segunda-feira, 4 de maio de 2026

Opção minha te querer

O dia inicia
E meu coração resiste,
Não quer parar
De pensar no ontem,
Reviver os beijos,
Acender os sonhos.
Eu gostaria de que
Tudo não fosse tão difícil,
E estivéssemos juntos
Como estamos
No tanto que penso
Em você,
Em nós,
Nossos carinhos,
Os mimos,
Os afagos
Que não posso apagar,
Nem se quisesse
Poderia esconder.
Querido,
Não se trata de olhar,
Te guardo no coração,
Te seguro em minha alma,
Não se trata de paixão
Que apaga-se
E reacende-se do nada
É amor,
É espera,
É desejar,
É não poder esquecer
Por simples opção de amar.

domingo, 3 de maio de 2026

Aprisionada!

Estou de joelhos,
A segurar lágrimas,
A reter o sangue,
Me afligem os medos,
Me cansa a serenidade,
Eu já não tenho forças
Para levantar,
Seguir adiante
E fingir que nada houve.
Eu ouvi de você
O que não queria ouvir,
Eu vi de você,
O que não desejava ver,
Veja,
Não estou preparada,
Mas, cansei de você.
Estou a sangrar
Minhas feridas,
Arranhar a pele macia,
Prender os lábios
Para calar
Tudo que quero gritar,
Porque simplesmente,
Querido,
Eu cansei de lutar.
Estou a verter sangue,
Quebrar regras,
Pular os meses,
Desistir dos dias,
Odiar o relógio
E nada me aflige tanto
Quanto imaginar
Um futuro
Em que estarei presa
A tudo isso
Que me mantém amedrontada
E insegura a chorar
Dores antigas
E sofrer amores futuros.
Querido,
Me coloca em segurança,
É tão pouco,
Retém minhas lágrimas 
E interrompe este fluxo
De sangue e dores,
Correm todos os anos
E eu sempre presa nisso?

Deus!

A noite tira o sono,
O dia me segura
Presa a cama,
Eu gostaria de ter fé,
Eu queria ter certezas,
Se precisasse rezar,
Rezaria tudo que fosse
Necessário,
Mas, queria respostas,
Meu dia é triste,
Minhas noites são vagas,
Sempre a ouvir,
E ouvir todas as vozes,
Eu digo: dá um tempo
Pra mim,
Busca outro refúgio,
Procura outro amparo,
Eu estou a me esgotar,
Perder as forças,
Nem tenho coragem
Para erguer o terço,
Levantar os olhos,
Buscar Deus,
Sim, acho que
Baixei a cabeça
E mais concordo
Que resisto,
Penso que luto pouco,
E nem sei em qual
Final acredito,
Mas, poxa,
Me dá um tempo,
Me deixa viver,
Eu preciso dos meus sonhos,
Cara... Eu cansei de você!

Planejamento

A noite planejo
Meu próximo dia,
Não gosto do acaso,
Prefiro tudo registrado,
Sou a garota
Que busca provas,
Mas odeia discutir,
Prefere as coisas postas,
Sem ofender,
Sem confundir.
Acordo com preguiça
Odeio o meu sair da cama,
Corro para o banheiro,
Lavo o rosto,
Molho as mãos
E tudo se organiza,
Eu sigo o roteiro.
Não gosto do inevitável,
Odeio não concluir
O acordado,
Busco e exijo resultados,
Não gosto do imprevisto,
Exceto quando se refere
A um beijo quente,
Que tira o fôlego
E dá um tempo.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Cinco irmãs na Janela

