A garota nunca imaginou
Que se envolveria
Num relacionamento tóxico,
Do tipo em que o namorado
Convida os amigos para beber
E comer churrasco
E por tradição,
Começa a esnobá-la
Em frente a todos.
Foi dessa forma
Que ocorreu desde o primeiro encontro,
E Ranita não sabe
Porque continuou com isso,
Roão passava a mão
Na sua bunda na frente de todos,
Exigia cerveja gelada
E erguia sua saia
Toda vez que ela chegava perto.
Ele tinha algo que coçava
Em sua mão,
A todo instante a apalpava
E cheirava seu corpo
Buscando marcas
E cheiros que denunciasse
Seu caso de amor.
Pois é, Roão nunca lhe deu razão
Ou acreditou na palavra de Ranita,
Cada vez que podia
Erguia sua roupa,
Vasculhava a sua calcinha
Na frente de todos
E ainda lhe dava tapas
Na bunda e nas cochas
Que ele dizia que eram de amor
E domínio.
Ele só faltou tatuar
O nome dele nas regiões de Ranita,
E depois disso,
Ele a encontrava dentro de casa
E reclama dos vermelhões
E apertões que ele próprio
Tinha feito.
Roão a obrigava
A fazer uma espécie
De encenação de amor
A pegando no colo
E lhe fazendo carícias expostas
Na frente de todos,
E depois ele a seguia pelos cômodos,
A obrigando a ter relações sexuais
Com ele.
Ele a obrigava a beber
Lhe derramando a bebida
Garganta abaixo,
E exigia provas de amor,
Pedindo que ela dançasse
Sobre a mesa
E fingisse tirar a roupa,
Tudo isso exigia da moral
De Ranita um percentual
De baixaria.
"E se alguém gravar?"
Ela perguntava.
"Quem grava sou eu".
Ele respondia,
E a chamava de "gostosa",
E outras coisas pegajosas
De cunho sexual.
Isso denegriu Ranita
Para si própria,
Era muita sexualização
De seu corpo,
Ela parecia ser um objeto,
Uma espécie de prostituta
Gratuita.
O preço deste relacionamento
Era a sua dignidade,
De repente,
Roão invadiu a sala
Onde ela estava e a
Encontrou com uma amiga
Sentada no sofá,
Imediatamente ele deu-lhe
Um tapa na cocha
E falou alto:
"Vocês estão transando?"
Ela o olhou assustada:
"É certo que não".
Ela disse.
Mas, ele invadiu com sua mão
A sua saia e penetrou
Com o dedos a sua vagina:
"Então, eu quero isso de você,
Agora."
Ele disse em tom áspero.
Ranita desta vez
não cedeu,
Levantou-se munindo-se
Do pouco de dignidade
Que tinha e foi para
A direção do quarto,
Porem, Roão a pegou
Pelos cabelos e a impediu
Derrubando-a para trás,
E arrancando um chumaço
De cabelos.
Sua amiga Assilei,
Chamou a polícia
Que logo chegou
Com as sirenes ligadas,
E as luzes de emergência.
A vida de Ranita foi exposta
Para toda a vizinhança.
E Roão foi preso
Por violência doméstica,
Ranita mostrou as marcas
Aos policiais e contou
Como tudo ocorreu,
Também pediu medida de proteção,
Que trata-se de uma ordem judicial
Para que ele afasta-se dela.
Agora Ranita se envolveu
Com o policial que lhe ajudou,
Ela ainda busca em suas mãos
Alguma marca que denuncie violência,
Não acredita que ele nunca irá
Bater nela,
Como o namorado anterior,
Que não era policial mas
Lhe jurando amor
Tanto mal lhe fez.
A noite ela acorda assustada
E busca o policial ao seu lado,
Ela se sente segura,
Ele não irá gritar contra ela,
Prendê-la ou ofendê-la,
Ele é um bom soldado
Que soube vê-la,
Admirá-la e protegê-la.
Cada vez que ele sai
Para trabalhar
Ela se ajoelha
Implorando a Deus
Que ele volte bem
E que ninguém o fira,
Ela ama a arma que ele
Usa no coldre,
Ama suas mãos fortes
E seguras,
Ama seu abraço,
Ela não quer perde-lo
Para um criminoso qualquer.
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