Marta escolheu com ímpeto
E um deslumbrante sorriso
No rosto a escola
Para seu filho.
Ele teria tempo de estudos
Integral,
Teria conhecimento reforçado,
E aulas optativas profissionais,
Os professores eram os
Mais renomados,
A garantia de aprendizado
Era certeira.
Com o filho na escola,
Marta poderia trabalhar,
Auxiliar o esposo no pagamento
Das dívidas
E aumentar a casa.
Tudo estava perfeito,
O casal se abraçou,
Sorriu, tirou uma fotografia
E o deixaram,
Uma vez por mês
Eles o veriam.
Rafa sairia dali
Um profissional respeitado,
Com emprego garantido
Na cidade,
Nas melhores empresas
Com direito aos melhores salários.
Lá ele se juntou
A inúmeros outras crianças
De sua idade.
Roberto,
O dono da escola
Era um homem enérgico,
Não tolerava risos fáceis,
Brincadeiras maliciosas,
E aglomerações.
As crianças se reuniam
No pátio diariamente
As treze horas receber sol,
Colhiam algumas frutas
No pomar,
Recebiam conhecimento
Sobre plantio, colheita e
Empreendimento.
Cuidavam da horta,
E colhiam flores nos canteiros,
Não foi difícil,
Nem tão simples
Ouvir um cavaleiro
Que se aproximava do muro
Dá escola diariamente
E oferecia risos fáceis
As crianças.
O preço era diversificado:
Furtar provas,
Celulares e objetos de valor,
Furtar frutos, flores
E mudas e jogar todas
Pelo muro sem que ninguém visse.
As doses de risos chegaram,
Vinham em litros descartáveis
E em garrafas de vidro,
Algumas eram doces,
Outras azedas,
Também vinham em caixas
De cigarro
E em papelotes de pó.
As crianças se escondiam
Por entre as árvores
E sorviam dos risos,
Aos poucos,
E entre muitas.
A professora desconfiou
Em sala de aula,
Juntou todas em frente ao
Quadro negro
E bateu nelas com a régua
De madeira.
Roberto não foi simplista,
Sentindo o cheiro de cigarro,
Pegou um chicote
E chicoteou o mais velho
Deles,
Pedindo que contasse
O que houve.
João, lá dos fundos,
Gritou que se tratava
Do cheiro de fumaça
Dá fogueira que haviam
Acendido para queimar
A sujeira do quintal.
Roberto se acalmou,
As costas do garoto
Escorriam sangue.
A raiva chegou seus olhares,
E continuaram a pedir risos
Pelo muro.
A polícia chegou,
Marchando a olhos vítreos,
Pareciam saber do perigo,
Conhecer verdades escondidas,
Marchando sérios e retos
Até o portão de ferro.
Armas em punho,
Com mira para o chão,
Um olhar seguro,
Um colete protetor escondido
Sobre a roupa
E o ar de quem conhece
Os designers de sorrisos
Que nunca foram desejados
Nos lábios de um filho.
Roberto, usou a vassoura
Para varrer a terra do chão
E jogou contra o rosto
Do policial com ódio
No olhar e aquele ar
De quem não se importa
Com risos fáceis
Contanto que não chegue
Ao seu conhecimento.
Com pó no rosto,
O policial simplesmente
Moveu a arma para um único braço
E limpou o rosto calmamente,
Indagando sobre o bem-estar
Da escola.
Sim,
Tudo estava perfeito.
Disse Roberto,
Sem parar o trabalho
De sujar a roupa
E os pés do policial,
Aliás, ele queria mais
Que isso,
Muito mais,
Então, seu uma lufada
De sujeira contra o policial
E sorriu.
Os garotos acharam estranho,
O policial limpou o rosto,
E percorreu o redor do muro,
Lá encontrou bebida alcoólica
E drogas.
Novamente, teve que retornar
A frente da escola
E pedir licença
Para adentrar o ambiente,
Foi impedido.
“Não há lei que permita
Sua entrada aqui dentro,
Está é uma escola de respeito,
Você precisa de autorização judicial”.
O policial ouviu,
Olhou para cima,
Ergueu a arma em frente
Ao peito,
E depois a soltou no lado
Do corpo sentindo-se exausto.
