quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Imposição da palavra

O homem de conhecimento 
E palavras estranhas
Desconhece o simplificado
E usa outros termos
De significado distinto
Para obter a resposta
Que deseja.

Ele manuseia o vocabulário 
E alcança a resposta que quer,
Ato contínuo desta,
Ele manipula a ação,
E do ato simplificado
Alcanca-se o esperado. 

A partir de então,
Tudo segue o roteiro
Do como ele desejou 
Até aquele instante. 
Os passantes já não sabem
O que ouvem
Ou podem testemunhar
O que acontece.

Solidão, indiferença e desigualdade. 
Uma palavra arredia
E todo o ato a segue.
Do que ocorreu
E era imutável 
Se coloca ou retira 
O que desejar.

Nada corresponde 
Exceto o que o homem
Da voz impõe 
A mulher que não lê 
Por não saber 
Nem ao menos escrever.

há emboscadas no amor

Existe os beijos
E o gosto na boca
Para lembrança 
Das chamas
Que reavivam a memória
De um amor ferido
Que doou-se por inteiro
E foi embora.

A passadas eu ando
Na rua onde já 
Esperei por ele,
Apegada a esperança 
De ve-lo passar,
Me olhar 
Ou quiçá Deus
Me beijar!

Onde está?
Bem longe, talvez.
Talvez perto,
Mas, oculto.
Quem sabe?
Com o bacamarte
Em punho
E nos lábios 
Mil frases de desdém,
É, amor demais enfraquece...

O coração implora prudência,
Os amigos apontam o dedo,
Falam o que bem entendem,
Ofuscam as lembranças.
Solidão,
E eu nela sinto desconfiança,
Fora dela 
Busco seu perdão. 

Não se ve pessoa alguma,
Razão para sentir receio,
Com quem está
Este que me põe na retaguarda 
E me pede desvelo?
Trata-se do fim de um beijo
Que me deixou em má reputação,
Busquei-o sem motivação,
Perdi-o na mesma entoação.

É uma provável emboscada.
Trinta frases de eu te amo
Não apagam uma garota
De vestido curto e boas pernas,
Eu desfaleço no que sinto,
A Solidão desvalora o feminino.

De súbito um pequeno terço 
É levantado sobre uma das mãos 
E uma voz feminina grita
Um nome a pleno pulmão:
Ele olha, a ve, aguarda
Não diz nada,
Retira o óculos 
De aro escuro
Limpa os olhos e olha.

Parece aguardar uma voz
De dentro de si para agir,
Algum comando 
Ou algo assim.
A voz feminina se levanta 
Fala de lembranças 
E beijos que não foi capaz
De cuspir fora,
Esquecer ou se arrepender.

A voz arrisca-se:
Atire-me se for capaz,
Um ato de rejeição seu
E desfaleço nesta rua,
Não serei mais mulher
Abandono a condição,
Serei maldita e das ruas,
Se assim lhe pede seu coração. 
Ela remexia com os dedos
Aquelas pequenas bolas
Do terço como em uma oração. 

Ele sorriu olhando 
Para o céu,
Levantou o rosto de olhos
Escuros e redondos 
Depois o baixou sobre ela.
Havia ali com efeito alguém 
E este alguém falava de amor 
E emboscadas de paixão. 
O que faz aí?
Ele a indagou de supetão.
Busco seu amor
Que mais eu poderia?

Corre-se perigo,
O amor retira as certezas
Mas nos dá abrigo,
A maneira como uma mulher
Se entrega ao que sente
E fala traz valor ao feminino. 
Vai para dentro,
Não ve mulher que chove
Nesta hora?
Ela correu se abrigar nele.
A maneira como o homem
É sempre tão forte e 
Encontra respostas com facilidade 
Dá valor ao masculino. 
Ela o abraçou 
E abrigou o rosto 
Em seu peito 
Onde pensou em
Nunca mais sair,
Segurou forte o terço 
E rezou seu nome 
Como quem pede um milagre.

Nem Perdão Nem Prisão

Nem perdão,
Nem prisão 
A guerra é voluntária 
Luta-se pelo que
Não se tem
E sendo oferecido
Não convence
Por estar desvalido
E nem chegar ao alcance.

A politicagem do voto
Se alastra pelos bairros
Toma as ruas
Ganha o interior,
Trafega-se por caminhos
Nunca andados
E pouco após 
Esquecidos.

Chega de palavratorio,
De voto por convencimento 
Através de diálogo falso,
Proposta sem crença 
Não alimenta,
Intenção sem ação 
Não se credita,
De um lado o povo
Luta pelo pão 
E sofre no trabalho
Feito cão 
De outro lado
O herói voluntário 
Armado de punhos
E ideias revolucionárias
Não limpa o próprio armário,
Não cuida da família,
Ganha o pão por doação.

Chega deste tipo 
De herói sem convicção
Que detesta o povo trabalhador,
Prefere a guerra
Ao invés de solucionar,
Só pensa em crescimento próprio 
Sem ver no seu lado
O povo sofrido
Que trabalha dobrado 
E não sabe se defender
Deste típico herói safado.

Onde reina o dinheiro,
Impera o terror,
O sangue escorre nos dedos 
Do povo trabalhador 
E calejado
E daquele que farqueja
O punho no aço 
Da arma que usa
Para pôr de lados opostos
Cidadãos de um mesmo país.

