segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Erika - O Fantoche

“Dizem que se você
Acordar um sonâmbulo
Ele pode cair... Morto”.
Falou Erika,
Sentada atrás de sua mesa,
Que, enquanto falava,
Iniciou a frase
Em tom alto
E foi baixando enquanto
Se aproximava do ouvido
De Horostecki.
Horostecki ficou arrepiado
E sorriu
Enquanto dizia:
“Pois é,
Eu sofro disso”.
Ele falou.
Ela retornou a sua cadeira
E o olhou séria.
“Como assim?”
Ela pediu cruzando
Os dedos sobre a mesa.
“Eu sou casado,
Mas, quando percebo
Acordou num bar
Em plena manhã.”
Ela sorriu.
“Continue”.
“Eu pego o carro escondido
E fujo,
Vou até o bar e bebo
Sem parar,
Então, vem o dia
E alguém me encontra.”
Ele continuou.
“Hám, compreendo”.
Ela falou
Com os vagos,
Tentando entender.
“É que na verdade,
Eu fui dormir,
E não compreendo
Como eu saí “.
Ele falou.
“Nossa, mas que difícil,
Você não se viu
Sair de casa,
E nem entendeu
Como estava fora
Ou bêbado?”
Ela indagou.
Erika trabalha
De secretaria de advogado.
“Sim, então, vou trabalhar bêbado “.
Ela o olhou com seriedade.
“Voce é soldado
Na polícia militar?”
Indagou.
“Sim, sou policial “.
“Isto deve ser um problema “.
Ela falou.
“Sim, eu peguei a viatura
Para dirigir e bati
Contra um ônibus escolar,
Então, eu chantageei
Meu colega de farda,
E maquiei os dados
Colocando um outro indivíduo
Em meu lugar,
Pois, do acidente houve
Feridos e morte”.
Ele respondeu sorrindo.
“que terrível,
Eram crianças?”
Ela indagou.
“claro,
Tinham no máximo
10 anos”.
Ele falou olhando-a
De frente.
“voce está numa encrenca”.
Ela continuou.
“não, você está,
Eu gostei do seu corpo,
Ou você faz sexo comigo
Ou então, coloco
Seu nome na direção
Do veículo “.
Ele falou brincando.
Erika e Fabiano vivem
Num relacionamento de 04 anos
Como amantes,
Ele é casado,
Ela também.
“É você é bom pai”
Ela falou ao referir-se
Que ele escolheu viver
Próximo a uma escola
De aulas infantis,
E mesmo não tendo filhos,
Dedicava seu tempo
A olhar as crianças
E estupra-las.
Erika, embora
Estudante de direito
Não conseguia provas
A respeito
E nem ao menos
Se livrar da relação indesejada.
Ela não se sentia
Amada ou valorizada,
Pior que isso,
Se via estuprada
Por ele,
E nunca permitiu
Que suas piadas
Fossem longe demais.
“Bom virtuoso”
Ele disse sorrindo
Feito crianças.
Referindo-se ao fato
De que frequentou a igreja
Duas vezes
E se declarou crente em Deus,
As custas de sua esposa,
A qualquer ele obrigava
A ter frequência na igreja,
Para fazer um aspecto midiático
De família perfeita.
“Eu não entendo isto
De você ter de frequentar
A igreja para ser considerado
Bom,
Você é tão mal?”
Ela indagou fazendo
Biquinho com os lábios.
Ele sorriu alto:
“Eu sou jogador de game
Para a minha esposa,
Mas na verdade,
Estou sempre com
Uma aba de pornografia
Aberta do lado no
Computador “.
Ele falou
Limpando a baba
Que voou entre as palavras.
Mais tarde,
Erika o acompanhou
Até a base de operações
Policiais,
Para fazer sexo,
Ela não sabia a motivação
Mas gostava de ir lá,
Ele estava a serviço,
E isto dava um ar de medo.
Erika gostava
Do quanto suas pernas
Tremiam ao estar com ele
Naquela base fechada,
Um local de trabalho,
Ao dispor de seu gozo.
Neste momento,
Enquanto Horostecki
Foi tomar banho,
Vez que,
Transaram na cama
Que estava lá,
Erika encontrou
Um computador
Com dados policiais ligado
E acessado.
Ela ficou assustada,
Vez, que havia uma aba
Com uma cópia evidente
De seu celular aberta,
Lá tinha seus dados
E números de telefone,
Ela teve certeza
Que ele tinha um sistema
De raqueamento de seu celular,
Com seus dados pessoais,
E um programa de audição
Dela própria,
Sem ter necessidade alguma
Ou autorização para ele
Fazer isso.
Haviam mensagens trocadas,
Falas de ligações,
Ela descobriu
Que nunca teve vida particular,
Tudo girou em torno
Do que Horostecki desejou,
Ela era seu fantoche
E ele um soldado militar.
Além de monopolizar 
Sua vida,
Horostecki cumpria 
Horário de serviço 
Por meio do equipamento,
Fazendo o que desejava
Apenas quando fosse
Sua vontade,
Nisto, Erika ajia
Perfeitamente bem,
Pois se ela não o conduzisse
Até a área policial
Jamais seria comprovada 
A grandeza da farsa
Em que aquele indivíduo 
Estava envolvido.
Tudo era questão 
De vozes, comandos
E provas fraudadas.

