segunda-feira, 18 de maio de 2026

Amo Você

Quando a gente ama
Tudo que importa
É encontrar o sorriso
Daquele por quem
A gente vive,
A gente morre,
A gente sonha
Em viver junto
Pra sempre.
Sem ver esse sorriso,
Tudo fica triste
E obscurecido,
Nada nos fortalece
Mais que o sorriso
Meigo e caloroso
Deste por quem
Vibro,
Sonho,
Espero
E amo!
Não quero ficar longe,
Não quero brigas,
Quero seu sorriso inteligente,
Sua conversa amiga,
Fica comigo
Não de atenção as coisas bobas,
Eu falo besteira,
Ajo sem pensar,
Mas te amo a vida inteira
E não sei estar
Onde você não está.
Me abraça forte,
Me ajuda no que
Eu for fazer,
Preciso de você,
Você é meu alicerce
Eu amo você!

A Vida Longe dos Pais

Lana era feliz,
Mas, solitária,
Seus dias transcorreram-se
No trabalho com o gado leiteiro.
Desde cedo aprendeu
A tirar leite
E fazer queijo para sustento,
Aos finais de semana
Ela se unia aos seus pais
E partiram até a cidade
Mais próxima para vender
O alimento.
O dinheiro era revertido
Para sustento da casa,
Seus dias se passavam
Desde menina plantando grama,
E levando as vacas comer
De um lado para o outro,
Depois as levava ao rio
Para tomar água.
Chegou o tempo escolar
E seus sonhos cresceram,
Se uniu a turma
E desejou ter dinheiro,
Para isso,
Precisava de um emprego
E depois cursar uma faculdade.
Ela tinha em mente
Que a faculdade era
A resposta para todas
As perguntas
E a solução para a escassez
De comida, de roupas,
E de outras coisas
Em sua casa.
Largou a vida da fazenda,
Partiu para a cidade estudar,
Alugou um imóvel,
Trabalhava de dia,
Estudava a noite,
E tudo partia para a realização
Do seu sonho.
Ocorre, que uma vaca
Teve terneiro e ficou irritada,
Ao chegar perto
Sua mãe foi chifrada
E os hematomas foram profundos,
Também os ferimentos que
Jorraram sangue.
Ela gritou,
E seu esposo conseguiu
Socorre-la a tempo:
Salvou sua vida,
Mas não pode impedir sua dor.
Levada ao hospital
Precisou receber sangue
No Hemosc,
Chamou os conhecidos
Com o sangue compatível
E seguiu tratamento.
Ela adormeceu por muito tempo,
Sua estadia levou todo
O dinheiro da família,
Chegou as dívidas,
E ao financiamento.
Agora, o leite dava pouco
Retorno,
E seu pai sofria sozinho
Perdido entre tirar o leite,
Fazer o queijo,
Levar vender
E cuidar da mãe doente.
Não tardou,
E sua mãe faleceu,
Um segundo financiamento
Veio só socorro
Para custear o velório
E o sarcófago no cemitério.
Lana caiu de joelhos,
Levantou as mãos
Para o céu e suplicou
A Deus,
Na faculdade pegou exame
E então, reprovou.
Viu sua turma seguir
E ela ficou para trás,
Repetiu a fase,
Tirou notas ruins mas insistiu.
Lá da sua turma,
Um lindo garoto se formou,
Estudou muito
E passou para o oficialato da
Polícia Militar,
Lana o viu de longe,
Depois seguiu para a faculdade
Fazer outra prova.
Por fim, formou-se
E se tornou advogada.
Neste percurso,
Uma parte de sua terra
E algumas vacas foram vendidas,
O patrimônio foi mexido,
As dívidas ficaram quitadas,
Mas, agora já não tinha
Tanto quanto possuía
E precisava iniciar um escritório.
Foi escolher a sala,
Pagar o aluguel adiantado
Para não ter problema,
E comprar os móveis
Para iniciar o trabalho.
Os dias correram
E as ações eram escassas,
O resultado insatisfatório,
E seu colega continuou
Na carreira de superior hierarquia,
Recebeu mérito,
Mas, insistiu em estar sozinho.
Ela sorriu feliz,
Sempre guardou um sentimento
De carinho por ele,
Torceu em casa instante
Para que ele evoluísse a carreira
E obtivesse sucesso.
Os vizinhos que compraram
A terra vieram morar
Ao seu lado,
Não tardou,
E o homem iniciou a limpeza
De sua propriedade através
Do veneno,
E tomou cuidado para que
O veneno escorresse na propriedade
De Lana
Tencionava envenena-la.
