Serpenteava pelo solo:
- estamos salvos,
Ela jamais nos pegará
Aqui em cima.
Disse meu irmão
E pegou minha mão
E me puxou pelo cipó
No qual subia
Bem rápido
Até a árvore onde
Ele estava agarrado.
- errado!
Eu disse.
Quando a cobra boteou
Meu bumbum
E não alcançou ele
Por um triz.
- corre!
Ele disse
Ao olhar para baixo
E se puxou muito
Mais ágil
E me puxou.
Subimos a árvore grossa,
E a cobra pos-se a se enrolar
Nela lá debaixo,
E nós fomos mais longe,
Fomos até o final do galho:
- não há saída!
Ele disse assustado.
- e não há retorno.
Eu respondi
Abraçando ele trêmula
De medo.
A enorme cabeça da cobra
Começava a aparecer
Pelo tronco.
- precisamos nos salvar.
Ele disse.
Então, um minúsculo beija-flor
Passou voando por nós
E como se fosse mágica
Voltou e passou a beijar
As flores que estavam próximas.
- jogue-se.
Eu disse ao meu irmão
E ne joguei
E puxei remédio junto,
Eu confiei em meu amor
Por ele e de repente
Ficamos minusculos
E voamos sobre o pequeno
Pássaro beija-flor.
Logo ele afastou-se
E a cobra num pulo
Chegou onde estávamos
Anteriormente e não nos
Encontrou.
Pulamos no solo
Bem depois disso,
E voltamos a ser
As pequenas crianças de antes.
Sentindo-nos salvos
Logo demos de cara
Com seis quero-quero
Que tinham seus ninhos
Por aquele local,
Irritados eles se juntaram
E investiram contra nós,
Voando e cantando alto:
- quero quero quero quero!
Mostrando seus ferrões
Afiados em nossa direção,
Muito irritados
E chegando cada vez
Mais perto.
Peguei a mão do meu irmão
E corri muito,
Corri sem destino,
Corri feito louca:
- corre rápido!
Eu gritei e mudei
O curso do destino
Indo parar de cara
Como rio:
- e agora não sei nadar!
Eu gritei assustada,
Olhamos para trás
E aqueles bichos
Continuavam investindo
Contra nós
Com aquele canto assustador:
- também não sei,
Precisamos fugir.
Disse meu irmão chorando.
Eu senti medo
Mas ninguém me dá
Mais força que meu irmão,
Ele sempre acredita
Em mim,
Confia e segue
Minha opinião,
Então, apertei forte
A mão dele,
Olhei em seu rosto e disse:
- pule!
Pulamos naquele rio
Sem cabimento
Ou sabimento,
Um peixe nadou até nós
Veio tão perto
Que ficamos pequeninos
E ele nos puxou
Agarrados as suas barbatanas.
Longe, muito longe
E salvos fomos levados
Por ele que de um salto
Nos pos fora da água.
Deitamos na terra
Da beira do rio
E respiramos aliviados.
A quem em nossa terra
Precise de brinquedos,
Há outros que tolhem-se
Os medos, os anseios
E não os sonos,
Estes quando dormem sonham
E acordados revivem-nos
Em contos.
A chuva cae-se a terra,
E não ha nela lágrimas
Nem que queira
Ou aparente-as,
Dessem pingos
Que não são veneno,
Tão pura e casta
Lava o terreno,
Lava o telhado
E não lava o assoalho,
Mas lava os pés do garoto
Que conta e reconta
Novos fatos
A irmã que sonha
E acorda e não põe fim
A história.
E lentamente, toda a volta
Perde o adubo,
O solo fértil
E o trabalho solidifica-se,
Cai a tapera nas almas
E nas coisas,
Fogem dela duas crianças.
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