Acho que eu tinha
12 anos,
Não mais que isso,
Naquela época
Bastava se alfabetizar,
Me recomendou
Minha mãe:
“Leia uma frase,
Sabendo ler
A frase inteira
Você está alfabetizada”.
E pronto,
Era isto,
Abrir um livro simples
E ler a frase,
Não mais que isso.
Contudo,
A enxada na terra,
De limpar o chão,
Fazer saltar faísca,
Me fez repensar
E acreditar em meus pais
Que a vida
Poderia ser melhor
E insisti nisso.
Busquei minha avó
E disse:
“Vó, eu quero aprender mais”.
Minha avó
Soltou a cuia de Chimarrão
De lado
Me olhou e disse:
“Faça poesia e prosa”.
E eu insisti nisso,
Prosear uma história,
Rimar numa poesia,
E quando voltei
Até a roça
Para ajudar meus pais
E meu irmão a limpar
A terra
Vi meu vizinho
Retirar o único casaco
Que possuía,
Enrolar numa pedra
E erguer a pedra
Em seus braços
Até o barranco
Para limpar a terra,
Eu vi que isto
Era útil
E iria ajudar
Se fosse feito
Também não nossa propriedade.
Porém, pedras são pesadas,
Exigem muito
De uma pessoa,
Isto requeria usar máquinas
Que não época,
Não sei se existiam,
Se existissem
Eu não saberia
Aonde conseguir,
Ou se o trabalho
Poderia ser feito
Na nossa roça íngreme.
Contudo, a poesia
Me permitiu insistir
Nos estudos,
Me formar e conseguir
Máquinas e pessoas
Aptas ao que eu precisar,
Porque lá atrás,
Quando meus pais
Não sabiam nem ler
Ou escrever
Eu insisti numa ideia,
E corri atrás dela,
E hoje me sinto
Incrível diante disto:
Sou alfabetizada,
Faço poemas,
Vivo do que escrevo,
Eu falo pouco,
Mas me expresso bem,
Minha avó estaria orgulhosa,
Escrever mudou
Minha vida,
Se eu tivesse parado
Ao saber ler minha
Primeira frase,
Eu jamais estaria aqui,
Com dinheiro no bolso,
E tudo que preciso
Ao alcance.
Eu tenho tantas pessoas
Para agradecer,
Professores,
Meus pais,
Meus irmãos,
Só tenho a agradecer.
A menina da roça,
Saiu de lá,
Aprendeu a ler,
Sabe escrever,
“Já pode se virar”.
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