Mais uma vez
O cobrador de taxas da água
Chega no início da tarde
Na casa de Nace,
A encontra desprevenida
Descansando em seu quarto.
- o senhor tem um desejo
Incontrolável de me ver nua,
Senhor Fernando?
Ela indaga,
Abrindo a janela
Após vestir a roupa.
- Não imagina!
Ele respondeu.
Ele estava recostado
Na tela que circundava
Sua horta de verduras,
Devido ao seu peso
A tela cedeu para trás,
Danificando um pilar
Que mantinha a tela.
- ótimo,
Eu estou desempregada,
Gostaria de aguardar
Um pouco para pagar a taxa,
Preciso me alimentar,
Comprar alimentos,
Eu sou tão simples...
Ela disse em tom de suplica.
- está certo,
Se aproxima a eleição
Para vereador e você
Vota em mim,
E eu aguardo o pagamento de sua dívida.
Depois disso,
Ele se aproximou
Sem avisar e tocou
O rosto de Nace,
Como se fosse beija-la,
Ela afastou-se assustada
Para trás e fechou
A janela contra suas mãos,
Ele sorriu lá de fora,
Ela estremeceu
E sentou em sua cama
Assustada.
Temia ter a casa invadida
Por Fernando,
Temia não poder pagar
Sua dívida e não ter
Mais água para nada.
Juntou suas forças
E pegou seu carro
E foi até a delegacia
Registrar o que houve:
- eu não tenho dinheiro,
Sem água eu morro de sede
E fome e sujeira,
Ou tenho água
Ou a situação de miséria
Me condena a morte.
Ela disse,
Sentada olhando o delegado.
- sou sozinha,
Não tenho nenhum amparo.
Minhas mãos estão doentes,
Não tem forças para segurar nada,
Eu não posso trabalhar.
Ela falou.
Toda a circunstância
Sobre o cobrador de taxas
De água foi relatada.
Então, ela saiu
Com um papel em mãos
E solução nenhuma,
Ou obedeceria o cobrador
Ou desfaleceria.
Assustada,
Chegou em casa
E encontrou os filhos
Do vizinho retirando ovos
Dos ninhos de galinha
E levando embora.
-deixem minha comida!
Ela gritou.
Eles se viraram para trás
E atiraram pedras contra ela
Com seu estilingue.
Depois atiraram
Contra as próprias galinhas
E mataram duas.
Nace correu até elas
Que sufocavam
As pegou no colo e chorou
Ajoelhada no chão.
Mais tarde,
Viu água descendo por sua terra,
Chegou até ela
E encontrou o cano de água
Rasgado.
Alguém esteve ali
E causou isso:
A caixa inteira de água
Estava vazia.
Chorando ela organizou
O cano,
Lavou a caixa de água
Com uma esponja
E um pano,
A secou e pediu água
Ao cobrador:
- não, a água só é enviada
A cada três dias,
Você irá ficar sem água!
Ele disse.
- mas estou com sede,
Estou suada preciso
Tomar banho, senhor!
Ela implorou.
Uma aranha saiu
Do galho de uma bergamoteira
De perto onde Nace estava
E pulou no seu pescoço,
Ela se jogou contra o pé
De louro chorando
E se debatendo,
Então, a aranha caiu no chão
Tremendo e ela a esmagou
Com o pé.
Seu celular caiu no chão,
E estava escuro,
Com a tela quebrada,
Logo foi ligado
E funcionou lentamente.
- não tem o que fazer, senhor?
Ela indagou ao cobrador.
- é claro que sim,
Venha até a minha casa
E eu resolvo.
Nace recebeu em sua vida
Muitas dessas propostas
Mas recusou todas,
Não cederia aos caprichos
Dele ou de qualquer homem.
Dolorida e solitária,
Optou por dormir no assoalho,
Assim, não sujou a cama
E aguentou o máximo que
Pode dá situação tensa
Que vivia.
Irritada com seu choro,
Sua vizinha soltou o cachorro
Enorme que tinha amarrado
Numa corda em sua propriedade,
O cão veio correndo
E se jogou contra a sua porta.
Num instante,
A porta se abriu
E o animal se jogou
Contra ela,
A mordendo no rosto
E braços,
Seu coelhinho ficou amedrontado,
Buscando salva-la
Veio ao seu amparo
E com uma bocada
O cão o engoliu,
O mantendo entre suas
Mandíbulas.
Nace correu,
Lutou bravamente,
Puxou a boca do cão
Para abri-la,
Mas não teve sucesso,
O cachorro correu para fora
E a deixou ali,
Sangrando e chorando.
Logo no amanhecer,
Nace foi até o quintal
Capinar o gramado,
A polícia de repente chegou,
Com armas erguidas
E gritos estridentes,
Nace se jogou no chão,
Pôs as mãos para trás da nuca
E chorou,
Não conseguia falar.
Não respondia o que pediam,
Então, o policial lhe levantou
O rosto com a arma municiada:
- você esteve ameaçando
A sua vizinha noite passada?
Ele gritou.
Ela o olhou aturdida.
- você soltou o cão bravo
Dela para que ele a ferisse?
