunha,

Exceto o homem de Meriva

Percorrendo de rua em rua,

em desespero por não ter notícias,

Desta que nunca mais poderá chamá-lo,

Pois agora bebe da água do rio,

Não fala,

Ou move-se.

domingo, 26 de julho de 2026

Patrulha Rural a Caminho!

 Suzan abriu a torneira

E aproveitou em seu copo

De vidro escurecido

As últimas gotas de água

Que mal saciaram sua cede

E arfou em desacordo.


-"outra vez faltou água,

Como irei lavar a roupa?"

Ela indagou em voz alta,

Correndo para a área de serviço

E apertando o botão de desligar

Da máquina que fazia barulhos

Ensurdecedores por estar

Sem água.


-"Que droga,

Quase queimei a máquina

Por deixar ela funcionar

Tanto tempo sem água."

Ela falou outra vez.

Estava sozinha,

Mais uma vez

Outro de seus namorados

A abandonou devido ao lugar ermo

Em que vivia,

Pois dependia de água encanada

Para beber

E de energia elétrica da cidade

Para ter luz.


A água faltava por qualquer motivo,

E ficava as vezes três dias

Sem ter água para lavar a roupa,

Puxar a descarga do banheiro,

Fazer limpeza ou a comida.

Tudo ficava as moscas,

E muito sujo,

O banho era racionado pela 

água de uma sanga

Que corria próximo a casa.


Quando a sanga tinha

Bastante volume de água

Ela tomava banho desnuda

Na própria sanguinha,

Quando tinha pouco ela

Puxava de balde 

E tomava banho com poquissíma

Água,

Isso passava uma impressão 

De sujeira que a irritava.


Já quanto a energia elétrica,

Sempre faltava até devido ao vento,

Ou então por mal contato,

Ou algum galho de árvore

Que se enroscou nos fios

De alta tensão da estrada.


Os namorados odiavam

Os banhos de sanga,

E tinham pouca paciência

Para a luz que faltava,

Sempre ocorria de quebrarem

A vela antes de acender,

Devido a irritação por faltar luz

E serem obrigados a ficar no escuro.


A vela acesa e torta

Passava uma ideia de desleixo,

ninguém ficava,

O amor morria da mesma

Maneira que nascia:

Do dia para a noite.


O senhor que cuidava

Do funcionamento da água

já não atendia o telefone

Para Suzan irritada

Ela corria até seu pai

E gritava para ele tomar atitude.


Seu pai,

Homem sério e honesto

Sempre era ouvido,

E ao menos recebia 

Uma notícia em razão

Da falta de água:

-Ah, quebrou o cano

Próximo ao terceiro vizinho,

Depois de esta arruamado

A água seguira o destino.

Dizia o senhor ao seu pai.


-Quanto tempo demora isso?

Indagou ele.

-Demora ir até a cidade

Comprar o tamanho do cano

Que precisa,

Depois abrir o buraco onde

O cano passa e concerta-lo.

Ele respondeu.

-Está certo,

Vou esperar.


Mas, Suzan perdeu a calma,

Tomou o telefone

Das mãos de seu pai

E começou a gritar ferozmente

Com o Antonio que cuida

Da água,

Irritado ele respondeu a altura:

-Vou deixar você sem água Suzan 

Quem você pensa 

Que é para me irritar?

Ele respondeu.

Ela irritou-se ainda mais.

-Vou te matar Antonio.

Nisto o pai de Suzan

Lhe tomou o telefone

De suas mãos e lhe desferiu

Um tapa na cara

A jogando no chão de brita

Da frente de casa.


Seu pai morava a uns cem metros

Da residência de Suzan,

Que levantou do chão com raiva

E investiu contra ele

Com tapas e socos na cara

E por todo o corpo.


Seu pai se irritou ainda mais

E desferiu um soco no rosto

Que a fez cair para trás,

Outra vez, ela se levantou

E empreitou contra ele

Com chutes em suas pernas,

Desta vez ela ganhou

um chute no quadril

Que a jogou longe.


Irritada ela correu

E pegou uma madeira

De próximo da casa

Que estava caída no chão

E lhe desferiu golpes

Contra o corpo,

Sua mãe saiu de dentro 

De casa com uma faca na

Mão e gritou:

-Vá embora maldita,

Eu vou te sangrar a facada!

Sua mãe falou.

-Não mãe,

Por quê você esta

Do lado dele?

Ele só me faz mal!

Suzan respondeu.


Depois segiu com os punhos cerrados

Para o lado da mãe

Que apontou a faca

E desferiu golpes no ar

Fazendo Suzan correr.


Suzan foi para sua casa,

Algum tempo depois 

Uma viatura policial surgiu

Em frente a sua casa.

Ela ficou com medo

E tirou a roupa ficando nua

Dentro de casa.


Então o policial

Se aproximou dela

Que foi até a janela

E gritou alucinada de raiva:

-eu estou sem água

E você me prende?

Por que ao invés disso

Você não concerta a água

Para eu ter o que beber

E como tomar banho!?

Ela disse.


-Eu não sabia que se tratatava

De falta de água,

Sua mãe ligou e disse

Que você está tentando matar

Seu pai e sua mãe!

O polcial respondeu

De arma em punho

chegando perto da janela 

De Suzan.

-O quê? Mentira,

Eu só queria água,

Eu não tenho calma

com esta falta de água,

tudo está sujo,

Eu preciso me alimentar...

Ela gritou.


Depois se afastou

e começou a se masturbar,

Esfregando suas mãos 

Em seus seios

E babando com a própria boca

Sobre eles

E então delsizando a mão

Até seus quadris,

E depois ela sentou no chão,

E introduziu seus dedos

Em sua própria vagina e disse

Olhando chorosa 

Para o policial:

-Você está com cede?

Porque eu estou com cede,

Você me vê aqui neste chão

E gosta?

Porque eu odeio estar aqui.

Você quer transar comigo

Porque eu estou metendo

Meus próprios dedos em mim.

Ela disse

Enquanto deslizava seus dedos

Dentro de sua vagina.

-Não senhora,

Eu quero te ajudar,

Eu preciso que você

Me conte o que houve

Entre você e seus pais,

Por quê você quer feri-los?


Ela o olhou atordoada

Sem acreditar no que ouvia.

-Eu estou sem água,

Neste chão sujo,

Com esta louça que esta

Na sua frente sobre a pia suja,

Eu estou com fome

E não tenho água para

Fazer comida,

Você ouve minha barriga roncar?

Ela pediu.

-Senhora, me perdoe,

Então você esta irritada

Porque não tem água,

É isso?

Ele indagou de perto da janela.

-Você ouve minha barriga roncar

De fome?

Eu preciso de água.

Ela respondeu se levantando

Mantendo a mão dentro

Da vagina.

-Ouça minha mão dentro

Da minha vagina,

Você gosta desta barulho?

Este barulho de vai e vem

Você ouve bem, não é?

Mas, minha fome você não houve?

Ela gritou

E chegou perto dele,

E mantendo os olhos grandes

E escuros abertos

Ela chegou até o rosto dele

Com as mãos dentro da vagina.

- me veja eu suja!

Ela disse,

Totalmente descontrolada

e tirou sua mão de dentro

da vagina e pôs no rosto

Do policial e esfregou

Até dentro de sua boca.


