sexta-feira, 22 de maio de 2026

Amada

O escuro do alvorecer
Esconde as lágrimas
Deste jovem que sofre
Por seu bem-quer
Mas precisa ir.

Finalmente, um beijo
E uma noite,
Mas o sol não se esconde,
Acorda e chama,
E o véu da noite
Vai sumindo,
Feito o calor
Que fica na pele
Depois de tórrida
Noite inflamada
De amor e desejos.

Dizer adeus,
Despedir-se
Há quem é permitido?
Não,
Não serei eu
O dono deste amor bandido,
Choro e sofro calado.

Em silêncio
Eu parto,
Mas, não verá
Meu pranto,
E distante
Recordara meu riso
Por cada beijo
Que me permitiu
Te entregar
Sôfrega amada,
Que dorme serena
A espera de que
Eu possa voltar.

Arrebatadora paixão

Um coração que ama
Não sabe despedir-se,
Ele chora,
Reclama
Não deseja distanciar-se.
Emerson aproveitou a neblina
No frio do inverno,
Tarde da madrugada
E foi até o quarto
De sua amada.
Abriu a porta de soslaio,
Entrou sem pressa,
Era o dia do adeus,
O tormento,
A miséria por dentro,
O adeus temido,
Evitado e imprescindível.
Pobre menina,
Apaixonada e sonhadora,
Não imagina
Que no conforto
De seus sonhos
Este por quem sonha
Aqui está
E tão perto,
Mas, não poderá toca-la,
Ao contrário,
Despede-se
Sem vislumbrar retorno.
Inseguro,
Retém as lágrimas
E sente que a cortina
Se move no escuro,
Ele treme
E esconde-se,
É o adeus,
Não há remédio.
Deseja que não seja
Sua amada moça,
Que o escuro
Que tanto lhe dá forças
Para partir,
Não o entregue
E a faça vê-lo.
Serena,
Ela suspira,
Está na cama
E dorme a sua menina.
Emerson chora
De sua fraqueza,
Não consegue pronunciar
O inevitável adeus
Que a alma
Tanto rejeita:
“Fique com Deus,
Amada minha!”
Ele pensa alto.
Tão alto que chega
A ela o seu calor
E a beija na face,
Só um beijo
Ao seu amor,
Nem uma frase,
Nem abraço.
Abre a porta e sai.
Inevitável paixão
Dá arrebatadora moça,
Fez-se de solidão
E lágrimas.

É mãe!

Ocorreu na cidade,
Que a moça de família,
Foi trabalhar de empregada
A mulher respeitada.
No entanto,
Quis o futuro
Ser desvantajoso,
Retirou tal mulher
De seu lar
De maneira cedia.
Morreu,
Seu esposo
Viúvo e cansado,
Apaixonou-se
De logo pela moça.
Deste relacionamento
Nasceu seu primeiro filho,
No hospital
Não poderia
Ser mais comentada
A beleza da criança,
Que de tão linda
Assim nunca foram vista.
Nem dos médicos,
Ou de outros patrões,
O filho herdou beleza
Inigualável,
Lindo menino sadio
E esperado.
Os pais da moça
Esperam-na
No corredor
Desejam ver a filha,
Trazem com eles
Uma linda camisola
De amamentar:
É mãe,
Viva a menina!

Apego

Me apego a você
Feito uma oração,
E sinto na alma,
Tudo está perfeito,
Não há erro,
Nem o que remediar
É assim mesmo.
Te conhecer
Fez cada ano de espera
Ser inacreditavelmente bom,
Ter você comigo
Afasta outros desejos,
Acalma o fogo,
Afugenta medos,
Meu esperar agora
É por sua volta
Do trabalho.
Acreditar que você própria
Merece um bom homem
É o maior empreendimento
Que você possa se dar,
Um homem mau
Te afasta do que é bom
E não há volta,
Um bom homem
Te conduz,
Te protege
E não há volta!
Acredite em si própria,
Você merece
Um homem que te ame
E cuide de você,
Desiste de amores fracos,
Que retiram o que
Você tem
E só acrescentam prejuízos.
O dinheiro é substituível,
Mas, a mente não,
E quando ela falha,
Tudo o mais vai para o chão,
Mesmo aí
É preciso um bom homem
Para te levantar,
Os pais não duram
Para sempre
E filhos precisam ser
Amados e cuidados também.

Não me calo

Olha, meu amor
Eu não te coloquei
Num pedestal,
Ou não espalhei
Seu nome,
Mas, pedi a Deus:
Livra-o de todo o mal.
Eu esperei você
Na estrada,
Só pra ver
Você passar,
Eu esperei você
Na sala,
Sonhando que
Você iria entrar.
Eu esperei você
Na porta,
De chave
E vinho na mão,
Eu aguardei você
Com toda paixão,
Meu bem-querer.
Mas, compreenda
Estes lábios cerados
Não querem se calar
E abertos
Desejam você lá,
Não é outro nome,
Eu fecho os olhos
E sonho:
Então, você está!
É de arder
Está vontade
Que não se cala,
Deseja você
De falar
E atitude,
Eu não posso
Me conter,
Não me caibo
Preciso, por favor,
De você!
Eu te amo.

Perdi a casa para as dívidas

Eu teria perdido
As pernas
Tamanha tremedeira
Que me abateu
Quando recebi o documento,
Minha casa estava sendo
Expropriada por dívida,
Isso mesmo,
Estava sendo nomeada
Para leilão.
Não poderia ser pior,
Eu odiei meu carro novo,
Odiei os mil vestidos,
As vezes todas
Em que fui para o restaurante
E só quis
Ter um cantinho
Onde recostar a cabeça
Para descansar.
Mas, não tinha,
Eu estava sendo avisada
Que deveria deixar
O imóvel
Nas condições em que
Se encontrava,
A partir daquela hora
Eu não tinha um lar,
Eu não poderia fechar
A porta,
Passar a chave e ignorar.
Estava tudo feito,
Perdi a casa
E tudo dentro,
Teria que sair,
Entregar a chave
E ir...
Para onde?

Vamos Cuidar de Nós

Agora, amor,
Estamos juntos,
Abandonamos ideias antigas
E construímos nossa família
Em novas ideias.
Mas, nossa base
É expressa pelo que
Trouxemos de casa
E nisso,
Não repetimos
O que está na rua,
Viemos de um lar,
De uma casa,
De um abrigo.
O que anda nas calçadas
Fica por lá,
O que corre nas ruas
Fica por lá,
Se nos entendemos
E nos aceitamos
Foi pelo que somos,
Foi pelo que fomos
E isso nos colocou juntos,
Não o que os outros
Fizeram ou acreditam.
Ideias que correm línguas
Ficam por lá,
Nossa família
Tem alicerces
Que não quebram,
Não podemos repetir
O que é ouvido,
Deixa disso,
Nós temos outras perspectivas,
Vamos cuidar de nós.

Destino à ROCAM