segunda-feira, 2 de junho de 2025

Terra Onde Nasci

São três horas da tarde
Em que estou com trinta
E cinco anos,
Muita coisa aconteceu,
Tudo evoluiu,
Contudo, eu não me arrependo
Nenhum pouco do dia
Em que eu disse:
“ Querido, sinto muito,
Não posso me afastar daqui”.
Eu sei que ele ficou pensativo,
No meu íntimo
Eu senti medo de perde-lo,
Mas meu amor pelo lugar
Em que nasci e me criei
Foi mais intenso,
Pois, ao menos
Eu fiquei firme,
Não esmoreci ante a ideia
De vê-lo ir
Pela estradinha de pedras
Ladeada por arvores,
E talvez, nunca mais voltar.
Ele olhou pro lado
E indagou:
“querida, vamos
Na cidade posso
Te dar vida melhor,
Facilitar as coisas”.
Então, ele me abraçou.
O abraço de quem
A gente ama é mais forte
Que tudo no mundo,
Todavia, eu olhei pela janela,
Vi a flor crescendo,
A banana se formando
No cacho,
A salada quase a ponto
De ser colhida
E encontrei forças
Para insistir:
“amor, aqui o sol brilha forte,
A chuva faz barulho no telhado,
O verde é intenso,
E as flores tem aroma de perfume.”
Ele me abraçou mais forte,
Via que tudo em mim
Que ele amava
Também estava lá fora,
O orvalho da lua,
A intensidade do sol,
O cheiro de fruta fresca,
Nisto, ele me amou e ficou.
Enfrentamos adversidades juntos,
Evoluímos no conhecimento
Sobre o plantio,
Na variedade da colheita,
Aqui nesta casa de madeira e alvenaria,
Temos galinhas e patinhos,
E agora se aproxima
A colheita do maracujá.
Eu não consegui abandonar
Nossa terra,
O lugar que me viu menina,
Que me fez forte
Para enfrentar as maldades,
Que me deu certa aversão
Com relação a cidade grande,
Aqui onde tudo é simples
E guardado por Allah,
Hoje somos mais felizes
Que poderíamos ser
Em qualquer lugar que fosse.

Tarde de maio e chuva

Aos trinta e cinco anos,
Eu pego o puf e estendo
Na cozinha,
Meu marido corta a lenha,
Os filhos a recolhem
Para dentro de casa,
Eu espalhou travesseiros
Sobre o puf e cobertores.
Desligamos a televisão
Em comum acordo,
Vamos juntos até a estante
De livros,
Escolhemos a melhor leitura,
Meu esposo
Acende o fogo,
Eu escolho o que começamos
A comer:
Pinhão ou amendoim assado
Na chapa...
Enquanto, o amendoim torra,
Meu esposo inicia a leitura,
Todos estão envoltos no puf,
Eu pego a chaleira
Colocou água
E levo para aquecer o chá.
Nos deitamos,
Com as xicaras de chá quente,
Comendo amendoim
Enquanto a lenha chamusca
Para fora,
E o fogo arde em tons de amarelo
E negro.
A chuva inicia sobre o telhado,
Cai feito sinfonia
Aos ouvidos,
Meu esposo me passa
A leitura e eu dou continuidade,
Depois é a vez das crianças
De um a um,
Cada qual lê um pouco.
A chuva torna-se fria,
Até virar gelo,
Lá fora tudo congela,
Aqui dentro nos abraçamos,
Estamos quentinhos.
Eu beijo meu esposo,
Nós beijamos nossos filhos,
Amor desde a infância
Sempre foi isso,
Demoramos para entender,
Mas, não tardamos perceber.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Muhamed o Príncipe da Lua