14/06/2014

“conforme meu relógio
O ônibus está atrasado.”
Disse Wagner,
Alheio ao seu redor,
Preocupado em perder
O horário escolar.
“Caso não venha
Em meia hora
Teremos que voltar
Pra casa,
Pois ficará muito tarde
E algum estranho
Pode passar por nós
E nos fazer mal”.
Respondeu Gabriel
Preocupado.
“É claro que sim.”
Encerrou Wagner
Segurando seus cadernos
Nas mãos,
Enquanto Gabriel
Chacoalhava a mochila
Preocupado.
Transcorrido o tempo
Sem que o ônibus
Tenha passado,
Ambos saíram da beira
Da estrada
Onde estavam
E voltaram para suas casas.
O sol estava pleno,
A terra estava molhada,
Havia chovido na noite anterior.
Chegado em casa
Gabriel descobriu
Que sua mãe os levaria,
E foram de carro
Até a casa de Wagner,
Que feliz,
Desceu a área do
Segundo andar de sua casa
Pulando os degraus
Da escada.
Chegando no colégio
Descobriram que a chuva
Alagou o colégio
E arrancou parte do teto,
Por isso,
Não haveria aulas,
Poucos alunos compareceram
E os professores e domésticos
Estavam preocupados
Tentando limpar a sujeira.
Havia lixo por toda parte,
Também muita água suja,
Estava tudo molhado,
Com pedaços de telhado
E alguns galhos e coisas
Trazidas com o vento.
“Vamos ficar e ajudar”.
Pediu Wagner.
“Claro, filho”.
Respondeu Elizandra,
Os três foram até
Os professores
Se certificaram de tudo
Que houve,
E pegaram uma vassoura
E um rodo com um pano
Cada um e juntos
Foram limpando todo
O local,
Cada sala,
Cada canto,
Um varria o outro puxava
A água e outro esfregava,
Depois limpava
Com o pano.
Transcorridas 04 horas
De limpeza,
Haviam ao todo 25 pessoas
Incluindo funcionários
E moradores locais,
A intimidade de Elizandra
Com Wagner ficou evidente,
Dentro da biblioteca,
Cujos livros estavam
Todos molhados,
E talvez, toda leitura
Estivesse perdida,
Wagner tropeçou
No rodo e feriu o rosto
Contra a parede,
Elizandra o abraçou,
E secou suas lágrimas.
Contudo, seus 40 anos
De idade não evitaram
O beijo que ocorreu
Nos lábios do garoto
De 13 anos.
Ela não se importou
Por ser mãe do amigo
Do menino,
E vizinha do garoto,
Pelo contrário
O beijou sôfrega
E intensa.
“E seu primeiro beijo?”
Ela indagou.
“Sim. É o primeiro “.
Ela sorriu prazerosa.
Gabriel chegou
A tempo de ver a situação
Desgostoso pulou
Contra a porta,
Se jogando sobre Wagner
Com socos e tapas.
Também agrediu a própria
Mãe aos prantos.
“Vagabundo, maldito
Você não é meu pai,
Você não pode!”
Ele gritou.
A mãe do garoto
Tentou controla-lo
Com palavras acolhedoras,
Mas foi em vão.
“calma filho,
Não é nada disso
Que você está pensando.”
“jamais ficarei calmo,
Vou contar para o papai.”
Ele gritou.
“Não faça isso,
Seu pai não iria entender “.
As professoras chegaram
Até a sala e tentaram auxiliar.
“Imagine Gabriel,
Wagner já tem 13 anos,
Já é um adolescente
E sua mãe é adulta
É ela quem sabe o que faz!”.
Porém, Gabriel se irritou
Mais correu até a sala
Dos professores
E ligou para seu pai
Imediatamente,
Contando, tudo que viu.
Darci ficou assustado,
E irritado,
Deixou o trabalho imediatamente
E se dirigiu até o colégio,
Lá chegando,
Encontrou sua esposa
Abraçada ao Wagner
Que chorava assustado
Entre seus decote
De seios a mostra.
Ele gritou e esmurrou
A parede,
Depois disso,
Retirou uma arma
Da cintura e atirou
Contra os presentes
Sem importar-se:
“Maldita, vagabunda,
Maldito viado”.
Wagner nunca
Pode ter um segundo beijo,
Ficou paraplégico,
Foi levando pela emergência
Para o sistema de saúde
Receber hospitalização
Devido a imobilidade do corpo
Em razão de ter recebido 3 tiros
Em locais do corpo.
Sangrando e caído
Na própria poça de sangue,
Dor e lágrimas,
Nunca mais pode falar
Ou mover-se.
Já Elizandra recebeu
Um único tiro no peito
Que a separou de Wagner
