domingo, 7 de dezembro de 2025

Um Beijo Bom

Sempre há um alguém
Que me remete
Ao meu passado,
Puxa um nome,
Busca uma lembrança
E tentar me mostrar
Que foi melhor que hoje.
Não,
O passado ficou para trás,
Se não foi paixão,
Quando estava ao meu lado
Menos é agora
Que só vem as memórias
E em partes eu lembro
Do que foi bom,
Em partes me apego
Ao que foi ruim,
Vou deixar de exageros,
Pois sei,
Foi melhor assim.
O passado
Quando é bom
Não deixa de existir,
Não é substituído,
Não torna-se pior
Para melhorar após.
Recordar amores,
E pensar que seria bom
Voltar atrás
É besteira
De quem não gosta
Do presente que você vive,
E quer virar suas ideias,
Mexer com suas verdades,
Até ver você sofrer,
Tudo que um dia houve,
Nem lá foi bom,
Muito menos iria ser,
O que houve um dia,
Acabou lá
Quando houve o fim,
É assim.
Viver um erro antigo
É preparar-se para um futuro
Positivo,
Em que o amor
Que surja para substituir
O outro,
Cure as feridas,
Seja melhor que o antigo,
Senão não é amor,
Nem precisa ser correspondido,
Usa-se a experiência
Para atuar sobre aquele
Que está ao seu lado
E esquece o resto,
O que acabou,
Já reconheceu seu fim,
Não precisa ser repensado,
Revivido
Como se merecesse
Algo diferente do que houve.
Um beijo ruim
Não precisa ser treinado,
Revivido,
Trabalhado,
Ele tem fim,
E outro beijo
Toma o lugar deste,
Até que seja bom,
E não tenha outro beijo
Senão este.

Coelhinho

Sempre mais lindo,
O perfeito menino,
Se aproximou do galho,
Mordeu com seus dentinhos,
Uma força sobrehumana
Chegou aos seus olhos,
Tomou conta do lindo coelhinho,
A potência da penicilina,
Fez do menino,
O rei mais fortinho.
Logo,
Ele estreitou os olhinhos,
Na primeira mordida,
Quase podia voar,
Tamanha força e saúde
Que lhe forneceu o chá,
Ao fim da primeira folha,
O menino ganhou garras
De aço,
Pulou muito mais alto,
Viu além da distância,
Muito adiante de onde
O olhar não alcança,
Muito a frente do horizonte,
Além da visão simples.
Correu com passadas
De adulto,
O lindo menino,
Em dois passos venceu
A distância,
Ultrapassou o tempo,
Enganou o espaço,
Foi mais rápido que o vento,
Que os anos,
Ou o relógio,
Isto ocorreu em sua
Primeira mordida,
Ao alimentar-se da primeira
Folhinha,
Depois disso
Ele foi beber água no riacho.

