sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Ao Seu Lado

Eu busco as palavras,
Procuro os rostos,
Quero seu olhar,
Te guardo meus sorrisos,
Você deveria ter notado
O quanto faço todo o possível
Para estar sempre
Ao seu lado,
Te agradar
Em cada segundo,
Te buscar
Em todos os sorrisos,
Não me contentar
Com aquele
Que não seja o seu,
Ora, a Aline é aquela
Que pode dizer,
Te falar
Sobre o quanto
Estou sempre ao seu lado,
Te apoiando
Em suas buscas
E amparando suas ideias,
Sempre ao seu lado,
Pede a ela,
Estou sempre ao seu lado.

Me Cansei

Olha,
Eu canso
De você estar
Sempre perto,
De seu silêncio,
E eu quero outros braços
E com tudo que você
Se importa,
Eu não me interesso.
Eu odeio sua presença,
Sempre obrigatória,
Sempre forçosa,
É irritante,
O quanto você
Acha que pode grudar
Em mim,
Não me dá liberdade,
E me força
A te ver,
Sempre e sempre,
Contudo, nunca
Esteve mais distante,
Porquê, garoto,
Preciso de dinheiro
Para as contas,
Quero gastar meu tempo,
E me devorar a estar sozinha,
Você não é esperado,
Não é desejado,
E é feio,
Mas, garoto,
Me entrega seu dinheiro
E tudo se basta,
Menos a coisa de fidelidade,
Não sou capaz,
Nem você merece,
Eu não me adaptei
Ao seu jeito
De se achar único,
Dono de suas vontades,
E você me cerca,
Cerca muito
E me força,
Eu queria bater
Em você
Até te ver despedaçar,
Que droga de relacionamento tóxico,
Se perfaz nos anos
E me faz definhar,
Você não é suficiente,
Eu sou incapaz,
Não quero apenas você,
Me canso de suas ideias,
Não me adapto
Aos seus conceitos,
Desejo que se foda
Toda a sua família.
E me sinto horrível
Porquê é como se você
Sempre e sempre
Se recusasse a entender
Que não quero só você,
Que nunca o desejei
De maneira tão uniforme,
Acho que você pensa
Coisas machistas
Como me fazer gozar
E acha que isto
É o bastante,
Não, eu curto
Outros garotos,
Nunca quero ser
Apenas sua,
E você é insuficiente,
Me deixa triste,
Me faz pessimista
E eu tenho medo
De que sua vigília constante
Me prenda,
Sufoque
E retire minha vida,
Pare de culpar
Aos outros,
Entenda:
Você é insuficiente.
Eu canso com facilidade
E você desperta
Este sentimento dentro
De mim,
De cansaço e desesperança.
Eu gostaria de conviver
Com alguém
De maneira
Que não o quisesse ferir,
Nem me sentisse ferida,
De maneira a me entregar
A outros garotos
E não me sentir presa
A sua constante vigília,
Você foi insuficiente desde
O início,
Então, mude isso,
Não me force,
Não me imponha
Sua presença,
Suas formas,
Suas crenças,
Sua maldita família,
Seu nariz feio,
E outras coisas suas
Que detesto.

Sonhos

Pra quem não sabe
Sobre os sonhos,
A serventia deles
É viver.
Você saberia,
Com facilidade,
Quantas vezes,
Eu te busquei,
Te encarei de frente,
Tive de dar meia volta
E retornar,
Sem você
E isto foi cruel.
Eu, mesmo hoje,
Te busco nos olhares,
Imagino se seu sangue pulsa,
E onde vive,
Porquê, poxa,
Sou esperta o bastante
Pra saber
Que já não vive em você,
Então, sua busca acabou,
E eu indago: houve?
Vale o quê?
Vale um beijo,
Um carinho,
Uma mão para amparar,
Um ombro onde chorar,
Um jeito que mostre
Muito mais que os sonhos
Mostram,
Que diga a verdade,
Nos faça ver
Como estar
Um com outro
Sempre e onde quer
Que estejamos juntos.
Não tive,
Seus rirmos,
Os pilares de seu coração,
Não tive
Seus sonhos,
Nem contei com eles,
Mas eu o busquei.
Não tendo,
Eu nunca soube
Qual foi seu destino
Que se tão distante,
Talvez, nunca nos cruzaremos.
Mas, os sonhos?
De que são feitos?
De mãos dadas,
E pessoas unidas.