Também passava veneno
Em todos os arbustos
Que via prejudicando
A arquitetura urbanística
Dá propriedade dela.
Lana denunciou na delegacia
E esperou procedimento,
O vizinho irritou-se e jogou
Milho envenenado para
As vacas de Lana,
Resultando na morte
De todas.
Da noite para o dia,
Lana estava completamente destruída,
Seu pai,
Chegando na cocheira
E vendo as vacas correu
Desesperado,
Era o fim.
Não sobrou uma única.
No caminho para o escritório,
Lana já não estava em sua calma
Costumeira,
Passou a odiar a própria vida,
Dirigir sem o cinto de segurança,
Em velocidade alta,
Ultrapassando na faixa amarela,
Seu carro era uma espécie 
De conforto onde descarregava
Todo seu ódio e dor.
Sentia falta da mãe,
Sentia ódio de si própria
Por não ter obtido sucesso,
Largou-se na bebedeira,
Levava com ela sempre
Uma lata de cerveja aberta
Dentro do carro,
Sua vida lhe perdeu o valor.
Seu vizinho sorria 
E a perseguia por onde ia,
Parecia uma sombra de morte
Que se aproveitou de seu momento
De tristeza e doença 
Para lhe tirar parte da prioridade 
E agora, realmente, parecia
Desejar tirar sua própria vida.
Lana fez outra denúncia,
Colheu provas,
Pediu exames das vacas mortas,
Irritada,
Pegou uma arma
E empreendeu contra o vizinho.
O matou a tiros,
E também a sua esposa,
Agora, ela buscava na lei
Amparo para recuperar
Toda a sua propriedade
Em razão das empreitadas
Do vizinho de prejudica-la
E mata-la.
Na tarde,
Depois disso,
Em seu escritório,
Um primo do vizinho surgiu lá,
E depois de ameaça-la,
Lhe desferiu tapas e socos.
Lana se defendeu
E o lesionou bastante,
Seu amigo,
Ex colega de aula
Foi acionado para resolver
A questão
E rapidamente chegou lá
De viatura e o prendeu.
Também chamou Lana
Para prestar depoimento,
Enquanto o lesionado
Foi levado ao hospital
Para atendimento.
Triste e indefesa,
Lana buscou o olhar do
Colega de classe,
Olhou para ele recordando
De quantas orações fez
Para o bem dele,
E o quanto torceu
Para que ele tivesse êxito.
E ficou silenciosa,
Na meia tarde do dia seguinte,
Lana limpava o quintal,
Rastelando a sujeira
E a levando para fora da propriedade
Através de um carrinho de pedreiro.
Suja de terra,
Ela sentiu descansar
Em frente ao rio,
Quando seu ex colega
Chegou por trás dela,
Com o carrinho cheio de sujeira,
Deixou do seu lado
E sentou-se atrás dela
No chão a abraçando.
Ele não se preocupou
Em evitar que sua farda sujasse,
Só pensou em protege-la,
A abraçou tão forte,
Que um vento frio soprou
Contra seus rostos
Impedindo que seus corpos
Se desvencilhassem.
O Major comandante
Do batalhão deixou sua tropa
Para ir abraçar a advogada.
Logo acima deles,
Uma viatura mantinha
Suas luzes de emergência ligadas
Iluminando ambos
Na beira do rio,
Que beijaram-se apaixonados.

sábado, 16 de maio de 2026

Amo Você Binden

Minhas horas são amargas
Se você não está,
Meus segundos
São imundos
Se você não está,
Não há ninguém
Igual a você,
Fica aqui no hoje
E no pra sempre?
Eu amo você,
Não sei viver
Se você não estiver,
Me desculpa
As frases tristes,
Este implorar
Sem medir o que digo?
Eu preciso que esteja
Comigo.
Minhas frases açucaradas
Foram descartadas
Por outras mais tênues:
Fica comigo
E que seja para sempre!
Eu preciso de você,
Das coisas que você diz,
De tudo que você pensa,
Eu preciso de nós juntos,
Ninguém me protegeu,
Pensou em mim
Ou me quis como você,
Não mude,
Apenas me queira,
Eu não sei viver
Se você estiver distante.
Anseio por seu abraço,
Seu cheiro,
Você é o mais perfeito,
E eu o amo em cada gesto,
Desculpa,
Se não estive perto,
Se errei,
Fui burra,
Despretensiosa?
Amar você
É o maior valor que existe,
Não há ninguém tão perfeito,
Nem outra que te ame tanto,
Amo você Binden.

