sexta-feira, 29 de maio de 2026

Um Bandido Matou Meu Irmão

Eu estive com minha mãe,
Foi difícil,
Depois de 15 anos
Que meu irmão faleceu
Um rapaz apareceu.
Ele estava embriagado,
Ria sem parar,
Fazia ameaças,
E eu me aproximei dele,
Sem saber por que,
Escorrei minha cabeça
No seu ombro
E fiquei ouvindo ele.
Ele contou como conheceu
Meu irmão
E como o matou
Naquela data tão distante,
Eu ri entre riso e choro
E indaguei a ele
Sobre o assassinato.
Eles estavam num bar,
Bebiam e jogavam baralho,
Uma garota sentiu
No colo deste rapaz,
E no intuito dele,
Ela preferia estar
Com meu irmão.
Eles beberam muito,
Então, brigaram desferindo
Socos e chutes,
Ele conseguiu bater
Muito bem,
Mas, segundo o rapaz,
Meu irmão não era
Adaptado a receber
Pancadas e resistir...
Pois é,
Foi o fim.
Ele conseguiu fugir,
Na ideia deste rapaz
Por causa de um grito,
Que ele olhou bem sério
Para o meu rosto
E disse:
“o seu!
E eu vim busca-la!”
Eu sorri
E beijei ele.
E quis tanto ver meu irmão,
Então, o vi,
Ele está lá no caixão
E não há mais nada,
Só ossos,
Algo de flores
E algo de roupa,
Ele está lá,
E em nenhum outro lugar.
Voltei e abracei
Aquele rosto,
E apertei,
Ele sorria disposto,
E pareceu que eu não chorei.
Eu passei todo esse tempo
Buscando esse depoimento,
E ele veio até eu
Sorrateiro, sereno
E digno de má fama.
Ele não tinha alguns dentes,
Disse que se deve
Aquela briga,
E contou que meu irmão,
Ouvindo meu grito
Fugiu com vida,
Mas, ele foi mais rápido,
Fugiu atrás
E o alcançou.
Chegou por trás
Passou a perna no pneu
E a moto caiu,
E na opinião do rapaz
Ele caiu morto.
Mas o rapaz desceu
Da moto,
Retirou o capacete dele
E feriu o rosto
Do meu irmão
Com o capacete,
Ele queria fazer sangue,
Retirar sua beleza,
Roubar sua vida,
Ele me olhou e disse:
“Credo,
Eu olho pra você
E vejo ele”
Ele falou e segurou
Meu rosto
E acho que beijou
Minha boca.
Ele estava sentado
Numa cadeira
Ao meu lado.
Eu o empurrei,
E ele disse que ele próprio
Chamou a funerária
Onde eu,
Horas depois
O achei sem vida,
Morto,
Perdido pra sempre,
Ele contou que roubou
Meu irmão
E que ainda usava
As correntes que ele tinha,
Ele falou:
“Olhe, são tão lindas!”
E mexeu na perna
Na calça jeans azul dele,
Não havia nada ali,
Mas, ele via.
“Eu chego a ver elas”.
Eu me arrepiei,
Senti algo de vago
Em meu peito,
Pareceu que meu irmão
Levantou de lá
Do caixão
E sorriu,
Naquele escuro e frio,
E soube lá é sempre frio,
Nunca mais
O calor te alcança.
Nem a luz,
Nem o sorriso,
Nem a saudade,
Nem a vida.
Restavam dele ainda
Todos os dentes,
Eu não sei porque
Vi tudo isso,
Eu me permito ver
O rosto do meu irmão
Com vida,
Logo após isso
Voltou a memória,
As imagens,
Os abraços,
A vida.
Um sopro de vida
Me buscou
E tive a chance
De ver ele de novo,
E ouvi sua voz,
E vi seu rosto,
E vi ele em pé,
E perto,
E ele disse:
“vamos Marcos
Está tarde,
Logo o sono vem!”
Eu ouvi sua voz rouca
E grossa,
E vi seus olhos
Me olharem,
E suas mãos me protegerem.
Eu segurei Marcos,
Apertei sua mão
E disse: “credo você me buscou!”
Ele respondeu:
“Sim, sempre!”
Eu abracei ele,