Fazendo-a colidir
Contra a parede.
Na parede voou sangue,
De seu corpo
Escorreu sangue
Seus olhos assustados
E abertos evidenciaram dor
E medo e morte.
Seu esposo não foi capaz
De perdoar a traição,
A matou num gesto impensado.
Uma professora foi ferida
E foi levada para a Unidade
De Saúde avançada
Em estado crítico de saúde,
Suspirando com dificuldade,
Empossada em sangue
Com os olhos abertos
Entre o medo e a dor insustentável.
Inebriado pelo ódio,
Darci não parou de atirar,
Atirou contra a parede,
Contra as janelas,
Contra as pessoas,
Mas, Arnaldo foi rápido
E conseguiu retirar a arma
Da mão de Darci
Que irritado agiu contra
O próprio filho
Desferindo golpes
De toda sorte
Contra o garoto de 13 anos.
As fraturas levaram
Do menino sua perna,
Traumatizado,
Darci só se conteve
Quando uma viatura policial
Passou em frente ao colégio
E assustados com os barulhos
Entraram lá,
Constatando um homem
Transtornado
Que batia em todos que via
Quebrando carteiras,
Jogando cadeiras contra
Os presentes,
Rasgando livros
E os ateando no rosto
De cada um que via.
Sua dor não cessava,
A raiva não cedia espaço,
O horror de ter sido
Traído em frente a todos
Do ambiente escolar
Foi mais forte
Que qualquer outro sentimento.
Dois soldados
O contiveram depois
De entrarem em luta
Corporal contra Darci,
Nenhuma palavra
O fez parar,
Somente a força bruta
O estancou.
Darci foi levado
Para a delegacia imediatamente,
A escola foi fechada,
E todos receberam tratamento
Ambulatorial pelo sistema
Móvel de saúde,
Os casos mais sérios
Foram para o hospital receber
Internamento.
Sabendo do ocorrido,
Os pais de Wagner
Não suportaram a dor,
Invadiram a delegacia 
Com fuzis e fuzilaram
Todos os presentes,
Desde o delegado plantonista,
Até o advogado plantonista,
E dois soldados militares
Que estavam lá,
Darci não foi poupado,
Ele levou a vida de um filho,
Uma criança de 13 anos
Inocente de toda a maldade
Humana,
Mas sua vida,
Cruelmente,
Foi tirada
Tal como a do filho amado.
Orgulhosos pelo ato vitorioso.
Depois disso,
Seguiram para suas casas.
Logo mais, 
A polícia soube do ocorrido,
Conseguiu informações 
Através das câmeras 
De segurança da delegacia,
E viram o ocorrido,
Saiu então a viatura 
Do PPT, 
Polícia de policiamento tático,
Designada para efetuar
O flagrante delito
E apreensão do casal
E das armas utilizadas.
Chegando na residência 
Houve resistência 
Por parte do casal,
Houve então, luta corporal,
Contudo, a polícia conseguiu
Imobiliza-los e algema-los,
Em seguida 
Foram em busca das armas.
O casal negou o uso
E também negaram 
Qualquer atitude ilícita.
O PPT entrou na casa
E tiveram de vasculhar 
O local,
Dentro do sofá,
Depois de corta-lo 
Encontraram 5 fuzis,
Estas armas são 
De uso restrito,
Proibidas para pessoas comuns.
Continuando a operação 
De busca encontraram drogas
Espalhadas no foro da casa,
No quarto do casal,
Atrás do roupeiro 
Encontraram outras armas.
Em porte de todo 
O material apreendido
Seguiram para a delegacia 
Regional vez que a outra
Estava defasada a tiros.
Presos,
Esperando para dar depoimento,
O casal descobriu
Que seu filho Wagner
Estava apenas paraplégico 
E não morto,
Ele encontrava-se 
Na unidade intensiva de saúde 
Para receber tratamento médico,
Mas, gazava de vida.
O menino tinha dificuldade 
Para se comunicar,
Talvez, nunca mais viesse
A falar ou andar,
Mas sobrevivia.
Indignados
Pela repercussão midiática 
Sobre o caso,
Os pais do restante 
Dos alunos 
Sentiram-se amedrontados
E fizeram passeata
Cobrando atitude 
De segurança por parte 
Das autoridades locais,
Alguns, montaram barracas 
Em frente a prefeitura municipal 
E ficaram acampados lá,
Gritando por segurança 
Nas escolas.