-Senhora, por favor, pare!

Ele falou,

Tendo entre sua língua

Quente, rosa e úmida

Os dedos sujos do orgasmo

De Suzan.

-Me sinta,

Prove do meu ódio,

Prove da minha sujeira

E agora,

O que você fara se não tem água?

Ela disse irritada

Sobre os lábios dele.


-Senhora, esta ação policial

Esta sendo monitorada,

Se acalme, por favor,

Eu tentatei ajudar.

Ele respondeu.

-Me ajude!

Ela gritou nua

E puxou o braço dele

Que estava abaixado

E o ergueu até sua testa,

Pondo a arma dele encostada

Em sua cabeça.

-Atire contra mim,

Vamos mate minha cede,

Sacie meu ódio.

Ela gritou.

E manteve a mão dele

Esticada contra sua testa,

Usando suas duas mãos

Sobre a arma.

-Senhora, não faça isso,

Por favor,

Eu irei te ajudar.

Ele disse

E retirou a mão 

Mantendo a arma nela

Logo em seguida.


Suzan não esperava 

Uma força tão grande 

E arrebatadora como a

Que viu no braço daquele soldado.

-Meu pai me bateu,

Ele fica contra eu

Sempre que tento lutar

Para nós ter água,

Ele me odeia...

ela gritava atordoada,

Depois puxou a mão dele

E colocou sobre

Seu ombro deslizando

Sua arma por seu corpo nu

E estremecendo de frio,

Medo e ódio.


O soldado tremia na sua frente

Assustado, com a arma

a percorrê-la apontando reta

Em seu corpo bonito e trêmulo.

-eu estou queimando,

Eu estou ardendo de desejo!

O soldado disse.

-Você esta com cede agora?

Tome da minha saliva!

Ela gritou e cuspiu

Contra o rosto dele.

Depois se aproximou

Com sua língua e o lambeu:

-Sinta a minha cede,

Sinta a minha cede.

Ela gritava trêmula

E ardente segurando o braço

Musculoso do soldado.


Depois num rompante de 

Fúria ela puxou o braço dele

Para si e introduziu sua arma

No meio de suas pernas quentes

E seguras:

- Limpe meu corpo,

Me lave de desejo,

Tire este cheiro de vontade

De você que eu sinto agora!

Ela gritou.


Num ato desesperado

De desejo o soldado

Tentou pular a janela

Mas não conseguiu,

Então gemeu alto

E introduziu a própria arma

Que segurava dentro

Da vagina de Suzan e a moveu

Ferozmente e com desejos incotroláveis.


Suzan gozou alto

E o policial retirou a arma 

De dentro de sua vagina

E então a lambeu:

-Deixe-me lavá-la 

De desejo Suzan,

Deixa-me molhá-la 

De porra.

Ele falou descontrolado.


Suzan tremia recostada

A pia de louça suja.

-Cuspa em meu corpo,

Me lave com sua saliva.

Ela gritou e o outro policial

Que esperava na viatura

Pôs-se a vir até eles:

-Shmit o que você está esperando?

Aconteceu algo errado?

Ele indagou enquanto

Estava a caminho deles.

-Gostosa, vadia,

Vou de lavar de prazer.

O soldado gritou da janela

Gemendo alto,

Então, cuspiu nos seios

De Suzan e depois tocou

Em seu pênis e lhe jogou porra

No rosto gemendo muito.


-Já vou Ronann.

Gritou ele

Olhando para trás.

-Não chame ele,

Suzan, venha até minha casa

E tome seu banho,

Eu vou conseguir água para você.

O policial respondeu sôfrego

De desejos e se afastou.


Suzan arfou 

E o policial manteve

Seu corpo nu oculto

De seu amigo através 

De seu próprio corpo.

O pai de Suzan estava

Próximo a viatura 

Gritando de ódio,

E ele foi conduzido

Até o Antonio,

Instante em que foram

Solucionar pessoalmente

O problema da falta de água.


Então, o cano foi concertado

Pelos quatro e logo

A água chegou até a caixa

De água de Suzan que feliz

Correu tomar banho.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Prazer Criminoso

Vasculhar o celular

Do esposo nunca foi

Seu hábito favorito,

e estava ficando cada vez pior.

Sempre haviam mensagens estranhas,

Com nomes masculinos,

Porém, soavam tão femininas,

Não era do costume de Élide

Aceitar relações homoafetivas,

Aliás, nenhuma relação,

Ela era casada com Edist

Por que ele teimava em traí-la?


Teria que desistir,

Conhecer um novo homem,

Se distrair.

Bem, apareceu Antony,

E ela nunca mexeu no celular dele,

E ele nunca foi tão perfeito

e inexplicavelmente bonito.


Mas, algumas pessoas

Comentavam sobre ele,

Faziam esteriótipo,

Diziam sobre suas manias

Com relação as suas mulheres

E ele tinha muitas,

Em milhares sedentas

Por seus carinhos.


Isto, não era sedutor

Ou romântico.

Um homem que coleciona mulheres

É antiquado e antipático,

Ele se valoriza demais,

E não se adapta a ter uma vida casual.


Um sujeito mulherengo

Que fica com todo mundo,

Também não é um relacionamento

Perfeito ou mesmo adequado,

Mas, por que Edist insiste

Em se relacionar com homens,

E se forem mulheres

E ele apenas fingiu um nome?


Ela agendou encontro com uma,

E o que viu naquele bar

Acabou com sua autoestima,

Se tratava de uma garota,

E ela vinha acompanhada

De uma criança.


Ela ficou incrédula,

Seu esposo tinha relações

Com crianças?

Ele era pedófilo?

Chorando ligou desconsolada

Para Antony que logo veio

De motocicleta buscá-la

No bar.


Ela descobriu tudo isso

Através deste encontro,

No qual a mulher ficou chateada

Por ter de esperar algum tempo

Até que Edist chegasse

E foi logo falando todo o crime,

Que ele gostava desta relação,

Que sempre estaria com ela,

Porque ela nunca deixaria

De trazer a criança para ele

Sentir todo o prazer de que

Necessitava para se satisfazer.


Que ela tinha vídeos dele

Tocando a criança e 

Fazendo sexo com a menina

De apenas um ano.

Que conforme a criança morresse,

Porque isso já ocorreu 

Num passado não muito distante,

Ela nunca se importou

Em trocá-la na maternidade

Do hospital,

Já que ela trabalha como enfermeira.


Ela teria desmaiado

se a situação permitisse

Ante cada mensagem que recebia,

Tomando um Coca-Cola

Sentada na mesa

Em frente aquela mulher

Que enviou mensagens de texto

E também faladas

Sem importar-se com o conteúdo.


Depois enviou uma fotografia

Da menina sentada

Comendo um sanduíche,

De suas pernas abertas,

Como se isso causasse prazer.

Um desconfortável desejo

Por objetos ilícitos.


Antony chegou logo,

E ela correu até ele

Tonta e chorosa,

Temerosa de tudo que soube,

Tardou a falar 

e não se importou

Nenhum pouco quando

Ele a tocou e transaram

Incessantemente naquele motel barato.


