sábado, 30 de maio de 2026

Armado Desarmado

O fuzil é a arma
Do dinheiro,
Custa caro,
Faz estrago,
Mas tem seu custo.
O policial que trabalha
Tem medo de mostrar a cara
E se identificar como
Um provedor da lei,
Um ativista social,
Um trabalhador honesto
Que ganha seu sustento
Com o suor de seu rosto
Em portar armas pequenas
Pra proteger o grande povo.
Você que usa fuzil é esperto,
Em quê?
Protege a si mesmo
E é protegido pela polícia,
Mas quem é que te mata?
É o bandido que está
Do seu lado
Que te vendo tão pequeno
Te vende arma a preço
De sua vida,
Retira você do lar,
Deturpa a função de sua família
E aí, cheio de droga
No nariz,
Você não sabe onde
Sua mãe está
Ou o que ela pensa de ti.
E perdido,
Você entra em conflito,
Se agarra em todos os riscos,
Põe o dedo no gatilho
E atira onde é mandado,
Mas, em que você é ajudado?
Só quem te vê agora
E pode te abrir espaço
É aquele cidadão lá de trás
Abandonado,
Que mesmo sendo seu alvo
Também foi até você
Te dar uma oportunidade
Então, entra sua grande chance:
Voltar pra sua família,
Ter casa, honradez e alicerce
Ou matar o policial
Que desde o início
Foi o único que te falou
A verdade:
Está arma que você carrega
Tem peso enorme
E só te leva pra terra,
Vale o preço?
Ser cobaia de rico armado
Ou você acha que
Ele que te manda
Vive com você nos becos?
Cadê sua mãe,
Cadê seu pai
Quando você tem seus pesadelos?
Você paga com a vida
Por coisas que só um outro
Irá usufruir,
Você é usado,
Responde por crime
Que não fez
Porque se vê obrigado,
Iludido,
Um armado desarmado,
Sem psicológico
Para conflito.
Fuzil é arma de morte
Pra você,
Pra quem te vende
Pr’quele que você pende,
Em que você se mede?