Boletins escolares
Foram colados por toda
Parte evidenciando 
O descaso dos alunos
Com relação as notas
Extremamente baixas,
Redações escolares
Foram coladas em todo 
O colégio mostrando notas
Baixas em vermelho 
Que evidenciaram
O analfabetismo dos alunos 
Que frequentavam a escola.
Tudo isso ganhou 
Fator midiático na televisão 
E jornais e rádio da cidade,
Estado e país.

Erros de ortografia ridículos,
Professores que não 
Compareciam na escolas
Tiveram seus nomes expostos,
Junto com o fichário de faltas
Colados nos muros,
Isto repercutiu negativamente 
Na prefeitura.

Três dias após todos
Os incidentes que não 
Paravam de ocorrer
O prefeito saiu em nota
Dizendo o valor de dinheiro 
Que a prefeitura entregava 
A educação,
Alegou que o mais
Era parte dos professores,
Pais e alunos de fazerem,
Pois a verba veio,
E foi entregue a eles.

Os professores ficaram
Indignados,
Vez que a escola estava
Sem merenda 
Para oferecer aos alunos,
As classes estavam quebradas,
O teto da escola
Voava ao menor sopro do vento,
E o prefeito alegava
Que tudo que precisava
Era enviar dinheiro 
E deixar a encargo 
Dos professores a educação?

Nisto, os professores 
Invadiram a prefeitura,
E bateram no prefeito 
Quebrando sua sala
E portas de entrada 
No ambiente.

Os pais ajudaram,
Então, dispersaram 
Para suas casas,
Desmotivados em permitir
Aos filhos que retornassem.
As armas eram vendidas
Nas esquinas da cidade,
Por qualquer valor,
De todos os calibres
E espécies de munições,
Não havia segurança,
E indo na escola 
Nem ao menos havia educação.

O horror daquela cidade
Ganhou notoriedade
Entre redações ruins,
Notas baixas,
Aprendizados insatisfatórios,
Desistência de alunos
E professores expressas
Em documentos colados
Em todo o colégio,
E até mesmo colaram
Fotos do prefeito beijando 
Professores,
E em público ele os definia
Como "didáticos".