Ela optou por pegar o celular,

E enviá-lo por carta anônima

Até a delegacia por um mototáxi,

Tomando o cuidado de ficar

Extremamente longe de casa,

e esconder sua identidade,

Ela não quis envolver-se

Nenhum pouco com a situação,

Mas, também não desejou

Que ficasse impune.


Tomou todo o cuidado

De negar ter visto o celular

Do esposo,

E preferiu esperar para

Se separar dele por completo,

Mas, no mesmo dia

Encontrou pretexto casual

Para dormir em quartos separados.


Um cartão de prostituição

Que ele tinha na carteira

Foi motivo suficiente,

Ela era forte e destemida,

Mas o que soube a atordoou,

Seu esposo tinha relações

Sexuais criminosas

O tempo inteiro as escondidas.


Ela iria tomar a casa

Por dano moral,

E trazer Antony para protege-la,

Infelizmente, o teor do que 

Edist fazia não lhe permitiria 

um único dia de solidão

Ou solteirice,

Teria que imediatamente

Processar um e separar-se

E trazer o outro para morar

Com ela,

Ela temia por sua vida.

Já Apanhei e com Este, Como Será?

Tudo estava perfeito,

O rosto moreno entre seus dedos,

O sorriso malicioso

Em seus lábios 

Feito um convite ao prazer,

O olhar másculo,

Contudo,

Quando fechou os olhos

Para beijá-lo,

Algo em seu peito a deteve:

As lembranças do passado

Foram mais fortes

E de tão intensas

Pareciam sufocá-la,

Ela teve que empurrar

Seu rosto e sentiu falta de ar.

O maxilar dele se contraiu assustado,

Ainda com os lábios serrados

Num bico de beijo

como se ainda estivesse nela,

Até seus olhos ficaram fechados,

E ele pareceu embasbacado.

O cheiro que vinha dele

Lhe causava enjoo,

Era como se outra vez,

Mesmo não se tratando

Da mesma pessoa,

Ela fosse sofrer.

E morrer em vida por um homem

Não faz bem,

Chorar pelos cantos,

Sofrer pela cidade

Deixou de ser seu objetivo,

Ela já se sentia madura demais

Para se permitir avassalar

Por um alguém fosse quem fosse.

Amar doía,

E se doía ela fujia.

O homem abriu os olhos

Estendeu as mãos

E segurou forte seu rosto,

Com os lábios avermelhados

E tão intensos de calor.

Ele a puxou e pediu desculpas

Bem de perto,

Com seu hálito sedutor

A tocando devagar

Feito uma carícia.

Depois ele a puxou para o

Seu ombro e a deixou ali

Até que seus medos descansassem,

Até que ela quisesse ficar,

E nunca um ficar quieta

Só sentindo cheiro e calor

Foi tão bom.

Seu antigo relacionamento

Lhe deixou marcas pelo corpo,

E sua alma o via em cada homem,

E sentia medo de todos,

Por que com este

Estava sendo diferente?

Até quando seria?

Ela já não sabia 

Se queria encontrar 

Estas respostas,

Mas, por ora se permitiu ficar.

Só desta vez,

Só enquanto ele estivesse

Sobressaltado de desejo,

Só enquanto o calor dele

Lhe tomasse por inteira,

Só enquanto seu cheiro

Lhe soasse tão suave e bom,

Só enquanto o suor dele

Escorresse por seu rosto,

Lhe tocasse a pele,

O pescoço e os seios...

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Mãos de Guerreiro

 Minha vontade

foi não me libertar,

Eu nunca quis mais

Que neste dia

Ser possuída ali mesmo,

Sem vergonha,

Sem máscaras,

Em público por ele.


O grande homem

Por quem me apaixonei,

De olhos escuros e brilhantes,

Rosto gentil,

Sorriso compassivo,

Mãos grandes,

Eu o quis sem reservas.


Mas, antes de tudo

Desejei que ele implorasse,

Quis algum consolo,

Alguma prova contundente

De que não me abandonaria,

Ou trairia com quem fosse.


Eu me violaria

Se agisse diferente,

Eu precisava dele

E essa necessidade iria durar,

Eu soube disso,

Desde a primeira vez

Que olhei em seus olhos castanhos.


Ao examinar seu rosto,

Me vi insegura,

eu não parecia tão perfeita,

Tão pronta

 Quanto a urgência gritava

De dentro de mim.


Ele se achegou e

Pegou em minha mão,

Sua mão grande guardava

A minha tão dentro

Que me vi consumida ali,

Suas mãos acostumadas

A empunhar uma espada

Sabiam bem manusear uma faca,

Como um guerreiro corajoso

Que sabe buscar o que quer,

Braços tão fortes

Que dobrariam o ferro

Entre os dedos,

Que tinham destreza no machado,

A lâmina afiada entre

Seus dedos virava artigo

De luxo

tamanha perfeição e habilidade,

o toque de suas mãos 

Me deixou com os braços moles.


Eu me vi perdida nele,

Submersa em seu olhar,

Segura de todos os medos,

Vitoriosa e apaixoanda.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Apaixonada

"Eu estaria mentindo

Se dissesse que não a quero

Em minha cama!"

Gustav guardou as palavras,

Lhe soavam aos ouvidos

Como uma carícia,

Era como uma lembrança

Vívida que causava prazer

E trazia sonhos.


Então, ele a desejava,

Sonhava em estar com ela,

Protegê-la dos perigos

de ser solitária

E ser protegida é bom,

Ela logo descobriria isso

E o escolheria.


Não seria erro

Se Gustav o escolhesse,

Ele era íntegro e honrado,

Sua voz lhe causava prazer,

A simples lembrança 

De estarem juntos 

Causava paz.


Uma mulher precisa de paz,

E um homem precisa

De uma mulher ao seu lado,

Tudo se encaixava tão bem,

Que perdê-lo seria impossível,

Ele a queria,

Dava para perceber isso

Em cada olhar

Que se esquivava

Como se buscasse fugir

Por ser incapaz de negar

O que sentia.


E aí Lucas

 Oi Lucas

Então você me aceitou?

Por que eu discuto comigo

O tempo inteiro

E sito cada um dos meus erros,

E você acha isso pouco

E ainda pensa que

Eu não errei tanto?

Obrigada,

Eu não sei te agradecer

Preciso lutar contra isso,

Eu me exijo,

Volto atrás e só me vejo

Em erro,

Que droga,

Maldita faculdade

Em que estudei pouco

Não me esforcei

E parece que só perdi meu tempo,

Bem, mas você é ganho,

Você é lucro,

Você é sucesso,

E o Tiago?

Hum, seu lindo primo 

Comprometido,

Eu não resisti aquelas fotografias

Dele seminu na piscina

E você me conhece tão bem,

Eu fui lá e tentei seduzir ele

Fazendo o mais errado possível,

Tipo, falando mal para caramba

Da esposa e pedindo para

Ele fazer sexo comigo,

Assim, na frente de todo mundo,

E ainda jurei que eu e ele,

Num rompante do destino

Éramos casados,

Bem, veja bem,

Embora estivesse tudo deslocado,

Caramba ele é super lindo,

E eu não desisti nenhum pouco,

Então, você veio lá com nós

E me perdoou outra vez.

OK, está certo porque

Você é lindo,

Perfeito e eu não me sinto digna,

Sei lá,

Me sinto tão inapta a ser sua,

Parece tanto que você

Merece outra garota

Que seja tão melhor que eu,

Eu me vejo tão falha

e você como você me vê?

