segunda-feira, 3 de novembro de 2025

2025

Notícia do semanário
De Pinhalzinho:
Chuva intensa cai
Sobre a cidade,
Alagando ruas,
Invadindo casas,
Destruindo moradias,
Levando carros e árvores
E até mesmo pessoas
Para a sargeta.
Pede-se,
Aliás, implora-se:
Ajuda dos moradores locais
Para limpar as ruas
E permitir o tráfego
Do povo até suas casas,
Para só então,
Saber o real estado
Dos moradores locais.
Tragam pás,
Enxadas, facões, cavadeiras
E o que mais puderem
Para auxiliar a desterrar
Os carros e até pessoas
Que estão soterradas
No final de cada rua,
Principalmente na avenida
Principal onde a enxurrada
Carregou tudo e todos
Para o lado do moro
Que fica ao final da rua,
Divisa com a Br.
Precisa-se permitir o tráfego
E salvar a todos que
For possível,
Com o máximo de rapidez,
Vez que a chuva irá continuar
E os danos não pararão nisto.
Enquanto, no interior,
Tudo parece mais simples,
Contudo, Dona Ofélia
Sofreu a perda
De uma safra inteira
De suas uvas,
A plantação caiu no chão,
Parte foi soterrada
E o resto esmagado
Pelos intensos pingos.
O banco, logo que soube,
Oficiou Dona Ofélia
No adiantamento
De sua dívida com o banco
Sob pena de perda de
Seus bens
E bota-la na rua.
Chocadas,
Suas filhas,
Ainda menores de idade,
Pegaram escondidas
As chaves do carro
E dirigiram até a delegacia,
Chegando lá,
Após passar todo o sofrimento
De dirigir sobre a rua
Com água,
Escorregar no barro
Sobre os asfalto,
E chegar a delegacia
Encontraram o delegado
Sentado em sua cadeira,
Tranquilo tomando coca.
Conhecendo o assunto,
O delegado informou
Que em nada poderia ajudar,
Retirou a chave do carro
Da posse das meninas
Já que não tinham idade
Ou permissão
Para dirigir,
Multou a mãe de ambas
Por elas estarem ali
E reteve o carro.
Chorosas,
Elas ligaram para um rapaz
Que com sua carteira
Pode retirar o carro,
E se ofereceu para levá-las
De volta para suas casas.
Irritada,
Por agora contarem
Com mais as multas
Como dívidas para sua mãe,
Elas ofereceram sexo
Ao delegado,
Ele aceitou,
A mais nova,
Aproveitando-se de sua irmã
Estar sentada no colo
Dele lhes fazendo carinhos,
Pegou as algemas
E o algemou,
Então, tomou a arma
Dele e com a própria
Retirou sua vida.
Depois, foram até o banco,
Encontraram o banqueiro
Lá, seguro de si,
Enquanto um rio de lama
Carregava tudo que podia
Com ele.
Chegaram até o banqueiro,
E atiraram contra ele,
Depois, acessaram o computador
Do próprio apagaram
As imagens
E impediram a penhora
De sua casa.
Colocando a dívida
Como paga,
Porém, o ano correria,
E não teriam dinheiro
Para comida ou sustento,
No entanto, a justiça
Estava feita.
Felizes, voltaram até
A delegacia e apagaram
Também, as multas injustas,
Depois sentaram-se
No carro de suas mães
E voltaram, felizes, para casa.
-medo.
A palavra medo ecoava
Na mente da família de Dona Ofélia,
E em cada uma
Dos moradores de Pinhalzinho,
"Me-do".
A chuva não teve piedade,
E exigiu de cada morador
Compaixão pelo próximo,
Que buscava a todo custo
Salvar sua televisão,
Para ter um instante de diversão 
Após toda dor,
Salvar a geladeira 
Para ter com o que se alimentar,
Salvar a cama,
Para ter onde sossegar
Depois de um dia agitado 
De trabalho,
Na cidade onde muitos perderam,
E poucos extraíram destes 
As dores, medos e dinheiro perdido.

"Me-do",
Era ou devia ser
A palavra que mais ecoou
No ouvido de cada morador,
Medo, aliás,
Neste momento de chuvas
E devastação 
Deveria ser vista pelo lado
De "dar-se", "entregar-se",
Num sentido de que,
Naquele instante todos perdiam,
A vida de cada um corria perigo,
Os bens que o vizinho perdia,
Refletiria nas vidas
De seus semelhantes,
De maneira que ninguém 
Se sente superior ao outro,
Ou bem consigo próprio 
Enquanto seu próximo 
Passa necessidades.

"Medo",
Refletia de boca a boca,
Ressoava em eco
Por cada casa
Até o final de cada rua,
Até alcançar da avenida
Ao morador da roça.
Receio de toda chuva
Que caiu,
Todo o estrago que causou
E a chuva que se avistava
Próxima e feroz.

Motos e carros se aglomeravam
Ao final de cada rua,
Dentro de casas destruídas,
Crianças pediam por seus pais,
Pais buscavam seus filhos
E carros policiais trafegavam
Com suas sirenes ligadas
E holofotes em busca de sobreviventes.

Ao fim da rua,
Um grupo de jovens
Passou a depredar paredes
De vidro de lojas
Para saquear,
Roubaram roupas, calçados 
E até supermercados.

Outros grupos seguiram
Para lojas de jóias,
Eletrônicos e o que mais
Houvesse,
Logo, um carro policial 
Percorreu do início ao fim
Da cidade com um apito 
Para informar 
O fechamento de toda a cidade
E a decretação de estado 
De necessidade:
"O povo havia invadido
Tudo que pode em busca
De furtar-se de pagar,
Aproveitando-se das chuvas
E a dificuldade de reconhecimento 
De seus rostos
Para ocultar-se de responder 
Pelo crime".

Policiais invadiram bancos
E quebraram caixas eletrônicos,
Retiraram dinheiro 
E fugiram para outra cidade,
Tudo se tornou um caos.
Mas, as filhas de Dona Ofélia 
Chegaram bem em casa,
Tiveram como impecilho
Apenas o fato
De que uma árvore caiu
Na estrada e impedia
A passagem do carro,
Então, tiveram que cortar
Aquele tronco a facão 
E motoserra 
Que lembraram de levar junto,
Retirada a árvore,
Puderam seguir até sua mãe,
Que triste e desamparada
Chorava vendo a chuva retornar.

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