segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Polícia e Tiro

Sirenes, buzinas ou apitos
Não avisaram
Que uma guerra
Havia iniciado no país inteiro.
A televisão foi cancelada
Por ordem do governo,
O rádio foi interceptado
Por ordem do exército,
As cartas chegavam abertas,
Depois escassas,
Então, nunca mais chegaram.
Contudo, viaturas policiais
Acordaram cedo
Ou nem dormiram com seus
Fuzis em punho,
Passaram na rua da cidade pobre
E distribuíram tiros.
Os trabalhadores daquele local
Já não os interessava mais,
O estado em que viviam,
Suas capacidades, necessidades,
Nada mais sobre aquelas
Pessoas lhes diziam interesse.
Sentaram nas janelas
De seus carros
E dispararam contra as residências
De pessoas honestas
Que dormiam a espera
Do amanhecer para saírem
Trabalhar e ganhar seu
Sustento honesto.
Não houve distinção
Entre o ladrão,
O traficante, o assassino
Ou o trabalhador,
 Simplesmente municiaram
Suas armas e disparam
Como se fosse um treinamento.
O pai de Luciane correu
Até seu roupeiro,
Pegou seu revolver,
Carregou e saiu vestindo a calça
Para fora do quarto
Verificar o que havia,
Se estavam todos vivos,
Se se tratava de roubo.
Fosse o que fosse,
Ele queria a sobrevivência
De sua família,
Se precisasse pagar algum drogado
Vagabundo para não ser ferido,
Não seria a primeira vez
Que pagaria,
Se precisasse de dinheiro
Para pagar o silêncio
E respeito de alguma viatura,
Pagaria.
Era homem honesto.
Abriu a porta,
Quatro policiais estavam
Logo na sua frente,
Vendo seu rosto
Sorriram para ele
Em seus uniformes limpos,
E atiraram.
Maicon caiu morto.
De arma em punho,
Incapaz de defender-se,
Proibido de proteger-se.
Era a polícia.
Sim.
A polícia vestiu-se
Para matar
E não escolheu vítima,
Quis apenas ver sangue.
Depois de mata-lo
Os policiais seguiram
Atirando contra janelas,
Portas e rostos.
Trocaram de lugares
Conforme cansavam o braço,
E nem paravam a viatura.
Logo cedo,
Abasteceram com o dinheiro
Do povo aquele carro,
Usavam armas pagas
Pelo povo trabalhador,
Hoje decidiram atirar
Contra os mesmos,
Já não serviam mais,
Eram indigentes,
O país decidiu matar,
Declarou guerra,
Antes disso,
Era treinamento,
Agora tinha motivo sério,
Porém, o território não mudou,
Nem as caras,
Gente pobre,
Honesta,
Com contas para pagar,
Com trabalho a fazer.
A morte de Maicon salvou
Seu pai de morrer,
Ele não foi um dos alvos
Mortos com tiros contra a vidraça.
Porém, logo vieram os caças,
Atiraram também,
O pegaram dormindo
Poucos dias depois,
O cenário tornou-se de desgraça,
Tinha gente morta
Para todo o lado,
As pessoas tinham medo
De levarem seus entes
Para enterrar no cemitério,
Tinham medo de sair de casa,
Buscar socorro.
Os policiais não escolhiam
Horário para invadir
As casas em busca de sexo,
O corpo morto de vovó Alfredo
Não escapou,
Sua neta de doze anos
Também não,
Sua filha de trinta
Muito menos.
Os moradores
Passaram a sobreviver
Do trabalho exercido
Na região,
Não havia transporte
Para locomover.
A prostituição
Se tornou pública.
Samanta de doze anos
Escondia-se
Com seu urso de pelúcia,
Tomava banho de roupa,
Escondia-se embaixo
Do cobertor para vestir-se,
Mas o soldado que a mantinha
Viva cansou dela.
Certa vez, a viu na janela,
Com o urso abraçado
Ao peito,
Levantou a arma em sua direção
E atirou,
Perfurou o vidro da janela,
O urso e seu peito.
Sua mãe ao retornar
Para casa a encontrou
Morta no chão de estilhaços,
Retirou o cinto da cintura
Prendeu na janela
E enforcou-se lá mesmo.
O policial retornou
E viu seu corpo balançar
Na parede da casa,
Ergueu a arma
E disparou até cansar os dedos.
Corpos envelhecem,
Almas não se compram,
Nem o gato sobreviveu,
Nem o telhado,
Ou os carros.
Bomba, explosivos e balas
Do brincar do tiro ao alvo.

Eu amo, Eu amo

Eu amo,
Eu amo,
Pam Pam,
Eu amo este menino,
Pam Pam,
Este adorável menino,
Pam Pam,
Amo seu pelinho pretinho,
Pam Pam,
Deste adorável gatinho
Pam Pam.
Eu amo,
Eu amo,
Amo este adorável irmãozinho
Pam Pam,
De pelinho bem branquinho
Pam Pam,
Meu adorável coelhinho,
Pam Pam.
Eu amo,
Eu amo,
Pam Pam,
Amo este garotinha
Pam Pam
De pelinho preto e branco,
Adorável coelhinha
Pam Pam,
Minha querida amiguinha,
Pam Pam
Eu amo,
Eu amo
Por isso
Divido com ela
Minha comidinha,
Pam Pam,
Dou a ela meu leitinho
Pam Pam,
Adoráveis amiguinhos
Pam Pam
Eu amo,
Eu amo.

domingo, 24 de agosto de 2025

Rádionovela da Vida Real

Jhonatan aproveitou
Sua destreza com o teatro
E iniciou um trabalho em rádio,
Para fazer rádionovela,
Com base no seu sistema de vozes,
Que há tanto tempo desenvolvia.
Sua atuação era simples,
Basicamente, juntar seu trabalho
De escuta nas diversas casas
E famílias que fez
E transmitir em horário real.
Desistiu da faculdade
Para investir completamente
Na carreira de ator,
Encontrou um homem
Com aparência e personalidade
Similar a dele
E o pôs na comunicação televisiva.
O trabalho de ator
Foi simples embora
Pouco lucrativo,
Decidiu investir em ser diretor,
Frequentou locais de atores,
Bares com frequentadores famosos,
E logo conheceu a todos
Que desejou.
Com sua atuação na televisão
Através de um preposto,
E por ventura, dele mesmo,
E sua atuação na rádio,
Ele obteve muitos resultados
Positivos.
Investiu em assassinato,
As causas das mortes comuns
Foram enforcamento,
E ingestão de remédios,
Optou por mortes mais singelas.
Destes assassinatos
Que cometeu ao transmitir
As vidas destas pessoas
Para todo e qualquer ouvinte
Ele tornou-se dono do bairro,
Depois de outro bairro
E por fim da cidade inteira.
Nunca desistiu de sua carreira,
Fez bonecos de pano e papel
Para substituir muitas famílias,
Ele gostava de passear
Pelas ruas e avistar os bonecos
Nas janelas,
Sentados nas varandas,
E em locais visíveis.
Algumas casas
Ele alugou para obter
Ganhou financeiro,
Redesenhou cada morador,
Controlou de perto suas vidas,
Suas vozes,
Histórias que ouviam,
Coisas em que acreditavam
E atitudes que teriam.
Seu ator fez sucesso,
Contudo, se Jhonatan
Fosse depender financeiramente
Desta carreira morreria de fome.
A fome bateu há muito tempo
Na carreira artística,
Atores famosos se entregaram
A bebida e faziam qualquer trabalho
Por dinheiro fácil
E alimento,
Na maioria não mexiam esforços
Ou se esquivavam de cometer
Os mais diversos crimes.
Jhonatan predominou
Na escolha através de uma
Produtora famosa
De quem seria contratado
E o valor recebido,
Em cada história ele atuava
Como ator principal.
No fim, foi contratado
Para produtor.
Seu estúdio deu vida
Aos seus bonecos,
Enjoou de seu dublê ator
E o inutilizou.
Agora a história da vizinhança
Ganhou amplitude,
Passou a constituir filme,
Seria transmitida em vídeo
Para o mundo,
Junto a rostos ele juntou
Fotografias, cartas e áudios.
Os bonecos foram de valia,
Mas, eventualmente ele contratava
Seus dublês de pessoas reais,
Trabalho minucioso e rentável.
Ao chegar ao centro do estado,
Alugou um local,
Ele iria pagar o aluguel
Através de seu dublê ator,
Lá haviam vários quartos
Onde ele colocou todos
Os atores que desejou,
E também uma linda garota.
Invadir seus quartos
Foi simples,
Passar despercebido também.
Ao final do mês,
Sua cadeira de rodas
Esbarrou nas pernas
Do dono do estabelecimento
E o derrubou da escada.
A casa funcionava
Como pensão destes atores,
Bar e boate de venda de sexo.
O trabalho de ator
Ficou quase que para a eventualidade.
Isto lhe dava prazer,
Apresentar seu dom
Para a escrita,
Para a invenção e atuação.

