Ela conheceu o amor
Nos braços de Miranlo,
Mas, durou pouco demais.
Todo amor quando
É verdadeiro,
Dura pouco demais
Se no caminho
Ele é deixado a plano.
Ela acordou,
Ouviu a vizinha chorar alto,
Então, ouviu tapas e gritos,
Depois disso,
Ouviu barulhos intensos
De móveis quebrando.
De sua sacada,
Ela gritou:
Vizinho, deixe de bater
Em sua esposa.
Irritado ele saiu
Para fora,
Pegou a vassoura
E bateu nela no rosto.
Acertando três vezes,
Depois ela caiu,
Ele morava ao lado,
Era alto,
De sua área bateu nela.
Em silêncio,
Só tinha o olhar irritado
Para contar o quanto
Queria mata-la,
Nisto, ele se agarrou
Na murada da sacada
E tentou subir até ela.
A alcançaria,
E a mataria.
Ele era grande,
Irritável e batia muito.
Notou-se um embrulho
Ensanguentado no lixo
Dele,
Com certeza se devia
A algum crime.
Talvez, fosse o pano
Que ele usou para limpar
O chão de sua casa
Depois de tanto bater
Na esposa.
Ele resvalou,
Feriu a mão e voltou
Para dentro de sua casa,
Lá continuou a bater
Na esposa,
Desta vez, vem um barulho
Diferente.
Ouviu-se gritos
Depois apenas soluços.
Ela foi até dentro de sua casa
E informou ao esposo
O quanto o vizinho a feriu,
Ele acordou sonolento,
Abraçou a esposa,
Disse que a amava.
Nem trocou o pijama,
Pôs sua pantufa
E saiu porta a fora,
Lá da calçada gritou:
-Vizinho, quem vive é
Para bater nas pessoas?
Depois disso,
Ele bateu palmas
E continuou.
-vizinho você não é pai
De ninguém para dar educação
Aos outros ao seu modo.
O vizinho pôs o rosto
Na janela o vendo sorriu
E chacoalhou a mão aberta
De lado para o outro.
Prometeu atalhar o destino
Do outro e o fez,
Sacou um revólver
Que ele tinha escondido
Embaixo do colchão,
Dentro do colchão,
Para ser exato,
Estava municiado.
Ele chegou até a janela
E dali atirou seis vezes.
O corpo do outro chacoalhou
E gritou socorro,
Depois caiu entre o pranto,
Murmúrios inaudíveis
E soluços imóvel no chão
Com um estalo.
Ela saiu correndo
Para fora,
De camisola e pantufa,
Abriu a porta e correu,
Encontrou seu esposo
No último suspiro,
Que teve tempo de dizer:
-te amo.
Adeus.
E fechou os olhos
Agarrado a ela,
Com sangue escorrendo
Em seu pijama,
Sua respiração ficou lenta,
Depois mais lenta
E parou.
Ela gritou para o céu
Ajoelhada em prantos:
-eu te amo,
Não me deixe,
Fique comigo!
O vizinho saiu até a área
E apontou a arma para ela:
-cala a boca
Puta desgraçada!
Ele disse,
E atirou,
Porém, já havia gastado
Todas as balas.
-vou recarregar está bosta
E volto,
Você me paga maldita!
Ela continuou abraçada
Ao esposo que não respirava,
Chorando e triste.
Lá dentro a esposa do vizinho
Gritou muito,
Gritou muito mais alto:
-não, não, por favor não!
O vizinho voltou correndo
De lá,
Juntou pedras na calçada
E a apedrejou:
-morra desgraçada!
Ele gritou.
Não chegou tão perto,
Mas jogou muitas pedras.
Depois saiu
E foi para o bar
Próximo a sua casa
Beber e jogar cacheta.
A polícia chegou,
Alguém informou
O que houve,
A mulher estava abraçada
Ao esposo morto
Caída no chão sobre ele.
Com sangue, cortes profundos
E escoriações por toda a parte.
Na vistoria das proximidades,
A polícia achou estranho
Aquele embrulho sujo de sangue:
-este sangue é seu?
Indagou o policial
Apontando para o saco
Na lixeira.
Ela só maneou a cabeça
Em negativa,
Ele abriu o saco
E lá havia um bebê,
Sem roupa e muito jovem,
Sujo de sangue
E respirava,
Mas estava em silêncio
De olhos fechados.
- o que é isso?
Gritou o policial assustado.
Com a arma apontando
Para o bebê
E para os lados amedrontado.
Se chorar virasse dinheiro,
Se diria que ela chorou
Até conseguir uma coleção
De bolas de gude,
Seu choro se condensou
Em pequenas bolas
E agora elas as tinha guardadas...
A rolar pelo assoalho empoeirado.
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