O ano é da comemoração
Referente aos 37 anos,
Mais um ano sozinha
A trilhar caminho distinto,
Em que a opção estar só
É quase um desalento.
Sem filhos,
Você se vê
Como um encargo
Para o resto da família,
Aquele alguém
Que não se encaixa
No restante do grupo,
Aquele diferentao
Que se vê suficiente
Mas no fundo sabe,
É um solitário.
Foi opção no começo
Não ser mãe,
Mas, aos 37 anos
Já não está sendo,
Cada mês que se vive
É contado com tristeza
E pesar,
Tem gosto de sangue
E morte,
É triste.
Não tenho a quem
Pertencer,
Não me identifico
Com ninguém,
Sozinha e a mercê
De um conquistador barato
Que possa me dar um filho,
Me fazer mãe.
Os anos pesam
Sobre meu corpo,
As marcas de expressão
Mostram isso,
A dor nisto que digo,
Sofrimento eterno
Nisto que vivo.
Eu nunca pensei
Meu futuro tão distante,
Tudo pareceu completo
Muito antes,
Porém, não dependeu
Apenas de mim,
E o fator externo se modificou,
Os anos foram passando
E levando meus sonhos,
O corpo não corresponde
As expectativas,
A cada olhada no espelho
Me assusto com o que vejo,
Tento disfarçar,
Busco um fator que modifique
Isto,
É triste o que vivo,
Os 37 são desmotivadores,
O tempo deixou de ser aliado
E é visto como inimigo,
Fator preponderante
Para o meu fracasso
Em ser mãe.
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