Sistema de Vozes 3

Jhonatan completou dezenove anos
E levava na bagagem
Um boletim de primeiro ano
Da faculdade de direito
Com notas excelentes,
E menções honrosas,
Isto era o bastante
Para sustentar a vontade
De sua mãe em manter
Seus gastos.
Cansado da vida
Em que na sala era professor
Decidiu assumir um emprego,
Lá acostumou-se com o nome
De Tomé,
No primeiro dia já ganhou
Abono e aumento salarial.
No segundo passou
Mais tempo tomando café
E conversando com o chefe
Do que teve em horário
De trabalho.
Suas noites passaram
A ser regadas a bebidas alcoólicas,
Em certo dia, acordou
Deitado na grama
Tomando sereno
Com sua boca aberta para
O céu da manhã
Da praça municipal,
Não fez ideia como foi parar lá,
Mas, em cada momento de
Sua vida a cadeira de rodas
Era fator fundamental.
Nem um de seus amigos
Desconfiou de gastos,
Excesso de trabalho,
Ou notas baixas
Sempre que fora do sistema
De vozes,
Jhonatan era um doente de poliomielite,
Um rapaz de saúde debilitada
E movimentos quase nulos.
No que se referia ao sistema
De vozes,
Jhonatan esforçou-se na biblioteca
Para ler o máximo possível,
E adquirir o máximo de informações
Que pudesse,
Se considerou desde os oito anos
Como excelente ator,
E as ideias dos livros
Apenas lhe contribuíam.
Com o tempo de curso
De direito adaptou-se a um bar,
Lá havia um rapaz interessante,
De dono do local,
Em pouco tempo Jhonatan
O definiu por Richard,
Um primo distante dele.
No sistema de vozes,
O adaptou a está história
E mais: criou uma irmã morta
Para o rapaz,
E lhe acrescentou que ele era
Cantor e violeiro,
Tão depressa o rapaz se adaptou
Mais ainda Jhonatan se felicitou.
De outra partida,
O agora primo Richard
Compôs uma música
Para a irmã perdida:
“ saudade da irmã
Que um dia foi para longe,
Deixou saudades,
Levou minha felicidade,
Tão cedo casou-se,
Tão logo construiu sua vida
Escolheu para ela
Outra cidade,
Não me disse adeus
Na despedida,
Eu não toleraria a distância,
Mas, tão mais forte
Que eu foi está garota,
Me deu um abraço
Enquanto eu ainda dormia,
E foi-se para longe
A linda menina,
De seus cabelos dourados
Sinto o cheiro e a sedosidade,
Acordo e digo
Volte minha irmã,
Retorne,
Me prometa
Não vá mais para tão distante.”
Jhonatan aplaudiu
A música,
Levou para outro bar
E gravou imediatamente
Através do sistema,
Logo, ao retornar com a fita cassete
Em mãos para o bar do primo
Não pode disfarçar a felicidade:
- veja primo,
Ouça a música que faz sucesso,
Me sinto tão feliz
Ao escutar
Que parece até que te ouço.
O rapaz desceu do palco,
Foi até o cadeirante,
Pegou a fita,
Reconheceu a letra
E soube que, realmente,
Não era sua composição,
Era de sua irmã
Que o buscava.
De início sua mente recusou
A ideia,
Contudo, logo passou
A esperar pelo retorno desta.
Pegou seu violão,
Subiu ao palco e cantou,
Lágrimas lhe cobriam a face.
Outro amigo, Jean o acompanhou.
Três meses após,
Jhonatan encontrou
Um novo sujeito
E se adaptou ao seu jeito,
O trouxe para o local
Para dono do bar,
Nisto trocou toda a mobília,
Pendurou discos,
Trouxe livros,
E as músicas se abriram
Para o público todas as noites.
Agora eram dois cantores,
O primo Richard e Jean.
Jean tinha uma irmã Melindra,
Ela tinha doze anos,
Em cada noite de bebedeira
Jhonatan abandonava a cadeira
De rodas e invadia
Um quarto diferente,
As vezes de Richard,
Outras vezes de Jean,
E depois de Sandro.
Ele gostava de fazer sexo,
Tinha prazer em mudar
De parceiros
E nunca desejou ser reconhecido,
Chegava as escuras,
Sempre caminhando,
Quase sempre embriagado,
Sempre movido
Por seu sistema de vozes.
Sua postura de ator
Era perfeita,
Sempre que ele era Tomé,
Usava sotaque e palavras diferentes,
Até caminhava perfeitamente
E abandonava muletas
E a amada cadeira de rodas.
Melindra tinha cabelos escuros
Mas, Jhonatan a convenceu
De mudar a cor para loiro
Para acompanhar a irmã
Do primo Richard.
Ela tinha cabelos até a altura
Dos seios,
Era magra,
Recém completou doze anos,
Porém, cometeu o erro
De engravidar.
Jhonatan não sonhava
Em ser pai,
As escuras se nomeou Richard,
Jean ou Sandro,
Nunca foi Jhonatan
E poucas vezes foi Tomé.
Tanto Jean quanto Richard
Disputaram a irmã,
Ambos a reconheciam
De tal maneira,
Os dois cantavam para ela,
Tiraram fotografias juntos,
Bebiam até adormecer
Para felicitarem sua companhia.
Logo, nos primeiros meses
Da gravidez,
Ambos desconfiaram de estarem
Invadindo o quarto dela,
E de fazerem sexo com ela,
Contudo, em poucas noites,
Ambos acordaram nus
Ao lado dela também nua.
Sandro nunca desconfiou,
Noticiada a gravidez
Todos se ocultaram,
Com olhos baixos
E sorrisos tristes nos rostos,
Mas a bebida outra vez prevaleceu.
A menina sentiu medo,
Tentou abortar no jardim
E morreu sangrando.
Jhonatan a viu,
A escondeu atrás das roseiras,
Pegou um de seus bonecos
De tecido,
Fez maquiagem perfeita nele,
E marcou encontro
Com os três no bar
Conforme costume,
Porém, tarde da madrugada.
Escolheu estarem apenas eles,
Num piscar de luz,
O boneco foi solto numa cadeira
Próximo a mesa deles,
Todos aproximaram-se,
Pareciam acreditar em Deus,
Fielmente,
Fizeram o jogo da garrafa
E uma voz que vinha do boneco
Informou que Melindra
Estava morta no jardim.
Estarrecidos,
Continuaram a beber
Como se a luz do dia
Fosse desmistificar
O que quer que fosse,
Porém, Jhonatan cansou
Da mesmice das bebedeiras
E pôs fogo no boneco,
Com todos adormecidos
Sobre a mesa alcoolizados.
A vida de ator de Jhonatan 
Lhe dizia Olá.

