sexta-feira, 22 de maio de 2026

O Cara Feio

Um dia você acorda,
Precisa acordar,
Deixar seu sonho,
Trocar de roupa,
Tomar um banho
E suar.
O príncipe deixou
De existir,
Eles preferem as princesas,
E o cara feio
É o que te sobra
E se você se olhar
No espelho,
Você também está feio.
O cara feio
Que sempre gostou
Das garotas horrores
Olhou pra você,
Sorria,
A sorteada,
Fora o feio
Nenhum outro
E agora?
Sair correr na rua,
Cumprimentar pessoas
Ver se acrescenta algo
A sua vida?
A idade já está avançada,
As pernas não respondem,
Não resta mais nada.
Só há o feio,
Dá garota horror,
Cujos cabeça subiu
Pro céu feito abajur
E o queijo lambe o piso,
Só isso,
O cara do horror,
E você se jogará nisso?

Promessas

Deixo-a,
Coberta com o edredom,
Sussurrando as juras
De uma noite de amor,
A deixo,
Me visto e vou.
Gostaria de ficar,
Queria mais de nós dois,
Mas, não é permitido
O trabalho chama,
E eu me despeço,
É por pouco tempo
Reconheço.
Mas sinto,
Que o tempo passa
Feito correntes
A arrastarem-se
Por entre meus pés descalços,
Me mantendo preso,
Estagnado sem seus beijos.
Só peço a Deus
Que ela não esqueça,
E me vendo
Me reconheça,
Pois, anseio por seus beijos
E uma outra noite
Ao menos,
Entre seus cabelos,
Entre seus beijos,
Entre nossas promessas
De amor.

Preciso Partir

Ela dorme tranquila,
Parece sonhar
Com a noite tórrida
Que vivemos
De apaixonados desejos
E sonhos.
Não precisa
Haver duas noites
Para que os sonhos
Despertem,
Entre seus lábios
Eu vivi
Uma noite apenas
E os sonhos
Ganharam vida
Para além de mim.
A vendo assim,
Frágil e aquecida
Entre os cobertores
Eu busco forças
Para partir,
O dia acorda
E chama,
Mas, deixá-la tão doce
A esperar por mim...
Oh, lindo desenlace
De amor,
Uma noite e uma vida,
Para sempre
E todos os sonhos
Que possam existir,
Mas, por enquanto,
Preciso partir.

Amada

O escuro do alvorecer
Esconde as lágrimas
Deste jovem que sofre
Por seu bem-quer
Mas precisa ir.

Finalmente, um beijo
E uma noite,
Mas o sol não se esconde,
Acorda e chama,
E o véu da noite
Vai sumindo,
Feito o calor
Que fica na pele
Depois de tórrida
Noite inflamada
De amor e desejos.

Dizer adeus,
Despedir-se
Há quem é permitido?
Não,
Não serei eu
O dono deste amor bandido,
Choro e sofro calado.

Em silêncio
Eu parto,
Mas, não verá
Meu pranto,
E distante
Recordara meu riso
Por cada beijo
Que me permitiu
Te entregar
Sôfrega amada,
Que dorme serena
A espera de que
Eu possa voltar.

Arrebatadora paixão

Um coração que ama
Não sabe despedir-se,
Ele chora,
Reclama
Não deseja distanciar-se.
Emerson aproveitou a neblina
No frio do inverno,
Tarde da madrugada
E foi até o quarto
De sua amada.
Abriu a porta de soslaio,
Entrou sem pressa,
Era o dia do adeus,
O tormento,
A miséria por dentro,
O adeus temido,
Evitado e imprescindível.
Pobre menina,
Apaixonada e sonhadora,
Não imagina
Que no conforto
De seus sonhos
Este por quem sonha
Aqui está
E tão perto,
Mas, não poderá toca-la,
Ao contrário,
Despede-se
Sem vislumbrar retorno.
Inseguro,
Retém as lágrimas
E sente que a cortina
Se move no escuro,
Ele treme
E esconde-se,
É o adeus,
Não há remédio.
Deseja que não seja
Sua amada moça,
Que o escuro
Que tanto lhe dá forças
Para partir,
Não o entregue
E a faça vê-lo.
Serena,
Ela suspira,
Está na cama
E dorme a sua menina.
Emerson chora
De sua fraqueza,
Não consegue pronunciar
O inevitável adeus
Que a alma
Tanto rejeita:
“Fique com Deus,
Amada minha!”
Ele pensa alto.
Tão alto que chega
A ela o seu calor
E a beija na face,
Só um beijo
Ao seu amor,
Nem uma frase,
Nem abraço.
Abre a porta e sai.
Inevitável paixão
Dá arrebatadora moça,
Fez-se de solidão
E lágrimas.

É mãe!

Ocorreu na cidade,
Que a moça de família,
Foi trabalhar de empregada
A mulher respeitada.
No entanto,
Quis o futuro
Ser desvantajoso,
Retirou tal mulher
De seu lar
De maneira cedia.
Morreu,
Seu esposo
Viúvo e cansado,
Apaixonou-se
De logo pela moça.
Deste relacionamento
Nasceu seu primeiro filho,
No hospital
Não poderia
Ser mais comentada
A beleza da criança,
Que de tão linda
Assim nunca foram vista.
Nem dos médicos,
Ou de outros patrões,
O filho herdou beleza
Inigualável,
Lindo menino sadio
E esperado.
Os pais da moça
Esperam-na
No corredor
Desejam ver a filha,
Trazem com eles
Uma linda camisola
De amamentar:
É mãe,
Viva a menina!

Apego

Me apego a você
Feito uma oração,
E sinto na alma,
Tudo está perfeito,
Não há erro,
Nem o que remediar
É assim mesmo.
Te conhecer
Fez cada ano de espera
Ser inacreditavelmente bom,
Ter você comigo
Afasta outros desejos,
Acalma o fogo,
Afugenta medos,
Meu esperar agora
É por sua volta
Do trabalho.
Acreditar que você própria
Merece um bom homem
É o maior empreendimento
Que você possa se dar,
Um homem mau
Te afasta do que é bom
E não há volta,
Um bom homem
Te conduz,
Te protege
E não há volta!
Acredite em si própria,
Você merece
Um homem que te ame
E cuide de você,
Desiste de amores fracos,
Que retiram o que
Você tem
E só acrescentam prejuízos.
O dinheiro é substituível,
Mas, a mente não,
E quando ela falha,
Tudo o mais vai para o chão,
Mesmo aí
É preciso um bom homem
Para te levantar,
Os pais não duram
Para sempre
E filhos precisam ser
Amados e cuidados também.

Destino à ROCAM