Bebe Comigo

Fica comigo aqui,
Me faz companhia,
Serve um gole
De vinho,
Me acompanha está noite,
Quero adiar a dor
De o sol clarear
E não restar mais nada.
Noites de barulhos estranhos,
De vultos fantasmagóricos
E eu a buscar seu nome,
Procurar notícias suas,
Sorvete meu vinho quente
E imaginar seus lábios
Com outra e eu aqui sozinha.
Me dá uma razão
Para não esquecer de nós,
Não seguir em frente,
Encarar você
Com outra e achar
Que tudo estará tão bem,
Por favor,
Bebê comigo este vinho
E imaginar que o destino
Já não está escrito
E que nós poderemos
Acordar juntos
Olhar um nos olhos
Do outro
E imaginar que não
É um sonho,
Não há muito tempo
A favor.

Houve em Nós o Amor

Se te ouvir
Me trouxesse o tempo,
Como trás as lembranças,
Já não iria querer recordar,
Te ver,
Descrer,
Esperar e meter
Estas ideias
Tão sórdidas,
Em que me vejo lutar,
Desistir de nós,
Te buscar,
Feito uma valsa,
Que beija-me,
E vaza-me,
E você irá saber,
Tudo que eu não disse,
Tudo que faria,
Tanto que esperei,
Tanto que o desejei,
O amor com que te beijei,
A forma como te toquei.
Malditos são os vinte anos,
Que já não são os quinze,
Muito menos os trinta
De agora,
Se foi a que te queria,
A que lhe confiava
A alma,
A vida,
E seus versos,
Porém, você fugiu,
Você se apegou,
Buscou em outra,
E nós dois
Apenas acabou.
Você, talvez, tenha sabido,
Sentido e buscado
O tanto que te busquei,
No silêncio de cada olhar,
No escuro de cada noite,
Em que me confiei sua.
As vezes que te vi
Na lua,
No céu de estrelas,
No maldito helicóptero
Que sobrevoou
E eu jurei ser você,
Se alguma vez,
Você pensar em mim,
Me diz,
Houve entre eu e você
O amor!
Ah, eu te busquei
Em muitas bocas,
Eu gosto de beijar,
E provar bocas diferentes
Me fez bem,
Mas, você sabe
O quanto eu te busquei,
Te esperei,
E pode passar mil anos,
Teria sido há quinze anos
Tal como agora,
Tempo de espera
E entrega,
Poderia ser
Para daqui a quinze anos
Tempo de espera
E de buscas,
Mas, não foi nós dois,
Poderia tanto ter sido,
Contudo, não foi,
Mas, se alguma vez
Você pensou em mim,
Caramba, você era tão legal,
E eu apenas uma garota simples,
E você, aquela garoto
Que eu desconhecia,
Mas, que levarei
Por uma vida.