Eu estou tão sozinha

a tanto tempo

Que parece que não sei

Pertencer a alguém,

Mas, vamos nos esforçar para dar certo?

Sair curtir de carro,

Sentir o vento nos cabelos,

Parar num barzinho

De beira de estrada

E beber além da conta,

Subir no capô do carro

e transar além das horas

E do tempo.

Veja, somos tão jovens

Aqui no espaço dos 40 anos,

Quem se importa

Com o que fazemos?

Vamos transar e transar,

Vamos beber até cansar,

Vamos virar a noite

num barzinho de rua abandonada

Bem longe de tudo,

Onde ninguem nos conheça,

Ninguém comente sobre nós,

E nós não precisemos vestir

Máscaras e fingir qualquer coisa,

Vamos só viver,

Viver e tentar,

Depois disso damos

Um mergulho no rio pelados,

Só para sentir o frescor noturno

Invadir cada parte do corpo

Então transamos na água,

Na terra, no banco do carro,

Sem limites,

Estamos nos 40 anos

Quem se importa com oq ue fazemos?

Me abraça

 Estou cicatrizando

As feridas

Que não sangram

Como marcam a alma

E me ferem por dentro,

Queria entender,

O que houve entre nós,

Bem,

Minha parte eu sei:

Eu sai para te trair,

Ficar com um homem

Melhor que você

Que me desse prazer

Sem me irritar logo após

Que me fizesse sorrir

Sem cobrar erros,

Ou falar do que

Não quero saber...

Mas, ele foi cruel,

Foi muito pior que você,

Ele me agarrou pelos ombros,

Me chacoalhou forte,

Rasgou meu melhor vestido

E me obrigou a fazer sexo.

Ok, você estaria certo

Se eu te contasse isso,

Eu sai de fato

Com o intuito de transar,

Mas, desisti no caminho

Por que ele me obrigou?

Por que insistiu

Se eu já não queria mais?

Eu queria saber,

Queria entender,

Ele foi pior que você,

Por que agora 

Que eu chego ferida 

Em casa

Você não esquece tudo

E me abraça?

Isso me força,

Eu não quero contar

E você parece buscar

Em mim o que houve,

Cara, eu fui transar

E o cara me obrigou,

Eu acho que é estupro isso,

Sei lá,

Por que você não estava lá?

Você teria sido mais forte

Que eu,

Você teria me protegido,

Mas, que droga,

Por que dentro de casa

A gente só briga?

O que há entre nós?

O que é essa desconfiança

E medo que me impede

De te contar

Que eu fui trair 

Para me divertir

E o cara me estuprou

Do início ao fim,

É isso!

Não me deixa sozinha,

Me abraça bem forte

E apaga da minha cabeça

O que eu fiz,

Estou ferida

e guardo as marcas,

Mas, a culpa também é sua,

Por que você não me abraça?

Agora você sente  nojo 

De mim por que eu fui tocada

Por outro,

E te parece tanto

Que eu só fui te trair?

Sim, eu entendo,

Isso não é se divertir.

Me abraça antes 

Que eu fique louca!

domingo, 19 de julho de 2026

Eu, Ranita, Namorada e Violentada!

 A garota nunca imaginou

Que se envolveria

Num relacionamento tóxico,

Do tipo em que o namorado

Convida os amigos para beber

E comer churrasco

E por tradição,

Começa a esnobá-la 

Em frente  a todos.


Foi dessa forma

Que ocorreu desde o primeiro encontro,

E Ranita não sabe

Porque continuou com isso,

Roão passava a mão 

Na sua bunda na frente de todos,

Exigia cerveja gelada

E erguia sua saia 

Toda vez que ela chegava perto.


Ele tinha algo que coçava

Em sua mão,

A todo instante a apalpava

E cheirava seu corpo

Buscando marcas 

E cheiros que denunciasse

Seu caso de amor.


Pois é, Roão nunca lhe deu razão

Ou acreditou na palavra de Ranita,

Cada vez que podia 

Erguia sua roupa,

Vasculhava a sua calcinha

Na frente de todos

E ainda lhe dava tapas

Na bunda e nas cochas

Que ele dizia que eram de amor

E domínio.


Ele só faltou tatuar

O nome dele nas regiões de Ranita,

E depois disso,

Ele a encontrava dentro de casa

E reclama dos vermelhões

E apertões que ele próprio

Tinha feito.


Roão a obrigava 

A fazer uma espécie 

De encenação de amor

A pegando no colo

E lhe fazendo carícias expostas

Na frente de todos,

E depois ele a seguia pelos cômodos,

A obrigando a  ter relações sexuais

Com ele.


Ele a obrigava a beber

Lhe derramando a bebida

Garganta abaixo,

E exigia provas de amor,

Pedindo que ela dançasse

Sobre a mesa

E fingisse tirar a roupa,

Tudo isso exigia da moral

De Ranita um percentual 

De baixaria.


"E se alguém gravar?"

Ela perguntava.

"Quem grava sou eu".

Ele respondia,

E a chamava de "gostosa",

E outras coisas pegajosas

De cunho sexual.


Isso denegriu Ranita

Para si própria,

Era muita sexualização

De seu corpo,

Ela parecia ser um objeto,

Uma espécie de prostituta

Gratuita.


O preço deste relacionamento

Era a sua dignidade,

De repente,

Roão invadiu a sala

Onde ela estava e a

Encontrou com uma amiga

Sentada no sofá,

Imediatamente ele deu-lhe

Um tapa na cocha

E falou alto:

"Vocês estão transando?"

Ela o olhou assustada:

"É certo que não".

Ela disse.


Mas, ele invadiu com sua mão

A sua saia e penetrou

Com o dedos a sua vagina:

"Então, eu quero isso de você,

Agora."

Ele disse em tom áspero.


Ranita desta vez 

não cedeu,

Levantou-se munindo-se

Do pouco de dignidade

Que tinha e foi para

A direção do quarto,

Porem, Roão a pegou 

Pelos cabelos e a impediu

Derrubando-a para trás,

E arrancando um chumaço

De cabelos.


Sua amiga Assilei,

Chamou a polícia

Que logo chegou 

Com as sirenes ligadas,

E as luzes de emergência.

A vida de Ranita foi exposta

Para  toda a vizinhança.


E Roão foi preso

Por violência doméstica,

Ranita mostrou as marcas

Aos policiais e contou

Como tudo ocorreu,

Também pediu medida de proteção,

Que trata-se de uma ordem judicial

Para que ele afasta-se dela.


Agora Ranita se envolveu

Com o policial que lhe ajudou,

Ela ainda busca em suas mãos

Alguma marca que denuncie violência,

Não acredita que ele nunca irá

Bater nela,

Como o namorado anterior,

Que não era policial mas

Lhe jurando amor

Tanto mal lhe fez.


A noite ela acorda assustada

E busca o policial ao seu lado,

Ela se sente segura,

Ele não irá gritar contra ela,

Prendê-la ou ofendê-la,

Ele é um bom soldado

Que soube vê-la,

Admirá-la e protegê-la.