Muhamed sofreu
Ao ver o castelo
Do príncipe de ouro, Rahat,
E do príncipe de diamante Mohamed
Ser saqueada.
Levaram toda a comida
De ambos,
E o que não puderam levar
Estragaram jogando
Contra as paredes do castelo,
Neste ato, também,
Derrubaram algumas paredes
E atentaram contra os móveis.
Por sorte,
O príncipe de diamante
Não estava,
Contudo, os trabalhadores
Do castelo que estavam
Presentes neste momento
Sofreram tortura
E alguns foram mortos.
Já quanto ao príncipe de ouro,
Este estava,
Então, amarraram ele e seus pais
E bateram em todos amarrados,
O velho rei desmaiou de dor,
Os invasores deixaram
O castelo porquê tiveram
Certeza de tê-los matado.
Muhamed,
Ao saber da história
Saiu a janela
Para acenar a ambos
Que eram seus vizinhos
De reino.
Ficou tão triste
Ao notar a ausência de
Resposta dos amigos
Que chorou,
E ao sentir mais dor,
Acabou congelando.
Gelado,
Ele virou uma espécie de bola,
A própria lua viva,
Metade reflexo de luz
E lágrimas cristalinas
Metade gelo e obscuro.
Ele ficou tão incomodado
E se tornou uma bola
Tão grande
Que afastou o sol
E fez do dia noite escura.
Enfrentou tudo que havia,
Seguia a estrada rolando,
E chorando gelo,
Em sua frente fez verter
Água gelada em tudo que viu
E por trás tudo ia se tornando gelo.
Assim, entrou no castelo,
E com um sopro de ar gelado
Acordou o príncipe de ouro
E seus pais.
Ele chorou tanto
Que fez um rio gelado
Naquele aposento
Onde estavam
Mas, ninguém congelou,
Apenas acordaram enegrecidos
E trêmulo de frio,
E ao olhar seu redor
E lembrar de todo medo e dor,
Ficaram apavorados,
Mas abraçados ao príncipe lua,
Sentiram-se seguros
Para seguir
E reconstruir cada pedra
E cada móvel.
O príncipe de diamante
Vendo o príncipe lua em frente
Ao seu castelo destruído
Correu para ele com saudade
Do amigo,
E ao tornar-se diamante
Iluminou tanto o príncipe lua
Que se fez noite
Em torno do sol por
Trinta dias.
Por trinta dias
Tudo ficou obscurecido,
Como se o universo
Estivesse envolto num manto
Negro que o cegava
E o impedia de ver
Tanto ódio e crime espalhado
Mas palavras e atos
De tantos indivíduos anônimos
Prontos para fazer maldade
Com os mais fracos
E aproveitarem-se de seus declineos.
No trinta dia,
Entre a correnteza de lágrimas
Geladas do príncipe lua,
E o próprio gelo de sua dor,
Se o príncipe de ouro
E o de diamante
Não o abraçassem
Todos juraram que o sol
Iria congelar, despencar
E cair no abismo profundo.
O povo amedrontado
Fez um pacto de amizade e respeito,
Um pacto com objetivo
De evitar cometer crimes
E não apoiar atos atentatórios
Contra as pessoas,
Patrimônio e etc.
Assinado o pacto
O sol voltou a brilhar
E o príncipe lua cessou o choro.
Contudo, sua estrada nunca
Mais teve outra coisa
Que não fosse gelo,
Sua dor de tornou notória,
Gritante e evidente.
Seu jardim congelou
E nunca deixou de ter flores,
Porém, se estagnou,
Tudo virou o próprio gelo,
Até mesmo a dor
E o ódio.