Sede de Seu Corpo

Mais uma vez
O cobrador de taxas da água
Chega no início da tarde
Na casa de Nace,
A encontra desprevenida
Descansando em seu quarto.
- o senhor tem um desejo
Incontrolável de me ver nua,
Senhor Fernando?
Ela indaga,
Abrindo a janela
Após vestir a roupa.
- Não imagina!
Ele respondeu.
Ele estava recostado
Na tela que circundava
Sua horta de verduras,
Devido ao seu peso
A tela cedeu para trás,
Danificando um pilar
Que mantinha a tela.
- ótimo,
Eu estou desempregada,
Gostaria de aguardar
Um pouco para pagar a taxa,
Preciso me alimentar,
Comprar alimentos,
Eu sou tão simples...
Ela disse em tom de suplica.
- está certo,
Se aproxima a eleição
Para vereador e você
Vota em mim,
E eu aguardo o pagamento de sua dívida.
Depois disso,
Ele se aproximou
Sem avisar e tocou
O rosto de Nace,
Como se fosse beija-la,
Ela afastou-se assustada
Para trás e fechou
A janela contra suas mãos,
Ele sorriu lá de fora,
Ela estremeceu
E sentou em sua cama
Assustada.
Temia ter a casa invadida
Por Fernando,
Temia não poder pagar
Sua dívida e não ter
Mais água para nada.
Juntou suas forças
E pegou seu carro
E foi até a delegacia
Registrar o que houve:
- eu não tenho dinheiro,
Sem água eu morro de sede
E fome e sujeira,
Ou tenho água
Ou a situação de miséria
Me condena a morte.
Ela disse,
Sentada olhando o delegado.
- sou sozinha,
Não tenho nenhum amparo.
Minhas mãos estão doentes,
Não tem forças para segurar nada,
Eu não posso trabalhar.
Ela falou.
Toda a circunstância
Sobre o cobrador de taxas
De água foi relatada.
Então, ela saiu
Com um papel em mãos
E solução nenhuma,
Ou obedeceria o cobrador
Ou desfaleceria.
Assustada,
Chegou em casa
E encontrou os filhos
Do vizinho retirando ovos
Dos ninhos de galinha
E levando embora.
-deixem minha comida!
Ela gritou.
Eles se viraram para trás
E atiraram pedras contra ela
Com seu estilingue.
Depois atiraram
Contra as próprias galinhas
E mataram duas.
Nace correu até elas
Que sufocavam
As pegou no colo e chorou
Ajoelhada no chão.
Mais tarde,
Viu água descendo por sua terra,
Chegou até ela
E encontrou o cano de água
Rasgado.
Alguém esteve ali
E causou isso:
A caixa inteira de água
Estava vazia.
Chorando ela organizou
O cano,
Lavou a caixa de água
Com uma esponja
E um pano,
A secou e pediu água
Ao cobrador:
- não, a água só é enviada
A cada três dias,
Você irá ficar sem água!
Ele disse.
- mas estou com sede,
Estou suada preciso
Tomar banho, senhor!
Ela implorou.
Uma aranha saiu
Do galho de uma bergamoteira
De perto onde Nace estava
E pulou no seu pescoço,
Ela se jogou contra o pé
De louro chorando
E se debatendo,
Então, a aranha caiu no chão
Tremendo e ela a esmagou
Com o pé.
Seu celular caiu no chão,
E estava escuro,
Com a tela quebrada,
Logo foi ligado
E funcionou lentamente.
- não tem o que fazer, senhor?
Ela indagou ao cobrador.
- é claro que sim,
Venha até a minha casa
E eu resolvo.
Nace recebeu em sua vida
Muitas dessas propostas
Mas recusou todas,
Não cederia aos caprichos
Dele ou de qualquer homem.
Dolorida e solitária,
Optou por dormir no assoalho,
Assim, não sujou a cama
E aguentou o máximo que
Pode dá situação tensa
Que vivia.
Irritada com seu choro,
Sua vizinha soltou o cachorro
Enorme que tinha amarrado
Numa corda em sua propriedade,
O cão veio correndo
E se jogou contra a sua porta.
Num instante,
A porta se abriu
E o animal se jogou
Contra ela,
A mordendo no rosto
E braços,
Seu coelhinho ficou amedrontado,
Buscando salva-la
Veio ao seu amparo
E com uma bocada
O cão o engoliu,
O mantendo entre suas
Mandíbulas.
Nace correu,
Lutou bravamente,
Puxou a boca do cão
Para abri-la,
Mas não teve sucesso,
O cachorro correu para fora
E a deixou ali,
Sangrando e chorando.
Logo no amanhecer,
Nace foi até o quintal
Capinar o gramado,
A polícia de repente chegou,
Com armas erguidas
E gritos estridentes,
Nace se jogou no chão,
Pôs as mãos para trás da nuca
E chorou,
Não conseguia falar.
Não respondia o que pediam,
Então, o policial lhe levantou
O rosto com a arma municiada:
- você esteve ameaçando
A sua vizinha noite passada?
Ele gritou.
Ela o olhou aturdida.
- você soltou o cão bravo
Dela para que ele a ferisse?
Ele pediu vociferando.
O coração de Nace