Cada vez que ele sai

Para trabalhar

Ela se ajoelha 

Implorando a Deus

Que ele volte bem

E que ninguém o fira,

Ela ama a arma que ele

Usa no coldre,

Ama suas mãos fortes

E seguras,

Ama seu abraço,

Ela não quer perde-lo

Para um criminoso qualquer.

Abuso de Direito - A Emboscada

 "Eu nunca sei

Qual será minha última batalha!"

Disse um sargento

Sentado no banco do carona

Do carro policial

Segurando uma grande arma

Para cima em frente a janela.


Talvez, ele pensasse

Que esta arma poderia

Protegê-lo de um tiro

Ou que lhe vendo tão forte

Iriam evitar tentar matá-lo,

Talvez ele pensasse que

Ferro contra ferro

Lhe dava vantagens.


O esposo daquela mulher

Não pensou assim,

Ele bateu nela pela milésima vez

E outra vez

A polícia acreditava que iria

Remedia-lo o levando para a 

Delegacia de Polícia Civil

E o encarcerando por algum tempo,

Ou talvez, algum valor.


Uma multa já lhe dava

O direito de retornar para o lar,

A questão nunca foi

Por que Rosalva aceitava-o

Tão facilmente em casa,

Mas, por que a polícia

Acreditou tanto nela

E lhe deu tantas chances

Para melhorar sua mente violenta.


Esta foi a última vez

Que Janito trabalhou 

Para a polícia,

Quando ele abriu a porta

Com sua arma apontada

Para o alto,

Ela realmente impediu

Que o primeiro tiro

Apontado contra ele

Fosse fatal,

O segundo também,

Mas, o terceiro lhe acertou

Em cheio.


Na sua frente caiu Rosalva

Estatelada,

Com os braços esticados

Tentando impedir o marido,

Este foi seu último ato de bravura

Criminosa,

Ele ceifou a vida de um sargento,

Não a  de Rosalva.


Rosalva era forte e prepotente,

Ela sabia como evitar a batalha,

Bastava entregar o rosto

Para ser chutado 

E o corpo para ser estuprado,

Mas, o sargento Janito

não entendia disso.


Ele pensava que sua batalha

Contra o crime só se dava

Por encerrada se ele fizesse

Seu melhor que neste instante

Era apenas verificar 

Esta ocorrência que envolvia

Gritos e ameaças contra

Uma esposa em seu lar.


Não havia armas,

Não havia violência

Exceto isso,

Gritos e ameaças distantes.

Mas, o sargento sentia pena

Desta vítima,

Diversas vezes ele atendeu

Ocorrência similar relacionada a ela.


Quando os outros três polciais

Desceram da viatura

O encontraram caído 

Sobre o banco sangrando,

O colete e prova de balas

Que ele usava para proteção

Foi insuficiente,

As instruções de ação

Foram insuficientes,

A coragem de enfrentar

Violências  a vida inteira

E o amor por sua família

Não o livraram da morte.


Um policial correu até o criminoso,

O jogou no chão

Com um muro contra a cabeça

E o prendeu algemando.


Rosalva não foi presa

Por cúmplice de assassinato,

Ela era a vítima,

A perfeita vítima,

Porém, seu diário soube a verdade.


Há tempos Rosalva passava

Em frente a base de polícia militar

E cuidava o sargento treinando,

Ela estacionou seu carro

Próximo a base e o cuidou

Por muito tempo.


O sargento homem casado

E honrado,

Pai de família nunca 

Deu oportunidades de sexo

Para Rosalva que guardou a dor,

O rancor e o desejo 

Que sentia profundamente por ele.


Tendo visto a esposa

Do sargento indo até o trabalho

Diversas vezes,

Chegou a apontar a arma

Contra o rosto dela,

E depois a baixou 

Entre suas pernas.


Tendo visto seu filho pequeno,

Ela assoviou para ele na creche,

E o fez escorregar várias vezes

No escorregador até cair

E se ferir um pouco,

Ela tirou fotos quando

A enfermeira o buscou

E o carregou para a enfermaria,

Sangrando uma dor inexplicável.


Isto aumentou o prazer de Rosalva,

E seu esposo gostou de tê-la

Em casa em cada uma dessas noites,

Onde ela desenhou no papel 

Um boné de soldado e o usou

Para fazer fetiche.


Ao ver o sargento no trabalho,

Ela pediu para um de seus conhecidos

Que lhe roubassem a arma

De sua farda,

A que ele usava para defender-se,

Para trabalhar e  exercer seu ofício,

De arma em punho,

Ela a usou para masturbar-se

Quando o chefe da corporação

O advertiu pela perda.


Na frente dele

Ela masturbou-se com ela,

E vendo seu sofrimento

Sentiu ainda mais prazer,

Várias vezes ela ligou

Para o sargento em busca de sexo,

E masturbou-se,

Em cada vez ele evitou atender,

E desligou contra a vontade dela.


O salário do sargento é baixo,

E ele nunca imaginou

Que fosse seguido de tão perto,

E muito menos pensou

Que seria Rosalva.


Na primeira ocorrência

De briga com o esposo

Ela estava de vestido curto,

Isso não inspirou o sargento,

Nem nas outras tentativas,

Então, este era o seu fim.


A arma que tirou a vida

Do sargento era de Rosalva,

E quem atirou foi ela própria,

O esposo apenas ajudou

Com alguns outros tiros.


Para derrubar a vida do sargento

Precisou mais de um tiro,

Mais de uma tentativa,

Mais de uma emboscada,

Mas ele partiu sangrando

E gemendo e sua família

Ficou a mercê 

Da vontade de Rosalva.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Encantadoramente Apaixonada por um militar

Eu teria me apaixonado

Se fosse o caso,

Contudo, foi tesão tórrido,

Amor doentio,

Um tipo atrevido de sentimento

Que não se deseja tão intenso.


Um topo que lhe toma

Por inteiro e lhe ganha

A alma,

Tão alto,

Seguro e estranho.


Prisioneira de seu olhar,

Eu movi mundos para chegar

Até ele e sentir seu calor,

Provar da atração

que nunca senti tão intensa.


Enfrentei medos e miras,

Fosse seu olhar a estrela 

Da noite

Brilharia de braços abertos

Pronta para receber-me,

Porém, sendo ela este,

Este conteve-se,

Afastou-se o máximo que pode

E me tirou do sério.


Seu olhar fulminante

Com efeito balístico,

Tornou-se irresistível,

Segui até ele com ímpeto

E muito de medo.


Chegando próxima

Me vi atraída por seu jeito

E algo de masculino

Que imaginei proteção,

assim que o enlacei

Me vi agarrada

A uma espécie de força,

Um colete balístico

Ou algo intenso

Que me protegia de tudo...


Ah, se olhares ferissem,

E se existissem os que salvam,

Este me abrigaria

Sob um véu de proteção

Do qual eu nunca iria

Querer sair.


Estando tão perto,

Vi seus braços deslizarem

Por sobre meu corpo

Feito uma guilhotina

De ferro e forças cortantes

Que me retiravam a resistência,

Eu já não queria ser de outro,

Tê-lo me era o mundo,

Como se o universo descesse

Do céu e se pusesse 

Ao meu alcance,

Girando no meu entorno,

Feito duas estrelas

Fora de órbita que enlaçam-se

E vagam numa dança 

De conquistas e seduções.


