Havia uma família
Que morava no interior,
Num lugar escondido,
Entre árvores,
Um rio de águas límpidas
E um amor proibido:
O amor pela liberdade!
Seus pais foram colher
Pasto para as vaquinhas
De leite que tinham,
Encheram a carroça,
Guardaram seus facões
Enfiados na tábua da beirada
Da carroça,
Colocaram os bois na canga
E subiram nela.
Sentados sobre o pasto,
Abraçados já tarde do dia,
Não enxergaram a cobra
Que com um bote pulou
Do barranco e feriu o boi
Na perna.
Amedrontado e assustado,
Ele escoiceou e mexeu
A cabeça com força,
Isso assustou o outro boi,
E ambos saíram da estrada
E rumaram para o barranco
Berrando e babando.
A carroça não aguentou
O trajeto,
Sobre o barranco ela
Se desestabilizou,
E a caixa de madeira subiu
Do assoalho de madeira,
Se desencaixando
Do restante.
Este movimento fez
O pasto ser jogado
Para o alto e o casal
Se desequilibrou,
Aos gritos eles tentavam
Se manter vivos.
Porém, uma roda se partiu
No encaixe de madeira
E caiu,
Então, a carroça cheia
Com pastos caindo para
Os lados
Pensei para o lado direito
E caiu se entortando inteira,
O pasto veio sobre o casal
Que não soube ser rápido
Para descer a tempo
De cima da carroça
Com um pulo.
Os bois insistiram em puxar
A carroça e isso a levou
Para frente,
Derramando o pasto sem parar,
Até que o boi se colocou de joelhos
E não conseguiu seguir adiante.
O outro ficou em pé,
Mantendo a canga no pescoço,
O casal gemia de dor,
Mas estavam longe
Das filhas,
Ninguém podia ouvir-los.
-querido, retire o pasto.
Dói meu braço.
Disse a esposa.
-querida, não tenho força,
Acho que o osso da
Minha perna está para fora
Da minha pele...
Parece que o sinto.
Dói muito.
E suas vozes foram silenciando.
-querido, eu te amo.
-querida, amo você.
-querido, preciso saber
De nossas filhas.
-querida, elas ficarão bem.
-querido, acho
Que nunca mais as veremos.
-querida, fique calma.
O boi gemia,
Enfiava a cabeça na terra,
Eles saíram no barranco
Para caírem sobre a roça
Onde havia pedras e terra.
Logo, o boi quebrou
O pescoço e morreu bufando
E babando.
Passou o dia,
Chegou a noite.
As cinco garotas acenderam
O lampião e foram atrás
De seus pais
Com velas e o lampião.
Demoraram,
Passaram do local,
Depois vendo as marcas
Das rodas da carroça no chão,
Viram a carroça caída,
O pasto jogado do lado.
Correram até lá,
Gritando pelos pais,
Os acharam imprensados
Embaixo do pasto mortos.
O tempo passou,
As cinco moças
Optaram por continuarem
Em sua casa,
Sozinhas.
Os tios moravam longe,
E a avó pouco as via,
O interior cheio de frutas,
Aromas de chás
Por toda parte
E flores que voavam pela
Janela é lindo de se ver,
Mas, é distante de tudo,
É quase um abandono,
Uma espécie de esquecimento.
É como se o céu
E o túmulo se confundissem
Na névoa densa,
Flores e folhas secas
Ganhavam o céu azul
O tingindo de cinzas,
Assim como os túmulos,
Que repletos delas,
Nem se distinguir dentre
O chão e o horizonte.
Um homem passou
A frequentar a casa
Nas noites,
Era tarde,
E o lampião era apagado
As pressas,
Elas demoraram para acreditar
Que alguém seria capaz
De fazer isso.
Mas, ele foi,
E na primeira vez em que
Foi descoberto,
Vez que Alice guardou
Uma vela extra embaixo
Da cama
E ouvindo passos sorrateiros
A acendeu,
Dando de cara
Com um homem vestido
De amarelo e verde,
Que não sorriu ou se
Espantou,
Simplesmente, pegou
O travesseiro
Que estava ao lado dela
Pôs em sua boca
E a matou.
Perdeu-se aí a primeira irmã.
As quatro que restaram
Dividiram seu tempo
Entre a janela e o quintal
Repleto de grama, flores
E um lindo pomar.
Não tardou,
Ele se aproximou,
Sendo visto,
Se irritou,
Outra vez perdeu-se
Uma irmã.
Ela estava na cozinha,
Era tarde,
Perdeu o sono,
Fazia um bolo
No fogão a lenha,
Sua velinha crepitava
Contra a parede
Fazendo sombras e desenhos.
Um se destacou,
Então, depois,
Sem que ela virasse
Para trás de sua cadeira
De onde colocava lenha
No fogo,
A chama se apagou
E seus olhos nunca
Mais viram a luz do dia.
No túmulo simples
Descansam as almas
De um casal,
E duas filhas,
Contudo, uma delas
Se decidiu a sair de casa,
Não foi distante,
Uma foice interrompeu
Seu caminho,
Saindo de dentro de uma
Área verde,
Como se tivesse vida,
Somente a foice
Caiu sobre seu pescoço,
Então, caída no chão
Engasgada de sangue
Viu uma mão,
Assustada, não quis
Ficar longe de casa,
Correu,
E se embrenhou na mata
Até chegar ao túmulo
De seus pais,
Lá caiu e foi encontrada
Mais tarde.
Meses após isso,
Uma cobra pegou a
Quarta irmã que visitava
O túmulo,
Ela morreu ali mesmo.
A outra envelheceu,
O choro levou seu sorriso,
Marcou seu rosto,
E tirou sua beleza,
Indo ao túmulo ver a família,
Um berne enorme
Saltou de lá e a comeu
Inteira,
De único salto e mordida.
Até hoje está mata
É recordada pela cidade,
Cuja beleza das moças
Se tornou folclore,
No túmulo existem sete nomes,
O dos pais e de suas sete filhas.
A lápide verga,
E logo depois é trocada
Por um estranho,
E distante de tudo,
Ao ver-se a janela daquela
Casa quase é possível ver
Cinco irmãs apoiadas
No beiral olhando o quintal
Florido sorrindo.
O vento se encarregou
De guardar para si
A imagem delas,
Derrubou uma árvore
Sobre a casa,
Que deixou para sempre
A janela escancarada,
Enquanto o telhado vergava
Para o chão
De onde quase se toca
A altura da janela.
Nenhum comentário:
Postar um comentário