sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Sonho Ruim

Ela está naquele
Seu velho chalé,
Ou o que sobrou dele,
Deitada sobre os escombros
De uma cama adquirida
E logo após destruída.
O dinheiro de uma pessoa pobre
É inferior ao que ele adquire,
Não importa que ele pague
O que for pedido,
Nem que deseje
De toda alma
Que o produto se equivala.
O dinheiro não vale
O suor de quem o recebe,
Não ele nunca vale,
O dinheiro vale
O que os outros pedem
Por ele,
Você aceita
Se quiser,
Caso não queira
Que irá fazer?
Ela deitou-se sobre
Lençóis baratos,
Produto que ganhou
De seu pai,
Não tinha dinheiro
Para comprar,
Mas, ele não lhe permitiu
Ficar sem.
Sentiu um frio a cobrir,
Como uma lápide gelada,
De cima de seus cabelos
Até pesar sobre seus dedos,
Sentiu como se a madeira
De um caixão escuro
Lhe fechasse os olhos,
Depois daquilo houve o frio
Intenso e perturbador.
Amanheceu,
Uma fresta amarela
Despenca de seu telhado
De zinco quebrado
E lhe atinge os olhos,
Ela tenta se mover,
Mas não consegue,
Sente fortes dores
No lado direito do seu peito.
Uma força estranha
Parece abrir seus nervos,
Dilacerar sua carne,
Não há sangue,
Há algo de dor apenas.
Ela quer mover -se,
Mas não consegue.
Suas pernas não respondem
Ao desejo do seu corpo,
Um hálito quente
Com sabor de sangue
Parece aproximar-se de sua boca,
Mas, ela não consegue
Levantar-se.
Quem é este?
Um anjo ou malfeitor?
Quais são seus desejos?
Seu corpo está despreparado
Para o amor,
Um sorriso seco deseja
Pairar sobre seus lábios
E o percorrendo
Trinca a pele
Como se derretesse o gelo,
Sem, porém, aquece-la.
Mover-se,
Como posso me mover?
Ela busca uma faca,
Onde?
Quer desamarrar suas amarras,
Está presa?
“Mamae, cadê você?”
Ela busca o aconchego
De um peito materno
Que a coloca no calor
De seus ossos esfomeados
E lhe acaricie os cabelos,
“Mamãe, cadê você?”
E então ela acorda.
Aos berros!

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