Guilhotinada me vi nua

E sua,

Eu não sabia o que falar,

A intensidade do seu olhar

Era como mergulhar

Num infinito e perder-se

Sem vagar a esmo,

Era um perder-se bom

E seguro.


Duas balas sobre você

Era a intensidade dos seus olhos,

Duas navalhas de ferro afiado

Eram seus braços enlaçados

Sobre meu corpo,

E uma muralha de calor ardente

E força viciante 

Era seu corpo retendo-me,

Já seus lábios era como o luar,

Que brilha a meia luz

E esconde-se um pouco,

Doce lua crescente que

Fez meu coração ficar louco,

Já seu nariz me pareceu

Dois enlevos de montanhas

Num escuro de luar

Que encontram-se 

Em beleza e vida iniguláveis.


Eu queria estar ali,

Eu desejei estar ali,

Entremeio as suas pernas

Que me erguiam num alto

Tão acima de tudo

Que parecia que nada 

Poderia me alcançar.


Segura no monte mais alto,

Do plano mais seguro,

No lugar intocável

De um templo sagrado e puro

Em que nos unimos,

Eu de pura matéria apaixonada

E ele feito da mais pura segurança,

Mistérios e força bruta

Que me protegia,

E me dava paz.


Eu me apaixonei descaradamente

Por este militar,

Sua farda,

Seu olhar,

A forma segura

Como ele olhava tão distante

E me permitia vagar.


Com ele eu pensei

Que não precisaria estar

Tão no controle de tudo,

E era ali que eu estaria,

Sua voz de trovão,

Soava como um rompante

Que não se resiste,

Se força ou enfrenta,

Você ouve e obedece

E é bom.


É ter um militar 

A sua espera é seguro,

Todos te olham com espanto

E uma espécie de admiração,

Você sente-se protegida,

E ele se sente másculo,

E ele é muito masculino,

Forte, atrevido e impetuoso,

Adoro vê-lo em frente a tropa,

Seguro de tudo que fala,

E se me abraça,

Adoro muito mais que tudo.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

O Cara não desiste de mim!

 É 15 de julho,

Me desculpo,

Há anos perdi a Lara,

Dose única de horror

E medo:

Medo do escuro,

Medo do desconhecido,

Susto com o que conheço,

Espasmos com o que 

Perco apreço.


A preço alto,

Perdi minha pequena,

Preço injusto

Para uma alma 

Que sedenta sente falta

E chora,

Lamenta anos passados,

Que não refletem

O que vivo.


Mas, reflete a tela

Do celular e outro rosto

Se mostra evidente,

Foi lá atrás a Lara,

Hoje a acompanha

O Laro que liga

E não sabe o que faz,

Que fala e não cre

No que diz,

Que cala

E não se importa

Com o que fez.


Com um espasmo

De medo

E não pouco choro

Me despeço de amores

Passados,

Que em cada fotografia

Insistem em me ver

Ao seu lado.


Ausente de cada imagem

Me vejo em reflexo,

Por que está aí com outra

E não me tira do pensamento?

Aline, Aline, Aline,

Cadê a Aline,

Por que ela fez isso?

Aonde esta que não a vejo?


Eu me repreendo

E choro em lamento,

Que fiz para merecer

Tanta busca,

Tanta lembrança,

Tantos pensamentos?

Você é casado

Deveria se dar o respeito,

A puta com quem você dorme

Não merece um pingo

Da minha insegurança.


Nesta puta,

Tu fez um filho,

Por favor,

Me tira da lembrança,

Isso é doença,

Me ter por troféu,

Busca desregrada,

Que há em você

Pra se meter nesta desgraça?

Sai dessa cara,

São seis anos

E em nenhum deles

Você viveu para esta moça?


Eu não te vi tanto,

Não te busquei,

Não lhe conheço,

Mas, choro sua dor,

Por que fez isso?

Se lá com você eu não estou,

Agora esta puta 

É capaz de acreditar

Que seria bem-vinda

Em minha casa,

Por que me indago:

Então, você seria convidado?

terça-feira, 14 de julho de 2026

À Sua Disposição

 Formada em direito,

Aprovada na prova para advogada,

Tudo estaria perfeito

Se seu sonho não estivesse na roça,

E seu coração...

Ah, seu coração estava no Batalhão

Da Polícia Militar;

Com a aprovação do curso

Em mãos,

Ela reprovou no quesito físico,

Magra demais...


As horas em que 

Passou estudando 

Lhe ocupou muito,

Retirou o horário de trabalho

E levou o salário,

Isso lhe tirou o dinheiro,

E o alimento em sua casa

Sempre foi pouco,

Hoje, por ter sido insuficiente

Lhe deu um corpo esbelto,

Mas lhe roubou a aprovação

No concurso dos sonhos:

Ser soldado,

Soldado de Juliano,

O Coronel mais lindo

Que ela já viu

Que desde o primeiro olhar

Lhe roubou tudo:

Vontade de sair pelas ruas

Beber e curtir com as amigas,

As drogas que dirigiam

As colegas,

A vontade de ser de 

Qualquer outra pessoa.


Juliano lhe tomou

Cada pensamento,

Cada ato e cada sonho,

Também tomou alguns 

Olhares seus no espelho

E umas passadelas pelo

Próprio corpo.


Mas, vê-lo não era simples,

Trabalhava doze horas

E seguia cotidiano restrito,

Sempre com a família...

Juliano era o objetivo,

E o sonho de quantas?

Muitas,

Com certeza.


Alessa vendeu o terreno

Que tinha na cidade

E comprou uma chácara

No interior do município

Onde Juliano morava,

O mais perto dele possível.


Lá aprendeu a fazer pão,

Sempre nas horas que queria

Lhe chamar a atenção,

Aprendeu a fazer pizzas

E bolos confeitados.

Tudo em função de Juliano

Para atender seus gostos,

Logo, ele passou com sua picape,

Em frente a sua casa.


O coração de Alessa

Nunca pulsou mais forte

E seu pulso se levantou

Em cumprimento,

Ganhou seu primeiro sorriso.

E o olhar de seus olhos azuis límpidos,

Em contraste de seus dentes brancos,

Foi como se um céu se abrisse

E estivesse tão perto

Que era só correr e tocá-lo,

Mas Juliano o Coronel

Não se permite ao toque

Assim de maneira tão simples,

Não ele apenas lhe sorriu

E partiu com aqueles seus

Cabelos loiros ao vento

Feito um sol que cai no horizonte

E deixa só o escuro.


Um escuro de bloqueio de pensamentos

Em que só o vê,

A nenhum outro.

Naquele céu lindo de nuvens esparsas

Que se abre e deixa a mostra

Um azul tão profundo

Como um sonho em que você

Se joga e não se permite voltar,

Juliano é como uma arma municiada,

De gatilho puxado

E um dedo a espera,

Aliás seu dedo sempre está

Em prontidão,

Ereto e seguro de porte másculo,

Naquela farda desbotada

E marrom parece um anjo,

Dando ordens e instruções de apoio,

De trabalho,

De ações.


Com um clique e ele atira,

Sem errar o alvo,

Com sua voz alta e estridente,

Efeito bala voando 

Cortando o ar,

Acertando e ferindo

Até onde ele quiser,

Sangue,

Dor, 

Alívio,

Segurança,

É Juliano.