Cansei-me

Por quê simples
E simplesmente
Eu nunca aprendi
A fingir,
Porém, me empurraram você
E me obrigam a você
E eu já me perdia
Agora me vejo obrigada.
Eu não quero aprender
A te querer,
Aceitar seu jeito invisível
De estar sempre
Onde eu estou,
E pra admitir
Se você não estiver
Já nem sei o que fazer,
Mas, você me obriga.
Obriga a aceita-lo sempre,
Me obriga a te querer,
Me empurra você
E eu preciso aceitar
No talo,
Fingir que não rasga
Minha garganta
E que eu não preciso
De um tempo pra mim
Mesma.
Me obriga
A padrões
Que são só seus,
Eu preciso da paz,
Da paz de me buscar
E me encontrar,
Preciso de liberdade
Para pôr aquele piercing
Sobre o qual
Espero não me arrepender,
Mudar meu corpo,
Trocar o que não gosto,
Viver.
Quero a liberdade
De amar,
De deixar de estar
A suas pernas,
Caída
E ao dispor
A queimar sob
Este maldito sol,
Que não me dá graça
Nos pássaros,
Nas frutas,
Ou na coisa toda
De estar a sua espera,
Ao seu dispor.
E a culpa nem é minha,
Mas, nem sonho
Com seu amor,
Não me importa
Seus lábios,
Maldita a dor,
Me faz buscar outro
E não me vejo sua,
Estou dividida,
Não o quero tanto
Quanto você deseja,
Maldita seja a paciência
Que me toca a você,
Relâmpagos de cor,
De defeitos que vejo gritantes,
Estou a sangrar
Em seus malditos pés,
Ao dispor de seus passos,
Me vejo a cair,
E me entupir de medo,
E não quero cair em você,
Cansei de suas malditas falhas,
Que se partam os amores
Fiéis e unidos,
Me vejo cair
E não quero cair em você,
Muito menos estar aos seus pés,
Maldito sejam seus passos,
Que só me esfriam
E ferem meus sonhos,
Eu não lhe nutro este amor
De fidelidade e estar ao dispor,
Quero liberdade
Quero viver,
Cansei-me.
É simples,
Tu não me vale
Todos os contos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

2025

Notícia do semanário
De Pinhalzinho:
Chuva intensa cai
Sobre a cidade,
Alagando ruas,
Invadindo casas,
Destruindo moradias,
Levando carros e árvores
E até mesmo pessoas
Para a sargeta.
Pede-se,
Aliás, implora-se:
Ajuda dos moradores locais
Para limpar as ruas
E permitir o tráfego
Do povo até suas casas,
Para só então,
Saber o real estado
Dos moradores locais.
Tragam pás,
Enxadas, facões, cavadeiras
E o que mais puderem
Para auxiliar a desterrar
Os carros e até pessoas
Que estão soterradas
No final de cada rua,
Principalmente na avenida
Principal onde a enxurrada
Carregou tudo e todos
Para o lado do moro
Que fica ao final da rua,
Divisa com a Br.
Precisa-se permitir o tráfego
E salvar a todos que
For possível,
Com o máximo de rapidez,
Vez que a chuva irá continuar
E os danos não pararão nisto.
Enquanto, no interior,
Tudo parece mais simples,
Contudo, Dona Ofélia
Sofreu a perda
De uma safra inteira
De suas uvas,
A plantação caiu no chão,
Parte foi soterrada
E o resto esmagado
Pelos intensos pingos.
O banco, logo que soube,
Oficiou Dona Ofélia
No adiantamento
De sua dívida com o banco
Sob pena de perda de
Seus bens
E bota-la na rua.
Chocadas,
Suas filhas,
Ainda menores de idade,
Pegaram escondidas
As chaves do carro
E dirigiram até a delegacia,
Chegando lá,
Após passar todo o sofrimento
De dirigir sobre a rua
Com água,
Escorregar no barro
Sobre os asfalto,
E chegar a delegacia
Encontraram o delegado
Sentado em sua cadeira,
Tranquilo tomando coca.
Conhecendo o assunto,
O delegado informou
Que em nada poderia ajudar,
Retirou a chave do carro
Da posse das meninas
Já que não tinham idade
Ou permissão
Para dirigir,
Multou a mãe de ambas
Por elas estarem ali
E reteve o carro.
Chorosas,
Elas ligaram para um rapaz
Que com sua carteira
Pode retirar o carro,
E se ofereceu para levá-las
De volta para suas casas.
Irritada,
Por agora contarem
Com mais as multas
Como dívidas para sua mãe,
Elas ofereceram sexo
Ao delegado,
Ele aceitou,
A mais nova,
Aproveitando-se de sua irmã
Estar sentada no colo
Dele lhes fazendo carinhos,
Pegou as algemas
E o algemou,
Então, tomou a arma
Dele e com a própria
Retirou sua vida.
Depois, foram até o banco,
Encontraram o banqueiro
Lá, seguro de si,
Enquanto um rio de lama
Carregava tudo que podia
Com ele.
Chegaram até o banqueiro,
E atiraram contra ele,
Depois, acessaram o computador
Do próprio apagaram
As imagens
E impediram a penhora
De sua casa.
Colocando a dívida
Como paga,
Porém, o ano correria,
E não teriam dinheiro
Para comida ou sustento,
No entanto, a justiça
Estava feita.
Felizes, voltaram até
A delegacia e apagaram
Também, as multas injustas,
Depois sentaram-se
No carro de suas mães
E voltaram, felizes, para casa.
-medo.
A palavra medo ecoava
Na mente da família de Dona Ofélia,
E em cada uma
Dos moradores de Pinhalzinho,
"Me-do".
A chuva não teve piedade,
E exigiu de cada morador
Compaixão pelo próximo,
Que buscava a todo custo
Salvar sua televisão,
Para ter um instante de diversão 
Após toda dor,
Salvar a geladeira 
Para ter com o que se alimentar,
Salvar a cama,
Para ter onde sossegar
Depois de um dia agitado 
De trabalho,
Na cidade onde muitos perderam,
E poucos extraíram destes 
As dores, medos e dinheiro perdido.

