domingo, 8 de fevereiro de 2026

Quem Mandou

Eu te aceitei,
Liguei,
Esperei mais de uma vez,
Ilusão este amor,
Foi transa: acabou.
Eu não volto atrás,
Não adianta retornar,
Ligações são pra quem
Não ama,
Não vou perdoar,
Vai ficar com quem?
Eu aceitei,
Eu busquei,
Te procurei
Mas informei
Não perdoo mais
De uns vez,
O que você quis?
A outra me diz!
Você se recusa,
Nega a falar,
Me diz pra quê?
Que chances você quer?
De enganar,
Mentir,
Desacreditar,
Ah, quem?
Eu te aceitei,
Eu busquei,
Eu perdoei,
Já te vi com outra
Passou a vez,
Cai fora,
Sai da minha porta,
Retirei esse sorriso torto
Do rosto
Que minha vontade
É esbofeteá-lo
Até vê-lo sentir dor,
Você é capaz?
De entender,
Não ser traidor?
Por quem?
Está com quem
Você me trai
Ou a próxima,
Qual é a da vez?
Quem mandou
Você ir atrás de outra,
Por que achou que
Eu sou capaz de perdoar,
Oh, quem?

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Pessoa Rara

Não é o que
Você leva no bolso
Que te faz valioso,
Não são suas jóias
Que te faz uma pessoa cara,
Não são suas roupas
Que definem sua valia,
Não é o seu saldo bancário
Que te faz alguém raro,
É o que você entrega
De carinho e bondade
Ao coração dos outros,
Suas atitudes positivas,
Os benefícios que você
Determina a humanidade
Isto sim aumenta sua
Autoestima,
Faz de você um sujeito
Bem visto com o povo,
Te dá credibilidade social.
O carinho que você emprega
Em cada coisa que você faz
Faz de você único,
Raro é querido por todos.

Acordada por você

Hoje meu dia
Ficou mais feliz
Logo cedo,
Vi você,
Te abracei de longe,
Senti seu cheiro,
Imaginei seu beijo,
Fiz almoço,
Imaginei você conosco,
Lavei a louça
E agora vou tirar um cochilo,
Logo depois do sono
Espero que você sinta
A minha saudade
E venha me ver,
Será mais que prazer
Ser acordada por você
É amor!

Te amo

Fica sempre o perfume
Na mão de quem
Estende a flor,
No olhar fica o carinho
Daquele que recebeu
Daquele que deu,
Um brilho de sonho,
Um quê de realização,
Uma vontade de pedir
Beijo,
Um palpitar de paixão
Das quais não se entende,
Nem quer reprimir,
Ama-se por inteiro
E o gesto de entregar
A flor é confissão,
É desejo de estar perto,
É abraçar colorido,
É amar profundo.
Te amo desde a flor
Que alcanço
Até o sorriso
Que não consigo
Tirar do rosto
Sempre que te vejo

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Uma Mulher Esfomeada

Ela sai do seu quarto
De cortina na porta
Secando os cabelos
Com a toalha velha,
Que pouco a pouco
Se desfaz por entre
Os dedos.
Seus cabelos escuros
Percorrem seu pescoço,
Tomam o dorso
E pairam nos ossos magros
Acima dos seus seios
De volume pequeno
Embaixo de sua camiseta branca.
Ela deixa a toalha
Sobre o espaldar da janela
Para secar ao sol,
Então, pega o pente barato
Feito de plástico amarelo palha
E penteia seus cabelos,
A fome grune em seu estômago,
Mas, ela cuida de sua beleza
Como se sua vida
Fosse a mais perfeita,
Quase indiferente as telhas
Quebradas no teto,
A fiação da energia elétrica
Roída por pequenos roedores
E quase em curto circuito,
As frestas por entre a madeira
Da parede por onde
De tempo em tempo
Cruza uma aranha
Ou uma cobra,
Ela vai até a geladeira,
Junta algumas coisas
E tira de tão pouco
O alimento.
O assoalho range
E se movimenta fresco,
Parece lhe atribuir elogios,
Não desmorona,
Apenas se desfaz pouco
A pouco por sob seus pés.
O vento sopra
E balança a toalha,
A casa range,
Torta sob efeito
De envelhecimento,
Ela põe o alimento
Dentro de uma panela
E cozinha tudo,
Contando os grãos,
Poupando os frutos.