Havia uma família
Que morava no interior,
Num lugar escondido,
Entre árvores,
Um rio de águas límpidas
E um amor proibido:
O amor pela liberdade!
Seus pais foram colher
Pasto para as vaquinhas
De leite que tinham,
Encheram a carroça,
Guardaram seus facões
Enfiados na tábua da beirada
Da carroça,
Colocaram os bois na canga
E subiram nela.
Sentados sobre o pasto,
Abraçados já tarde do dia,
Não enxergaram a cobra
Que com um bote pulou
Do barranco e feriu o boi
Na perna.
Amedrontado e assustado,
Ele escoiceou e mexeu
A cabeça com força,
Isso assustou o outro boi,
E ambos saíram da estrada
E rumaram para o barranco
Berrando e babando.
A carroça não aguentou
O trajeto,
Sobre o barranco ela
Se desestabilizou,
E a caixa de madeira subiu
Do assoalho de madeira,
Se desencaixando
Do restante.
Este movimento fez
O pasto ser jogado
Para o alto e o casal
Se desequilibrou,
Aos gritos eles tentavam
Se manter vivos.
Porém, uma roda se partiu
No encaixe de madeira
E caiu,
Então, a carroça cheia
Com pastos caindo para
Os lados
Pensei para o lado direito
E caiu se entortando inteira,
O pasto veio sobre o casal
Que não soube ser rápido
Para descer a tempo
De cima da carroça
Com um pulo.
Os bois insistiram em puxar
A carroça e isso a levou
Para frente,
Derramando o pasto sem parar,
Até que o boi se colocou de joelhos
E não conseguiu seguir adiante.
O outro ficou em pé,
Mantendo a canga no pescoço,
O casal gemia de dor,
Mas estavam longe
Das filhas,
Ninguém podia ouvir-los.
-querido, retire o pasto.
Dói meu braço.
Disse a esposa.
-querida, não tenho força,
Acho que o osso da
Minha perna está para fora
Da minha pele...
Parece que o sinto.
Dói muito.
E suas vozes foram silenciando.
-querido, eu te amo.
-querida, amo você.
-querido, preciso saber
De nossas filhas.
-querida, elas ficarão bem.
-querido, acho
Que nunca mais as veremos.
-querida, fique calma.
O boi gemia,
Enfiava a cabeça na terra,
Eles saíram no barranco
Para caírem sobre a roça
Onde havia pedras e terra.
Logo, o boi quebrou
O pescoço e morreu bufando
E babando.
Passou o dia,
Chegou a noite.
As cinco garotas acenderam
O lampião e foram atrás
De seus pais
Com velas e o lampião.
Demoraram,
Passaram do local,
Depois vendo as marcas
Das rodas da carroça no chão,
Viram a carroça caída,
O pasto jogado do lado.
Correram até lá,
Gritando pelos pais,
Os acharam imprensados
Embaixo do pasto mortos.
O tempo passou,
As cinco moças
Optaram por continuarem
Em sua casa,
Sozinhas.
Os tios moravam longe,
E a avó pouco as via,
O interior cheio de frutas,
Aromas de chás
Por toda parte
E flores que voavam pela
Janela é lindo de se ver,