A Tora de Madeira

O frio chegou de maneira imprevisível,
Tarde da noite,
No máximo madrugada,
Um sereno arredio descia
Das nuvens
Beirava a copa das árvores
E seguia percurso.
Mais tarde,
O sereno virou gelo,
Pequenos flocos desciam
Do céu feito uma cortina
De conchas da areia.
Dentro de casa
Giovana levantou correndo
Debaixo das cobertas
Para a cozinha
Acender o fogo
E manter lenha acesa
A noite toda.
Desta maneira
Foi mais simples aguentar
O gelo que caia e se alojava
Por entre as telhas
E sobre o gramado em frente a casa,
Com um pouco sobre
As árvores.
Ao amanhecer
Sentia-se como o frio
Adentrasse para dentro do cérebro
Feito filetes invisíveis
A corta-lo ao meio,
Os membros de cada um
Tremiam ao relento,
Os lábios gaguejavam
Para falar,
Parecia que o cérebro
Buscava as palavras
Para poder dize-las.
Todavia, o fogo no fogão
Manteve-se aceso
Com um brasido vermelho
E ardente,
A chama chamuscava
Para fora da boca do fogão,
Aquecendo toda a casa.
Ao sentir que aguentava o frio
Sem ferir-se ao desenvolver
O trabalho,
Dalvan saiu para fora de casa,
Testou os pés caminhando
De botas no relento do gelo
Derretendo sobre a grama verde,
Pouco gelo havia,
Isto ajudou -o a tomar sua decisão,
Ele testou seus dedos
Juntando madeira do chão
Levando-a para dentro de casa
E percebeu que sentia
Cada um de seus músculos,
Por tanto,
Convidou sua filha Giovana
E foram buscar lenha.
Juntou-se a junta de bois,
Entraram ambos,
Colocaram na carroça
E subiram a estrada
Rumo ao horizonte azul
E impecável que apenas
Um céu congelado
É capaz de ter.
Chegado dois quilômetros
Depois de casa,
Lá no finalzinho da propriedade
Eles buscaram a madeira
Que caiu com a última tempestade,
Havia eucalipto jogado
Por toda parte,
Pouco deles foi cortado
Em toras,
A maioria apenas foi jogado
Para um lado
Para retirar da estrada
E deixar livre o caminho
De passagem.
No entanto,
Depois de meses lá caído,
Eles secaram
E agora prestavam para lenha.
Dalvan e Giovana cortavam
O final de cada tora
E puxavam para a carroça
No tamanho da carroça e
Aproximado um metro após seu fim.
Nisto, Ezabelita chegou
Dirigindo a camioneta Strada,
Parou em frente aos bois,
E buscou os galhos menores.
Todos os três retornaram
Para casa as dez horas
Da manhã,
Bem cedo do dia,
Tinha muito tempo
Pela frente
E bastante lenha para cortar
E amontoar.
Chegado numa altura,
Ezabelita se assustou
Com uma cobra que trafegava
No meio da estrada,
Ela aumentou a velocidade
Da camioneta,
Engatou bem a terceira marcha,
E rumou para cima dela.
Porém, a cobra enrolou-se
De tal forma na roda
Do carro de Ezabelita
Sem parecer morrer
E o carro deslizou
Com aquela cobra pendurada,
A menina fechou o vidro da janela
E aumentava a velocidade
E freava sobre a cobra
Para mata-la.
Os bois correram com a carroça cheia,
Depois num ímpeto de medo
Estaquearam-se no meio
Da estrada
Uma madeira se deslocou,
Caiu para trás ligeira
Bateu no chão e
Quicou para os céus azuis
E gelados do Brasil,
Tomando proporções catastróficas,
Subindo naquele azul sem parar,
Até que de repente parou de subir
E simplesmente foi para a frente
Num rumo congelante e sem fim,
Até sumir no horizonte,
Mais tarde,
Assistindo o noticiário
Ao seu colocar mais lenha no fogo,
Descobriu-se
Que naquele voo louco e congelante
Ela se deparou com a esfinge
Atingindo em cheio seu nariz,
Bem na resvalada
Enquanto já estava a cair
Feito areia,
Porquê lá já não era tão frio.
Ela desceu deslizante,
Bateu no nariz
E feriu a estátua gravemente
Amputando parte de seu rosto,
Agora Dalvan decidiu ir buscar
Lenha para estocar
Antes do início do frio intenso,
Lhe pareceu mais sensato,
Mas quanto a atingir a esfinge
Ninguém comentou naquela casa,
Já o Faraó desceu de sua pirâmide
Danado da vida,
Decidiu por alguns dias
Parar seu trabalho
De construir tão alto as pirâmides.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Ladrões de Galinha

