sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Uma Mulher Esfomeada

Ela sai do seu quarto
De cortina na porta
Secando os cabelos
Com a toalha velha,
Que pouco a pouco
Se desfaz por entre
Os dedos.
Seus cabelos escuros
Percorrem seu pescoço,
Tomam o dorso
E pairam nos ossos magros
Acima dos seus seios
De volume pequeno
Embaixo de sua camiseta branca.
Ela deixa a toalha
Sobre o espaldar da janela
Para secar ao sol,
Então, pega o pente barato
Feito de plástico amarelo palha
E penteia seus cabelos,
A fome grune em seu estômago,
Mas, ela cuida de sua beleza
Como se sua vida
Fosse a mais perfeita,
Quase indiferente as telhas
Quebradas no teto,
A fiação da energia elétrica
Roída por pequenos roedores
E quase em curto circuito,
As frestas por entre a madeira
Da parede por onde
De tempo em tempo
Cruza uma aranha
Ou uma cobra,
Ela vai até a geladeira,
Junta algumas coisas
E tira de tão pouco
O alimento.
O assoalho range
E se movimenta fresco,
Parece lhe atribuir elogios,
Não desmorona,
Apenas se desfaz pouco
A pouco por sob seus pés.
O vento sopra
E balança a toalha,
A casa range,
Torta sob efeito
De envelhecimento,
Ela põe o alimento
Dentro de uma panela
E cozinha tudo,
Contando os grãos,
Poupando os frutos.

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