sábado, 23 de agosto de 2025

No Acorde da Voz

Nos corredores escolares
Jhonatan gostou de Richard,
Embora de salas diversas,
Não tardou,
Gean soltou um peido
Dentro da sala,
E Jhonatan forçou um arroto
Fingindo ter saído dele
O barulho.
Todos riram,
Ele fez rosto triste
E pediu para trocar de sala.
Na outra sala,
Jhonatan fez amizade
Com Richard,
Próximo ao banheiro
Sentiu dificuldade
Para tomar água,
Vez que a cadeira de rodas
Não alcançava o bebedouro,
Richard tirou o copo
E lhe serviu água,
Foi gentil e amigável.
No dia seguinte,
Richard o ajudou no banheiro
A defecar e urinar,
Ele foi gentil ao segurar
Seu pênis
E limpar sua bunda.
Após o uso das vozes,
Richard tinha aula de educação física,
Contudo, Jhonatan o fechou
Dentro do banheiro,
Deixou a cadeira de rodas,
No escuro fez sexo com ele.
Encerrado o ato,
Voltou a cadeira de rodas
E o encontrou em prantos,
Sentado nas escadarias
Da escola,
Lá Jhonatan foi seu amigo
E confidente.
Não tardou,
Jhonatan soube tudo
Sobre a vida particular de Richard,
Viu fotografias
E conheceu histórias antigas,
Em seu quarto Jhonatan
Fez mais que o uso das vozes,
Treinou teatro,
Construiu bonecos
Usando tecido e papel escolar,
Bonecos idênticos a fotos,
Com direito a vozes originais.
Richard se viu fechado
Em ambiente escuro
Diversas vezes,
Jhonatan se tornou amigo íntimo.
Meses após isso,
Jhonatan se tornou seu primo
Com uma facilidade inacreditável,
Rumo a casa de Richard,
Jhonatan contou histórias
Sobre o avô de Richard
Falecido a anos.
Com o uso das vozes,
Ele assustou os pais de Richard,
Que apoiou-se num violão,
Na beira mar,
Jhonatan invadiu o quarto
Da mãe de Richard,
Fez seu pai acreditar
Que era o garoto.
Depois disso,
Conheceu a empregada
Da casa,
E também a forçou sexualmente
Nas madrugadas
Que dividia entre uma mulher
E outra.
Sempre usando sua cadeira
De rodas ele acabava sendo
Eximido de qualquer denúncia
Ou desconfiança.
Usava preservativos
Que ele espalhava pela casa
Nas proximidades do quarto
De Richard
Para que o pai encontrasse.
Certa vez, ele encheu os bonecos
Que costurou e os soltou
Na varanda,
Lá o pai de Richard
Acreditou que conversava
Com seus falecidos pais,
E Richard mais tarde, também.
A pedido dos avós
Richard escolheu dormir abraçado
A ambos na beira do mar,
Jhonatan pôs neles querosene,
E enquanto o garoto dormia,
Ele chegou e ateou fogo,
De dentro das chamas
Richard gritava,
Implorava por socorro,
Mas, foi incapaz de sair
Pois Jhonatan forçou o braço
Contra o fogo
Encontrou o peito do garoto
E arrancou seu coração
Depois o jogou no mar.
Sua irmã,
Juçara desconfiou da morte
Do irmão,
O pai de Richard se irritou
Com o garoto que não quis
Mais que cantar e tocar violão
Trancado dentro do galpão.
Envergonhado por suas atitudes
Seu pai o mandou embora,
Escondido na moita,
Jhonatan sorriu,
O boneco de Richard era escorraçado da própria casa,
Agora a propriedade
Poderia ser dele,
O sobrinho afastado da família Dervint.
Não tardou,
Jhonatan encontrou Juçara
No banho,
Nua, de cabelos loiros
Caídos até o ombro.
Ela desistiu resistir,
Mesmo quando ouviu
O irmão Richard tocando
Violão do lado de fora
Da janela de seu quarto,
Cantando para ela
Lhe convidando a ir nadar no mar.
Deitada nua na areia,
Juçara desejou resistir
A Jhonatan,
Contudo, ele aproveitou-se
De ela estar de costas
Para o mar,
De barriga para a areia,
Chegou por trás dela,
A imobilizou e fez sexo
Com ela,
Depois disso,
Ninguém teve notícias dela
Outra vez.
Mas, quem aproxima-se
Daquele mar jura ouvir
Richard cantar
E chamar de algum lugar
Próximo a areia:
Saudade
Que não sei expressar,
Saudade
Que não sei falar
Queria dizer te amo
Queria agradecer sua voz,
Queria estar de volta,
Queria abraçar minha família,
Mas, me perdi,
Por entre as ondas,
Me perdi,
Tão próximo ao mar,
Eu caí,
Errei em te deixar,
Errei ao levantar a voz,
Errei quando não podia confiar,
Estou longe agora,
Vou custar a voltar,
Talvez, nunca você possa me escutar,
Mas, senti saudades,
Saudade de vocês.
Restaram na propriedade
O casarão de frente ao mar,
Os preservativos contendo porra,
De um garoto bem aventurado,
Uma mãe e um pai,
Pelos filhos abandonados.
Jhonatan correu até ambos,
De cadeira de rodas,
Rosto baixo,
Olhar entristecido,
Encontrou cada um
Dos preservativos
Os deu de comida aos peixes,
Convidou seus amados tios
Recém conhecidos para nadar,
Usou o canto do filho,
O acorde seu violão,
A voz da filha a chamar,
As batidas de seu coração:
O casal de mãos dadas
Entrou na água
E andaram cada vez mais
Para o fundo,
Seus filhos os chamavam,
Enquanto a longa distância
Nas profundezas do mar
Um boneco feito de papel
Acenava feito um marinheiro
Que não sabe afundar.

Sistema de Vozes

De bengala em mãos,
Jonathan subiu a colina,
Lá do alto,
Muito acima das rochas,
Naquele local plaino
Cheio de grama e flores,
Ele gostava de ficar lá.
Dia após dia
Fazia o caminho
A passos lentos,
Seus doze anos
Lhe davam a liberdade
Que precisava para isso.
Porém, um senhor de setenta anos
Teimava em fazer este caminho,
Pelo hábito da atitude,
Não tardou encontraram-se,
E pior,
Logo os horários de ambos
Passaram a coincidir.
Certo.
Jonathan odiou o avô.
Em meados de seus oito anos,
Tomou gosto por fazer sexo,
Sua vizinha,
Uma menina de dez anos
O auxiliou na atitude,
Certa vez veio a sua casa
A passeio,
Logo entrou no seu quarto
Para brincar de trenzinho,
Depois disso,
Pegou alguns livros do colégio
E os leu para ele,
Sem aviso Jonathan
Baixou o livro que Bianca
Lia de suas mãos
Até seu colo
E lhe depositou um beijo,
Depois, deitaram no tapete
E passaram a reconhecer
O corpo um do outro.
Ele desgostou disso,
Precisava de dinheiro
Para manter seus chicletes
E a coleção de gibs,
Com isto,
Aproveitar o sono de seu avô,
Em seu quarto,
Na cadeira de balanço
Enquanto Jonathan lia
Para ele foi mais prático.
O velho idoso dormiu,
Ele retirou o pênis
Do velho de dentro da calça,
Beijou e sentou nele,
Depois acordou o velho
Aos prantos e gritos:
- avô, avô, avô.
Este grito lhes deu vantagens
E muitos valores.
Contudo, aquele senhor idoso
Lhe lembrava o avô,
E agora cismava de ser
Mais rápido em subir,
Mais prático em descer
E não tinha bengalas:
- que ironia da vida,
Hein filho.
Logo você deixa a bengala?
Jhonatan irritou-se
Com o comentário.
Acreditou que o velho
Não tinha direitos
Sobre a atitude dele,
Muito menos o de julgar
Seu estado de saúde,
Num impulso subiu a frente
Do velho,
Resvalou numa rocha
E jogou a bengala para trás.
Certeiro.
Ao olhar para trás,
Com um grito de espanto
O velho sumiu de vista,
Jhonatan concluiu
Que cair de altura tão grande
Deveria ser uma morte horrível.
Mas não conseguiu
Conter o riso ao concluir:
Outra vez o velho
Foi mais rápido que ele.
Desta vez, Jonathan subiu
E tardou a descer,
No retorno não encontrou
O velho,
E nunca mais o viu.
Jhonatan comprou um sistema
De comunicação com o dinheiro
Que ganhou do avô,
Neste sistema
Ele podia ouvir tudo
O que estivesse ligado a ele,
E falar através daquilo
Sem estar numa ligação
Ou ser reconhecido,
Nem seria descoberto.
Aproveitou-se disso,
E virou cadeirante,
Agora Jhonatan tinha dificuldade
De locomoção,
Ganhou uma cadeira de rodas,
E com elas todas as regalias
Provenientes a um deficiente.
Podia falar o que quisesse,
Chorar poucas lágrimas
E ganhar tudo que quisesse.
Era melhor que transar
Com o avô,
Afinal, ao tomar está atitude
Com a mãe ele irritou-se,
Sofreu um ataque de nervos
E desmaiou sobre a cama.
Foi inconclusivo,
Mas, ele ganhou carro
E motorista para conduzi-lo
Até o colégio.
Ele marcou o encontro
Com a própria mãe
No quarto dela,
Sem saber quem era,
Ela o esperou nua
Sobre a própria cama,
Ele chegou de cadeira
De rodas,
Abriu a porta,
Entrou, saiu de cadeira
E subiu sobre o corpo dela.
Ela iria gritar,
Mas, ele pôs a mão sobre
Sua boca,
Talvez, ela fosse reclamar
Mas ele foi até seu quarto
Usou o sistema de vozes,
E disse que foi sonho,
Então, se posicionou
Atrás da cortina da janela,
Caído da cadeira de rodas,
Mijado e defecado.
Ao sair do quarto
Ela o encontrou assim,
Imóvel aos prantos,
Sem poder tomar banho,
Ou sair do lugar:
-Filho, que houve?
Ela indagou.
Indo ao seu amparo.
- cai da cadeira,
Eu achei ter ouvido gritos,
Então, sai do meu quarto
E vim até a janela
Para ver se vinham da rua,
Nisto resvalei no meu suor
Da cadeira de rodas,
E cai de cara no chão.
Ele respondeu chorando.
- minha vida,
Você caiu aí?
Há muito tempo?
Ela Indagou.
Estendendo os braços
Para ele,
Seu cabelo escuro cacheado
Cobriu seu rosto
E o tocou.
Ele tinha um cheiro bom,
Ela era refrescante.
-sim,
Até me mijei de medo,
E fiz cocô nas calças.
Ele respondeu,
Estendendo a mão
Para o seu rosto,
Tocou em seus lábios,
Ela teve um sobressalto,
Tentou se afastar
Segurando o filho
Nos braços.
Então, o soltou,
Ele caiu feito um fardo
Pesado contra o assoalho.
-ai.
Faz tempo que estou aqui,
Eu sou um fraco,
Não posso tomar banho,
Não posso beber água,
Não posso ir ao banheiro...
Ele falou chorando.
Levantou a mão
E passou sobre o vestido
Da mãe,
Tocando levemente seus seios.
Ela sobressaltou-se,
Abaixou-se e o pegou:
- sim, filho.
Você ficou assim,
Com poliomielite.
Eva o ergueu no colo,
Depois o soltou sobre
A cadeira com dificuldade:
- eu tive um pesadelo horrível.
Ela disse,
Acariciando o rosto do filho.
Jhonatan sorriu,
Tocou em seus dedos
E os apertou:
-preciso que você seja forte,
Eu estou inválido,
Preciso de você.
Ele disse.
Eva o conduziu até o banheiro,
Tirou sua roupa
E lhe deu banho.
Aos doze ele não precisava
Tomar banho sozinho,
Nem secar o corpo
Ou vestir a roupa,
Tinha a mãe inteira ao seu dispor.
No colégio ele era
O centro das atenções,
Considerado algum tipo de anjo,
Sempre com as piadas engraçadas
E o sorriso gentil.
Por vezes, marcava encontros
No banheiro,
Chegava sorrateiro,
Saia da cadeira de rodas,
E fazia sexo com meninos,
Principalmente,
Ele gostava de sexo anal.
Depois, ele usava o sistema
De vozes e falava sobre suas dificuldades
Em ser cadeirante,
E os dissabores que a doença
Lhe acarretou.
Era dono da piedade de cada olhar,
Todavia, não gostou
Do olhar de um padre
Certa vez,
Usou o sistema de vozes
Com ele,
O convenceu a ser professor dele:
- o olho não se satisfaz
Em ver,
Nem o ouvido
Em escutar.
O padre falou em sala
De aula,
Referindo-se sobre a existência
De Deus e sua bondade.
- tire os olhos do visível,
E se volte ao invisível.
O padre encerrou.
O invisível era ele e sua voz,
Ninguém suspeitava disso,
Deus estava humano
E muito próximo.
Até aí às aulas
Corriam perfeitamente,
O problema foi o dia
Em que o padre decidiu
Dizer que era de Florença,
Alegar que falava italiano
E dizer a Jhonatan:
- pássaros voam para muito longe,
Algum dia você pode fazer isso,
E chegar até a Itália.
Jhonatan irritou-se
E não soube disfarçar,
Como ele poderia dizer
Que seu vôo distante
Seria para a Itália,
O lugar de onde o padre viera?
Foi exagero do padre
Acreditar que Jhonatan
Pudesse sonhar
Com qualquer coisa
Que proviesse dele.
Através do sistema de vozes
Jhonatan marcou um encontro
Com ele para a frente da sala,
Próximo as escadas,
Ao terminar a aula,
Jhonatan saiu
E o viu em pé,
Isto lhe custou ter de levantar
Da cadeira de rodas
E empurra-lo escada abaixo.
Aqui as vozes da memória
Se apagam para sempre.
O Franciscano se fora.