Bateu descompassado,
Ela apenas maneou a cabeça
Em negativa.
- Há a ocorrência,
E o cão está solto,
Você fez isso!
Ele gritou,
Levantando as botinas
Quase contra seu rosto.
Ela nunca sentiu mais medo,
Mas, permaneceu calada,
As lágrimas a impediam
De ver ou falar.
O cão irritado,
Pulou o muro e veio de encontro a ela,
Então, mordeu seus braços,
Ela os puxou e se debateu.
O cão saltou de sobre ela
Contra o policial
Lhe agarrando o rosto,
O policial revidou
E atirou contra ele
Que caiu estremecendo
No gramado.
Nace imediatamente gritou
A bala a atingiu
E depois disso
O chute do policial
Pegou seu rosto
E a jogou na grama,
Escorrendo sangue.
Ela gritou,
E ficou.
Eles redigiram um Termo Circunstanciado
Marcando audiência
Onde ela responderia
Pelos delitos ali existentes:
- invasão de propriedade,
Soltar o cachorro,
Ameaçar,
E atentar contra a segurança pública.
Após isso,
Eles retiraram uma cópia
Daquele TC e a fizeram assinar,
Assinaram também e foram
Embora.
Algum tempo depois,
A vizinha enviou seus filhos
Até sua propriedade
Para caçar passarinhos,
Nace ficou muito irritada,
Sangrando saiu para fora
Gritando contra aquelas crianças
E jogando objetos em sua direção
Para que saíssem de lá.
Irritados,
Eles foram até sua caixa
De água e a perfuraram a
Pedradas.
Também cortaram suas bergamoteiras.
Não tardou
E chegou uma viatura do SAMU
Para prestar atendimento
Médico a ela
Devido aos seus ferimentos.
Ela se recusou,
Ficou assustada
E correu.
A polícia enviou a viatura,
Vez que, foram buscar auxílio
Em razão do que o cachorro fez.
O cobrador de água
Enviou a água,
Que chegando até a caixa
Se derramou por completo.
- pronto, foi a água.
Ele disse através do whatsapp.
Ela correu ver,
Então, enxergou aquele buraco
Enorme na caixa
Que ficava a vinte metros
Acima de sua casa
E chorou.
Desligou o registro
E cobriu o rasgo
Com um objeto específico
Para isso.
Sobrou algum tempo
E ela pode ligar o registro
E receber água,
A qual ela bebeu da torneira
Quase a engasgar-se
Em razão de tanta sede.
-já encerrou o envio
Dá água.
Informou o cobrador através
Do whatsapp.
Era zona rural do município
Onde Nace morava,
Não pegava sinal de celular,
Apenas havia internet.
O celular quebrado
Mostrava partes da
Mensagem por meio 
Dá tela trincada.
A noite o cobrador
Foi até ela
Informando que sabia
Do ocorrido sobre a água.
Ele chegou sorrateiro,
Tão certeiro
Em seu querer
Quanto despreocupado
Com relação a Nace
Não deseja-lo
Nenhum pouco.
Irritado com a insistência
De Nace em rejeitar Fernando,
Ele retirou seu cinto
E desferiu golpes
Contra ela,
A deixando ferida
E imobilizada pela dor,
Depois a estuprou
Por muitas horas,
E a amarrou dentro de casa.
A cada três dias
Ele vinha a noite
E lhe dava comida e água,
E reiterava os atos de estupro.
Estranhando a ausência
De Nace no Fórum
Para responder sobre o
Termo Circunstanciado
A polícia veio outra vez
Até sua casa.
Quando encontrou tudo sujo,
Moscas voando por
Toda parte,
Galinhas mortas no quintal,
Diversos pássaros presos
Na gaiola da vizinha,
E muito mato alto sobre
O gramado.
Assustados,
Chamaram Nace
E ela não respondeu,
Em razão das circunstâncias,
Chutaram a porta
E a encontraram amarrada
Sobre a cama
Nua e suja de esperma,
Com um pano na boca
Que impedia o pedido
De socorro.
A polícia chegou
Com suas armas
Em punho e a decisão
De serem eloquentes
Com a lei em suas mentes,
Mas, não estavam preparados
Para a realidade dilacerante
Dá questão,
Nace era inocente,
E seus punhos portadores
De armas não foram sagazes
O bastante para entender
Algo tão simples sobre
Uma moça pobre
E solitária.
A vizinha recebeu voz
De prisão,
E Nace foi enviada
Para o hospital
Para receber socorro
Pelo helicóptero da polícia,
Vez que seu caso
Era imperativo.
Ela estava ferida,
Magra,
Suja de merda e urina.
O caso de Nace
Foi levado a corregedoria
De polícia militar,
Mas, ela sente medo
De falar
E até então ficou calada
Sobre qualquer coisa.
A vizinha é a principal
Investigada sobre a autoria,
Fernando irritou-se
Por chegar na propriedade
De Nace e não encontra-la,
Pôs fogo na casa
E atirou diversas vezes
Contra sua caixa de água.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Prostituição