Bem, mas seu carro branco

O levou para as ruas do Batalhão,

Agora ele mudou a rotina,

Preferia usar a rua de sua casa,

Isso lhe permitia as olhadelas,

Os abraços inseguros 

Em si mesma,

Como se fosse nele.


Pensando em sonhar,

Alessa comprou um casal de patos,

Depois mais dez,

Então, dois porcos

E começou  a cria-los.

Ela convidou Juliano 

Para fazer o chiqueiro 

Para os bichinhos,

E os pregos começaram 

A estalar sob o martelo,

E de tábua a tabua 

O chiqueiro foi montado

Num único dia.


Lá houve o primeiro contato

De suas mãos, e então,

Na sombra da canela de Seilão,

Ocorreu o primeiro beijo,

Depois naquele chão de terra

Poeira e raízes protuberantes,

Houve o amor.


Foi a primeira vez de Juliano,

Não de Alessa,

Mas, mergulhar no seu corpo alvo,

Foi como entrar num mundo inabitado,

Que nunca foi tocado,

Uma invasora de seus mistérios,

Um mergulho num céu de nuvens

Esparsas que era seu rosto,

Um entregar-se aquele beijo sedento,

Como se o branco de seus dentes

Fossem nuvens de algodão

A percorrendo sobre toda a sua pele,

Sedento e tesudo e apaixonado.


Alessa tocou seu rosto fortemente,

E olhou naqueles olhos azuis

Como se o céu estivesse tão perto,

Tão perto e tão nela,

Seu calor tinha efeito de um sol

Inexplicável e forte,

Tão intenso e penetrante

Que ela implorou para ficar ali,

O recebendo,

O invadindo,

O tendo,

Num entregar-se apaixonado

e demorado.


Acabado o ato de amor,

O Coronel Juliano se foi,

Foi difícil soltar sua mão quente,

Permiti-lo ir,

Desviar o olhar,

Jamais ela admitiria a dor

Que sentiu o vendo ir,

Então, ela aproximou-se rápida 

Por trás,

Mas, antes que chegasse nele,

Ele virou-se como se esperasse

O ato,

E ela pode sentir seu rosto,

O calor, 

E o céu aconchegando-se nela,

Sobre seus seios arfantes,

Os lábios trêmulos

Que imploravam por seu amor,

Ele pegou sua mão outra vez,

Lhe repousou um beijo

E foi.


Ela ergueu a mão

E acenou o máximo que pode,

Nuvens de poeira levantaram-se,

Ofuscando vê-lo,

Mas ela soube que agora

Ele sempre estaria perto,

E que ela nunca o esqueceria.


Na noite de sua primeira visita,

Alguém invadiu sua propriedade

E levou um de seus porcos,

Alessa acordou e vendo

o chiqueiro danificado 

Em uma parte 

Correu até lá,

E notou a ausência de um porco.


Ao ligar para o número da emergência,

A emergência a aconselhou

A registrar ocorrência na delegacia

Pois este delito se resolvia 

Através da Polícia Civil,

Alessa desligou atordoada,

Não pode falar com Juliano,

Não obteve sua compreensão,

Palavras de carinho

E seus sentimentos.


Foi até o chiqueiro,

E pregou as tábuas soltas

Do chão,

Comprou outro porco

E o substituiu.


Depois foi até seu notebook,

E o buscou na rede social,

O que viu foi totalmente incompreensivo:

Ele estava noivo de uma garota

Que tinha um filho:

"Meu Deus, seria filho dele?"

"Não",

Ela disse,

Então, fechou seu notebook.


Se debruçou na cama 

E chorou,

Passou sete dias e o Coronel

Não lhe deu notícias,

Juliano afastava-se como o sol

Que toda noite se vai,

E não permite que mais nada

Seja visto,

Exceto sua ausência.


Os dias correram sôfregos,

Então, ela decidiu ir vê-lo,

Lá mesmo, no Batalhão,

Ao chegar lá,

Se sentiu constrangida ao se

Apresentar,

Disse se tratar de uma amiga

E que queria vê-lo.


Ele veio sorrindo o 

Seu sorriso perfeito 

Que logo se dissipou ao vê-la,

Sim, era Alessa

E não a tal garota noiva.

Ele lhe pediu um tempo,

E disse que logo retornaria.


As horas se arrastaram

Dentro daquele Batalhão frio

E úmido,

Então, ele veio,

Lhe cumprimentou estendendo

A mão aberta e

Ela foi direta:

"-Eu soube que você é noivo?"

Ela indagou em interrogação,

Não foi capaz de ser enérgica

Ou segura,

Seu coração balançava

Como se estivesse afundando

Num mar aberto,

Que era o Coronel Juliano

E seus olhos azuis enormes.


O Batalhão girava no seu entorno,

Policiais fardados iam e vinham,

Ele, então, consentiu.

"-Sim, noivo".

Ela estremeceu,

Abaixou a cabeça e saiu.


Atordoada pegou o carro

E dirigiu muito rápida

Sem saber o que fazer,

No caminho decidiu lutar 

Por ele,

Comprou frutas, flores e um livro

No mercado,

E uma sexta de cipó,

E a enfeitou para ele,

Ao levá-la no Batalhão

Ele lhe disse que não receberia,

Ela a deixou sobre o balcão

De entrada e saiu.


Nunca uma saída de um lugar

Foi tão difícil,

Suas pernas tremeram

E o coração palpitou sem parar,

Sentiu medo de ser alvejada

Por trás,

Ali haviam policiais e adeptos,

Nenhum outro,

Todos armados e seguros

De seus argumentos

E suas vontades,

Nada reduziria a opinião

Do Coronel Juliano,

Ele pertencia a outra

Para sempre.


Chegando em casa,

Algo inumano invadiu 

Sua propriedade,

Perseguiu seus patos,

E os rasgou ao meio

Despenando-os,

E arrancando seus pedaços,

Ela deixou a direção do carro,

Abandonou-o próximo a casa

Se ajoelhou e chorou:

Quem teria feito isso?


Chegar perto do Coronel Juliano,

Foi como estar com vistas

Erguidas para o céu,

Nunca desviar de seu olhar

E uma guilhotina cair de lá

Sobre seus sonhos 

Até não sobrar nenhum inteiro.


Havia sinais de quirela

Perto do chiqueiro,

Alguém tratou os porcos

Na sua ausência,

Provavelmente, os envenenaram,

Outra vez ela ligou para a emergência

Da Polícia Militar,

Outra vez o Coronel juliano

Não estava lá,

Não era seu setor,

E outra vez ela deveria

Buscar a Polícia Civil.


Outra vez ela não foi,

Juntou os resquicicíos

Que sobrou de cada bichinho

E os jogou no rio,

Que a água os levasse,

Sobrou apenas as penas

Estendidas e esvoaçantes

No vento frio de julho.


Era como se tantas penas

De tantos bichinhos

Apagassem o maldito azul

Daquele céu profundo

Em que se mergulha 

Por uma única vez

E nunca mais se esquece

Ou volta a si própria.