Os exames assertivos
Para escolha dos professores 
Tinham poucos inscritos 
Toda vez,
As provas ganhavam
Notoriedade de terem sido
Abertas anteriormente 
E o conteúdo ter sido 
Entregue aos que estavam
Previstos para serem selecionados
Para lecionar.
A desconfiança sobre
O prefeito se tornou evidente,
A população estava insatisfeita,
Foi pedido afastamento 
Do prefeito da prefeitura da cidade,
Através de uma Ação Popular 
Direta no Ministério Da educação.


domingo, 28 de dezembro de 2025

Meu Esposo Bondoso

Meu esposo,
Eu faço um novelo
De linha
E desfaço
Para lhe fazer
Uma blusa,
De tempo a tempo ,
Do início ao final,
Eu não poderia
Resumir sua bondade,
A beleza de cada ato,
A forma como nos ama
E nos privilegia.
A mesa é farta,
O prato de comida
É repetido até saciar
E nunca falta.
A casa é limpa,
Ele me ajuda a organizar
E nunca brigamos,
Ele faz todas
As minhas vontades,
Me mima
Com mais que sonho,
Me abraça forte,
E sempre está ao meu lado.
Eu só sei ser grata,
Nesta caminho
Onde seguimos juntos
Fazemos muitas amizades,
Ele sabe valoriza-las,
Sabe demonstrar
Nossa união e afeto,
Eu amo seus atos,
Sua beleza magnífica,
E ele cuida dos meus sentimentos,
Para que eu não me fira,
Retira minha ilusão,
Me torna madura,
Ele me ama
E eu o amo de coração.
Ele respeita
Quando eu pego
Nosso carro
E vou até o marcado
Apenas para ver
Nossos amigos,
Ele gosta disso,
E eu o amo mais por isso.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Se virar

Acho que eu tinha
12 anos,
Não mais que isso,
Naquela época
Bastava se alfabetizar,
Me recomendou
Minha mãe:
“Leia uma frase,
Sabendo ler
A frase inteira
Você está alfabetizada”.
E pronto,
Era isto,
Abrir um livro simples
E ler a frase,
Não mais que isso.
Contudo,
A enxada na terra,
De limpar o chão,
Fazer saltar faísca,
Me fez repensar
E acreditar em meus pais
Que a vida
Poderia ser melhor
E insisti nisso.
Busquei minha avó
E disse:
“Vó, eu quero aprender mais”.
Minha avó
Soltou a cuia de Chimarrão
De lado
Me olhou e disse:
“Faça poesia e prosa”.
E eu insisti nisso,
Prosear uma história,
Rimar numa poesia,
E quando voltei
Até a roça
Para ajudar meus pais
E meu irmão a limpar
A terra
Vi meu vizinho
Retirar o único casaco
Que possuía,
Enrolar numa pedra
E erguer a pedra
Em seus braços
Até o barranco
Para limpar a terra,
Eu vi que isto
Era útil
E iria ajudar
Se fosse feito
Também não nossa propriedade.
Porém, pedras são pesadas,
Exigem muito
De uma pessoa,
Isto requeria usar máquinas
Que não época,
Não sei se existiam,
Se existissem
Eu não saberia
Aonde conseguir,
Ou se o trabalho
Poderia ser feito
Na nossa roça íngreme.
Contudo, a poesia
Me permitiu insistir
Nos estudos,
Me formar e conseguir
Máquinas e pessoas
Aptas ao que eu precisar,
Porque lá atrás,
Quando meus pais
Não sabiam nem ler
Ou escrever
Eu insisti numa ideia,
E corri atrás dela,
E hoje me sinto
Incrível diante disto:
Sou alfabetizada,
Faço poemas,
Vivo do que escrevo,
Eu falo pouco,
Mas me expresso bem,
Minha avó estaria orgulhosa,
Escrever mudou
Minha vida,
Se eu tivesse parado
Ao saber ler minha
Primeira frase,
Eu jamais estaria aqui,
Com dinheiro no bolso,
E tudo que preciso
Ao alcance.
Eu tenho tantas pessoas
Para agradecer,
Professores,
Meus pais,
Meus irmãos,
Só tenho a agradecer.
A menina da roça,
Saiu de lá,
Aprendeu a ler,
Sabe escrever,
“Já pode se virar”.

