quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Amor e Um café

Eu me sento seguro
No café do shopping,
Sorvo um gole fresco,
O sinto escorrer
Por meus lábios,
Massagear minha garganta.
Nisto, Tess chega,
Se senta ao meu lado,
Abraça meu braço
E encosta sua cabeça
Em meu ombro.
Eu sorrio,
Ela parece adormecer,
Sinto que minha esposa sonha,
E como se despertasse
Ela diz com sua voz suave:
“Marlon, se eu me virar
Você ainda estará aqui?”
Ela indaga
E neste instante
Se segura com ambas
As mãos em braços fortes:
“Sim”.
Digo.
“Enquanto você estiver
Eu estarei”.
Ela sorriu
E quase salta da cadeira
Então se vira
E beija meu ombro
Com seu hálito fresco,
Intenso feito café,
Doce feito um anjo.
“Obrigada.”
Ela fala.
“Eu te amo”.
Ela encerra.
“Te amo “
Acrescento
Repousando um beijo
Sobre seus cabelos escuros,
Um beijo que vem
Lá do alto,
Como se estivesse no céu,
E repousa nela feito
Uma carícia.
Um beijo de um homem
De seus mais de um metro
E oitenta,
Na minha pequena garota
De seus um metro
E cinquenta e tantos.
Ela suspira,
Eu me sinto satisfeito,
Levo minha xícara 
Até sua boca,
Ela bebe serena
Do café que escolhi,
Ela me olha,
Eu sorrio,
Continuo ali.

Eu Te amo

O amor dispensa juramentos,
Não,
O amor pede declaração,
Pede frases com paixão,
Olhar atrevido,
Carinho público,
Afeto desatinado.
Sim,
O amor se contém,
Mas também se abre,
Se expõe,
Se você pensa
Que amar é corriqueiro,
Saiba que a carga mental
Do dia-a-dia é muito
Exigente,
E não custa nada
Dizer que ama,
Sorrir da raiva,
E abraçar nas discutidas.
Amar é estar com um pé
No medo
E o outro na vontade
De correr para este
Ser que é amado
E não deixá-lo sozinho
Por nada,
Amar é vencer o medo,
Amar é contar segredos,
Repartir ideias,
Falar de vivências,
Rever experiências
E deixar o passado
Para trás.
Amar é dizer que ama,
É expor sentimentos evidentes
E não guardar para si próprio
A intensidade do que sente,
Eu te amo
E sinto orgulho de sentir isso,
Nós discutimos
E eu te amo
Com o mesmo ímpeto.

Amar-se

Da frase sempre

Te amei

Sem pedir

Nada em troca

Eu retiro a ideia simples:

Me amo de toda forma.

 

Me amo quando

Você me ama,

Me amo quando

Me visto bem,

Me sinto segura

De tudo que uso,

Me sinto em paz

Com meu espírito,

Minha maneira de ser

E minhas características.

 

Sim,

Me aprovo se estou gorda,

Me aprovo mais magra,

Gosto de mim mesma

Como eu estiver

E sou forte o suficiente

Para controlar questão

De peso,

Gosto,

Medidas

E apegos.

 

O não pedir nada em troca

Vem do amar profundamente

Você própria

A ponto de dar a você

O que você gosta

E precisa

E abandonar o que te faz mal,

Querida,

Se você precisa pedir

Saia fora desta medida

A relação não é para ti.

 

O ganhar vem do dar

Pelo ato de amar,

Pela bondade de ser,

Do ato de agradar

Porque quer estar perto,

Ser admirado,

E amado.

 

Se você precisa pedir

Ele não quer dar,

Desista,

Este garoto não precisa

De você,

Muito menos a ama o bastante.

 

Entenda que amor

Não é pedido

É cedido

Por ser amor,

Ame-se e não

Coloque-se

Em relação

De pedinte.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Pequena Mariazinha

Desde pequena fodia,
Com pais, irmãos e família
A linda Mariazinha,
Agora diz-se mocinha
Quer casar
Virou moça do lar.
Contudo,
Lá está o lindo rostinho
Com as marcas da infância
Estampada em toda face,
Começou o sexo
Em idade pequena
E guarda com ela
Cada uma de suas mazelas.
Quem a desposa
É este rapaz de família?
Homem honrado
Que deseja ser respeitado,
Coitado, coitado,
Sobrará para o João
Da Mercearia,
Que nada vende
Nem tampouco faria.
Por quê Seu João,
Aí neste estabelecimento
Comprava Mariazinha,
A pequena menina
Que não amadureceu
Seus traços
Apenas perdeu seu regaço
Para o pai, irmãos e o
Padrasto.
Ora, mas não faça
Pouco caso,
Bem aí na sua esquina
Vende-se agora
Uma pequena Mariazinha
Por que você passa
E fecha os olhos,
O que você se nega a ver?
O que é comprável
Com seu dinheiro ,
Ou o que você fez
E nunca cansa de fazer?!
Deixa a Mariazinha falar
Todos na cidade
Querem ouvir
O que tem a dizer,
Vejam seus traços de bebê
Caírem a mesa,
Pobre menina
Desde sua majestosa infância
Deixou de ser criança,
Tornou-se mulher cedo
Ainda,
A pequena cobiçada menina.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Distúrbio