Os dias passaram,

Numa noite,

Seus porcos foram levados,

Sobrou apenas sinais de sangue,

Ela não ouviu nada,

Nada viu

E outra vez não registrou

Ocorrência na maldita Polícia Civil,

Ela não tinha interesse nisso,

Ser mal atendida,

Não tinha quem responsabilizar

Pelos danos,

Exceto imaginar que fosse algum vizinho.


Então, foi passear na sua tia

E descobriu que o Coronel Juliano

Comprou a propriedade vizinha

Para seu futuro sogro

E que seus cachorros fugiram

E causaram todos os danos

Que Alessa se referiu.


E inclusive, chegaram 

Até o chiqueiro de sua tia

E abriam-no com seus dentes,

E comeram o que havia dentro

Deixando só os restos,

Isso facilitou encontrar suas galinhas 

E comer muitas delas.


Logo a tarde ela iria registrar

Ocorrência na delegacia civil,

Alessa tomou caminho diferente,

Foi até o Coronel 

E lá, quando um sargento

Soube de que se tratava

Não aceitou chamar o Coronel

Para que conversassem

E resolvessem o assunto.


Alessa irritou-se:

"-Esse maldito viado,

chupador de p...

ele me odeia."

Ela gritou.

-"Senhora, controle-se,

Eu irei processá-la por desacato."

O sargento falou alto

Com uma planilha em suas mãos.


"Coronel Juliano,

Deus te capacitou

Mas não te escolheu."

Alessa gritou de frente

Daquele balcão

Com uma plateia de policiais

Cada vez maior se juntando

Naquela sala

E retirando sua visão dele.


"Coronel Juliano,

Você é comedor de crianças."

ela tornou gritar

Em completo desespero

Exigindo a sua atenção.

"Coronel Juliano,

Vamos transar?"

Ela insistiu em desespero.


"Senhora, por favor,

A senhora esta invadindo

Uma repartição".

O sargento falou

Com aquela prancheta 

Ameaçadora em mãos.


"Deixe daquela noiva".

Ela berrou em alta voz.

"Senhora, a senhora está

Perdendo seu disernimento."

Retornou o sargento

Chegando perto dela,

"Eu irei prendê-la"

Ele insistiu.

"Não, estou aprisionada ao

Coronel e não posso me esquivar"

Ela gritou em resposta.

"Senhora, eu posso desaprisiona-la 

Dele e leva-la para a Delegacia civil"

ele falou.

"Nãoooo".

Ela gritou.

Alessa afastou-se,

Trêmula e insegura,

"de que se tratava ele agir assim?"

"O que houve?"

"O que ela fez de errado?"

O sargento foi impiedoso,

E o Coronel a vendo da área verde

Do Batalhão não lhe deu atenção,

Ficou lá, 

Inerte sobre aquele verde

Explicando algo a tantos policiais

Que estavam lá,

Onipotente de contraste 

Com aquele outro complexo

De Batalhão marrom forte e claro

Que havia após ele.


Alessa gritou imperdoavel

De ali dentro tudo que houve:

"Seu maldito,

Você me usou,

Roubou meus bichinhos

E deu para seu sogro,

Me pague,

Me pague."

"Aspirante a Coronel Bedin".


O sargento aproximava-se dela,

Seguro com seus olhos escuros,

Feito uma noite misteriosa

Que roubava todo o seu céu,

Sim era o fim,

O fim do relacionamento

Que nunca teve mais

De um dia e alguns olhares.


Ela permitiu que suas lágrimas

Escorressem naquela sala

De recepção cheia de soldados

Armados que foram se juntando,

Enquanto ele ficou distante,

Dizendo adeus,

Sem falar uma única palavra.


Havia o balcão de recepção,

E um portão de ferro escuro,

Alessa se aproximou daquilo,

Ergueu uma perna sobre o portão

E gritou:

"Aqui você não fela"

E baixou a calça deixando a mostra

A sua vagina:

"Aqui você não morde"

Ela gritou,

Depois puxou a calça 

De volta e gritou erguendo

O casaco para o alto:

"aqui você não mama,

Viado,

Você mama seu saco!"


O Coronel Juliano

Permaneceu impassível

Fazendo o treinamento

Dos sargentos.

"Me Coma".

Ela gritou.

Ele a olhou e sorriu.

Uma multidão de pessoas

Começou a se reunir

Do lado de fora do Batalhão,

Todos de olhos e ouvidos atentos

Aos gritos de Alessa,

Que logo foi presa e contida

Pelo sargento.


A questão do aprisionamento

Não foi tão simples

Quanto parece no noticíario

Da manhã da cidade de Chapecó,

Ela deu um pulo para trás

Ficando distante daquele sargento

Que manteve o olhar sobre ela,

E as policiais que não saíram de lá,

Ela odiou cada uma daquelas fardadas,

Odiou o distanciamento dele,

Odiou aqueles olhos

Que mais pareciam uma bala

Solta contra ela,

Prestes a chegar perto,

Tão perto até dilacerá-la.


Ele parecia uma pedra

Solta em pé,

Um muro de ouro,

Naquele corpo branco e 

Tão perfeito,

Como a nenhum outro,

Um sol incandecente e dono 

De todo o céu,

Como se apenas no seu entorno

Residisse a vida,

Todas as vidas:

Daqueles presentes,

Daqueles lá de fora,

Mas, não a sua!


Ela buscou uma arma no sargento,

Mas, ele não permitiu que ela

Se aproximasse,

Alegou que a processaria por desacato,

Perseguição contra Tiago

E o que mais lhe conviesse.

Ela gritou de dor,

Ódio e despeito.


"Eu te amo Coronel Juliano",

Ela gritou pela última vez,

Então, duas mãos quentes

Repousaram em seus braços

A mantendo inerte.


A porta de uma cela fria

E escurecida da Polícia Civil

Lhe tirou o sonho de estar

De volta tão próxima do céu

Pelo qual se apaixonou

E chegou uma única vez,

Tocou um único dia.


Lá no alto da delegacia,

Um helicóptero sobrevoou

Bem baixinho,

Era o Coronel Juliano quem dirigia,

Ele própria veio conduzi-la

Até o presídio regional,

Então, num ímpeto de humanidade,

Ele pagou a multa que havia

Contra ela na delegacia

E lhe permitiu a absolvição prévia,

Até a responsabilização criminal

Por seus atos.


-"Ato de amá-lo?"

Ela o indagou na frente

Do delegado,

O delegado riu.

"-Você sabe que agora

É proibido!"

Ele respondeu seguro

Em seu fardamento.

"-proibido deveria você

Ser viado".

Ela insistiu em ofende-lo.

Ele a olhou com o olhar seguro,

E não disse nada.


Na saída,

Ele pegou sua mão,

E a manteve por um tempo,

Ela soube que seria sempre dele

Não importava o que houvesse.

Ela olhou para trás e buscou

Seu beijo ele desviou 

Para o lado oposto.


Então, soltou sua mão

E empurrou seu braço,

Ela saiu desconsolada

Pelas ruas noturnas

Daquela cidade perdida

De crimes e solidão,

Ninguém lhe estendeu a mão,

Nem matou,

Pareciam não vê-la,

Nenhum daqueles alcolatras

E drogados.


Logo no amanhecer

Ela mandou flores para ele,

Outra vez, 

Se pôs a sua disposição,

Conforme ele a imaginou

E ela não poderia fugir.

Amor de Boca a Boca