Nada me dá mais repulsa,
Desperta maior indignação,
Me humilha e maltrata,
Desgraça até a fugaz paixão,
Ou é capaz de ferir tanto
Meu orgulho
Quanto isto...
Vender meu corpo.
Mas, não perco o sono,
Se tudo voltasse ao anterior,
Eu faria de novo,
Como fiz naquele momento,
Recuso-me,
E recuso-me, por favor.
Sem dinheiro ou pecado,
Que a fome e a miséria
Toquem meus dedos,
Beijem meus lábios,
Mas, jamais o dinheiro
Tomará meu corpo.
Não me importam as consequências,
Velho a perder os dentes,
Solitário por entre as calçadas,
Mas com dignidade
Estampada na cara,
Não me vendo,
Não me mostre seu dinheiro.
Dá-me um emprego,
Ajuda-me com os estudos,
Sou inteligente,
Aprendo fácil,
Por que você insiste tanto
Em querer meu corpo?
Ora, corpo não há dinheiro
Que pague,
Por que o que é seu
Tem mais valor
Que o que é meu?
Se a fome me alcançar,
Ainda assim não me arrependo,
Sofro calado,
Pago os meus medos,
Pobreza não é sofrimento,
Dor é a venda de seu corpo,
A entrega do seu ser
Ao dinheiro.
Não sei ser passivo
A isso,
Me omitir a ideia,
Eu conheço o preço
Que você paga,
Mas, reconheço
Meu valor e me mantenho
A distância.
Ouvindo tais palavras,
Um estranho sorri e diz:
Tudo que você fala
Equivale a nada!
Ah, dane-se,
Orgulho-me de ouvir isso,
Eu teria feito a mesma coisa!
Mas, o inoportuno nos alcança!