Lá no Alto

Lá no alto do moro,
Tão alto,
Um tanto acima
Da copa das árvores,
Se eu subir lá
Posso tocar uma nuvem,
Se eu puder toca-la
Com muito pouco
Posso subir nela,
Lá do alto do moro
Agarrado aos ramos
Do final da copa da árvore,
Acima de todo o verde
Encontro o azul celeste,
Agarrado a última árvore,
A mais alta de todas,
Eu estendo meu olhar
E posso ver Deus,
Agarrado a árvore
Tão perto das nuvens,
Se subo um pouco mais
Eu estendo a perna
E encosto numa nuvem,
No azul cinzento esbranquiçado
Do céu
Eu posso pisar,
Pisando na nuvem eu toco
Em Deus?

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Rosie, cadê?

Rosie juntou seus livros,
Pegou o caderno
Pôs embaixo do braço
E seguiu para o colégio,
Aos quinze anos de idade,
Não pensou que um policial
Lhe ofereceria carona,
Nem que ele jamais a esqueceria.
Este foi seu erro cruel,
Logo ela irritou-se com a mãe,
Que fazia uso de remédios
Antidepressivo,
A mãe foi até o quarto
E enforcou-se.
Sobrou o pai,
Que logo arranhou outro casamento,
Optou por deixá-la sozinha,
Embora lhe desse alimento
E sanasse as contas,
Dava poucas notícias,
Quis saber pouco dela.
Sozinha,
Ela passou a ouvir vozes,
Sem saber de onde vinham,
As achou irresistível,
E obedeceu a cada uma.
Obcecada pelo que ouvia,
Foi até o pai com uma faca,
E o sangrou até a morte:
- você não vai esquecer de mim.
Ela o disse,
Assim que ele abriu a porta,
O deixou de joelhos:
- me perdoe, filha,
Perdoe.
Não houve regalias,
Ali ele sangrou com a faca
Cravada no peito,
Ela não presenciou o velório,
Se irritou com a morte,
Acusou a madrasta pelo assassinato.
O policial tomou frente
Da operação,
Conhecedor de suas ordenanças,
Alegou que foi roubo
O motivo da morte,
Feito por algum estranho,
Bandido próximo do local,
Se comprometeu de descobrir
Tudo e responsabilizar o criminoso.
Ela temeu,
Escondeu-se em casa
E chorou.
- eu quero um filho.
Ele disse.
- não.
Ela respondeu serena
E amedrontada.
Ele retirou o cinto da calça
De trabalho,
Bateu nela com ele,
Até deixar marcas de sangue
Por seu corpo.
- você é casado.
Ela disse.
- não importa.
Ele respondeu.
Bateu mais forte nela,
Até fazer sangrar,
Até deixá-la desmaiada
No chão da sala.
Depois deixou a porta destrancada
E saiu pra fora.
Os vizinhos não mexiam
Na casa,
Não feriam ela,
Obedeciam ele,
Tinham medo.
Ele tinha uma câmera
Na porta da casa
E escutas por todo o lugar,
Ouvia tudo que fazia,
E dava ordens
E exigia que ela seguisse.
Com medo
Por ele segui-la tanto,
Ela pegou a faca
Com a qual matou o pai
E arrancou a pele do rosto.
Não achou que merecia
Ser vista,
Quis sumir,
Ganhar novo rumo,
Desejou ter uma vida.
O policial irritou-se,
Pegou a viatura de trabalho,
Arremessou contra o portão,
Chegou até ela,
Puxou a arma e empenhou
Contra seu rosto.
Encostada na testa dela,
Na carne viva,
Esfregando contra sua dor,
Causando sangue,
Farejando seu medo.
- você quis me trair.
Ele falou,
Então, invadiu com o cano
A boca dela,
E ficou com o dedo no gatilho
E a arma dentro dela.
Depois retirou,
Ferindo seus lábios,
- você é capaz de me trair.
Ele insistiu.
Ela ficou silenciosa,
Apenas chacoalhava
A cabeça em negativa.
Irritada
Por ser obrigada a vê-lo,
Ela odiou os próprios olhos,
Ela não podia feri-lo,
Era incapaz de defender-se,
Não podia afasta-lo,
Então, perfurou ambos os olhos,
Ficou completamente cega.
Juntou uma máscara de gesso
Da infância,
Um trabalho feito no colégio,
E pôs sobre o rosto,
Uma máscara sem expressão
Ou buracos onde seriam
Os olhos,
Nela havia um risco de batom
Em formato de sorriso,
Mais nada.
Agora ela seria dele,
Completamente dele,
Sem olhar outro,
Sem falar com ninguém,
Sem um único sorriso,
Somente obedeceria sua voz,
Sabendo que em sua mente
Ela nunca o pertenceu,
Tanto quanto deixou de ser
Dona de sua vontade,
Agora, dentro dela,
Ela podia sonhar um amor,
E imaginar que este que a toca
Seria um alguém,
E não aquele monstro estuprador,
Do sistema policial “vigie-me”.
Seus cabelos negros
Soltos no lado do rosto,
Jamais receberiam carinho,
Seu rosto sem afeto,
Agora não tinha nem ao menos
Pele ou sentimento,
Seus lábios nunca beijados,
Não pertenceriam a armamentos,
O cheiro fétido do suor daquele
Monstro estuprador
E daquela farda maldita
Nunca chegariam as suas narinas,
Nem seus olhos veriam
O sorriso de triunfo
Daquele desgraçado municiado,
Protegido e assassino.
Restou dela o corpo,
A vida totalmente controlada
Por uma voz irresistível
Sob pena de morte,
Mais nada.