Não tinha filhos seus ali
Ou conhecidos
Para saber sobre o que
Se passava naquelas dependências,
Mas, algo no tormento do
Olhar daquelas crianças o inquietava
E também, aos demais policiais
Que tomavam atitudes
Totalmente iguais a sua.
Estavam em seis.
Foram obrigados a retornar,
Simplesmente, virando as costas
E caminhando calmamente
Para frente,
Roberto juntou uma pedra
E fez menção de joga-la,
Mas, se conteve.
Um policial enfrenta perigos
Inimagináveis em seu trabalho,
E crianças precisam de sua presença,
Aqueles precisavam e muito.
A tarde,
Com suas mãos sujas
E feridas pelo trabalho,
Se juntaram e quiseram
Mais risos,
Muitos risos,
Risos sem limites,
O grupo dormiu abraçado
E o frio os alcançou na noite,
Os matando todos juntos.
Doze crianças encontraram
Seus fins prematuros
Nos arredores da escola,
Recostados ao muro de pedra.
Roberto acordou
E logo notou a ausência
Dos garotos,
Chamou de nome a nome,
Então, juntou o cinto
E bateu em cada um dos 38
Que lá estavam,
Ele não tinha medo
De ferir,
O cinto tocou o olho
De um deles e furou.
Ele parou descansar,
Insaciável em seu ódio
E retomou a tortura contra
As crianças.
Seus rostos marcados
Pela dor escorriam sangue,
Os gritos eram impedidos
Por suas próprias mãozinhas
E os choros estancados
Por batidas mais fortes.
É proibido gritar,
É proibido chorar,
É proibido fugir!
Ele berrava com o cinto
A perder a cor e partes suas
No corpo das pequenas crianças,
Cujos pais pagaram
Suas estadias antecipadamente
Ao final dos estudos.
Cinco meninos se reuniram
E se enforcaram usando cordas
De trabalho numa das árvores,
As moscas anunciaram seus fins,
E de longe,
Muito longe,
Aquele policial levantou
Seu olhar,
Baixou sua caneta
E afastou alguns papéis
De perto de sua mesa
Onde estava sentado.
Um policial tem faro
Para o crime,
Mas, há coisas fora
De seu alcance,
As crianças se revoltaram
E pularam o muro
Para fugir.
Acometido por seu dever funcional,
Os policiais se aproximaram
Dá escola outra vez,
Com suas armas em frente
Aos seus corpos,
Como se fosse um impeditivo
De ataques,
Um rosto duro,
Expressão de segurança
E passo firme,
Pediram para Roberto
Para apresentar o programa
Proerd aos alunos.
Roberto deu um passo
Para trás, assustado,
Como diria que todos
Os alunos sumiram?
Sorriu para o policial,
Mostrando os dentes
Que até então permaneceram
Escondidos
E pediu tempo
Para pensar sobre o assunto.
O policial falou sobre o
Programa educacional Proerd,
Pediu para fazer demonstrações,
E pediu licença para entrar
Na propriedade,
Roberto se esquivou.
Quatro dias depois disso,
Os policiais foram informados
Sobre o sumiço das crianças
E vieram fazer as buscas.
Não havia resquícios,
Somente tinha mais indícios
De drogas naquele local.
A polícia teve então
Sua entrada permitida
Naquelas dependências.
Chegando nas dependências
Logo encontrou os corpos
Dos meninos desaparecidos,
Enquanto os outros
Estavam cada vez mais longe.
Com ajuda dos cães,
Alguns meninos foram encontrados,
Mas, nem todos.
O grupo de pais se reuniu
Em frente ao portão da escola
Vestidos de negro,
E clamaram por seus filhos
Entre choro e berros.
Mas o destino,
Os levou para longe,
Bem distantes,
Onde o riso ressoa
E é vendido por preços
Mais convidativos,
Seus corpos,
Seus trabalhos forçados...
Noites de sono em qualquer canto,
Embaixo de caixas de papelão,
E vento frio nas orelhas
E geada sobre seus cabelos,
O destino não foi tão bondoso
Quanto seus pais quiseram,
E Roberto se encarregou disso.
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