Assassino a Pedido

Ela entrou assustada no bar,
Estava vazio,
Pediu um drink,
Sentou bebericar a bebida.
Um homem entrou,
Ele usava um turbante
Negro com vermelho e verde,
Rodeado por uma coroa
Feita de tecido escuro e amarelo.
Ele usava uma espécie
Estranha de vestido masculino,
Na cor vermelha com traços negros,
Ele foi até ela,
Tirou uma faca do bolso
E esfaqueou o sofá
Onde ela estava sentada,
Penas voaram para
A sua frente,
Ela assustou-se,
Ele a empurrou contra
A mesa de centro do bar
E a estuprou ali mesmo,
Com uma faca
Brilhando ao lado
Do seu rosto
E a outra mão sobre
Seus lábios,
Depois, ele saiu
A deixando ali
Para terminar a bebida,
Ela encerrou até o último gole
E foi.
Mais tarde,
Recuperada chamou
Um amigo para dormir
Com ela,
Passaram longas horas
Rindo sobre a cama,
Depois fizeram sexo.
Ele foi até a cozinha
Para buscar leite,
Demorou-se,
De súbito
Ela sentiu sede de sangue,
Queria sentir o cheiro,
O sabor,
Saciar-se.
Desceu sem compreender
As escadas até a cozinha,
Ao chegar na sala,
O estranho árabe
Estava lá,
Com seu amigo encaixado
Sobre o sofá,
E uma faca no pescoço dele,
Ele fazia sexo
Com o rapaz,
Em plena sala sua,
Ela não sabia que
Ele conhecia seu endereço.
Contudo, aproximando-se
O árabe passou a lâmina
Sobre a pele do pescoço
Do rapaz
E sangue jorrou para todo
O lado.
“ você fez isso?”
Ela indagou trêmula
Apontando para o sangue
Dentro de sua casa,
Ele encerrou o ato sexual,
Guardou o pênis mole,
E sorriu.
“Você fez!”
Ele respondeu e virou-se
Para a saída.
“Como assim?”
Ela indagou,
Sem sentir medo,
Indo bem perto dele.
“Como você acha
Que eu cheguei até aqui?”
Ela embasbacou-se,
Levou a mão ao rosto.
“Fiz sua vontade”
Ele disse.
Então, ela se jogou
Em seus ombros e o beijou,
Ele retribuiu,
Balançou a lâmina suja
De sangue e saiu.

Sonho Ruim

Ela está naquele
Seu velho chalé,
Ou o que sobrou dele,
Deitada sobre os escombros
De uma cama adquirida
E logo após destruída.
O dinheiro de uma pessoa pobre
É inferior ao que ele adquire,
Não importa que ele pague
O que for pedido,
Nem que deseje
De toda alma
Que o produto se equivala.
O dinheiro não vale
O suor de quem o recebe,
Não ele nunca vale,
O dinheiro vale
O que os outros pedem
Por ele,
Você aceita
Se quiser,
Caso não queira
Que irá fazer?
Ela deitou-se sobre
Lençóis baratos,
Produto que ganhou
De seu pai,
Não tinha dinheiro
Para comprar,
Mas, ele não lhe permitiu
Ficar sem.
Sentiu um frio a cobrir,
Como uma lápide gelada,
De cima de seus cabelos
Até pesar sobre seus dedos,
Sentiu como se a madeira
De um caixão escuro
Lhe fechasse os olhos,
Depois daquilo houve o frio
Intenso e perturbador.
Amanheceu,
Uma fresta amarela
Despenca de seu telhado
De zinco quebrado
E lhe atinge os olhos,
Ela tenta se mover,
Mas não consegue,
Sente fortes dores
No lado direito do seu peito.
Uma força estranha
Parece abrir seus nervos,
Dilacerar sua carne,
Não há sangue,
Há algo de dor apenas.
Ela quer mover -se,
Mas não consegue.
Suas pernas não respondem
Ao desejo do seu corpo,
Um hálito quente
Com sabor de sangue
Parece aproximar-se de sua boca,
Mas, ela não consegue
Levantar-se.
Quem é este?
Um anjo ou malfeitor?
Quais são seus desejos?
Seu corpo está despreparado
Para o amor,
Um sorriso seco deseja
Pairar sobre seus lábios
E o percorrendo
Trinca a pele
Como se derretesse o gelo,
Sem, porém, aquece-la.
Mover-se,
Como posso me mover?
Ela busca uma faca,
Onde?
Quer desamarrar suas amarras,
Está presa?
“Mamae, cadê você?”
Ela busca o aconchego
De um peito materno
Que a coloca no calor
De seus ossos esfomeados
E lhe acaricie os cabelos,
“Mamãe, cadê você?”
E então ela acorda.
Aos berros!

Destino à ROCAM