A Unicidade

A gente quando
Se aproxima dos quarenta
Começa a refletir
Sobre o passado,
Rever os sonhos,
Replanejar os passos.
Olha na parede
Onde está pendurada
As chaves do carro,
Pois as pernas
Já não levam tão longe
Quanto levavam aos quinze anos.
Avistada as chaves,
Suspira-se em alívio,
Já se começa a pensar
Quando se trocará
Por um modelo novo,
Um carro mais bonito,
De ano mais moderado.
Assim nos assemelhamos,
Aos quarenta anos,
Já não somos um carro novo,
Recém adquirido,
Do contrário,
Já se avalia os estragos,
Pensa-se em reparar enganos,
E se adapta ao que estamos.
Com o uso do carro
Vem os raspões, as batidas,
Os reparos.
As vezes, substitui-se a peça inteira,
Outrora é um pneu furado
Ou a gasolina que está
Chegando ao fim.
No entanto, nós também
Sofremos raspões,
Também temos danos
Em nossas peças
Que se evidenciam
Com o transcorrer do tempo,
Porém, não podemos trocar
Nossos membros
Como substituem-se os pneus,
Não trocamos de pele
Como renovamos a tinta
Da lataria,
Com o tempo,
Os cabelos brancos surgem
E nada mais os esconde.
De gasolina usamos a água pura,
Os sucos e chás buscando
Ter energia,
Renovar as esforços,
Alimentamos e nutrimos
Nosso corpo o melhor
Que pudermos,
Mas, aos quarenta se colhe
Todo o alimento ingerido errado,
Todos os descuidos
Que sofremos até então.
As vivências dos quinze
São como os arranhões,
Contudo, aos quarenta
Vê-se o que a maquiagem
Não esconde,
Chegaram as dores,
E não podemos ser trocados
Por novos modelos,
Uma pessoa não é substituível,
Deveríamos pensar
Sobre isto aos quinze,
Talvez, cheguemos aos quarenta
Com menos dores
E danos,
Agora, dos quarenta
Faremos os sessenta,
Vive-se e perde-se
Conforme se queira,
Também pode viver
E ganhar,
Perdeu aquele
Que se abandona
E não se vê
Único como realmente é:
Insubstituível.
Tem quem 
Planeje mais seu tempo
Em busca de melhorar o carro
E esquece de melhorar a si mesmo,
Um carro é tão compravel,
Quanto um ser humano 
É inalterável.

Assombro Antigo

O campanário de cores desbotadas
Das casinhas que de longe vejo
Me inspiram medo,
Para não dizer pavor.
Um aglomerado de pequenas
Construções numa civilização
Do medo.
Quando voltei para a minha cidade natal
A avistei aquelas construções,
De longe me pareceu ver
Aquele povo se espalhando
Pelos casebres a espalhar fofocas
E fazer intrigas.
Meu caso não é certamente
O único,
Ainda sinto aquela velha náusea
Só em pensar de passar perto
De pessoas que nada fazem
Ou buscam de suas vidas
Exceto se engrandecer as custas
Dos outros.
Muitos que partiram a pretextos
Nunca mais voltaram a seus lares
Não importando que circunstâncias estivessem,
Preferiram entregar-se ao esquecimento
E tracejar suas vidas da maneira
Como foi possível,
Sendo que em nenhuma hipótese
A ideia de retornar
A este vilarejo lhes fosse acolhida.
Alguns partiram em busca
De educação,
Outros crescimento profissional,
A verdade é que este vilarejo
Nunca proporcionou nada
De positivo a ninguém,
Eu mesmo me indago:
Como alguns sobrevivem?
Meu auge do medo
Foi numa manhã bem cedo
Quando levantei para tomar
Meu banho
E na minha janela já havia
Um grupo de fofoqueiros
Postos para buscar boatos,
E espalhar mentiras por entre
Os preguiçosos
Que nada desejam a não ser isto:
Falar mal da vida alheia.
Meus pensamentos
Com relação a eles
São curtos e rudes:
Vão se embora,
Afastem-se deste que sou.
Mas, para sobreviver aqui
Eu preciso me enturmar,
Fazer parte destes grupos,
Interagir com os vizinhos,
Penso se devo frequentar
Alguns igreja,
Mas, a distância já ouço
Os discursos acalorados
Em busca de dinheiro,
E espalhando os boatos
Sobre os residentes,
É eles falam alto,
Usam microfones,
A igreja é local disto:
“Falar o que eles gostam de ouvir”.
A distância se vê a cruz da igreja
Se distinguir por entre os casebres,
Uma onipotência de oração,
Onde tudo se apregoa,
Menos o que defino por religião:
Fazer bem ao próximo,
Ajudar o vizinho...
Tudo permanece sempre igual,
Não importa quanto tempo passe,
Menos as construções de orações,
Estas crescem e se aperfeiçoam,
Se distinguem das pequenas casinhas
Do seu redor que a tinta escorre,
E pequenas lascas de madeira
Ou cimento caem.
Até mesmo os frequentadores
Da igreja se distinguem,
Nas vestimentas,
Nas palavras,
Parece que só entram os escolhidos,
Não sei se se deve aos discursos,
Ou se é mesmo uma operação financeira 
E pronto.

... Vez que a Rainha foi ao Supermercado

Aconteceu de a rainha
Ir ao supermercado
Para fazer suas compras domésticas.
Neste dia,
Um indivíduo aparentemente inofensivo
Prestou atenção nela,
Vendo que ela tinha dinheiro,
Quis aproveitar-se de sua idade avançada
Para lhe tirar proveitos
Dentre eles dinheiro.
Ocorre, que o rei foi junto,
E ao ver a rainha Luana
Agachada procurando seu vinho,
Percebeu do estacionamento
Onde ele estava,
Sentado ao volante do seu carro
Esportivo modelo rosa escarlate,
Com pontas de diamantes coloridos
Que este indivíduo abaixou
O cabelo estilo chanel
Sobre o rosto
E tomou o carinho de compras
Da rainha
O levando para distante dela.
Quando ela virou-se
Com o vinho em mãos
O carrinho de compras havia sumido,
Nisto o indivíduo retornou
Rindo do desgosto dela.
A rainha Luana envergonhou-se,
Pensou que tivesse perdido
O carrinho por entre os corredores,
Acanhada soltou o vinho no chão,
E pôs-se a buscar o carrinho.
Ao encontrá-lo haviam papel higiênico
Sobre ele,
Muitos pacotes
E isto não fazia parte de suas compras,
Com isto, ela ficou triste,
Escondeu o rosto por entre
Os cabelos grisalhos.
Depois foi até o estacionamento
E reiniciou as compras,
Ao retornar até o vinho,
Ele havia se partido no casco,
Ela não entendeu que não
O soltou com força no chão,
Porém, o rei Luan notou
Que o indivíduo passou ali
Outra vez,
Desta vez,
Com o cabelo penteado
Rente a cabeça,
Como se fosse curto,
E bateu com o próprio pé
Para quebrar o vidro.
A rainha levou a mão
Macia e enrugada aos lábios
Entristecida,
“Como foi que ela soltou o vidro
Tão forte no chão?”
Mesmo assim, levou o vinho,
Também pegou outros dois.
No caminho, o indivíduo notou
Que ela iria dobrar o corredor
Para comprar cosméticos,
Neste ínterim de tempo,
Ele esbarrou contra o carrinho
De compras dela
E derrubou muitas coisas no chão,
Ela ficou amedrontada,
Deu um passo para trás.
O rei saiu do carro
E caminhou até lá,
Empertigado e sério,
Então, o indivíduo o pegou
Pelos braços,
Passou os braços dele
Por trás das costas,
E o prendeu com uma mão,
Na outra ele pegou uma faca
Que estava a venda
No próprio mercado
E colocou contra as costelas do rei
Ameaçando sua vida.
O príncipe Pitelmante notou
Que os pais estavam sendo
Reféns daquele estranho perigoso,
No entanto, ele não sabia
Como reagir
Se chegasse perto
Poderia ser feito de refém também,
Se ficasse distante
Corria o perigo de que aquele
Estranho malfeitor
Fizesse mal a seus pais,
Ambos velhinhos
De cabelos grisalhos,
Rugas de expressões e lábios sérios, e olhos assustados.
Pitelmante lembrou que ele
Tinha um poder especial,
O poder de amar os pais intensamente,
Então, ele se dividiria em dois
Ou quantos fossem necessários
Para salvar aqueles que tanto ama.
Por isso, Pitelmante usou sua sombra,
A projetou onde o bandido estava,
Fingiu que estava lá
E foi fazendo gestos,
Para chamar a atenção do malfeitor,
Enquanto entretia malfeitor
Ele aproximou-se
Pois viu que os pais estavam seguros.
Pitelmante projetou sua sombra
Diversas vezes
Até que o bandido moveu-se
Ainda prendendo seu pai,
O bandido andou cinco passos,
E o corredor até ele
Ficou aberto para ser percorrido
Sem ser visto,
Então, Pitelmante chegou por trás
Do assassino e empenhou uma faca
Contra a barriga dele.
No susto ele soltou o rei,
Imediatamente, Pitelmante
Prendeu o bandido
Cruzando seus braços
Para trás,
E jogando seu corpo
Contra o chão,
Prendendo ele com um joelho
Sobre sua coluna e cabeça.
A rainha foi salva,
O bandido ferido foi preso,
As pessoas do mercado
Aplaudiram Pitelmante,
Pois todos tinham medo
Daquele homem desprezível,
Mas não sabiam como conte-lo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Palavra de Deus