E ele continuou a contar,
“ele esqueceu de mim?”
Eu perguntei,
Ele riu
E disse:
“Não, ele não esqueceu
De ninguém,
Ele só falava em amor,
Eu apelidei ele Amor”
Eu disse:
“Nossa, o nenê?
O nenê falou de mim?”
Ele me olhou irritado
E respondeu:
“so sinto ódio,
Não sinto nada por ele,
Você me tirou tudo
Nisso de vir
Te procurar
Para te matar,
Eu não tenho mãe,
Pai, esposa ou filhos,
Eu perdi tudo
Vindo atrás de você!”
Eu sorri
E me babei de tremor:
“De mim,
Mas, estou sempre
Tão simples
E por aí,
É tão fácil “
Eu falei
E ele respondeu:
“Pareceu,
Sempre pareceu,
Mas, o nenê
Não te deixou,
Ele disse antes de morrer –
Eu briguei com a LINE,
(LINE, este é o seu nome,
Me lembrei),
Eu briguei com a LINE
E quero ir ver ela,
Eu amo ela.”
Eu sofri e disse
“Eu te amo nenê,
Eu te amo muito nenê,
Eu quero você
Vivo nenê!”
E ele levantou em pé
E respondeu:
“Mas eu não,
Eu matei ele,
E eu mato de novo
E mato você!”
E eu olhei assustada
Para aquele monstro enorme
E ele falou:
“Enquanto ele levava socos
E sentia dor
Logo ele gritou
E implorou e gritou alto
Feito um homem,
Nos seus 19 anos,
Ele dizia – conte pra minha
Mãe que eu amo ela,
Diga pro meu pai
Que eu amo ele,
Diga pra LINE
Que eu amo ela,
Eu não vou resistir,
Eu sinto muita dor,
Eu não vou resistir,
Eu amo eles,
Eu amo a família,
Eu não vou resistir,
Por favor,
Me perdoe,
Pare,
Está doendo!”
Eu senti um tiro
Percorrer meu peito,
Entrar e cair no fundo,
“Meu irmão chorou,
Sofreu,
Me amou,
Meu Deus!”
Ele me olhou de volta
E continuou:
“Me ajude Aline,
Eu sempre tive você,
Me ajude Aline,
Eu sempre tive você
Minha irmã mais velha,
Me ajude Aline,
Pai e mãe
Batam nele por mim
Ele está me matando!”
Meu irmão
Meu Deus,
Eu apertei a gordura
Daquele homem
Da sua cintura
E disse:
“Meu irmão,
Meu Deus,
Cara, você está
Me convencendo!
O nenê sofreu
E doeu”.
Ai eu abracei aquele rapaz
Abracei forte
E não queria soltar,
Eu queria o cheiro
Do nenê com vida,
Eu queria o sorriso dele,
Eu queria o abraço dele,
Eu queria amar,
Aí eu deixei ele ir,
Se eu acreditar nisso
Eu preciso parar de procurar,
De olhar de rosto a rosto,
Porque nunca mais
Meu irmão vai estar.
Ele apelidou meu irmão
De amor,
Ele riu dele implorando
Por socorro,
Ele continuou a bater
Mesmo com meu irmão
Lhe oferecendo dinheiro,
E o que mais fosse,
Meu irmão disse:
“fale com a LINE,
Ela resolve!”
Eu disse:
“meu Deus!”
E caí sobre meu peito,
Eu não resolvi,
Eu não cheguei a tempo,
Eu estava a 50 quilômetros
De distância.
“Meu Deus!”
Ele dizia:
“Meu pai paga,
Meu paga,
Seja o que foi
Que eu fiz
Minha família dá um jeito!”
Eu não dei,
Eu olhei pra ele
E não fiz nada,
Minha mãe tentava
Estapear ele
E eu disse:
“pare mãe,
Ele está brincando!”
Eu não tive coragem
De fazer nada
Aí olhei pra ele e falei:
“ele matou,
Ele matou meu nenê,
O teu nenê mãe,
O Gilvan,
Matou!”
Eu não pude fazer nada.
Quando um bandido
Decide matar
Ele não para por nada,
Não importa
Qual argumento
Você tenha
Ou artifícios,
Ele te mata.
Um bandido
Matou meu irmão.

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