"Me-do",
Era ou devia ser
A palavra que mais ecoou
No ouvido de cada morador,
Medo, aliás,
Neste momento de chuvas
E devastação 
Deveria ser vista pelo lado
De "dar-se", "entregar-se",
Num sentido de que,
Naquele instante todos perdiam,
A vida de cada um corria perigo,
Os bens que o vizinho perdia,
Refletiria nas vidas
De seus semelhantes,
De maneira que ninguém 
Se sente superior ao outro,
Ou bem consigo próprio 
Enquanto seu próximo 
Passa necessidades.

"Medo",
Refletia de boca a boca,
Ressoava em eco
Por cada casa
Até o final de cada rua,
Até alcançar da avenida
Ao morador da roça.
Receio de toda chuva
Que caiu,
Todo o estrago que causou
E a chuva que se avistava
Próxima e feroz.

Motos e carros se aglomeravam
Ao final de cada rua,
Dentro de casas destruídas,
Crianças pediam por seus pais,
Pais buscavam seus filhos
E carros policiais trafegavam
Com suas sirenes ligadas
E holofotes em busca de sobreviventes.

Ao fim da rua,
Um grupo de jovens
Passou a depredar paredes
De vidro de lojas
Para saquear,
Roubaram roupas, calçados 
E até supermercados.

Outros grupos seguiram
Para lojas de jóias,
Eletrônicos e o que mais
Houvesse,
Logo, um carro policial 
Percorreu do início ao fim
Da cidade com um apito 
Para informar 
O fechamento de toda a cidade
E a decretação de estado 
De necessidade:
"O povo havia invadido
Tudo que pode em busca
De furtar-se de pagar,
Aproveitando-se das chuvas
E a dificuldade de reconhecimento 
De seus rostos
Para ocultar-se de responder 
Pelo crime".

Policiais invadiram bancos
E quebraram caixas eletrônicos,
Retiraram dinheiro 
E fugiram para outra cidade,
Tudo se tornou um caos.
Mas, as filhas de Dona Ofélia 
Chegaram bem em casa,
Tiveram como impecilho
Apenas o fato
De que uma árvore caiu
Na estrada e impedia
A passagem do carro,
Então, tiveram que cortar
Aquele tronco a facão 
E motoserra 
Que lembraram de levar junto,
Retirada a árvore,
Puderam seguir até sua mãe,
Que triste e desamparada
Chorava vendo a chuva retornar.

Um Princípe