Nada me dá mais repulsa,
Desperta maior indignação,
Me humilha e maltrata,
Desgraça até a fugaz paixão,
Ou é capaz de ferir tanto
Meu orgulho
Quanto isto...
Vender meu corpo.
Mas, não perco o sono,
Se tudo voltasse ao anterior,
Eu faria de novo,
Como fiz naquele momento,
Recuso-me,
E recuso-me, por favor.
Sem dinheiro ou pecado,
Que a fome e a miséria
Toquem meus dedos,
Beijem meus lábios,
Mas, jamais o dinheiro
Tomará meu corpo.
Não me importam as consequências,
Velho a perder os dentes,
Solitário por entre as calçadas,
Mas com dignidade
Estampada na cara,
Não me vendo,
Não me mostre seu dinheiro.
Dá-me um emprego,
Ajuda-me com os estudos,
Sou inteligente,
Aprendo fácil,
Por que você insiste tanto
Em querer meu corpo?
Ora, corpo não há dinheiro
Que pague,
Por que o que é seu
Tem mais valor
Que o que é meu?
Se a fome me alcançar,
Ainda assim não me arrependo,
Sofro calado,
Pago os meus medos,
Pobreza não é sofrimento,
Dor é a venda de seu corpo,
A entrega do seu ser
Ao dinheiro.
Não sei ser passivo
A isso,
Me omitir a ideia,
Eu conheço o preço
Que você paga,
Mas, reconheço
Meu valor e me mantenho
A distância.
Ouvindo tais palavras,
Um estranho sorri e diz:
Tudo que você fala
Equivale a nada!
Ah, dane-se,
Orgulho-me de ouvir isso,
Eu teria feito a mesma coisa!
Mas, o inoportuno nos alcança!
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