Mas, é distante de tudo,
É quase um abandono,
Uma espécie de esquecimento.
É como se o céu
E o túmulo se confundissem
Na névoa densa,
Flores e folhas secas
Ganhavam o céu azul
O tingindo de cinzas,
Assim como os túmulos,
Que repletos delas,
Nem se distinguir dentre
O chão e o horizonte.
Um homem passou
A frequentar a casa
Nas noites,
Era tarde,
E o lampião era apagado
As pressas,
Elas demoraram para acreditar
Que alguém seria capaz
De fazer isso.
Mas, ele foi,
E na primeira vez em que
Foi descoberto,
Vez que Alice guardou
Uma vela extra embaixo
Da cama
E ouvindo passos sorrateiros
A acendeu,
Dando de cara
Com um homem vestido
De amarelo e verde,
Que não sorriu ou se
Espantou,
Simplesmente, pegou
O travesseiro
Que estava ao lado dela
Pôs em sua boca
E a matou.
Perdeu-se aí a primeira irmã.
As quatro que restaram
Dividiram seu tempo
Entre a janela e o quintal
Repleto de grama, flores
E um lindo pomar.
Não tardou,
Ele se aproximou,
Sendo visto,
Se irritou,
Outra vez perdeu-se
Uma irmã.
Ela estava na cozinha,
Era tarde,
Perdeu o sono,
Fazia um bolo
No fogão a lenha,
Sua velinha crepitava
Contra a parede
Fazendo sombras e desenhos.
Um se destacou,
Então, depois,
Sem que ela virasse
Para trás de sua cadeira
De onde colocava lenha
No fogo,
A chama se apagou
E seus olhos nunca
Mais viram a luz do dia.
No túmulo simples
Descansam as almas
De um casal,
E duas filhas,
Contudo, uma delas
Se decidiu a sair de casa,
Não foi distante,
Uma foice interrompeu
Seu caminho,
Saindo de dentro de uma
Área verde,
Como se tivesse vida,
Somente a foice
Caiu sobre seu pescoço,
Então, caída no chão
Engasgada de sangue
Viu uma mão,
Assustada, não quis
Ficar longe de casa,
Correu,
E se embrenhou na mata
Até chegar ao túmulo
De seus pais,
Lá caiu e foi encontrada
Mais tarde.
Meses após isso,
Uma cobra pegou a
Quarta irmã que visitava
O túmulo,
Ela morreu ali mesmo.
A outra envelheceu,
O choro levou seu sorriso,
Marcou seu rosto,
E tirou sua beleza,
Indo ao túmulo ver a família,
Um berne enorme
Saltou de lá e a comeu
Inteira,
De único salto e mordida.
Até hoje está mata
É recordada pela cidade,
Cuja beleza das moças
Se tornou folclore,
No túmulo existem sete nomes,
O dos pais e de suas sete filhas.
A lápide verga,
E logo depois é trocada
Por um estranho,
E distante de tudo,
Ao ver-se a janela daquela
Casa quase é possível ver
Cinco irmãs apoiadas
No beiral olhando o quintal
Florido sorrindo.
O vento se encarregou
De guardar para si
A imagem delas,
Derrubou uma árvore
Sobre a casa,
Que deixou para sempre
A janela escancarada,
Enquanto o telhado vergava
Para o chão
De onde quase se toca
A altura da janela.