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Um Bandido Matou Meu Irmão

Eu estive com minha mãe,
Foi difícil,
Depois de 15 anos
Que meu irmão faleceu
Um rapaz apareceu.
Ele estava embriagado,
Ria sem parar,
Fazia ameaças,
E eu me aproximei dele,
Sem saber por que,
Escorrei minha cabeça
No seu ombro
E fiquei ouvindo ele.
Ele contou como conheceu
Meu irmão
E como o matou
Naquela data tão distante,
Eu ri entre riso e choro
E indaguei a ele
Sobre o assassinato.
Eles estavam num bar,
Bebiam e jogavam baralho,
Uma garota sentiu
No colo deste rapaz,
E no intuito dele,
Ela preferia estar
Com meu irmão.
Eles beberam muito,
Então, brigaram desferindo
Socos e chutes,
Ele conseguiu bater
Muito bem,
Mas, segundo o rapaz,
Meu irmão não era
Adaptado a receber
Pancadas e resistir...
Pois é,
Foi o fim.
Ele conseguiu fugir,
Na ideia deste rapaz
Por causa de um grito,
Que ele olhou bem sério
Para o meu rosto
E disse:
“o seu!
E eu vim busca-la!”
Eu sorri
E beijei ele.
E quis tanto ver meu irmão,
Então, o vi,
Ele está lá no caixão
E não há mais nada,
Só ossos,
Algo de flores
E algo de roupa,
Ele está lá,
E em nenhum outro lugar.
Voltei e abracei
Aquele rosto,
E apertei,
Ele sorria disposto,
E pareceu que eu não chorei.
Eu passei todo esse tempo
Buscando esse depoimento,
E ele veio até eu
Sorrateiro, sereno
E digno de má fama.
Ele não tinha alguns dentes,
Disse que se deve
Aquela briga,
E contou que meu irmão,
Ouvindo meu grito
Fugiu com vida,
Mas, ele foi mais rápido,
Fugiu atrás
E o alcançou.
Chegou por trás
Passou a perna no pneu
E a moto caiu,
E na opinião do rapaz
Ele caiu morto.
Mas o rapaz desceu
Da moto,
Retirou o capacete dele
E feriu o rosto
Do meu irmão
Com o capacete,
Ele queria fazer sangue,
Retirar sua beleza,
Roubar sua vida,
Ele me olhou e disse:
“Credo,
Eu olho pra você
E vejo ele”
Ele falou e segurou
Meu rosto
E acho que beijou
Minha boca.
Ele estava sentado
Numa cadeira
Ao meu lado.
Eu o empurrei,
E ele disse que ele próprio
Chamou a funerária
Onde eu,
Horas depois
O achei sem vida,
Morto,
Perdido pra sempre,
Ele contou que roubou
Meu irmão
E que ainda usava
As correntes que ele tinha,
Ele falou:
“Olhe, são tão lindas!”
E mexeu na perna
Na calça jeans azul dele,
Não havia nada ali,
Mas, ele via.
“Eu chego a ver elas”.
Eu me arrepiei,
Senti algo de vago
Em meu peito,
Pareceu que meu irmão
Levantou de lá
Do caixão
E sorriu,
Naquele escuro e frio,
E soube lá é sempre frio,
Nunca mais
O calor te alcança.
Nem a luz,
Nem o sorriso,
Nem a saudade,
Nem a vida.
Restavam dele ainda
Todos os dentes,
Eu não sei porque
Vi tudo isso,
Eu me permito ver
O rosto do meu irmão
Com vida,
Logo após isso
Voltou a memória,
As imagens,
Os abraços,
A vida.
Um sopro de vida
Me buscou
E tive a chance
De ver ele de novo,
E ouvi sua voz,
E vi seu rosto,
E vi ele em pé,
E perto,
E ele disse:
“vamos Marcos
Está tarde,
Logo o sono vem!”
Eu ouvi sua voz rouca
E grossa,
E vi seus olhos
Me olharem,
E suas mãos me protegerem.
Eu segurei Marcos,
Apertei sua mão
E disse: “credo você me buscou!”