Escola Preparatória do Terror

Marta escolheu com ímpeto
E um deslumbrante sorriso
No rosto a escola
Para seu filho.
Ele teria tempo de estudos
Integral,
Teria conhecimento reforçado,
E aulas optativas profissionais,
Os professores eram os
Mais renomados,
A garantia de aprendizado
Era certeira.
Com o filho na escola,
Marta poderia trabalhar,
Auxiliar o esposo no pagamento
Das dívidas
E aumentar a casa.
Tudo estava perfeito,
O casal se abraçou,
Sorriu, tirou uma fotografia
E o deixaram,
Uma vez por mês
Eles o veriam.
Rafa sairia dali
Um profissional respeitado,
Com emprego garantido
Na cidade,
Nas melhores empresas
Com direito aos melhores salários.
Lá ele se juntou
A inúmeros outras crianças
De sua idade.
Roberto,
O dono da escola
Era um homem enérgico,
Não tolerava risos fáceis,
Brincadeiras maliciosas,
E aglomerações.
As crianças se reuniam
No pátio diariamente
As treze horas receber sol,
Colhiam algumas frutas
No pomar,
Recebiam conhecimento
Sobre plantio, colheita e
Empreendimento.
Cuidavam da horta,
E colhiam flores nos canteiros,
Não foi difícil,
Nem tão simples
Ouvir um cavaleiro
Que se aproximava do muro
Dá escola diariamente
E oferecia risos fáceis
As crianças.
O preço era diversificado:
Furtar provas,
Celulares e objetos de valor,
Furtar frutos, flores
E mudas e jogar todas
Pelo muro sem que ninguém visse.
As doses de risos chegaram,
Vinham em litros descartáveis
E em garrafas de vidro,
Algumas eram doces,
Outras azedas,
Também vinham em caixas
De cigarro
E em papelotes de pó.
As crianças se escondiam
Por entre as árvores
E sorviam dos risos,
Aos poucos,
E entre muitas.
A professora desconfiou
Em sala de aula,
Juntou todas em frente ao
Quadro negro
E bateu nelas com a régua
De madeira.
Roberto não foi simplista,
Sentindo o cheiro de cigarro,
Pegou um chicote
E chicoteou o mais velho
Deles,
Pedindo que contasse
O que houve.
João, lá dos fundos,
Gritou que se tratava
Do cheiro de fumaça
Dá fogueira que haviam
Acendido para queimar
A sujeira do quintal.
Roberto se acalmou,
As costas do garoto
Escorriam sangue.
A raiva chegou seus olhares,
E continuaram a pedir risos
Pelo muro.
A polícia chegou,
Marchando a olhos vítreos,
Pareciam saber do perigo,
Conhecer verdades escondidas,
Marchando sérios e retos
Até o portão de ferro.
Armas em punho,
Com mira para o chão,
Um olhar seguro,
Um colete protetor escondido
Sobre a roupa
E o ar de quem conhece
Os designers de sorrisos
Que nunca foram desejados
Nos lábios de um filho.
Roberto, usou a vassoura
Para varrer a terra do chão
E jogou contra o rosto
Do policial com ódio
No olhar e aquele ar
De quem não se importa
Com risos fáceis
Contanto que não chegue
Ao seu conhecimento.
Com pó no rosto,
O policial simplesmente
Moveu a arma para um único braço
E limpou o rosto calmamente,
Indagando sobre o bem-estar
Da escola.
Sim,
Tudo estava perfeito.
Disse Roberto,
Sem parar o trabalho
De sujar a roupa
E os pés do policial,
Aliás, ele queria mais
Que isso,
Muito mais,
Então, seu uma lufada
De sujeira contra o policial
E sorriu.
Os garotos acharam estranho,
O policial limpou o rosto,
E percorreu o redor do muro,
Lá encontrou bebida alcoólica
E drogas.
Novamente, teve que retornar
A frente da escola
E pedir licença
Para adentrar o ambiente,
Foi impedido.
“Não há lei que permita
Sua entrada aqui dentro,
Está é uma escola de respeito,
Você precisa de autorização judicial”.
O policial ouviu,
Olhou para cima,
Ergueu a arma em frente
Ao peito,
E depois a soltou no lado
Do corpo sentindo-se exausto.
Não tinha filhos seus ali
Ou conhecidos
Para saber sobre o que
Se passava naquelas dependências,
Mas, algo no tormento do
Olhar daquelas crianças o inquietava
E também, aos demais policiais