sábado, 6 de dezembro de 2025

A Substituída

Danton sempre se sentiu
Atraído por Esteice,
Contudo, ela sempre
Se mostrou fria e distante.
Mas, seu grande dia chegou,
O pai dela Henri
Se enganou nas eleições
I iria concorrer ao cargo
De prefeito da cidade,
Para isto,
Procurou Danton
Com o fim de obter apoio
Nas campanhas eleitorais
Através de dinheiro.
Danton, sorriu para ele,
Feliz pela ideia,
Concordou imediatamente,
No entanto, buscou
Esteice mais tarde
E apresentou o preço:
“Três meses convivendo
Comigo em minha casa
Como amantes!”
Ele disse,
Sério e seguro.
“Do contrário?”
Ela indagou.
“Eu não apresento apoio
As campanhas do seu pai
E o acuso de corrupto,
Com isto, caço seu cargo
E ainda o levo a um processo
Pelo crime de pedir dinheiro
Para fins eleitorais.”
Ele foi simples e sisudo,
“não há escolha?”
Ela indagou insegura.
“nenhuma”.
Ele respondeu.
Esteice sempre foi solitária,
Nunca namorou,
Ou buscou conforto
Em abraços masculinos,
Mas neste instante
Seu pai precisava de ajuda.
“Voce tem provas
Contra meu pai?”
Ela indagou.
“sim. Está tudo registrado
Em imagens.”
Ele respondeu seguro de si próprio.
Esteice o estapeou
No rosto,
Danton segurou seu pulso
E beijou seus lábios
Com força,
Depois desceu os lábios
Até seu pescoço,
Pegou as alças de seu vestido
E o rasgou ao meio,
Depois a ergueu nos braços,
A possuindo a força
Em meio a sala de sua própria
Casa.
Esteice não resistiu
Ao prazer,
A ideia de ter Danton
Era incrível,
Ele é lindo, alto,
Moreno e forte,
Ser sua era destrutível
A qualquer ideia de resistência.
Ela saboreou com prazer
Cada dose de beijos
E de carinhos em ondas
Que iniciaram,
Pararam e continuaram
Até suas forças se esvaírem
E eles deitarem sobre o tapete
Da sala,
Abraçados,
Se amando.
Ele a forçou,
Sim,
Rasgou suas roupas,
Ignorou sua vontade,
E a deu prazer
Sem obter consentimento.
Agora ela não tinha
O que vestir.
“O que vou usar?”
Indagou.
“Use minha camisa.”
Ele respondeu,
Se levantou o jogou a camisa
Contra o corpo nu de Esteice,
Vestindo sua calça
E deixando o peitoral a mostra.
“Voce tem este dia para pensar,
E a manhã de amanhã
Para entrar por está porta
E ficar até eu lhe mandar embora.”
Ele respondeu,
Virou as costas e saiu.
“Isto é ridículo “.
Ela teve tempo
De dizer,
Mas se viu sozinha
E nua.
Vestiu a camisa,
Foi até a porta e saiu,
Entre sentimentos de prazer
E desespero.
Chegando em casa,
Em seu próprio carro,
Ela procurou seu pai
E o intimidou:
“Eu estive com Danton,
Nós nos gostamos e iremos
Morar juntos,
Por algum tempo.”
Disse,
Sem esperar consentimento.
Levantou da mesa
Em que tomava café
Com seu pai,
E saiu sem esperar resposta.
As malas estavam prontas
Na sala da casa.
“Estou indo.”
Gritou lá de fora.
“Isto é precipitado demais,
Eu não conheço direito
Aquele homem,
Você não pode fazer isso.”
Mas ela fez,
Chegou a casa dele,
Bateu na porta
E entrou.
De imediato tiveram
Outra dose de amor vulcânico.
“Vou aproveitar seu corpo
O máximo que eu puder.”
Ele falou enquanto
Tirava sua roupa.
“O que você não me ama?”
Ela indagou.
“amor?”
Ele respondeu
E sorriu,
Riu da cara dela
Com prazer e desdém
A tinha, finalmente,
Poderia fazer o que quisesse dela.
As eleições correram positivas,
Seu pai se elegeu
E agora ela estava livre
Da promessa,
Passaram-se os três meses,
Danton estava satisfeito.
Contudo, Esteice
Se apaixonou,
E numa destas tardes,
Em que não imaginava perde-lo,
O buscou em seu quarto
Para aconchego
E o viu com outra.
Uma linda garota
O beijava,
Nua sobre seu corpo
Na cama em que dormiam juntos.
“O que você faz aqui Esteice?”
Ele indagou.
Sem tirar as mãos
Do corpo da garota.
“Eu senti desejos por você
E vim busca-lo,
Pensei que poderíamos
Transar por algum tempo.”
Ela respondeu.
“Ah, já iria lhe dizer
Que seu tempo comigo acabou.”
Ele falou,
Enquanto beijava a outra mulher
Com desejo e ardor.
“Eu não vou embora”.
Esteice respondeu.
Se aproximando da cama,
Retirando sua roupa,
E buscando os beijos
De Danton com carinho e ardor.
Logo, beijou a garota,
Acariciou-a,
E a retirou de cima do corpo
De Danton para chupa-la.
Depois disso,
Ela deslizou para ele
E se entregou como nunca.
“Você não me ama?”
Ela perguntou segurando
Suas mãos em seus seios quentes
E arfantes.
“Você sabe que estávamos
Juntos por algum tempo
Depois disso,
Você estaria livre.”
Sobre o corpo dele,
Ela beijou os lábios
As outras garotas
Entre pranto e desespero,
Depois, saiu de cima dele,
Se vestiu e foi até seu carro.
Dirigiu feito uma louca,
Desesperada e histérica,
Chegou na ponte próximo
A residência de Danton,
E aumentou a velocidade
Do carro se jogando
Contra a ponte até cair na água.
Ela optou por sua morte,
Se sentiu incapaz de enfrentar
A ideia de um homem
Que a comprou para sentir prazer
E que passado o ato espúrio,
A abandonou sem lhe nutrir afeto
Ou qualquer sentimento benéfico.
Enquanto o carro afundava
Ela pensou por uma última vez
Em Danton,
Seu abraço seguro,
Seu corpo másculo,
Mas logo o viu com a garota,
E sentiu ódio,
Odeio dele,
Da infeliz garota,
Ódio de si própria
Que tendo se envolvido
Numa história como está
Terminou apaixonada
E usada.
Não foi capaz de conquista-lo,
Apaixonou-se por aquele
Que nunca lhe jurou sentimento,
Foi beijada e tocada
Por um alguém
Que só a viu para prazer,
Que a usou como se faz
Com um objeto qualquer
E satisfeito em sua volúpia,
A descartou,
A mandou embora para sempre,
A substituiu.
A água rompeu o vidro
Do carro e agora invadia
Suas narinas fazendo
Soltar bolhas de ar,
Ela sentiu ódio de seu pai
E sua carreira eleitoral estúpida
Que consumiu sua vida.
Não quis sair dali,
Não se moveu,
Esperou a morte chegar,
Com a mesma agonia
Que noite após noite
Esperou Danton no quarto
Para foder e lhe dar prazer.
Com o mesmo desespero
De quem não sabe
O que iria acontecer,
Com a mesma maldita vontade
De que tudo acontecesse,
E sempre houve,
E a cada dia foi melhor
E da mesma maneira
Simplesmente, deixou de acontecer.
Acabou.