Ele respondeu:
“Sim, sempre!”
Eu abracei ele,
E ele continuou a contar,
“ele esqueceu de mim?”
Eu perguntei,
Ele riu
E disse:
“Não, ele não esqueceu
De ninguém,
Ele só falava em amor,
Eu apelidei ele Amor”
Eu disse:
“Nossa, o nenê?
O nenê falou de mim?”
Ele me olhou irritado
E respondeu:
“so sinto ódio,
Não sinto nada por ele,
Você me tirou tudo
Nisso de vir
Te procurar
Para te matar,
Eu não tenho mãe,
Pai, esposa ou filhos,
Eu perdi tudo
Vindo atrás de você!”
Eu sorri
E me babei de tremor:
“De mim,
Mas, estou sempre
Tão simples
E por aí,
É tão fácil “
Eu falei
E ele respondeu:
“Pareceu,
Sempre pareceu,
Mas, o nenê
Não te deixou,
Ele disse antes de morrer –
Eu briguei com a LINE,
(LINE, este é o seu nome,
Me lembrei),
Eu briguei com a LINE
E quero ir ver ela,
Eu amo ela.”
Eu sofri e disse
“Eu te amo nenê,
Eu te amo muito nenê,
Eu quero você
Vivo nenê!”
E ele levantou em pé
E respondeu:
“Mas eu não,
Eu matei ele,
E eu mato de novo
E mato você!”
E eu olhei assustada
Para aquele monstro enorme
E ele falou:
“Enquanto ele levava socos
E sentia dor
Logo ele gritou
E implorou e gritou alto
Feito um homem,
Nos seus 19 anos,
Ele dizia – conte pra minha
Mãe que eu amo ela,
Diga pro meu pai
Que eu amo ele,
Diga pra LINE
Que eu amo ela,
Eu não vou resistir,
Eu sinto muita dor,
Eu não vou resistir,
Eu amo eles,
Eu amo a família,
Eu não vou resistir,
Por favor,
Me perdoe,
Pare,
Está doendo!”
Eu senti um tiro
Percorrer meu peito,
Entrar e cair no fundo,
“Meu irmão chorou,
Sofreu,
Me amou,
Meu Deus!”
Ele me olhou de volta
E continuou:
“Me ajude Aline,
Eu sempre tive você,
Me ajude Aline,
Eu sempre tive você
Minha irmã mais velha,
Me ajude Aline,
Pai e mãe
Batam nele por mim
Ele está me matando!”
Meu irmão
Meu Deus,
Eu apertei a gordura
Daquele homem
Da sua cintura
E disse:
“Meu irmão,
Meu Deus,
Cara, você está
Me convencendo!
O nenê sofreu
E doeu”.
Ai eu abracei aquele rapaz
Abracei forte
E não queria soltar,
Eu queria o cheiro
Do nenê com vida,
Eu queria o sorriso dele,
Eu queria o abraço dele,
Eu queria amar,
Aí eu deixei ele ir,
Se eu acreditar nisso
Eu preciso parar de procurar,
De olhar de rosto a rosto,
Porque nunca mais
Meu irmão vai estar.
Ele apelidou meu irmão
De amor,
Ele riu dele implorando
Por socorro,
Ele continuou a bater
Mesmo com meu irmão
Lhe oferecendo dinheiro,
E o que mais fosse,
Meu irmão disse:
“fale com a LINE,
Ela resolve!”
Eu disse:
“meu Deus!”
E caí sobre meu peito,
Eu não resolvi,
Eu não cheguei a tempo,
Eu estava a 50 quilômetros
De distância.
“Meu Deus!”
Ele dizia:
“Meu pai paga,
Meu paga,
Seja o que foi
Que eu fiz
Minha família dá um jeito!”
Eu não dei,
Eu olhei pra ele
E não fiz nada,
Minha mãe tentava
Estapear ele
E eu disse:
“pare mãe,
Ele está brincando!”
Eu não tive coragem
De fazer nada
Aí olhei pra ele e falei:
“ele matou,
Ele matou meu nenê,
O teu nenê mãe,
O Gilvan,
Matou!”
Eu não pude fazer nada.
Quando um bandido
Decide matar
Ele não para por nada,
Não importa
Qual argumento
Você tenha
Ou artifícios,
Ele te mata.
Um bandido
Matou meu irmão.

