Um coração que ama
Não sabe despedir-se,
Ele chora,
Reclama
Não deseja distanciar-se.
Emerson aproveitou a neblina
No frio do inverno,
Tarde da madrugada
E foi até o quarto
De sua amada.
Abriu a porta de soslaio,
Entrou sem pressa,
Era o dia do adeus,
O tormento,
A miséria por dentro,
O adeus temido,
Evitado e imprescindível.
Pobre menina,
Apaixonada e sonhadora,
Não imagina
Que no conforto
De seus sonhos
Este por quem sonha
Aqui está
E tão perto,
Mas, não poderá toca-la,
Ao contrário,
Despede-se
Sem vislumbrar retorno.
Inseguro,
Retém as lágrimas
E sente que a cortina
Se move no escuro,
Ele treme
E esconde-se,
É o adeus,
Não há remédio.
Deseja que não seja
Sua amada moça,
Que o escuro
Que tanto lhe dá forças
Para partir,
Não o entregue
E a faça vê-lo.
Serena,
Ela suspira,
Está na cama
E dorme a sua menina.
Emerson chora
De sua fraqueza,
Não consegue pronunciar
O inevitável adeus
Que a alma
Tanto rejeita:
“Fique com Deus,
Amada minha!”
Ele pensa alto.
Tão alto que chega
A ela o seu calor
E a beija na face,
Só um beijo
Ao seu amor,
Nem uma frase,
Nem abraço.
Abre a porta e sai.
Inevitável paixão
Dá arrebatadora moça,
Fez-se de solidão
E lágrimas.
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