- boa tarde, Karito.
Indaga Pedrito entrando
No bar.
Karito olha bem o casaco
De Pedrito e nota penas
De suas galinhas sobre ele.
As galinhas que ainda de manhã,
Sumiram,
E que foram buscadas
Por toda parte.
- Boa tarde, Pedrito,
Soube das minhas galinhas?
Karito indagou seguro,
Já no segundo litro de catuaba.
Pedrito sem modéstia,
Pega um copo e serve-se
Da catuaba de Karito.
- O que é isso Pedrito?
Não me leve a mal,
Estou bebendo minhas dores,
Não tenho dinheiro,
Prefiro que cada um
Pague sua bebida.
Falou Karito,
Seguro de que suas dívidas 
Tomavam valor
E os produtos do qual sobrevivia
Decaiam o preço.
- que é isso vizinho,
Eu bebo da sua
Depois pago a minha
E bebemos no mesmo litro.
Respondeu Pedrito
Rindo,
Sem importa-se que sua chapa
Da boca estava deslocada.
- amigo, prefiro que não,
Sempre que isso acontece
Você marca na conta
Pra pagar depois
E o Seu Alceu me cobra
Porquê você não paga
E eu tava junto.
Disse Karito.
Pedrito pegou sua cadeira
Puxou para trás com força,
Levantando ela pro alto
E batendo no braço de Karito
Sem importa-se,
Levando junto,
Na outra mão o copo da bebida
Como disfarce.
Karito, estava embriagado,
Mas, não tanto.
Contudo, seu Alceu fez sinal
Que não houvesse briga ali,
Levantando a mão
E baixando em frente a Karito.
Nisto chega Juvêncio,
Um vizinho de ambos.
- e aí, Pedrito,
Mas galinhas boas
Aquelas que comemos
Ontem, heim?
Carne da melhor!
Ele falou,
Cumprimentando Pedrito
Com duas batidas
De mão aberta
Em seu ombro,
Seguro e feliz.
-Ora, Juvêncio,
Quando você quiser tem,
Você sabe que lá em casa
Comida não falta!
Respondeu,
Levantando-se
E abraçando o amigo.
- Olha Pedrito,
Se você diz isso porquê 
Cada vez que some as galinhas 
eu me importo,
Saiba que buscaram estás nos ninhos
Deixando os ovos no relento.
Agora, os pintinhos não irão nascer,
E as crianças gostavam
Dos bichinhos...
Respondeu Karito.
Depois referindo-se a Juvêncio:
- o senhor sabe
A gente que tem os bichinhos
Escolhe os favoritos
Pra manter a qualidade da espécie,
Você tem suas galinhas também.
Pedrito nunca riu mais.
- Juvêncio, tem galinhas?
Ele nunca comprou uma!
Ele odeia esses bichos,
Ele mesmo confidenciou
Que prefere não ter este tipo
De carne a comprar tais animais!
Hahaha.
Pedrito falou alegre,
E voltou a servir-se
Do litro de catuaba de Karito.
- como é que é Pedrito?
Vocês dois tem ido  buscar
Sem pedir minhas galinhas
E ainda levam veneno
Pro meu quintal
Pra matar os cães que cuidam
Os ninhos?
Meus dois cães de guarda
Amanheceram caídos e
Salivando espuma?!
Karito irritou-se.
Levantou-se de sua cadeira
E pegou Pedrito pelo pescoço.
- ladrões,
Ladrões assassinos,
Quem tem coragem
De não comprar
E ir buscar sem pedir
É um assassino,
Minha família é pobre
Precisa dos bichinhos.
Por quê fazer isso?

Todavia, Pedrito
Não se apiedou
Ergueu a mão com ódio
E acertou um soco
Em cheio na cara de Karito,
Que caiu para trás
Batendo a cabeça
Contra a mesa do bar.
Sangue começou a jorrar
De sua cabeça,
Escorrendo pelos cabelos,
Ele, então, juntou uma cadeira,
Um tanto as cegas
E jogou com toda a força
Contra aquele que ria sem parar,
Ele não via direito,
Tinha sangue e suor
Escorrendo por sua testa
E olhos,
Então, acertou Alceu,
O dono do bar.
Alceu caiu sobre as garrafas
De bebida,
Uma garrafa quebrou-se
E cortou sua jugular.
Alceu jorrou metros de sangue
Pra cima,
Morreu tremendo.
Karito, juntou seu casaco
E foi embora.
Pedrito e Juvêncio continuaram
Bebendo até acabar o estoque
De bebidas.
Depois disso,
Karito colocou
Uma placa em frente
As suas terras
Escrito:
“ Vende-se.”

Um Bom Vinho

Depois da segunda taça
De vinho bordô
Tomada em frente a lareira
Do fogão a lenha
Herança da vovó,
Recorda-se até trinta anos passados.
Lá por aquelas idades
A coisa do crime era mais formalizada,
Polícia ainda era polícia
E bandido tinha cara,
Facilmente andava-se
Pelas ruas
E reconhecia-se um.
O problema é a formatação
Da sistematização,
Tudo misturou-se
Já não usa-se farda
Para roubar bancos,
Pode-se ser confundido
Com um policial,
E ser chamado de corrupto
Na cara,
Ainda ter de discutir
Por quê fulano
E ciclano estão por aí as soltas...
A verdade
É que a mentira foi configurada,
Dizia meu tio:
“ Meu irmão,
Deus me livre
Ser estuprado pelo fulano,
Olha,
Prefiro que ele me mate!”
Fulano era tão feio
Que se enojava o ato
De ser submetido
Ao prazer de maldito bandido.
“A morte ou um foragido!”
Grita-se logo na partida
Pra não haver mal uso da bebida.