Te Deixei

Essa noite
Eu tô cansada,
Nada me agrada,
As paredes de casa
Parecem aprisionar,
As ideias
Dentro de mim
Saem a explodir.
Queria ter calma,
Queria morno
Um chá de calma,
De preferência,
De sono.
As lembranças
Me dizem pra lembrar,
O novo manda esquecer,
De tudo que houve,
Em nada bons amigos?
Meu coração
Se apequena,
Não controlo
O que digo,
Pego o carro
Dirijo,
Busco,
Procuro,
Eu preciso de calma,
Eu queria poder mudar,
Modificar o que houve,
Mas, todos estes crimes
Perfeitos deixaram criminosos
Espalhados por toda parte,
Eu olhei no rosto
De cada passante
E não soube distinguir,
Te deixei partir.

Eu Bebo Um Rio

Outra vez
O dia amanhece nublado,
O ar pesado
Afunda em meu peito
E me deixa em seu lodo,
De estar presa,
Segura e condenada
Dentro de mim.
Me empurro,
Forço os pés no chão
E busco socorro,
Preciso respirar,
Chorar a dor
Que me deprime,
Sentir meus pulmões
Renovarem-se,
Estou pesada e afundando.
Outra vez,
Há óleo na água
Que abastece a cidade,
Abro a torneira
Não há um pingo sequer,
Preciso fazer comida,
Tomar meu banho,
Fazer a faxina,
Me indago
Por que não cuidei
De mim,
Por que não olhei
Para a minha cidade
Não vi este maldito
Óleo escorrer
E tentar me levar
Com ele.
São dois dias
De sufoco
De estar preso
Entre economizar
E sentir falta,
Por que permiti
Que fizessem
Meu rio de lixo,
Óleo cadavérico
Lá de seu desencanto
Me sorri
E acena:
“Oi, estou aqui”
Como se eu não soubesse
Deste ar
Que me condena,
Da água suja
Na torneira,
“Óleo estúpido
Pensa que só sei dele
Quando sua água
Me faz falta.”

Óleo na Água

Amanhece o dia,
Mas, me recuso a entender
Que vai chover,
Vai fazer sol
E outra vez
Estarei aqui
A contar os ponteiros
Que passam
Seguindo um ao outro,
Ver os números mexerem-se,
Pois, tudo segue
A rotina do mesmo.
Queria entender
A tristeza
Que me invade,
Assombra meu peito,
Me deixa triste,
Tudo conspira
Para as minhas lágrimas
E chorar me deprime,
Ficar na cama
Me faz preferência,
Mas a rotina se manifesta
E eu preciso levantar
Escolher uma roupa,
Fazer a faxina,
Fazer o almoço,
E de novo limpar,
Faxinar, comer,
Tudo rodando, rodando,
Rodando e repetindo.
Caio dentro de mim,
Me afundo,
Estou em dificuldades,
Frágil e desesperançada,
Nadando no lodo
De óleo e sujeira,
Vendo a vida perder-se,
Esvair-se,
Falo,
Como se palavras
Fossem capazes
De trazer tudo a superfície
E eu parar de despencar,
Agachar-me,
Apenas,
E retirar tudo com a mão.
Maldito o óleo
Que faz mal
Para a minha respiração,
Estupido o óleo
Que condena meu dia,
Terrível óleo
Que lá de cima despenca,
Inunda tudo,
Se espalha
Feito correntes pesadas,
Retira a minha vida,
Enfraquece meu corpo,
Recolhe meu espírito
E não parece perceber
O tanto que me faz mal,
Cai por descuido,
Fica por metido,
Me puxa
Para seu lado
E segura,
Óleo vagabundo
Deixe de me manter
Aí onde você está
Enraigado nestas raízes profundas,
Como se sorrisse
Este sorriso cadavérico,
Que contamina meu ar,
Destrói minha vida,
Me vejo desgrenhar.

Destino à ROCAM