Jonas decidiu sair
Mais cedo do trabalho,
Ao chegar em casa
Procurou pela esposa
E ao não encontra-la,
Decidiu dar uma volta
De carro em sua busca.
Ele estava inseguro
Com relação ao casamento,
Pediu a esposa
Para ter um filho
E ela se recusou.
Ele definiu o casamento
Como frio,
A esposa estava cada vez
Mais distante,
E em uma briga alegou repulsa.
A casa estava sendo
Deixada para segundo plano,
A comida no fogão
Tomou o costume de queimar,
E a roupa foi esquecida
De ser limpa,
De ser guardada,
De ser passada,
Também os abraços
Se tornaram escassos.
Jonas decidiu que amava
A esposa,
E optou por protegê-la,
Concluiu que não importava
O que estivesse ocorrendo
A culpa não era propriamente dela,
Ele iria descobrir
E ajudá-la.
Amava-a.
No entanto, temia
Descobrir uma traição,
A mentira lhe era motivo
De raiva,
Contudo, não desejava
O fim do casamento
De oito anos.
Três quadras após
Sua casa,
Encontrou-a sentada
Num bar acompanhada.
Ela estava bebendo bebida
Alcoólica,
E beijava um sujeito.
Jonas estacionou o carro
Próximo ao local,
Chorou recostado no volante,
Depois tomou coragem,
Retirou o terço que tinha
Guardado sobre o espelho
Retrovisor do carro,
Enrolou na própria mão
Buscando fé em seu amor,
E calma em nome da religião,
E foi até o bar.
Chegando próximo aos dois
Não gritou ou aumentou
O tom de voz,
Apenas retirou do bolso
Uma bíblia e leu alto um trecho:
“Aqueles que andam retamente entrarão na paz;
acharão descanso na morte. (Isaías 57:2)”.”
O homem que acompanhava Ruti
Sua esposa levantou assustado,
Ao levantar da cadeira
Bateu na garrafa de cerveja
E derrubou sobre a mesa,
 Então, se voltou de frente para Jonas.
Que continuou a ler,
Olhou seriamente para a esposa,
E não fez mais.
Amedrontado, Jerson sorriu,
Retirou a arma de dentro
Do bolso que possuía
E não acreditou na boa fé
De Jonas:
- você nos pegou em flagrante,
Hein Jonas?
Jerson falou alto,
Com a arma empunhada
Contra Jonas.
- calma Jerson,
Ele não fez nada.
Disse Ruti.
Jonas estalou os olhos,
Arregalou-os até ficar vermelho,
Seu rosto tornou-se ameaçador,
Então, ele fechou a bíblia
Com um estalo,
Se aproximou da mesa
Onde ambos estavam sentados
E atirou a bíblia de canto
Contra a cabeça de Jerson,
Que caiu no chão desfalecido.

Pela Igreja

Na parte da zona rural
Do município de Joaçaba,
Um agricultor levantou
Logo cedo para ir tirar leite.
Ao abrir a porta
Se deparou com uma raposa,
O bicho estava comendo
Um braço do que aparentava
Ser de uma pessoa.
O agricultor ficou assustado,
Fechou a porta
E saiu para fora,
Depois disso, seguiu o rastro
Do animal com uma foice
Em mãos.
Logo adiante,
Próximo ao rio
Encontrou o que parecia
Ser uma pessoa,
Ela estava imóvel
Deitada no chão,
Muito magro e parecia
Ser um homem.
O agricultor assustou-se,
Chegou perto sorrateiro
E notou que havia sinais
De fogo no local,
Mais perto do homem
Notou duas mulheres,
Todos os três apresentavam sinais
De terem sido consumidos
Por um animal,
Faltava alguns membros
Como braços, mãos,
Lados do rosto, partes da barriga.
Eles estavam soltos na terra
Sobre folhas secas queimadas,
Atrás de suas cabeças
Havia uma pedra que tinha
Algo escrito com sangue,
Lá estava escrito:
“E Deus limpará de seus olhos toda lágrima;
e não haverá mais morte,
Nem pranto, nem clamor,
Nem dor;
Porquê já as primeiras coisas são passadas.” Apocalipse 21:4
As três vítimas estavam deitadas
Com as mãos unidas
Como se rezassem,
Os pés estavam juntos,
Tudo se encaixava
Em um misto de culto e velório,
Como se fosse uma oferenda,
Um culto a algo subliminar.
Os rostos foram mutilados
Por objeto cortante
Onde desenharam uma cruz
Do início ao fim de cada rosto,
Seus lábios estavam colados.
O agricultor assustou-se,
Não mexeu em nada do que havia ali,
E correu até sua casa
Para chamar a polícia.
Animais se aproximavam
Dos corpos
Para comer sua carne,
Era difícil dizer
Há quanto tempo estavam mortos,
Os olhos de cada um
Foram arrancados
E no lugar foi desenhado
Uma cruz com seu sangue.
Havia pouca roupa,
Pouca pele sobre os corpos
Que foram queimados.
Ambos estavam próximos
Ao leito da água,
Recostados por entre o arvoredo.