Bebedeira

Caterina viu Theo afastar-se,
Sem indiferença,
Sem conseguir esconder
O desejo de estar próxima,
Sem conseguir manter o controle,
Ela fugiu até o bar,
Pegou uma bebida
E sorveu uma garrafa de vinho
Sem taça,
Simplesmente, se pôs a dançar
Sobre a mesa do bar,
Aumentou o volume da música,
E viu seus amigos
Derrubarem o líquido
De única vez em sua boca
Sem parar.
Logo depois,
Se viu nos braços do seu irmão,
E levada a força
Para o quarto.
“O que houve com você?”
Ele indagou,
Ao deitar sobre a cama
Caterina vomitou,
Abraçada ao travesseiro,
Chorou de vergonha.
“Esta é uma festa importante
De papai,
Por quê você agiu desta maneira?”
Ela nada disse.
Apenas continuou a chorar
Até ver a porta do quarto
Ser batida com força
Como se o barulho
Latejando dentro de sua cabeça.
E a renegasse a solidão
De suas cobranças
Quanto ao bom comportamento,
Quanto a manter o controle
De si mesma.
Mas ao lado de Theo
Isto era impossível,
Então, Caterina cedeu
As suas vontades,
Jogou o travesseiro sujo
Contra a parede do quarto,
E foi até o frigobar
E retirou de lá outra garrafa
De vinho,
Sentou no chão
Ao tentar sentar na cama,
Abriu o vinho
E bebeu na garrafa,
Segurando a cabeça erguida
Com a ajuda da cama.
Ela foi rejeitada por ele,
Teve seus carinhos entregues
E não obteve resposta,
Ele não a amava,
Não a desejava,
Nem ao menos fez questão
De fingir afeto,
A empurrou para longe
Como se ela fosse
Uma doença contagiosa,
Como se fosse feia,
E ela se sentia feia,
Muito feia agora.
Depois de beber o vinho,
Ela estapeou o próprio rosto,
“Como pode envergonhar
Sua família ao dançar daquela
Maneira imprópria
E beber tanto
Na frente de todos?”
Estava humilhada,
Destruída,
Uma rejeição de um mero homem
A levou a desgraça instantânea.
Agora seria vista
Como uma garota descompromissada,
Imprópria para o trabalho,
Um alguém em quem
Não se pode confiar,
Sem perceber
Ela levou as mãos para o alto
E bateu palmas
E disse:
“Parabens Theo,
Não sei o que você queria
Com tudo isto,
Mas, me destruiu com única vista!”
De repente,
Seu celular começou a tocar
E a fotografia de Theo
Apareceu estampada na tela.
“Alo?
O que você quer?”
Ela disse.
“Pegue o carro
E venha até minha casa!”
A voz segura e máscula dele
Lhe respondeu.
Caterina pegou outra garrafa
De vinho,
A abriu e saiu escondida
Sem dizer para onde ia,
Ou se importar com mais nada,
Pegou o carro
E partiu até a casa dele,
Já sabia onde ficava,
Faltava só entrar,
Ser dele,
Beija-lo até o fim
De suas forças,
Ama-lo com energia.
Sem reter seus desejos,
Ela deixou o carro
Sobre o gramado do jardim,
Bateu na porta,
E ao ser atendida
Vomitou sobre ele.
“O que foi Caterina?”
Ele indagou,
A juntou pelos braços,
E a abraçou.
“preciso de você hoje”.
Ela disse
Aos prantos.

