Á na roça
Onde o progresso
Não chegou
E a tecnologia estava
Fora do alcance,
Havia luz
Para iluminar a casa
Daquela mãezinha simples.
Cansada de esfregar
As roupas sujas na mão,
Ela encheu o tanque
Feito de concreto de água,
Pegou dois baldes
E pôs água
Num colocou rinsso
E o outro deixou para enxague.
Lavou de peça a peça,
Deixou de molho,
Enxaguou,
Pendurou no varal de frente
A casa até secar ao sol.
No sol escaldante,
As crianças não tinham
Nada para fazer,
Brincar se tornou irritante,
Estava realmente quente.
Aquela mãezinha
Pegou um lençol,
Juntou uma corda
De amarrar as vacas,
E as amarrou uma em
Cada ponta.
Depois foi até a sombra
Da linda laranjeira
Com o Sinamão,
E amarrou cada corda
Em uma árvore,
Fez do lençol
Uma rede de balanço
Para entreter os filhos.
O verão se tornou ameno,
E o sol menos rigoroso
Com relação as crianças
Que brincaram unidas,
As duas uma abraçada a outra.
No vizinho,
O tio pegou o colchão
E também copiou a ideia,
Contudo, o colchão
Era muito grosso
E impossibilitou êxito.
No outro vizinho
A prima pegou um lençol
Uniu uma corda
Em cada ponta
E amarrou de janela a janela,
Quando sua mãe foi andar,
A rede não saia do lugar,
Vez que ao ir pra frente,
Voltava e batia contra a parede.
Amarrada fragilmente
A corda desatou,
E isto levou a tia
A cair um tombo,
Batendo contra o chão
E as pedras que haviam
Ali embaixo.
Já no outro vizinho,
A tia juntou um lençol
Foi até a máquina de costura
E fez borda,
E frente na máquina,
Porém o lençol ficou pequeno
Nas beiradas e fundo no meio
Então, cada vez que a prima
Andava na rede improvisada
Batia com a bunda no chão
Arrastando a sujeira
Do solo de terra.
A vida na roça
Onde a internet não alcança
Foi simples,
Cada vez que recordo
Me vem lágrimas nos olhos,
E sinto felicidades
Por ter vivido de maneira
Tão retraída com relação
A coisas que tantas pessoas
Veem como imprescindíveis.
Já no meu tio,
Onde o colchão não funcionou
Como rede,
Ele usou o da minha prima
Que era mais simples
E velho,
A ideia foi boa
E durou algum tempo,
Na cama da menina
Ele usou suas roupas
Como colchão para ela
Dormir confortável,
Uau,
O quanto de roupa ela tinha?!
São realidades distintas.
Minha mãe
Cada dia que usou o lençol
O usou depois de lava-lo
Na cama de novo,
Ela sempre foi cuidadosa,
Me ensinou a valorar
Os bons momentos
E não ser superficial
Com relação a vida.
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