Em Nome da Fé

Três corpos foram encontrados
Na praça central do município,
A polícia de homicídios
Foi comunicada
Pelo homem que os encontrou,
O homem tremia e gaguejava
Ao falar sobre os mortos.
A neve da praça derretia
E escorria até seus pés
Levando a calçada
Vestígios de sangue
Nos pequenos flocos brancos
Da neve que há meses
Se acumulava.
-Eu não sei quem são.
Ele respondeu,
Cansou de falar
E desligou o telefone da cabine
Onde estava.
Logo que ele saiu da cabine
Telefônica e se pôs a olhar
Os corpos trêmulo,
A polícia retornou
A ligação para o mesmo lugar,
Aterrorizado ele custou
A voltar até lá dentro para atender.
- disse tudo que sei.
Vim até aqui fumar
E me deparei com três mortos
Soterrados na neve...
Depois disso,
Ele desligou e saiu de onde estava,
Acendeu um cigarro,
Entre a fumaça,
Do outro lado da rua,
Ele olhava aqueles rostos,
Como se houvesse um véu
A encobri-los,
Mais que uma rua a distancia-lo
De lá.
A passos lentos,
Ele tomou distância do lugar,
Não disse seu nome,
Nem nada que o identificasse
Ou o aproximasse do que houve ali,
Irritado,
Jurou a si mesmo
Nunca falar no assunto,
Com isso, a polícia
Jamais descobriria que esteve ali,
Não precisaria testemunhar.
Na delegacia de ameaça
Contra a mulher,
Três horas da madrugada,
Houve um registro de ocorrência:
Uma mulher casada há dez anos
Estava trancada no banheiro
E sangrava,
Segundo ela o marido
Se embriagou outra vez,
Ficou irritado porquê
A comida esfriou rápido demais,
E investiu contra ela
Com um machado.
Irritado ele errou a primeira machadada dela
Acertou no sofá
E o quebrou ao meio,
Então, ela correu até o quarto,
Trancou a porta gritando
E chorando.
Ele abriu a porta a machadadas,
Bateu com o machado no chão,
Arrancando fiapos de madeira,
Depois investiu na direção dela,
Ela se afastou para trás,
Ele acertou o roupeiro,
Ela se jogou sobre a cama,
Ele acertou a colcha do casal,
Rasgou ela,
Ela ficou encurralada contra
A parede,
E ele a acertou no braço,
Depois disso ela se esvaiu
Até o chão,
Ele tornou a investir machadadas
Contra ela,
E acertou na cama.
- vadia.
Você não serve para ser oradora
Na igreja.
Maldita.
Ele gritava,
Dando machadadas contra
A parede,
Uma destas pegou em seu rosto,
Rachou-o de maneira profunda,
O braço sangrou,
O sangue escorreu até
Os pés de Alfredo.
- Você é pastor,
É homem de Deus,
Por Jesus pare!
Ela gritou.
Nisto o cabo do machado
Quebrou,
Ele irritou-se e jogou o cabo
E o machado contra a janela
De vidro.
O vidro se estilhaçou,
Pedaços voaram contra sua
Própria cara e feriram seu rosto.
Edna ficou cega antes disso.
Bem antes.
No instante em que o machado
Atingiu seu rosto
E arrancou um pedaço de carne,
Com alguns dentes,
Neste momento ela não viu
Mais nada.
Apenas jogou o braço esquerdo,
Quase amputado contra
O rosto,
Escondeu a cara abaixando
O máximo que pode
E chorou.
Nunca rezou como está vez,
Nunca implorou por sua vida,
Neste instante fez tudo
Ao mesmo tempo.
- chore calada,
Mundana.
Alfredo gritou.
A pegou pelos ombros
E chacoalhou,
Puxou seu braço esquerdo
Sem piedade,
Arrancou,
Talvez, sem querer,
Talvez sem poder conter
Todo o seu ímpeto de fúria.
Depois ele foi até a sala,
Pegou sua garrafa de whisky
Voltou ao quarto e chacoalhou
Ela,
Como se fosse borbulhar,
Irritado jogou contra o braço
De Edna.
Na verdade jogou no sangue
E na ausência do braço dela,
Pois seu braço estava caído
Sobre a cama,
Jogou contra o rosto dela,
A ferida jorrou sangue.
-Piedade em Deus,
Piedade em Jesus,
Pastor você é homem bom.
Alfredo riu alto,
Saiu do quarto,
Enquanto Edna se rendeu a dor,
Se empurrou com força
Os pés entraram embaixo da cama,
Seus pés e pernas se arranharam no box do casal,
As feridas arderam,
Ela puxou as pernas,
Se colocou fora do quarto,
Num vislumbre o viu
Sentado no que sobrou
Do sofá,
Assistindo a televisão,
Bebendo outro whisky.
Edna pegou o telefone
Da cozinha,
Correu para o banheiro
E acionou a polícia.
Implorou ajuda.
Próximo a ali,
Na praça central,
Três corpos foram encontrados,
Uma hora antes desta ocorrência,
Estavam em posição de oração,
Os rostos foram mutilados
Por um objeto profundo
E cortante que lhes desenhou
Uma Cruz sobre cada rosto.
Profunda até quebrar os ossos,
Sobre eles haviam páginas
De Bíblias,
Através deste papel,
Estes corpos foram queimados,
Um chamuscar de sua pele,
As mãos estavam unidas
Como se fizessem uma oração,
Os lábios foram arrancados,
Haviam dois homens
E uma mulher.
Devido aos ferimentos
A identificação das vítimas
Se tornou difícil,
Seus documentos foram queimados,
Não havia nada que identificasse
O objeto que foi usado
Para cometer o crime
Ou quem teria feito aquilo.
A polícia jogou um pano negro
Sobre os corpos,
Depois os jogou no carro
Da homicídios,
Um carro negro,
De traseira fechada de metal,
Também negro.
Todos foram jogados no chão
E conduzidos até o local
De trabalho deles,
Para buscar evidências.
Do outro lado da rua,
No instante em que a homicídios
Levava os corpos,
A delegacia especial chegava
De carro escuro,
Sirene ligada,
Luzes acesas para defender Edna.
Alfredo viu da janela o carro,
Ouviu as sirenes
E isto lhe chamou a atenção,
Então, ele pegou a garrafa
E invadiu o banheiro,
Dando um chute que empurrou
A porta para trás e a abriu.
Alfredo pegou Edna pela garganta,
A obrigou a beber.
Depois juntou seu laudo médico
Que informava que ela
Era depressiva e fazia uso
De medicamentos fortes,
Colocou em sua mão
O laudo,
Pôs a garrafa ao seu lado
E falou:
- você bebeu,
Misturou bebidas
Com seu remédio,
E depois disso,
Se jogou contra a parede
Em fúria,
Se irritou porquê
Eu não estava,
E eu não retornei.
Edna sentiu o maxilar tremer,
Pegou o laudo de sobre a perna,
Com a mão buscou a garrafa
Então bebeu para acalmar a dor,
Bebeu para baixar o medo,
Bebeu para evitar
A própria morte.
Alfredo pulou a janela
Do lado de casa,
No mesmo instante a polícia
Gritou do lado de fora
De casa,
Ninguém respondeu,
A polícia ligou no telefone
De casa,
Edna não atendeu.
Irritada pela ocorrência
Que ouviram através do rádio
De polícia sobre os corpos
Encontrados a polícia
Perdeu a calma.
Edna não tinha forças
Para falar,
Faltava-lhe carne,
Faltava-lhe parte do rosto
E principalmente faltava coragem.
Passado algum tempo,
Três policiais investiram
Contra a porta a coices,
E a abriram.
Edna se jogou para a frente
Caindo na cozinha de casa
Com a metade do corpo,
Sua mão ficou a botina
Do policial.
Ele gritou assustado,
Tomou dela a garrafa,
Pegou o papel e o leu
Para todos ouvirem.
Ela foi levada para o hospital
Em busca de socorro médico,
Os policiais ficaram no corredor
Esperando sua melhora
Para prestar depoimento.
Edna nada disse,
Seus pais foram buscá-la
No hospital,
Ela continuou emudecida,
Alfredo foi encontrado na igreja,
Estava rezando com pastores.
Informou que foi agendado
Um encontro na pastoral,
Os membros mais importantes
Da igreja compareceram,
Ele ficou lá desde o início
Que ocorreu na parte da tarde.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Amor Platônico

Ah o amor,
Quando nos cativa,
Encanta a alma
De tal forma
Que Amaro basta,
Porém, quando se conta,
Se deseja
O beijo na boca,
O carinho que esquenta,
O abraço que sustenta.
Triste é o amor
Que não é acolhido,
Aquele qual
Não importa o que se faça
O outro que é gostado
Nada sente
Não importa o quanto
Seja amado,
Nada deseja,
Nem carinhos
Ou carícias,
Só quer o fim,
O desenlace do que se procura.
Sonhar a janela,
Sonhar no quarto fechado,
Sonhar na rua,
Nada basta
A este que não quer
Ser amado,
Não desejando corresponder,
Foge e esconde-se,
Não quer o afeto,
Nem mesmo o beijo
Descompromissado,
Quer distância,
Só isso.
Quase beira o ódio,
Querer maldito
E profano,
Que não aceita juras,
Não rende-se por nada,
Pois, simplesmente
Não desejar doce sentimento.
Choram todas as lágrimas,
Juntam-se todas as preces,
Acumulam-se todas as juras,
Mas nada o enternece,
Ele não ama,
Não importa que o grite,
Soluce ou declame,
 Não quer nada desta
Que o fala,
Mesmo que em amor
Se derrame,
Em ódio se depure,
Ou solidão se afugente,
Não quer.
Não a quer.
Nada sente.
Não lhe supre.

Tarde Com a Família

Hoje nossa tarde
Foi mais gratificante,
Ganhamos uma linda surpresa,
Meu pai deu pra eu
E meu esposo
Uma nova televisão,
Fazia tempos
Que estávamos sem,
Quase dispensamos
O presente,
Contudo, nos foi dado
De bom coração,
Aceitamos com eterna gratidão.
É incrível ver as crianças
Deitadas no sofá
Assistindo a um filme,
Enquanto eu faço a pipoca,
Meu esposo prepara o chá,
E nós nos divertimos
Em família.
É certo que
Para sermos felizes juntos
Não precisamos nada disso,
É muito mais importante
A companhia um do outro,
Contudo, um presente inesperado
É gostoso receber,
É um gasto a menos,
Um prazer saboroso,
Um alívio para o final
Do mês.
Felizes, contentes,
Satisfeitos,
Estamos unidos
E muito bem.
São quatro anos de casamento,
Quatro anos
Que não moramos
Com nossos pais,
Sentimos falta,
Confessamos,
Mas a distância compensa,
Pois, agora formamos
Um novo grupo familiar
Que se complementa
Com nossos pais,
Sente saudades
E guarda afeto,
É uma distância que não faz mal.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Amares e Amores