De um lado ergue-se a revolução 
E o cansaço causado pelo 
Sofrimento de tanto trabalhar
E não alcançar sucesso.

De outro lado ergue-se o policial
Marchando por ideias egoístas 
Num conflito bárbaro 
Que faz pender do inocente
Ao culpado
Que coloca o cidadão armado
Contra o trabalhador indefeso.

Considerando que do povo
Todos vem
Mas poucos absorvem
As necessidades 
Indaga-se para que
Tanto falatório 
Se o fazer permanece
Nem na mão do calejado trabalhador 
Nem na munição do policial revolucionador
Mas fica por fazer.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

resto

Por que tudo não pode
Sair como a gente quer?
Por que tudo não se desenvolve
Conforme a gente sonha?
O tempo passa
Rostos surgem e outros somem
E eu continuo querendo 
O impossível,
O distante,
Sobram os restos,
O que não prestou,
As sobras do que
Não deu certo.
Será que é porque
A gente não tenta o suficiente?
Será que é porque
A gente se contentar facilmente?
E se tudo se for
E o que restar
Não contentar?
Como organizar o ódio 
Dentro da gente?
Como amenizar a dor
Reprimir o desejo
De rasgar tudo
Cada centímetro de pele?
Arrancar cada olho,
Destruir cada dente
Esmiuçar cada sorriso
Até não restar nenhum?!
Pedro seu nome é de bosta
E você é de merda!

diploma

Não parece
Que a formação universitária 
Exige tanto de você,
Da sua mente,
Da sua capacidade,
Do seu caráter. 
Você se cobra por anos 
Estuda feito louco
E quando chega o diploma 
Precisa descansar um pouco
E buscar aquilo para quê 
Você se empenhou tanto.
Aí vem os desencargos,
O não dar certo,
As dificuldades que a cadeira escolar
Não te mostraram,
E as facilidades 
Que um bom
E mal pago estágio 
Te proporcionaram.
No desespero
Você pensa que para o outro
É mais fácil,
Mais simples,
Mais corriqueiro.
Mas não,
É difícil seguir com maturidade,
Estar a par do erro e evita-lo,
Estar tentado ao sucesso
Por meios sórdidos 
E afasta-lo.
Preferir o anonimato de estar certo
Ao invés dos holofotes 
Daqueles que fazem 
Do ganho ilícito 
O meio de crescimento.
O diploma é árduo 
E o após ele também,
Preparar-se e não desistir
É o que traz o sucesso.

Preparar

Eu tento desacelerar
Não me irritar,
Não implicar,
Não buscar sempre
Manter tudo no controle,
Pois me indago:
Que controle?
Da vida?
Das coisas?
Do tempo?
Ora, mas o tempo urge,
Corre e cavalga
E eu feito uma louca
Em busca dele
Tentando parar as horas,
Por quê?
Pra tudo ocorrer conforme,
Conforme o quê?
Se nesta busca desregrada
Eu perco os atos,
Grito as palavras
E tudo dá errado
Onde me vejo
A chorar desvairada
E a ouvir o que não desejava.
Desejos,
Segredos,
O tempo... por que
Quero controlar tanto?
Ora, esta certo
Eu te amo
E o quero comigo
Já perdi tanto
Então, finjo não o ter
Ou o obrigo?
Obrigar a que?
Me amar como amo você?
Exigência,
Carência,
Competência,
Preparar...
As palavras voam
Em minha mente
E dobram minha língua,
Não a ouça 
Se você for me virar as costas,
Estou sozinha 
E não posso perder você agora!

sábado, 26 de setembro de 2026

Fruto do Amor

Ainda hoje ne perseguem os sonhos,
E quando deito minha cabeça 
No travesseiro e olho meu esposo
Dormindo ao meu lado
Me permito um instante a mais
De olhos abertos e aí vem as imagens
Frescas como nuvens de sereno
Espessas como neblina no luar:
Neste sonho sorrio
Com nossa linda filha 
Nos braços 
E abraço forte meu esposo,
Não quero dormir,
Não quero que um novo dia
Me traga as lembranças 
Mais tardias,
Quando tendo tido
Nosso primeiro bebê 
Escolhi a faculdade
Ecpor isso deixei-o
Sobre o lençol macio
Da cama onde me deitei
E com meu peso o sufoquei
Até o último soluço,
O último palpitar do seu corpo,
A sua última respiração 
Quente sob minhas costas.
Já não doem tanto as lembranças,
Minha mãe disse
Você precisa ser forte
Meu pai disse
Vá para a faculdade 
E meu esposo disse
É cedo demais para nos casarmos.
Eu fiquei com a responsabilidade 
E a dor em cada passo,
Mas, meu esposo me escolheu
E hoje dorme ao meu lado,
Acorda e sorri de olhos vividos
Me pede que tenhamos 
Um filho.
Nosso primeiro ele diz
Eu sorrio, soluço e choro. 
As certezas vem e vão 
Feito enxurrada em dia de verão,
E pôr isso nestas manhãs 
Repenso como poderia
Estar estar está linda menina
Fruto de um amor jovem
E em meus pesadelos eu chamo
O nome de meu esposo,
Acordo e ele está comigo.
Está tudo bem,
Está tudo certo,
Minhas costas estão quentes
E eu posso dormir de novo. 

Jiu-jitsu e um par de pernas