No Ano Dos 37 Anos

O ano é da comemoração
Referente aos 37 anos,
Mais um ano sozinha
A trilhar caminho distinto,
Em que a opção estar só
É quase um desalento.
Sem filhos,
Você se vê
Como um encargo
Para o resto da família,
Aquele alguém
Que não se encaixa
No restante do grupo,
Aquele diferentao
Que se vê suficiente
Mas no fundo sabe,
É um solitário.
Foi opção no começo
Não ser mãe,
Mas, aos 37 anos
Já não está sendo,
Cada mês que se vive
É contado com tristeza
E pesar,
Tem gosto de sangue
E morte,
É triste.
Não tenho a quem
Pertencer,
Não me identifico
Com ninguém,
Sozinha e a mercê
De um conquistador barato
Que possa me dar um filho,
Me fazer mãe.
Os anos pesam
Sobre meu corpo,
As marcas de expressão
Mostram isso,
A dor nisto que digo,
Sofrimento eterno
Nisto que vivo.
Eu nunca pensei
Meu futuro tão distante,
Tudo pareceu completo
Muito antes,
Porém, não dependeu
Apenas de mim,
E o fator externo se modificou,
Os anos foram passando
E levando meus sonhos,
O corpo não corresponde
As expectativas,
A cada olhada no espelho
Me assusto com o que vejo,
Tento disfarçar,
Busco um fator que modifique
Isto,
É triste o que vivo,
Os 37 são desmotivadores,
O tempo deixou de ser aliado
E é visto como inimigo,
Fator preponderante
Para o meu fracasso
Em ser mãe.

Lá na Roça

Á na roça
Onde o progresso
Não chegou
E a tecnologia estava
Fora do alcance,
Havia luz
Para iluminar a casa
Daquela mãezinha simples.
Cansada de esfregar
As roupas sujas na mão,
Ela encheu o tanque
Feito de concreto de água,
Pegou dois baldes
E pôs água
Num colocou rinsso
E o outro deixou para enxague.
Lavou de peça a peça,
Deixou de molho,
Enxaguou,
Pendurou no varal de frente
A casa até secar ao sol.
No sol escaldante,
As crianças não tinham
Nada para fazer,
Brincar se tornou irritante,
Estava realmente quente.
Aquela mãezinha
Pegou um lençol,
Juntou uma corda
De amarrar as vacas,
E as amarrou uma em
Cada ponta.
Depois foi até a sombra
Da linda laranjeira
Com o Sinamão,
E amarrou cada corda
Em uma árvore,
Fez do lençol
Uma rede de balanço
Para entreter os filhos.
O verão se tornou ameno,
E o sol menos rigoroso
Com relação as crianças
Que brincaram unidas,
As duas uma abraçada a outra.
No vizinho,
O tio pegou o colchão
E também copiou a ideia,
Contudo, o colchão
Era muito grosso
E impossibilitou êxito.
No outro vizinho
A prima pegou um lençol
Uniu uma corda
Em cada ponta
E amarrou de janela a janela,
Quando sua mãe foi andar,
A rede não saia do lugar,
Vez que ao ir pra frente,
Voltava e batia contra a parede.
Amarrada fragilmente
A corda desatou,
E isto levou a tia
A cair um tombo,
Batendo contra o chão
E as pedras que haviam
Ali embaixo.
Já no outro vizinho,
A tia juntou um lençol
Foi até a máquina de costura
E fez borda,
E frente na máquina,
Porém o lençol ficou pequeno
Nas beiradas e fundo no meio
Então, cada vez que a prima
Andava na rede improvisada
Batia com a bunda no chão
Arrastando a sujeira
Do solo de terra.
A vida na roça
Onde a internet não alcança
Foi simples,
Cada vez que recordo
Me vem lágrimas nos olhos,
E sinto felicidades
Por ter vivido de maneira
Tão retraída com relação
A coisas que tantas pessoas
Veem como imprescindíveis.
Já no meu tio,
Onde o colchão não funcionou
Como rede,
Ele usou o da minha prima
Que era mais simples
E velho,
A ideia foi boa
E durou algum tempo,
Na cama da menina
Ele usou suas roupas
Como colchão para ela
Dormir confortável,
Uau,
O quanto de roupa ela tinha?!
São realidades distintas.
Minha mãe
Cada dia que usou o lençol
O usou depois de lava-lo
Na cama de novo,
Ela sempre foi cuidadosa,
Me ensinou a valorar
Os bons momentos
E não ser superficial
Com relação a vida.