Cansaço

Eu poderia estar chorando,
Me ferindo
E odiando tudo que sinto,
Eu poderia estar
Me sentido perdido,
Poderia estar por aí
A esmo
Buscando um meio
De me preencher
Sem objetivo.
Meus problemas
Me enchem a cabeça,
Minha visão
Se embaralha,
É difícil buscar respostas,
Eu odeio ser tão incomodado,
É tão difícil respeitar?
Mil ligações a todo instante,
Sempre a mesma pessoa
Uma vez atrás da outra,
O que deseja?
Se não atendi
Por que insiste?
Eu preciso descansar,
Relaxar,
Me distanciar de tudo,
Não suporto
Tanta gente perto,
Tanta intromissão,
Tanto querer saber
Sobre o que
Não quero dizer,
E querer falar
Sobre assunto
Que me recuso,
Estou cansado,
Só queria solucionar isso,
Vou nadar um pouco
Ou jogo o celular na privada?

As Vozes

Certa hora
As vozes
Invadiram minha casa
E permaneceram pra sempre,
Não respondo
Por minhas atitudes,
Não consigo
Pensar de maneira indiferente,
Me vejo a vagar
Entre o que dizem
E fazem
E eu sem saber
Que atitude devo tomar,
Que atitude
Me levaria até você.
Algumas se interessam
Por você,
Outras se distanciam,
Outras te odeiam
Como a eu,
Como me aproximar,
Chegar até você
E fazer com que
Você entenda
O que eu sinto
E minha incapacidade
De falar tanto,
Eu sinto medo,
Eu desisto das coisas,
Eu tento de volta,
E rodo no seu entorno
Com objetivo fixo:
Você fica comigo?
Me interprete bem,
Eu nem sempre
Estou livre
De ouvir o que não quero,
Pensar o que não convém
E achar que sou o assunto
De todo lugar que cruzo,
Mas, eu amo você,
E me sinto capaz
De te proteger,
Eu te livro desse tormento
De ouvir vozes
E obedecer feito um bobo,
Há tantos que se perdem
Por obedecer
E pegarem caminhos
Sem retorno,
Há muitos que lucram
Com esse meio de viver,
Eu estou noutro patamar,
Ouço porque sou obrigado,
Tenho conhecimento
De que este meio de viver existe,
E não lucro com isso
Ou busco meios
De que estes métodos
Continuem a existir,
Eu odeio as vozes,
Mas, eu amo você,
Você fica comigo
Apesar delas fazerem isso?
Entenda, eu odeio
Ser o alvo,
Mas, eu protejo
Você de ser objeto
Nas mãos delas,
E vamos organizar um meio
De que elas sejam eliminadas,
Eu não aguento mais,
E amo você demais.

Problemas

Me dói a cabeça
Discutir tanta coisa,
Me preocupar tanto,
Eu me vejo perdido,
Sem ter em que
Me recostar
E me acalmar.
Por que há tantos problemas,
Resolvo os meus,
Os da família
E outros tantos,
Me canso,
Já não tenho capacidade
De me ver tão forte.
Quero caminhar,
Correr até suar,
Quero resolver,
Não sei como fazer.
Parece que as respostas
Voaram pra tão longe,
E me canso tanto
Que chega a doer,
Deus me dá uma chance
Preciso muito me resolver,
Cadê a garota que amo
Para me abraçar
E envolver,
Não quero me curar
De outra forma,
Preciso da minha garota
Comigo,
Meu Deus,
Tanto problema
Pra quê?

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Engatilhado

Chega um dia
Que você se cansa
De mirar e atirar,
Um dia o braço pesa,
A força cessa,
E quando você puxar
O gatilho
Erra o alvo.
E os tiros
Ficam mais esparsos,
As balas são controladas
E os alvos medidos,
Conta o tic e tac
Do relógio,
O sino dobra
E a arma é engatilhada,
Então, sem por que
O tiro não sai
A mão baixa
Até a perna
E o tiro fica preso,
O dedo sai do gatilho.
Os inimigos precisam diminuir,
Ou você dobra eles
Ou eles te comem,
É assim.
O dedo não ficou
Para estar grudado
No ferro,
Um homem não precisa
Andar municiado
Feito um robô,
Não,
Precisa haver um fim,
O tic e tac
Precisa funcionar
De outra forma,
O sino que embala
Precisa ter calma.
A arma se desvencilha
Da mão,
Dá um descanso
Ao peito que inflama
E ressoa alto,
E não há perdas,
Só risos soltos
Pra sempre.

Meus Pais

Meus pais se separaram,
E depois casaram-se
Com outros cônjuges,
Eu me separei
E escolhi ficar só.
É difícil seguir,
Viver uma vida plena,
Se livrar dos medos
De tão pouco tempo
E que estão
Sempre tão vivos.
Eu já não me entroso
Com meus pais
Da mesma forma,
Em suas casas
Há sempre um estranho
E na minha casa,
Só há eu.
Eu tento construir sonhos,
Buscar minhas verdades,
Não desistir de tudo,
Mas, é tão difícil
Ver meus pais
Tomando novo caminho
Enquanto vou ficando para trás.
Ideias antigas
Me mantém,
Ideias novas
Levam eles,
E já não posso ver,
E vendo não posso estar,
E estando não posso ficar.
Não há mais lugar
Para mim
Onde eu nunca imaginei
Que um dia iria partir.

Casada, Mãe e Trisal