Ele pediu vociferando.
O coração de Nace
Bateu descompassado,
Ela apenas maneou a cabeça
Em negativa.
- Há a ocorrência,
E o cão está solto,
Você fez isso!
Ele gritou,
Levantando as botinas
Quase contra seu rosto.
Ela nunca sentiu mais medo,
Mas, permaneceu calada,
As lágrimas a impediam
De ver ou falar.
O cão irritado,
Pulou o muro e veio de encontro a ela,
Então, mordeu seus braços,
Ela os puxou e se debateu.
O cão saltou de sobre ela
Contra o policial
Lhe agarrando o rosto,
O policial revidou
E atirou contra ele
Que caiu estremecendo
No gramado.
Nace imediatamente gritou
A bala a atingiu
E depois disso
O chute do policial
Pegou seu rosto
E a jogou na grama,
Escorrendo sangue.
Ela gritou,
E ficou.
Eles redigiram um Termo Circunstanciado
Marcando audiência
Onde ela responderia
Pelos delitos ali existentes:
- invasão de propriedade,
Soltar o cachorro,
Ameaçar,
E atentar contra a segurança pública.
Após isso,
Eles retiraram uma cópia
Daquele TC e a fizeram assinar,
Assinaram também e foram
Embora.
Algum tempo depois,
A vizinha enviou seus filhos
Até sua propriedade
Para caçar passarinhos,
Nace ficou muito irritada,
Sangrando saiu para fora
Gritando contra aquelas crianças
E jogando objetos em sua direção
Para que saíssem de lá.
Irritados,
Eles foram até sua caixa
De água e a perfuraram a
Pedradas.
Também cortaram suas bergamoteiras.
Não tardou
E chegou uma viatura do SAMU
Para prestar atendimento
Médico a ela
Devido aos seus ferimentos.
Ela se recusou,
Ficou assustada
E correu.
A polícia enviou a viatura,
Vez que, foram buscar auxílio
Em razão do que o cachorro fez.
O cobrador de água
Enviou a água,
Que chegando até a caixa
Se derramou por completo.
- pronto, foi a água.
Ele disse através do whatsapp.
Ela correu ver,
Então, enxergou aquele buraco
Enorme na caixa
Que ficava a vinte metros
Acima de sua casa
E chorou.
Desligou o registro
E cobriu o rasgo
Com um objeto específico
Para isso.
Sobrou algum tempo
E ela pode ligar o registro
E receber água,
A qual ela bebeu da torneira
Quase a engasgar-se
Em razão de tanta sede.
-já encerrou o envio
Dá água.
Informou o cobrador através
Do whatsapp.
Era zona rural do município
Onde Nace morava,
Não pegava sinal de celular,
Apenas havia internet.
O celular quebrado
Mostrava partes da
Mensagem por meio
Dá tela trincada.
A noite o cobrador
Foi até ela
Informando que sabia
Do ocorrido sobre a água.
Ele chegou sorrateiro,
Tão certeiro
Em seu querer
Quanto despreocupado
Com relação a Nace
Não deseja-lo
Nenhum pouco.
Irritado com a insistência
De Nace em rejeitar Fernando,
Ele retirou seu cinto
E desferiu golpes
Contra ela,
A deixando ferida
E imobilizada pela dor,
Depois a estuprou
Por muitas horas,
E a amarrou dentro de casa.
A cada três dias
Ele vinha a noite
E lhe dava comida e água,
E reiterava os atos de estupro.
Estranhando a ausência
De Nace no Fórum
Para responder sobre o
Termo Circunstanciado
A polícia veio outra vez
Até sua casa.
Quando encontrou tudo sujo,
Moscas voando por
Toda parte,
Galinhas mortas no quintal,
Diversos pássaros presos
Na gaiola da vizinha,
E muito mato alto sobre
O gramado.
Assustados,
Chamaram Nace
E ela não respondeu,
Em razão das circunstâncias,
Chutaram a porta
E a encontraram amarrada
Sobre a cama
Nua e suja de esperma,
Com um pano na boca
Que impedia o pedido
De socorro.
A polícia chegou
Com suas armas
Em punho e a decisão
De serem eloquentes
Com a lei em suas mentes,
Mas, não estavam preparados
Para a realidade dilacerante
Dá questão,
Nace era inocente,
E seus punhos portadores
De armas não foram sagazes
O bastante para entender
Algo tão simples sobre
Uma moça pobre
E solitária.
A vizinha recebeu voz
De prisão,
E Nace foi enviada
Para o hospital
Para receber socorro
Pelo helicóptero da polícia,
Vez que seu caso
Era imperativo.
Ela estava ferida,
Magra,
Suja de merda e urina.
O caso de Nace
Foi levado a corregedoria
De polícia militar,
Mas, ela sente medo
De falar
E até então ficou calada
Sobre qualquer coisa.
A vizinha é a principal
Investigada sobre a autoria,
Fernando irritou-se
Por chegar na propriedade
De Nace e não encontra-la,
Pôs fogo na casa
E atirou diversas vezes
Contra sua caixa de água.
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