Destruída

Na busca incessante
Por satisfazer-se,
Theo colou-se ao corpo
De Caterina,
Reagindo instintivamente
A cada carinho que ela
Lhe entregava
Com uma urgência arrebatadora,
Contudo,
Uma lembrança o paralisou,
Fazendo seu corpo todo
Enrijecer com Caterina
Grudada aos seus braços
A sua mercê
E volupiciosa.
Theo soltou-a,
Negando-se a deixar de olha-la,
Manteve suas mãos
Na cintura de Caterina
E a afastou,
Sem deixar de olhar cada
Movimento involuntário dela,
Cada instinto dela
Lhe desejando
E buscando contato.
Depois virou-se e passou
As mãos nos cabelos,
Percebeu que tremia,
Tentou se controlar,
Ele precisava ser forte,
Nada além de vingança
O trouxe aquele lugar
E o colocou nos braços
Daquela garota,
E nenhuma outra coisa
Iria mantê-los unidos,
O ódio dominaria cada minuto
E cada beijo que fosse dado,
Não haveria desejo,
Apenas o ódio cederia
Aos encantos da jovem
Que o humilhou
E não ganharia perdão.
Tentou controlar
O corpo que tremia,
O arrepio na espinha,
E uma espécie de medo
Tomou conta de suas atitudes,
Então, voltou-se
E a encontrou no mesmo
Lugar em que a deixou,
Imóvel e com os cabelos bagunçados.
-Theo?
A voz dela parecia
Vir de muito distante,
E mantinha um tom preocupado,
Quase angustiante,
Ele dominou o corpo
Com relação aos seus efeitos,
Olhou para o alto,
Respirou fundo
E suas palavras não lhe deram
Conforto ou vontade
De estar perto.
Contudo, casa palavra
Parecia martelar sua cabeça
E implorar por atenção,
Prisioneiro de sua promessa:
Vingar-se dela,
Cativo de seus carinhos,
Estava perdendo o controle,
Tortura era ver aquela boca
Implorar por seus beijos
E ele ter de manter distância,
Escuridão era tudo que tinha
Adiante de si,
A solidão cativante
Daquele que nunca desistiu
De seus objetivos
E precisava alcançar mais este
Sem importar-se
Com qualquer outra coisa.
Ele a queria,
E iria ter,
Mas, antes a sujeitaria
A cada capricho seu,
A humilharia até ver-se
Soberano de si próprio,
Vencedor de seus objetivos,
Ele a queria destruída,
Completamente sua,
Sem controle de si própria,
Sem vontades por si mesma,
Então, provaria tudo dela,
Retiraria o máximo que pudesse
Para deixá-la na rua
E destruída,
Sem dinheiro,
Sem destino,
Ele a veria arrepender-se,
Implorar misericórdia,
Render-se a tudo que quisesse,
E a mandaria embora.

Destino à ROCAM