Querido,
Este escuro vazio
Que me envolve
Engoliu minhas palavras,
Roubou minhas atitudes.
Querido, este escuro
Não me permite ver,
Eu já não posso compreender,
E meu peito arfa em dor,
Minha alma se rompe
Em choro convulsivo,
Querido, aqui o que me move
É o silêncio e o desamor.
Querido,
O que houve?
Você se apegou as mentiras,
Me enganou com falsas
Promessas,
Está certo,
Você evitou falar de amor,
Mas, me rasgou em dores,
Me diga o que fiz a você
E estas suas malditas garotas
Que sou obrigada a aturar
Com suas vozes
E intolerâncias a tudo que sou.
Querido,
Você me deixou a mercê,
Sozinha e desamparada,
Estou a soluçar minhas dores
No silêncio e escuro da noite,
Você já não me ouve,
Não pode me ver,
Querido,
Não se apiede,
Você rasgou nossos laços,
Se desfez em mentiras,
Você rasgou a noite
De luar,
Jogou para longe
As estrelas,
Eu que não fui sua,
Menos sou agora,
Porém, saiba:
Te amei
E não foi por um dia!

Distúrbio do Silêncio

No silêncio da noite
Que rompe minha dor
E me faz soluçar
Eu tento não contar,
Eu busco não lembrar
Tamanha dor
De quando confiei tanto
E você se foi.
Você me virou as costas,
Você ignorou tudo
Que senti,
Oh, querido,
Você foi imperdoável comigo,
Eu nunca sofri tanto,
Eu nunca chorei tanto
Pelo amor que eu nunca falei,
Eu nunca solucei tão alto
O amor que eu nunca contei.
Eu aqui peco em silêncio,
Querido, não vou perturbar
Seus olhos fechados,
Seu sono profundo,
Onde você se encontra
Hoje,
Você já não sabe
O que eu sinto
Porque selei meus lábios
E jurei nunca te confessar
Que te amei e não pouco,
Que deixei a porta aberta
Apenas para te esperar,
Expus meu corpo nu
Para que você soubesse
Do quanto me guardei
Para você,
Para unicamente ser sua,
Em silêncio.
No amargor do silêncio
Que tantas vezes me adormeceu
Só para me acordar
Para pensar em você,
E sussurrar seu nome.
As sementes no meu colo
De estrelas que desistem
De brilhar
Não te contam nada,
Este lugar que se distanciou
Não será capaz de te contar,
Do quanto me guardei
Para nós
E o tanto que fui capaz de esperar.
Querido,
Passaram-se os anos,
Eu vivi de suas palavras,
Me alimentei das promessas
Que você,
Na verdade,
Nunca fez,
Mas nas quais me apeguei
E chamei por você,
E esperei no silêncio
Profundo de uma noite escura
Que me envolveu
Num frio do qual
Você não me protegeu,
Por quê,
Querido, por quê?
Você me feriu de sangue,
Você cortou minha alma,
Maldita a distância
Que me impede de te ver.

No Silêncio

Olá escuridão,
Só você sabe
Do quanto sofro,
Quantas vezes
Olho para o horizonte,
Em busca de uma luz
Que rompa todo
Este céu escuro e frio
E me traga esperança.
Só você me viu chorar,
Só você enxergou minha dor,
Aquela que nunca ousei falar,
Mas que solucei tantas vezes
No silêncio de um suspiro
Vazio
Que vinha do fundo de mim,
E esperava me fazer recompor,
Recuperar minha autoestima,
Trazer algo de luz
A estes olhos que sofrem
E gemem dor.
“Estúpida”,
Eu acho que ele disse,
Mas, lembro
Que ele riu
Do que eu sentia,
Depois fugiu.
Fugiu de nós
E de tudo que ouve
E me deixou aqui
A colher as sementes
Das promessas que plantei,
As quais ele nem recorda
Ou imagina que as revivo
A cada envolver
Deste escuro que me abraça,
E mantém.
No silêncio
De não dizer nada,
Calar o que sinto,
Abandonar as juras
Eu me fecho
E me esforço para não chorar,
Estas são coisas
Que não conto:
A dor,
O medo
E a solidão.

Destino à ROCAM