Bianca IV - Cede ao Luto

-A paixão
Concede-se o perdão!
Rainha Bianca falou
Com voz macia
No leito de medicação de Álvaro.
Ele sorriu,
Deu sinal de vida,
Sem poder abrir os olhos,
Ainda.
Ela lhe devolveu o sorriso,
Ele estremeceu,
Parecia perceber seu carinho,
Mesmo sem vê-la,
O amor tem dessas coisas.
Contudo, ela buscou sua mão,
Deu-lhe o aperto suave
Que lhe deu em cada vez,
Foi a primeira vez que ele devolveu,
Roçou os dedos suaves
Contra os dela.
- você sente?
Ela indagou.
- estás vivo!
Está é a bondade de Allah,
Salvar a quem a medicina desenganou.
Ela disse mais para si mesma.
Os médicos desistiram de medicar,
Porém, Bianca encomendou
Pomadas feitas na própria cozinha
A base de erva cidreira
E folhas de lima,
E insistiu em limpar os ferimentos
E cuidar de Álvaro.
Três meses
Ele permaneceu dormente
Sem sinais vitais intensos,
Em cada dia
Ela o visitou,
Em todos o cuidou.
Dois meses depois de mexer-se,
Saiu da cama,
Passou a dormir com ela.
Um dia, próximo às onze
Uma faxineira bate a porta:
- senhora,
Há uma notícia a lhe ser dada.
Bianca levantou-se,
Com os cabelos em desalinho,
Fazia frio,
Sentada entre as cobertas
Permitiu a entrada da moça.
- abra a porta e entre.
Ela o fez.
- senhora, lhe informo
Que Vanessa sobreviveu
A briga acalorada entre
Vossa Magestade e Álvaro...
Disse a moça.
- eu não soube disso.
Respondeu Bianca,
Álvaro simplesmente
Se acolheu num travesseiro.
- meu Deus, quanto um erro
É capaz de perseguir
Uma pessoa,
Eu não mereço Senhor,
Eu não mereço.
Ele disse.
- prefiro a morte,
Perder minha esposa
Por uma estupidez,
Antes a morte
Sangrenta em dor lancinante!
Ele disse,
Pôs-se a chorar.
Bianca bateu em suas costas,
Sobre o cobertor
Em sinal de simpatia e calma.
- tá bem, fico feliz por Vanessa.
Ela está com a família dela,
Cuidando da horta de casa?
Indagou com olhar choroso.
- na verdade,
Logo depois de melhorar,
Ela descobriu estar grávida,
Nasceu a criança
E é um menino,
Ela pediu se Vossa Magestade
Gostaria de ver a criança?
Indagou Karine.
- um filho,
Do ato tão deplorável emergiu um filho,
De Álvaro?
Perguntou Bianca,
Ficando em pé nua,
E caminhando até a janela
Fechada
Sem notar o frio
Contra seu corpo que tremia.
- senhora,
Não sabe-se de outro relacionamento
De Vanessa,
No entanto,
O filho é de Álvaro caso seja
Sua vontade...
- quem lhe falou que seria
Desta forma Karine?
Indagou Bianca perplexa.
-meu Allah.
Gritou Álvaro.
Depois se levantou
Enrolado no cobertor de lá
De carneiro e correu até Bianca.
- me diz o que lhe sou?
Me fala o que mereço,
O farei!
Ele lhe disse,
Abrigado aos seus seios
Quentes e arfantes.
- preciso que se separe de mim,
E case-se com Vanessa
Assuma seu ato
E seu filho...
Antes de sair do quarto,
Retire a coroa
E a guarde no roupeiro...
Fui tudo muito rápido,
Foi um erro...
Karine, informe ao povo
Meu luto
E viuvez.
Ela disse,
Dando-lhes as costas.
- o quê?
Deseja minha morte?
Indagou Álvaro
Deixando cair o cobertor.
Karine gritou espantada,
Ele virou-se
Sem preocupar-se
Com sua falta de roupa.
Bianca olhou rápido
Para trás para ver
O que motivou o grito.
- Álvaro vista-se,
Karine prontifique dois guardas
Para retira-lo do castelo,
Providencie o casamento,
Doação de donativos,
E envio do casal com seus
Respectivos entes para outro reino...
Então, virando-se para Álvaro
Encerrou:
- não quero mais ver-lhe
Ou ter notícias de ambos.
- guardas, por favor.
Chamou Karine da porta.

Destino à ROCAM