Que tomavam atitudes
Totalmente iguais a sua.
Estavam em seis.
Foram obrigados a retornar,
Simplesmente, virando as costas
E caminhando calmamente
Para frente,
Roberto juntou uma pedra
E fez menção de joga-la,
Mas, se conteve.
Um policial enfrenta perigos
Inimagináveis em seu trabalho,
E crianças precisam de sua presença,
Aqueles precisavam e muito.
A tarde,
Com suas mãos sujas
E feridas pelo trabalho,
Se juntaram e quiseram
Mais risos,
Muitos risos,
Risos sem limites,
O grupo dormiu abraçado
E o frio os alcançou na noite,
Os matando todos juntos.
Doze crianças encontraram
Seus fins prematuros
Nos arredores da escola,
Recostados ao muro de pedra.
Roberto acordou
E logo notou a ausência
Dos garotos,
Chamou de nome a nome,
Então, juntou o cinto
E bateu em cada um dos 38
Que lá estavam,
Ele não tinha medo
De ferir,
O cinto tocou o olho
De um deles e furou.
Ele parou descansar,
Insaciável em seu ódio
E retomou a tortura contra
As crianças.
Seus rostos marcados
Pela dor escorriam sangue,
Os gritos eram impedidos
Por suas próprias mãozinhas
E os choros estancados
Por batidas mais fortes.
É proibido gritar,
É proibido chorar,
É proibido fugir!
Ele berrava com o cinto
A perder a cor e partes suas
No corpo das pequenas crianças,
Cujos pais pagaram
Suas estadias antecipadamente
Ao final dos estudos.
Cinco meninos se reuniram
E se enforcaram usando cordas
De trabalho numa das árvores,
As moscas anunciaram seus fins,
E de longe,
Muito longe,
Aquele policial levantou
Seu olhar,
Baixou sua caneta
E afastou alguns papéis
De perto de sua mesa
Onde estava sentado.
Um policial tem faro
Para o crime,
Mas, há coisas fora
De seu alcance,
As crianças se revoltaram
E pularam o muro
Para fugir.
Acometido por seu dever funcional,
Os policiais se aproximaram
Dá escola outra vez,
Com suas armas em frente
Aos seus corpos,
Como se fosse um impeditivo
De ataques,
Um rosto duro,
Expressão de segurança 
E passo firme,
Pediram para Roberto 
Para apresentar o programa
Proerd aos alunos.
Roberto deu um passo
Para trás, assustado,
Como diria que todos
Os alunos sumiram?
Sorriu para o policial,
Mostrando os dentes 
Que até então permaneceram
Escondidos
E pediu tempo 
Para pensar sobre o assunto.
O policial falou sobre o
Programa educacional Proerd,
Pediu para fazer demonstrações,
E pediu licença para entrar
Na propriedade,
Roberto se esquivou.
Quatro dias depois disso,
Os policiais foram informados 
Sobre o sumiço das crianças 
E vieram fazer as buscas.
Não havia resquícios,
Somente tinha mais indícios 
De drogas naquele local.
A polícia teve então
Sua entrada permitida 
Naquelas dependências.
Chegando nas dependências
Logo encontrou os corpos
Dos meninos desaparecidos,
Enquanto os outros
Estavam cada vez mais longe.
Com ajuda dos cães,
Alguns meninos foram encontrados,
Mas, nem todos.
O grupo de pais se reuniu
Em frente ao portão da escola
Vestidos de negro,
E clamaram por seus filhos
Entre choro e berros.
Mas o destino,
Os levou para longe,
Bem distantes,
Onde o riso ressoa
E é vendido por preços
Mais convidativos,
Seus corpos,
Seus trabalhos forçados...
Noites de sono em qualquer canto,
Embaixo de caixas de papelão,
E vento frio nas orelhas
E geada sobre seus cabelos,
O destino não foi tão bondoso
Quanto seus pais quiseram,
E Roberto se encarregou disso.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

É amor

Que ótimo,
Tão perfeito,
O garoto dos sonhos,
Retirou a farda,
Me tomou nos braços
E me fez sua.
Oh, garoto de armas
E punhos afiados,
Namorado esperado,
Anjo desejado,
Nua em seu abraço,
Não há nada mais perfeito.
Sorriso disposto,
Olhar seguro,
Oh, perfeito garoto,
Que bom que mereço
Seus beijos,
Seu apreço,
Os sonhos,
É amor reconheço!

Destino à ROCAM