sábado, 27 de dezembro de 2025

Óleo na Água

Amanhece o dia,
Mas, me recuso a entender
Que vai chover,
Vai fazer sol
E outra vez
Estarei aqui
A contar os ponteiros
Que passam
Seguindo um ao outro,
Ver os números mexerem-se,
Pois, tudo segue
A rotina do mesmo.
Queria entender
A tristeza
Que me invade,
Assombra meu peito,
Me deixa triste,
Tudo conspira
Para as minhas lágrimas
E chorar me deprime,
Ficar na cama
Me faz preferência,
Mas a rotina se manifesta
E eu preciso levantar
Escolher uma roupa,
Fazer a faxina,
Fazer o almoço,
E de novo limpar,
Faxinar, comer,
Tudo rodando, rodando,
Rodando e repetindo.
Caio dentro de mim,
Me afundo,
Estou em dificuldades,
Frágil e desesperançada,
Nadando no lodo
De óleo e sujeira,
Vendo a vida perder-se,
Esvair-se,
Falo,
Como se palavras
Fossem capazes
De trazer tudo a superfície
E eu parar de despencar,
Agachar-me,
Apenas,
E retirar tudo com a mão.
Maldito o óleo
Que faz mal
Para a minha respiração,
Estupido o óleo
Que condena meu dia,
Terrível óleo
Que lá de cima despenca,
Inunda tudo,
Se espalha
Feito correntes pesadas,
Retira a minha vida,
Enfraquece meu corpo,
Recolhe meu espírito
E não parece perceber
O tanto que me faz mal,
Cai por descuido,
Fica por metido,
Me puxa
Para seu lado
E segura,
Óleo vagabundo
Deixe de me manter
Aí onde você está
Enraigado nestas raízes profundas,
Como se sorrisse
Este sorriso cadavérico,
Que contamina meu ar,
Destrói minha vida,
Me vejo desgrenhar.

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