Lana era feliz,
Mas, solitária,
Seus dias transcorreram-se
No trabalho com o gado leiteiro.
Desde cedo aprendeu
A tirar leite
E fazer queijo para sustento,
Aos finais de semana
Ela se unia aos seus pais
E partiram até a cidade
Mais próxima para vender
O alimento.
O dinheiro era revertido
Para sustento da casa,
Seus dias se passavam
Desde menina plantando grama,
E levando as vacas comer
De um lado para o outro,
Depois as levava ao rio
Para tomar água.
Chegou o tempo escolar
E seus sonhos cresceram,
Se uniu a turma
E desejou ter dinheiro,
Para isso,
Precisava de um emprego
E depois cursar uma faculdade.
Ela tinha em mente
Que a faculdade era
A resposta para todas
As perguntas
E a solução para a escassez
De comida, de roupas,
E de outras coisas
Em sua casa.
Largou a vida da fazenda,
Partiu para a cidade estudar,
Alugou um imóvel,
Trabalhava de dia,
Estudava a noite,
E tudo partia para a realização
Do seu sonho.
Ocorre, que uma vaca
Teve terneiro e ficou irritada,
Ao chegar perto
Sua mãe foi chifrada
E os hematomas foram profundos,
Também os ferimentos que
Jorraram sangue.
Ela gritou,
E seu esposo conseguiu
Socorre-la a tempo:
Salvou sua vida,
Mas não pode impedir sua dor.
Levada ao hospital
Precisou receber sangue
No Hemosc,
Chamou os conhecidos
Com o sangue compatível
E seguiu tratamento.
Ela adormeceu por muito tempo,
Sua estadia levou todo
O dinheiro da família,
Chegou as dívidas,
E ao financiamento.
Agora, o leite dava pouco
Retorno,
E seu pai sofria sozinho
Perdido entre tirar o leite,
Fazer o queijo,
Levar vender
E cuidar da mãe doente.
Não tardou,
E sua mãe faleceu,
Um segundo financiamento
Veio só socorro
Para custear o velório
E o sarcófago no cemitério.
Lana caiu de joelhos,
Levantou as mãos
Para o céu e suplicou
A Deus,
Na faculdade pegou exame
E então, reprovou.
Viu sua turma seguir
E ela ficou para trás,
Repetiu a fase,
Tirou notas ruins mas insistiu.
Lá da sua turma,
Um lindo garoto se formou,
Estudou muito
E passou para o oficialato da
Polícia Militar,
Lana o viu de longe,
Depois seguiu para a faculdade
Fazer outra prova.
Por fim, formou-se
E se tornou advogada.
Neste percurso,
Uma parte de sua terra
E algumas vacas foram vendidas,
O patrimônio foi mexido,
As dívidas ficaram quitadas,
Mas, agora já não tinha
Tanto quanto possuía
E precisava iniciar um escritório.
Foi escolher a sala,
Pagar o aluguel adiantado
Para não ter problema,
E comprar os móveis
Para iniciar o trabalho.
Os dias correram
E as ações eram escassas,
O resultado insatisfatório,
E seu colega continuou
Na carreira de superior hierarquia,
Recebeu mérito,
Mas, insistiu em estar sozinho.
Ela sorriu feliz,
Sempre guardou um sentimento
De carinho por ele,
Torceu em casa instante
Para que ele evoluísse a carreira
E obtivesse sucesso.
Os vizinhos que compraram
A terra vieram morar
Ao seu lado,
Não tardou,
E o homem iniciou a limpeza
De sua propriedade através
Do veneno,
E tomou cuidado para que
O veneno escorresse na propriedade
De Lana
Tencionava envenena-la.
Também passava veneno
Em todos os arbustos
Que via prejudicando
A arquitetura urbanística
Dá propriedade dela.
Lana denunciou na delegacia
E esperou procedimento,
O vizinho irritou-se e jogou
Milho envenenado para
As vacas de Lana,
Resultando na morte
De todas.
Da noite para o dia,
Lana estava completamente destruída,
Seu pai,
Chegando na cocheira
E vendo as vacas correu
Desesperado,
Era o fim.
Não sobrou uma única.
No caminho para o escritório,
Lana já não estava em sua calma
Costumeira,
Passou a odiar a própria vida,
Dirigir sem o cinto de segurança,
Em velocidade alta,
Ultrapassando na faixa amarela,
Seu carro era uma espécie
De conforto onde descarregava
Todo seu ódio e dor.
Sentia falta da mãe,
Sentia ódio de si própria
Por não ter obtido sucesso,
Largou-se na bebedeira,
Levava com ela sempre
Uma lata de cerveja aberta
Dentro do carro,
Sua vida lhe perdeu o valor.
Seu vizinho sorria
E a perseguia por onde ia,
Parecia uma sombra de morte
Que se aproveitou de seu momento
De tristeza e doença
Para lhe tirar parte da prioridade
E agora, realmente, parecia
Desejar tirar sua própria vida.
Lana fez outra denúncia,
Colheu provas,
Pediu exames das vacas mortas,
Irritada,
Pegou uma arma
E empreendeu contra o vizinho.
O matou a tiros,
E também a sua esposa,
Agora, ela buscava na lei
Amparo para recuperar
Toda a sua propriedade
Em razão das empreitadas
Do vizinho de prejudica-la
E mata-la.
Na tarde,
Depois disso,
Em seu escritório,
Um primo do vizinho surgiu lá,
E depois de ameaça-la,
Lhe desferiu tapas e socos.
Lana se defendeu
E o lesionou bastante,
Seu amigo,
Ex colega de aula
Foi acionado para resolver
A questão
E rapidamente chegou lá
De viatura e o prendeu.
Também chamou Lana
Para prestar depoimento,
Enquanto o lesionado
Foi levado ao hospital
Para atendimento.
Triste e indefesa,
Lana buscou o olhar do
Colega de classe,
Olhou para ele recordando
De quantas orações fez
Para o bem dele,
E o quanto torceu
Para que ele tivesse êxito.
E ficou silenciosa,
Na meia tarde do dia seguinte,
Lana limpava o quintal,
Rastelando a sujeira
E a levando para fora da propriedade
Através de um carrinho de pedreiro.
Suja de terra,
Ela sentiu descansar
Em frente ao rio,
Quando seu ex colega
Chegou por trás dela,
Com o carrinho cheio de sujeira,
Deixou do seu lado
E sentou-se atrás dela
No chão a abraçando.
Ele não se preocupou
Em evitar que sua farda sujasse,
Só pensou em protege-la,
A abraçou tão forte,
Que um vento frio soprou
Contra seus rostos
Impedindo que seus corpos
Se desvencilhassem.
O Major comandante
Do batalhão deixou sua tropa
Para ir abraçar a advogada.
Logo acima deles,
Uma viatura mantinha
Suas luzes de emergência ligadas
Iluminando ambos
Na beira do rio,
Que beijaram-se apaixonados.
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