Bolas de Choro

Ela conheceu o amor
Nos braços de Miranlo,
Mas, durou pouco demais.
Todo amor quando
É verdadeiro,
Dura pouco demais
Se no caminho
Ele é deixado a plano.
Ela acordou,
Ouviu a vizinha chorar alto,
Então, ouviu tapas e gritos,
Depois disso,
Ouviu barulhos intensos
De móveis quebrando.
De sua sacada,
Ela gritou:
Vizinho, deixe de bater
Em sua esposa.
Irritado ele saiu
Para fora,
Pegou a vassoura
E bateu nela no rosto.
Acertando três vezes,
Depois ela caiu,
Ele morava ao lado,
Era alto,
De sua área bateu nela.
Em silêncio,
Só tinha o olhar irritado
Para contar o quanto
Queria mata-la,
Nisto, ele se agarrou
Na murada da sacada
E tentou subir até ela.
A alcançaria,
E a mataria.
Ele era grande,
Irritável e batia muito.
Notou-se um embrulho
Ensanguentado no lixo
Dele,
Com certeza se devia
A algum crime.
Talvez, fosse o pano
Que ele usou para limpar
O chão de sua casa
Depois de tanto bater
Na esposa.
Ele resvalou,
Feriu a mão e voltou
Para dentro de sua casa,
Lá continuou a bater
Na esposa,
Desta vez, vem um barulho
Diferente.
Ouviu-se gritos
Depois apenas soluços.
Ela foi até dentro de sua casa
E informou ao esposo
O quanto o vizinho a feriu,
Ele acordou sonolento,
Abraçou a esposa,
Disse que a amava.
Nem trocou o pijama,
Pôs sua pantufa
E saiu porta a fora,
Lá da calçada gritou:
-Vizinho, quem vive é
Para bater nas pessoas?
Depois disso,
Ele bateu palmas
E continuou.
-vizinho você não é pai
De ninguém para dar educação
Aos outros ao seu modo.
O vizinho pôs o rosto
Na janela o vendo sorriu
E chacoalhou a mão aberta
De lado para o outro.
Prometeu atalhar o destino
Do outro e o fez,
Sacou um revólver
Que ele tinha escondido
Embaixo do colchão,
Dentro do colchão,
Para ser exato,
Estava municiado.
Ele chegou até a janela
E dali atirou seis vezes.
O corpo do outro chacoalhou
E gritou socorro,
Depois caiu entre o pranto,
Murmúrios inaudíveis
E soluços imóvel no chão
Com um estalo.
Ela saiu correndo
Para fora,
De camisola e pantufa,
Abriu a porta e correu,
Encontrou seu esposo
No último suspiro,
Que teve tempo de dizer:
-te amo.
Adeus.
E fechou os olhos
Agarrado a ela,
Com sangue escorrendo
Em seu pijama,
Sua respiração ficou lenta,
Depois mais lenta
E parou.
Ela gritou para o céu
Ajoelhada em prantos:
-eu te amo,
Não me deixe,
Fique comigo!
O vizinho saiu até a área
E apontou a arma para ela:
-cala a boca
Puta desgraçada!
Ele disse,
E atirou,
Porém, já havia gastado
Todas as balas.
-vou recarregar está bosta
E volto,
Você me paga maldita!
Ela continuou abraçada
Ao esposo que não respirava,
Chorando e triste.
Lá dentro a esposa do vizinho
Gritou muito,
Gritou muito mais alto:
-não, não, por favor não!
O vizinho voltou correndo
De lá,
Juntou pedras na calçada
E a apedrejou:
-morra desgraçada!
Ele gritou.
Não chegou tão perto,
Mas jogou muitas pedras.
Depois saiu
E foi para o bar
Próximo a sua casa
Beber e jogar cacheta.
A polícia chegou,
Alguém informou
O que houve,
A mulher estava abraçada
Ao esposo morto
Caída no chão sobre ele.
Com sangue, cortes profundos
E escoriações por toda a parte.
Na vistoria das proximidades,
A polícia achou estranho
Aquele embrulho sujo de sangue:
-este sangue é seu?
Indagou o policial
Apontando para o saco
Na lixeira.
Ela só maneou a cabeça
Em negativa,
Ele abriu o saco
E lá havia um bebê,
Sem roupa e muito jovem,
Sujo de sangue
E respirava,
Mas estava em silêncio
De olhos fechados.
- o que é isso?
Gritou o policial assustado.
Com a arma apontando
Para o bebê
E para os lados amedrontado.
Se chorar virasse dinheiro,
Se diria que ela chorou
Até conseguir uma coleção
De bolas de gude,
Seu choro se condensou
Em pequenas bolas
E agora elas as tinha guardadas...
A rolar pelo assoalho empoeirado.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Fuga

Eu fugi do nosso amor,
E daquele tempo,
Dos sonhos apaixonados,
E de você,
Eu fugi para muito longe.
Mas, se lágrimas
Se cristalizassem,
Eu teria feito uma casa inteira
De diamantes,
Com tantos degraus de arrependimentos
Que eu já teria que
Construir uma área
Ao lado para lazer.
Eu comecei nossa história
Com sorrisos felizes
E espera incansável,
Havia tanto para te amar,
Mas senti tanto medo,
A sua profissão era confiável,
Mas, perigosa e ela
Lhe tomava de mim,
Na verdade,
Você vivia em função
Do seu trabalho
E a remuneração
Não era viável.
Eu fiquei a espera-lo
Por tanto tempo
Quanto outra qualquer
Não ficaria,
E aí quando você vinha
Vinham todos os problemas
E eu fui fraca,
Fraca demais para suportar.
Mas, partir para longe
Nunca foi refúgio,
E nem foi melhor
Que estar segura
Em seu abraço,
Eu sofri tanto
Mas, estou me esforçando
Para deixar tudo para trás,
E destas malditas lágrimas
Que tanto choro
Cristalizo pouco a pouco
E construo a vida,
A calçada,
Os alicerces, o teto,
A casa...
Noite triste está
Que vivo sem você,
Mas, choro silenciosa
E você já não pode
Me ouvir,
Melhor assim.
De paredes de vidros,
Espero que quando
Você passe,
Pois as vezes,
Desejo vê-lo,
Então, você olhe para
Onde eu estou
E me veja,
Entre o choro
E o sofrimento
Que se converteu
Nosso amor.

Destino à ROCAM