- que faz tão tarde no jardim,
Cultiva as estrelas?
Indagou Rosanie a Elon.
Elon olhava distante,
Como se buscasse algo
Por entre o brilho
Da cidade,
Pareceu não ouvi-la.
Logo, Rosanie fechou
A janela e o deixou lá fora,
Pagou a Elon por seu amor,
Alcançou um noivado
De grande notoriedade e animosidades,
Mas, nunca o teve.
Elon, na primeira oportunidade
Partiu para nova janela,
Percorreu mil vezes outra calçada,
Procurou outro seio
Em que se recostar.
Na primeira oportunidade
De alcançar dinheiro e fama,
Aceitou, outra vez.
Noivo de Rosanie,
Jovem, solitária e rica,
Fazia uso de seu dinheiro
Pelo preço de poucas noites
De falso amor,
De sua o gastava com outra.
Porém, numa destas suas escapadas,
Recebeu nova oferta,
Mais dinheiro lhe surgiu,
Desta vez, optou por casar-se.
Rosanie, custou notar sua falta,
Devido a poucas cobranças
Por afeto nunca o viu com outra,
Mas, Elon ainda assim desistiu,
Ter de fugir a noite de uma,
Correr para se agarrar a outra
Pela manhã vinha lhe custando.
A fama de conquistador barato
Percorreu os grandes centros
E já se avistava nos pequenos bairros,
O dinheiro dá asas,
Mas, abre margem para boatos,
Optou por desistir do noivado
Que se arrastava
E mesmo no dispor de tanto
Dinheiro não lhe reteve seu afeto.
Preferiu Márcia,
Jovem e também rica,
Abastada para lhe proporcionar
Tudo de que precisava.
Rosanie demorou-se
Na calçada como sempre,
Indo acompanhar o amante,
Cuidou-o até que chegasse
Ao final da rua,
Se Elon não estivesse tão entregue
A felicidade de ter readquirir
Sua liberdade,
Para poder alçar seu vôo
Rumo ao sucesso financeiro,
Teria ouvido no dobrar da esquina
O eco de um soluço.

domingo, 17 de agosto de 2025

Desenlace de Sentimentos

“Ora, de que é feita a vida
Que não seja envolto em dinheiro,
Precisa-se de dinheiro para nascer,
Mais ainda para morrer,
Pois, no decorrer da vida,
Assim é a pessoa,
Perde-se a maior parte do seu tempo em alugar-se
Para ao final vender-se,
A isto definem o casamento,
Uma união de interesses”.
Pensou consigo o tio de Mariquinha,
Ela estava apaixonada,
Desejava determinada pessoa,
Não havia impedimento,
Restava ao homem reconhecer,
Identificar-se com Mariquinha
E casar-se de uma vez,
E o que ela oferecia em dinheiro
Jamais passaria despercebido.
Porém, Seixas sofria,
Em instantes desejava Mariquinhas,
E sem saber porquê a amava,
Em outros a repelia,
Achava-a dada demais,
Uma pessoa envolvida
Ao extremo com todos,
Parecia ter entregue
Seus beijos a cada homem,
Erguido a saia a cada olhar,
Dobrado a saia
No primeiro estímulo de suor.
Aliás, suas pernas
Sempre estiveram tão amostra,
Ela simples de beleza singela,
Mas de aparência tão disposta,
E além de tudo...
Existiu Quitéria.
Sim, ele amou Quitéria,
Lhe devorou afeto,
Sonhou com o casamento,
Marcou a data,
Até que então,
O rosto de Mariquinhas
Começou a lhe surgir do nada,
Pra onde quer que olhasse,
Não importando onde estivesse
Ou qual pensamento lhe regrasse...
Depois disso, veio o rompimento:
Quiter o deixou.
Não tolera visitas,
Não aceita recados,
Fechou-se em seu quarto,
Desprendeu-se de seus sonhos
Com ele.
Seixas foi rejeitado,
E agora, Mariquinha aparece,
O envolve,
Tudo tão desproporcional
E rápido,
Rápido demais,
Como se fosse arranjado.

Norma Apaixonou-se

Seixas apaixonou-se
Por Rosario,
Pediu sua mão em casamento,
O pai lhe deu autorização,
Contudo, Norma era rica,
Dona totalitária
Da herança de seu avô.
Apegou-se a Seixas,
Não compreendeu
Seu amor por outra,
Correu até seu tio,
Pediu-lhe o nobre favor,
Pagai a este pai
Que renegue o casamento,
Retire a mão da filha
E proíba novo encontro.
Sou dona do dinheiro,
Tranco todas as possibilidades,
Atuo para impedi-lo
Seja da forma que for necessária,
Se Seixas não casar-se comigo,
Nem com outra será.
Impeço sua entrada a igreja,
Proíbo a abertura do salão
De festas,
Arranjo um amante a está moça,
Mas de Seixas
Ela não será,
Não enquanto eu o querer,
Sou solteira, herdeira e rica,
Tenho prioridade
Sobre ele.
O tio aceitou o compromisso,
Vendo a determinação
Na sobrinha não se opôs.
Seixas chorou,
Correu atrás de Rosario
Até a porta de sua casa,
Alcançou -a na calçada
Próxima ao portão.
Ela virou para ele,
Olhou-o com determinação:
“compreenda, Seixas,
Meu pai nos proibiu,
Há impedimento de ordem
Familiar,
Não posso me sobrepor.”
Então, ela fechou o portão
Contra o seu nariz,
Bateu-lhe e isto lhe fez
Saltar sangue no chão,
Levou uma mão até a própria
Boca para esconder o espanto.
Virou as costas e saiu,
Seguiu o caminho do jardim
Até a porta de sua casa.
Seixas gritou de dor,
Chorou seu amor,
Não resistiu,
Abriu o portão de joelhos,
Fez todo o caminho
Que os separava da mesma
Forma:
“Por favor, Rosário,
Estou de joelhos,
Me perdoe,
Reate o casamento .”
Encontrou a escada,
Subiu de joelhos
De degrau a degrau,
Eram dez, apenas.
O pai de Rosário
Encheu um balde
Com água gelada
E esvaziou sobre a cabeça dele.
Colocou a cabeça
Para fora da porta e disse:
“entenda,
É o fim deste compromisso,
Rosário não será compromissada,
Busque outra.”
Seixas chorou ajoelhado,
O pai de Rosário o pegou
Pelos ombros,
Pôs ele em pé,
E o conduziu até fora
Do jardim.
“ vá embora”.
Disse por fim.
“Eu a amo Rosário”.
Ele gritou.
“Não haverá casamento”.
O pai dela retornou.
Norma abriu a janela
Do outro lado da rua,
De lá podia ver bem o rosto
De Seixas,
Ela não se compadeceu,
Logo ele esqueceria Rosário,
E seria seu.

Casamento de Mariquinha

“Ora, por quê responde-me
Tão irritadiço,
Deixa de braveza
Que desmanchou estas suas
Rugas de expressão de raiva
Da testa aos mil beijos,
Meu amor”.
Assim, Mariquinha respondeu
Ao primeiro ímpeto de raiva
De Silvio.
Ele, contudo, acostumou-se
A raiva e desistiu de seus carinhos
Com a mesma facilidade.
Porém, está raiva ganhou
Mais expressão com o casamento.
“Desmanchar minhas rugas?
Sou velho para você agora?!”
Ele indagou,
Retirou os chinelos
Que calçava
E bateu com eles
No rosto dela,
Até deixar a marca,
Até fazer sangrar,
Até quebrar seu nariz,
Até quebrar seus dentes
E sucessivamente.
O tempo de casados
Fez aumentar o amor,
Tanto quanto lhe aumentou
O ódio.
Masariquinha foi a primeira
A se cansar,
Arranhou novo amor,
O chamou de homem,
E contou a ele suas dores,
Ramiro, assustou-se
Com as primeiras marcas.
No dia em que Mariquinha
Foi jogada para fora de casa,
E empurrada de cima
Da escada para a calçada,
Aos gritos e solavancos de Silvio,
Ramiro se irritou,
Muniu-se de uma arma,
Estacionou em frente a casa dele e gritou
Ao sair do carro
Rumo a porta:
“Permita a Mariquinha
Que entre para a casa
Que também é dela,
E não a fora!”
 Lá de fora
Ouviu o riso alto
E sonoro de Silvio.
Irritou-se disso,
Abriu a porta
Que não estava trancada
E atirou uma única vez
Contra Silvio que estava
Sentado no sofá
Assistindo a televisão.
O tiro acertou em sua cabeça,
Perfurou até a televisão,
Apagou-a depois de a tela
Ficar primeiro escurecida,
Depois, ter algumas listras
Coloridas, então, veio o escuro.
Nisto, Silvio apenas
Pendeu a cabeça para a frente,
E ficou estagnado
Sem respirar
Nova vez.

Polícia e Tiro

Sirenes, buzinas ou apitos Não avisaram Que uma guerra Havia iniciado no país inteiro. A televisão foi cancelada Por ordem...